Poema – Prefácio à Inalterabilidade Existencial Humana
O meu poema menos inspirado, mas um dos mais sinceros:
Prefácio à Inalterabilidade Existencial Humana, por Daniel Esteves de Barros.
Era uma fatídica tarde de domingo
O moribundo sangrava pelas pernas
Terminalmente enfermiço em uma cama de hospital
Entediando-se com suas limitações físicas.
Os raios de sol penetram a janela sem serem convidados
Exibindo-lhe a patética juventude ao lado de fora
Entregando-se à futilidade da própria existência
Discorrendo sobre carros e mulheres.
As vozes atrevidas que lhe penetram os ouvidos
Torturam-lhe a já desgastada massa cefálica
Atormentam-lhe e o fazem refletir constantemente
Se há solução cabível à decadência intelectual desta geração?
“Desta geração?“, reflete o enfermo mais uma vez
Este era o termo que os mais velhos de outrora lhe direcionavam
Não só a ele mas a toda a juventude de sua época
Outro grupo de jovens patéticos e sem rumo.
Jovens fúteis, velhos rezingões
Para sempre será desta maneira
Para todo o infinito a questão permanecerá a mesma
Sob hipótese alguma passaremos por processos de mutação.
Os tempos mudam, mas os seus subordinados, jamais
Todos são iguais, toda geração é patética
Ciclicamente inalterável, ciclicamente irreciclável
Senhoras e senhores, vos apresento à raça humana.
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