O Aprendiz de Feiticeiro

Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 19 de agosto de 2010. Editado e publicado por este aos 20 de agosto de 2010.

Avaliação: rolo-de-filme-150x1501 (Filme Ruim).

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Ficha Técnica:
Título Original: The Sorcerer’s Apprentice.
Gênero: Aventura.
Tempo de Duração: 101 minutos.
Ano de Lançamento: 2.010.
Site Oficial: http://www.disney.com.br/filmes/cinema/aprendizdefeiticeiro
Países de Origem:
Estados Unidos da América.
Direção: Jon Turteltaub.
Roteiro: Doug Miro, Carlo Bernard e Matt Lopez, baseado em história de Matt Lopez, Lawrence Konner e Mark Rosenthal e em poema de Johann Wolfgang Goethe.
Elenco: Jay Baruchel (Dave Stutler), Nicolas Cage (Balthazar Blake), Alfred Molina (Maxim Horvarth), Teresa Palmer (Becky Barnes), Monica Bellucci (Veronica), Toby Kebbell (Drake Stone), Jake Cherry (Dave Stutler – jovem), Peyton List (Becky – jovem), Robert Capron (Oscar), Nicole Ehinger (Abigail), Jen Kucsak (Broom), Gregory Woo (Sun Lok) e Omar Benson Miller.

Sinopse: Balthazar Blake (Nicolas Cage) é um feiticeiro que mora em Manhattan. Ele busca defender a cidade de seu arquinimigo, Maxim Horvarth (Alfred Molina), mas não é capaz de cumprir esta tarefa sozinho. Para tanto ele recruta Dave Stutler (Jay Baruchel), um rapaz comum mas com um potencial oculto, para ser seu aprendiz. Balthazar passa então a ministrar um rápido curso na arte e ciência da magia, de forma a torná-lo seu aliado na luta constante contra as forças de Horvarth. (Adoro Cinema).

The Sorcerer’s Apprentice – Trailer:

Crítica:

O Aprendiz de Feiticeiro” é a mais nova produção de Jerry Bruckheimer, o Rei Midas de Hollywood. O que isso significa? Significa que o quê você terá pela frente é mais um blockbuster cujo objetivo principal é faturar rios de dinheiro e não acrescentar nada à sua vida ou à arte cinematográfica em si. E não, não me entendam mal. Não realizo tais afirmações aspirando ao título de cult, não mesmo. Para falar a verdade, até gosto de muitas coisas que já foram produzidas por Bruckheimer: “Piratas do Caribe”, por exemplo.

O problema é que o indivíduo em questão não somente é o Rei Midas hollywoodiano como também é o maior oportunista daquelas bandas.

Desde o sucesso que obteve com o filme de 2003 – e a maior parte deste sucesso se deve, é claro, a Jhonny Depp e ao seu Jack Sparrow (apesar de minha adoração pelo filme ser, em boa parte, graças à beleza arrebatadora de Keira Knightley e… enfim…) – o produtor vem abusando cada vez mais da fórmula batida das aventuras simplórias (e em “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” o “aventura simplória” confere um charme impagável a toda a produção) repletas de grandes efeitos visuais. O problema é que, aqui, os efeitos visuais acabam não sendo tão “grandes” assim e a fórmula é mais batida do que nunca.

Começando a sua trama da forma mais preguiçosa o possível, ou seja, através de uma narrativa in off que resume toda uma estória, “O Aprendiz de Feiticeiro” logo cai no clichê de relacionar o mundo da magia a Merlin, como o representante dos magos “do bem”, e a Morgana le Fay, como representante dos magos “do mal”. Aliás, imagino que se Merlin e Morgana tivessem realmente existido, os seus sucessores poderiam ficar mais ricos do que Bill Gates ao final dos anos 1990 somente cobrando indenizações dos filmes de fantasia que apelaram para os nomes dos personagens coadjuvantes da lenda de Rei Arthur Pendragon.

Mas se a preguiça do roteiro se resumisse a isso, certamente teríamos poucos problemas com o filme. A questão é que não paramos por aí.

Resumamos a trama, para se ter uma breve ideia: Dave é um nerd/geek desengonçado e que se julga um perdedor (clichê número um), todavia, ele, por motivos os quais a trama não faz muita questão de explicar, é o escolhido que trará equilíbrio à forç… digo… ao mundo da magia (clichê número dois) derrotando definitivamente a grande, terrível e malvada bruxa negra malévola das trevas (clichê número três). Para tal, o protagonista deve ser previamente instruído por um mentor (clichê número quatro) que, por ter gostos e costumes excessivamente diferenciados do rapaz (afinal, ele é, no mínimo, mil anos mais velho que o seu pupilo), sofrerá leves problemas de convivência com este (clichê número cinco), mas que acabará resultando também (e na maioria dos casos) em gags que serão utilizadas à exaustão pelo roteiro (clichê número seis). O jovem também terá de lidar com o amor que nutre por uma antiga paixão dos tempos de escola (clichê número sete) que, segundo o seu mestre, irá atrapalhá-lo em seu equilíbrio na luta contra os Sith… digo… contra os discípulos de Morgana (clichê número oito). Discípulos estes que tratam-se de um jovem astro pop metrossexual (ok, admito que aqui há um quê de originalidade, sobretudo quando Dave o compara a um membro do conjunto musical alternativo Depeche Mode) e de um sujeito com características de lorde inglês que demonstra certo humor a priori, mas, em poucos minutos, vai se entregando a uma composição tipicamente sombria com direito a incontáveis olhares ameaçadores de canto de olho (clichê número nove).

Viram? Nerd que subestima a si mesmo tem uma drástica mudança na vida ao receber a informação de um mentor que é o escolhido para trazer paz a um mundo ameaçado por uma terrível vilã e seus capangas. No meio do caminho ele descobre o amor e vive feliz para sempre ao lado de sua bela dama (e isso não é spoiler, já que qualquer pessoa que possua um QI acima de 50 perceberá como a estória terá o seu desfecho em cinco minutos de projeção).

Pois é, em três linhas e meia de texto (na formatação do Microsoft Word, não sei como este texto ficará quando adicioná-lo no blog) pode-se montar o esqueleto da trama de “O Aprendiz de Feiticeiro”. E se somarmos essa trama a um personagem interpretado por um ator utilizado ao extremo por Jerry Bruckheimer, temos um típico filme do produtor.

Ah sim, e falando no tal ator, lembram-se do Nicolas Cage que brevemente comentei como sendo um dos maiores destaques do ótimo “Kick Ass – Quebrando Tudo”? Pois é, ele voltou a decepcionar aqui. Quando achamos que Cage, finalmente, conseguiu sair da limbo, infelizmente ele retorna ao incrível mundo megalomaníaco (e multi-milionário, diga-se) de Jerry Bruckheimer e nos tira quaisquer esperanças quanto à possibilidade de que deixe de consolidar-se cada vez mais em uma carreira irregular.

É de se estranhar, no entanto, que Cage realize aqui uma atuação inexpressiva, fugindo de seu convencional “over-acting-Nicolas-Cage-way-of-actuat”. Contanto, o diretor Jon Turteltaub deveria ter avisado ao ator que a escassez de expressões é algo ainda mais prejudicial a uma atuação do que o excesso destas. Prova disso é a forma artificialmente arrastada, monotônica, apática e insossa que o ator pronuncia diálogos como: “___ Isto não pode acontecer.”.

Já Jay Baruchel, na pele do protagonista, não conquista a atenção do público com a sua voz pretensiosamente anasalada e os seus trejeitos “nerdísticos” soam visivelmente exagerados. Teresa Palmer é apenas bonitinha e a sua falta de talento faz com que ela se saia como a pior peça dentre todo o elenco, já que ela altera o tom de sua voz com a mesma ineficiência de uma… de uma… bem, de uma Pernilla August, encarnando Shmi Skywalker em “Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma”.

Quanto aos demais atores, Alfred Molina, que nem de longe nos faz lembrar de sua eficaz atuação no ótimo “Educação”, ganha a simpatia do público no início da projeção com o seu habitual carisma, mas logo se entrega aos já comentados olhares ameaçadores com o canto do globo ocular, Monica Bellucci, por sua vez, surge tão expressiva quanto um pedaço de madeira, e as demais peças do elenco… bem, as demais peças do elenco é melhor nem perder o meu tempo comentando.

Jon Turteltaub, que em toda a sua carreira (iniciada ao final dos anos 1980) não conta com um único filme razoável no currículo (ao menos até onde me lembro), entrega ao espectador mais um trabalho pouco inspirado. Logo nos momentos iniciais de “O Aprendiz de Feiticeiro”, o diretor já demonstra toda a sua imaturidade quando utiliza closes in a fim de filmar um bilhete o qual o protagonista estava caçando desesperadamente pelas ruas de Nova York, algo que se revela bastante amador por parte deste, já que confere urgência demais a um fato que, futuramente, pouco acrescentará à trama (e quando vem a acrescentar, é claro que colabora para o previsível happy end).

O lamentável é que, justamente quando imaginamos que Turteltaub começará a dar mostras de um trabalho minimamente descente no momento em que toma a sábia decisão de empregar travellings verticais a fim de retratar toda a dimensão de uma loja de artefatos mágicos (e aqui a direção de arte também merece certo destaque por caracterizar tal loja razoavelmente bem), o cineasta simplesmente se entrega à típica direção de filmes desta natureza e aplica insistentemente tomadas aéreas que visam apenas criar cartões postais da cidade em que a trama se passa.

E para encerrar esse texto de um modo que não digam que detestei tudo o que presenciei durante os cento e um minutos de projeção (a curta duração também colabora um pouco para que possamos concluir que o longa não é uma perda de tempo tão grande quanto parece), é mister informar que “O Aprendiz de Feiticeiro” tem alguns momentos inspirados, como é o caso do King Kong desenhado na janela do ônibus em sincronia com o Empire State Bulding, da homenagem prestada à sensacional, e letárgica, animação “Fantasia”, do laboratório de Dave com os seus Raios Tesla, do conceito de utilizar o espelho para enviar, através de magia, os oponentes para um mundo invertido e, é claro, as cenas de ação que, empalidecidas ao extremo se comparadas a outros filmes produzidos por Jerry Bruckheimer, unem-se a efeitos visuais apenas corretos para criar um pouco (bem pouco mesmo) de tensão no espectador, que ao sair da sessão certamente indagará a si mesmo: “___ Esperava algo mais convenientemente megalomaníaco vindo de um produtor que já foi o responsável pelo eletrizante “A Rocha” e pelo divertidíssimo “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra”.”.

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