Homem de Ferro 2
Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 01 e 02 de maio de 2010 e editado e publicado por este aos 03 de maio de 2010.
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(Ótimo Filme).

Ficha Técnica:
Título Original: Iron Man 2.
Gênero: Aventura / Ação.
Tempo de Duração: 117 minutos.
Ano de Lançamento: 2010.
Site Oficial: http://www.ironmanmovie.com
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Jon Favreau.
Roteiro: Justin Theroux, baseado nos quadrinhos de Stan Lee, Don Heck, Larry Lieber e Jack Kirby.
Elenco: Robert Downey Jr. (Tony Stark / Homem de Ferro), Sam Rockwell (Justin Hammer), Mickey Rourke (Ivan Vanko / Whiplash), Don Cheadle (Coronel James “Rhodey” Rhodes / Máquina de Combate), Gwyneth Paltrow (Pepper Potts), Scarlett Johansson (Natasha Romanoff / Viúva Negra), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Leslie Bibb (Christine Everhart), Paul Bettany (Jarvis (voz)), Jon Favreau (Hogan), Olivia Munn (Melina Vostokoff / Dama de Ferro), John Slattery (Howard Stark), Clark Gregg (Agente Coulson), Stan Lee (Larry King), Helena Mattsson (Rebecca), Tim Guinee (Major Allen), Garry Shandling (Senador Stern), Davin Ransom (Tony Stark – jovem), Anya Monzikova (Rebekah) e Keith Middlebrook (Dr. Jason Miller).
Sinopse: Após confessar ao mundo ser o Homem de Ferro, Tony Stark (Robert Downey Jr.) passa a ser alvo do governo dos Estados Unidos, que deseja que ele entregue seu poderoso traje. Com a negativa, o governo passa a desenvolver um novo traje com o maior rival de Stark, Justin Hammer (Sam Rockwell). Jim Rhodes (Don Cheadle), o braço direito de Tony, é colocado no centro deste conflito, o que faz com que assuma a identidade de Máquina de Combate. Paralelamente, Ivan Vanko (Mickey Rourke) cria o alter-ego de Whiplash para se vingar dos atos da família Stark no passado. Para combater Whiplash e a perseguição do governo, Stark conta com o apoio de sua nova assistente, Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), e de Nick Fury (Samuel L. Jackson), o diretor da S.H.I.E.L.D. (Adoro Cinema).
Iron Man 2 – Trailer:
Crítica:
Adoro ser positivamente surpreendido enquanto assisto a um determinado filme e isto, felizmente, ocorreu comigo durante a sessão de “Homem de Ferro 2”. Não gostei do primeiro filme. Digo isso, não só pelos “lugares-comuns”, mas também pelo desenvolvimento burocrático daquele longa. As cenas de ação eram irrepreensíveis em seu propósito, mas estavam concentradas apenas no final da projeção (o que ocorre aqui também) sendo que, até lá, percorríamos um caminho lento e que se baseava apenas no carisma intocável de Robert Downey Jr para funcionar. Isso, é claro, sem mencionar a falta de maturidade do filme, que batia obstinadamente na tecla do tártufo “somos americanos (e se estou substituindo o meu habitual “estadunidense” pela palavra “americanos” (termo este que repudio) é porque desta vez estou adotando o típico pensamento da terra do tio Sam) e somos a salvação do planeta. Usamos as nossas armas em prol da paz mundial”.
Não restam dúvidas, no entanto, de que em “Homem de Ferro 2” esta mesma tecla volta a ser batida e, talvez, de forma ainda mais repetitiva do que no filme original, mas não há como negar também que esta é pressionada de maneira levemente menos intensa. Se o roteiro faz questão de ressaltar o comportamento guerrilheiro de nações socialistas (Coréia do Norte), ou de outras pátrias que já tenham adotado uma postura socialista outrora (China, durante os saudosos tempos do saudoso Mao Tse-Tung), é louvável notarmos, todavia, que o longa se propõe a destacar o modo como os estadunidenses (agora sim) são manipulados pela mídia e pelos políticos que, por razões claramente imparciais, selecionam os ícones os quais a população deverá idolatrar a partir de um determinado momento.
E se política internacional, aparentemente, trata-se de um tema bastante atípico e inconveniente para ser citado em uma análise sobre “Homem de Ferro 2” (afinal, estamos falando de uma produção visível e assumidamente mainstream feita com o único propósito de entreter o seu público alvo, e não de uma fita head movie politizada à lá “A Chinesa” ou qualquer outro filme roteirizado e dirigido por Jean-Luc Godard durante o final dos anos 1960 e boa parte dos anos 1970), defendo-me alegando que a sinopse, ao apresentar-nos a um vilão soviético, certamente deu a entender que traria à tona uma “guerra fria cinematográfica” maquiada de disputa entre “mocinho (capitalista) e bandido (socialista ou comunista)”.
Felizmente, o roteiro é bastante “cabeça aberta” e jamais taxa este ou aquele de mocinho ou de bandido. Se o pai de Ivan Vanko foi um soviético que colaborou com terroristas em um passado relativamente distante, o pai de Tony Stark, Howard, trata-se de empresário que também colaborou, de certa forma, com terroristas de uma outra classe (aqui, representados por políticos estadunidenses). E é sempre interessante notarmos que, a todo o instante, o filme deixa clara a hipocrisia envolvida nos conflitos ideológicos entre o Homem de Ferro e Whiplash, já que, assim como também na Guerra Fria, ambos os lados da moeda estavam errados, mas um empurrava a responsabilidade para o outro.
Falando em Guerra Fria, aliás, conforme mencionei no primeiro parágrafo deste texto, fiquei bastante feliz em constatar que o roteiro não tenha pendido a trama para o mesmo caminho de um “Rocky IV” ou de qualquer outra coisa abominável desta natureza. Aqui, não temos uma disputa necessariamente política, mas sim uma querela entre um físico estadunidense e um físico russo, que, por sinal, é apoiado por outro físico estadunidense. Em outras palavras, temos apenas uma briga entre nerds, e é claro que isto não poderia deixar de ser bastante interessante.
Esta disputa de nerds, a propósito, é encabeçada por personagens inquestionavelmente caricatos, diga-se de passagem, mas construídos por atores que, na medida do possível, contagiam o público com o seu carisma. Downey Jr. encarna Stark, um bilionário narcisista complexado (palmas para o roteiro que desenvolveu um protagonista bem mais humano aqui), com uma naturalidade ainda maior do que já o havia feito no filme anterior. Sam Rockwell, por sua vez, também está bem à vontade na pele de um empresário que, ao mesmo tempo em que mostra-se incrivelmente bem sucedido (tanto o quanto Stark), revela-se um completo loser em determinadas ocasiões. Estranho? Paradoxal? Sim, mas a composição para lá de natural por parte de Rockwell em momento algum entrega o seu personagem ou faz com que este soe artificial.
Já Mickey Rourke compõe, mais uma vez em sua carreira, o mais literal e concreto bad ass motha fucka que se possa imaginar. E se este revela-se, indubitavelmente, o mais caricato personagem de todo o longa (mastigar um palito de dentes a todo o instante e carregá-lo constantemente no canto direito da boca a fim anunciar o quão durão o sujeito é, trata-se de um artifício um tanto o quanto démodé, não?), não podemos deixar de elogiar o ator pelo modo verossímil como este emprega o seu senso de ironia (___ Eu fiz Deus sangrar!) e pelo sotaque russo pouco dissimulado (Rourke optou por fazer, durante a sua preparação para o filme, aulas em russo justamente por este motivo) que empresta ao seu Ivan Vanko, o Whiplash.
Destaque também para Samuel L. Jackson que, para compor Nicky Fury, realiza uma atuação repleta de sorrisos sarcásticos e diálogos proferidos com um tom de voz pungente e “descolado”, o que muito nos faz lembrar seu Jules Winnfield, de “Pulp Fiction – Tempos de Violência”. Don Cheadle também está bem no papel que, outrora, pertencera a Terrence Howard, mas o bem da verdade é que, por maior que seja o carisma do ator, o roteiro mostra-se injusto com este, uma vez que o Tenente-Coronel James Rhodes acaba sendo o responsável por protagonizar muitas das cenas mais infantis (a briga que ele tem com o personagem-título, durante a festa de aniversário deste, é particularmente ridícula e imatura) desta produção.
Ainda mais infantis, todavia, são as cenas protagonizadas por Downey Jr. e Gwyneth Paltrow que, não só se mostra ainda mais dispensável do que já havia se revelado no longa anterior, como também se mostra, de longe, a personagem mais azucrinante de todo o filme. Suas discussões com Stark são assaz pueris e arriscam, a todo o instante, conferir humor à trama, o que resulta em meras tentativas frustradas já que, tudo o que ambos conseguem fazer, é irritar o espectador, e nada mais.
Scarlett Johansson (suspiros!) também conta com um papel fraco e, assim como acontece com Paltrow, a culpa não é integralmente da atriz, mas sim do roteiro. Que Johansson não é uma grande profissional do Cinema, disso não se tenha dúvida – afinal, em toda a sua carreira, a sensual atriz só realizou atuações realmente relevantes em “Encontros e Desencontros” e “Vicky Cristina Barcelona”, e, particularmente, também gosto de seu trabalho em “Ele Não Está Tão Afim de Você” – mas a verdade é que “Homem de Ferro 2” é uma produção que conta com um quê de misoginia (note que, logo no início da projeção, o diretor Jon Favreau faz questão de focar os traseiros das dançarinas de Tony Stark, sem contar nas roupas agarradíssimas trajadas pela personagem de Johansson), logo, era de se esperar que o roteiro adotá-se a lamentável idéia de que a Viúva Negra fosse apenas uma figura dramática com a principal função de massagear a libido dos espectadores do filme (e, se me permitem dizer, ratifico que a personagem consegue cumprir o seu papel mais importante com muito êxito). Em todo o caso, é mister frisarmos que a melhor cena de ação de todo o longa é justamente protagonizada por Scarlett (e sua dublê, é claro), resultando em uma luta magnificamente coreografada, ocorrida nas fábricas Hammer.
Falando nas sequências de ação, é impressionante notarmos como Favreau evoluiu, do primeiro para este segundo filme, no que se refere à condução destas. Se antes ele já mostrava certo talento na função de diretor, agora mostra-se ainda mais à vontade nesta condição e, não apenas posiciona a câmera a fim de capturar excelentes ângulos (uma cena contida no início do longa, onde Favreau acompanha Stark voando pelos céus de Las Vegas em meio a vários fogos de artifício é plasticamente perfeita e revela-se a prova disso), como também aplica slow motion (entre outras técnicas) de forma conveniente (a sequência no circuito de Mônaco, por exemplo) com o intuito de acrescentar ainda mais emoção às tais sequências.
No mais, temos efeitos visuais e efeitos sonoros dignos de engrandecer ainda mais as explosões e os tiroteios que acompanhamos na telona, e a trilha-sonora revela-se, desta vez, levemente menos batida do que havia se mostrado no filme de 2008, começando com “Shoot to Thrill”, do AC/DC, e encerrando-se com “Highway to Hell”, do mesmo grupo de rock australiano, sendo esta uma das dez últimas músicas que o vocalista Bon Scott gravou em sua vida.
Visivelmente superior ao seu antecessor (ainda que o resto do mundo diga o contrário), “Homem de Ferro 2” mostra-se uma produção claramente mais madura do que aquela, embora ainda falte muito para atingir um grau de maturidade realmente aceitável. Ademais, é suficientemente divertido em suas cenas de ação e na “Guerra Fria” protagonizada pelas indústrias Stark e Hammer.
Obs.: Não deixem de conferir uma cena após o final dos créditos. Ela dá uma dica importantíssima sobre o surgimento d’Os Vingadores, grupo o qual Stark fará parte no futuro.
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