Archive for the ‘Filmes Clássicos’ Category
Fahrenheit 451 – **** de *****
Gênero: Ficção Científica.
Tempo de Duração: 112 minutos.
Ano de Lançamento: 1966.
Nacionalidade: Inglaterra.
Direção: François Truffaut.
Roteiro: Jean-Louis Richard e François Truffaut, baseado em livro de Ray Bradbury.
Elenco: Oskar Werner (Guy Montag), Julie Christie (Linda / Clarisse), Cyril Cusack (Capitão), Anton Diffring (Fabian), Anna Palk (Jackie), Ann Bell (Doris), Caroline Hunt (Helen), Jeremy Spenser, Bee Duffell, Alex Scott e Michael Balfour.
Sinopse: Em um futuro não muito distante, os “bombeiros” tem uma função bem diferente da de apagar incêndios e resgatar pessoas correndo sérios riscos de vida. Estes profissionais tem apenas a função de localizar e destruir qualquer espécie de obra literária existente, alegando que as mesmas são propagadoras da infelicidade, pois oferecem às pessoas uma vida que estas não podem ter e as tornam insatisfeitas com suas existências convencionais. Um destes bombeiros, Guy Montag (Oskar Werner), passa a questionar tais atos quando é influenciado pelos ideais de Clarisse (Julie Christie) e presencia a morte da tia da moça, que prefere ser incinerada a ver-se afastada de seus livros.
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É com esta frase de Albert Einstein que início a crítica de “Fahrenheit 451”:
“Um raciocínio lógico o leva de A a B. A imaginação o leva a qualquer lugar que desejar”
Imagine então um mundo sem livros. Agora me responda, seria possível imortalizarmos pessoas ou acontecimentos históricos sem a existência destes? E se não imortalizássemos estas pessoas e estes acontecimentos históricos, o mundo seria o que ele é hoje?
O que seria de nosso planeta sem a Guerra de Independência estadunidense? O que seria da Guerra de Independência estadunidense sem a Revolução Francesa? O que seria da Revolução Francesa sem os Ideais Iluministas? O que seriam dos Ideais Iluministas sem o Renascimento Cultural? O que seria do Renascimento Cultural sem a Cultura Romana? O que seria da Cultura Romana sem a Cultura Grega? Enfim, se seguirmos esta trilha, perceberemos facilmente que o mundo não seria absolutamente nada.
E qual seria a melhor forma de registrar tais acontecimentos e passa-los às gerações posteriores? Através de livros, não? Afinal de contas, se George Washington não houvesse lido frases do tipo: “Liberté, Egalité, Fraternité”, de Jean-Jacques Rousseau, não teríamos uma Declaração de Independência proferida por ele, teríamos? Se Che Guevara e Fidel Castro não tivessem acesso a nenhum livro sobre Marxismo, não teríamos a Revolução Cubana, teríamos?
Pois é, mas voltemos à questão proposta no início desta análise cinematográfica: imaginemos um mundo sem livros. Ray Bradbury imaginou e escreveu um livro onde as pessoas vivem em um futuro não muito distante, em que o governo é totalitário e, a fim de evitar manifestações populares inspiradas em ideais libertários registrados em livros, decidem queimar todo o tipo de publicação literária existente no mundo. Jean-Louis Richard e François Truffaut, assim como Bradbury, também conseguiram imaginar um mundo assim e adaptaram a obra escrita para o Cinema. O resultado? Um filme muito acima da média, certamente.
A antevisão de Bradbury, Truffaut e Richard ganhou vida nas telonas e nos apresentou a um futuro extremamente plausível. A subordinação popular aqui não é tão visível como era no perfeito “Metropolis”, mas não há como deixar de notá-la. Mulheres são escravas da beleza e de frivolidades impostas pela televisão, bem como telenovelas, e os homens são meros escravos do trabalho. Todos vivem objetivamente, todos realizam apenas o que tem de ser realizado e só. Não há questionamentos acerca de sua existência, não há pessoas sonhadoras, não há nada, apenas racionalidade e objetividade. Se algo é desse modo, é porque ele tem que ser desse modo, e ponto final.
Em suma, no ano de 1966 Truffaut levou aos cinemas uma cópia semi-fiel do que o mundo viria a ser em 2009, algo que nem mesmo Fritz Lang, Stanley Kubrick, Michael Radford, Ridley Scott e James Cameron conseguiram fazer com tanta perfeição (o que não quer dizer que o longa de Truffaut seja necessariamente o melhor do gênero, pois está muito longe, mesmo, de merecer tal título).
Quanto aos demais aspectos o filme também se sai muito bem. A fotografia é muitíssimo bem empregada, bem como a direção de arte que cria cenários muito parecidos com as nossas casas atuais (e sejamos francos, quem, em plenos anos 1960, iria julgar plausível a existência de televisões de plasma, iguais às que o protagonista tem em sua sala de estar?), o que dá ao filme um indispensável toque de verossimilhança.
Os atores também saem-se muito bem em seus respectivos papéis. Eles são inexpressivos? Sim, mas convenhamos, podemos esperar que, em uma sociedade onde a razão literalmente impera, os indivíduos que a compõem consigam demonstrar quaisquer expressões que sejam? É claro que não. O destaque no elenco fica por conta de Julie Christie que, como sempre, conta com a sua talentosa inexpressividade. A atriz sente dificuldades ao se expressar (assim como o fizera no excelente “Dr. Jivago”), mas o modo como entona todas as suas frases é o diferencial de sua atuação. Através do tom de voz que emprega, conseguimos perceber o tipo de emoção que ela deseja transmitir (a propósito, a personagem Clarisse é uma das poucas não-racionais em “Fahrenheit 451”, uma vez que ela pode ser taxada de subversiva). A propósito, costumo dizer que Christie é a versão feminina de Peter O’Toole.
Truffaut, como já era de se esperar, faz em “Fahrenheit 451” um trabalho excepcional. Além de recriar magistralmente o futuro pouco inspirador do livro de Bradbury, o diretor realiza um trabalho fascinante por trás das câmeras, conferindo total dinamicidade à obra utilizando “closes ins” a todo instante. Truffaut também mostra total eficiência através dos “travellings” com os
quais acompanha os seus personagens, mas o grande destaque de sua direção acaba mesmo ficando com o vazio emocional presente na mesma, algo imprescindível para um filme que visa, dentre muitas outras coisas, criticar o excesso de racionalidade de uma sociedade decadente.
O diretor francês deixa a sua marca registrada em “Fahrenheit 451” pela forma como transportou para a sétima arte a clássica cena em que Doris (Ann Bell) é queimada viva, junto com a sua casa e sua gigantesca coleção de livros.
Mas nem tudo funciona perfeitamente bem no filme em questão. Se Truffaut realiza aqui um dos melhores trabalhos de sua mais do que vitoriosa carreira, ele também comete algumas pequenas falhas, como incluir uma cena em que alguns policiais perseguem o protagonista Montag (Oskar Werner) sobrevoando uma lagoa pendurados por cabos de aço amarrados em helicopteros. A sequencia é bem curta, mas constrangedora o bastante, devido ao modo como a montagem é mal realizada. E não adianta se desculparem alegando que na época não havia condições de produzirem efeitos visuais mais bem feitos, pois “Metropolis” era a prova viva de que a cena poderia ter sido menos tosca e mais realista.
Os erros do filme, infelizmente, não se resumem a uma única cena mal feita. De forma alguma, vão muito além disso. O final de “Fahrenheit 451” se revela bastante deplorável e jamais faz jus ao restante da trama. Se nos dois primeiros atos da obra nos eram apresentadas fortes críticas ao excesso de racionalidade contido em uma determinada sociedade, no terceiro ato o filme cai em sua própria armadilha, quando chegamos à uma colônia onde pessoas subversivas decoram um determinado livro e, logo em seguida, o queima para livrarem-se de provas. Francamente, não sei se um final nestes moldes foi a intenção do roteiro ou não, mas caso tenha sido, o culpado é o próprio filme, e não este que vos escreve que não foi capaz de entendê-lo. Oras, se em uma sociedade moldada nos dois primeiros atos do filme as pessoas nada mais eram do que meros números, o que dizer então da sociedade moldada no terceiro ato? Existe maior racionalidade do que uma pessoa decorar um livro inteiro para depois poder queimá-lo?
Mas é como eu mesmo disse, pode ser que o filme tenha a total intenção de criar um desfecho extremamente racional, para utilizar-se de uma espécie de cinismo a fim de nos fazer crer que, no fim, tudo acabou bem, quando, na verdade, não foi o que aconteceu e as pessoas continuaram na mesmíssima situação, só que em um formato um pouco diferente.
Enfim, caso seja isso, desconsiderem os meus apontamentos e passem a considerar o filme perfeito.
Avaliação Final: 8,7 na escala de 10,0.
Diário de um Pároco de Aldeia – **** de *****

Se você nunca assistiu a “Dogville” e pensa o fazer em algum dia de sua vida, aconselho que antes assista a este ótimo “Diário de um Pároco de Aldeia”. Por que? Porque há muitas semelhanças entre um e outro. Assim como em “Dogville”, no filme de Robert Bresson (um dos cineastas franceses mais influentes de todos os tempos) o protagonista é um recém chegado em um vilarejo que passa a ser maltratado pela população local. Assim como em “Dogville”, o protagonista de “Diário…” é um homem com uma forte ligação divina (vale lembrar que muitos cinéfilos e críticos de Cinema, inclusive este que vos escreve, encaram a protagonista Grace do longa de Lars von Trier uma espécie de reencarnação de Jesus Cristo). Entretanto, há uma diferença muito grande entre “Dogville” e “Diário”: o primeiro critica a crueldade humana, mas em doses milimetricamente medidas, o segundo faz o mesmo apelando a exageros altamente dispensáveis.
No longa em questão, todas as pessoas são inexplicavelmente cruéis e fazem o possível e o impossível para destruir a vida do jovem padre (uma cidade onde padres não são bemvindos? Onde fica?! Onde fica?! Quero me mudar para lá!), transformando-a em um verdadeiro inferno (não almejo fazer trocadilhos aqui). O protagonista, por sua vez, revela-se o cumulo do indivíduo “coitadinho”. O cara que veio ao mundo para sofrer. Parece até que estamos diante de um dramalhão mexicano, onde o caráter estoicista de seu personagem principal chega a nos causar nauseas. Ele sofre de uma terrível doença, seu estomago não suporta refeições mais pesadas do que pão e vinho e, para complicar ainda mais, tem uma fascinação por adorar pessoas que o odeiam e tentar muda-las através da palavra de Deus.
Aí o filme se desenvolve e muda de figura. O pároco, que tanto falava de Deus, passa a questionar a existência Dele. A partir deste momento a obra ganha uma força incrível e deposita nos diálogos o seu principal atrativo. “Diário de um Pároco de Aldeia” passa então a ser mais do que um mero filme, revela-se uma sucessão de diálogos magistrais e filosóficos que tecem personagens altamente complexos com fortíssimas opiniões formuladas sobre a existência de Deus, resignação (o dialogo do protagonista com a Condessa é um dos momentos máximos do Cinema Francês), culpa, morte, felicidade (preste atenção na conversa que o pároco tem com o jovem motoqueiro próximo ao desfecho da trama) e muito (mas muito mesmo) mais. Como se não bastasse, tais diálogos, além de profundos, são proferidos de um modo ríspido, seco e imprevisível.
Robert Bresson também é um dos grandes responsáveis pelo sucesso de “Diário…”. Pode-se dizer que o diretor falha apenas quando emprega várias vezes a trilha-sonora que, individualmente analisada, se mostra belíssima, mas no contexto geral da obra se mostra extremamente maniqueísta. No mais, o mestre francês, auxiliado pela fotografia bela e, ao mesmo tempo, sorumbática quando utilizada em campos abertos, e angustiante quando empregada em lugares fechados, confere um grau de sensibilidade incrível ao filme, como raramente temos a oportunidade de ver nas produções atuais.
A criação de ângulos também conta muitíssimos pontos a favor de Bresson. Vide o modo como ele posiciona a câmera em um campo aberto e, ao mesmo tempo em que capta a beleza natural do local, dá ênfase também ao enorme vazio emocional presente no mesmo, algo que acaba representando o vilarejo de uma forma geral. Os “close ins” que o diretor realiza no rosto do protagonista também aumenta a carga dramática da trama, uma vez que a tristeza e as expressões pesadas e amarguradas do mesmo passam a condizer com o local onde a trama se passa, o que confere um clima mais pesado ao filme.
E falando em expressões, que grande atuação a de Claude Laydu, não? Contudo, não é a expressividade do ator que realmente conta pontos para o seu trabalho, mas sim o olhar do mesmo (que é muito mencionado durante o filme). Lembram de Al Pacino em “O Poderoso Chefão – Parte II”, cujo personagem era extremamente inexpressivo, mas armazenava todas as suas emoções (sobretudo a raiva e a cobiça) em seu olhar? Pois é, aqui Laydu faz a mesma coisa, mas os sentimentos demonstrados através de seus olhos são a ingenuidade e a autopiedade. Os demais atores também se saem muito bem e merecem destaque, bem como a direção de arte que cria os ambientes internos na medida certa, dando um toque a mais ao filme.
Não é necessariamente uma obra-prima, faltou pouco para tal, mas revela-se um filme muito acima da média.
M – O Vampiro de Dusseldorf – **** de *****
Crítica:
O leitor já deve ter assistido a algum(ns) filme(s) de suspense onde o assassino da trama nos é apresentado através de uma sinistra sombra projetada na parede, não? Também já deve ter assistido a algum(ns) outro(s) filme(s) de suspense onde o diretor realiza uma tomada aérea para filmar várias escadas que formam diversos quadrados simetricamente alinhados, não? Certamente já deve ter assistido a algum(ns) outro(s) filme(s) em que observamos um grupo de policiais sentados em uma mesa, discutindo um caso intrincado, enquanto soltam fumaças de cigarros e charutos com a mesmíssima frequência que fazem as chaminés de uma indústria, não? Se a resposta para todas as três perguntas (ou duas delas que seja… ou uma… tanto faz) for: sim (o que é bem provável), seria interessante que o leitor soubesse que todas as cenas previamente citadas são oriundas do clássico de Fritz Lang: “M – O Vampiro de Dusseldorf”. Aliás, não só estas cenas são originárias do filme em questão, como também o subgênero suspense serial-killer também o é. Logo, filmes como “O Silêncio dos Inocentes”, “Se7en – Os Sete Crimes Capitais”, e é claro, os clássicos de Hitchcock, nem sequer existiriam se não fosse pela obra de Lang.
O longa falha, no entanto, por ser frio demais durante os seus dois primeiros atos. E tal frieza não seria necessariamente ruim caso “M…” mantivesse este ritmo até o final, mas não é o que acontece. Infelizmente, ao chegar em seu desfecho, o pai dos filmes noir se amedronta e tenta nos trazer um final humanista e sensibilizado demais, algo que não soa bem em uma película que demonstrou-se extremamente racional até então. Um final muito simples (coloque-se no lugar das mães e pense se você realmente tomaria tal atitude), para um filme muito complexo. De qualquer forma, “M – O Vampiro de Dusseldorf” é uma obra obrigatória na “bagagem” de qualquer pessoa que se diga cinéfila, não apenas por ser um dos principais filmes da brilhante carreira de Fritz Lang, ou por apresentar um interessantíssimo debate sobre a pena de morte, mas também por ser a grande fonte de inspiração dos suspenses sobre assassinos em série e, é claro, o berço do Cinema noir.
Sessão Nostalgia – parte 4: Janela Indiscreta (1954)
A Paramount acordava assustada ao ver um quase cortiço montado em seus estudios para filmar a mais nova obra do diretor mais popular da década de 50.A adapatação de um conto policial ganharia vida nas mãos de Hitchcock,ele não desperdiçou nos detalhes,a direção de arte tem uma riqueza incomparável no cinema,as janelas mostram casas,as casas mostram vidas e as vidas não tem importanica alguma,são bonequinhos de cera brincando em um cenário bem construido e servindo de diversão e passatempo para o fotografo Jeff,que com a perna quebrada não vê modo melhor de se divertir…ou de virar uma obsessão
Alternando a visita da enfermeira pela manhã e da namorada pela noite,Jeff leva sua vidinha particular tornando pública a mediocridade dos vizinhos,quão interessante as pessoas podem ir em sua privacidade… dançam,fazem musicas,choram,sonham,fazem sexo,matam,dorme…para: matam? Sim ou não? Nesse mistério “Janela Indiscreta” se agarra como estória principal e tira o seu melhor
Hitchcock,acostumado a inovar a cada direção de filme,faz de sua obra prima uma verdadeira aula de cinema,ele dizia que com o cinema falado,muitos diretores esquecem das imagens e as fazem virar diálogos.Ele não esquece.Filme tudo com uma riqueza e detalhes e respeita a limitação de seu protagonista,o que causa imenso desconforto ao público,pois nesse grande modo de fazer suspense,não somos onipresentes,sabemos e descobrimos tudo o que Jeff descobre e esse jeito de primeira pessoa que o cineasta filma se torna essenciala toda a trama,e em especial ao marcante desfecho…somos Jeff!
E quão fantástica pode ser a vida dos vizinhos,assassinato é o ponto alto do roteiro,mas não é apenas ali que ele se apoia,estórias paralelas umas as outras são desenvolvidas brilhantemente (sempre em primeira pessoa é claro) e até dentro do apartemento a câmera da um jeito de se movimentar com lentidão,passando o tédio do protagonista. O roteiro e a direção se respeitam em seu ritimo lento,um sem atropelar o outro com uma edição digna que nos coloca em xeque a cada momento,inclusive a reviravoltas durante toda a trama
Construindo uma das parcerias mais ricas do cinema,’Janela Indiscreta’ é o segundo de quatro filmes de Hitch-Stewart (e se Hitchcock subiu a deus nesse filme,também virei fã de Stewart,ainda mais que Janela e “A Felicidae não se Compra” foram alugados juntos),seria injusto desmerecer James Stewart e só dar meritos a Alfred nesse filme,a cara de entediado a de surpresa são obras do ator que fez do antipatico Jeff um personagem com humor tolerável de passar duas horas.Junto a ele a grande paixão de 10 em 10 cinéfilos,ela,a linda e talentosa Grace Kelly,no conto a personagem dela não existe,no filme ela é muito mais que uma ilustração,é peronagem essencial aos acontecimentos e que revela e desenvolve traços peculiares do protagonista.Grace é linda e no filme Hitchcock explora ao máximo sua beleza,ela é doce e esperta,e a responsável pela segunda maior cena do filme,onde de vez ela se infiltra no apartamento vizinho e pasa a virar um dos bonequinhos espionados,também é de Grace a melhor frase de “Janela Indiscreta”,quando a mesma diz que não acredita que estão chateados porque um assassinato não foi cometido,e a bela atriz só não é dona da melhor cena do filme,pois essa pertence exclusivamente ao diretor.
Fala marcante a da Grace…diálogos marcantes,afiados e cheios de humor não faltam nesse maravilhoso filme de 1954.Stewart-Kelly e uma terceira personagem interpretada por Thelma Ritter (deA Malvada) embalam o filme,fazendo do que seria um simples suspense,uma das mais complexas obras cinematográficas.
Com um legado incrível com dezenas de filmes,”Janela Indiscreta” permance vivo como trabalho influente do diretor,e não apenas isso,sobreviveu e se colocou como gigante em um ano que oferecia também “Sindicato de Ladrões” e “Os Sete Samurais”.Um filme que deve ser guardado em um baú de ouro,uma jóia não só na sétima arte,mas também nas artes em geral.
Sessão Nostalgia – parte 3: Lawrence da Arábia (1962)
É estranho como certas coisas insistem em pendurar na nossa cabeça por anos e outras desaparecem em apenas dias. Me lembro bem dessa conversa por telefone,dela toda e não só do trecho postado aqui,porém me lembrava pouco da estória (ou história) desse grande clássico. Sabia apenas que ele era um dos meus favoritos,como sabia?Ora,sentindo. Hoje,tendo passado dois anos vejo de novamente com olhar mais atento e afirmo que não acho “Lawrence da Arábia’ uma obra tão genial quanto achava outrora. Acho melhor!
David Lean se ratifica como gênio,anteriormente lançando dois clássicos “Oliver Twist” e “A Ponte do Rio Kwai”,”Lawrence da Arábia” se mostra o melhor filme dele,o filme que arrebatou todos os prêmios que concorreu e hoje a obra-prima do diretor,e não para pouca coisa. Lean constroi um retrato detalhado da vida do enigmático T.E. Lawrence e coloca em uma riqueza incrível como ele uniu tribos arabes afim de combater os turcos,e não esquecendo do cenário político e militar da época. Lean filma como ninguém,explora os recursos visuais que tinha. Lendas dizem que eles acordavam de de madrugada apenas para pegar o nascer do Sol no deserto,ele explora tudo que tem tão a fundo,que encerrados as pouco mais de três horas e meia de filme,o pensamento que temos é único: Nada mais poderia ser encaixado ali dentro
O Sol nascendo e as viagens pelo deserto,assim como as explosões do trem,Lawrence sendo açoitado ou o fabuloso desfecho no carro cria um leque de cenas que marcam o filme por completo,lá não existe A CENA marcante,e sim uma continuidade onde a próxima cena é melhor que a anterior e assim vai,deixando o filme fixado na memório por completo,e então vai naquela: ou você lembra de tudo ou deleta o filme todo da cabeça.Engana-se quem pensa que apenas de cenas é feito “Lawrence da Arábia”,o filme conta com diálogos magnifícos,frases marcantes de um homem culto que constantemente entra em conflitos com pessoas de culturas diferentes, diálogos e respostas que vão além de coisas simples e que não estão ali apenas para dar um que notório ao filme,estão ali pois precisam esta,e elas revelam muito da situação ou do carater de cada personagem,e entre elas a mais magnífica “Um Homem pode ser o que quiser”. Será mesmo?Sim ou não,Lawrence consegue viver assim
Poucos atores são tão injustiçados pelo Oscar quanto Peter O´Toole,ele aplica um tom inglês fantástico em seu personagem,cara séria e sem emoção,frieza ao se expressar,voz nunca sai do tom normal,cria Lawrence como um heróis as avessas (dizem que um dos maiores erros da carreira de Marlon Brando foi ter recusado esse papel) aquele herói de idéias e atitudes,mas que não demonstra heroismo,e se por um lado é herói,pelo outro o protagonista mostra-se arrogante,pretencioso,ora se comparando a personagens biblicos,ora se intulando como milagreiro de um povo,pelo menos em se tratando do protagonista o filme conseguiu equilibrar em uma imparcialidade rara no cinema.Alec Guinness e Anthony Quinn se destacam entre os coadjuvantes
Com uma fotografia absurdamente boa,talvez a melhor que o cinema já viu,acompanhando as viagens pelo deserto com uma das trilhas sonoras mais inesquecíveis, “Lawrence da Arábia” se firma como obra-prima intocada pelo tempo,um filme que mostra o prazer em fazer o impossível virar o possível,um relato histórico em proporções extraordinárias,um conto de um homem que nem Homero escreveria melhor,referência estética e técnica,figurinos nunca vistos antes e especialmente a ousadia de um cineasta que fez de seu filme um dos mais complexos e influentes que o cinema já viu.
Ah,quanto o trabalho do Alvares,apresentamo bons cartazes,eu fiz um resumo detalhado de Noite na Taverna para a turma e a garota fez analises ótimas de A Lira dos Vinte Anos,fechamos o trabalho,porém o vídeo não chegou a serconcluido,na verdade gravamos 10-15 minutos de imagens,foi ótimo.Hoje Alvares de Azevedo é um dos meus poetas favoritos!
Sessão Nostalgia – parte 2 : "A Primeira Noite de um Homem" (1967)
Dizem que filmes bons em TV aberta passa apenas de madrugada,e em dezembro de 2006 passava na Globo,eu preferi virar para o canto e dormir,mesmo estando e férias.Em janeiro de 2007 acabei alugando o filme,apenas para quase completar de ver o TOP 10 da AFI (ainda faltava Lawrence da Arábia).Bem,digo aqui que nunca em minha vida eu estive tão enganado a respeito de um filme como estive em “A Primeira Noite de um Homem”
Em 1967 o filme de Nichols provava de uma vez por todas que comédia romântica não é sinônimo de filmes banais e que assusntos como adultério,envolvimento com pessoas mais jovens e busca pela liberdade poderia ser colocado com um humor afiado e não crítico,e ainda fazendo rir…bem antes de Meg Ryan banalizar as comédias românticas com suas porcarias,Nichols faz um oposto de seu filme anterior “Quem tem Medo de Virginia Woolf?” e cria um ambiente leve,porém Nichols também faz igual ao seu filme anterior e arranca ótimas atuações do elencoBenjamin é um persongame singular,talvez o mérito não tenha sido de Dustin Hoffman,em inicio de carreira,que se saira mal nos testes,mas mesmo assim fez o filme,ou talvez tenha sido…mas o persongem tem uma tragetória magnífica durante todo o filme.Indo do garoto sufucado pelos pais e a sociedade,proucupado e ansioso por um futuro incerto,passando pelo jovem que aprendeu a viver de verdade,com a ajuda da inesquecível Senhora Robinson (e suas maravilhosas pernas),ele muda o penteado de cabelo,aprende a fumar,começa uma vida só a diversão,confronta os pais e muda sua rotina e chegando ao louco apaixonado que finalmente acha um objetivo na vida…objetivo com nome e sobrenome: Elaine Robinson.Ao contrário do que se pensaria,Ben é sim um personagem complexo,o desenvolvimento dele acontece de maneira tão sutil que aos menos atento passaria despercebido
“A Primeira Noite de um Homem” conta com algo impressionante,diria uma das 20 melhores direções que o cinema já viu em sua história. Mike Nichols se apresenta como gênio em criar sua estória,ele aplica sua experiência com o teatro adquirida pelos anos de carreira e sua experiência com o cinema adquirida em seu primeiro filme,”Quem tem Medo de Virginia Woolf?” e cria algo original,revolucionário e novo. Os movimentos de câmera são fantásticos,Nichols a posiciona nos lugares mais inusitados e diferentes,pega os ângulos mais inacreditáveis de seus personagens e faz movimentos muito interessantes,e o melhor,nenhum posicionamento de câmera está lá apenas por estar,todos tem sua finalidade diferente,a exemplo de quando Ben vê Senhora Robinson nua no quarto,ele vira a cara,o rosto dela não é mostrado,então em rápidos movimentos mostra partes do corpo dela,como se Ben olhasse se rapidamente se lembrasse do proibido,outra posição é quando Ben está na roupa de mergulho e se percebe ali toda a limitação do persongem,ele não houve e não vi muito mais do que aquilo,apenas obdece (e depois dessa cena ele decide proucurar Senhora Robinson),cena fantástico se da quando Ben vê que perdeu Elaine e a câmera começa a se afastar da Senhora Robinson.Nichols foi magnífico,e engana-se quem acha que ele foi apenas um diretor técnico,o principal responsável por impedir que os personagens caiam em caricaturas foi ele,e quando o roteiro,mesmo com todos os diálogos afiados,ameaça desandar e a personagem mais incrível do filme é esquecida,é Nichols quem segura toda a sua obra prima
Chegamos a personagem mais incrível do filme,seria clichê começar a resenha falando dela,o ícone máximo e uma das melhores coisas que “A Primeira Noite de um Homem” deixou para o cinema,me refiro a uma das maiores personagens,a inesquecível Senhora Robinson.Anne Bancroft e Mike Nichols junto construiram uma das melhores vilãs que o cinema já viu,e diria sem exagero que os pontos mais altos do filme é quando a sensual mulher está presente.É Senhora Robinson sim,ela não tem um primeiro nome e nem faz questão de revelar,a mulher casada que seduz Ben de maneiras incríveis
“Senhora Robinson,está tentando me seduzir?”
“Não tinha pensado nisso”
Os melhores diálogos estão com ela e ela responsável pelas duas mudanças que acontece na vida do nosso protagonista,é ela que mostra um mundo mais sexo e drogas,ela o seduz em cenas hilárias e diálogos inesqueciveis,como na primeira vez de Ben
“- Você não está esquecendo de nada?”
“-Eu queria falar que estou gostando de tudo isso e…”
“-Ben,eu me referia ao número do quarto”
Ben entra no quarto e o arruma de maneira discreta.Ela entra e acende a luz,e quando ele a beija,ela solta uma baforada de fumaça…cenas assim constroem o humor de “A Primeira Noite de um Homem” e fazem da Senhora Robinson um ícone do cinema.A mulher que fuma um cigarro atras do outro: liberdade!!!E se Benjamim tem a segunda mudança em sua vida,onde decide levar a sério o relacionamento com a filha da Senhora Robinson,ela se mostra “bem desagradável” e é muda novamente a vida dele. Ela é na verdade a estrela do filme
Tão protagonista quanto a Senhora Robinson são as músicas cativantes que tocam ao longo do filme,dando um toque especial para o mesmo.”A Primeira Noite de um Homem” não marcou apenas o cinema,mas como também minha vida,é fabuloso,engraçado,foge do simplório e criou verdadeiros ícones e referências,um filme obrigatório
O Dia em que a Terra Parou – ***** de *****
Já disse isso várias vezes e torno a repeti-lo neste artigo: “gosto de analisar um filme embasado no período em que este foi lançado e não no período em que o assisti”. Por quê? Simples. Por uma questão de justiça e ética. Veja os efeitos visuais da clássica versão de “O Dia em que a Terra Parou”, por exemplo. São todos obsoletos, desde a criação do OVNI sobrevoando os céus de Washington no início do filme, aos raios lasers disparados pelo robô gigante Gort que desintegram as armas dos militares. Não restam dúvidas de que os efeitos visuais do remake que teve a sua estréia nos cinemas mundiais no dia de ontém são bem mais convincentes (apesar de que a probabilidade de serem tão revolucionários quanto é bem pequena), mas deve-se levar em conta a tecnologia adotada para fazer os filmes na época, e a tecnologia utilizada atualmente.
Contudo, se por um lado os efeitos visuais de “O Dia em que a Terra Parou” podem ser tidos como toscos nos dias de hoje, não há como negar a inventividade contida em seu roteiro. Apesar de contar com um clichê aqui e outro acolá, o longa dirigido por Robert Wise se revela a primeira ficção-científica sobre relações interplanetárias não ofensivas na história do Cinema (e se eu estiver errado, peço, por favor, que me corrijam). Fugindo de baboseiras do naipe de guerras interplanetárias, ou alienígenas que vêm até aqui com o único intento de destruir o planeta (e sejamos francos, por que um grupo de extraterrestres faria uma viagem longa e cansativa com o único propósito de nos destruir, sem mais nem menos? Pessoas como Dean Devlin e Roland Emmerich deveriam pensar nisso antes de criarem asneiras como “Independency Day”) os roteiristas Harry Bates e Edmund H. North nos oferece aqui um protagonista extremamente interessante: o alienígena Klaatu, que vem à Terra em missão de paz, pedir apenas para que suspendamos o uso de armas nucleares, evitando assim uma destruição do planeta e, consequentemente, do sistema solar.
O filme indaga, a todo tempo, a imbecilidade de nossas guerras e coloca a nossa raça em um patamar imaturo. Apesar de simples, o filme sempre nos remete à reflexões extremamente inteligentes sobre o dúbio rumo que nossos líderes políticos tomam a fim de evoluírem suas respectivas nações. E falando em nações, é incrível vermos a coragem do roteiro que, em plena década de 50 (quando Hollywood vivia a sua Era de Ouro), apresenta críticas severas à política de governo bélica estadunidense.
“O Dia em que a Terra Parou” peca, no entanto, ao criar um desfecho ligeiramente previsível para o seu protagonista. Há uma cena inserida em seu terceiro ato (que é claro, não revelarei qual é, muito menos o que acontece) que nos faz pensar em um final mais dramático, mais imprevisível, mais fora do comum, entretanto, na hora H, Bates e North pulam para trás e conferem a Klaatu um final mais, digamos, corretinho. O que eu tenho contra finais bonitinhos? Nada. Só sei que um desfecho mais trágico faria com que a obra tornasse ainda mais forte a mensagem que almeja passar.
Gritos e Sussurros – ***** de *****
Mais uma vez Ingmar Bergman realiza uma obra extremamente sensitiva abordando, sobretudo, questões existenciais. Mais uma vez tais indagações são levantadas minutos antes do óbito de uma pessoa. E por mais que estes questionamentos sobre a própria existência, realizados pouco antes da morte de um indivíduo, sejam um estereotipo nos filmes roteirizados e/ou dirigidos pelo maior cineasta da história da Escandinávia (vide “O Sétimo Selo”, apenas para citar um exemplo), não há como negar que Bergman se reinventa a cada produção por si realizada. Se Antonius Block decidira jogar xadrez contra a Morte personificada a fim de prolongar a sua própria existência e aproveitar o tempo ganho para refletir sobre o sentido da mesma, Karin e Maria, ao verem a irmã Agnes agonizando, tomam ciência de sua invulnerabilidade e passam a fazer a mesmíssima coisa.
Maria reflete sobre um gravíssimo erro que cometeu durante sua vida. Em virtude de uma falha, enfadonha e artificial união conjugal, mesclada à sua visível imaturidade, a bela mulher trai o marido com um antigo namorado, resultando numa tentativa de suicídio do cônjuge, fato que viria traumatizá-la por toda a sua existência. Karin, no entanto, sempre fora uma mulher fiel, porém o seu apego aos bens materiais e a frieza de seu casamento (ainda maior que o da irmã) a transformaram em uma mulher fortemente racional, neurótica, frustrada e insensível. É de Karin que vem aquela que julgo a cena mais marcante do filme: quando a mesma pega um pedaço de uma taça estilhaçada e fixa o olhar para a mesma dizendo: “___Isto é tudo uma mentira!”.
Conforme o leitor pôde reparar, tanto Karin, quanto Maria, são pessoas insatisfeitas com suas vidas. São mulheres infelizes por terem se apegado à hipocrisias morais e sociais (e nisso, o filme lembra muito “Persona – Quando Duas Mulheres Pecam”, meu Bergman predileto). A morte da irmã Agnes serve, não apenas para uni-las mais uma vez (sendo que Karin não nutria o menor afeto por Maria), como também para fazer as mesmas refletirem sobre o quão cruel fora a existência de ambas, o quão elas poderiam ter sido mais felizes e menos desgostosas consigo mesmas caso tivessem dado menos valor à posição social e se preocupado em manter uma relação mais afetiva entre si e a irmã moribunda. Concluindo, a fantástica obra de Bergman faz com que todos nós, espectadores, lucubremos sobre o excesso de racionalidade que as vezes conferimos à nossas vidas, a falta de atenção por nós atribuída até mesmo às pessoas mais próximas de nós e, acima de tudo, à submissão moral que nos impõem paradigmas cada vez mais frustrantes.
Os aspectos técnicos do longa também são um primor. Formando uma perfeita aliança entre direção e fotografia (oscarizada, diga-se), Ingmar Bergman e Sven Nykvist realizam um filme visualmente inesquecível. O segundo conclui um trabalho fascinante e confere ao filme o tom angustiante inerente ao tema abordado por este. É surpreendente vermos que, mesmo trabalhando com cores bastante vivas (sobretudo a cor vermelha que é muito utilizada aqui), o mestre da direção de fotografia consiga ainda a façanha de criar um clima cada vez mais pesado, claustrofóbico e depressivo. Bergman, então, dispensa comentários. Seu trabalho aqui é um dos melhores de toda a sua magnífica carreira. Adotando a magistral idéia de trabalhar mais com as imagens do que com os diálogos (assim como Sergio Leone viria a fazer em “Era Uma Vez na América”), o diretor sueco aumenta ainda mais a angústia presente em seu roteiro. O destaque fica por conta dos closes que ele realiza logo no início da obra, onde foca precisamente o ponteiro de vários relógios movimentando-se lentamente, técnica esta que colabora para que o filme nos transmita uma fortíssima dose de agonia logo em seu início.
Talvez a única falha do filme seja a falta de uma abordagem mais complexa no que diz respeito às personagens de Agnes e Anna (esta que, apesar de ser uma mera empregada, se mostrava mais preocupada com a moribunda que as próprias irmãs dela), uma vez que o roteiro destina pouco tempo para explorá-las devidamente (e mesmo que as desenvolva de maneira eficaz nas cenas finais, ainda assim não é o suficiente).
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
O Encouraçado Potenkim – ***** de *****
Título Original: Bronenosets Potyomkin.
Gênero: Guerra.
Tempo de Duração: 74 minutos.
Ano de Lançamento (Rússia): 1925.
Estúdio: Goskino / Mosfilm.
Distribuição: Amkino Corporation.
Direção: Sergei Eisenstein.
Roteiro: Nina Agadzhanova e Sergei Eisenstein.
Produção: Jacob Bliokh.
Música: Edmund Meisel.
Fotografia: Vladimir Popov e Eduard Tisse.
Direção de Arte: Vasili Rakhals.
Edição: Sergei Eisenstein.
Elenco: Aleksandr Antonov (Vakulinchuk), Vladimir Barsky (Comandante Golikov), Grigori Aleksandrov (Oficial Giliarovsky), Mikhail Gomorov (Marujo), Ivan Bobrov (Marujo), Sergei Eisenstein (Cidadão de Odessa), Julia Eisenstein (Cidadã de Odessa), Beatrice Vitoldi e N. Poltavseva.
Sinopse: Um dos estopins da Revolução Bolchevista de 1917 encontra-se descrito neste filme quase que documental. Após um grupo de marinheiros do cruzador Potenkim se amotinar contra os oficiais alegando maus tratos, a população da cidade russa, Odessa, decide apoiar os mesmos organizando-se em praça pública e realizando protestos contra o czarismo. A fim de evitar manifestações de grandes proporções, a tropa czarista massacra todos os rebeldes, aumentando ainda mais a revolta dos amotinados que acabam reunindo cada vez mais aliados em prol de sua causa.
Bronenosets Potyomkin – Trailer:
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Crítica:
Certa vez, ao comentar sobre “O Escafandro e a Borboleta”, mencionei que na próxima ocasião em que me fosse questionada uma posição sobre o que viria a ser, verdadeiramente, Arte, eu aconselharia que o filme de Julien Schnabel fosse assistido, pois, desta forma, a pessoa poderia ter uma idéia mais clara de como realmente seria a minha resposta. Entretanto, falando (ou escrevendo, como ocorre agora) objetivamente, creio que Arte vem a ser o modo como uma pessoa (no caso, o artista) externa os seus sentimentos de maneira individual ou global, tomando por base o mundo em que vive (vale utilizar também um outro mundo qualquer para tal, contanto que sejam empregadas metáforas que nos remetam, direta ou indiretamente, ao mundo onde vivemos, como é o caso de “O Senhor dos Anéis”, para citar apenas um exemplo). Em “O Encouraçado Potenkim” o roteirista e diretor Sergei Eisenstein certamente fez Arte, pois externou toda a sua visão com relação ao sentimento esquerdista característico da Rússia de 1925.
Tomando como pano de fundo a revolta dos amotinados a bordo do cruzador Potenkim, em 1905 (período em que o povo russo ainda era subordinado a um Czar), Eisenstein capta todo o sentimento anti-burguês que densamente marcou aquela época. O modo como o motim é retratado aqui faz com que todos nós sintamos na pele a mesma revolta que os marujos locais sentiam. Não há como não nos identificarmos com os mesmos e, de uma certa forma, nos transportamos para dentro da película, almejando fazer parte de toda a ação de uma forma direta. A luta dos protagonistas do filme inspira um sentimento de liberdade jamais visto no Cinema outrora (e confesso que, dentre os demais filmes a que já assisti (e isso inclui até mesmo as obras que foram posteriormente produzidas a “O Encouraçado Potenkim”), nenhum outro inspirou-me tal sentimento de um modo tão profundo). É a Luta de Classes marxista elevada à sua máxima potência, é a justa revolta de marujos trabalhadores contra seus oficiais autoritários, é o vital e direto embate entre classe baixa e classe alta, operários e burgueses, subordinados e subordinantes.
A direção de Eisenstein é um ponto que torna a temática do filme ainda mais forte do que ela já é por si só. Realizando ângulos fantásticos durante a obra inteira (repare no modo como o diretor posiciona a câmera e cria várias tomadas aéreas durante o motim, ou na maneira como o mesmo foca, em uma única tomada, a clássica cena em que centenas de pessoas descem desesperadamente a escadaria de Odessa), o cineasta russo também mostra total competência no que diz respeito à riqueza de detalhes de “O Encouraçado Potenkim”, conforme ocorre na seqüência em que, a fim de oferecer ao espectador uma prévia justificativa dos atos que os amotinados viriam a cometer, o diretor realiza um estratégico close em um pedaço de carne sorteado de vermes, retratando o quão inumanos eram os maus tratos pelos quais os marinheiros da época passavam (a propósito, há uma seqüência, logo no início do filme, onde vemos todos os marinheiros dormindo em um cômodo extremamente desconfortável e apertado; uma cena parecida com esta viria a ser utilizada no início de “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo” com o mesmo propósito). Vale citar também o cuidado que Eisenstein atribui a uma outra cena cujo propósito também é preparar o espectador para uma revolta que viria a acontecer. Refiro-me, é claro, à seqüência em que os amotinados enviam o corpo de um marinheiro que fora morto, pelo simples fato de reivindicar comida, às praias de Odessa. Tal cena viria a causar a revolta de milhares de pessoas que passariam a se aliar aos amotinados do Potenkim e, juntos destes, se revoltariam contra as autoridades locais, fato que deu origem ao conhecido massacre nas escadarias de Odessa.
E já que mencionei tal seqüência, não há como deixar de conferir um único parágrafo deste texto apenas para descrevê-la individualmente. Se “O Encouraçado Potenkim” conta com um motivo (além dos demais que já foram supracitados e de alguns outros que virão a ser citados mais tarde) que, definitivamente, colaborou para que o mesmo fosse imortalizado, este motivo diz respeito à chocante crueldade conferida em sua mais clássica cena: “o massacre nas escadarias de Odessa”. Imagine você, caro leitor, vivendo no ano de 1925, em uma época onde o Cinema possuía exatos 30 anos de existência e, mesmo já tendo produzido, há dez anos atrás, um épico violento (e não digo “violento” no sentido visual da palavra, mas sim no que diz respeito à forte descriminação racial inserida no contexto do filme) do naipe de “O Nascimento de
uma Nação”, se depara com algo tão frio e cruel quanto o massacre civil realizado pelas autoridades russas em Odessa. Não é de se estranhar que tal seqüência tenha marcado gerações inteiras, afinal de contas, é algo que nos transmite repulsas e aflições até mesmo nos dias atuais (imagine então na época em que o longa fora lançado, onde o Cinema era bem mais, digamos, puro e inocente). A dramaticidade de tal cena (que fora reproduzida anos mais tarde em um formato um pouco diferente no longa “Os Intocáveis”) se torna ainda mais poderosa após vermos uma mãe carregando nos braços o filho, que acabara de ser pisoteado, suplicar clemência às tropas czaristas, que não se conscientizam com o pedido. A propósito, se alguém me pedisse para citar uma única imagem que resumisse o filme inteiro, esta certamente seria a eleita.
Por fim, encerro este texto comentando outro aspecto que fez de “O Encouraçado Potenkim” um longa inovador e marcante: a edição do mesmo. Sobrepondo inúmeras imagens a fim de construir uma narrativa seqüencialmente estruturada, Eisenstein cria aqui uma revolucionária edição que conclui magistralmente a manipuladora (e digo isto no sentido positivo da palavra) função de conferir ao seu público o sentimento de afronta que o cineasta realmente desejava transmitir ao mesmo. “___ E tal manipulação não torna o filme todo um tanto o quanto parcial?” ___ Me pergunta o astuto leitor. E eu respondo esta pergunta empregando, para tal, uma outra pergunta: “___ Existe uma forma de retratar tal barbárie de modo imparcial?”. Seria o mesmo que exigir de Steven Spielberg uma abordagem imparcial do holocausto retratado em “A Lista de Schindler”. E, neste caso, Eisenstein não apenas criou uma verdadeira obra-prima, como também, da mesma forma que Steven Spielberg, colaborou imensamente com a humanidade, possibilitando que um dos atos mais imbecis que a nossa espécie já fora capaz de cometer ficasse eternamente gravado em nossas mentes, para que assim façamos o possível a fim de evitar que barbaridades de tal natureza venham a ocorrer novamente.
Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.
Matar ou Morrer – ***** de *****
Matar ou Morrer (High Noon, 1952, de Fred Zimmermann) – ***** de *****
O leitor provavelmente já deve ter visto em algum outro filme, série de televisão, ou até mesmo desenho animado, uma cena onde uma pessoa adentra um saloon empurrando a porta com toda a força, ou então alguma outra seqüência onde um indivíduo, após ter sido provocado dentro de um bar, desfere um soco em seu desafeto iniciando uma rixa no estabelecimento comercial, ou então alguma outra cena onde a câmera realiza um horizontal travelling acompanhando lateralmente o trajeto do mocinho e do bandido antes destes iniciarem um duelo. Pois é, todas estas seqüências foram originalmente exibidas no clássico western de Fred Zinnemann, “Matar ou Morrer”, lançado oficialmente em 1952.
O bang bang tem como principal atrativo o clima extremamente tenso que ele passa ao espectador logo no início. Em seus primeiros minutos já sabemos que a situação que o Marshall (uma espécie de delegado federal) Will Kane se encontra é de extrema urgência. A partir de então, temos uma estória contada em tempo real (outra inovação no Cinema) onde cada minuto desperdiçado aparenta ser de uma fatalidade irreversível ao protagonista da estória. A eficiente edição de Elmo Williams e a direção de Fred Zinnemann, no entanto, conferem ainda mais tensão ao filme e revela-se imprescindível para o resultado final do mesmo. Repare, por exemplo, na inteligente decisão que o diretor toma ao, sempre que possível e conveniente, realizar um close in em um relógio, mostrando o ponteiro deste se movendo lentamente.
Os personagens também são magistralmente desenvolvidos, principalmente se levarmos em conta o pouco tempo que eles têm em cena, e o protagonista, interpretado por Gary Cooper, é o que mais se destaca neste quesito. Longe de ser o esteriotipado xerife durão dos filmes do gênero, Will Kane mostra algumas ressalvas quanto à sua valentia, como na cena em que um personagem lhe pergunta se está com medo de morrer e ele, humildemente, responde que sim. Mas o grande destaque, no que se refere à exploração do protagonista, está nas atitudes do mesmo. Afinal de contas, por que Kane simplesmente não vai embora da cidade, ao invés de confrontar os bandidos, uma vez que ele já se encontra aposentado? Seria por motivos morais? Motivos pessoais? Amor à profissão? Ou talvez seria para proteger a sua própria esposa? E já que mencionei a personagem de Gracy Kelly, devo atribuir um destaque especial a essa, cuja função no filme não é simplesmente ser a bela e meiga mocinha indefesa do mesmo, mas sim conter uma participação crucial no final do longa, quando o resultado do embate poderia ter sido completamente diferente, não fosse por sua intervenção. “Matar ou Morrer” é, de fato, o pai dos westerns xerife versus bandido e só isto já é o bastante para exigir de todo o cinéfilo uma conferida.
Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.
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