Educação
Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 13 de fevereiro de 2009, editado e publicado pelo mesmo aos 14 de fevereiro de 2009.
Avalição: ![]()
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(Ótimo Filme).

Ficha Técnica:
Título Original: An Education.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 95 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
País de Origem: Reino Unido.
Direção: Lone Scherfig.
Roteiro: Nick Hornby.
Elenco: Carey Mulligan (Jenny), Peter Sarsgaard (David), Rosamund Pike (Helen), Dominic Cooper (Danny), Matthew Beard (Graham), Olivia Williams (Srta. Stubbs), Alfred Molina (Jack), Emma Thompson (Diretora), Cara Seymour (Majorie), Kate Duchêne (Professora de Latim), Sally Hawkins (Sarah) e outros.
Sinopse: Jenny tem 16 anos e vive com a família no subúrbio londrino em 1961. Inteligente e bela, sofre com o tédio de seus dias de adolescente e aguarda impacientemente a chegada da vida adulta. Seus pais alimentam o sonho de que ela vá estudar em Oxford, mas a moça se vê atraída por um outro tipo de vida. Quando conhece David, homem charmoso e cosmopolita de trinta e poucos anos, vê um mundo novo se abrir diante de si. Ele a leva a concertos de música clássica, a leilões de arte, e a faz descobrir o glamour da noite, deixando-a em um dilema entre a educação formal e o aprendizado da vida (Cine Players).
An Education – Trailer:
Crítica:
A adolescência (principalmente durante os seus dezesseis anos) trata-se, certamente, do período mais difícil da vida de uma pessoa. É uma fase em que muitas dúvidas e desafios vão surgindo e não temos mais uma ligação tão próxima de nossos pais quanto a que tínhamos no decorrer de nossa infância, a ponto de contarmos com o apoio destes para ajudar-nos a solucionar tais impasses.
Em muitos casos, até mesmo os adolescentes mais inteligentes e decididos, podem ser influenciados pela conversa de pessoas mais experientes e mal intencionadas, correndo o risco, inclusive, de ver desmoronar todos os seus planos futuros por causa de uns momentos vivenciando uma escolha errada.
É nisso que “Educação” se foca: na estória de uma garota, Jenny, que era a melhor aluna da classe, pretendia cursar Inglês em Oxford e dar aulas assim que se formasse, mas que pôde desperdiçar todos os seus planos no momento em que tomou uma determinada escolha.
Do mesmo modo que qualquer pessoa que se preze, no entanto, Jenny encontrava-se diante de um grande e desanimador empecilho que se punha sempre a frente de seus objetivos: o Latim (e, cá entre nós, não deve ser nada fácil para alguém que fale uma língua originária da cultura saxônica ter de aprender o idioma latim em sua forma puríssima, não?).
E é justamente este Latim que se revela a causa de tantas angústias e desesperanças em nossa protagonista que, como boa amante da Arte (sobretudo a música, uma vez que ela toca violoncelo no grupo musical da escola) e da língua francesa, tinha todos os requisitos para se tornar uma moça independente e uma professora de invejável cultura, mas via este objetivo sempre frustrado ao se deparar com a língua oficial falada na Roma de Marco Antônio.
Quando David entra em cena, entretanto, a filosofia de vida, e como era de se esperar, a própria vida da garota muda completamente. Agora, protegida pelo forte braço de um, aparentemente, investidor em Arte que se interessou profundamente por manter um romance estável com ela, Jenny opta, inocentemente, por abandonar o ar de garota independente e decide levar uma vida condicionada a David, que mostra-se capaz de sustentar a namorada, o seu fino gosto por grandessíssimas apresentações musicais e cinemas de acesso seletivo, além, é claro, de poder proporcionar a esta uma existência muito mais interessante (contando com regalias do naipe de viagens a Paris, entre outras coisas), e longe do Latim, diga-se, do que o bucolismo que assombrava a vida de uma professora.
A decisão que Jenny deve tomar é dificílima e o caminho mais arriscado, como já era de se esperar, é o mais tentador. E é justamente quando o roteiro se fixa na insegurança característica da protagonista ao ter de optar por uma dentre essas duas escolhas tão diferentes entre si, que o filme ganha uma força incrível, fugindo de seu primeiro ato que parece ter se esquecido de que, uma característica importantíssima de um bom roteiro, segundo o roteirista e consultor hollywoodiano Sid Field, é a confrontação.
Todavia, é mister mencionarmos que tal confrontação parece ter sido esquecida propositadamente, afinal, é inerente que, antes de descobrirmos que tipo de pessoa David é, ou antes mesmo de vermos Jenny decidir se continua se esforçando no Latim para conseguir ser aprovada em Oxford ou se opta por seguir uma vida ao lado de seu macho-alfa tendo acesso a afazeres que aparentam ser mil vezes mais interessantes do que os de uma pessoa comum, devemos ser convencidos de que o romance entre os dois protagonistas, por mais tediosamente perfeito que aparente ser (afinal, não há confrontação aqui, mas há um propósito muito grande para a ausência de tal elemento no roteiro), é consistente o bastante a ponto de se fazer supor com que a forte química emanada pelo mesmo se mostre devidamente satisfatória a fim de permitir com que até mesmo uma garota tão inteligente quanto a personagem principal seja capaz de desistir de seu provável sucesso como professora para morar junto do homem que ama e a faz se sentir melhor do que ao lado das demais pessoas.
Creio que a única falha do longa seja, de fato, o happy end. E antes que me critiquem, defendo-me mencionando que nada tenho contra finais felizes (por exemplo, juro que se, ao final de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, Você-Sabe-Quem matar o protagonista e encher de trevas o mundo da magia, ficarei incrível e imensamente frustrado). O problema é que o desfecho de “Educação” mostra-se inconvenientemente redentor e esclarecedor, uma vez que, caso o futuro amoroso e acadêmico da personagem fosse mantido às escuras, o espectador poderia sair do cinema refletindo ainda mais sobre as atitudes que Jenny tomara no passado.
Destaque para o casamento entre figurino e direção de arte, que recria dignamente a Londres dos anos 1960, e para a atuação de Carey Mulligan que compõe magistralmente, e com toda a naturalidade do mundo, uma adolescente inteligente e decidida, mas ainda assim, repleta de inseguranças.
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No meu caso o final diminui ainda mais a nota. Chega lá na nota 7,0, por ai. O final acaba com tudo, não apenas por ser felizinho, mas por sair totalmente fora da narrativa antes mostrada. Parece até que foi escolhido por enquete do “Você Decide”..rsrs!
Abraços, e o TOP30 chega ao fim com os primeiros colocados.
Hahahaha, bem colocado Alyson. Bem à lá “Você decide”. O típico final feito para proporcionar ao espectador uma volta feliz as suas casas, após o término da sessão.
Aliás, o final foge tanto do tema que, logo de cara, me fez lembrar dos finais ridículos que as duas primeiras versões de “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (versão EUA e versão Internacional) tiveram. Tinha tudo para ser um filme bem melhor, mas faltou coragem aos envolvidos com a obra… pena!