Poema – O Utópico e o Realista
Que tu brindes-me somente com a tua distância
Leves junto de ti os teus falsos e hipócritas ideais
Não cries esperanças que não se realizarão jamais
Esqueças os teus planos carregados de discrepância
Teus dizeres que outrora me preencheram de anseios
Jazem agora despedaçados em minha confusa mente
E ali, sepultá-los-ei, sem nunca violá-los novamente
Em conjunto com vossas utopias e tolos devaneios
Desarme-se de desconexas e impertinentes ilusões
Não enganes mais a ti e a pobres alienados inocentes
Promessas que não remetem a soluções convenientes
E que se revelarão frutos de macambúzias frustrações
Não vês que falsas palavras não mais me reconfortam?
Tu me dizes que esta má fase deverá um dia se findar
Mas esqueces de que se revogou o tempo de sonhar
E que agora, ideais românticos já não mais brotam
Diriges-te a mim mediante a promíscuos figmentos
Mentes a ti mesmo com incríveis dogmas trotskistas
E não percebes o quão fracas são as teorias zapatistas
Se inseridas neste frágil universo repleto de tormentos
A igualdade tornou-se somente a virtude do que sonha
Sonha com algo deveras além deste alarmante inferno
E busca relutante e com capricho o bem-estar eterno
Que findar-se-á com a ríspida realidade enfadonha.
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Pesado e turbulento.
Palavras bem direcionadas e rico conteúdo filosófico!
Muito bom, Dani.
Muito obrigado, rapaz!
É sempre ótimo sermos elogiados por colegas de cadeira de Academia Jauense de Letras.
Valeu, Ronnie!
Pesado e turbulento realmente definem bem o seu poema , Daniel.
Gostei , apesar de discordar de seu pessimismo exagerado , mas esse é o seu ponto de vista e devo sempre respeitá-lo.
Grato, Ricardo!
Mas cada poeta (ou “aspirante a”, o que é meu caso) tem o direito de manifestar o sentimento que lhe convir, não? No meu caso, adotei o pessimismo, pois sim, sou pessimista extremado.
O que importa, na realidade, não é sobre “o que” o artista (e neste caso vale para qualquer arte, inclusive o Cinema) irá tratar, mas sim “como” o mesmo irá tratar.
Abraço!