Amor sem Escalas

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 24 de janeiro de 2010.
Avaliação: rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501 (Ótimo Filme).

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Ficha Técnica:
Título Original: Up in the Air.
Gênero: Comédia dramática.
Tempo de Duração: 109 minutos.
Ano de Lançamento: 2.009.
Site Oficial: http://www.theupintheairmovie.com/
Países de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Jason Reitman.
Roteiro: Sheldon Turner e Jason Reitman, baseado em livro de Walter Kim.
Elenco: George Clooney (Ryan Bingham), Vera Farmiga (Alex Goran), Anna Kendrick (Natalie Keener), Jason Bateman (Craig Gregory), Amy Morton (Kara Bingham), Melanie Lynskey (Julie Bingham), J.K. Simmons (Bob), Sam Elliott (Maynard Finch), Danny McBride (Jim Miller), Zach Galifianakis (Steve), Chris Lowell (Kevin), Steve Eastin (Samuels), Adrienne Lamping (Tammy) e Dustin Miles (Ned).

Sinopse: Ryan Bingham (George Clooney) tem por função demitir pessoas. Por estar acostumado com o desespero e a angústia alheios, ele mesmo se tornou uma pessoa fria. Além disto, Ryan adora seu trabalho. Ele sempre usa um terno e carrega uma maleta, viajando para diversos cantos do país. Até que seu chefe contrata a arrogante Natalie Keener (Anna Kendrick), que desenvolveu um sistema de videoconferência onde as pessoas poderão ser demitidas sem que seja necessário deixar o escritório. Este sistema, caso seja implementado, põe em risco o emprego de Ryan. Ele passa então a tentar convencê-la do erro que é sua implementação, viajando com Natalie para mostrar a realidade de seu trabalho (Adoro Cinema).

Up in the Air – Trailer:

Crítica:

O título nacional do mais novo filme de Jas… não, esperem um pouco… começarei esta crítica de um modo mais clichê, embora menos fútil.

Realizando algumas analogias entre este “Amor sem Escalas” (título mais ridículo este, não?… pronto, falei o que gostaria de ter falado na frase que abriu este texto) e o seu último grande sucesso, “Juno” (embora reconhecendo previamente que ambas as produções tratam-se de “animais” diferentes), diria que os dois filmes dirigidos por Jason Reitman contam com uma sequência inicial de créditos bastante criativa e original, personagens interessantíssimos, ótimas atuações por parte de todo o elenco e, o que mais se destaca nas obras assinadas por este jovem, embora visivelmente competente cineasta canadense: os diálogos ácidos e a forma jocosa, apesar de realista, de se encarar assuntos sérios como o tabagismo, a gravidez na adolescência e, agora, o “fantasma” do desemprego, reflexo da recente e segunda maior crise que o sistema capitalista sofreu desde a sua criação. Em outras palavras, aqueles que, como eu, adoram os trabalhos anteriores deste diretor e roteirista, certamente adorarão este “Amor sem Escalas”.

Logo no início da projeção, Reitman já dá uma mostra de sua competência por trás das câmeras quando opta por filmar o protagonista Ryan Bingham arrumando as suas malas de um modo que outro cineasta nunca havia filmado: através de várias tomadas sequenciais, eficientes e econômicas (tudo isto com o intento de ilustrar o quão importante era a economia de tempo para o personagem de Clooney). Soma-se isso à já mencionada sequência inicial de créditos (que nem de longe é tão bem feita quanto a de “Juno”, mas ainda assim não há como negar a originalidade da mesma) e podemos relaxar na poltrona da sala de cinema concluindo que estamos diante de uma produção diferente das demais e que, em momento algum, irá abusar de nossa inteligência.

A trama, por sua vez, começa a “fisgar” o espectador cada vez mais conforme vai se desenrolando, principalmente pelo modo como traça o desenvolvimento de seu trio de personagens principais, sem jamais perder o ritmo para tal.

Ryan Bingham, por exemplo, é um sujeito que conta com uma das funções mais capitalistas de todos os tempos: demitir os funcionários da empresa para a qual trabalha (eis aí o toque de originalidade do filme, afinal de contas, quantas vezes você viu o Cinema abordar personagens que ocupam um cargo desta espécie?). Logo, é claro que um sujeito com uma função tão capitalista deste naipe viria a se tornar uma “vítima” do sistema econômico, levando uma vida em função de seu trabalho (em determinado momento do filme, Bingham assume que passou mais de 260 dias viajando pela sua companhia) e experimentando um estilo de vida minimalista (notem o frio exemplo que ele cita em suas palestras sobre “esvaziar mochilas”) e banhado a efêmeras emoções que tem em seu tempo livre.

Uma de suas companhias principais para tais “efêmeras emoções”, no entanto, é Alex Goran. É com ela que Ryan mantém um relacionamento casual impulsionado por relações sexuais igualmente (senão mais) casuais (e vale dizer que, logo na primeira relação de ambos, os homens que, assim como eu, ficaram loucos quando viram Farmiga só de lingerie em “Os Infiltrados”, simplesmente perderão a cabeça quando tiverem o privilégio de ver o lindo traseiro da atriz desnudo e… está bem, está bem, parei com o papo misógino, ok?).

Alex trata-se de uma mulher que possui características muitíssimo parecidas com as de seu parceiro, mas com uma diferença: ela parece, ao menos inicialmente, mais propensa a levar um relacionamento amoroso a sério do que ele (e é interessante mencionar que a escolha de George Clooney para compor um papel desta natureza foi bastante conveniente, já que, assim como o seu Ryan, ele também simboliza o “eterno solteirão”). Entretanto, da mesma forma que o seu amante casual, Goran trata essas cópulas como uma válvula de escape para o cotidiano insosso que possui (e, cá entre nós, em um mundo onde relações sexuais casuais tornam-se cada vez mais comum, quem não as utiliza como fuga existencial, não é mesmo?).

Todavia, por mais interessante que a dupla de personagens principais seja, é em Natalie Kreener (interpretada por uma Anna Kendrick que vem me deixando cada vez mais apaixonado, seja pelo modo como ergue o lábio superior ao sorrir e exibe os seus lindos dentes esbranquiçados, seja pelo seu corpo pequeno, delicado e com curvas bem distribuídas, seja, é claro, pelo seu talento que é mais fixado pelo carisma e pela facilidade em proferir várias frases ditas sequencialmente do que pela expressividade em si) que encontramos uma personagem mais cativante, já que a moça é a típica recém-adulta fria e filha da era digital (uma vez que não vê problema algum em demitir os seus funcionários pela internet ou atribuir à sua profissão e a de Ryan o título de “erradicadores”), mas ao mesmo tempo mostra-se deveras insegura (a tagarelice é uma evidência disso) e inexperiente ao lidar com situações assaz problemáticas no ambiente de trabalho, algo muito normal vindo de alguém que, por conhecer tão pouco o mercado profissional, sofre a melancolia quando passa a notar que nem tudo é como consta na objetividade contida nos livros que tanto estudava na faculdade.

E muito provavelmente é da química formada entre Ryan e Natalie que temos uma das maiores qualidades do filme, já que, mais do que um choque entre personagens, a relação entre ambos passa a representar um choque entre gerações. Ele certamente cresceu em meio à geração hippie e, posteriormente, yuppie. Ela cresceu na era digital. Ele é auto-suficiente do ponto de vista emocional (ao menos é o que tenta transparecer a todo o instante). Ela, insegura, crente no amor e fixa na idéia de que, sem um macho-alfa, sua vida não tem um Norte (algo muito comum nessa geração de fracassadas idiot… digo, de crepusculetes, filme este que Kendrick, por sinal, atuou no papel de Jessica). Diálogos inteligentes tomam a vez sempre que ambos estão em cena (e o destaque vai para a cena em que ambos, principalmente o personagem de Clooney, tentam convencer um funcionário recém-demitido e especializado em culinária francesa de que a sua demissão só viera para o seu próprio bem. Digno de se aplaudir de pé) e elevam a obra a um alto patamar.

Uma pena que a química entre Clooney e Farmiga não funcione tão bem quanto a química entre Clooney e Kendrick, chegando a render momentos realmente frustrantes (como boa parte das cenas que antecedem o casamento entre Jim Miller e Julie Bingham) e, por mais que o relacionamento entre eles tenham um peso na estória e um final verdadeiramente imprevisível, não restam dúvidas de que, em muitas ocasiões, faz com que a trama perca boa parte de seu ritmo (principalmente durante o desenrolar de seu segundo ato).

Obs.: Não saia da sala antes de conferir um trecho da conversa entre o autor da música “Up in the Air” e Jason Reitman, que é exibido durante os créditos finais de “Amor sem Escalas”.

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