Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 03 de junho de 2.010.

Avaliação: rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501rolo-de-filme-150x1501 (Bom Filme).

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Ficha Técnica:
Título Original: Prince of Persia: The Sands of Time.
Gênero: Aventura.
Tempo de Duração: 116 minutos.
Ano de Lnçamento: 2010.
Site Oficial: http://www.principedapersia.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Mike Newell.
Roteiro: Doug Miro e Carlo Bernard, baseado em história de Jordan Mechner e Boaz Yakin e em jogo de videogame criado por Jordan Mechner.
Elenco: Jake Gyllenhaal (Príncipe Dastan), Gemma Arterton (Tamina), Ben Kingsley (Nizam), Alfred Molina (Sheik Amar), Gísli Örn Garoarsson (Vizir), Daud Shah (Asoka), Stephen A. Pope (Roham), Miranda Booth (Avrat), Charlie Banks (Rei Sharaman – jovem), Selva Rasalingam (Capitão persa), Toby Kebbell, Reece Ritchie, Richard Coyle, Ambika Jois e Ronald Pickup (Rei Sharaman)

Sinopse: Pérsia, Idade Média. Dastan (Jake Gyllenhaal) é um jovem príncipe, que auxilia o irmão a conquistar uma cidade. Lá ele encontra uma estranha e bela adaga, a qual decide guardar. Tamina (Gemma Arterton), a princesa local, percebe que Dastan detém a adaga e tenta se aproximar dele para recuperá-la. A adaga possui o poder de fazer seu portador viajar no tempo, quando dentro dela há areia mágica. Só que Dastan é vítima de um golpe. Ele é o encarregado de entregar ao pai, o rei Sharaman (Ronald Pickup), uma túnica envenenada, que o mata. Perseguido como se fosse um assassino, ele precisa agora provar sua inocência e impedir que a adaga caia em mãos erradas. (Adoro Cinema).

Prince of Persia: The Sands of Time – Trailer:

Crítica:

Piratas do Caribe”, “Era Uma Vez no México”, “O Procurado” e “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo”. O que estes filmes tem em comum? Todos são títulos de mero entretenimento que, mesmo contando com uma série de situações absurdas, cumprem bem o seu papel de recrear o público alvo fazendo o uso de uma trama descompromissada e simplória para tal. É com tristeza, no entanto, que deve-se mencionar que, dentre os quatro citados, “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo” é, de longe, o pior destes. Contudo, se a nova investida cinematográfica dos estúdios Disney está bem distante de ser uma maravilha, devemos agradecer também pelo fato deste se encontrar há anos-luz à frente de um “O Escorpião Rei” ou, principalmente, de um “A Múmia – Tumba do Imperador Dragão” (falsa impressão esta que, confesso, o fraco trailer havia me passado).

Parte deste trunfo cabe a Mike Newell. Cineasta responsável por clássicos da década de 1990 (se é que um filme com menos de trinta anos de existência pode ser chamado de clássico), como os ótimos “Quatro Casamentos e Um Funeral” e “Donnie Brasco”, além de comandar um dos melhores (o melhor, até o momento, a meu ver) episódios da franquia “Harry Potter”, Newell emprega ao longa um profissionalismo que, sem o seu toque especial, contaria com grandes chances de se tornar mais uma bomba em forma de blockbuster inspirado em game (essa que é uma fórmula perigosa, uma vez que já criou porcarias da “grandeza” de um “Mortal Kombat” (todos os filmes da série), “Resident Evil” (todos os filmes da série) e, sobretudo, “Street Fighter” – que de tão ruim, nem sequer conseguiu se tornar uma série), produzida por Hollywood.

Prova disso é o modo como o diretor conduz a primeira batalha do filme que, indubitavelmente, revela-se o momento mais inspirado deste. Empregando travellings ágeis e seguros, que tornam a sequência mais dinâmica, a câmera de Newell segue o trajeto de flechas (algo à lá “Rei Arthur”, quando Guinevere, personagem de Keira Knightley, dispara uma flecha em direção a um saxão), “passeia” pelo cenário ilustrando o tamanho da muralha a qual os soldados deverão trespassar, e realiza um rápido, e ao mesmo tempo sutil, recuo que nos transporta do interior do castelo, onde um soldado dá um sinal levantando uma tocha, aos batalhões de combatentes que se encontram ao lado exterior do alvo.

Não obstante, o diretor ainda filma a batalha por vários ângulos, movimenta a câmera com o intento de ilustrar ao espectador a estratégia dos combatentes, realiza closes no rosto do protagonista sempre que o perigo é eminente, e trabalha com uma trilha-sonora que cria um convincente clima de suspense durante o início da invasão.

À primeira vista, temos a sensação de estarmos diante de uma produção pipoca fascinante. Afinal de contas, o que se vê em tela é um combate empolgante, engrandecido por lutas bem coreografadas e uma direção bastante eficiente. O que mais poderíamos esperar de um longa desta natureza? É aí que os problemas começam a surgir.

Com o término de seus trinta minutos iniciais, “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo” parece já ter mostrado ao espectador tudo o que tinha para mostrar e, a partir de então, passa a investir demais na química entre o seu protagonista, encarnado por Jake Gyllenhaal, e a linda princesa Tamina, encarnada pela igualmente linda Gemma Arterton.

O que há de ruim nisso? Nada, contanto, é claro, que a premissa de tal relacionamento não fosse calcada no batido “eles se odeiam, mas no fundo se amam”.

Mas se o roteiro, apesar de alguns acertos, acaba não colaborando muito com os respectivos papéis de Gyllenhaal e Arterton, os atores ao menos investem em atuações que, em boa parte dos casos, faz-nos esquecer das caricaturas.

Gyllenhaal aparece aqui com o seu carisma habitual, adotando uma postura cínica e imprevisível a Dastan, cuja malandragem lembra um pouco (e eu disse, um pouco) um velho conhecido nosso: o capitão Jack Sparrow.

Arterton, por sua vez, não consegue demonstrar o mesmo talento que o seu colega de set, mas é fato que a jovem atriz inglesa conta com um charme e uma sensualidade inerente à sua personagem. E se as citações aos atributos físicos dos atores de qualquer filme que seja geralmente se mostram repugnantes, é importante justificarmos que, no caso da princesa Tamina, a beleza, o charme e a sensualidade são essenciais na composição da nobre jovem que, somados a uma dose certa de destreza (algo que Arterton também possui), fazem com que a moça consiga enganar as suas “vítimas” de um modo bastante natural, quase tanto o quanto Dastan.

Em relação às demais peças do elenco, o talentoso Alfred Molina surge em um papel dispensável (apesar de sua carismática presença) e o ainda mais talentoso Ben Kingsley encarna um Nizam convincentemente ardiloso (e, assim como ocorre com a maioria dos personagens, o mérito dessa persuasão parte do talento do intérprete, e não do modo como o roteiro nos desenvolve o personagem), mas o ator erra a mão quando opta por, sempre que possível, realizar um ameaçador olhar de canto, algo que o torna bastante caricato.

Já a trama principal, esta nos é apresentada de forma simples e tola, embora cativante e curiosa (um punhal capaz de fazer com que o seu portador regresse alguns minutos, ou até mesmo, dias, no tempo). O problema mesmo surge quando uma estória envolvendo punição divina entra em cena. A partir de então, o longa, além de realizar um leve plágio de muitas obras do gênero (e cito “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” novamente), perde muito do charme que a sua simplicidade vinha nos oferecendo até o momento.

Resta ao espectador então acompanhar as eficientes atuações de algumas peças do elenco, as cenas de ação que, apesar de contarem com pouca originalidade em suas coreografias (salvo durante a batalha inicial, conforme já fôra mencionado, e em um duelo de facas e dardos, ocorrido ao final da projeção), mostram-se suficientemente divertidas, e a já citada (e citada novamente de forma merecida) direção de Newell que utiliza, com bastante sutileza, truques como o slow motion, durante a preparação do golpe a ser dado pelo atacante, e o fast motion, que exibe o resultado do golpe de forma corriqueira, já que, em cenas deste tipo, a elaboração da pancada é sempre mais digna de nota do que a própria pancada em si.

Divertido, mas longe de empolgar tanto o quanto outros exemplares similares, “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo” vale o ingresso. Só não estranhe se, minutos após o término da sessão, você se esquecer de noventa por cento do que fôra visto em sala de cinema.

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