Crítica – O Caçador de Pipas

Sempre comentei que o pior defeito que um filme pode conter é a presença de clichês e/ou estereótipos em seu contexto. Porém, nestes últimos dias tenho reparado que algo me incomoda muito mais do que a simples inserção de chavões no roteiro do filme: se trata dos insultos a inteligência do espectador (perdoem-me, mas não encontrei expressão mais conveniente para a ocasião). Do mesmo modo que os dois filmes da série “A Lenda do Tesouro Perdido” insulta a inteligência de seu público afirmando que os Estados Unidos são um país honrado e que sempre visou proteger os valores históricos de toda a humanidade (que em um ato de hipocrisia exacerbado, são representados por tesouros pertencentes exclusivamente aos Estados Unidos), esta bomba, baseada no best-seller de Khaled Hosseini, insulta o público ao tentar fazê-lo acreditar que a terra do Tio Sam é um grande mantedor da ordem e da justiça social em países subdesenvolvidos. Confirma mais detalhes de tamanha alienação abaixo.

Ficha Técnica Em Andamento

Sinopse: Em um país dividido e à beira da guerra, dois amigos de infância, Amir e Hassan, estão prestes a se separarem para sempre. É uma gloriosa tarde em Kabul e os céus explodem com a alegria contagiante de um torneio de pipas. Mas, depois da vitória daquele dia, um terrível ato de traição de um menino irá marcar suas vidas para sempre e dar início a uma busca épica pela redenção. Agora, depois de viver nos Estados Unidos durante 20 anos, Amir volta para um perigoso Afeganistão, sob o governo mão-de-ferro do Talibã, para enfrentar os segredos que ainda o assombram e aproveitar a única e última ousada chance que tem para consertar as coisas.

The Kite Runner – Trailer

Crítica:

O Caçador de Pipas” me remeteu, da maneira mais estranha o possível, à lembrança de “…E o Vento Levou”. Acalmem-se, não perdi a razão e já irei explicar o porquê desta bizarra analogia que realizei entre ambos os filmes. Comparar a obra de Forster com a de Flemming não é necessariamente um elogio, mas sim uma crítica negativa. Enquanto assistia a este “O Caçador de Pipas” tive a ligeira impressão de que diretor e roteirista decidiram transportar um dos maiores defeitos do vencedor do Oscar® de 1940, a alienação daquele. O longa em questão bem que poderia começar com uma narrativa ridícula como a obra-prima de Victor Flemming afirmando que, antes da invasão que os Ianques realizaram à parte sul dos Estados Unidos, latifundiários e escravos viviam em plena harmonia. O problema é que aqui os Ianques seriam substituídos pelos Comunistas, o sul estadunidense pelo Afeganistão e latifundiários e escravos respectivamente pelos burgueses e proletários. Contando com uma excelente premissa em mãos, Forster transforma o que tinha tudo para ser um grande filme em algo absurdamente conservador. Segundo o longa, antes da invasão comunista ao Afeganistão, os habitantes daquele país eram pessoas felizes e satisfeitas com o seu estilo de vida regado pelas “maravilhas” consumistas oferecidas pela Globalização (que sim, já existia, ao menos teoricamente, naquela época). Contudo, o longa afirma que tal invasão viria a ser o divisor de águas entre uma era gloriosa que viveu o Afeganistão pré-Guerra Fria e o inferno que o país se tornou após o ocorrido. Além de politicamente hipócrita, o longa em questão conta com o maior número de estereótipos que tive a infelicidade de testemunhar nos últimos dois anos, variando entre pessoas bondosas ao extremo, a ponto de serem estoicistas e indivíduos que se mostram extremamente cruéis apenas por prazer (não preciso dizer que muitos destes indivíduos são soldados comunistas, não é?). O longa ganha muita força graças à direção de Forster e seus minutos finais, mas o desfecho extremamente previsível é algo imperdoável.

Avaliação Final: 3,0 na escala de 10,0.

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