Archive for the ‘Filmes Clássicos’ Category
Blade Runner – O Caçador de Andróides – As Versões Principais
Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 22 de janeiro de 2010 e editado e publicado pelo mesmo aos 23 e 24 de janeiro de 2010.
Avaliação (versão para Cinema EUA e versão para Cinema internacional): ![]()
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(Ótimo Filme).
Avaliação (versão do diretor e versão final do diretor): ![]()
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(Obra-Prima) .

Clique aqui para ler a crítica completa de “Blade Runner – O Caçador de Andróides”
33ª Mostra Internacional de Cinema de SP – Últimas Críticas
Cansado, esgotado e estressado. Não é pela falta de tempo, admito, mas sim graças aos três adjetivos a pouco mencionados, que não escreverei mais críticas durante este ano (que se encerra em instantes). É levando-se em conta que vou deixar de lado os textos convencionais e aderir à críticas (se é que as posso chamar de críticas) formadas por apenas um parágrafo longo, como fazia no início deste espaço virtual. Na verdade, tratam-se apenas de comentários que anotei em meu caderno de notas sobre três filmes que pude conferir na Mostra Internacional de Cinema de SP. Vamos às “críticas”?
Especial de Natal – Esqueceram de Mim 2 – Perdido em Nova York
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 26 de dezembro de 2.009.
Esqueceram de Mim (Home Alone 2 – Lost in New York, Estados Unidos da América, 1992). **

Clique aqui para ler a crítica completa de “Esqueceram de Mim 2 – Perdido em Nova York”
Especial de Natal – Esqueceram de Mim
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 24 de dezembro de 2.009.
Esqueceram de Mim (Home Alone, Estados Unidos da América, 1990). ****

Clique aqui para ler a crítica completa de “Esqueceram de Mim”
A Vida é Bela
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 12 de novembro de 2.009.
Avaliação (na escala de 0 a 5): ![]()
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(Obra-Prima).

Cinema Paradiso
Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 09 de novembro de 2009, editado e publicado pelo mesmo aos 10 de novembro de 2009.
Avaliação (na escala de 0 a 5): ![]()
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(Obra-Prima).

A Chinesa
Redigido por Daniel Esteves de Barros aos 08 de outubro de 2.009 e editado e publicado pelo mesmo autor aos 09 de outubro de 2.009.
Avaliação (na escala de 0 a 5): ![]()
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(Obra-Prima).

Os Incompreendidos – ***** de *****

Crítica:
Interessante que eu tenha visto, pouco antes de assistir a este “Os Incompreendidos”, uma matéria no Jornal Hoje, da Rede Globo de Televisão (e por mais que não goste do jornalismo global (sobretudo do Jornal Hoje que perde um precioso tempo dando dicas de como se deve pentear o cabelo, entre outras inúmeras nugacidades da mesmíssima natureza) achei a seguinte reportagem deveras interessante), que estudá-se ligeiramente um sistema educacional excessivamente patriarcal onde câmeras passaram a ser instaladas dentro das salas de aula com o intuito de permitir com que os pais, através da internet, pudessem acompanhar tudo o que os seus filhos fazem, ou não fazem (como foi bem colocado por Evaristo Costa, âncora do telejornal ao lado de Sandra Annenberg), dentro de seus respectivos ambientes letivos.
Muitos consideram tal atitude ótima, pois além de se revelar uma eficiente medida de segurança, impede com que os alunos infrinjam certas “leis” impostas pela entidade educacional. Outros acusam a mesma de invadir a privacidade individual, resultando em um terrível desconforto, fora a imoralidade que tal medida adota ao bisbilhotar fatos que não são de interesse educacional, mas sim de âmbito privativo dos alunos. Particularmente, creio que ambos os lados estão corretos em suas afirmações, mas, acima de tudo, deixando de lado a eficiência de um estudo supervisionado por câmeras e a quebra da individualidade que esta causa, o maior problema encontra-se na ditadura imposta por este sistema. Aluno X deverá se portar assim, assim e assado, pois do contrário os pais verão tudo e aplicarão castigos severos ao mesmo. Mas será que o ensino ditatorial realmente funciona? Este é um dos vários temas debatidos em “Os Incompreendidos”.
Empregando um sábio uso de horizontals travelings durante todo o início do filme (e durante boa parte do desenrolar deste também, diga-se), Truffaut exibe uma bela Paris, dando certo enfoque à monumental Torre Eifel. Logo, somos direcionados a uma família parisiense e em poucos minutos percebemos que a beleza mostrada no desenvolvimento do intróito do longa não será mais adotada daqui para frente.
Vemo-nos então diante de uma família pobre e que vive em condições muito aquém do charme emanado pelo início da projeção. O pai é um sujeito sem pulso firme, que vive sob a falsa ilusão de fazer contatos importantes que lhe resultem uma promoção. A mãe, sem obter o devido carinho do marido, mostra-se uma mulher excessivamente rígida e estúpida para com o restante da família, principalmente quando esta se direciona ao filho Antoine, protagonista da trama. A fim de obter êxito na vida, Gilberte Doinel mantém um affair com o seu empregador, demonstrando ser a típica mulher pós-revolução feminina, que conquistou direitos como o de trabalhar, mas ainda sente na pele as desigualdades sexuais tão comuns no ambiente de trabalho até mesmo nos dias de hoje. E quanto ao protagonista Antoine? Bem, esse já merece um parágrafo à parte para que possa ser mais bem desenvolvido.
Muitos afirmam que Antoine Doinel é o alter ego de François Truffaut. Garoto cercado de fortíssimas crises existências, Antoine parece não ver propósito algum na vida, nos valores morais e, principalmente, na sociedade (pronto, Antoine não é apenas alter ego de Truffaut como é também o meu alter ego) e, a fim de preencher o vazio existencial, passa a dedicar-se à apreciação do cinema (definitivamente, sou eu) e à prática de pequenos furtos (desse mal nunca sofri), além das constantes fugas de casa.
Mas o que seria Antoine? Um rebelde sem causa? Um filho de uma geração perdida? Um caso a ser cuidadosamente estudado? Antoine representa uma vítima de um sistema educacional ditador e patriarcal, e é aqui que faço a conexidade com a introdução desta análise cinematográfica. Até onde a escola tem o direito de interferir diretamente na vida de seus alunos? Moldar o caráter de cada um, não aparenta ser uma atitude um tanto o quanto repulsiva? E não apenas repulsiva, como também falha? Passemos a enxergar com os olhos dos educadores ditatoriais: qual é a melhor forma de você manter um grupo de alunos sob controle? Impondo rigidamente duras penas a quem ousar desobedecer as suas regras? Pudemos comprovar perfeitamente que a Revolução Francesa é a prova de que isso não funciona.
Qual seria o método correto (se é que se pode chamar de “correto” algo tão repulsivo quanto uma ditadura, seja ela política ou, como é o caso agora, moral) então de se controlar um grupo de pessoas, podendo essas ser um grupo de estudantes, sem que haja posteriores revoltas? Talvez os ditadores à lá Maquiavel, não? Afinal de contas, qual é a atitude mais eficiente a ser adotada por alguém que almeja obter um poder absoluto: ditar as suas regras e obrigar os cidadãos a segui-las sem realizar questionamentos acerca destas, causando assim um medo geral que certamente se transformará em ódio com o passar do tempo, ou “acariciar” a cabeça do povo com a mão esquerda enquanto subtrai a carteira do bolso deste com a mão direita?
Talvez tenha faltado este jogo de cintura aos profissionais responsáveis pela educação francesa dos anos 1.940, que preferiam impor suas regras de modo brusco, criando então jovens como Antoine, cujo medo e incerteza (também provocado pelo autoritarismo dos pais) viriam a resultar em uma geração rebelde e desvirtuada, fazendo com que o feitiço, definitivamente voltá-se contra o feiticeiro.
Mais do que um dos grandes filmes de abertura do movimento artístico francês que viria a ser chamado de “Nouvelle Vague”, “Os Incompreendidos” se revela o filme que o ótimo “Juventude Transviada” deveria ter se revelado, realizando uma contundente abordagem sobre a relação pais e filhos e acrescentando ainda nessa trama toda a interferência do sistema educacional, resultando em uma geração completamente perdida nas entrelinhas dos valores morais que as gerações anteriores haviam esculpido de forma tão insistente e inútil, conforme o leitor poderá confirmar ao assistir aos filmes de Jean Renoir, uma das maiores inspirações de François Truffaut.
Obs.: Para assistir a este filme inteiro legal e gratuitamente, basta clicar aqui, mas é preciso fazer um cadastro gratuito no site.
Obs. 2: Gostaria de agradecer ao portal Net Movies pela oportunidade que o mesmo me proporcionou ao disponibilizar este magistral e importantíssimo filme gratuitamente em seu site, permitindo assim com que eu pudesse assistí-lo e avaliá-lo aqui no Cine-Phylum.
Obs. 3: Gostaria também de parabenizar o portal Net Movies pela encantadora iniciativa que teve ao disponibilizar diversos filmes para que estes possam ser assistidos diretamente do computador, sem precisar realizar downloads, gastar dinheiro ou infringir a lei para conferir a várias obras-primas inteiras.
Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.
Alphaville – ***** de *****

Crítica:
Certa vez afirmei (e o fiz há muito tempo atrás, antes mesmo de criar o “Cine-Phylum”, para que vocês possam ter uma noção) que, se algum dia o extraordinário “Admirável Mundo Novo”, obra-prima literária de 1932 do escritor inglês Leonard Aldous Huxley, fosse fidedignamente adaptado às telonas, teríamos então a maior obra cinematográfica da história da sétima Arte. Ao afirmar isso, contudo, não sabia da existência deste “Alphaville”, que sim, em muito me lembrou o livro de Huxley. Mas antes de realizar quaisquer analogias que seja, vamos falar da obra em questão e da pessoa responsável por ela: o genial Jean-Luc Godard.
Uma palavra resume bem este mestre do cinema: inovação. Seja como crítico de cinema, seja como cineasta, Godard sempre fez questão absoluta de inovar, seja para o bem, seja para o mal (e mesmo que adore “Je Vous Salue, Marie”, admito que a direção de Godard, por mais inovadora que tenha sido naquele filme, acabou se revelando exagerada e desnecessariamente estilizada). Em “Alphaville”, o mais importante diretor francês de todos os tempos, fez uso de vários aspectos do cinema de ficção científica e do cinema noir para que assim pudesse obter um resultado bastante completo. Reavivando o clássico detetive à lá Dick Trace e inserindo-o em um contexto futurista pouco e, ao mesmo tempo, muito convencional, Godard aposta alto em uma mistura que assustaria a qualquer espectador que se possa imaginar. Afinal de contas, um personagem como Lemmy Caution está para um filme de ficção científica assim como o Dr. Von Braun está para um filme gângster saído diretamente dos anos 1.930.
E essa salada de gêneros e gerações com aspecto visual pouco convidativo (e é claro que não me refiro ao aspecto visual diegético da obra, mas sim à estranha aparência que esta salada cinematográfica abstrata entre ficção científica / filme policial noir possui), mas palatavelmente digerível, reflete praticamente toda a carreira de Godard: um gênio ousado, inovador, intrépido, impertinente e que sempre une aspectos do passado com o presente, visionando assim um futuro mais do que aceitável na grande maioria de seus filmes. “Acossado” é a maior prova disso. Em sua obra-prima máxima, Jean-Luc pega características de um Humphrey Bogart oriundo de “O Falcão Maltês”, soma com aspectos sui generes, insere-o em um drama romântico existencialista protagonizado por um casal bastante desconexo, mas muito comum para a época e, com isso, estuda os típicos relacionamentos amorosos desestruturados que viria tomar conta de nosso mundo atual.
Em “Alphaville” a estória é praticamente a mesma. Godard extrai a premissa Homem versus máquina pertencente à obra-prima máxima de Fritz Lang, “Metrópolis” (muitos acreditam que “M – O Vampiro de Düsseldorf” seja mais digno deste título, mas continuo preferindo a ficção científica de 1.926 ao pai dos policiais noir de 1.931), soma esta com o seu toque especial de sempre, mescla o fruto de tudo isso com o cinema noir e diversos aspectos criados com o surgimento da nouvelle vague e, como resultado final, temos uma obra-prima excepcional que já nasce bem a frente de seu tempo.
Quanto mais os anos se desenrolam, mais “Alphaville” se torna moderno, verossímil, plausível de ser absorvido dentro de nosso contexto real. Quanto mais as décadas se desenvolvem, mais percebemos que as máquinas estão se tornando o lobo do Homem. Mais intensamente podemos notar o quão o criador passou a depender de sua cria. Nesta magistral ficção-científica, Godard deixa tudo isso extremamente claro, nos apresentando a uma cidade futurista, mas com um visual extremamente parecido com a Paris dos anos 1.960 (o que resulta em um grande acerto do filme, afinal de contas, é muito mais pertinente, aqui nesta trama, a criação de um futuro cujas evoluções tecnológicas não trazem benefício algum à humanidade), onde o cérebro do governo é representado pelo supercomputador Alpha 60, o irmão mais velho ou, de repente, o pai de Hal 9000 de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, que controla a “galáxia” (assim como é chamada no filme) inteira.
Não basta-se o fato de a sociedade toda ser controlada por este supercomputador, os habitantes da cidade de Alphaville ainda são proibidos de sentir quaisquer tipo de emoção que seja. Todas as pessoas aqui são obrigadas a unicamente trabalhar e nada mais. Não há questionamentos (jamais diga “por que”, diga apenas “porque”), não há liberdade de expressão, não há sentimentos (“Por que o mataram?” ___ Pergunta uma pessoa. A outra responde: “___Porque ele chorou a morte da esposa.”), não há nem mesmo a Arte. Não há absolutamente nada que fuja, ainda que de soslaio, da razão, da mais pura ciência e do enfadonho e cíclico cotidiano, que em hipótese alguma pode ser questionado.
Alphaville é o lar dos alienados, das pessoas que não possuem alma, que não possuem emoções, que não possuem vida e nem sentido. Uma cidade aterrorizantemente dominada pela falta de propósito individual, onde cada cidadão constitui apenas um número, um mero parafuso que permite com que a máquina do Estado continue funcionando corretamente. O Sistema controla a tudo e a todos, e as pessoas são apenas meros órgãos vitais, mas que podem ser substituídos a qualquer instante e que colaboram para com a sobrevivência do mesmo, sem obter quaisquer gratificações por isso.
Assim como em “Admirável Mundo Novo”, “Alphaville” também é tomado por pessoas que nada mais são do que meras ferramentas aprisionadas em um sistema político-econômico exacerbadamente totalitário, onde todas as regras da fria Teoria Clássica da Administração, idealizadas por Henry Fayol, são adotadas ao extremo, transformando operários em indivíduos literalmente descartáveis.
E já que mencionei a obra literária encantadoramente redigida por Huxley no parágrafo acima, como não comparar a conversação ocorrida entre Caution e o computador Alpha 60 (um dos melhores e mais instigantes diálogos da história do cinema, diga-se), ocorrido durante o segundo ato da projeção, com a confabulação entre o Selvagem e o Diretor do Centro de Incubação, descrito pouco antes do término da leitura de “Admirável Mundo Novo”? O formato do colóquio é diferente, mas o conteúdo é praticamente o mesmo. Se no livro o Selvagem defende William Shakespeare, nas telas o personagem Lemmy Caution defende a poesia em si (“___ O que transforma as trevas em luz?” ___ Pergunta a máquina. O homem responde: “___ A poesia.”), no que nos soa como uma clara referência de Godard à inerência de um mundo recheado com a sua maior paixão: a Arte.
Fortemente enriquecido por uma direção de arte fantástica, que, mesmo embasada na Paris dos anos 1.960, consegue nos remeter à idéia de um futuro não tão distante, “Alphaville” ainda funciona como um excepcional exercício de edição e direção (destaque para a tomada aérea que Godard realiza a fim de filmar uma perseguição automobilística), mas não restam dúvidas de que o forte desta obra-prima da ficção-científica reside mesmo em seu magistral roteiro que tece as mais ferrenhas críticas que se possa imaginar a um mundo onde o excesso de razão acaba criando uma sociedade sem propósito, sem sentido, sem conteúdo e fortemente enraizada nos conceitos tayloristas e fayolistas de administração, ou seja, um mundo não muito diferente do que vivemos hoje em dia, onde as máquinas, que são as nossas crias, parecem ter nos escravizado definitiva e indiretamente. Se em 1.959 Jean-Luc Godard fez de seu “Acossado” um divisor de águas para o cinema, em 1.965 ele fez a mesma coisa com “Alphaville”, sendo que, neste último, o genial cineasta acabou sendo mais específico já que, voluntária ou involuntariamente, transformou a sua obra em um divisor de águas do gênero ficção-científica, fazendo com que o mesmo concretiza-se visivelmente a função de “ponte” para obras inesquecíveis do gênero, bem como “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e “Blade Runner – O Caçador de Andróides”. Peca apenas em seu “happy end”, com direito a “___ Je vous aime!” e outros aspectos hollywoodianos a mais. Não que o desfecho seja fraco ou desconexo, longe disso, mas um “sad end” certamente frisaria muito mais a mensagem que a obra nos apetece passar e fazer-nos refletir.
Obs.: O nome do conjunto habitacional composto por cerca de cinqüenta mil habitantes, situado na cidade de Barueri, estado de São Paulo, e destinado a pessoas com um nível social mais… digamos… confortável (entre eles muitos artistas (artistas?!) famosos, nacionalmente falando), trata-se de uma clara referência à obra cinematográfica analisada há pouco.
Obs. 2: Anna Karina, que faz par com o ator estadunidense Eddie Constantine, era a esposa do cineasta francês Jean-Luc Godard durante a época em que o filme foi lançado.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
O Falcão Maltês – ***** de *****
Redigido, editado e originalmente publicado por Daniel Esteves de Barros aos 11 de junho de 2.009.
Assisti a “O Falcão Maltês” pela primeira vez no ano de 2.000, quando tinha apenas 16 anos, e mesmo não sendo um grande fã de filmes antigos naquela época, havia adorado o filme de John Huston. Não sei se fora necessariamente a trama complexa e bem bolada que me chamou atenção ou o personagem de Humphrey Bogart, com um charme e um carisma de fazer inveja a qualquer James Bond. Passados nove anos decidi assistir a “Acossado” de Jean-Luc Godard e logo nos primeiros minutos de projeção virei fã incondicional do filme francês, onde um dos destaques principais fica com o protagonista Michel, claramente influenciado pelo Sam Spade de Bogart. Fiquei tanto com o filme de Godard quanto com o filme de Huston na cabeça e, nesta semana, pude matar tal ansiedade quando, surpreendentemente, encontrei o DVD de “O Falcão Maltês”. Não pensei duas vezes, loquei o filme e trouxe para casa, onde poderia assisti-lo o quanto antes. O resultado é que continuo adorando a obra-prima mais influente do Cinema Noir.

Ficha Técnica:
Título Original: The Maltese Falcon
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento:1941
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: John Huston
Roteiro: John Huston, baseado em livro de Dashiell Hammett
Elenco: Humphrey Bogart (Sam Spade), Mary Astor (Brigid O’Shaughnessy), Gladys George (Iva Archer), Peter Lorre (Joel Cairo), Barton MacLane (Detetive Dundy), Lee Patrick (Effie Perine), Sydney Greenstreet (Kasper Gutman), Ward Bond (Detetive Tom Polhaus), Jerome Cowan (Miles Archer) e Elisha Cook Jr. (Wilmer Cook).
Sinopse: Um detetive particular (Humphrey Bogart) é procurado por uma mulher misteriosa (Mary Astor), que alega estar sendo ameaçada. Mas tanto o seu perseguidor quanto o homem encarregado de protegê-la aparecem mortos e tudo gira em torno de uma estátua de falcão de valor incalculável.
The Maltese Falcon – Trailer:
Crítica:
Quando falamos sobre “O Falcão Maltês” (conhecido também como “Relíquia Macabra”, que nada mais é do que um título marqueteiro e inconveniente) logo temos certeza de dois pontos extraordinários: o primeiro é que o filme trata-se de um dos dois mais importantes exemplares da era noir do Cinema (concorre ao posto de “mais importante” diretamente com o perfeito “Crepúsculo dos Deuses” de Billy Wilder) e o segundo é que a obra em questão trata-se de um dos mais admiráveis filmes da história da sétima Arte, falando em um contexto geral.
Tido pela grande maioria dos críticos e cinéfilos do mundo todo como a obra-prima máxima do consagrado cineasta John Huston (alguns ainda afirmam ser “O Tesouro de Sierra Madre”, “Uma Aventura na África”. “Moulin Rouge (1952)” ou “O Homem Que Queria Ser Rei”, mas, ao menos desta vez, concordo com a opinião da maioria), o longa tem como maior atrativo a atuação de Humphrey Bogard, que transforma o seu Sam Spade em um dos personagens mais marcantes e inesquecíveis da história da Sétima Arte, seja pelo tom de voz inigualável empregado pelo ator (que também o fazia excelentemente bem no sensacional “Casablanca”), seja pelos inolvidáveis maneirismos utilizados pelo astro hollywoodiano.
Spade entra em cena através de uma clássica sequência onde, sentado atrás de uma mesa de escritório e vestindo um chapéu que quase lhe cobre os olhos por inteiro, enrola um cigarro e o fuma enquanto atende uma mulher formalmente trajada. A composição de Bogard é praticamente perfeita, seu personagem lhe cai tão bem quanto uma luva, e o ator consegue, com maestria, transformar o protagonista em um sujeito ainda mais cafajeste do que ele já é por si só. Longe de aparentar ser o típico herói de filmes deste gênero, Spade revela-se um sujeito moralmente incorreto e dotado de atitudes imprevisíveis (“___ Você é o homem mais imprevisível que já conheci.” ___ Menciona Brigid O’Shaughnessy em um determinado momento do filme), que não se vê capaz de esconder a sua ganância pelo dinheiro (nisso, o seu Spade lembra um pouco o seu Dobbs, só que em doses de ambição muito mais homeopáticas) e, não bastasse isso, tem um caso de amor com a esposa de seu sócio que, além de desprezar completamente, não demonstra a menor compaixão quando fica sabendo da morte deste.
As demais figuras que compõem o rol de personagens também seguem a linha do protagonista e, assim como na grande maioria das obras que constituem o subgênero film noir, são todos indivíduos de caráter duvidoso, variando desde a mocinha que se passa por garota meiga, mas na verdade é demasiadamente perigosa, ao vilão que se mostra capaz de sacrificar um grande amigo (que é tido como um filho para ele) a fim de conseguir um objeto extremamente ambicionado por si.
A trama também faz jus aos personagens que a integram e, mesmo aparentando ser um tanto o quanto previsível em alguns poucos momentos, é extremamente bem amarrada e suficientemente interessante e complexa para nos prender a atenção do início ao fim do longa, sem jamais se revelar fadigosa e/ou aborrecedora. Os diálogos, por sua vez, são ágeis, secos, ácidos, ríspidos e dinâmicos, e enriquecem ainda mais o roteiro que já se mostra excepcional se o analisarmos individualmente.
Longe de ser apenas um donairoso e excelente exemplar do gênero cinematográfico suspense-policial, “O Falcão Maltês” merece destaque mormente por ser um dos filmes que mais serviram de inspiração para formar, não somente a Hollywood, mas também o Cinema mundial o qual conhecemos hoje. Entre as películas e cineastas os quais podemos citar que foram direta ou indiretamente influenciados pela obra-prima máxima de John Huston (e leve em conta que este foi o primeiro filme por ele dirigido) estão: “Acossado” de Jean-Luc Godard, “Um Corpo Que Cai” de Alfred Hitchcock, “O Terceiro Homem” de Orson Welles e “Pacto de Sangue” de Billy Wilder. Em outras palavras: se é de seu interesse adquirir um estimável conhecimento em Cinema e, acima de tudo, em Cinema Noir, “O Falcão Maltês” torna-se um filme mais do que mister para tal.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
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