A Vida é Bela
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 12 de novembro de 2.009.
Avaliação (na escala de 0 a 5): ![]()
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(Obra-Prima).

Ficha Técnica:
Título original: La Vita Bella.
Gênero: Comédia Dramática.
Tempo de Duração: 116 minutos.
Ano de Lançamento: 1997.
Site Oficial: http://www.miramax.com/lifeisbeautiful
Países de Origem: Itália.
Direção: Roberto Benigni.
Roteiro: Vincenzo Cerami e Roberto Benigni.
Elenco: Roberto Benigni (Guido Orefice), Giorgio Cantarini (Giosué Orefice), Nicoletta Braschi (Dora), Giustino Durano (Tio de Guido), Sergio Bini Bustric (Ferruccio Papini), Marisa Paredes (Mãe de Dora), Horst Buchholz (Dr. Lessing), Amerigo Fontani (Rodolfo), Pietro De Silva (Bartolomeo) e Francesco Guzzo (Vittorino).
Sinopse: Na Itália dos anos 40, Guido (Roberto Benigni) levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam. (Adoro Cinema).
La Vita Bella – Trailer:
Crítica:
“A Vida é Bela” é, talvez, um dos filmes mais odiados pelos cinéfilos brasileiros. Por quê? Pelo singelo fato
deste ter derrotado “Central do Brasil” na disputa pelo Oscar® de Melhor Filme Estrangeiro.
Assisti a “Central do Brasil” pela primeira e única vez em minha vida durante o mês de abril de 1.998, quando o mesmo estreou nos cinemas do país inteiro. Nesta época tinha quatorze anos e não me interessava muito por filmes que não fossem repletos de ação, sendo assim, sinto não ter conferido a devida atenção ao glorificado filme de Walter Salles a fim de poder tecer analogias entre o jovem clássico tupiniquim e a obra-prima de Roberto Benigni.
Em todo o caso, nunca deixei de partilhar de algumas das opiniões de meus compatriotas e jamais me
privei de considerar Benigni extremamente superestimado pela crítica e pelo público. Por mais que o humor presente em obras cinematográficas como “O Monstro” me agradasse por ser verdadeiramente divertido, sempre o considerei dotado de gags repletas de artificialidades e que, para funcionarem corretamente, necessitavam que o roteiro criá-se uma série de coincidências para tal, o que acabava visivelmente quebrando parte da magia que estava por trás daquela comédia.
Neste “A Vida é Bela”, no entanto, começamos com algo diferente… típico do humor pastelão de Benigni… mas ainda assim, diferente e divertido.
Refiro-me à hilária cena onde o mesmo é confundido com o Rei. Porém, o filme se desenvolve mais um pouco e, quando menos percebemos, já estamos novamente diante do antigo Roberto Benigni. Sim, diante daquele Roberto Benigni superestimado e que fazia um humor repleto de artificialidades e carregado de impertinentes coincidências. A mulher que ele viria amar com todas as forças desaba em seu personagem (e mais tarde é levemente atropelada por ele enquanto anda de bicicleta), um vaso cai bem em cima da cabeça de seu futuro desafeto, o mesmo acontece com meia dúzia de ovos que se espatifam no sujeito e passamos então a lamentar este festival de artificialidades que segue a diante.
Algumas cenas convencem de verdade, como uma sequência de gags que
envolvem o nome de Maria, mãe de Cristo, e que, como era de se imaginar, envolvem uma série de coincidências, mas todas admissíveis até certo ponto. No mais, o longa mostra-se aborrecedor e frustrante durante grande parte de seu primeiro ato (envolvendo, inclusive, uma brega sequência onde o protagonista adentra um salão montado em um cavalo. Sem dúvida alguma, o instante mais forçado de toda a película).
Esperem! Aborrecedor e frustrante durante grande parte de seu primeiro ato?! Sim, isso mesmo,
aborrecedor e frustrante durante grande parte de seu primeiro ato, mas apenas durante o seu primeiro ato, e nada mais (salvo pelo desfecho americanizado, que comentarei logo mais). É quando nos damos de cara com um Guido alguns anos mais velho, casado, e com um filho, que a tão comentada e enaltecida genialidade de Benigni entra em cena (ainda que ela funcione apenas neste filme).
Aquele humor escatológico e bobo à lá Renato Aragão (ainda que funcioná-se muito bem com o ex-líder do extinto grupo “Os Trapalhões”, uma vez que o
seu humor era direcionado ao público infantil) sai de cena e dá espaço a uma ‘dramédia’ das mais sutis e inteligentes.
Benigni nos apresenta então à verdadeira função da comédia e do comediante: fazer-nos rir sempre, por pior que seja a situação. Aqui, criando uma fantástica química com o ator mirim Giorgio Cantarini, que encarna muito bem o seu filho Giosué, o cineasta italiano se esforça ao máximo para gerar um roteiro onde o protagonista deve encarnar, da maneira mais natural o possível, as principais virtudes de um profissional do humor: o tempo da comédia, o oportunismo e, é claro, a espontaneidade. O motivo disso tudo? Salvar a vida do próprio filho, nem que para tal tenha que sacrificar a si mesmo.
Rumamos então a um lindo, tocante e sensível drama, mas que tinha tudo para resultar em uma tragédia “fundo de quintal” se não fosse pelo toque
magistral de Benigni. Inicia-se uma luta pela vida, que sim, é bela conforme sugere o título, mas deve ser sempre olhada e analisada pelo prisma correto.
Preso em um campo de concentração anti-semita, Guido esconde o filho consigo para salva-lo das mãos dos nazistas. Para que o garoto não entre em pânico, o protagonista o entretém e utiliza todas (todas mesmo) as cartas que possui na manga a fim de ocultar a trágica realidade da criança. Enquanto Giosué corre sério risco de vida, Guido tenta o convencer de que tudo aquilo não passa de um jogo e que, no final, o vencedor ganhará um tanque de guerra de verdade como prêmio principal. Acontece que a criança não é tola e passa a questionar o pai a todo o instante. Este que, por sua vez, vê-se obrigado a fazer o uso de toda a
destreza que possui para continuar escondendo a realidade do filho.
À medida que o longa se desenrola vamos ficando cada vez mais aflitos com a possibilidade de Giosué descobrir a verdade, entrar em pânico, alarmar os nazistas (já que as ordens direcionadas aos alemães eram para matar todas as crianças no local e ele era o único infante vivo ali, justamente graças à atitude heróica do pai) e, consequentemente, ser fuzilado ou executado em uma câmara de gás. Todavia, conforme o perigo vai se aproximando, o roteiro vai exigindo cada vez mais inventividade e ousadia de seu protagonista, que vive em um trágico dilema de ter de enganar ao filho e, de certa forma, a si mesmo.
Até chegar ao seu desfecho, “A Vida é Bela” nos proporciona vários momentos catárticos e emocionantes na medida certa, resultando em um
drama inquestionavelmente sensível e que se mostra competente o bastante a ponto de relatar fielmente a melancolia e a brutalidade presentes na Segunda Guerra Mundial sem se ver obrigado a derramar uma única gota de sangue para tal. Só não é perfeito em face de seu primeiro ato tolo e, o que é pior, desnecessário (já que o longa só ganha um propósito com o nascimento de Giosué) e o final excessivamente americanizado, com direito a adulação barata feita e dispensável tecida em cima dos heróis de guerra estadunidenses (vamos fingir que a cena não foi feita apenas com o intuito de agradar os velhotes ufanistas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o quê, indubitavelmente, influenciou diretamente no Oscar® que o drama merecidamente levou para casa, tudo bem?).
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
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