As 05 mais da rádio “Daniel-não-tem-mais-o-que-fazer-da-vida”
O Cine-Phylum nunca foi, não é, nunca será e nem ao menos tem a pretensão de ser um espaço virtual dedicado a qualquer outro assunto que não seja cinema. Contudo, vez ou outra divergimos um pouco do assunto sétima arte e acabamos por postar uma poesia aqui, outra poesia acolá.
Oras, isto aqui trata-se de um blog, por que então não deveríamos abordar um pouco, ainda que de soslaio, outros gostos do blogueiro que aqui escreve se a função de um espaço virtual desta natureza é justamente essa?
E tendo em vista que devo estar visitando a Expomusic em São Paulo (capital) amanhã mesmo, creio que seria interessante entrar no clima fazendo um post com as cinco músicas que mais tenho ouvido recentemente, não? Não! Bem, mesmo assim listarei as tais músicas (lembrando que escolherei apenas uma música por banda, pois, do contrário, Arctic Monkeys preencheria a lista toda e vale a pena lembrar também que as músicas não estão posicionadas em ordem de qualidade, mas sim utilizando o critério das “que mais ouvi durante a semana toda”).
5º lugar – Simon & Garfunkel – Sound of Silence:
Justificativa: Sou fã incondicional desta música desde quando tinha os meus 11 anos de idade. Triste e bela; melancólica e instigante (a menos para mim), a obra-prima de Simon & Garfunkel (ou seria “Bridge Over Troubled Water”?) realiza um dos mais perfeitos equilibrios já vistos até então entre harmonia e melodia. A letra é simplesmente fantástica, parece até um de meus poemas ultra-românticos depressivos byronianos
.
Curiosidade: abre o filme “A Primeira Noite de um Homem” e creio que nenhuma outra música seria capaz de retratar de forma mais sensível e concreta o sentimento do protagonista da obra-prima máxima de Mike Nichols.
4º lugar – Bob Dylan – The Times They Are A-Changin’:
Justificativa: Sim, admito, passei a ouvir essa música após assistir “Watchmen”, mas quem não o fez? Já a conhecia antes, mas é claro que o fato de tê-la ouvido tocando no filme de Snyder aumentou ainda mais a minha vontade de reproduzi-la em meu player, principalmente ao notarmos como a mesma combina com o que estava nos sendo exibido diante das telonas (tempos violentos que resultariam em um futuro (agora presente) de moral duvidosa). “A linha foi traçada, a maldição foi praguejada; o lento agora mais tarde será veloz; e o presente agora mais tarde será passado; a ordem rapidamente se desbota; e o primeiro agora; mais tarde será o último; pois os tempos, eles estão mudando”. Falar que Dylan era um excepcional visionário soa redundante? Pois serei redundante: Dylan era um excepcional visionário.
3º lugar – Legião Urbana – Pais & Filhos:
Justificativa: Há algo mais bipolar no mundo do que uma relação entre pais e filhos? O amor entre ambos vira ódio com um reles piscar de olhos, até mesmo porque trata-se do choque entre duas gerações completamente diferentes, não apenas do embate entre dois indivíduos. “Você me diz que os seus pais não lhe entendem, mas você não entende os seus pais”, essa frase já diz tudo, dois lados defendendo com garras e dentes uma verdade quando “Se você parar para pensar, a verdade não há.”. Seria então discussões entre duas gerações fortemente edificadas sobre o alicerce de “questões bizantinas”? Provavelmente sim, e intérprete algum consegue captar isso tão bem como Dado Vila Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá (compositores da música) conseguiram captar.
2º lugar – The Animals – The House of Rising Sun:
Justificativa: Essa seleção é particularmente fácil de se justificar: “The House of Rising Sun” (versão The Animals) talvez seja a minha música predileta. O conjunto britânico natural de Newcastle, The Animals, conta com peculiaridades como o vocal “rasgado” de Eric Burdon, o órgão dramático de Alan Price e o baixo viciante de Bryan “Chas Chandler e, definitivamente, não há outro trabalho reproduzido pelo grupo capaz de tornar tão visível as características de seus sui generis músicos quanto esta. Fora isso, “… Rising Sun” ainda conta com um tom épico, autoral e nos dá uma inevitável sensação de fazer parte de um prelúdio de um grande filme do gênero western que se projeta em nossas cabeças a partir do momento de sua execução (tive a idéia de um roteiro para western apenas ao ouvir a música tocar, para se ter uma idéia). A letra é fenomenal e retrata com maestria a vida de um rapaz oriundo de uma família semi-desestruturada, onde a mãe era uma costureira esforçada e o pai um sujeito perdido entre as tentações promovidas por uma casa (o imóvel do título da música) em Nova Orleans.
Curiosidade: Apesar da música ter “cara” de western, “…Rising Sun” fôra reproduzida no cinema como parte da excelente trilha-sonora de “Cassino”, de Martin Scorsese.
Curiosidade 3: Antes da versão Rhythm & Blues dos Animals “explodir” nas paradas de sucesso do mundo todo, Bob Dylan, Woody Guthrie, Leadbelly, Roy Accuf, Josh White e muitos outros músicos já haviam composto uma versão para a mesma, sendo que Alger ‘Texas’ Alexander foi o primeiro a fazê-lo em 1.928.
Curiosidade 4: A versão dos Animals de “The House of Rising Sun” é tida como a música de abertura do estilo musical alcunhado de folk rock.
1º lugar – Arctic Monkeys – Dancing Shoes:
Justificativa: Sinceramente, não sei explicar exatamente o porquê de ter ouvido tantas vezes “Dancing Shoes” do Arctic Monkeys ao longo desta semana. Pessoalmente, creio que o conjunto liderado por Alex Turner (eleito o homem mais cool do planeta por um tablóide britânico) tenha composições muito melhores do que a registrada aqui no Cine-Phylum, bem como “The Fake Tales of San Francisco”, “Brainstorm”, “Teddy Picker”, “Old Yellow Bricks” (minha predileta) e até mesmo a mais popular (ou menos cult caso prefira, já que a banda é a queridinha entre os pseudo-intelectuais do mundo todo) “Fluorescent Adolescents”, mas é provável que não tenha resistido ao ritmo enérgico, frenético e dançante da mesma e aos solos incessantes oriundos da guitarrra de Jamie Cook. A letra não chega a ser excelente, mas acaba retratando bem as aflições e resalvas de um jovem acanhado que receia “chegar” na mulher amada, o que, de certa forma, retrata toda a nossa geração formada por indivíduos inseguros e com pouca, ou nenhuma, audácia.
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hahahahahahahaha gostei muito do título Daniel.
além de crítico de cinema e poeta vc tá atacando de crítico de música também. gostei, mto bom!
Grato, Tereza.
Mas não tenho pretensões de ser crítico de música (malemá me salvo como crítico de cinema
).
Muitíssimo obrigado pela visita, fico contente que tenha gostado da seleção que fiz.
Sound of Silence é foda, foda, foda.
Ela aparece também em Watchmen, na cena do enterro do comedian. Aliás, que trilha sonora, a desse filme..
Também gostei muito da trilha, salvo “Hallelujah” de Leonard Cohen e nem tanto pela música em si, mas pela cena em que é reproduzida. Ficou bem imatura naquela ocasião.