Um Sonho Possível

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 06 de março de 2010.

Avaliação: rolo-de-filme-150x1501 (Filme Ruim).

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Ficha Técnica:
Título Original: The Blind Side.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 128 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.umsonhopossivel.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: John Lee Hancock.
Roteiro: John Lee Hancock, baseado em livro de Michael Lewis.
Elenco: Sandra Bullock (Leigh Anne Tuohy), Quinton Aaron (Michael Oher), Tim McGraw (Sean Tuohy), Jae Head (S.J. Tuohy), Lily Collins (Collins Tuohy), Ray McKinnon (Técnico Burt Cotton), Kim Dickens (Sra. Boswell), Adriane Lenox (Denise Oher), Kathy Bates (Srta. Sue), Catherine Dyer (Sra. Smith), Andy Stahl (Diretor Sandstrom), Brian Hollan (Jay Collins), Sharon Morris (Investigador Granger), Omar J. Dorsey (”Big Tony” Hamilton), Paul Amadi (Steve Hamilton), Hampton Fluker (David), Rhoda Griffis (Beth), Eaddy Mays (Elaine), Ashley LeConte Campbell (Sherry), Tom Nowicki (Professor de literatura) e Melody Weintraub (Professor de história).

Sinopse: Michael Oher (Quinton Aaron) é um adolescente negro, que não tem onde morar. Ele recebe a ajuda de Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock), sem ainda saber que ele é colega de escola de sua filha Collins (Lily Collins). Michael passa a receber o apoio dos Tuohy, que logo o trata como se fosse um integrante da família. A partir de então Michael passa a ser incentivado a alcançar seus sonhos, especialmente quando demonstra ter talento para o futebol americano (Adoro Cinema).

The Blind Side – Trailer:

Crítica:

Interessante presenciarmos dois filmes que tratam sobre o racismo ocuparem duas vagas na disputa pelo troféu mais cobiçado (o que, nem de longe, implica no fato de ele ser o mais justo ou não) do Cinema. É estranho, no entanto, constatarmos que um filme seja tão diferente do outro.

Preciosa – Uma História de Esperança” trata-se de um drama que dá umas fortes escorregadas aqui, outras acolá, todavia, mostra-se uma obra madura e pouco apelativa. O mesmo não pode se dizer deste “Um Sonho Possível” que, indo na contra-mão de seu concorrente, revela-se uma obra datada e maniqueísta, além da irritante previsibilidade de seu roteiro formulaico e recheado de falhas forçosamente camufladas.

Baseado na história real (e é lamentável notarmos que, hoje em dia, qualquer filme que se diga “baseado em uma história real” se vê no direito de apresentar uma enxurrada de artificialidades e forçar o espectador a aceitar tudo sob o pretexto de que tudo aquilo realmente aconteceu) de Michel Oher, o longa perde completamente a noção da realidade e faz com que o espectador seja forçado a mergulhar em uma trama sem o menor conteúdo.

Em momento algum o roteiro apresenta um conflito realmente interessante oriundo de seus protagonistas e, o que é pior, jamais se importa em explorá-los de modo convincente o bastante a ponto torná-los minimamente verossímeis aos espectadores.

A família que adota o jovem negro, por exemplo, é a típica família asquerosa que representa o “American Way of Life” funcionando às mil maravilhas (gargalhadas). Sabe aquela família exageradamente moralista que todo o domingo religiosamente se reúne para ir ao culto? Pois é, aqui eles não estão lá muito longe disso. Se por um lado todos os seus integrantes não perdem o tempo frequentando igrejas e ouvindo a verdadeira doutrina de Jesus Cristo sendo deturpada em prol das crendices de seus seguidores, por outro lado eles formam um lar de republicanos (pró-Bush, diga-se) que, acredite, fazem sexo na típica, e sem graça, posição “papai-mamãe” (“Papai-mamãe” nos dias de hoje? Mas nem a minha avó seria tão antiquada).

E para que não digam que os meus argumentos estão atingindo uma gama de promiscuidade e nugacidade tão alta a ponto de questionar a posição favorita do casal ilustrada no Kama Sutra, direcionar-me-ei ao desenvolvimento de alguns de seus personagens e suas respectivas atitudes.

O próprio Michael Oher, por exemplo. Sempre com os olhos de um cachorro faminto, o grandalhão (que tem porte de líder de gangue, mas optou por ser um sujeito tranqüilo e manso, recebendo a alcunha de “Ferdinando, o Touro”) poderia ter rendido um ótimo objeto de estudo em face de seu caráter, mas não é isso o que acontece. O que vemos aqui é um roteiro que explora o personagem do modo mais infantil o possível, chegando, inclusive, a fazer com que o mesmo mude drasticamente a sua atitude perante um jogo de football quando lhes são proferidas palavras como: “___esta equipe é a sua família e você precisa protegê-la”, algo que soa tão artificial que, sinceramente, não consigo vislumbrar tal situação até mesmo nos filmes da série “Nós Somos os Campeões”.

E o que dizer da personagem de Sandra Bullock então? Não fosse pela convincente atuação (mas longe de merecer um Oscar com dignidade) da atriz símbolo sexual dos anos 1990, sua personagem passaria tão batida quanto a persona de Oher. A mesma entra em cena como uma típica burguesa que, a primo, importa-se apenas com a família, consigo mesma, e com o que a alta burguesia pensa de si, contudo, sem mais nem menos, a moça se sensibiliza ao ver Oher sem um lar e decide adotar um garoto que, até então, pouco conhecia sobre o mesmo.

Não bastasse isso, o roteiro ainda coloca Leigh Anne Tuohy em situações que extrapolam o cúmulo do ridículo a fim de tentar conferir alívios cômicos à trama, explorando uma sequência de gags entre ela e o treinador Burt Cotton (e, cá entre nós, se uma mulher, por mais que esta fosse tão linda e sexy quanto Sandra Bullock é, me pegasse pela proteção do capacete de football e me arrastasse até perto de seu afiliado a fim de ensiná-lo a jogar corretamente, juro que arrebentar-lhe-ia a boca com inúmeros socos), cuja imaturidade é digna de fazer com que o espectador arremesse uma lata de refrigerante na tela da sala de Cinema e se veja no direito de solicitar a devolução do dinheiro gasto para comprar o bilhete, tamanha a indignação.

Mas o pior eu deixei para o final. Trata-se do modo como o filme desperdiça as chances de realizar debates verdadeiramente interessantes sobre a situação de Oher. Ao invés de desenvolver mais profundamente o preconceito que ele e a família Thuory passaram a sofrer após adotá-lo, o roteiro limita-se apenas a criar situações que demonstram isso do modo mais supérfluo o possível, resumindo-se a piadinhas de mau gosto elaboradas pelas amigas de Leigh Anne e a uma cena onde Collins Thuory menciona que as garotas da escola são idiotas por questionar a atitude de sua mãe. E só, pára por aí.

No mais, somos direcionados a um filme formulaico, previsível, “redondinho”, tolo, conservador, sem grandes (ou pequenos, que seja) momentos e que, não fosse por algumas atuações satisfatórias (e apenas satisfatórias) e pela razoável química exaurida entre os seus personagens, se mostraria ainda mais fraco do que já é.

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