A Rede Social
Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 05 e 06 de dezembro de 2.010. Editado e publicado por este aos 07 de dezembro de 2.010.
Avaliação: ![]()
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(Ótimo Filme).
Ficha Técnica:
Título Original: The Social Network.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 121 minutos.
Site Oficial: http://www.thesocialnetwork-movie.com
Ano de Lançamento: 2.010.
Países de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: David Fincher.
Roteiro: Aaron Sorkin, baseado em livro de Ben Mezrich.
Elenco: Jesse Eisenberg (Mark Zuckerberg), Andrew Garfield (Eduardo Saverin), Justin Timberlake (Sean Parker), Joseph Mazzello (Dustin Moskovitz), Rooney Mara (Erica), Malese Jow (Alice), Armie Hammer (Cameron Winklevoss), Liam Ferguson (Brian), Douglas Urbanski (Larry Summers), Bryan Barter (Billy Olsen), Patrick Mapel (Chris Hughes), Denise Grayson (Gretchen), John Getz (Sy), Rashida Jones (Marylin Delpy), Armie Hammer (Cameron Winklevoss / Tyler Winklevoss), Josh Pence (Tyler Winklevoss), Max Minghella (Divya Narendra), Steve Sires (Bill Gates), Brenda Song (Christy), Malese Joy (Alice), Abhi Sinha (Vikram), Mark Saul (Bob), Cedric Sanders (Reggie), Dakota Johnson (Amelia Ritter), Douglas Urbanski (Larry Summers), James Shanklin (Príncipe Albert), John Hayden (Howard Winklevoss) e Caleb Landry Jones (Jovem da fraternidade).
Sinopse: Em uma noite de outono em 2003, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), analista de sistemas graduado em Harvard, se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. Apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook. O sucesso, no entanto, o leva a complicações em sua vida social e profissional. (Fonte: Adoro Cinema).
The Social Network – Trailer:
Crítica:
Coisa estranha essa tal de internet. Uma rede virtual que tinha como objetivo colocar os Estados Unidos a frente da Rússia, em uma disputa tecnológica pós-lançamento do satélite Sputnik, acabou assumindo uma característica mais individualista e sendo “domesticada” a ponto de fazer parte diretamente do cotidiano de boa parte da população mundial.
E se a popularização da internet vem colaborando cada vez mais com a sociedade, trazendo-nos, com um dinamismo invejável, lazer, informação e até mesmo produtos que não seriam obtidos tão facilmente através do contrato físico e convencional de compra e venda, não há como negar que ela também vem colaborando cada vez mais para que as pessoas tenham as suas vidas expostas a terceiros, sendo muitos deles (a grande maioria, diga-se) desconhecidos.
Mas não estou aqui para falar dos riscos que corremos ao expor as nossas vidas na internet, e sim para comentar que foi justamente esse exibicionismo contido (que todos nós temos, diga-se) que fez com que pessoas como o turco Orkut Büyükkökten e o estadunidense Mark Zuckerberg criassem respectivamente o Orkut e o Facebook.
Focando-se no segundo site de relacionamentos mencionado ao final do parágrafo anterior, David Fincher – seguindo roteiro de Aaron Sorkin, que o escreveu baseado no livro “The Accidental Billionaires”, de Ben Mezrich – comanda este “A Rede Social” com a sua habitual competência, mas longe de realizar um trabalho de direção tão fascinante e magnífico como fez em produções anteriores do quilate de “Seven – Os Sete Crimes Capitais”, “Clube da Luta” (um de meus filmes prediletos) e até mesmo o ótimo “Zodíaco”.
Ainda que mostre certa dinâmica no emprego de rack focus em algumas cenas de audiência judicial, evitando assim realizar mais do que um único plano para dar diferentes destaques entre a alternância de atividade de um determinado diálogo, Fincher investe em muitos travellings horizontais lentos e desnecessários para estudar um determinado cenário o qual as suas personagens estejam imersas. O problema é que um filme como “A Rede Social” é muito mais um filme de personagens do que um filme estético. Assim sendo, o mais recomendado era que o diretor tivesse investido mais nos primeiríssimos planos (o que, de certa forma, ele faz, mas não com tanta frequência como deveria ter feito) do que em planos gerais que exibissem coisas que não precisariam ter sido exibidas com tanta cautela com relação aos detalhes, como ocorre na cena em que, para retratar o quão rico um determinado personagem é, Fincher abusa dos travellings horizontais para explorar o luxo daquele cenário (no caso, uma espécie de jantar refinado que possui a participação de um coral), sendo que, narrativamente, bastaria ter dito que o rapaz era proveniente de uma família com uma posição econômica muito mais elevada que as demais, e pronto.
Porém, na condução do elenco, o diretor, como sempre, mostra-se formidável. Apesar da abordagem fria seguida pelo roteiro – o que é fundamental, já que pretende-se com isso criar um desenvolvimento imparcial em cima dos personagens, uma vez que o foco aqui é principalmente os boatos e as polêmicas acerca da criação do Facebook e do modo como funcionam as empresas virtuais – as atuações carismáticas (inclusive a de Andrew Garfield, acreditem se quiser) por parte dos atores principais colabora para que o excesso de racionalidade envolvendo as suas figuras dramáticas não as torne necessariamente desinteressantes.
Se a frieza utilizada no estudo dramático de seus personagens parece criar uma sólida barreira entre eles e o público, as atuações convincentes dos atores põem tal obstáculo no chão. Enquanto que o tom de voz frouxo e os sorrisos fátuos de Garfield ilustram a personalidade insegura de seu Eduardo Saverin – o que é extremamente relevante tratando-se de um estrangeiro (brasileiro) em terra desconhecida – o ator consegue também alternar convincentemente, e em pouco tempo, para uma feição mais imaturamente esperançosa (reparem no rosto dele quando profere com um tom de extrema surpresa: “___ Nós temos fãs!”), deixando de lado a sua costumeira precariedade em fração de segundos. Já Jesse Eisenberg (no papel principal e com um “jeitão Michael Cera” de atuar), ao contrário do amigo, esconde o complexo de inferioridade de seu Mark Zuckerberg (algo que ele deixa claro logo no início da produção, quando demonstra total insatisfação por jamais ter tido a oportunidade de integrar o distinto clube universitário Phoenix) atrás de um tom de voz incisivo, áspero, irônico e até mesmo imperceptivelmente (imperceptivelmente para ele, é claro) agressivo, parecendo ter sempre as respostas na ponta da língua, quando na verdade tudo não passa de uma maquiagem para ocultar a sua baixa auto-estima e elevar o seu ego inflado.
Mas é de Justin Timberlake o destaque dentre todo o elenco. Mostrando sempre uma boa afecção em suas poucas composições (algo que pudemos testemunhar no ótimo “Alpha Dog”, de Nick Cassavetes), o cantor (que, como músico, é um ator muito bom) involuntariamente rouba a cena para si sempre que aparece. Conquistando o público logo em seu primeiro encontro com Mark e Eduardo, adotando para tal os seus sorrisos falsamente sinceros e um charme evidente, Timberlake encarna aqui “o” empresário virtual oportunista e demagogo, capaz de conseguir vender artefatos cristãos para os membros da Al-Qaeda. Pois é, e vocês que na certa pensavam que o inventor do Napster, Sean Parker, fosse um típico nerd inofensivo, não é?
Recebendo ainda a colaboração de um roteiro que não apenas conta com diálogos marcantes e magistrais da categoria de um: “___ Um dia você vai pensar que as garotas não gostam de você só porque é um nerd, mas quero que saiba do fundo de meu coração que não é por isso! As garotas não gostam de você porque você é um idiota!”, ou então: “___ Eles não querem você, mas sim a sua idéia.”, ou ainda: “___ Você não é um cara babaca. Só se esforça muito para ser um.”, como também realiza um amplo estudo sobre o modo como a internet e a informática vêm, cada vez mais, dominando, literalmente, as nossas vidas (em determinado momento, Sean Parker diz em tom profético: “___ Antes as pessoas viviam no campo, agora elas vivem na cidade e, em breve, viverão na internet!”), “A Rede Social” ganha total destaque pela forma como esboça a guerra suja e imoral travada entre muitas empresas de informática, onde a principal arma, muitas vezes, é a obtenção inapropriada de segredos (leia-se: códigos-fonte) que colocam os seus concorrentes em patamares injustamente inferiores (algo também visto no ótimo “Piratas da Informática”, dirigido por Martyn Burke).
Agora, do ponto de vista cinematográfico, o plus deste “A Rede Social” fica realmente por conta de sua montagem. Partindo de uma disputa judicial travada entre Zuckerberg e Saverin, Kirk Baxter e Angus Wall montam a narrativa de modo a não dar a este uma cara de filme de tribunal (longe, muito longe, mesmo, disso) e nem de cinebiografia episódica. Como se não bastasse, os montadores ainda conferem ritmo à produção quando empregam, de forma natural e exemplar, a chamada montagem sintática duas vezes, alternando assim de maneira eficaz entre uma votação feita pela internet e uma festa realizada no já citado Final Club Phoenix (e quem imaginaria que uma festa regada a bebidas e a garotas fazendo strip-tease acabaria, ainda que indiretamente, sendo ligada ao dormitório de um jovem tão involuntariamente celibatário, unicamente através de dois computadores conectados à rede mundial de computadores, não?) e o pontapé inicial que Zuckerberg dá para a criação do Facebook e a reunião com o conselho da Universidade de Harvard, que viria a autorizar a elaboração da rede social em questão.
Contando, infelizmente, com um desfecho preguiçoso demais (principalmente no que tange ao fim do processo judicial dos irmãos Winklevoos), onde o destino de cada personagem, em um costumeiro clichê do gênero, acaba sendo resumido por legendas que simplesmente surgem na tela, “A Rede Social” ainda soma qualidades o bastante para poder ser encarada como uma pequena aula de Cinema e, também, uma lição do quão a “domesticação” desta enorme rede virtual pode mexer com os alicerces do mundo empresarial, para o bem de poucos, e para o mal da grande maioria.
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