A Mente Que Mente

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 16 de janeiro de 2010.
Avaliação: rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501 (Filme Razoável).

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Ficha Técnica:
Título Original: The Great Buck Howard.
Gênero: Comédia.
Tempo de Duração: 90 minutos.
Ano de Lançamento: 2.008.
Países de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Sean McGinly.
Roteiro: Sean McGinly.
Elenco: John Malkovich (Buck Howard), Colin Hanks (Troy Gable), Emily Blunt (Valerie Brennan), Ricky Jay (Gil Bellamy), Steve Zahn (Kenny), Tom Hanks (Sr. Gable), Griffin Dunne (Johnathan Finerman), Adam Scott (Alan Berkman), Patrick Fischler (Michael Perry), Wallace Langham (Dan Green), Jonathan Ames (Edward Kelly), Jacquie Barnbrook (Sheila Heller), George Takei, Jay Leno, Tom Arnold, Martha Stewart, Mary Hart, Michael Winslow, Conan O’Brien e David Blaine.

Sinopse: Troy Gable (Colin Hanks) era um jovem cheio de dúvidas, que sofria pressão de seu pai (Tom Hanks), detestava ser estudante de Direito e sonhava ter outras opções de escolha. Para isso, ele larga a universidade e pega o primeiro que trabalho que aparece onde conhece O Grande Buck Howard (John Malkovich), um mentalista famoso que viveu momentos de glória no Tonight Show de Johnny Carson. Este foi o primeiro passo de Troy para mudar para sempre sua perspectiva de vida e ainda conhecer um novo amor (Adoro Cinema, Roberto Cunha).

The Great Buck Howard – Trailer:

Crítica:

Um dos grandes equívocos cometidos pelos entusiastas menos fervorosos da sétima arte é imaginar que o gênero cinematográfico conhecido como comédia é muito mais fácil de ser produzido, roteirizado e até mesmo dirigido do que as obras do gênero dramático. Mero preconceito (e não estou criticando negativamente as pessoas que pensam de tal forma, estou, realmente, afirmando que elas estabelecem um conceito previamente formado sem antes obter fundamentos que provem o contrário, algo normal e não digno de repreensões, já que estamos tratando apenas de Cinema, não?).

Ao contrário do que muitos pensam, a comédia é, inquestionavelmente, o gênero cinematográfico mais difícil de se obter êxito em seu resultado final. Por quê? Simples, porque o público que assiste a uma obra desta categoria, por menos exigente que esse possa ser, sempre espera originalidade da mesma. Fugirei do contexto cinematográfico e citarei aqui uma demonstração bastante trivial (e tola, confesso) a fim de me explanar mais intimamente ao leitor: experimente contar uma piada velha, por exemplo. Será vaiado na certa, não? O mesmo não acontecerá se realizar uma reclamação batida do tipo: “___ Que calor insuportável que está fazendo no dia de hoje, não?”, concorda? Destarte, para se fazer uma comédia, você deve estar sempre, independentemente da ocasião, inovando.

E inovação é algo que salta aos olhos quando “A Mente Que Mente” se inicia. Seja ao testemunharmos os excelentes créditos que, para destacar um ator que venha a fazer parte da obra, apresenta uma lista de alternativas e seleciona o nome do profissional que integrará o filme (algo que nos remete diretamente ao personagem Troy, já que ele é um garoto que não sabe ao certo o que deseja da vida, e deve escolher uma opção definitiva para tocá-la para frente), seja ao notarmos que a direção, em muitas ocasiões, opta por congelar certas cenas a fim de destacá-las, seja pela narração que Troy realiza a fim de mostrar o quanto o seu pai sempre estragou os seus sonhos profissionais em face do anseio para que o filho se formasse em direito e exercesse a advocacia como profissão, algo que ele simplesmente detesta já que a sua grande aspiração é a de se tornar um escritor (me familiarizei muito com Troy neste ponto).

Até então, a trama inova e funciona muito bem como obra de comédia, já que cumpre o seu papel principal: fazer o público rir. A projeção se desenvolve, Troy começa a trabalhar para o grande Buck Howard, do título original (que, mais uma vez, mostra-se bem superior ao título nacional que, palavra, é um dos piores a que já vi durante toda a minha vida como cinéfilo). A primo, ambos são personagens interessantes, criam uma química inicial suficientemente forte e, repentinamente, tudo vai por água abaixo.

As piadas perdem a graça, tornam-se previsíveis e o longa segue um rumo parecido, o que faz com que deixe de surpreender, assim como havia prometido o fazer em seus minutos iniciais. Logo, concluímos que estamos diante de mais do mesmo. Entra em cena um casal de irmãos caipiras com características exageradamente artificiais. A personagem de Emily Blunt também surge em meio do nada para, no fim, chegar a lugar nenhum, a não ser a um romance gritantemente dispensável e que nada atribui à trama em si.

No final das contas, temos uma boa proposta desperdiçada. A química entre Troy e Buck passa batida, e isso não se deve somente ao fato de John Malkovich ser, visivelmente, muito mais ator que Colin Hanks (não que o jovem faça feio, pois é um bom ator, mas ao lado de Malkovich ele simplesmente some), como também ao fato do personagem do veterano e cultuado ator se mostrar infinitamente mais interessante (até mesmo porque, o seu personagem foi inspirado em um mentalista real) com o passar do tempo, a ponto de empalidecer e inibir completamente o jovem franzino. Aliás, é estranho que o roteiro tome a duvidosa decisão de aprofundar-se mais no narrador da estória do que no personagem-título (ainda me refiro ao título original, é claro), já que o último, certamente, renderia um produto final muito mais atraente.

Divertido e inegavelmente eficiente em seu início e carregado nas costas pela brilhante atuação do sempre talentosíssimo e carismático John Malkovich, “A Mente Que Mente” é um filme que perde o ritmo consideravelmente em pouquíssimos minutos de projeção e nos lança em uma comédia insuportavelmente igual às demais, mas que tenta ser diferente a todo o instante, fracassando constantemente em seu propósito.

Pena, tinha-se aqui material para algo muito melhor, mas acabou ficando somente na intenção.

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