Oscar 2010 – Convenientemente Feminista

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 08 de março de 2010.

Bigelow

Sei muito bem que este artigo será excessivamente clichê, nada original (afinal, José Wilker já fez um comentário de igual teor durante a apresentação), inconveniente e, até mesmo apelativo, mas não deixarei de redigi-lo.

Colocando de lado a minha decepção pela derrota do faustoso “A Fita Branca” (principalmente se levarmos em conta que aminha insatisfação é infundada e não se justifica de forma alguma, uma vez que não cheguei a assistir a “O Segredo de Seus Olhos” a ponto de poder construir um juízo mais sólido sobre o mérito de sua vitória, ou não) e direcionando-me exclusivamente às premiações mais mainstream da noite, diria que foi, no mínimo, curioso que, na batalha dos ex e na guerra dos sexos, tivemos como triunfante “a” ex; a representante do sexo feminino. Algo que, até então, nunca havia acontecido na história do Oscar (não na categoria de Melhor Diretor).

Coincidência, ou não, tal vitória deu-se às vésperas da hipócrita data conhecida por Dia Internacional das Mulheres (e não vou me estender justificando os motivos pelos quais considero hipócrita tal data, até mesmo porque é tudo muito óbvio, não?). Um tabu misógino, quebrado por uma entidade misógina (refiro-me à Academia, é claro), no dia que antecede uma data misógina (e, por ironia do destino, tal fato está sendo comentado por um funcionário público, que nas horas vagas brinca de escrever sobre Cinema, extremamente misógino).

Em todo o caso, confesso que fazia muito tempo que eu não ficava tão ditoso com relação a uma cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas como fiquei no dia de ontem. Não somente vimos uma mulher subir ao palco para receber o merecidíssimo prêmio (já que, de longe, Bigelow foi a pessoa que dirigiu um filme da maneira mais competente diante de todas as produções lançadas comercialmente nos Estados Unidos durante todo o ano de 2009) de Melhor Diretor(a), como também vimos uma atriz negra (que também merecia faturar o prêmio) receber Melhor Atriz Coadjuvante e um roteirista negro (ainda que “In The Loop” e “Amor sem Escalas” merecessem mais o referido troféu, a vitória de “Preciosa – Uma História de Esperança” não chega a ser uma injustiça sob hipótese alguma) receber Melhor Roteiro Adaptado.

Concluindo: parabéns a Kathryn  Bigelow! Parabéns às mulheres! Parabéns também aos afros descendentes! Parabéns à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que vem cada vez mais isentando-se de seus costumeiros dogmas e preconceitos exageradamente questionáveis! Parabéns a todos e a todas! E pro inferno com essas datas e tabus de caráter machista e racista!

Um forte abraço a todos, e continuem com a evolução!

Daniel Esteves de Barros.

Comments are closed.

Selecione um assunto
Arquivos
Siga-nos pelo Twitter