Crepúsculo
Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 21 de novembro de 2.009 e editado e publicado pelo mesmo aos 22 de novembro de 2.009.
Avaliação (na escala de 0 a 5): ![]()
![]()
(Bom Filme).

Ficha Técnica:
Título original: Twilight.
Gênero: Romance.
Tempo de Duração: 122 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.twilightthemovie.com/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Catherine Hardwicke.
Roteiro: Melissa Rosenberg, baseado em livro de Stephenie Meyer.
Elenco: Kristen Stewart (Isabela “Bella” Swan), Robert Pattinson (Edward Cullen), Billy Burke (Charlie Swan), Ashley Greene (Alice Cullen), Nikki Reed (Rosalie Hale), Taylor Lautner (Jacob Black), Jackson Rathbone (Jasper Hale), Peter Facinelli (Dr. Carlisle Cullen), Cam Gigandet (James), Anna Kendrick (Jessica Stanley), Michael Welch (Mike Newton), Christian Serratos (Angela Weber), Gil Birmingham (Billy Black), Edi Gathegi (Laurent), Rachelle Lefevre (Victoria), Sarah Clarke (Renee Dwyer), Ned Bellamy (Waylon Forge), Gregory Tyree Boyce (Tyler Crowley), Justin Chon (Eric Yorkie), Matt Bushell (Phill Dwyer), José Zúñiga (Sr. Molina), Solomon Trimble (Sam Uley), Catherine Grimme (Bella Swan – jovem) e Stephenie Meyer.
Sinopse: A adolescente Bella (Kristen Stewart) muda-se para a pequena cidade de Forks, em Washington, para morar com o pai. Ao chegar à nova casa, Bella se depara com uma família muito misteriosa e cheia de segredos. Aos poucos ela vai conhecendo um dos cinco irmãos da família, Edward (Robert Pattinson) e descobre o segredo mais importante deles: são vampiros. Bella acaba se apaixonando pelo rapaz e mesmo muito assustada com tudo aquilo, decide enfrentar todos os riscos para viver a paixão por Edward. (Yahoo).
Twilight – Trailer:
Crítica:
“Crepúsculo” certamente figura entre os piores filmes feitos para se analisar. Não que seja difícil tecer uma análise em cima do mesmo, longe (muito longe mesmo) disso. O problema é que é praticamente impossível agradar a gregos e a troianos com um longa desta espécie, uma vez que, ao falar bem, você
corre sério risco de sofrer críticas negativas por parte dos cinéfilos com um gosto mais apurado, mas, ao falar mal, você certamente corre o risco de ser mal recebido pelas milhares de adolescentes fanáticas pela série.
Entretanto, este espaço virtual é única e exclusivamente dedicado às minhas opiniões, ou seja, jamais deixarei me influenciar pelo risco de se escrever uma crítica lhana e honesta sobre o filme que está sendo analisado no momento.
E é lhana e honestamente falando que digo ter gostado do longa, apesar de não ver motivo algum para tanto estardalhaço por parte das fãs.
Sinceramente, não sei o quanto da obra cinematográfica foi “emprestado” do livro (já que não
o li e nem ao menos pretendo fazê-lo) de autoria de Stephenie Meyer, só sei que é extremamente difícil imaginar “Crepúsuculo” detentor de um material amplo e aprofundado o bastante a ponto de merecer se tornar uma obra literária com cerca de quatrocentas páginas. Se levarmos em conta a premissa, a velha e batida estória de amor impossível com algumas características importadas de “Romeu & Julieta”, a trama tem fôlego o suficiente para se tornar um simples e bom filme de romance à lá Sessão da Tarde e nada além disso.
Talvez tenha sido levando isso em conta que a roteirista Melissa Rosenberg e a diretora Catherine Hardwicke optaram acertadamente por não investirem em um épico cinematográfico megalomaníaco típico de uma adaptação feita em cima de um livro gigantesco (gigantesco para os padrões atuais, é claro.
Nada de comparações com “Fausto”, “A Divína Comédia” ou “Hamlet” (para citar Shakespeare), por favor) e criaram uma adaptação simplória totalmente dispensável e visivelmente esquecível, mas que em momento algum se mostra (a menos para mim) tediosa ou repreensivelmente falha como obra de mero entretenimento.
A protagonista Isabela “Bella” Swan é, de certa forma, suficientemente interessante. Garota introvertida, de poucos amigos e assaz estranha (se é que existe uma forma realmente válida para se definir o que vem a ser “estranho”), Bella decide morar ao lado do pai em uma minúscula cidade na fronteira com o Canadá. À medida que o filme vai se desenvolvendo, a personagem principal vai se mostrando cada vez mais atraente em face de seu jeito estabanado de ser e é claro que, como par romântico para esta, pessoa alguma lhe cairia melhor do que Edward Cullen, garoto admirado por
todas as moças do colégio em face de sua beleza, mas que mantém todas distantes graças aos seus trejeitos misteriosos e nada amigáveis.
Nisso ambos lembram bastante o casalzinho mirim de “Deixe Ela Entrar”, mas com uma clara diferença: o garotinho Oskar era, até certo ponto, involuntariamente anti-social, uma vez que a sociedade local o hostilizava. Bella já é assim por algum motivo que o roteiro não faz muita questão de explicar, principalmente quando notamos que o povo local é deveras acolhedor, mas ela não faz questão alguma de manter quaisquer formas de relacionamento com os mesmos.
É aí então que encontramos algumas das maiores falhas do roteiro, o quê nos remete a vários questionamentos. Por que a população de uma cidade
interiorana (que geralmente é conservadora, reservada, e odeia (a menos inicialmente) pessoas recém-chegadas, conforme podemos constatar em filmes como “Diário de um Pároco de Aldeia”, “Easy Rider – Sem Destino” e “Dogville”) iria dar tanto valor a alguém que os trata tão insossamente? Por que essa mesma população que insiste tanto em manter contato com uma garota que apenas lhes dá respostas óbvias, monossilábicas e lacônicas teme tão visivelmente a aproximação com os Cullen (dentre todos, o próprio Edward) que, praticamente, os trata de igual modo?
De qualquer forma, isso não irrita tanto quanto à visível necessidade que o roteiro encontra em utilizar uma insuportável série de coincidências a fim de funcionar corretamente. Quando o professor seleciona o lugar o qual Bella
deverá se sentar durante as aulas, adivinhem só qual é a carteira escolhida? Sim, a que fica exatamente ao lado da de Edward, o que facilita com que ambos possam criar uma ligeira amizade que, mais tarde, viria a se transformar no conhecido romance. Quando um veículo em alta velocidade perde o controle e exige que Edward faça uso de seus poderes vampíricos a fim de salvar uma vítima, advinhem quem vem a ser a tal vítima, diante de tantas outras pessoas que se encontravam ali, naquele exato momento? Pois é, ela mesma: Bella.
O quê? Foi tudo obra do destino? Oras, preguiça artística agora mudou de nome, é?
Mas voltemos a falar sobre a principal característica presente nos principais filmes de romance: os laços afetivos entre os seus protagonistas. Conforme
fora mencionado a pouco (e venho a ratificar aqui), Bella e Edward se combinam e, por isso, formam muito mais do que um mero parzinho romântico qualquer. Ele a instiga em face de todo o mistério que o cerca (fora a beleza física). Ela o cativa em face de seu gênio complexo e de algumas peculiaridades que jamais pôde notar em qualquer outra mulher que seja. Em suma, além de se completarem, um é especial para o outro (ainda que alguns apontamentos que tentam concretizar o romance entre ambos sejam excessivamente artificiais: bem como o cheiro (hã?) de Bella que atrai Edward).
Todavia, o grande diferencial do romance entre ambos é, inquestionavelmente, a pequena grande “maldição” que os cerca. Imagine-se no lugar de Edward, amando tão incondicionalmente Bella e não poder, nem ao menos, beijar os lábios desta a fim de evitar a tentação e matá-la sugando-lhe o sangue (nada mais natural partindo de um vampiro,
concordam?). E quanto a ela, ter de amar alguém que, caso venha a perder o controle, será a primeira pessoa a lhe tirar a vida? Muitos podem (e sei que irão) discordar completamente de mim (como se isso já não fosse normal. Mas tudo bem, é como dizem: “a única coisa em que dois cinéfilos concordam é que o preço do ingresso está muito caro”), mas creio que seja aí que resida o amplo diferencial desta nova saga cinematográfica: a criação de um romance possível e, ao mesmo tempo, impossível. Um romance onde certos limites e regras (ainda mais complicados que os de praxe) não podem ser infringidos sob hipótese alguma.
E o longa seria suficientemente interessante se optá-se por explorar ainda mais o amor entre ambos os protagonistas (e evitá-se cair na pieguice com diálogos como: “___ O Leão se apaixonou pelo Cordeiro!”), mas infelizmente
somos direcionados a uma disputazinha tosca entre vampiros “do bem” e vampiros “do mal” (estes últimos, caricatos e estereotipados até o osso) e que utiliza efeitos especiais ainda mais toscos com a finalidade de demonstrar a velocidade característica dos vampiros (o que mais me fez lembrar dos mesmíssimos efeitos visuais utilizados na série televisiva “Smallville – As Aventuras do Superboy”, que eu, particularmente, não vejo a menor graça, ao contrário da maioria esmagadora da população mundial).
De qualquer forma, é nesta tal disputa que podemos notar o quão os vampiros de Stephenie Meyer fogem da maior parte dos clichês dos filmes do gênero, uma vez que aqui não há batalhas envolvendo dentes de alho, água benta, crucifixos, corpos que se queimam quando expostos à luz do Sol (aqui eles apenas brilham
quando encontram-se em contato com a mesma), estacas cravadas no coração e mais uma infinidade de características exaustivamente exploradas pelos longas protagonizados por vampiros.
Dando asas a um romance que depende de uma série de coincidências um tanto o quanto forçosas para que possa, de fato, se concretizar, e nos devendo uma abordagem um pouco mais aprofundada no que diz respeito ao envolvimento afetivo entre o casal principal, “Crepúsculo” concentra as suas energias em um relacionamento amoroso vivenciado por duas pessoas que possuem muitas coisas em comum, mas que, devido a determinadas condições, torna-se atraente e doloroso a ambos os pólos.
Um romance simples (apesar das condições e características de seus protagonistas que os tornam bastante compatíveis entre si, conforme consta
supracitado no início deste texto), sem nada de grandioso , mas que funciona, apesar das inúmeras falhas. Segue a linha dos filmes: “assista-o e esqueça-o”.
Obs.: Atentem-se para a fala que abre a projeção (“___ Eu nunca pensei muito em como iria morrer. Mas morrer no lugar de alguém que eu amo parece um bom modo de partir”), a mesma será utilizada mais para a frente e nos conferirá um outro tom à trama, o que não deixa de nos surpreender consideravelmente.
Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.
English
Español
Niederlande
Français
Русский
Italiano
日本語
Svenska
Deutsch
Suomen