Cinema Paradiso
Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 09 de novembro de 2009, editado e publicado pelo mesmo aos 10 de novembro de 2009.
Avaliação (na escala de 0 a 5): ![]()
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(Obra-Prima).

Ficha Técnica:
Título original: Nuovo Cinema Paradiso.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 123 minutos.
Ano de Lançamento: 1988.
Países de Origem: Itália.
Direção: Giuseppe Tornatore.
Roteiro: Giuseppe Tornatore.
Elenco: Salvatore Cascio (Salvatore – criança), Philippe Noiret (Alfredo), Marco Leonardi (Salvatore – adolescente), Agnese Nano (Elena – adolescente), Antonella Attili (Maria – jovem), Jacques Perrin (Salvatore – adulto), Pupella Maggio (Maria – idosa), Brigitte Fossey (Elena – adulta), Enzo Cannavale (Spaccafico), Isa Danieli (Anna), Leo Gullotta (Usher), Leopoldo Trieste (Padre Adelfio), Roberta Lina (Lia), Nino Terzo (Pai de Peppino), Tano Cimarosa e Nicola Di Pinto.
Sinopse: Nos anos que antecederam a chegada da televisão (logo depois do final da Segunda Guerra Mundial), em uma pequena cidade da Sicília o garoto Toto (Salvatore Cascio) ficou hipnotizado pelo cinema local e procurou travar amizade com Alfredo (Philippe Noiret), o projecionista que se irritava com certa facilidade, mas parelamente tinha um enorme coração. Todos estes acontecimentos chegam em forma de lembrança, quando agora Toto (Jacques Perrin) cresceu e se tornou um cineasta de sucesso, que recorda-se da sua infância quando recebe a notícia de que Alfredo tinha falecido (Adoro Cinema).
Nuovo Cinema Paradiso – Trailer:
Crítica:
Quando fiquei sabendo que este “Cinema Paradiso” iria ser exibido no Cinema Municipal de minha cidade dirigi-me ao local imediatamente. Ao
adentrar a sala tomei a decisão de procurar a poltrona do centro da fileira central. Tinha plena ciência de que estava para assistir a algo especial e, de fato, estava certo.
A projeção teve o seu início e, em pouquíssimos minutos, um famoso cineasta italiano permite que nos infiltremos em suas lembranças de infância com toda a sensibilidade do mundo.
Sensibilidade, aliás, é a palavra chave que define esta maravilhosa obra cinematográfica. É da forma mais suscetível e graciosa que já pude testemunhar em um exemplar da Sétima Arte que Giuseppe Tornatore emprega uma elegante direção repleta de suaves travellings que nos permite
praticamente “passear” pelos cenários e acompanhar bem de perto a linda e instigante trajetória de Totó que, aliada a uma trilha-sonora perfeitamente emocionante e granjeadora do sempre genial mestre Ennio Morricone e uma fotografia extasiante de Blasco Giurato (sem contar a direção de arte e os figurinos de Beatrice Bordone que recriam o período em que se desenvolve a trama de um modo cuja fidedignidade raramente conseguimos presenciar em qualquer outro exemplar já ofertado por esta maravilhosa Arte que é o Cinema) torna “Cinema Paradiso” uma experiência única e incomparável.
Única e incomparável também é a maneira extremamente conveniente a qual o roteiro constrói Totó que, inquestionavelmente, revela-se o personagem
mirim mais cativante que já pude conferir em uma sessão de Cinema. E ainda mais atraente que o desenvolvimento de seu jovem protagonista é a sincera e verdadeira amizade que o roteiro traça entre ele e o projecionista Alfredo. Sem jamais apelar a sentimentalismos baratos e/ou ‘infantilóides’, o que um filme menos inteligente certamente o faria principalmente levando-se em conta as condições de seu personagem mais importante, o longa estabelece uma química entre Totó e Alfredo cuja naturalidade confesso jamais ter testemunhado em qualquer outro filme que já tenha assistido em toda a minha vida.
Porém, nem tão natural, lamentavelmente (embora esteja muito longe de ser tão lamentável assim), é o romance que Totó passa a ter com a bela Elena Mendola, filha do banqueiro local. Mesmo terminando (será que chegou a terminar mesmo? Ou teria tido apenas um começo, mas jamais um fim?) de
uma forma bem menos convencional do que se iniciou (o batido amor à primeira vista, da parte dele, não dela), contando com um arco dramático e emocional auto-sustentável e influenciando drasticamente o protagonista a tomar uma futura atitude imprescindível (abandonar a mediocridade e ir “vencer na vida”, seguindo o conselho de seu melhor amigo), o que viria a resultar em uma brilhante carreira como cineasta, conta com algumas cenas piegas (a qual cito o magnético, mas assaz sentimental, beijo na chuva) e relega a magia da amizade entre Alfredo e Totó a um segundo plano.
E voltando a falar da ternura entre os dois amigos, não nos restam dúvidas de que o grande trunfo do filme reside, de fato, no elo que liga ambos os
personagens: a paixão pelo Cinema. Sei perfeitamente que ao mencionar isso estarei visivelmente chovendo no molhado, mas não vejo outro modo de citá-lo senão afirmando que o que torna “Cinema Paradiso” uma obra cinematográfica tão especial é o fato desta ser, provavelmente, a mais bela homenagem já realizada à Sétima Arte. Não, esperem, fui muito objetivo na afirmação anterior. “Cinema Paradiso” não só é a mais bela homenagem já realizada à Sétima Arte como também (e especialmente, arrisco dizer) a mais bela homenagem já realizada à magia proporcionada pela Sétima Arte.
“___ Totó sofre da doença do Cinema” ___ diz uma vizinha à mãe do garoto.
Pois se tal enfermidade realmente existe (e juro que creio na existência desta e que inclusive sou um dos indivíduos mais contaminados pela mesma), não há “moléstia” mais benéfica do que o Cinema. Afinal, crescemos com o Cinema. Ora o aplaudimos, ora o vaiamos. Ora o idolatramos, ora o desprezamos. Ora rimos, ora choramos. E aconteça o que acontecer, a magia desta verdadeira e profunda Arte de imagens em movimento revela-se forte e viciante o bastante a ponto de fazer com que nós, meros espectadores e contempladores de sua beleza, tornemos lhanos escravos de sua magnitude.
Os motivos que levam um garoto paupérrimo e filho de um lar desestruturado a gastar o dinheiro do leite a fim de conferir Charles Chaplin
levando golpes de boxe em um ringue em “Luzes da Cidade” são praticamente os mesmos motivos que levaram a mim, garoto pobre e de apenas cinco anos de idade, na época, a rumar ao mesmíssimo cinema onde pude assistir a este maravilhoso “Cinema Paradiso” a fim de testemunhar diariamente (tamanha a minha paixão pela Sétima Arte desde criança) o macambúzio desfecho de “Marcelino Pão e Vinho”, em 1.988 (que por sinal foi o ano de lançamento do longa de Giuseppe Tornatore).
Da mesma forma, os motivos que levam um indivíduo financeiramente rico a
assistir a um ‘Humphrey Bogart’ no piso superior da sala de cinema enquanto cospe nos indivíduos de baixa renda que se posicionam no piso inferior e assistem ao mesmo filme, são praticamente os mesmos motivos que levam os mesmíssimos indivíduos de baixa renda a assistirem a um ‘John Wayne’ enquanto revidam o cuspe do ricaço arremessando-lhe uma fralda encharcada de dejeções no rosto.
E quais seriam estes motivos, afinal de contas? I
mpossível explicar com palavras. É preciso sentir. E para sentirmos isso, nada melhor do que assistir e sentir a magia que “Cinema Paradiso” emana.
Cena do filme: novamente irei chover no molhado, mas novamente não conseguirei fazer diferente: o cinema sendo implodido para a construção de um estacionamento é uma das mais belas, tristes e emocionantes cenas já produzidas pela Sétima Arte.
Frase do filme: talvez não chova no molhado aqui: “___ Fico o tempo inteiro sozinho aqui, passo calor no verão e frio no inverno, mas tudo isso compensa quando os ouço (os espectadores) rir, pois sei perfeitamente que tenho parte nisso!” ou “___ Vá embora daqui, Totó! Não quero mais ouvir você falar, quero ouvir falarem de você!”, ambas proferidas pelo personagem Alfredo.
Avaliação Final: 9,5 na escala de 10,0.
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um filme lindo e inspirador, cuja sensibilidade vc soube capturar mto bem em sua crítica. parabéns!
O desenvolvimento da amizade entre Totó (principalmente o Totó infante) e Alfredo é o âmago desta obra e vc acertou em destacar ela como o grande destaque da mesma!