Predadores
Redigido e editado por Daniel Esteves de Barros aos 01 de agosto de 2.010. Publicado por este aos 02 de agosto de 2.010.
Avaliação:
(Filme Ruim).

Ficha Técnica:
Título Original: Predators.
Gênero: Suspense / Ficção Científica.
Tempo de Duração: 106 minutos.
Ano de Lançamento: 2010.
Site Oficial: http://www.predadoresfilme.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Nimród Antal.
Roteiro: Alex Litvak e Michael Finch, baseados nos personagens de Jim Thomas e John Thomas.
Elenco: Adrien Brody (Royce), Topher Grace (Edwin), Danny Trejo (Cuchillo), Laurence Fishburne (Noland), Alice Braga (Isabelle), Walton Goggins (Stans), Derek Mears (Predador), Oleg Taktarov (Nikolai), Mahershalalhashbaz Ali (Mombasa), Louis Ozawa Changchien (Hanzo), Brian Steele (Super Predador Negro) e Carey Jones (Treinador do Super Predador Negro).
Sinopse: Royce (Adrian Brody) é um mercenário que, contra sua vontade, precisa liderar um grupo de combatentes de elite. Eles foram levados para um planeta alienígena, no intuito de servirem como presas. Com exceção de um médico, todos são assassinos a sangue frio que agora precisam lutar pela própria vida, evitando serem mortos por uma perigosa raça alienígena (Adoro Cinema).
Predators – Trailer:
Crítica:
O mais instigante no que tange o estudo da linguagem cinematográfica é que, até mesmo quando o objeto de análise trata-se de um exemplar bem abaixo da média e completamente dispensável à Sétima Arte, este pode acrescentar algo à erudição do estudioso. “Predadores” é, em partes, uma razoável amostra disso.
Contando com alguns personagens de moral dúbia (inclua-se aqui o protagonista), é, no mínimo, um grande desafio aos roteiristas Alex Litvak e Michael Finch (e às demais pessoas que estiverem diretamente envolvidas com o projeto) estabelecerem um elo psíquico satisfatório entre os espectadores e as figuras dramáticas que compõem a trama durante todo o desenrolar desta (e este elo ocorre aqui durante alguns momentos apenas, conforme virei a mencionar em breve). Afinal, como poderíamos nos cativar com a causa de um grupo de sujeitos individualistas e egoístas, em sua maioria, que, além de tudo, são abordados de forma, na melhor das hipóteses, bidimensional pelo roteiro?
Entra aqui então o estudo da Psicanálise Freudiana e, principalmente, o Complexo de Édipo que estabelecem que o ser humano, independentemente da situação, tende a torcer sempre pelo lado desfavorecido de uma determinada disputa. Exemplo este, aliás, mostrado muito bem por Stanley Kubrick em “Laranja Mecânica”. Em uma única cena, o Alexander DeLarge cruel, impiedoso e que despertava repulsas no espectador ao ironizar os policiais que o haviam detido, desce do pedestal que até então se encontrava e é esmurrado e cuspido na face pelos mesmíssimos policiais que até o momento eram zombados pelo jovem. A partir daí, a câmera de Kubrick acompanha o personagem sob uma perspectiva que o coloca em uma condição inferior a de seus oponentes e, como se fosse mágica, o sujeito, que até então odiávamos intensamente, passa a ser alvo de nossas condolências.
E se nem em uma piada de extremo mau gosto eu seria capaz de comparar a capacidade de Nimród Antal, que é um diretor fraco, com a de Stanley Kubrick, que considero o gênio mor, ao lado de Jean-Luc Godard, na história do Cinema, em fazer com que o espectador se envolva com os seus respectivos protagonistas, devo ao menos ser justo com o diretor de “Predadores” e elogiar a decisão deste ao empregar, sempre que possível e conveniente, planos abertos que esboçam a inferioridade física de seus personagens perante aos eminentes perigos que estes podem encontrar em meio à gigantesca selva onde situam-se no presente momento, estabelecendo assim um elo entre eles e nós, espectadores, que passamos a notar as desvantagens destes diante das condições que lhes foram impostas.
A selva, aliás, é como se fosse um personagem misterioso à parte. Em tempos de “Lost”, “Predadores” pega carona no sucesso da série televisiva e parece trazer à tona algo bastante parecido, fazendo com que a mata obtenha um papel relativamente igual ao o da ilha do seriado. Afinal, que mistério liga as personas do longa, que jamais haviam se encontrado anteriormente àquela ocasião, àquilo tudo que os cerca? E se o plágio com “Lost” aqui não é somente evidente, como também descarado, ao menos tudo o que presenciamos até então colabora para que o suspense aumente cada vez mais.
Cada vez mais, é claro, até o momento em que “somos avisados” do que realmente está acontecendo e constatarmos que o que veremos dali para frente será mais do mesmo. Mais do mesmo, aliás, daquilo que já foi explorado à exaustão pelos produtores: a cine série “Predador”.
O que mais se pode esperar de uma sucessão de episódios que teve o seu início com um ótimo suspense, em 1987, mas que de lá para cá foi decaindo a ponto de atingir o fundo do poço com o insuportável “Alien vs. Predador 2”? Ação? Suspense? Sangue? Explosões? Pois é, podemos esperar tudo isso de “Predadores”, e realmente temos tudo isso, sim senhor. Contudo, não conseguimos testemunhar nada de diferente aqui no que diz respeito às ações de seus personagens, no suspense que as precede e no sangue derramado ou nas explosões que figuram como o resultado destas. Não há absolutamente nada de novo que este “Predadores” nos apresente e que já não tenha sido apresentado em outros episódios da série.
A direção de Antal, por sua vez, acaba mesmo parando no modo como ele se aproveita do fenômeno da identificação do espectador com o filme. Ademais, o diretor se esforça para criar um clima de suspense aqui, outro acolá, conforme ocorre na cena em que os personagens chegam a um cemitério alienígena e se dão conta de que terão grandes problemas pela frente. Salvo esses cuidados, Antal mostra uma mão pesada demais para as cenas de ação e, quando seria o ideal o emprego de uma handcam, o diretor parece filmar tudo do modo mais pacato e tranqüilo o possível, preocupando-se apenas em manter a câmera ligada enquanto os predadores do título passam a se confrontar com os terráqueos.
“Predadores”, aliás, é desses filmes de suspense em que a tensão acaba mesmo ficando por conta da trilha-sonora que sempre emprega (da maneira mais artificial que se possa imaginar, diga-se) acordes mais altos e pesados no momento em que o perigo parece cada vez mais próximo aos personagens principais.
Não obstante, os personagens bidimensionais, conforme já mencionei mais acima, com o desenrolar da trama passam a não colaborar em nada para manter-nos presos à poltrona da sala de projeção. Se a situação desfavorável dos sujeitos antes nos chamava a atenção, o mau desenvolvimento deles durante o decorrer do filme passa a nos causar tédio, afinal, percebemos que estamos diante de um grupo de pessoas que, na melhor das hipóteses, irão se revelar pais de alguns filhos (e nem preciso mencionar que isso ocorre através de um diálogo clichê (“___ Não me deixe morrer! Eu tenho filhos”), preciso?) ou sujeitos viciados em cocaína e aficionados por traseiros de personagens encarnadas por atrizes brasileiras (“___ O teu traseiro é impressionante!”, menciona o médico realizando a cantada mais “furada” da história do Cinema, ao dirigir-se a Isabelle, personagem de Alice Braga).
Falando em atores estrangeiros, o que dizer do personagem de Louis Ozawa Changchien, um poderoso mafioso da Yakuza que entra em cena apenas para lançar olhares ameaçadores com o canto do olho e sacar uma espada para desafiar um predador a um risível confronto? A propósito, se fossemos associar as atitudes de seus personagens com as respectivas nacionalidades destes, juro que temeria caso houvesse um espanhol entre o bando. Era bem capaz do dito cujo sacar uma capa vermelha e começar a “brincar” de touro e toureiro com a criatura alienígena.
E já que acabo de mencionar um personagem altamente dispensável à trama, o que dizer da figura dramática encarnada por Lawrence Fishburne? A sua inserção na trama não é necessariamente um Deus ex machina, pois Isabelle nos dá uma pista da possível aparição deste quando menciona uma estória sobre “um único sobrevivente do grupo intitulado “Os Sete da Guatemala” (ou estaria ela fazendo referência ao personagem de Arnold Schwazeneger no primeiro filme? Enfim…)”, mas o bem da verdade é que o indivíduo entra e sai de cena sem nem dizer ao certo a que veio.
No hall de personagens, por sinal, só não são totalmente dispensáveis a própria Isabelle e o protagonista Royce. Despontando como uma combatente israelense durona, mas com uma moral digna o bastante a ponto de sempre agir com o coração quando a situação exige o completo desdém para com os sujeitos que não apresentam mais condições de prosseguir com a jornada, Isabelle não é presenteada por uma grande atuação por parte de Alice Braga, que aparece quase sempre com a mesma expressão sisuda, mas por outro lado é beneficiada pela naturalidade com a qual a atriz demonstra o mínimo de sentimento para com os companheiros debilitados fisicamente ao longo da caçada alienígena.
Já o Royce, de Adrien Brody (que parece ser o único ator disposto a alterar o tom de voz e a expressão facial quando o roteiro solicita), é o outro personagem bidimensional que, contrapondo Isabelle, mostra-se excessivamente racional e repleto de falhas de caráter, apresentando-se sempre disposto a abandonar os seus companheiros à morte, quando julgar conveniente. Infelizmente, o roteiro não tem coragem o bastante para encerrar a trama fazendo com que o protagonista permaneça com os mesmos costumes anti-heróicos que exibe ao longo do filme e cria a este uma ineficaz oportunidade de auto-redenção durante o desfecho do terceiro ato.
Mostrando-se eficaz apenas em seus minutos iniciais, quando cria uma identificação conosco ao lançar-nos diante de pessoas que protagonizam uma situação tão desfavorável, “Predadores” logo passa a ser boicotado pela sua previsibilidade e pelo mau desenvolvimento de seus personagens, cuja superficialidade parece quebrar quaisquer elos que estes haviam criado conosco no início da projeção.
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