Especial de Natal – Esqueceram de Mim

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 24 de dezembro de 2.009.

Esqueceram de Mim (Home Alone, Estados Unidos da América, 1990). ****

Esqueceram de mim

Direção: Chris Columbus.

Elenco: Macaulay Culkin (Kevin McCallister), Joe Pesci (Harry), Daniel Stern (Marv), John Heard (Peter McCallister), Roberts Blossom (Marley), Catherine O’Hara (Kate McCallister), Angela Goethals (Linnie McCallister), Devin Ratray (Buzz McCallister), Gerry Bamman (Tio Frank), Terrie Snell (Tia Leslie), Hillary Wolf (Terry McCallister), Larry Hankin (Sargento Larry Balzak), Michael C. Maronna (Jeff McCallister), Kieran Culkin (Fuller McCallister), John Candy, Hope Davis.

Crítica:

O ano foi 1.990. O Cinema ainda não havia saído de seu período menos produtivo, artística e intelectualmente falando. A maior parte dos filmes eram produzidos com o único intento de agradar a crianças, pré-adolescentes e adolescentes, uma vez que os adultos, maravilhados com a mordomia que o VHS lhes havia proporcionado de poder assistir às produções cinematográficas sem ter de sair de casa para tal, não se mostravam mais interessados em ir até o cinema (mesmo que fosse o cinema mais próximo de suas casas) a fim de ver o filme do momento.

John Hughes era o nome da vez e seus produtos eram tolos, embora irrepreensivelmente divertidos. E foi com tais exemplares tolos e divertidos que Hughes marcou o seu nome no Cinema dirigindo-os ou, como é o caso aqui, roteirizando-os e/ou produzindo-os.

Em “Esqueceram de Mim”, o ícone do Cinema estadunidense dos anos 1.980 optou por nem ao menos tocar nas câmeras que viriam filmar este clássico do início da década passada. Para isso ele chamou Chris Columbus, um especialista em produções oitentistas direcionadas ao público infantil, uma vez que ele já havia roteirizado filmes famosíssimos do naipe de “Os Goonies” (e sim, mais tarde viria a dirigir “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e “Harry Potter e a Câmara Secreta”).

A combinação destes dois ícones do Cinema comercial dos anos 1.980, unidas a um garotinho carismático, a dois atores atrapalhados e com um invejável timming cômico e a uma trama que mostra o poder redentor do período natalino (e confesso que este foi o principal motivo que me fez assistir a “Esqueceram de Mim” no dia de hoje), contando com uma boa dose de humor para tal, parecia ser a fórmula perfeita para um grande sucesso, não? Pois é, e foi justamente isto o que aconteceu.

A comédia infantil tornou-se um marco logo de cara, virou mania na época, revelando-se “o” filme da infância de muitas pessoas de minha geração (tinha seis anos quando o filme foi lançado). Macaulay Culkin revelou-se uma criança prodígio, saindo do anonimato e transformando-se em uma verdadeira estrela hollywoodiana em frações de dias. John Hughes e Chris Columbus elevaram ainda mais os seus status em Hollywood e, por fim, a produção, depois de angariar muito (muito mesmo) dinheiro, acabou sendo indicada aos Oscar de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original. Mereceu tudo isso? Provavelmente sim.

A trama é simples, mas divertida. Um garoto de oito anos, após uma série de coincidências sendo muitas delas exageradamente artificiais, diga-se, acaba sendo esquecido por toda a família, que viaja a Paris sem ele. Sozinho em casa (a tradução literal do título original, aliás), ele deverá passar por uma série de experiências que o transformarão em um “homem”.

Parece bobeira, e é, mas não tem como não se deixar levar pelas peripécias de Kevin. Como não se simpatizar com um garoto inocente, embora astuto quando necessário, que, ao folhear a revista erótica do irmão, questiona a estranheza das modelos não trajarem roupas? Como não se cativar com o rapazinho que, ao tentar se passar por adulto, esfrega o creme pós-barba do pai no rosto e sente a pele sensível queimar? Como não se divertir com a traquinagem do jovem que utiliza um filme noir (que foi exclusivamente montado para funcionar em “Esqueceram de Mim”) para assustar um entregador de pizza e fazer com que este abandone a sua residência aos berros? E, acima de tudo, como não gargalhar ao ver o “agora homem da casa” preparando as mais explosivas e inusitadas armadilhas com a finalidade de afugentar uma dupla de delinqüentes atrapalhados que almejam furtar o seu lar, quando poderia simplesmente ter chamado a polícia?

Enfim, “Esqueceram de Mim” resume bem o que foi a Era Hughes no Cinema, pois trata-se de uma produção boba e despretensiosa do ponto de vista artístico, mas inegavelmente divertida (e que funcionaria muito melhor caso Columbus não tivesse adotado os vícios de Hughes, como diretor, de forma tão visível e indelicada, como nos momentos em que opta por fechar a câmera no rosto de seus personagens a fim de retratar um sentimento emanado por estes ou fazê-los parecer estar conversando diretamente com o espectador).

O quê? Ah sim, como “Especial de Natal” é um filme que funciona perfeitamente bem, já que, como poucos, capta o clima redentor desta época do ano (conforme mencionei no início deste texto) e denota o valor e a importância que a família, por mais insuportável que esta possa parecer, tem em nossas vidas, principalmente quando esta se une durante estes dias especiais do mês de dezembro (soa hipócrita, e é, mas mesmo que seja apenas uma vez ao ano, é sempre bom reunirmos os familiares mais próximos e sermos reciprocamente harmoniosos, não?).

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

3 Responses to “Especial de Natal – Esqueceram de Mim”

  • Alyson disse:

    Ah! Esses é um dos filmes que entra para o “Nunca deixo de assistir”. Por mais que se repita estamos sempre assistindo o filme por inteiro, realmente é uma boa diversão. Mas, venho aqui, Daniel , para informar que o “Cinephylum” está na bancada da segunda edição do TOP30 que ocorre todo o final em que é pego notas de blogs onde seus respectivos representantes tenham discernimento em acompanhar e críticar os filmes lançados no pais neste ano. E, como seu blog está sempre atualizado com os novos filmes,não poderia deixar de fora o Cinephylum. Espero que acompanhe a divulgação do TOP30, que é feita duas vezes por semana de 5 em 5 filmes. Abraços!

  • Sem dúvida, uma ótima diversão, ainda mais para o período natalino.
    Ok Alyson, é, sem dúvida alguma, um grande prazer e uma grande honra poder participar da segunda edição do TOP 30, principalmente levando-se em conta que tal “torneio” não tem caráter competitivo, o que iria contra os meus princípios, uma vez que creio na união entre blogueiros cinematográficos, e não em uma disputa entre estes pelo primeiro lugar.
    Abraços!

  • junior disse:

    e muito legal

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