Sherlock Holmes

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 09 de janeiro de 2010.

Avaliação: rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501 (Ótimo Filme).

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Ficha Técnica:
Título Original: Sherlock Holmes.
Gênero: Aventura, Ação e Policial.
Tempo de Duração: 128 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.sherlockholmesofilme.com.br/
Países de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Guy Ritchie.
Roteiro: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham e Simon Kinberg, baseado em estória de Lionel Wigran e Michael Robert Johnson e nos personagens criados por Sir Arthur Conan Doyle.
Elenco: Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes), Jude Law (Dr. James Hamish Watson), Rachel McAdams (Irene Adler), Mark Strong (Lorde Blackwood), Eddie Marsan (Inspetor Lestrade), Kelly Reilly (Mary Morstan), Hans Matheson (Lorde Coward), William Hope (John Standish), Geraldine James (Sra. Hudson), Joe Egan (Big Joe), David Garrick (McMurdo) e James A. Stephens (Capitão Philips).

Sinopse: Final do século XIX. Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) é um detetive conhecido por usar a lógica dedutiva e o método científico para decifrar os casos nos quais trabalha. O dr. John Watson (Jude Law) é seu fiel parceiro, que sempre o acompanhou em suas aventuras. Porém esta situação está prestes a mudar, já que Watson pretende se casar com Mary Morstan (Kelly Reilly). Isto não agrada Holmes, que não deseja o afastamento do colega. O último caso da dupla envolve Lorde Blackwood (Mark Strong), por eles presos ao realizar um ritual macabro que previa o assassinato de uma jovem. Blackwood já havia matado quatro mulheres e tem fama junto a população de ser um poderoso feiticeiro. Ele é preso e depois condenado à forca, mas misteriosamente é visto deixando o túmulo onde seu caixão foi deixado. Holmes e Watson são chamados para solucionar o caso e logo ele se torna um grande desafio para o detetive, que não acredita em qualquer tipo de magia. Em meio às investigações há o retorno de Irene Adler (Rachel McAdams), uma ladra experiente por quem Holmes tem uma queda (Adoro Cinema).

Sherlock Holmes – Trailer:



Crítica:

Durante boa parte do ano de 2009 lancei uma série de brincadeiras no Twitter referindo-me diretamente ao mais novo filme de Guy Ritchie, “Sherlock Holmes”, onde o meu intento mor visava retratar a ansiedade a qual eu me encontrava para assistir ao longa que trazia como protagonista o maior ícone de minha adolescência (para se ter uma idéia, se hoje sou apaixonado pela leitura, isso se deve, principalmente, a Sir Arthur Conan Doyle e à sua maior “cria”). Ansiedade essa, aliás, que não foi saciada antes do início da sessão.

Todavia, bastou Holmes entrar em cena para que eu pude-se me estabilizar emocionalmente. Ali estava o excêntrico personagem que tanto me instigou durante um longo período (dos 12 aos 22 anos). Ali estava o sujeito excessivamente racional que calculava friamente todos os seus atos. Ali estava o indivíduo compulsivo que, ao permanecer muito tempo sem “exercitar” o cérebro, via-se obrigado a submeter o corpo a largas doses de álcool e morfina (e, lamentavelmente, o longa não cita o fato de Holmes ser viciado em cocaína, uma de suas maiores e mais polêmicas peculiaridades). Ali estavam essas e muitas outras características inerentes à composição da, possivelmente, mais famosa figura dramática da história da Sexta Arte (tão famosa que, até hoje, milhares (para não dizer milhões) de fãs do mundo todo remetem inúmeras cartas endereçadas à Rua Baker, 221B, em Londres, na esperança de obter uma resposta de uma pessoa que, na realidade, nunca existiu).

Tendo em vista toda a fidelidade artística empregada por Ritchie a fim de transportar Holmes ao cinema, é de se esperar que o filme seja praticamente perfeito, não? De forma alguma. Se Holmes possui todas as características acima descritas (o que o torna um interessante objeto de estudo até mesmo pelas pessoas que nunca haviam tido um prévio contato com o mesmo), por outro lado Ritchie erra a mão ao conferir importância demais ao relacionamento entre ele e Irene Adler (que se mostra uma personagem visivelmente dispensável à trama), quebrando assim o tradicionalíssimo perfil misógino e assexual (algo que certamente influenciou muito a minha formação) do astuto detetive, chegando a supor, inclusive, que o mesmo nutria uma forte admiração física pela moça quando, na verdade, a verdadeira admiração que Holmes nutria pela mesma encontrava-se exclusivamente no invejável raciocínio lógico desta, segundo relatos do Dr. Watson na historieta nomeada: “Um Escândalo na Boêmia” (e, segundo o próprio Sherlock Holmes, quando relatou um caso o qual atuou (e que foi, provavelmente, um de seus últimos casos) conhecido como “A Juba do Leão”, onde ele afirma que a única mulher que lhe despertou atração física ao longo de toda a sua vida havia sido Maud Bellamy), primeiro conto pertencente ao livro nomeado “As Aventuras de Sherlock Holmes”.

A trama, apesar de muitíssimo bem amarrada, bem conduzida e bem escrita (embora levemente tola), exagera um pouco na dose e mostra-se quase tão megalomaníaca quanto à estória de “Anjos & Demônios”, já que, aqui, também temos seitas religiosas alternativas com propósitos gigantescos e exacerbados. No entanto, há algo que difere a mania de grandeza presente no enredo de “Sherlock Holmes” dos filmes protagonizados por Robert Langdon. Além do primeiro mostrar-se um personagem infinitamente mais intrigante e original (mesmo sendo concebido a mais de cem anos atrás) que o professor “mala” criado por Dan Brown, o universo sherlockiano jamais se leva a sério e decide se assumir, de fato, como mera diversão, sem intencionar gerar polêmicas entre cristãos providos de pouca cultura.

E convenhamos, como mera diversão, “Sherlock Holmes” é inteiramente irrepreensível, tanto no que diz respeito à dosagem de seu humor, quanto nas cenas que envolvem ação, quanto, é claro, na dissolução do mistério (que, repito, é tolo, mas ainda assim é mil vezes mais instigante que qualquer livro escrito pelo charlatão do Dan Brown) que, apesar das costumeiras deduções forçadas de Holmes (convenhamos, isso era muito comum nos livros também, não?), soam como um colírio aos olhos de cinéfilos que não suportam mais assistir a romances detetivescos gradualmente forçados e pretensiosos (estou olhando para vocês, Ron Howard e Dan Brown).

Longe de ser o tributo que Sherlock Holmes realmente merecia, o longa, brilhantemente dirigido por Guy Ritchie que usa e abusa dos velozes travellings e da edição cortada e mesclada a pequenos intervalos, concentra todas as suas forças na complexidade de seu protagonista e na química que ele e seu fiel biógrafo, o Dr. John Hamish (os sherlockmaníacos (me incluo totalmente nesse grupo) já sabem que o “H.” do nome de Watson vem de Hamish, não? Esse é um dos mistérios que Conan Doyle deixou em aberto, bem como a relação entre Holmes e Moriarty, que muitos julgam ter sido o tutor durante a infância do detetive) Watson, exaram.

Quanto a Robert Downey Jr., ele, definitivamente, não faz o tipo físico de Holmes, conforme insisti exaustivamente no Twitter. Afinal, ele não é alto, nem magro e nem possui um nariz e um queixo avantajado, mas não há como negar que trata-se de um mestre em compor tipos excêntricos e o seu notável talento faz com que a caracterização de um sujeito avesso às normas básicas da sociedade, compulsivo e arrogante do naipe do famoso detetive soe mais do que natural.

Como capítulo de estréia de uma possível cine-série, “Sherlock Holmes” se mostra um ótimo exemplar da Sétima Arte, já que desperta a curiosidade até mesmo naqueles que nunca ouviram sequer falar no famoso personagem literário antes de assistir ao filme. Como cinema, funcionaria bem melhor sem a trilha-sonora infantil, a trama exagerada e a presença desnecessária de Adler. É torcer para que, no próximo episódio, a donzela saia de cena e dê lugar ao instigante Professor Moriarty, arqui-rival de Holmes e que, até mesmo na obra de Conan Doyle não era tão bem explorado conforme merecia.

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