Globo de Ouro 2010, alternativo demais, ou “de menos”?

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 18 de janeiro de 2010.

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Sério, não entendi qual foi a vibe do Golden Globe deste ano.

Se a intenção era surpreender, positiva ou negativamente, de fato, conseguiu surpreender.

Enquanto muitos (inclusive eu) esperavam ver “(500) Dias com Ela” ou “Julie e Julia” abocanhando a premiação de “Melhor Filme de Comédia ou Musical”, vimos o ótimo, mas superestimado demais a ponto de levar um prêmio para casa, “Se Beber, Não Case” ter os seus produtores e atores principais subindo aos palcos para segurar a estatueta, no que resultou em uma injusta vitória da cultura pop sob a cultura indie (ou vocês realmente acham justo ver Mike Tyson e Phil Collins (que confesso apreciar bastante) derrotando The Smiths, The Pixies, Joy Division, Belle & Sebastian, Mike Nichols e Ingmar Bergman?).

Enquanto muitos (inclusive eu) esperavam ver Kathryn Bigelow recebendo o Globo de Ouro de “Melhor Diretor” (o que entraria para a história, já que seria a primeira mulher a realizar tal feito), vimos o seu ex-marido, James Cameron, fazê-lo, o que resultou em uma injustiça em larga escala pois, apesar de conduzir “Avatar” muito bem, Bigelow administrou, e filmou, diga-se, “Guerra ao Terror” com muitíssimo mais competência.

O mesmo pode-se dizer de categorias como “Melhor Ator em Comédia ou Musical” e “Melhor Ator em Drama”, já que os favoritos para a primeira categoria eram George Clooney por “Amor Sem Escalas” e Morgan Freeman por “Invictus” e, acreditem, venceu o azarão Jeff Bridges por “Coração Louco”. Já na categoria “Melhor Ator em Comédia ou Musical”, todos apostavam em Michael Stuhlbarg por “A Serious Man” e Joseph Gordon-Levitt por “(500) Dias com Ela”, ou até mesmo em Daniel Day-Lewis por “Nine” e Matt Damon por “O Informante” e, advinhem só, deu o menos provável: Robert Downey Jr. pelo ótimo “Sherlock Holmes” (já disse que Holmes foi o meu herói da adolescência? Está bem, está bem, parei, já não bastou mencionar isso durante o ano passado inteiro no Twitter, não é mesmo?).

Muitos outros prêmios, todavia, acabaram fugindo à regra e mostraram-se deveras previsíveis, não seguindo tanto a linha alternativa que o Globo de Ouro pareceu querer impor durante a premiação deste ano. Sandra Bullock (por quem eu era perdidamente apaixonado quando tinha treze anos de idade), por exemplo, infelizmente faturou “Melhor Atriz – Drama” por “O Lado Cego”, algo que já era mais do que esperado. “Up – Altas Aventuras” faturou “Melhor Trilha-Sonora” (e juro que pensei que este prêmio iria para “Avatar”) e Christopher Waltz, merecidamente, faturou o prêmio de “Melhor Ator Coadjuvante” por “Bastardos Inglórios”, o mais previsível até aqui (e, lamentavelmente, após receber o troféu decidiu investir em um discurso pragmático e burocrático que poderia lhe acarretar em um prejuízo em sua caminhada rumo ao Oscar, o que acredito que não irá acontecer, mas nunca se sabe).

“Melhor Roteiro” ficou com “Amor Sem Escalas”, que já vinha fazendo bonito em outras premiações, ou seja, não surpreendeu tanto assim (embora eu esperava uma vitória de “Guerra ao Terror”).

Marmelada mesmo… digo… surpreendente mesmo acabou sendo a vitória de “Avatar” na categoria “Melhor Filme Dramático”, o que fez do Globo de Ouro deste ano uma cerimônia pouco influenciada por outras premiações (já que a grande maioria dos concursos anteriores atribuíram tal congratulação a “Guerra ao Terror”), embora o transforme no festival cinematográfico mais mainstram da Sétima Arte, já que, de todos os indicados, “Avatar” era o longa menos politizado e mais voltado ao “povão”.

Mas é como disse sabiamente o crítico de cinema mineiro e editor do portal Cinema em Cena, Pablo Villaça: o resultado do Globo de Ouro em absolutamente nada altera ou influencia na escolha dos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para os indicados ao Oscar 2010… torço veementemente para que Villaça esteja certo.

Atualização (em 18 de janeiro de 2010 às 20h39min): meu amigo Fly fez-me lembrar de algo que passou-me batido enquanto escrevia este artigo: a homenagem que o Globo de Ouro realizou a Martin Scorsese. Indubitavelmente, a montagem que fizeram com inúmeras cenas importantíssimas das obras que marcaram a carreira deste gênio que ajudou a colocar Hollywood de volta aos trilhos durante a década de 1970, foi o momento máximo (juntamente com o diálogo de Robert Downey Jr., que achei inspiradíssimo) da cerimônia, e só isso já fez com que a mesma fosse digna de ser assistida (por mais que as inúmeras marmeladas e piadinhas sem graça tenham incomodado terrivelmente).

Atualização 2 (em 18 de janeiro de 2010 às 21h58min): Estava me esquecendo também, a lista completa dos vencedores do Globo de Ouro 2010 pode ser conferida na íntegra neste link.

Obs.: para mais comentários meus a respeito da 67ª edição do Globo de Ouro, leiam a página do Cine-Phylum no Twitter.

Obs. 2: Um abraço especial aos camaradas @ismalb, @yoneshima, @silvafilho e @sclengmann, que me propiciaram uma agradável companhia enquanto eu escrevia besteiras publicava as minhas opiniões sobre a cerimônia no Twitter.

Um forte abraço a todos, e prossigam com a evolução!

Daniel Esteves de Barros – Editor do “Cine-Phylum”.

5 Responses to “Globo de Ouro 2010, alternativo demais, ou “de menos”?”

  • |Fly| disse:

    Globo de Ouro ou Eu Deveria Estar Dormindo Não Vendo Isso Aqui.

    Mas valeu pelo Twitter e os comentários da turma da poltrona vermelha. Comentando em uma plataforma mainstream sobre uma premiação mainstream. Seguindo este esquema, que tal comentarmos o Oscar pelo IRC?
    Também valeu para me motivar a rever Boxcar Bertha, coisa que farei agora. Scorsese ganhou a coroa de rei do baile este ano, parabéns para o meu Oompa-Loompa preferido do cinema!

    No mais, pena que o James Cameron não compareceu para ver o seu povão ganhar prêmio por agradar ao filme. Maldito Mozart!

  • Sem dúvida alguma valeu mesmo e a gente poderia repetir a dose no Oscar, de fato. Até lá nos decidimos, que tal?
    Bem lembrado, esqueci-me de comentar o momento máximo dessa premiação mega fuleira: a homenagem a Martin Scorsese. Devo corrigir isso daqui a uns instantes.
    Pena mesmo, e gostaria de lembrar que gosto de “Avatar” tanto o quanto gosto de “Guerra ao Terror“, mas, para o Cinema, é muito mais importante que um filme do naipe do segundo (já que é muito mais inovador do ponto de vista artístico e até mesmo político) seja imortalizado do que a viagem letárgica bioluminescente de James Cameron… isto é, se é que Globo de Ouro serve para imortalizar alguma coisa, não é mesmo?

  • [...] This post was mentioned on Twitter by Daniel Esteves, Ronnie Mancuzo. Ronnie Mancuzo said: RT @CinePhylum: Post sobre o Globo de Ouro atualizado no Cine-Phylum – http://migre.me/gVnW [...]

  • Alyson disse:

    ahahaha.. Gostei de post e concordo com tudo. Apesar de gostar bastante de “Avatar” admito que não quero que saia levando prêmio por ai, pois não faz a cara dele, assim como o dos festivais. A surpresa maior realmente é “Se beber, não case”, que eu NUNCA apostaria, diante os filmes da lista. E além disso, curioso também a decadência de Nine e apenas um prêmio para Amor sem escalas, que faz bem a cara do festival.

    Abraços!

  • Bem lembrado, Alyson. Não esperava nada de “Nine”, para ser sincero, mas imaginei que “Amor sem Escalas” fosse ter muito mais peso, de fato. Estranho mesmo foi a esnobada em “Guerra ao Terror” que, inquestionavelmente, vencerá o prêmio principal do Academy Awards 2010.

    Conforme eu escrevi, positiva e negativamente ao mesmo tempo, o Globo de Ouro deste ano foi muito alternativo, mas também foi muito “mainstream”. Se diferenciou da grande maioria das premiações pré-Oscar e atribuiu troféus a filmes muito bons, mas longe de merecerem tanto o quanto “Guerra ao Terror” ou “(500) Dias com Ela”.

    Abraços!

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