“Mea Culpa” direcionado ao Adoro Cinema
Meus caros amigos, amigas, leitores e leitoras. Estamos tão acostumados a grosserias e mal tratos em nosso cotidiano que, infelizmente, acabamos nos tornando paranóicos diante de qualquer coisa que vemos ou lemos. Sinceramente, costumo ser um sujeito gentil e ponderado durante a maior parte do tempo, salvo quando me encontro com a bendita da Internet. Aí, sabe-se lá o porquê, tenho o péssimo hábito de rasgar o verbo a torta e à direita.
Por que estou dizendo isso? Simples, sábado passado tive a infelicidade de ir assistir a “G.I. Joe” e, pela primeira vez em quase dois anos de Cine-Phylum, passei a nutrir uma vontade incontrolável de abandonar a sala de cinema o quanto antes (apesar de ter resistido ao filme até o fim). Quando cheguei a minha casa, abri o Twitter e pude notar uma postagem do portal Adoro Cinema que dava um parecer demasiadamente favorável ao filme. Não pude crer no que estava lendo: um comentário de Roberto Cunha, que tanto respeito e admiro, ovacionando o filme? Cunha já havia criticado negativamente “O Nevoeiro” (na verdade, não me lembro se foi ele ou algum outro crítico daquele site, mas isso não vem ao caso agora), filme pelo qual nutro enorme respeito (apesar de não ter conferido 5 estrelas ao mesmo), e o fato de ter falado bem de “G.I. Joe” parecia ter sido a gota d´água para mim, que já havia tido uma semana estafante e estressante.
Neste instante, a imagem do rapaz calmo e tranquilo que utiliza o Twitter mais para fazer piadinhas sem-graça e descompromissadas do que para falar de Cinema em si, simplesmente desapareceu. Perdi a razão e passei a ofender o Adoro Cinema e o crítico Roberto Cunha gratuitamente, acusando ambos de falta de seriedade e de credibilidade (tudo por causa de duas críticas as quais discordei).
Ok, calculemos. Para um site e um crítico de Cinema, creio que são raras as ofensas que podem ser tidas como mais graves ou inadmissíveis do que ser acusado de falta de credibilidade ou de seriedade. Ainda mais quando o tal site trata-se do Adoro Cinema e o tal crítico trata-se de Roberto Cunha. Sejamos justos e sinceros, se há algo que não falta a ambos, é justamente seriedade e credibilidade, não?
Roberto Cunha sempre mostrou-se um profissional de respeito e que respeita. Quem lê os textos dele pode perceber claramente que, até mesmo quando um filme não lhe agrada nem um pouco, o crítico sempre procura defender uma postura mais racional diante da obra cinematográfica, evitando ridiculariza-la a todo o custo, diferentemente do que ocorre nos textos de muitas outras pessoas que trabalham no ramo (e confesso que, até mesmo quando tirava o “meu” escrevendo críticas, extrapolava bastante em meus textos). Logo, era de se estranhar que Roberto, por algum motivo, fosse capaz de atacar um leitor de seu site.
Anteontem, ou melhor, segunda-feira, o Twitter do Adoro Cinema voltou de sua “folga” no fim de semana e logo de cara começou a se justificar sobre as minhas acusações. Para ser sincero, imaginei que não fossem dar a mínima e que, tanto Roberto Cunha como Francisco Russo, ou qualquer um dos outros membros que formam esta maravilhosa equipe (e não estou adulando ou sendo hipócrita de forma alguma. Para que comprovem o quanto gosto e respeito o portal cinematográfico, basta repararem que sempre utilizo as sinopses que eles escrevem em minhas críticas e, é claro, sempre cito a fonte de onde as extraí e o(s) link(s) que direcione(m) às mesmas) fossem simplesmente apagar o meu ‘tweet’ ou, na pior das hipóteses, me bloquear.
O que vi, no entanto, foi uma série de justificativas de pessoas que pareciam ter se chateado ou se enfurecido profundamente com este meu ato. Em menos de meia hora, minha atitude havia sido tachada de antidemocrática e facciosa. Reconheci isto e, no mesmo instante, direcionei milhares de pedidos de desculpas ao site, reconhecendo o meu erro e autonomeando a minha postura de antiética, imatura e imbecil.
Contudo, por mais que solicitá-se desculpas, as críticas à minha atitude permaneceram e isso passou a me irritar profundamente (não é por nada não Roberto, mas aqui o erro foi seu. Custava ter me perdoado e dito frases clichês, embora sinceras, como: “Perdôo, mas que isso não se repita” ou coisas do tipo?). A situação piorou definitivamente quando, após eu ter mencionado: “Desculpem-me, agi com a emoção, e não com a razão!” recebi como resposta um: “Escrever de modo com que a emoção não se sobreponha à razão é um exercício contínuo. Quando escrevo o faço para várias pessoas, e não exclusivamente a mim.”.
Quem me conhece pessoalmente sabe que nutro um pessimismo extremado para com a raça humana, sendo que, em minha mente paranóica, tudo o que as pessoas dizem, o fazem com total intento de nos atacar. Quando notei que os meus pedidos de desculpas estavam sendo ignorados, passei a me enfurecer e, quando li o comentário feito por Cunha, logo imaginei que o mesmo estava se referindo à quantidade de leitores que o Adoro Cinema possui e à quantidade de leitores que o Cine-Phylum possui.
A fim de “esfregar na cara” de Cunha, e de toda a equipe que forma o portal no qual o mesmo publica os seus textos, que o Cine-Phylum não se trata de um blog cujo dono sofre de esquizofrenia virtual (ou seja, escreve apenas para si mesmo), ‘printei’ relatórios comprovando o número de visitantes mensais, o número de visitantes diários e a relação dos diferentes IP’s que acessam este espaço virtual todos os dias. Claro que os números não seriam tão notáveis quanto os do Adoro Cinema (na verdade, não chegariam nem perto do mesmo), mas ainda assim provaria que há, no mínimo, uma quantidade de visitantes respeitável que deixam as suas marcas por aqui (ainda que parecem nutrir um medo terrível de comentar aqui, não? Pois percam este medo).
Me enfureci com o comentário de Roberto Cunha. Pela primeira vez usei-me de palavras de baixo calão para atingir alguém pela internet. Decidi que seria capaz de escrever um texto enorme justificando a arrogância e a nugacidade do crítico. Separei frases nietzschianas (pois é, sempre Nietzsche) para atacá-lo com todas as forças (“tu olhas para cima pois precisas te elevar”, um amigo meu, curiosamente, citou-me esta mesma frase quando lhe contei a primeira versão da estória) e… enfim, montei uma produção toda a fim de acabar com os argumentos do rapaz quando, de repente, acordo pela manhã e, ao acessar o Twitter, percebo que Cunha, bem como toda a equipe do Adoro Cinema, pareciam estar espantados com o rumo o qual a conversa havia tomado, afinal, por que os palavrões? O que havia acontecido para merecer tanto?
Juntei as peças, lembrei-me do Roberto Cunha sempre centrado, bem como o site para o qual escreve, somei isso ao fato de eles provavelmente nem ao menos saberem da existência do blog Cine-Phylum (a não ser, é claro, que o conheça na condição de um perfil de Twitter que havia lhes proporcionando diversos insultos) e, principalmente, ter levado em conta o seguinte comentário: “não é correto você xingar quem nem ao menos conhece e nunca o desrespeitou”. Foi aí que me dei conta da paranóia que havia me cegado, afinal de contas, por mais hipócrita que fosse, o injuriado jamais alegaria não ter me desrespeitado caso houvesse realmente afirmado que escrevo apenas para mim e que, por este motivo, poderia me dar ao luxo de perder a razão quando bem entende-se.
E por falar em razão, lógica, e afins, o comentário dele (“Escrever de modo com que a emoção não se sobreponha à razão é um exercício contínuo. Quando eu escrevo o faço para várias pessoas, e não exclusivamente a mim.”) não ficaria muito mais coerente se o mesmo fosse interpretado da seguinte forma: “Quando se escreve algo, isso sempre acaba sendo direcionado à várias pessoas, portanto, deve-se tomar sempre o devido cuidado para não perder a razão”? Não ficaria mais coerente ainda se analisássemos uma mensagem que o perfil do Adoro Cinema direcionou a mim, criticando a minha atitude de denegrir desnecessariamente a imagem do site através do Twitter? Por que alguém viria a criticar de maneira tão baixa o Cine-Phylum, que trata-se de um blog sem fins lucrativos, se essa pessoa é ponderada o bastante para ir de encontro a esse tipo de atitude?
Pois é, agora entenderam o porquê do primeiro parágrafo deste “Mea Culpa” (“Estamos tão acostumados a grosserias e mal tratos em nosso cotidiano que, infelizmente, acabamos nos tornando paranóicos diante de qualquer coisa que vemos ou lemos.”)? Portanto, sigam o conselho de Roberto Cunha e não façam como eu. Permitam com que a razão e a emoção caminhem em perfeito equilíbrio, pois quando escrevem algo na internet, isto pode ser testemunhado por muitas pessoas que podem se manifestar claramente contra você, ou contra o ofendido, resultando em inúmeras desavenças que poderiam ter sido facilmente evitadas.
Discordar é comum, desrespeitar não. Que eu tenha aprendido a lição (e que, da próxima vez, Roberto Cunha perdoe a pessoa e dê mais uma única chance a esta.
).
Obs.: direciono este “Mea Culpa” não apenas à equipe do Adoro Cinema, mas também aos seguidores do Cine-Phylum no Twitter que, em face de meu gênio, desfrutaram de vários momentos desagradáveis. Mil perdões a todos vocês. Não se repetirá.
Atenciosamente,
Daniel Esteves de Barros.
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