Tá Chovendo Hamburguer

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 03 de outubro de 2.009.

Avaliação (na escala de 0 a 5): claqueteclaqueteclaqueteclaquete (Ótimo Filme).

filmes_250_Ta Chovendo Hamburguer

Ficha Técnica:
Título Original: Cloudy with a Chance of Meatballs.
Gênero: Animação, Aventura, Comédia.
Tempo de Duração: 90 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.tachovendohamburguer.com.br/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Chris Miller, Phil Lord.
Roteiro: Phil Lord e Chris Miller, baseado em livro de Judi Barrett e Ron Barrett.
Elenco: Bill Hader (Flint Lockwood), Anna Faris (Sam Sparks), James Caan (Tim Lockwood), Andy Samberg (Brent), Bruce Campbell (Prefeito Shelbourne), Mr. T (Earl Devereaux), Bobb’e J. Thompson (Cal Devereaux), Benjamin Bratt (Manny), Neil Patrick Harris (Steve), Al Roker (Patrick Patrickson), Lauren Graham (Fran Lockwood), Will Forte (Joe Towne), Max Neuwirth (Flint Lockwood – jovem), Angela Shelton (Regina Devereaux) e Peter Siragusa (Rufus).

Sinopse: Flint Lockwood (Bill Hader) é um jovem cientista que sonha criar algo que acabe com a fome no mundo. Um dia ele consegue descobrir uma forma de transformar chuva em comida, o que resolveria o problema de uma vez por todas. Só que uma imensa quantidade de comida passa a cair do céu, sobrecarregando as cidades e trazendo os mais diversos transtornos (Fonte: Adoro Cinema).

Cloudy with a Chance of Meatballs – Trailer:

Crítica:

filmes_250_Ta Chovendo Hamburguer 1Creio que o que mais tem prejudicado as animações atuais seja a notória falta de originalidade das mesmas. Apesar de ter gostado bastante de produções como “Up – Altas Aventuras” e “A Era do Gelo 3”, ambos os filmes são visivelmente arranhados pelas piadas e, principalmente, pelo enredo que já fora utilizado em outras obras do gênero, mas que passam por um ou outro processo de maquiagem a fim de não tornar a experiência um tanto o quanto descarada até mesmo para o seu público alvo: as crianças, que são bem menos exigentes que nós, adultos.

Tá Chovendo Hambuerguer” (cujo título original “Cloudy with a Chance of Meatballs” (“Nublado com Possibilidade de Almôndegas”) condiz muito mais com o filme em si, já que uma de suas principais personagens, Sam Sparks, é a garota do tempo provisória de uma importante emissora de televisão) começa com uma situação batida onde um jovem é tido como filmes_250_Ta Chovendo Hamburguer 5“estranho” pelos colegas de sala por estar sempre lidando com invenções malucas que raramente dão certo.

Em seguida temos uma enxurrada de situações igualmente batidas que variam do pai que não dá valor à inteligência do filho, à garota que é, aparentemente, uma jovem sem talento que acaba sendo enviada para cobrir um evento que acontecerá na cidade em que a trama se passa e, coincidentemente, demonstra partilhar muitas coisas em comum com o jovem gênio ridicularizado pelo grande público.

Não bastasse isso tudo, esses clichês acabam não sendo tão ruins quanto as piadas falhas que permeiam o roteiro, dando um tom deveras artificial ao mesmo.

filmes_250_Ta Chovendo Hamburguer 2Contudo, é mais do que louvável notar que a mais nova investida da Sony Pictures Animation tenha optado por alternar esse humor com um bem mais inteligente e inventivo. Explico. Ao mesmo tempo em que vemos um cientista maluco ser ligeiramente eletrocutado após se meter a realizar uma experiência com energia elétrica, rimos com a original narrativa feita pelo mesmo que explica que o vilarejo onde morava localizava-se em uma ilhazinha situada bem abaixo do “A” do “Atlântico” (grafado no mapa mundi) e que vivia do comércio de, acreditem, sardinhas.

É neste instante que percebemos que a animação conta com uma pitada de originalidade muito grande, afinal de contas, em que outro filme você pode presenciar uma trama que é desenrolada em uma cidade que vive do comércio de sardinhas?

Pouco depois temos mais provas de que “Tá Chovendo Hambúrguer” pretende, realmente, investir neste maravilhoso estilo de comédia semi non sense e nos damos de cara com inúmeras peculiaridades, tais como a filmes_250_Ta Chovendo Hamburguer 3megalomania de um prefeito que pretende transformar a minúscula e insignificante ilha em um paraíso turístico do comércio internacional da sardinha; com um grandalhão imaturo que conseguiu uma fama tremenda apenas por protagonizar um comercial meia-boca que visava vender latas de sardinha (aqui nos damos conta do quanto à população consome futilidades vendidas pela mídia, afinal de contas, venerar um bebê que derruba um monte de sardinhas no chão é quase tão fútil quanto venerar o vencedor da nona edição do BBB, não?), até chegarmos ao acidente ocorrido com o nosso jovem gênio que acaba transformando a água da chuva em comida.

Absurdo? Claro que sim. Oras, transformar moléculas de água em moléculas de comida, pfff… Mas e daí que seja absurdo? Qual o problema disso? O que filmes_250_Ta Chovendo Hamburguer 4importa é que o roteiro funcione e divirta, não? Pois é, e, de fato, o roteiro funciona e diverte muito.

A animação, com o prévio perdão pelo péssimo trocadilho, torna-se deliciosa e agradabilíssima. O falho humor inicial que não agradava pessoa alguma na sala de cinema (salvo o pai que queria botar na cabeça do filhinho que tudo era muito engraçado e, sem sucesso, soltava longas gargalhadas durante a exibição) dá lugar a uma eficiente comédia e passa a divertir a todos, inclusive a este que vos escreve (sobretudo na cena em que o protagonista Flint surta e sai arremessando bolas de sorvete em todo mundo. Confesso que há um bom tempo não ria tanto no cinema como ri durante esta parte do longa).

E antes de saborearmos (mais uma vez o péssimo trocadilho oportunista) o final desta engraçada e divertida aventura, passamos por muitos outros momentos mais do que brilhantes, dos quais destaco o palácio de gelatina filmes_250_Ta Chovendo Hamburguer 6que Flint constrói para Sam, cuja direção de arte chega a impressionar até mesmo àqueles que, como eu, se encantaram, em outras ocasiões, com o palacete onde residia Charles Foster Kane, a mansão de Norma Desmond, a suntuosa morada abandonada e coberta de gelo, violada por Yuri Zhivago e as escadarias de Lothlórien no primeiro exemplar cinematográfico da saga do Um Anel (e não, antes que alguém reclame, não estou comparando a direção de arte de “Tá Chovendo Hambuerguer” com a direção de arte destes outros filmes, apenas quero provar o quanto a mesma impressiona, não só pelo palácio de gelatina, como também por outros cenários, bem como o monstruoso “castelo de comida” que os protagonistas devem atravessar a fim de desativar a engenhoca de Lockwood ao final do filme).

Em suma, “Tá Chovendo Hambúrguer” trata-se de uma animação que alterna, em questão de minutos, do clichê ao original e o saldo final, como não poderia deixar de ser, é previsível, mas deixa a agradabilíssima sensação de termos assistido a uma deliciosa sessão de cinema.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

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