Max Payne – * de *****

Ficha Técnica:
Max Payne – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=MEx7ug0IAUI&hl=pt-br&fs=1]
Crítica:
E se o filme em questão nada mais é do que uma descarada mistureba dos aspectos das obras mencionadas no parágrafo anterior, o mínimo que podemos esperar deste é que ao menos funcione corretamente como entretenimento, não é? Pois é, mas o problema mor está justamente aí, nem como mera diversão “Max Payne” funciona. Qual o maior defeito que uma produção cinematográfica que visa apenas divertir o seu público alvo pode possuir? Se revelar um filme chato e não conseguir diverti-lo, correto? Exato, e a obra protagonizada por Mark Wahlberg falha gravemente neste quesito, uma vez que a mesma conta com uma ação levemente eficaz, mas muito má distribuída ao longo de sua projeção.
“Max Payne” já começa mal. Logo no início somos bruscamente apresentados ao protagonista da estória imergindo vagarosamente em um lago de Nova York. Depois, ficamos sabendo que o mesmo almeja buscar vingança contra os responsáveis pela morte de sua família. Em seguida, o roteiro nos introduz a algumas cenas de ação que não cativam em momento algum e, a partir de então, o personagem-título nem ao menos é explorado pelo roteiro. Não sabemos nada mais sobre o mesmo, exceto o desejo deste em se infiltrar na quadrilha e, conforme fora citado há pouco, se vingar dos assassinos de sua esposa e filho (lembrou-se de mais algum filme? Exato, “Mad Max”, como pude deixar de mencioná-lo no primeiro parágrafo?). Agora, sejamos francos, se o roteiro nem ao menos se preocupa em abordar de forma mais ampla o protagonista da estória, como este quer que nos cativemos com o mesmo? A sensação que fica é a de que o filme só se compromete em agradar os fãs do game, uma vez que estes certamente estão muito mais familiarizados com o personagem-título.
Até mesmo Mark Wahlberg, que na grande maioria das vezes realiza uma atuação competente, se mostra insatisfatório devido à visível fragilidade do péssimo roteiro de Beau Thorne que força-o a atuar de maneira extremamente caricata. Wahlberg é o tipo de ator cujo talento consegue realizar a incrível façanha de maquiar ligeiramente o pavoroso roteiro de “Fim dos Tempos”, graças à seu seguro trabalho, mas em “Max Payne” ele não se mostra capaz de salvar nem um pouco o filme, muito pelo contrário, torna a situação ainda mais desastrosa.
Adotando uma carranca mal-humorada durante o tempo todo, o ex-rapper transforma o seu personagem no estereótipo do sujeito amargurado, taciturno, e que segue a batida linhagem do indivíduo “bata primeiro, pergunte depois”. Uma espécie de Charles Bronson da segunda idade (e não é a toa que citei “Desejo de Matar” no primeiro parágrafo desta crítica, afinal de contas, “Max Payne” copiou não somente a estória daquele filme como também os trejeitos do protagonista). As demais atuações também são todas desastrosas.
O quê? Ah sim, eu sei que as pessoas que vão aos cinemas assistir ao longa de John Moore não estão tão preocupadas em avaliar a obra tomando por base características como atuação do elenco, direção, roteiro, entre outras coisas. O que eles querem mesmo é ação e efeitos visuais de primeira. Pois é como já fora previamente citado, as seqüências de ação deste “Max Payne” são levemente eficazes, mas muito má distribuídas pelo roteiro, podendo ser conferidas apenas no terceiro ato da mesma. E mesmo sendo eletrizantes (em especial a seqüência final), não há como deixarmos de notar a artificialidade presente nas mesmas. Pode-se observar tal falta de naturalidade não só através da facilidade com que o personagem-título elimina os seus opositores, contando com pouco ou nenhum auxílio, mas também pelo “sexto sentido” que Payne possui, a ponto de notar a presença de seus opositores até mesmo quando estes encontram-se perfeitame
nte bem escondidos ou tentam assassinar-lhe de surpresa pelas costas.
Outra grave falha presente em tais seqüências é a praticamente nula periculosidade a qual o protagonista é exposto diante das mesmas. Lembro-me perfeitamente que ao dissertar sobre “Star Wars – Episódio IV – Uma Nova Esperança” informei que a maior qualidade daquele filme era o modo como as suas seqüências de aventura, sobretudo o ataque à Estrela da Morte, se mostravam capazes de criar um clima amplamente tenso no espectador, expondo sempre os heróis do longa a uma altíssima periculosidade. Em “Max Payne” isto nunca ocorre, e quando pensamos que irá ocorrer, simplesmente aparece alguém na hora H e salva o protagonista (criativo, não?). Não bastasse Moore conferir uma fraca direção (ele nada mais faz que manter a câmera ligada enquanto os atores fingem que atuam e os responsáveis pelos efeitos visuais e CGI trabalham) à obra, ele também não se revela capaz de (salvo em alguns momentos) criar quaisquer tensões em seus espectadores.
Os efeitos visuais também deixam muito a desejar, funcionando apenas quando “resolvem” criar explosões e simular edifícios pegando fogo. No mais, se revelam cópias fiéis dos efeitos do ótimo “Constantine”, principalmente no que diz respeito a aparição de anjos negros.
Mas nem tudo são falhas no filme. Além das raras seqüências de ação que realmente valem a pena ser conferidas e dos poucos efeitos visuais que funcionam bem, “Max Payne” conta com uma fotografia magistralmente escura que, casada com uma direção de arte responsável pela construção de uma Nova York sombria e tomada pelo crime e pelas drogas, cria um clima gótico mais do que apropriado ao longa, uma vez que, após perder a família, o policial infiltrado no submundo da delinqüência passa a olhar o mundo de maneira depressiva e pessimista.
Visualmente belo, mas visivelmente falho como entretenimento e, principalmente, Arte. Esta frase resume bem “Max Payne”, um filme que se atreveu a plagiar sem quaisquer indícios de escrúpulos aspectos de diversas obras cinematográficas.
Avaliação Final: 3,0 na escala 10,0.
English
Español
Niederlande
Français
Русский
Italiano
日本語
Svenska
Deutsch
Suomen