Um Homem Sério
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 27 de fevereiro de 2010.
Avaliação: ![]()
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(Ótimo Filme).
Ficha Técnica:
Título Original: A Serious Man.
Gênero: Comédia Dramática.
Tempo de Duração: 106 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Países de Origem: França, Reino Unido e Estados Unidos da América.
Direção: Joel Coen e Ethan Coen.
Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen.
Elenco: Michael Stuhlbarg (Larry Gopnik), Richard Kind (Tio Arthur), Fred Melamed (Sy Ableman), Sari Lennick (Judith Gropnik), Aaron Wolff (Danny Gropnik), Jessica McManus (Sarah Gropnik), Peter Breitmayer (Sr. Brandt), Brent Braunschweig (Mitch Brandt), David Kang (Clive Park), Jon Kaminski Jr. (Mike Fagle), Ari Hoptman (Arlen Finkle), Alan Mandell (Rabino Marshak), Michael Tezla (Dr. Sussman), Steve Park (Pai de Clive), Raye Birk (Dr. Shapiro), Simon Helberg (Rabino Scott) e Michael Lerner (Solomon Schlutz).
Sinopse: 1967. Larry Gopnik (Michael Stuhlberg) trabalha como professor de física na Universidade de Midwestern. Ele vê sua vida mudar radicalmente quando sua esposa, Judith (Sari Lennick), decide deixá-lo por Sy Ableman (Fred Melamed). Além disto, uma carta anônima ameaça sua carreira na universidade. Larry ainda precisa lidar com os problemas de Arthur (Richard Kind), seu irmão, que mora em sua casa e dorme no sofá; seu filho Danny (Aaron Wolff), problemático e rebelde; e ainda Sarah (Jessica McManus), sua filha, que constantemente pega dinheiro de sua carteira para uma futura cirurgia plástica no nariz. Sem saber o que fazer, Larry busca os conselhos de três rabinos (Adoro Cinema).
A Serious Man – Trailer:
Crítica:
Tudo bem que os Coen e seus filmes sempre foram para lá de excêntricos, mas “Um Homem Sério” vai além da conta (e vale dizer que esta menção, em momento algum, foi feita pejorativamente, muito pelo contrário).
Começando com uma conveniente (já que dá uma amostra do tipo de humor que teremos pela frente), mas dispensável, sequência que não exibe lá muitas conexões com o restante da trama, o filme logo se encaixa e nos direciona a uma estória completamente bizarra, embora divertida e reflexiva.
Larry, o protagonista, é o típico sujeito azarado e que vê a vida (tanto a pessoal, quanto a profissional) e a família se rebelarem, ainda que involuntariamente, contra si. Na esperança de encontrar uma solução para os seus problemas, o chefe de família, judeu imensurável, opta por buscar explicações com três rabinos. Se ele consegue, ou não, cumprir o seu objetivo, isso pouco importa. O que deve ser levado em conta mesmo são as críticas fortíssimas que os Coen tecem em cima dos diversos dilemas enfrentados pelo “chefe-de-família-contemporâneo”.
Seguindo o excelente hábito de apresentarem obras cada vez mais originais (ainda que esta daqui não se mostre necessariamente fiel a este quesito), os irmãos Joel e Ethan, ao invés de se focarem em uma típica família cristã (como a maioria dos cineastas fazem quando optam por realizarem comédias dramáticas familiares à lá “Beleza Americana”), decidem estudar uma família judia tendo de sobreviver ao american way of life. O resultado? Uma produção diferente, mas ao mesmo tempo igual a muitas outras já feitas até o momento.
É diferente pela gama de personagens incomuns exibidos aqui, variando desde o irmão que vive junto com o protagonista e atormenta imensamente a família deste por passar horas dentro do banheiro (impedindo assim que os demais moradores da casa possam utilizar o cômodo) drenando um cisto sebáceo que tem no pescoço, passando pelo garoto rebelde e sem grandes propósitos na vida (salvo passar boa parte de sua existência consumindo cannabis sativa), até o protagonista que se mostra um inteligente professor de física, mas, assim como a maior parte dos pais de família de hoje em dia, não consegue chefiar um lar e busca na religião respostas para tal.
No fim rumamos a uma obra divertida e simultaneamente melancólica. Uma espécie de desmoralização dos fiéis seguidores dos dogmas impostos pela sociedade judaico-cristã ocidental que, cada vez mais, parecem ocupar o posto de falsos retratos que visam esconder os mais variados tipos de rachadura presentes na maioria dos lares espalhados pelo mundo todo.
O elenco encontra-se em grande destaque, sobretudo Michael Stuhlbarg que, em suas expressões de desespero contidas e aleivosamente controladas, faz o espectador rir da “dramédia” que é a sua vida (e por que não dizer, as nossas vidas também?) e Fred Melamed, interpretando Sy Ableman, sujeito requintado, racional, de fala mansa e que se responsabiliza pelo título do filme, afinal, tudo o que o protagonista Larry mais apetece se tornar é justamente um homem sério. Em outras palavras, o sujeito politicamente correto e um exemplar membro da comunidade judia, tudo o que esta produção mais visa desedificar.
É mister notarmos também que, não fossem os diálogos ácidos e ladeados de malícia, a obra perderia um pouco de seu quê de humor negro mesclado a humor disparatado (ou nonsense, caso prefiram), logo, pontos para o roteiro. E pontos também para a direção, e para as atuações, e para a trilha-sonora, e… e para os Coen de uma maneira geral, é claro.
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