A fragilidade da espécie
Redigido, editado por Daniel Esteves de Barros entre 29 e 30 de setembro de 2.009. Publicado pelo mesmo aos 30 de setembro de 2.009.
Encontro-me em total contraste com o subtítulo deste blog neste exato momento: “a evolução da espécie” (“espécie”, neste caso, seria a arte cinematográfica). A intenção que tive ao criar este subtítulo foi a de realizar uma alusão à sétima arte, comparando-a a uma cadeia evolutiva, onde começávamos com o primata (era pré-Griffith) e terminamos com o Homem contemporâneo (o cinema atual).
Por mais pessimista que eu seja (e realmente sou) e por menos que confie no Homem contemporâneo (e, de certa forma, até mesmo no cinema contemporâneo), não tem como negar que a palavra “evolução” ressoa como algo grandioso (mesmo acreditando piamente que Homem e cinema evoluem (ou melhor, regridem) de forma cada vez mais decadente).
Logo, voluntária ou involuntariamente, a espécie torna-se grandiosa e imponente se acompanhada da palavra “evolução”.
Acontecimentos recentes, no entanto, me fizeram questionar o contexto bíblico da tal “evolução da espécie”.
Quem acompanha o Cine-Phylum de longa data (de quando o blog ainda era hospedado pelo Blogspot) ou já teve paciência de ler a minha apresentação aqui neste espaço virtual sabe que o meu avô paterno, direta ou indiretamente, exerceu grande influência sob a minha paixão incondicional pelo cinema, o que me faz nutrir um apreço especial por ele (apesar de meu contato com ele ter sido muito menos que o meu contato com os meus avôs maternos, em face da distância).
Nos últimos dias, no entanto, o mesmo encontra-se altamente debilitado em virtude de sua diabete e de uma úlcera no estomago que lhe causou forte hemorragia interna, colocando-o em um estado de coma que os médicos foram sinceros o bastante para afirmar que as possibilidades dele “se livrar dessa” são praticamente nulas.
Ontem (29/09/2009) visitei-o no hospital e juro que ver o velho exageradamente enfraquecido, respirando apenas por ajuda de aparelhos e com uma bolsa de sangue que visa inutilmente manter o seu nível sanguíneo minimamente estável causou-me uma sensação de tristeza muito forte. Não apenas pelo fato de ser meu avô, mas também porque me coloquei no papel das irmãs Karin e Maria de “Gritos & Sussurros” e, ao ver um membro da família amargando os seus últimos dias de vida, foi inevitável calcular o quão vulnerável somos todos nós.
O membro da espécie que, outrora apetecia evoluir, agora encontra-se totalmente limitado pela fragilidade de sua espécie.
Um triste e melancólico fim destinado a todo o indivíduo, independentemente de quanto o mesmo tenha evoluído. Fazer o quê, é a vida, ou melhor, é a morte.
Obs.: O meu avô ainda não faleceu, mas no estado em que se encontra não deve passar desta noite, ou da próxima. Descanse em paz Senhor Antônio de Barros.
Obs. 2: Escrevo esta observação em menos de vinte e quatro horas antes de ter escrito a outra. No dia 30 de setembro de 2009, às 04:00h, faleceu o meu avô paterno. Agora sim, que descanse em paz.
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