Globo de Ouro 2012 ou, parafraseando o título do ano passado: como eu larguei do Cinema pra me tornar alcoólatra e promíscuo.

Por Daniel Esteves de Barros.

globo-de-ouro-2012

Quando comentei sobre o Globo de Ouro, em 2010, questionei o fato de este fugir das tendências mainstream aderindo ainda mais ao mainstream. Não entenderam p*rra nenhuma, não é? Explico: para fugir das tendências das premiações cinematográficas mais, digamos, comerciais, o Globo de Ouro (que, a título de curiosidade, é a premiação mais comercial de todas) daquele ano premiou o filme mais redondinho dentre os indicados, fazendo com que a vitória de “Avatar” contrariasse a previsível (mas nem tanto, até porque errei em minhas apostas… shame on me) vitória de “Guerra ao Terror”, na insossa festa do Oscar.

Em 2011, porém, ocorreu o contrário. Quando eu jurava que o Globo de Ouro iria pra outro filme que não fosse “A Rede Social” – o hype cinematográfico daquele momento – a HFPA me passou a perna, seguindo a provável previsibilidade do Oscar e atribuindo os principais prêmios da noite ao filme roteirizado por Aaron Sorkin.

Aí o Oscar, junto das demais celebrações da sétima Arte que o antecedem, parece que decidiu pagar de malandrão e mudou a tendência nos quarenta e um do segundo tempo, fazendo com que “O Discurso do Rei” virasse a mesa e aquela coisarada toda que eu conto (mais ou menos) aqui.

Eis que chega o primeiro semestre de 2012, precedido do segundo e último semestre de 2011 (jura?!). Os seis meses que me fizerem perder a paciência com o Cinema e, consequentemente, com a crítica cinematográfica. Tudo ficou muito igual, cíclico, insuportavelmente conservador (não do ponto de vista político ou moral, naturalmente, mas sim do ponto de vista artístico mesmo). Quando Malick aparece com um filme experimental, genial e que Jean-Luc Godard justa e certamente consideraria (ou não) um “filme de autor”, ele leva a Palma de Ouro, mas se perde em meio a uma penca de produções chatas e sem inspirações. Claro, tivemos grandes obras além de “A Árvore da Vida”, em 2011, mas ainda assim, foi o hiato de seis meses mais nhé pelo qual já passei desde que comecei a escrever sobre Cinema, no final de 2007.

E taí o Globo de Ouro 2012 pra confirmar o que tô dizendo. Taí o porquê de eu ter desistido de curar o meu tédio sadiamente acompanhando o Cinema e estar preenchendo o meu tempo livre com bebedeiras e meretrizes (apesar que, francamente, não me importo de continuar levando esse estilo de vida frívolo… pelo contrário…). Taí o porquê de o Cinema andar cada vez mais aborrecedor: a previsibilidade.

Christopher Plummer venceu Ator Coadjuvante? Puxa, que novidade, hein?! Ele nem era o franco favorito, não? Afinal, desde “A Noviça Rebelde” ele é, e sempre será, o-eterno-ator-coadjuvante-definitivo (desculpem a redundância). Michelle Willians levou? Oras, que coisa, né? Ela interpretou a queridinha máxima do Cinema, Marilyn Monroe, queriam o quê? E o roteiro? Poxa, Woody Allen em sua melhor fase em muito tempo, o que podíamos esperar? Claro que tinha que ser ele (e claro que foi merecido pra burro)! Querem outra previsibilidade envolvendo o prêmio de “Meia-Noite em Paris”? Aquele que já foi o baixinho feioso mais sexy do Cinema não apareceu pra pegar o prêmio (bom pra ele). E animação? Vá lá que o filme do lagarto engraçado e deslocado que vai parar no western contava com uma boa chance de levar algo, mas pra quê desperdiçar a chance de puxar o saco de Spielberg e de conferir sorrisinhos no semblante dos vários fãs de TinTim espalhados por aí, pra dar a estatueta pros produtores de uma animação tão bizarra (“tão bizarra” pros costumes deles, que fique bem claro) quanto o ótimo “Rango”?

A melhor (pior) parte, porém, ficou com a vitória de “O Artista”, em Melhor Filme – Comédia ou Musical. Ou alguém realmente imaginou que o prêmio mais previsível da noite iria pra algum outro indicado? No way, my boy… ah não ser que você tenha 50 anos de idade, more com a mamãe e peça pra que ela descasque o seu ovo cozido no almoço… Seria mais fácil as já manjadas vitórias de Meryl Streep e George Clooney darem com os burros n’água, do que o tal filme mudo francês preto-e-branco não levar a estatueta em questão. Ou talvez fosse mais fácil ainda eu ir pra cama com Keira Knightley, na época em que ela não tinha anorexia, e com uma garrafa de Johnnie Walker Blue Label King George V na mão esquerda (a mão direita estaria ocupada com determinada parte do corpo da atriz britânica).

Mas deixando de lado a minha rabugice na escala “mamãe queria ter matado uma suculenta garrafa de Jose Cuervo Prata, ao invés de perder o meu tempo com o Globo de Ouro 2012, ainda que eu o assistirei novamente na edição do ano que vem e só esteja reclamando porque sou insuportavelmente chato”, a cerimônia teve lá os seus momentos interessantes, e poucos deles saíram da boca de Ricky Gervais, que substituiu alvos como o uso exacerbado de cocaína por parte de Charlie Sheen e Robert Downey Jr., por alfinetadas mais contidas e politicamente corretas (ou seria menos politicamente incorretas? Creio que isso se encaixe um pouco melhor aqui). O destaque ficou com o Melhor Diretor pra Martin Scorsese, que não terá a menor chance de se dar bem nas próximas premiações que ainda teremos pela frente até o final dessa temporada, mas deixou clara a intenção da Hollywood Foreign Press Association em promover uma festa glamorosa old school com os já citados Plummer, Streep, Allen (que, repito, não compareceu… haha), Spielberg e, claro, a mais do que merecida homenagem a Morgan Freeman, que ficou com o prêmio especial Cecil B. De Mille, num dos poucos momentos relevantes da noite.

Melhor Filme Estrangeiro também surpreendeu muito com o iraniano “A Separação” e, tendo em vista que o Globo de Ouro tá longe de almejar o título de premiação cult (muito pelo contrário, mas muito pelo contrário messsssssssmo), é de se estranhar que o longa com menores chances dentre todos os cinco tenha levado o troféu pra casa.

Todavia, no geral, o Globo de Ouro 2012 foi tipo um axioma do que o Cinema se tornou nos últimos meses: chato, previsível e a personificação daquela esposa que parece não ter mais aquela química contigo, fazendo com que você vá se preparando pro divórcio aos poucos e termine correndo atrás de álcool e garotas de programa pra te dar um up… o quê, no meu caso, não me causa mágoa alguma.

Obs.: Mil perdões pela possibilidade de eu, só pra não perder o costume, ter proferido comentários de alto teor misógino.

Obs.2: Pro raio que o parta com a observação anterior! Mil perdões uma ova!

Obs. 3: Segue a relação completa dos vencedores do Globo de Ouro 2012.

Comments are closed.

Selecione um assunto
Arquivos
Siga-nos pelo Twitter