Especial de Natal – Esqueceram de Mim 2 – Perdido em Nova York

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 26 de dezembro de 2.009.

Esqueceram de Mim (Home Alone 2 – Lost in New York, Estados Unidos da América, 1992). **

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Direção: Chris Columbus.

Elenco: Macaulay Culkin (Kevin McCallister), Joe Pesci (Harry), Daniel Stern (Marv), John Heard (Peter McCallister), Roberts Blossom (Marley), Catherine O’Hara (Kate McCallister)

Crítica:

Questão de opinião, mas, do ponto de vista cinematográfico, pior que copiar um terceiro, é copiar a si mesmo (e é claro que, aqui, varia de caso para caso, já que considerei a “autocópia” que Michael Hanekè fez de “Violência Gratuita” pertinente até certo ponto).

Quando um cineasta copia um terceiro e nos entrega um produto carregado de clichês e plágios, notamos que, ao menos, tal profissional teve a decência de alterar o nome de seus personagens. Quando um cineasta copia a si mesmo, no entanto, nem isso acontece.

Vide este “Esquecerem de Mim 2 – Perdido em Nova York”, por exemplo. Assim como no primeiro filme, temos uma família (a mesmíssima do filme anterior) que se atrasa para a viagem de Natal por um problema que ocorre com o rádio relógio que deveria lhes despertar quatro horas antes (exatamente como ocorre no longa original). Novamente, e por um motivo ainda mais artificial e inverossímil, o mesmíssimo garoto, Kevin McCalister, se perde do resto da turma e se vê obrigado a passar umas “férias alternativas” em Nova York. Da mesma forma que no episódio anterior, ele briga com a família antes de ser “esquecido” pela mesma, confronta a mesmíssima dupla de vilões atrapalhada encarnada por Joe Pesci e Daniel Stern e faz amizade com um personagem relegado à condição de “assustador” pela sociedade, com a diferença de que, ao invés de tratar-se de um senhor que tem fama de ter assassinado a família toda e esconde os restos mortais em recipientes lotados de sal, trata-se de uma senhora de meia-idade que vive rodeada por pombos.

Tudo acontece exatamente igual acontecia no primeiro filme, salvo uma ou outra situação. Isso não seria necessariamente um problema caso o longa opta-se por melhorar um pouco o humor contido no episódio original, mas não é bem isso o que acontece. A sequência em que Kevin utiliza um filme para afugentar um grupo de pessoas, por exemplo, torna-se ainda mais inverossímil do que no longa anterior, uma vez que, ao invés de um entregador de pizzas inexperiente, a vítima da vez é um grupo de funcionários experientes e que prestam serviço ao melhor e mais caro hotel de Nova York (um desses funcionários, inclusive, é interpretado por Rob Schneider, que na época estava longe de ser tão sem graça quanto é hoje).

As coincidências também se mostram ainda mais artificiais do que já se mostravam antes. Como não se incomodar com o fato de os dois mesmíssimos bandidos que atormentaram Kevin em outra ocasião se esbarrarem com o garoto no cruzamento de uma cidade que possui quase dez milhões de habitantes? Ainda analisando o gigantesco número de habitantes de Nova York, como não se incomodar ao notar que o personagem de Stern esbarre duas vezes com a mesma mulher e seja recebido pela mesma de maneira pouco hostil, em face de seu visível desejo carnal pela mesma?

Contudo, é fácil entender os motivos que atraíram tantas crianças ao cinema na época de lançamento de “Esqueceram de Mim 2 – Perdido em Nova York” e fizeram com que as mesmas (muitas delas, minhas coleguinhas de classe na ocasião) julgassem essa continuação superior ao filme que a inspirou (fato que, certamente, não vigora nos dias de hoje). Trata-se do modo como o longa dá asas à imaginação das crianças, afinal de contas, o que instiga mais a criatividade e os sonhos de consumo de um bando de infantes: ficar sozinho em casa com dinheiro o suficiente para suprir as suas necessidades mais básicas ou ter uma pequena fortuna em suas mãos que o possibilite sair torrando dinheiro na capital mundial do consumismo?

Além de tudo, por mais que a direção de Columbus seja visivelmente inferior que no longa original e por mais que o cineasta mantenha os mesmíssimos maneirismos (dar close nos rostos de seus protagonistas a fim de filmar certas reações assaz artificiais por parte destes) utilizados outrora, não há como negar que o diretor consegue filmar a cidade de Nova York de uma forma um tanto o quanto atrativa e, o que é melhor, ao invés de focar-se somente na beleza da cidade, considerada a melhor do mundo por boa parte da população que a visita uma única vez que seja, Columbus não faz questão de mostrar a parte podre da cidade bem em um de seus maiores “cartões postais”. Refiro-me ao tradicionalíssimo Central Park que, à noite, transforma-se, de fato, em um local assustador e visivelmente dominado pelo submundo.

Visivelmente inferior ao original, já que mostra-se claramente uma cópia bem inferior àquele, “Esqueceram de Mim 2 – Peridos em Nova York” destaca-se pela idéia interessante de “abandonar” uma criança carregada de dinheiro no paraíso consumista de muitos garotos e conta com armadilhas preparadas aos vilões ainda mais explosivas e engraçadas que o primeiro filme contava. Ainda assim, é um filme notavelmente fraco como Cinema.

Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

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