Kung Fu Panda – ** de *****
Sinopse: Po (Jack Black) é um urso panda desengonçado cujo maior sonho é tornar-se um grande lutador de kung fu. Entretanto, além da falta de habilidade que possui para a prática de qualquer atividade física, o urso não deseja magoar o pai, que decidiu lhe atribuir o destino de administrar o restaurante de massas, que pertence à sua família há gerações. Porém, Po não contava que havia algo além do futuro que o seu pai havia destinado a ele e, inesperadamente, é eleito “O Guerreiro do Dragão” por um grande mestre do kung fu. Agora, cabe somente a ele defender o Vale da Paz da cólera do vingativo leopardo da neve Tai Lung (Ian McShane).
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“Kung Fu Panda” é um longa que começa muito bem. A princípio, adentramos o sonho do protagonista, logo em seguida nos é revelado que o maior desejo deste é ser um grande lutador de kung fu. É durante tal sonho que o roteiro insere aquela que talvez seja a piada mais interessante do longa. Trata-se da seqüência em que, após ser provocado, o protagonista se mantém inerte, saciando a sua refeição com toda a naturalidade do mundo. O leitor me pergunta: “___ Oras, mas onde está a graça nisso?”, “___ Nos dizeres sarcásticos da narrativa em off.” ___ Respondo eu (não vou citar os dizeres do narrador sob pena de estragar a piada, caso alguma pessoa que esteja lendo esta crítica no momento ainda não tenha tido a dúbia oportunidade de conferir o filme em questão). Infelizmente tal narrativa some. Pois é, logo ela que aparentava ser uma das grandes qualidades do filme, simplesmente desaparece e, com isso, dá espaço a uma animação nada engraçada, muito menos original.
Não que o longa não consiga propiciar ao leitor alguns sorrisos (todos sem dentes, diga-se) fora este que comentei no parágrafo acima (uma outra cena que me divertiu bastante foi a em que o pai do Panda nos é apresentado. Reparem na hilária bizarrice que é constatar que o pai de um urso panda é uma… bem, melhor deixar para lá, não quero estragar surpresas, e falo sério), mas a verdade é que ele se mostra pouco capaz de ir além disso.
O filme vai se desenvolvendo (será?) e as piadinhas e gags que se mostravam originalmente engraçadas e dinâmicas em seu intróito, dão espaço a um humor previsível, nada original e, o que é pior, sem graça. Todo o humor do filme passa a ser alicerçado nas condições físicas de Po (protagonista do filme), que é obeso. Logo, o filme torna-se altamente previsível, pois sabemos exatamente que, apenas para citar um exemplo, ao tentar se exercitar em um aparelho de ginástica deveras pequeno comparado ao tamanho de Po, o panda certamente ficará entalado no mesmo. E o que dizer então das seqüências patéticas onde ele tenta adentrar o Palácio de Jade, local onde irá ocorrer a eleição do Guerreiro do Dragão? Lastimável, um humor repleto de gags batidas e nada engraçadas.
Não bastasse isso, o roteiro ainda conta com mudanças de caráter artificiais em quase todos os seus personagens, sobretudo Shifu (explorado sob a estereotipada imagem do “professor” severo e frustrado). Se durante metade do filme Shifu move montanhas a fim de tirar Po de seu caminho, basta a saída brusca, repentina e artificial de um importante personagem da estória e algumas poucas palavras para fazer o rigoroso mestre mudar completamente a sua opinião sobre o panda desajeitado.
E se as piadas, as reviravoltas do roteiro e as bruscas mudanças de caráter de certos personagens se mostram altamente artificiais, a caracterização de Po não fica muito atrás. Além de seguir o estereotipo do sujeito desajeitado e frustrado por não conseguir realizar o grande sonho de sua vida (ser um grande lutador de kung fu), o panda é uma criatura exacerbadamente irritante (e a voz insuportável que Jack Black empregou para o compor, torna-o ainda mais irritante). É incrível notarmos como o mesmo grita a todo instante, muito me fez lembrar dos protagonistas do fraco “Madagascar” (falando nisso, será que algumas animações da Dreamworks relacionam o grau de entretenimento de seus filmes com o grau de histeria de seus personagens?).
Mas nem tudo em “Kung Fu Panda” são espinhos. Não, muito pelo contrário, o filme conta com diversas e importantes qualidades. Além da parte gráfica ser praticamente perfeita (nada que se compare a um “Wall-E”, mas tudo bem), a direção de Mark Osborne e John Stevenson é ótima, principalmente no que diz respeito à movimentação de câmeras. É, no mínimo, fascinante vermos o cuidado que ambos os diretores possuem com a criação de ângulos perfeitos e à maneira como ambos filmam as seqüências de ação, dando muito ritmo às mesmas.
Até mesmo o roteiro, que julgo como sendo o pior defeito do filme, possui qualidades que colaboram muito para a avaliação final da animação. Refiro-me às sub-estórias contidas no mesmo, sobretudo, as que explicam as pequenas lendas deste, algo que dá muito mais credibilidade à estória.
No geral, “Kung Fu Panda” é um filme nada original, sem graça, irritante, artificial, previsível, histérico e que conta com uma lição de moral explorada pelo roteiro da maneira mais clichê o possível. Aspectos como a direção, a a
lta qualidade de sua parte gráfica, as pequenas estórias muito bem desenvolvidas pelo roteiro, as cenas de luta e as pouquíssimas gags e/ou piadas que realmente funcionam fazem com que o filme ganhe muita credibilidade, mas não há como negar que este conta com muito mais erros do que acertos.
Avaliação Final: 4,5 na escala de 10,0.
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