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Meu Roteiro para a Mostra nos dias 24 e 25 de outubro de 2.009

Não era para eu ir a São Paulo durante estes dias, uma vez que pretendia fazê-lo apenas na sexta-feira da semana que vem (30 de outubro de 2.009). Entretanto, a Central da Mostra adota uma série de burocracias insuportáveis para que possamos retirar as credenciais e uma delas consiste no fato de o cinéfilo interessado ter de se apresentar pessoalmente ao local.

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Star Wars – Episódio VI – O Retorno do Jedi – **** de *****

Provavelmente, uma das despedidas mais tristes da história do Cinema. Não que o filme em si, ou o seu desfecho, seja melancólico, longe disso, mas a verdade é que não deve ter sido nada fácil para os fãs da saga (que em 1983 já eram muitos espalhados por todo o mundo) se acostumarem com a idéia de que jamais ouviriam novamente nos cinemas a respiração profunda, assustadora e ofegante do mais marcante vilão que a sétima Arte já nos apresentou. O que seriam dos milhões de nerds lucasmaníacos sem os golpes de sabre de luz desferidos por Luke Skywalker? Sem as batalhas espaciais magistralmente comandadas por Han Solo? Sem o charme e a independência feminina de Leia Organa? Sem os rugidos incompreensíveis de reclamação de Chewbacca? Sem a dinâmica da atrapalhada dupla de dróides R2-D2 e C3PO? Pois é, em 1983 eu nem ao menos havia nascido, ou melhor, nasci apenas no final deste ano, quando o filme já havia estreado, mas mesmo assim já posso imaginar toda a melancolia que se alastrou nos fãs do mundo todo acerca desta magnífica saga que revolucionou o modo de se fazer os chamados “filmes-pipoca”.


Ficha Técnica:

Título Original: Return of the Jedi.
Gênero: Aventura/Ficção Científica.
Tempo de Duração: 131 minutos.
Ano de Lançamento (EUA): 1983.
Site Oficial: www.starwars.com/episode-vi
Estúdio: LucasFilm Ltda.
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation.
Direção: Richard Marquand.
Roteiro: George Lucas e Lawrence Kasdan, baseado em estória de George Lucas.
Produção: Howard G. Kazanjian.
Música: John Williams.
Direção de Fotografia: Alan Hume.
Desenho de Produção: Norman Reynolds.
Direção de Arte: Fred Hole e James L. Schoppe.
Figurino: Aggie Guerard Rodgers e Nilo Rodis-Jamero.
Edição: Sean Barton, Duwayne Dunham e Marcia Lucas.
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic.
Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princesa Leia Organa), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), David Prowse (Darth Vader), James Earl Jones (Darth Vader – Voz), Ian McDiarmid (Imperador Cos Palpatine), Alec Guinness (Obi-Wan Kenobi), Anthony Daniels (C3PO), Kenny Baker (R2D2/Paploo), Peter Mayhew (Chewbacca), Sebastian Shaw (Anakin Skywalker), Frank Oz (Yoda) e Michael Pennington (Moff Jerjerrod).

Sinopse: Após ter sido raptado pelo caçador de recompensas Borba Fett, Han Solo (Harrison Ford) é levado como refém até o gangster Jabba, o Hutt. Luke Skywalker (Mark Hamill) e seus amigos partem em uma missão com o objetivo de resgatar o importante general. Enquanto isso, o Imperador Cos Palpatine (Ian McDiarmid) e Lorde Darth Vader (atuação: David Prowse, voz: James Earl Jones) lideram o projeto de construção de uma nova “Estrela da Morte” (estação espacial super poderosa que havia sido destruída pelos soldados da Aliança Rebelde em “Uma Nova Esperança”) ainda mais poderosa que a anterior. Em uma desesperada e arriscada tentativa de defesa, os líderes da Aliança Rebelde nomeiam Lando Calrissian (Billy Dee Williams) para comandar um ataque à nova estação espacial imperial e Luke Skywalker se prepara para o grande desafio de sua vida: enfrentar e derrotar Darth Vader e Cos Palpatine, tornar-se um verdadeiro cavaleiro Jedi e encerrar com esta guerra de uma vez por todas, trazendo paz e liberdade ao universo.

Return of the Jedi – Trailer:

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Crítica:

“O Retorno de Jedi” se inicia com a tentativa frustrada, organizada por Luke, Leia, Lando, Chewbaca, R2-D2 e C3PO, de salvar Han Solo das garras de Jabba, o Hutt. Durante este resgate mal-sucedido, o filme brinda o espectador com figurinos, maquiagem e efeitos visuais simplesmente vislumbrantes. Nunca, em toda a trilogia, os realizadores se mostraram capazes de aproveitar todas as qualidades técnicas da obra a fim de criar uma diversificação tão ampla de criaturas quanto às que nos são apresentadas no início deste último episódio, no reduto de Jabba e os responsáveis pelos efeitos visuais e pela maquiagem se revelam extremamente competentes ao darem um ar ainda mais realista às bizarras criaturas.

Outro ponto forte inserido em tal seqüência inicial reside na criatividade que o roteiro e a direção tiveram ao construí-la. Preste atenção, por exemplo, na riqueza de detalhes utilizada para compor as coreografias e os números de dança realizados na residência de Jabba. Observe também os acordes musicais tocados, remetendo-nos à lembrança de um gênero no melhor estilo free jazz. Tudo aparenta ter sido minuciosamente bem pensado, escrito e executado. O resultado não poderia ter sido melhor.

A entrada de Luke Skywalker em cena também colabora muito para que esta ganhe muito ritmo, uma vez que os poderes de Jedi do jovem protagonista ampliaram-se consideravelmente e a evolução técnica da obra, principalmente no que diz respeito aos efeitos visuais desta, faz com que as seqüências de luta com sabre de luz se tornem muito mais reais e empolgantes e contem com movimentos muito mais ousados que os dos episódios anteriores.

Mas se por um lado tal seqüência revela-se extremamente interessante, analisando-a apenas como entretenimento, por outro lado a mesma revela-se fraca e parcialmente desnecessária do ponto de vista narrativo. Justifico tal afirmativa tomando por base que, apesar de nos mostrar o resgate do general Han Solo (que primeiramente se revela frustrado, mas com a entrada de Luke em cena toma um outro rumo), os minutos iniciais do filme fogem completamente da proposta principal da trilogia que é narrar a guerra estelar entre o Império Intergaláctico e a Aliança Rebelde.

Evidentemente, é uma excelente pedida presenciarmos em um blockbuster (ainda mais um com as proporções de um “Star Wars”) cenas de ação fantásticas regadas com impecáveis efeitos visuais, além, é claro, de contar com uma atriz formosíssima (bem, ao menos, na época, ela era muito formosa, gostosérrima (me desculpem pela vulgaridade, garotas, mas estou sendo sincero), para falar a verdade), do naipe de uma Carrie Fisher, trajando vestimentas apertadíssimas e minúsculas, mas sejamos francos, para que uma seqüência destas dure longos vinte minutos, é necessário, ao menos, que esta tenha um propósito muito maior dentro da trama do que simplesmente mostrar o resgate de um dos protagonistas da mesma, algo que poderia ter sido realizado em cerca de cinco minutos.

Outro defeito presente em tal seqüência é o modo desonroso como Bobba Fett, que havia se revelado um importante e interessante personagem até então, sai de cena: o mesmo é derrotado por Han Solo através de um golpe de sorte e o que já era ridículo consegue piorar ainda mais devido ao fato de o longa utilizar tal cena como alívio cômico. Aliás, a maneira como este “O Retorno de Jedi” se “desfaz” de muitos de seus personagens é um dos maiores defeitos do mesmo. Note, por exemplo, a seqüência que ilustra a morte de um certo personagem, cuja identidade manterei em segredo, que havia cativado imensamente o público. Ele simplesmente diz: “___ Estou velho, preciso descansar.”, e pronto, sai de cena, sem mais nem menos, da maneira menos sutil o possível.

O roteiro, escrito por George Lucas e Lawrence Kasdan, optou, desta vez, por explorar menos os seus protagonistas, inclusive o próprio Darth Vader, e devo reconhecer
que esta fora uma sábia decisão, uma vez que o desenvolvimento dos personagens principais já havia sido realizado com maestria nos longas anteriores. Sendo assim, não há nada mais conveniente então, do que o roteiro tomar a inteligente decisão de focar-se, principalmente, em amarrar as pontas deixadas em aberto pelos dois episódios anteriores, deixando os seus protagonistas em segundo plano (salvo o Imperador Cos Palpatine que, pela primeira vez na trilogia, é abordado de uma maneira demasiadamente ampla e torna-se um dos personagens principais deste episódio final), e é justamente isto o que ocorre aqui.

Mas o roteiro conta com diversas falhas e estas, infelizmente, não se resumem aos minutos iniciais do longa, conforme já consta citado neste texto. A artificial revelação sobre o grau de parentesco entre Luke e Leia é o exemplo mais claro disso. Francamente, poucas revelações soaram tão artificiais, desnecessárias e formulaicas na história do Cinema quanto à cena em que Luke revela a Leia que possui um forte grau de parentesco com esta.

A direção de Richard Marquand, que em sua totalidade se revela muito boa, também comete alguns deslizes imperdoáveis e torna os defeitos que já vinham do roteiro ainda mais alarmantes. Vide os alívios cômicos. Em sua grande maioria, são todos infantis, desnecessários, tolos. Ao menos desta vez o casal Leia e Han se mostra mais maduro e Marquand dirige o romance entre ambos de maneira convincente e nada irritante. Sem dúvida alguma foi a melhor química entre ambos durante toda a saga.

As seqüências de aventura foram extremamente bem distribuídas pelo roteiro e estas colaboram, e muito, para que o filme jamais se torne cansativo e/ou visivelmente longo (salvo a seqüência inicial, conforme já fora comentado). Contudo, o roteiro se esquece de algo importantíssimo ao criar tais cenas: deve-se sempre dar prioridade ao qualitativo e relegar o quantitativo ao segundo plano. “O Retorno de Jedi” é o episódio da saga que conta com mais cenas de ação, contudo, nenhuma destas chega aos pés da perseguição espacial entre Han Solo e as naves imperiais dentro de uma tempestade de asteróides no episódio anterior, ou, principalmente, do ataque que a Aliança Rebelde realiza à estação espacial “Estrela da Morte” no episódio original. Parte desse defeito deve-se ao diretor Richard Marquand que, apesar de criar ângulos satisfatórios enquanto dirige tais cenas, não se mostra capaz de dar a estas a mesma sensação de urgência e perigo imediato que os diretores George Lucas e Irvin Kershner conseguiram fazer com maestria nos, respectivamente, quarto e quinto episódios.

Mesmo com todos os defeitos já relatados neste texto, não há como negar que “O Retorno de Jedi” é um ótimo filme e conta com muito mais qualidades do que defeitos. A maior qualidade do longa, muito provavelmente, fica por conta da maneira como este consegue amarrar algumas pontas deixadas pelos episódios anteriores de maneira natural. Certamente, a morte de muitos personagens (dois em especial) aqui soa extremamente artificial e parece ser mais uma jogada do roteiro, como se este tivesse a obrigação de dar fim a tais personagens e, seja pela falta de tempo, criatividade, ou até mesmo, força de vontade, o faz de modo nada convincente. Ainda assim, os roteiristas Lucas e Kasdan se preocupam em criar um desfecho extremamente interessante à trama e aos seus respectivos protagonistas.

A dinâmica desenvolvida entre Luke Skywalker e Darth Vader também é outro ponto extremamente forte e relevante deste episódio final, principalmente depois da revelação ocorrida em “O Império Contra-Ataca”. E se no longa anterior a luta entre ambos já se mostrava extremamente tensa e dramática, imagine só neste “O Retorno do Rei” o impacto emocional que a mesma causa, principalmente quando sabemos que ali, um dos dois irá encontrar o seu trágico fim, além, é claro, desta vez estarmos cientes do grau de parentesco entre ambos, uma vez que no longa anterior Vader faz a revelação a Luke somente após a luta ter se encerrado.

E a carga dramática entre Vader e Skywalker certamente não reside apenas no dramático combate final entre ambos (que se revela a melhor luta de sabres de luz de toda a trilogia, apesar de não chegar aos pés da maioria das seqüências de ação dos dois episódios anteriores), muito pelo contrário. O âmago de tal química encontra-se nos diálogos entre o mocinho e o vilão da estória. O primeiro, tenta convencer o outro de que ainda há bondade nele e há a possibilidade deste voltar a atuar pelo lado iluminado da Força, ao passo que o segundo, tenta desesperadamente compenetrar o jovem Jedi a seguir o lado escuro da Força e derrotar o Imperador de uma vez por todas, assumindo o controle total do império ao seu lado.

Falando no imperador Cos Palpatine, a aparição deste também aumenta, e muito, o peso dramático do filme. Nos longas anteriores víamos Palpatine apenas através de hologramas, neste episódio de encerramento, presenciamos o mesmo em carne e osso, durante muitas cenas do filme e pode apostar, apesar deste não possuir traços tão marcantes quanto os de Vader, ele se revela tão assustador quanto o seu subordinado. Outra característica marcante de Palpatine reside na oratória deste. Sempre disposto a persuadir às pessoas a seguirem os seus ideais ao invés de simplesmente descarregar seus poderes nestas, o imperador apela a Luke para que este se junte a ele utilizando sempre diálogos extremamente convincente, como por exemplo a cena em que mostra ao rapaz as terríveis baixas que a Aliança Rebelde está sofrendo no confronto direto com o Império e que a única possibilidade de salvá-los é justamente unindo-se ao lado escuro da Força. O imperador também desempenha um papel muito importante para o destino final de Vader e Skywalker e colabora para que o combate entre ambos tenha um resultado final tão dramático quanto teve no longa anterior.

Apesar de ficar bem aquém aos outros dois episódios da saga, “O Retorno de Jedi” conta com um roteiro que se preocupa em amarrar, de maneira fascinante (salvo em um outro caso onde se mostra extremamente artificial ao fazê-lo), as pontas que os seus antecessores deixaram em aberto e desenvolve a química entre Luke Skywalker e Darth Vader de um modo épico. O imperador Cos Palpatine, que antes só nos era apresentado via hologramas, aparece em carne e osso neste episódio final e ganha uma abordagem digna de líder de Darth Vader. Os aspectos técnicos do filme são fantásticos, a direção de arte cria cenários inesquecíveis e os efeitos visuais são os melhores de toda a trilogia, além, é claro, de possibilitarem com que as lutas de sabre de luz sejam mais realistas e empolgantes que as dos filmes anteriores. O longa, no entanto, se revela falho em muitos de seus aspectos, sobretudo pelo início desnecessariamente longo, pelos alívios cômicos pífios e, principalmente, por não contar com seqüências de aventura realmente marcantes, como os episódios anteriores conseguiram fazer. Um ótimo filme, mas não há como negar que a saga “Star Wars” merecia um desfecho bem mais digno.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Star Wars – Episódio V – O Império Contra – Ataca – ***** de *****

É uma grande honra e um grande esmero para mim, poder, finalmente analisar este quinto episodio da saga “Star Wars”. Que venerei veementemente a mesma durante a minha infância, isso todos que acompanham o meu trabalho já sabem, agora, o meu carinho em especial por este quinto episódio está sendo revelado em primeira mão aqui, nesta pré crítica do longa. Sinceramente, não consigo descrever, demonstrar em palavras, o quão importante esta verdadeira Obra-Prima do Cinema fora para o desenvolvimento de minha paixão pela Sétima Arte. Meu pai lembra-me até hoje da minha reação enquanto assistia ao filme pela primeira vez e, ao ver o protagonista Luke desconcentrando-se de seu treinamento para se tornar um Jedi, acabara, involuntariamente, derrubando o simpático dróide R2-D2. Curioso como sempre fui (e agora, sabe-se lá o porquê, não sou mais), tratei de perguntar ao meu progenitor: “Pai, por que o R2 caiu?”. Sei que a frase é clichê, mas enfim: “Bons tempos aqueles”.

Ficha Técnica:
Título Original: The Empire Strikes Back.
Gênero: Aventura / Ficção Científica.
Tempo de Duração: 124 minutos.
Ano de Lançamento (EUA): 1980.
Estúdio: LucasFilm Ltda.
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation.
Direção: Irvin Kershner.
Roteiro: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan, baseado em estória de George Lucas.
Produção: Gary Kurtz.
Música: John Williams.
Direção de Fotografia: Peter Suschitzky.
Desenho de Produção: Norman Reynolds.
Direção de Arte: Leslie Dilley, Harry Lange e Alan Tomkins.
Figurino: John Mollo.
Edição: Paul Hirsch e Marcia Lucas.
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic.
Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), David Prowse (Darth Vader), James Earl Jones (Darth Vader – Voz), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princesa Leia Organa), Frank Oz (Yoda – Voz), Jeremy Bulloch (Boba Fett/Tenente Sheckil), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), Alec Guinness (Obi-Wan Kenobi), Anthony Daniels (C3PO), Kenny Baker (R2D2), Peter Mayhew (Chewbacca) e Clive Revill (Imperador Cos Palpatine – Voz).
Sinopse: Após ser descoberta pelos exércitos imperiais, a Aliança Rebelde opta por montar a sua base de operações militares em um local discreto, onde o império jamais possa encontrá-los com facilidade. Entretanto, o Senhor do Mal: Lorde Darth Vader (atuação: David Prowse, voz: James Earl Jones), envia sondas aos sistemas solares mais longínquos do espaço sideral a fim de localizar seus inimigos e o plano funciona perfeitamente. Após uma batalha fortíssima contra o Império, os rebeldes têm muito de seu potencial enfraquecido e decidem fugir para não serem capturados. Luke Skywalker (Mark Hamill) recebe uma visita de seu antigo tutor Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness) e este lhe aconselha a procurar por Mestre Yoda (Frank Oz) dando início ao seu treinamento para tornar-se um Jedi. Han Solo (Harrison Ford), Princesa Leia Organa (Carrie Fischer), Chewbaca (Peter Mayhew), R2-D2 (Kenny Baker) e C3PO (Anthony Daniels) conseguem escapar ilesos da frota espacial imperial, mas a sua nave é seriamente atingida e necessita fazer reparos. Para isso, Han Solo decidi ir até Curoscant, encontrar-se com Bobba Fett (Jeremy Bulloch), um velho conhecido, e solicitar-lhe auxílio com os reparos.
Star Wars – Episode V – The Empire Strikes Back – Trailer:

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Crítica:
Peço ao leitor que me responda rapidamente a seguinte questão: qual é a primeira coisa que lhe vem à mente quando se pensa em “Star Wars”? Aposto que 90% das pessoas que leram esta pergunta responderam: Darth Vader, estou errado? Pois é, não há como negar que, por mais que personagens como Luke Skywalker, Capitão Han Solo, Princesa Leia, Chewbaka, Mestre Yoda, Obi-Wan Kenobi, e até mesmo os robôs R2-D2 e C3PO nos cativem amplamente, a alma da trilogia é o senhor das trevas: Lorde Darth Vader. Só para se ter uma idéia, em quase todas as listas, elaboradas por cinéfilos, com o intento de eleger os melhores vilões da estória do Cinema, adivinhe só quem encabeça as mesmas com unanimidade? Sim, ele mesmo, Lorde Darth Vader.
Mas o que faz de Vader este personagem tão marcante? Tão onipresente na memória da grande maioria dos fãs da sétima Arte? Seria a sua respiração assustadora e ofegante? Seria a sua fantasia aterrorizadoramente sombria e escura? Seria sua voz vibrante e penetrante? Seriam seus poderes devastadores de Lorde Sith (vide o modo como ele é capaz de sufocar um sujeito que está a anos luz de distância dele)? Creio que seja tudo isso e muito mais, em especial o lado psicológico deste. Vader passa a causar interesse no espectador a partir do momento em que, no episódio anterior, exatamente no intróito do filme, ficamos sabendo, através de Obi-Wan Kenobi, que o vilão já fora um promissor Jedi outrora, mas converteu-se ao lado negro da Força e exterminou a grande maioria dos mestres Jedi. Quais os motivos que levariam um promissor defensor do lado iluminado da Força a tornar-se aquilo que mais odiava? Particularmente, creio que seja exatamente isto que torna Vader um objeto de estudo tão interessante, o modo como o roteiro explora o seu lado psicológico e o transforma em um simples produto do meio e das circunstâncias que este lhe proporcionou. Por mais poderoso que Vader seja, não há como negar que ele possuía inúmeras fraquezas a ponto de ter sua ideologia de vida drasticamente convertida, deslocando-se de uma polaridade para outra, fato que o torna um vilão vulnerável, ou seja, muito mais palpável de se absorver em um contexto real.
Contudo, conforme mencionei em minha crítica, em “Uma Nova Esperança” o grande vilão desta saga acabou não sendo explorado da maneira profunda com que deveria ter sido. Se por um lado o episódio anterior ganha pontos ao conferir vulnerabilidade a Vader, tornando-o um reles subordinado do Comandante Vanden Willard, por outro lado falha na construção do personagem, fazendo-o não cativar o público tanto o quanto deveria. Neste “O Império Contra-Ataca” a situação se inverte. Optando sabiamente por escreverem um roteiro que dá total ênfase ao vilão, Leigh Brackett e Lawrence Kasdan fazem de Vader o âmago deste quinto episódio e, indiscutivelmente, a maior qualidade deste.
A direção de Irvin Kershner é outro ponto fortíssimo do longa e se mostra extremamente competente ao conduzir as cenas protagonizadas por Vader, fazendo com que as mesmas causem o impacto que o roteiro tanto almeja. Note, por exemplo, a perfeição que é o primeiro plano-seqüência, onde vemos o Senhor do Mal dar as caras neste quinto episódio pela primeira vez. Começamos com a brusca movimentação das naves do império pela galáxia, procurando insaciavelmente por membros da Aliança Rebelde. A músi
ca Imperial March, brilhantemente orquestrada pelo mestre John Williams, é ressoada de maneira que cause um impacto direto no espectador e, finalmente, vemos Lorde Darth Vader sentado em sua majestosa poltrona. Uma cena arrepiante, marcante, magistralmente bem realizada por Kershner, que confere uma união perfeita entre vários aspectos do longa (direção, direção de arte, trilha-sonora, fotografia, figurino e, é claro, roteiro) e que, por si só, já faz com que o espectador necessite dar uma conferida na obra, mesmo que este não se interesse pela trilogia.
Mas é óbvio que “O Império Contra-Ataca” não se resume apenas a Darth Vader. Contando com um roteiro fabuloso que apresenta uma carga dramática maior que o filme original, este quinto episódio se mostra inquestionavelmente formidável em quase todos os seus aspectos. Comecemos pelo desenvolvimento de seus demais personagens. Em “Uma Nova Esperança”, o longa contava com um ponto indispensável a todo o episódio de abertura de série (ou saga, caso o leitor prefira) que se preze: a aprofundada abordagem de seus protagonistas (salvo Darth Vader, conforme fora previamente mencionado). Este “O Império Contra-Ataca”, contudo, opta engenhosamente por não tentar desenvolver seus personagens de uma maneira individual (coisa que o filme anterior fizera com maestria), o que faria com que o mesmo perdesse muito tempo inutilmente, e o faz através da química elaborada entre dois ou mais personagens e/ou mediante as situações as que os mesmos são respectivamente submetidos.
Há, no entanto, uma falha gravíssima contida no roteiro de “O Império Contra-Ataca” quando este desenvolve a química existente entre dois determinados personagens do longa. Refiro-me a Han Solo e Leia. O flerte entre ambos que havia se iniciado de maneira conveniente e satisfatória no filme anterior, beira o ridículo aqui, obrigando o espectador a se conformar com diálogos forçados e artificiais do tipo: “___ Sei que você me ama, não adianta disfarçar.” ou “___ No fundo você adoraria ficar com um cara bonitão como eu.”. Não bastasse isso, temos uma série de piadinhas ridículas em cima do romance entra ambos e, francamente, não há como não se irritar com a química desenvolvida entre os personagens de Ford e Fisher, pois eles formam o típico casal clichê: “nos odiamos, mas, no fundo, nos amamos!”.
Menos artificial e mais satisfatória é a fantástica química desenvolvida entre o protagonista Luke Skywalker e seu mais novo mentor, o ex-líder do Conselho Jedi: Mestre Yoda. Contando com diálogos cuja superioridade se mostra ululante aos de Han e Leia, o bizarro, mas ainda assim estranhamente cativante, Mestre Yoda dá a Luke (e a nós, espectadores), lições sobre paciência, autoconfiança, plenitude e estabilidade emocional e racional. A inserção do mestre Jedi na trilogia antiga foi um dos pontos mais altos da mesma e não é a toa que este tornou-se um personagem quase tão marcante quanto o próprio Darth Vader. Luke Skywalker também é muito bem desenvolvido em função de tal química, sobretudo a rebeldia do mesmo (note a maneira como este reluta em relação a algumas exigências de Yoda e no modo como ele não segue o conselho do mentor, abandonando-o para salvar os amigos) que muito difere dos dogmas estoicistas adotados por seu pai no primeiro episódio da saga.
As seqüências de aventura também são ótimas e, apesar de ficarem bem aquém das do quarto episódio, se revelam altamente dinâmicas. Ao contrário da grande maioria dos filmes de aventura, a saga “Star Wars” parece preocupar-se em criar situações onde os protagonistas realmente se encontrem em total perigo e nós, espectadores, consigamos desenvolver um elo emocional com os mesmos, praticamente adentrando na pele destes e passando pelos mesmos perigos que eles também passam. A seqüência em que Solo e Léia, a fim de fugir e despistar as naves imperiais, adentram uma tempestade de meteoros e correm seriíssimo risco de vida é uma prova cabal disto. Ainda mais emocionante e tensa é a seqüência inicial em que o Império descobre a nova base de operações da Aliança Rebelde e comanda um ataque à mesma (esta seqüência torna-se ainda mais eficiente quando Darth Vader entra em cena).
“O Império Contra-Ataca” conta também com uma direção de arte que beira à perfeição (principalmente se levarmos em conta a época em que o filme fora produzido). Desta vez, as naves são ainda mais bem detalhadas que no episódio anterior, conferindo ainda mais realismo às mesmas. Os cenários também são fantásticos, em especial Curoscant vista do alto, uma cidade incrivelmente futurística entre as nuvens, algo que incita à imaginação do espectador e confere um crédito ainda maior a toda magia que envolve a obra. Simplesmente fantástico.
Os efeitos visuais também não ficam muito atrás. Da mesma forma que a caracterização do gangster Jabba, the Hutt, impressionava os espectadores pela sua aparência quase real, o mesmo ocorre com o inesquecível Mestre Yoda, mas com uma grande diferença: Yoda, aqui, é ainda mais convincente e real que Jabba, uma vez que seus movimentos são muito menos lentos que os daquele. Outra grande evolução que o filme obteve neste quesito foram as lutas com sabres de luz que ganharam muito mais dinâmica graças aos efeitos visuais. Tais efeitos colaboraram, e muito, para que a luta ocorrida entre Luke e um personagem cuja identidade manterei oculta fosse extremamente emocionante (é claro que se compararmos tal duelo com os ocorridos nos filmes da nova trilogia, estes empalidecem bastante) e se tornasse a cena mais importante de toda a saga “Star Wars”, além, é claro, de ser considerado uma das 10 cenas mais importantes da história do Cinema.
E já que mencionei tal cena, creio que deveria destinar um parágrafo inteiro apenas a esta, tamanha a importância da mesma. Conferindo uma carga dramática extremamente importante e envolvente à seqüência em questão, os roteiristas Leigh Brackett e Lawrence Kasdan souberam perfeitamente como criar de maneira extremamente sutil o clima necessário para que a mesma soasse surpreendente (na verdade, ela é surpreendente apenas para quem ainda não assistiu aos Episódios I, II e III) e emocionante na medida certa. A inserção do diálogo “___ Luke, você é meu filho” também não poderia ter sido realizada de maneira mais conveniente e impactante. Irvin Kershner também se mostra competente o bastante na condução da cena, pois sabe da importância que ela tem para a trilogia de um modo geral e proporciona ao espectador um dos maiores espetáculos já promovidos pela Sétima Arte.
Por fim, a sensação lúgubre que este quinto episódio nos proporciona em relação às incertezas acerca dos futuros dos respectivos protagonista da estória é, não menos, que majestosa e fantástica, pois faz com que roamos as unhas de tensão ao imaginar o que virá pela frente, com o sexto e último (ao menos por enquanto) episódio da saga. E, convenhamos, não há maior toque de genialidade que um filme pertencente à uma trilogia pode causar em seu espectador do que este: deixá-lo assíduo para conferir o próximo episódio sem precisar apelar para artificialidades de roteiro.
Abordando o mais carismático personagem de toda a saga de um modo demasiado aprofundado, “Star Wars – Episódio V – O Império Contra-Ataca” se mostra amplamente matreiro no desenvolvimento deste e, de quebra, cria o maior e mais importante vilão de toda a história do Cinema. Apresentando uma carga dramática bem superior ao filme anterior, este quinto episódio ainda ganha um importantíssimo destaque devido a uma revelação bombástica ocorrida no terceiro ato de sua trama. O desenvolvimento entre os personagens é perfeito, uma vez que este é realizado a partir da química existente entre dois ou mais deles, salvo, é claro, a química desnecessariamente infantil elaborada entre Han Solo e Léia Organa. As seqüências de aventura deixam um pouco a desejar comparadas ao filme anterior, mas são excelentes e tensas o bastante, analisando-as individualmente. O melhor filme de toda a saga.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

Star Wars – Episódio III – A Vingança dos Sith – **** de *****

Lembro-me que quando fui assistir a este terceiro episódio no cinema (desta vez sozinho, como eu gosto) meu fanatismo pela saga “Star Wars” havia sido reduzido consideravelmente (foi em 2.005, eu estava com 21 anos na ocasião), principalmente em virtude do impacto que a trilogia “O Senhor dos Anéis” havia causado em mim e também pelo fato de, na época, os meus gostos cinematográficos estarem completamente voltados aos filmes cult de Arte, sendo assim, ao invés de passar algumas horas assistindo a um blockbuster eu preferia muito mais aproveitar o tempo assistindo a um Kubrick, ou um Bergman, ou um Fellini. Felizmente venci o preconceito que possuía na época e, atualmente, apesar de preferir muito mais os chamados cult de Arte, valorizo, e muito, os blockbusters. Tendo em vista isso, vejo-me capaz agora de avaliar este longa como o mesmo realmente deve ser avaliado: como um ótimo filme comercial.


Ficha Técnica:

Título Original: Star Wars: Episode 3 – Revenge of the Sith
Gênero: Aventura / Ficção Científica
Tempo de Duração: 146 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Estúdio: Lucasfilm Ltd.
Distribuição: 20th Century Fox Film Corp.
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Produção: Rick McCallum
Música: John Williams
Fotografia: David Tattersall
Desenho de Produção: Gavin Bocquet
Direção de Arte: Ian Gracie, Phil Harvey, David Lee e Peter Russell
Figurino: Trisha Biggar
Edição: Roger Barton e Ben Burtt
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic

Elenco: Hayden Christensen (Anakin Skywalker / Darth Vader), Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Ian McDiarmid (Chanceler Supremo / Imperador Palpatine / Darth Sidious), Natalie Portman (Senadora Amidala / Padmé Naberrie-Skywalker), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Christopher Lee (Conde Dooku / Darth Tyranus), Anthony Daniels (C-3PO), Kenny Baker (R2-D2), Peter Mayhew (Chewbacca), Frank Oz (Yoda – voz), Jimmy Smits (Senador Bail Organa), Genevieve O’Reilly (Senador Mon Mothma), Ahmed Best (Jar Jar Binks), Jay Laga’aia (Capitão Typho), Joel Edgerton (Owen Lars), Oliver Ford Davies (Governador Whitesun-Lars), Temuera Morrison (Comandante Cody / Comandante Thire / Comandante Bly), Keisha Castle-Hughes (Rainha Apailana), Rebecca Jackson Mendoza (Rainha de Alderaan), Bruce Spence (Tion Medon), Kee Chan (Senador Male-Dee), Ling Bai (Senadora Bana Breemu), Warren Owens (Senador Fang Zar), Rena Owen (Senadora Nee Alavar), Christopher Kirby (Senador Giddean Danu), Matt Sloan (Plo Koon), Rohan Nichol (Capitão Antilles), Matthew Wood (General Grievous – voz), James Earl Jones (Darth Vader – voz) e George Lucas (Barão Papanoida).

Sinopse: Após salvar o Senador Palpatine, que fora seqüestrado pelos exércitos rebeldes, Anakin Skywalker se torna ainda mais íntimo deste. Entretanto, o jovem aprendiz de Obi-Wan Kenobi não sabe que o Senador almeja tomar o poder absoluto e utilizá-lo como principal ferramenta para tal.

Star Wars: Episode 3 – Revenge of the Sith – Trailer:

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Crítica:

A sensação que este “A Vingança dos Sith” deixou nos fãs da saga “Star Wars” durante o seu lançamento nos cinemas foi provavelmente a mesma sensação de angústia que “O Retorno do Rei” deixou nos fãs da saga “O Senhor dos Anéis” ou “A Última Cruzada” deixou nos fãs da trilogia “Indiana Jones” (que recentemente fora estendida com um interessante quarto episódio). Afinal de contas, os milhões de fãs que a mesma possui já não poderiam mais lotar as salas de cinema do mundo todo a fim de se reencontrar com o mundo mágico criado por George Lucas em uma aventura inédita. Mas ao menos serve de consolo o fato destes fãs saberem que a saga, a partir do momento que este terceiro episódio estreasse nos cinemas do mundo todo, estaria completa e que, agora, todas as pontas existentes entre a antiga e a atual trilogia encontravam-se, finalmente, completamente amarradas.

É uma tarefa muito árdua, no entanto, amarrar todas as pontas de ambas as trilogias de um modo realmente convincente e satisfatório. Pode-se confirmar isto neste “A Vingança dos Sith” onde, ironicamente, as maiores falhas e os maiores acertos do mesmo residem, justamente, na tentativa do roteiro criar elos entre uma trilogia e outra. Vide o maior erro do roteiro, por exemplo, que consiste em mostrar o principal motivo que teria levado Anakin Skywalker a abraçar o lado escuro da Força. Após ter uma visão, durante um sonho seu, onde sua esposa Padmé Amidala (que agora encontra-se grávida) perde a vida após dar a luz a um filho seu, o jovem Padawan passa a buscar medidas desesperadas a fim de evitar que tal fato seja concretizado. Ao saber da situação em que o jovem se encontra, o Senador Palpatine, Chanceler Supremo da Federação e Mestre dos Lords Sith (uma espécie de Jedi que utiliza a Força apenas para benefício próprio), propõe a Skywalker que este se una a ele no combate contra os Jedi e em troca, o político ensinará ao jovem os poderes do lado escuro da Força que poderão salvar a vida de Padmé. Francamente, uma lastimável e artificial solução que o roteiro encontrou para fazer com que o jovem muda-se completamente de posição ideológica.

Por outro lado, o mesmo roteiro que apresenta uma solução tão simplória e artificial para a mudança de caráter repentina de Skywalker, se revela extremamente satisfatório ao trabalhar os demais pontos que fizeram com que o aprendiz de Obi-Wan Kenobi sofresse tal mutação ideológica. Uma vez que o episódio anterior já cumprira a excelente tarefa de desenvolver Anakin de maneira bastante convincente, este terceiro episódio opta inteligentemente por não tentar desenvolver o personagem ainda mais. Ao invés disso, o roteiro toma a brilhante decisão de desenvolver o Senador Palpatine e o jogo psicológico que este realiza em Anakin, fazendo-o mudar completamente de lado (e sinceramente, se o roteiro não tivesse tomado tal atitude, a mudança de lado do protagonista soaria extremamente artificial e o filme se revelaria extremamente falho).

Conforme pudemos testemunhar em “Ataque dos Clones”, Anakin Skywalker era um jovem talentoso, mas extremamente arrogante e precipitado. Neste “A Vingança dos Sith” a sua impaciência aumenta cada vez mais levando em conta a insistência do Conselho Jedi em não conferir a ele o título de Cavaleiro Jedi (os membros do Conselho têm dúvidas quanto a Anakin em virtude à arrogância do rapaz e aos fortes laços que este tem com o Chanceler Palpatine, algo que, indiretamente, quebra a independência dos Jedi para com os políticos) e designar-lhe missões que realmente ponham em teste as suas inúmeras habilidades. Aproveitando-se da impaciência do aprendiz de Obi-Wan Kenobi e do gênio vaidoso deste, Palpatine trabalha, através de argumentos convincentes, a mente do jovem rapaz e o incentiva a auxiliá-lo a tomar o poder absoluto. A maneira como o roteiro desenvolve Palpatine, suas táticas de persuasão (salvo as que envolvem Padmé que, conforme fora citado, soam artifi
ciais) e seus diálogos é, não menos, do que excelente. Tudo foi cuidadosamente arquitetado pelo roteiro, para que a maior parte das alterações de caráter de Anakin não soassem artificiais.

O grande trunfo do roteiro, no entanto, consiste na virada espetacular que este dá na estória, a partir do início de seu segundo ato. A sensação que temos quando Palpatine põe em prática a sua “Ordem 66” (cuja descrição não irei fazer a fim de não estragar algumas surpresas) é a de que Lucas utilizou magistralmente os dois episódios anteriores (e, francamente, as pessoas que afirmam que este terceiro episódio tornou os outros dois desnecessários, simplesmente não sabem o que estão falando) a fim de mover estrategicamente todas as suas peças pelo tabuleiro e, quando chegasse o momento oportuno, utilizaria este terceiro episódio para dar o xeque-mate. E é justamente isto o que ocorre, cada peça movida nos longas anteriores teve importância vital para a conclusão desta trama, para o clássico desfecho da mesma. Simplesmente fascinante. Tão fascinante quanto à tristeza que nos assola ao ver a Ordem Jedi sendo completamente destruída.

As seqüências de aventura também são outra característica do filme que alternam entre altos e baixos. Logo no início somos apresentados à dupla de Jedis de “Ataque dos Clones”, Anakin e Obi-Wan, em uma missão de extrema importância: libertar o Senador Palpatine, que fora raptado pelo temível Conde Dookan. É exatamente nesta cena que podemos, pela primeira vez em toda a trilogia, notar a habilidade de Lucas na movimentação de câmeras. Pela primeira vez nesta trilogia vemos o “padrinho de todos os nerds” (como é conhecido o diretor) acompanhando as seqüências de ação de uma maneira realmente incrível. Note o modo como Lucas acompanha as naves espaciais durante a batalha, a movimentação com a câmera é perfeita e dá muita credibilidade à cena em si. Outro aspecto que conta muitos pontos a favor desta cena é a direção de arte que constrói, de maneira estupenda, uma nave espacial gigantesca fantástica. Tal seqüência parece ter sido sublimemente montada por Lucas a fim de homenagear as antigas batalhas intergalácticas contra um dos símbolos máximos da série, a Estrela-da-Morte, ocorridas na trilogia anterior.

Contudo, nem todas as cenas envolvendo aventura são tão magistrais quanto a seqüência acima citada (milagre eu não ter escrito “supracitada”, não?). Vide o duelo de sabres de luz travado entre Anakin Skywalker e Conde Dookan, apenas para citar um exemplo. Em virtude do que vimos no filme anterior, esperava-se uma luta bem mais consistente, empolgante, e isso acaba não ocorrendo. Temos aqui uma luta interessante, bem coreografada, mas que deveria ter sido mais bem trabalhada, principalmente do ponto de vista emocional, do que acabou sendo. Outra luta decepcionante é a ocorrida entre Obi-Wan Kenobi e o General Grievous, principalmente se levarmos em conta o interesse que a mesma nos desperta ao ficarmos sabendo que o segundo combatente, por possuir quatro braços, irá utilizar quatro sabres de luz simultaneamente, tornando a tarefa de derrotá-lo praticamente impossível ao destemido Jedi. No entanto, Kenobi derrota-o muito facilmente, o que torna a seqüência pouco emocionante. Por outro lado, as demais seqüências de ação envolvendo sabres de luz são fantásticas, em especial a mirabolante e empolgante luta entre Obi-Wan Kenobi e Anakin Skywalker, agora Lord Darth Vader. Simplesmente um dos mais empolgantes duelos já proporcionados pelo Cinema e que, infelizmente, devido à baixa tecnologia da época e orçamento nem tão estrondoso quanto o utilizado nos filmes atuais, viria a se repetir de um modo bem menos interessante durante o quarto episódio da saga. Devo destacar também a luta entre Mace Windu e Lord Darth Sidious cujos cuidados com o resultado final foram tantos que acabaram envolvendo 102 movimentos e três grandes salas para ser filmada.

A direção de arte, como já era de se esperar (uma vez que esta se revela o ponto alto de toda a trilogia), é, não menos, do que estupenda, e mais: é empregada aqui de maneira ainda mais eficiente do que havia sido empregada nos filmes anteriores. Repare na beleza plástica que é Coruscant à noite, ou no salão de ópera onde Anakin tem uma das conversas mais importantes do filme com o Senador Palpatine, ou no verde natural estonteante do Planeta Utapau e ainda na beleza vulcânica do Planeta Mustafar (a propósito, a direção de arte majestosa do cenário aqui engrandece ainda mais a magnífica e dramática luta de sabres entre Obi-Wan Kenobi e Darth Vader).

Os demais aspectos técnicos do longa também não decepcionam. A fotografia, como sempre, é belíssima e dá ainda mais realce aos fabulosos cenários criados pela estupenda direção de arte, a trilha-sonora engrandece ainda mais as seqüências de aventura, suspense e drama do filme e o figurino também é sensacional, bastante diversificado e riquíssimo em detalhes, algo que fertiliza ainda mais a magia por trás do longa.

As atuações, no entanto, decepcionam e, se comparadas a “O Ataque dos Clones”, empalidecem consideravelmente. Se por um lado Ian McDiarmid realiza um trabalho supremo ao assumir a pele do Senador Palpatine e do Lord Darth Sidious (sinceramente, não vejo melhor ator para cumprir tal função), por outro lado o excelente Christopher Lee aparece muito pouco e os demais atores, nem de longe, conseguem criar uma atuação tão marcante quanto a que ele realizou no longa anterior. Ewan McGregor, se revela um bom ator neste longa, mas falha em algumas cenas onde precisaria fazer uma entonação de voz mais dramática. Natalie Portman só atua de maneira definitivamente convincente ao final do filme, que é justamente quando o roteiro confere uma carga dramática muito mais forte a sua personagem. Nas demais cenas, a atriz jerusalense não adota uma carga dramática forte o bastante para fazer com que a sua personagem se aproxime do público.

E quanto à atuação de Hayden Christensen? Bem, digamos que esta merece um parágrafo único para ser comentada de forma mais aprofundada. Christensen realiza uma atuação bastante irregular no longa e, assim como as cenas de aventura e as artimanhas utilizadas pelo roteiro a fim de amarrar a trama, seu trabalho aqui alterna constantemente entra altos e baixos (só que, neste caso ao menos, devo dar mais ênfase à palavra “baixos” que à palavra “altos”). Note, por exemplo, a maneira artificial como ele emprega um tom de voz ridiculamente grave e sombrio quando diz: “___ Eu lhe ofereço o meu empenho em troca de vossos ensinamentos!”. Por outro lado, o ator canadense emprega, durante muitas cenas, a expressão de uma pessoa realmente frustrada, cujas esperanças naquilo que julgava ser o certo a se fazer se revelam cada vez mais nulas, escassas e minguantes. Contudo, faltou a Christensen mais talento, mais expressividade, mais dramatização em sua composição, faltou algo que realmente convencesse o público de que ele é Darth Vader, ele é a alma de toda a trilogia.

Preparando a finalização deste texto, comentarei sobre outro ponto que também alterna entre altos e baixos (sim, mais um, este filme definitivamente se revelou uma montanha russa artística): os diálogos. Ao mesmo tempo em que temos diálogos extremamente inteligentes do tipo “O Bem é apenas um ponto de vista” (algo que Lucas, voluntaria ou involuntariamente, extraiu de filosofia nieztschiana) e “Era para você trazer equilíbrio à Força, não jogá-la na escuridão”, Lucas quase joga seu roteiro no lixo com absurdos do tipo: “Não, você vai tentar me matar!” (resposta de Skywalker a Kenobi quando o segundo diz que irá matá-lo). Para piorar a situação, o tom de voz empregado por Christensen a fim de declamar tal oração é tão artificial que torna a cena ainda mais ridícula do que ela já seria por si só. Ah, e é claro que não poderíamos ficar sem o clássico
e clichê “Nããããããããããão!” proferido da maneira mais piegas o possível pelo protagonista.

Resumindo, “A Vingança dos Sith” é um filme que alterna entre altos e baixos, mas o saldo final acaba sendo incontestavelmente positivo. Utilizando algumas táticas incríveis a fim de preencher as lacunas deixadas em aberto na unificação da trilogia antiga com esta nova, Lucas se revela um roteirista de mão cheia, mas que erra gravemente algumas vezes, quando tenta, por exemplo, criar um motivo para que Anakin Skywalker opta-se por pender ao lado escuro da Força envolvendo a sua amada esposa. As seqüências de aventura são, em sua maioria, muito boas, mas decepcionam completamente o público em alguns casos. As atuações em sua maioria são boas (e nada além de boas), salvo Hayden Christensen que se mostra completamente irregular durante o filme inteiro. A parte técnica deste terceiro episódio é irretocável e o longa encerra a saga com maestria, servindo como uma perfeita ponte que dá liga as duas trilogias.

Ah, e como não poderia deixar de ser, encerrarei definitivamente este texto realizando um rápido comentário sobre a trilogia inteira. Diria, antes de tudo, que nenhum dos três episódios se revela dispensável, desnecessário ou fraco (conforme muitas pessoas dizem), muito pelo contrário, cada um possui a sua função. O primeiro trata de oferecer ligeiras explicações sobre vários pontos que viriam a ser abordados futuramente, tais como: o que vem a ser a Força, como fora a infância de Anakin Skywalker, como Obi-Wan Kenobi passou a treiná-lo e muitas outras coisas que ficariam completamente vagas sem este primeiro episódio. “Ataque dos Clones”, por sua vez, encarregou-se de explorar os personagens principais da trilogia, amarrar algumas pontas deixadas, propositadamente, em aberto pelo primeiro filme, iniciar (ainda que de maneira artificial) o importante romance entre Anakin e Padmé, e, acima de tudo, dar início à demonstração das falhas de caráter apresentadas pelo aprendiz de Obi-Wan Kenobi, fato que o levaria ao destino que teria de traçar em um futuro não muito distante. O terceiro episódio, finalmente, se revela o ponto alto da trama e preenche todas as lacunas deixadas em aberto pelos dois longas anteriores. A trilogia nova realmente não faz jus à antiga, mas ainda assim se mostra altamente importante para uma melhor compreensão daquela, além, é claro, de se revelar uma ótima experiência cinematográfica se fizermos um balanço geral da mesma.

Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.

Amigos, Amigos, Mulheres à Parte – * de *****

Estive pensando em utilizar esta pré-crítica para falar mal do título nacional conferido ao filme, uma vez que “A Garota de Meu Melhor Amigo” seria muito mais condizente com a obra em si do que o título que fora atribuído à mesma aqui no Brasil. Contudo, se assim o fizesse, estaria adotando esta atitude pela milésima vez apenas neste ano. Visto isso, comentarei a estranha expectativa que “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte” causou-me logo em seu início. Sábado fui ao Shopping Center de minha cidade (Jaú, Centro-Oeste paulista) conferir o novo “007” (série pela qual nutro um carinho especial, haja visto que a mesma colaborou imensamente para a minha formação como cinéfilo) e após o término desta sessão optei por assistir a um outro filme: “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”. Confesso que não esperava absolutamente nada do filme, mas logo em seu início cativei-me com o mesmo, apesar dos clichês que este poderia vir a ter caso mantivesse a mesma posição mostrada em seu primeiro ato. A comédia então muda de rumo, foge de alguns clichês que poderia vir a ter, mas infelizmente torna-se pior do que seria caso mantivesse a proposta apresentada em seu início. Moral da história: nem sempre é uma idéia inteligente fugir dos clichês de um determinado gênero cinematográfico, conforme o leitor poderá conferir na crítica a seguir.

Ficha Técnica:
Título Original: My Best Friend’s Girl.
Gênero: Comédia Romântica.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.mybestfriendsgirlmovie.com/
Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 101 minutos.
Diretor: Howard Deutch.
Roteirista: Jordan Cahan.
Elenco: Dane Cook (Tank), Kate Hudson (Alexis), Jason Biggs (Dustin), Alec Baldwin (Prof. Turner), Diora Baird (Rachel), Lizzy Caplan (Ami), Riki Lindhome (Hilary), Mini Anden (Lizzy), Hilary Pingle (Claire), Nate Torrence (Craig), Malcolm Barrett (Dwalu), Taran Killam (Josh) e Faye Grant (Kerrilee).
Sinopse: Dustin (Jason Biggs) é um rapaz tímido e retraído que ama Alexis (Kate Hudson), uma jovem bonita e meiga. Contudo, a moça, antes de assumir um relacionamento sério com o rapaz, pretende conhecer outros homens e adquirir mais experiência. A fim de fazer com que Alexis perceba que homens iguais a ele está cada vez mais difícil de se encontrar, Dustin pede para que o seu amigo Tank (Dane Cook) faça o que ele mais sabe fazer: conquistar o coração de pobres garotas e, logo em seguida, desprezá-las ao máximo. O plano dá certo, contudo, inexplicavelmente Alexis passa a nutrir um certo amor por Tank (apesar de considerá-lo um idiota), que passa a fazer sexo casual com a garota.

My Best Friend’s Girl – Trailer:

Crítica:

Quando “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte” teve o seu início, por um motivo que não sei dizer exatamente o porquê, me senti cativado com o mesmo. A impressão que tive foi a de que iria presenciar uma comédia romântica clichê, formulaica e previsível, mas, de certa forma, agradável. E por mais que eu seja um cruzado na luta contra os clichês cinematográficos, devo dizer que não julgo que um filme que conte com uma enxurrada deles deva ser automaticamente taxado de filme ruim (vide “O Procurado”, por exemplo).

Francamente, não me importo que um filme conte com alguns chavões, contanto que este saiba utilizar os mesmos para produzir algo decente, convincente e favorável a si mesmo. É o caso de “O Pai da Noiva” (refilmagem do clássico homônimo de 1950), com Steve Martin e Diane Keaton, por exemplo. O longa de 1991 conta com inúmeros clichês, mas se revela um passatempo divertido e atraente para toda a família. Por algum motivo, que não sei explicar ao leitor exatamente o qual seria, esperava isso deste “Amigos, Amigos…”: uma comédia bobinha, nada original, mas suficientemente agradável, destes típicos filminhos tolos onde o mocinho fica com a mocinha no desfecho e todos os espectadores saem do cinema com um parvo sorriso sem dentes, imaginando que a vida não é tão cruel o quanto parece ser e que no final tudo pode dar certo. Infelizmente estava enganado.

Logo no início da película somos apresentados ao casal Dustin (Jason Biggs) e Alexis (Kate Hudson). O primeiro, um jovem tímido, inseguro e, apesar do filme não explorar muito bem isto, aparentemente intelectual (digo isso levando em conta que o mesmo é vegetariano e as pessoas que seguem este padrão alimentar geralmente são dotadas de um intelecto acima do normal). A segunda, uma garota bonita, extrovertida, meiga, dotada de alguma inteligência, mas que mostra uma certa insegurança ao tomar suas decisões (ao contrário do que o filme pretende demonstrar durante o seu desenrolar, ela não é nem um pouco segura e decidida). Dustin ama Alexis e a garota sabe disso, no entanto, a mesma prefere manter um relacionamento apenas amigável com o rapaz até perceber que está matura o bastante para assumir um compromisso mais sério (no momento, a mesma estava apenas “ficando” com um colega de trabalho).

Analisando o parágrafo supra, pode-se previamente concluir que o longa irá investir nas tentativas de Dustin conquistar o coração de Alexis e que, no final, ambos viverão felizes para sempre. Isto é original? Nem um pouco, é fato, mas ainda assim cativei-me com a possível premissa do filme. Talvez seja porque tenha me interessado pela maneira como o roteiro preocupou-se em explorar de modo convincente os personagens logo em seu intróito, ou talvez seja porque tenha me cativado com as atuações de ambos os atores (podem atirar pedras em mim, mas creio que os dois se saíram muito bem), mas o mais provável é que eu tenha me identificado com a situação em que o rapaz se encontrava: estar apaixonado por uma grande amiga sua que sabe que seria feliz ao seu lado, mas que por um motivo muito estranho acaba se interessando por um colega de trabalho que ele julga ser um perfeito idiota (e de fato, o é. A propósito, é incrível (e revoltante, diga-se), vermos como as mulheres se interessam por caras completamente idiotas, não?).

A trama se desenvolve, toma outra rumo. Alexis desiste do “ficante”, Dustin faz uma outra tentativa, a garota insiste que precisa adquirir mais experiência, o jovem elabora um plano para fazer com que a mesma perceba que homens iguais a ele são raros hoje em dia. O personagem de Biggs decide então pedir para que o seu melhor amigo e companheiro de quarto Tank (Dane Cook) faça o que ele melhor sabe fazer: conquistar o coração de uma mulher, no caso Alexis, e depois despreza-la o máximo que puder. A partir daí a trama passa a caminhar de modo extremamente absurdo (existe coisa mais absurda do que pedir para o melhor amigo conquistar o coração da amada e depois despreza-la, fazendo-a notar que são raros os homens decentes no mundo?), mas não restam dúvidas de que o carisma e os trejeitos adotados por Cook acrescentam, e muito, à produção (podem atirar pedras em mim novamente).

O roteiro muda completamente o seu foco. O interessante Dustin deixa de ser o protagonista da trama, fazendo com que a mesma perca muito de sua força, mas ao menos passa a atribuir tal função a um personagem cuja irreverência e mal-caráter acabam cativando o público quase tanto o quanto o seu melhor amigo o fazia. Contudo, acontece o previsto, Tank sai com Alexis, prova a esta que é um tremendo de um imbecil egoísta, mas por algum motivo extremamente artificial, a garota passa a amar e odiar o rapaz simultaneamente, almejando manter com este um relacionamento descompromissado, fazendo apenas sexo casual com o mesmo.

A esta altura a trama já extrapola os limites do absurdo e do ridículo. Alexis, que se mostrava uma mulher contida, inexplicavelmente se torna uma, com o prévio perdão da palavra, biscate (peguei pesado, não? Desculpem, mas foi inevitável). O filme que aparentava ser uma comédia romântica redondinha, contendo apenas piadas corretinhas (salvo uma ou outra), vira um berço de piadas relacionadas a sexo. O que eu tenho contra estas piadas? Nada, absolutamente nada, contanto que sejam bem feitas e funcionem. Vide “Superbad- É Hoje!” para se ter uma idéia do que estou falando. O filme funciona muito bem justamente por ser um aglomerado de gags “sujas” e imorais, contudo, é correto afirmar que o roteiro do longa funciona muito bem com tais piadas. O mesmo não acontece com este “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”.

Mantendo a pretensão de ser engraçado e divertido o tempo todo, o único resultado que o longa consegue obter com o seu humor politicamente incorreto é apresentar ao leitor situações cômicas que já foram utilizadas de maneira parecida em filmes similares a este. Sendo assim, seqüências como as que Tank, durante uma aula de televendas, conversa com Alexis pelo telefone imaginando tratar-se de uma cliente insatisfeita, ou uma outra em que o mesmo leva uma moça evangélica à uma pizzaria que satiriza a Santa Ceia, provocando total repúdio à jovem (esta, aliás, uma cena deliciosamente imoral e que apenas eu, que sou ateu fanático, ri no cinema), se mostram raros exemplos de piadas que realmente funcionam bem.

Mas o longa, infelizmente, reservou o seu pior para o final. Após descobrir que Alexis está começando a se apaixonar por ele (e ele por ela), Tank, durante a festa de casamento da irmã da garota, decide bolar dez motivos para fazer com que a mesma definitivamente se esqueça dele. Aí o filme descamba de vez para um humor assumidamente pastelão e sem a menor graça, além de se mostrar nojento, imbecil e sexualmente apelativo. Nem mesmo a composição de Dane Cook (que até então vinha se revelando interessante e natural), nem mesmo o carisma de Alec Baldwin (que aparece na película interpretando um personagem altamente dispensável) e nem mesmo a boa impressão que o filme havia nos causado em seu início (graças às características de seu pré-protagonista (se é que este termo existe e pode ser bem empregado nesta parte do texto) Dustin, que simples e injustamente é abandonado pelo roteiro durante o desenrolar do mesmo e só volta no terceiro ato, da maneira mais insatisfatória o possível), se revelam capazes de salvar o filme do desastre total.

Pois é, nem sempre é uma boa idéia um filme desviar-se de seu foco inicial a fim de fugir da previsibilidade que este poderia conferir no final da trama. Na pior das hipóteses (que é o que acaba acontecendo neste “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”), o roteiro acaba fugindo de um desfecho convencional para cair em um outro quase tão convencional quanto, e o que é pior, aborrece o espectador e se mostra obrigado a aderir à mudanças de caráter para lá de artificiais a todos os seus protagonistas (nem mesmo o contido Dustin acaba escapando de tal mutação inconveniente proporcionada pelo roteiro, conforme o espectador poderá confirmar na cena inserida após o desfecho do filme).

Uma pena, em seu início aparentava ser um filme suficientemente divertido e agradável, apesar de tolo. Em seu desfecho, no entanto, revelou-se uma produção apenas tola, e nada mais.

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

Crítica – Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Estive pensando em fazer desta pré-crítica de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” uma espécie de editorial sobre algo que me chateou ligeiramente quando assisti a este filme no cinema. Antes de redigir tal editorial, conversei com um amigo meu sobre a pertinência de aprofundar-me em tal assunto ou não e ele comentou: “___ Isso será muito pedantismo de sua parte!”. Pensei uma, duas, três vezes e concluí que, pedantismo ou não, deveria escrever a respeito de uma forma ou de outra. Durante a sessão observei que fui a única pessoa na sala a rir de uma piada que o protagonista faz mencionando o nome do ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight Douglas Eisenhower (cujo mandato se iniciou em 1952 e, devido a uma reeleição, se estendeu a 1960), sendo que as demais pessoas ficaram quietas. O problema é que tais pessoas não ficaram quietas por não acharem graça na piada, mas sim pelo fato de nem ao menos saberem quem foi Eisenhower. Pensei comigo: “Hoje pela manhã todos comentavam sobre o jogo da seleção brasileira, mas por que o povo se importa tanto com a seleção brasileira? O que eles ganham com isso?”. E é uma verdadeira lástima que, um povo que se importa tanto com algo tão supérfluo quanto um jogo de futebol não saiba nem ao menos quem foi um dos personagens mais importantes da política estadunidense. Enfim, vamos ao filme, que é o que interessa.

Ficha Técnica:
Título Original: Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Gênero: Aventura
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.indianajones.com
Estúdio: Paramount Pictures / Lucasfilm / Santo Domingo Film & Music Video / Amblin Entertainment
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp, baseado em estória de George Lucas e Jeff Nathanson e nos personagens criados por George Lucas e Philip Kaufman
Produção: Frank Marshall
Música: John Williams
Fotografia: Janusz Kaminski
Desenho de Produção: Guy Dyas
Direção de Arte: Luke Freeborn, Lawrence A. Hubbs, Mark W. Mansbridge, Lauren E. Polizzi e Troy Sizemore
Figurino: Bernie Pollack e Mary Zophres
Edição: Michael Kahn
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / Gentle Giant Studios
Elenco: Harrison Ford (Indiana Jones), Shia LaBeouf (Mutt Williams), Cate Blanchett (Agente Irina Spalko), Karen Allen (Marion Ravenwood), John Hurt (Prof. Oxley), Ray Winstone (Mac), Jim Broadbent (Dean Stanforth), Ian McDiarmid (Prof. Levi), Igor Jijikine (Dovchenko) e Joel Stoffler (Agente Taylor).

Sinopse: 1957. Indiana Jones (Harrison Ford) e seu ajudante Mac (Ray Winstone) escapam por pouco de um encontro com agentes soviéticos, em um campo de pouso remoto. Agora Indiana está de volta à sua casa na Universidade Marshall, mas seu amigo e reitor da escola, Dean Stanforth (Jim Broadbent), explica que suas ações recentes o tornaram alvo de suspeita e que o governo está pressionando para que o demita. Ao deixar a cidade Indiana conhece o rebelde jovem Mutt Williams (Shia LaBeouf), que tem uma proposta: caso o ajude em uma missão Indiana pode deparar-se com a caveira de cristal de Akator. Agentes soviéticos também estão em busca do artefato, entre eles a fria e bela Irina Spalko (Cate Blanchett), cujo esquadrão de elite está cruzando o globo atrás da Caveira de Cristal.


Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull – Trailer

Crítica:

Após quase duas décadas de espera os fãs da série “Indiana Jones” têm a oportunidade de ir aos cinemas do mundo todo com um sorriso gigantesco no rosto. E tal sorriso pode ser justificado? Aí é que está, depende.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” parece ter sido um filme feito para os fãs, como se fosse mais uma forma de homenagear a trilogia produzida na década de 80 do que de fazer um filme propriamente dito. Sendo curto e grosso, este quarto episódio da saga dirigida por Steven Spielberg deve agradar apenas às pessoas que puderam acompanhar os outros três filmes antecessores e acabaram, de uma forma ou de outra, se identificando com o protagonista da mesma.

A estória não é das melhores e apesar de ser ligeiramente criativa e bem trabalhada, o roteiro parece não se importar em desenvolvê-la de um modo realmente interessante. A mesma apresenta algumas reviravoltas, traz surpresas interessantes, mas descamba de vez ao inserir uma trama alienígena em seu contexto (alienígenas são bem típicos da nerdice de Spielberg).

As seqüências de aventura/ação estão acima da média dos filmes do gênero, mas comparadas aos demais filmes da saga, acabam empalidecendo. É claro que a perseguição automobilística em meio à Floresta Amazônica (e será que alguém poderia informar aos roteiristas que não existem cataratas nesta região do globo terrestre?) é eletrizante, mas não ficará na memória do espectador da mesma forma que outras seqüências da série ficaram. Não temos aqui nada tão marcante quanto uma perseguição em diversos vagões de mina, ou uma perseguição em um caminhão ou até mesmo
uma perseguição aérea. O humor do filme também é muito bom, mas é outro quesito que faz muito feio se comparado aos demais episódios da trilogia da década de 80.

Voltando ao roteiro, o mesmo que apresenta uma estória interessante, embora não tão bem desenvolvida, se revela extremamente artificial durante vários de seus momentos, como o forçado romance entre Indiana Jones e Marion Ravenwood (sim, a mocinha do primeiro filme, interpretada pela mesma Karen Allen) que acabam reatando após um longo tempo separados e o grau de parentesco (revelado em meio à trama, de maneira desapropriada e brusca) entre o protagonista e o personagem Mutt Williams (e confesso que achei essa artimanha utilizada pelo roteiro tão artificial quanto a revelação do grau de parentesco entre Luke Skywalker e a princesa Lea no ótimo filme “Star Wars – Episódio VI – O Retorno de Jedi”).

E já que mencionei o personagem Mutt Williams, gostaria de dizer que durante o primeiro ato do filme tal figura é completamente irritante, assim como a composição do ator Shia LaBeouf, mas com o passar do tempo o roteiro vai moldando a estória para que este possa ir se firmando como o protagonista da mesma, mesmo que seja por poucos minutos (e não ficaria muito surpreso se os produtores da franquia lançassem um novo episódio onde o protagonista fosse justamente o personagem de LaBeouf), e o bem da verdade é que o garoto não faz feio, tendo em vista que ele tem melhores condições físicas que Jones para protagonizar certas seqüências de ação.

Finalizando, diria que este “O Reino da Caveira de Cristal” é um bom passatempo analisando-o individualmente, mas como exemplar da série “Indiana Jones” empalidece perante aos seus antecessores.

Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.

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Crítica – A Doce Vida

Antes de realizar a sua obra-prima “8 e ½”, Federico Fellini optou por abordar as diversas crises existenciais surgidas à mente de uma pessoa de maneira mais, digamos, descentralizada. “Isto é bom? ___ Me pergunta o leitor”. Não sei dizer se é bom ou se é ruim. Nesta obra felliniana o resultado se mostra extremamente interessante, mas percebo que se tais crises fossem distribuídas em menos personagens, teríamos um estudo mais interessante e menos confuso das mesmas, assim como acontece em filmes sensacionais como “Clube da Luta”, “Beleza Americana”, “Taxi Driver”, “Cidadão Kane”, “Crepúsculo dos Deuses” e, é claro, o próprio “8 e ½”. Não que em “A Doce Vida” tais estudos psicológicos sejam necessariamente mal distribuídos entre seus personagens, mas é fato que, se o longa contasse com menos pessoas em cena, teríamos a chance de encontrar algo ainda mais amplo e complexo do que nos fôra apresentado.


Ficha Técnica:
Título Original: La Dolce Vita
Gênero:
Drama
Tempo de Duração:
167 minutos
Ano de Lançamento (Itália):
1960
Estúdio:
Riama Film / Société Nationale Pathé Cinéma / Pathé Consortium Cinéma / Gray-Film
Distribuição: Astor Pictures Corporation
Direção:
Federico Fellini
Roteiro:
Federico Fellini, Ennio Flaiano, Tullio Pinelli e Brunello Rondi
Produção:
Giuseppe Amato e Angelo Rizzoli
Música:
Nino Rota
Fotografia:
Otello Martelli
Desenho de Produção:
Piero Gherardi
Figurino:
Piero Gherardi
Edição:
Leo Cattozzo
Elenco: Marcello Mastroianni (Marcello Rubini), Yvonne Furneaux (Emma), Walter Santesso (Paparazzo), Anita Ekberg (Sylvia Rank), Annibale Ninchi (Pai de Marcello), Anouk Aimée (Maddalena), Magali Noël (Fanny), Alain Cuny (Steiner), Valeria Ciangottini (Paola), Riccardo Garrone (Riccardo), Ida Galli (Debutante do Ano), Audrey McDonald (Sonia), Alain Dijon (Frankie Stout) e Lex Barker (Robert).

Sinopse: Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) é um repórter de um jornal sensacionalista que passa a questionar sua vida quando conhece uma linda atriz de Hollywood. A partir daí, todos os acontecimentos à sua volta passam a ser tratados como um estudo até onde a futilidade humana pode chegar a fim de preencher o profundo vazio dentro das pessoas.

La Dolce Vita Trailer

Crítica:

Provavelmente, não há nada que cause mais desânimo em uma pessoa do que o vazio emocional, intelectual e, até mesmo, espiritual provocado pelo cotidiano da mesma. Por este motivo nos apegamos às mais variadas formas de preencher tal “vazio” a fim de encontrarmos um propósito para seguir com nossas vidas adiante. Mas será que conseguimos preencher tal vazio da maneira correta? Será que o fazemos de modo satisfatório, ou seja, de um modo onde este “buraco” realmente seja preenchido a ponto de não causar mais constantes insatisfações pessoais? Foi baseado nestes questionamentos que Federico Fellini realizou “A Doce Vida”. Contando com diversas historietas exibidas de maneira linear, ininterruptas e protagonizadas pelo mesmíssimo personagem, que Fellini dispara dardos carregados do mais pesado e letal veneno contra as futilidades adotadas pelas pessoas com o intento de preencher o profundo vazio que tanto as inquietam. O diretor mais importante da história do Cinema europeu sabe perfeitamente como conduzir a estória de modo com que os, aproximadamente, 165 minutos de projeção se tornem cansativos e enfadonhos pouquíssimas vezes, mas não há como negar que, ao disparar tiros para todos os lados o filme se mostra desconexo algumas vezes e, o que é pior, o excesso de personagens contidos no roteiro faz com que o mesmo não consiga dar merecida atenção a seus personagens mais interessantes, dentre os quais eu destaco Sylvia Rank, interpretada por uma Anita Ekberg estonteantemente formosa e que ficou imortalizada pelo banho com roupa tomado na Fonte de Trevi (uma das mais clássicas cenas da história do Cinema e que representa a busca do ser humano pelos seus instintos naturais e libertários). No mais, o longa dá provas de sua eficiência retratando as mais fúteis maneiras como o ser humano preenche o vazio em sua vida, através de bens materiais, popularidade, auto-afirmação social, ascensão profissional, relacionamentos amorosos artificiais, consumo de drogas (no caso, o álcool), conversações infrutíferas e, acima de tudo, o sexo sem propósito.

Avaliação Final: 8,8 na escala de 10,0.

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Cine-phylum – A Evolução da Espécie

Pois é, passados mais de dois meses desde a criação do blog decidi efetuar algo que já deveria ter efetuado há muito tempo atrás: a apresentação do mesmo.
A verdade é que até agora eu falei, falei, falei e não falei nada. Não disse de onde surgiu a idéia de construir o Cine-phylum, não disse qual seria o propósito do mesmo, não disse qual seria o maior foco do mesmo, não disse nada sobre mim, enfim, definitivamente, não disse nada que fugisse às críticas de minha autoria.
Comecemos então por este que vos escreve. Desde que me dou por ser vivo e habitante do planeta Terra, nutri algum interesse pelo Cinema vindo, especialmente, de meu pai. Coincidentemente, o progenitor deste sempre estimulou-o a cultivar a Sétima Arte.
Meu pai nasceu e viveu praticamente metade de sua vida em uma cidade bastante pequena do Centro-Oeste paulista. Sempre esteve ligado à natureza, assim como a grande maioria das pessoas daquela época, mas também sempre esteve ligado ao meu avô. Este que, por sua vez, era gerente e bilheteiro do único cinema do município.
Por este motivo, meu pai possuía o privilégio de adentrar a sala do cinema todos os dias e foi através desta certa “vantagem” que ele se apegou veementemente à Sétima Arte.
Desde que dei as caras a este mundo o meu progenitor vem me instigando ao gosto pelas produções cinematográficas. Segundo ele, o primeiro filme a que assisti em um Cinema fôra “Os Trapalhões e o Mágico de Oroz”, quando possuía apenas 2 anos de idade.
No entanto, este incentivo à adoração e devoção à Sétima Arte vem de um ano atrás. De acordo com as memórias de meu pai, o primeiro filme a que assisti foi “Sansão e Dalila” (de 1949 dirigido por ninguém mais ninguém menos que Cecil B. De Mille) quando tinha pouco mais de 1 ano. Até hoje ele se lembra com perfeição de meu entusiasmo enquanto assistia (e torcia, diga-se) à cena onde Sansão demole o Templo de Dagon com a sua incrível força (creio que desde aquela época eu era niilista e a favor da inutilização de templos religiosos).
Minha adoração por Cinema veio a se concretizar em 1990 (tinha 6 anos na época), quando assisti pela primeira vez a “De Volta Para o Futuro – Parte I” (de 1985 dirigido por Robert Zemeckis). Me tornei fã incondicional da série quando assisti ao segundo episódio e mais fã ainda quando tive o prazer de, no mesmo ano em que assisti ao primeiro longa da série, assistir ao terceiro e último episódio da saga de Martin McFly e Doc. Brown.
Desde então, ao mesmo tempo em que demonstrara um amor fora do comum pela Sétima Arte, por incrível que pareça, tive a minha decadência como cinéfilo. Tudo para mim cheirava “De Volta Para o Futuro”, respirava “De Volta Para o Futuro” (para se ter uma idéia, tomava cerca de seis latas de Pepsi dietética por dia, altamente influenciado pelo personagem de Michael J. Fox no filme), minha visão de Cinema se focava apenas em “De Volta Para o Futuro”.
Mas o tempo passou e eu enjoei do filme (como não poderia deixar de ser) a ponto de me tornar mais eclético e me permitir conferir muitas outras produções cinematográficas, a maioria com pouco conteúdo, diga-se a verdade. Passei anos assistindo a filmes que pouco me cativavam, pois a maioria deles eram todos produções fracas do ponto de vista artístico. Tornei-me fã incondicional das produções de Jerry Bruckheimer e filmes como “A Rocha” e “Con-Air” (a propósito, estes dois filmes marcaram muito a minha adolescência quando fui conferi-los no Cinema, assim como “Velocidade Máxima”, “A Outra Face”, “Debi & Lóide”, “007 Contra Goldeneye”, “007 – O Amanhã Nunca Morre” e, acreditem, “Titanic”, que hoje eu simplesmente o considero altamente superestimado) figuravam facilmente em meu “Top 10” (nada contra estes filmes, pois adoro a maioria deles até hoje, mas não são dignos de se figurar na lista de melhores filmes de um cinéfilo). Mas passou-se o tempo e, como era de se esperar, abandonei de vez o meu gosto pelo Cinema, substituindo-o pela Música, Pintura e Literatura, principalmente Filosofia e obras literárias contemporâneas provenientes da Inglaterra.
Dentre os livros contemporâneos ingleses, um de meus favoritos era a grande obra-prima de Tolkien, a trilogia – “O Senhor dos Anéis”. Foi em 2001, quando soube da readaptação desta obra para a Sétima Arte que corri ao cinema mais próximo a fim de conferi-la e o resultado não pôde ser diferente: amei ao filme.
Havia voltado a idolatrar o Cinema mais do que qualquer outra manifestação artística, mas estava disposto a ir além, muito além, de me firmar apenas em “O Senhor dos Anéis”. Em 2003, tive a oportunidade de conferir, aconselhado por um colega de faculdade formado em Artes Cinematográficas pela USP, a grande obra-prima de David Fincher: “Clube da Luta”. Tendo em vista que na época eu era (e ainda sou, mais do que nunca, diga-se) fortemente influenciado pelos ideais “nieztschianos” de niilismo, é óbvio que adorei o filme e decidira, definitivamente, me tornar cinéfilo e voltar a assistir cada vez mais aos mais diversos tipos de filme, a fim de encontrar nestes algo tão sensacional quanto havia encontrado nos longas de Peter Jackson e David Fincher.
Passei praticamente o ano de 2004 inteiro assistindo a produções recentes, mas nenhuma saciava meu prazer artístico de maneira tão brilhante quanto “O Senhor dos Anéis” e “Clube da Luta” o fizera (salvo “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” que, mesmo sendo demasiadamente comercial, foi um dos longas que mais me incentivou a continuar assistindo a filmes). Foi aí que, em 2005, decidi dar mais ênfase às produções mais antigas, os chamados “Clássicos”. Contudo, para alguém que mora em uma cidade no interior de São Paulo fica difícil ter acesso a filmes antigos. Por este motivo, optei por instalar uma internet com conexão banda larga em minha casa, pois desta forma teria acesso aos filmes que, outrora, não chegavam até mim de outra forma.
Desde então tenho assistido a muitas produções as quais antes não tinha o menor acesso. Obras-primas como “Cidadão Kane”, “Casablanca”, “O Morro dos Ventos Uivantes”, “Laranja Mecânica”, “Amadeus”, “Taxi Driver”, “Um Cão Andaluz”, “Crepúsculo dos Deuses”, “A Primeira Noite de um Homem” e é claro, “O Poderoso Chefão” e “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, filmes que, respectivamente, ocupam a 1ª e 2ª posição em meu Top 10.
Foi em meados de 2005, no entanto, que mesclei dois de meus passatempos prediletos, assistir a filmes e escrever (quando possuía cinco anos de idade tinha mania de escrever histórias em quadrinhos) e decidi arriscar algumas críticas cinematográficas de minha autoria.
O tempo passava e cada vez mais escrevia os mais diversos tipos de críticas, em diversos tamanhos e formatos, até que resolvi padronizá-las no formato em que as posto aqui no Cine-phylum (exatas 25 linhas de Word, espaçamento entre linhas: 1,5, entre outras firulas neuróticas e sistemáticas adotadas por mim).
Ah sim, falando no Cine-phylum, ainda não expliquei a que este veio e como veio. Comecemos pelo “como veio”. Em meados de 2006 estava cansado de escrever tais críticas apenas para mim mesmo. Aproveitei que as tinha todas salvas em uma pasta específica de meu computador e passei a publicá-las periodicamente em comunidades do Orkut destinadas a este tipo de atividade. Nunca nutri a menor esperança que as pessoas se interessassem pelas mesmas, mas com o passar do tempo alguns membros de tais comunidades passaram a me procurar. Uns me elogiavam, outros me criticavam, mas na grande maioria das vezes, me procuravam para debater sobre determinado filme.
Entretanto, não restam dúvidas de que o Orkut é bastante limitado e pouco específico para abrigar este tipo de publicação. Decidi então criar um blog que se dedicasse única e exclusivamente a falar de Cinema, principalmente de críticas cinematográficas.
Apoiado por amigos reais e virtuais (dentre os quais cito o Radamés, mais novo colaborador do Cine-phylum) a criar tal blog, decidi por as mãos na massa. Mas como se chamaria tal blog? A palavra “cinéfilo” não saia de minha cabeça, precisava utilizá-la de alguma forma, mas como? Pensei nesta mesma palavra pronunciada em vários idiomas e qual seria o mais interessante para empregá-la? Concluí que seria o latim, pois assim seria plausível realizar um trocadilho com a mesma. Portanto, ficou “Cine-phylum”, estando a palavra “Cine” ligada ao Cinema e “phylum” ligada à filo, palavra muito utilizada nas cadeias evolutivas das mais diversas famílias de animais.
Ficou, portanto, “Cine-phylum – A Evolução da Espécie”. Um título ligeiramente megalomaníaco, a princípio, mas que viria a se tornar bastante condizente com a proposta do blog, ou seja, analisar o Cinema apresentando resenhas de filmes que marcaram o seu início até os dias atuais.
E já que citei a proposta do blog, vale dizer também que um dos intentos do Cine-phylum é valorizar o Cinema como arte. Contando com textos simples, compactos e de fácil leitura, a minha intenção com a criação deste blog sempre fôra instigar ou incentivar os leitores do mesmo a assistir aos filmes que comento (agora, não só eu, como também o Ricardo e o Radamés). Seria uma tentativa de resgatar o antigo Cinema, fazer com que o tempo não destruísse as mesmas, pelo contrário, as conservasse cada vez mais interessantes e importantes para um estudo da arte, ou utilizando o contexto do blog, para a evolução do Cinema, para a evolução da espécie.
Se a proposta dará certo? Isto, somente o tempo irá dizer.

Muitíssimo Obrigado a todos (as) e um fortíssimo abraço.

Daniel Esteves de Barros – Editor do “Cine-phylum”.

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Crítica – Juventude Transviada

Sou fã incondicional de filmes cujos protagonistas são pessoas subversivas que desafiam todo e qualquer dogma imposto pela sociedade e, apesar deste “Juventude Transviada” estar longe de merecer ser um marco na história do Cinema, o mesmo é, inquestionavelmente, ousado e realista, principalmente nas cenas em que se propõe a retratar a futilidade dos jovens perdidos nas entrelinhas do “American way–of–life” durante os anos 50. Longe de ser tão profundo quanto outros filmes do mesmo estilo, tais como: “Clube da Luta”, “Laranja Mecânica” ou “Easy Rider – Sem Destino”, o longa protagonizado por “James Dean” merece tanto respeito quanto estes, afinal de contas, ele foi a fonte inspiradora deste estilo de filme.

Título Original: Rebel Without a Cause
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 111 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1955
Estúdio: Warner Bros.
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Nicholas Ray
Roteiro: Stewart Stern, baseado em estória de Nicholas Ray
Produção: David Weisbart
Música: Leonard Rosenman
Fotografia: Ernest Haller
Desenho de Produção: Malcolm C. Bert
Direção de Arte: Malcolm C. Bert
Figurino: Moss Mabry
Edição: William H. Ziegler
Elenco: James Dean (Jim Stark), Natalie Wood (Judy), Sal Mineo (John Crawford), Jim Backus (Frank Stark), Ann Doran (Sra. Stark), Corey Allen (Buzz Gunderson), William Hopper (Pai de Judy), Rochelle Hudson (Mãe de Judy), Dennis Hopper (Goon), Edward Platt (Ray Fremick), Steffi Sidney (Mil), Marietta Candy (Enfermeira) e Frank Mazzola (Crunch).

Sinopse: Jim Stark (James Dean) é um encrenqueiro, que fez os pais se mudarem de uma cidade para outra até se fixarem em Los Angeles, que é preso de madrugada por embriaguez e desordem. No distrito policial está Judy (Natalie Wood), uma jovem que está revoltada com o pai, que a chamou de vagabunda imunda por ter se maquiado. Lá está também um rapaz, John Crawford (Sal Mineo), mais conhecido como Platão, que atirou em alguns cães. Um compreensivo policial entende que Jim recebe em casa apenas um amor superficial dos seus pais, e que Jim nunca aceitou que seu pai seja totalmente submisso à sua mãe. Enquanto Jim espera na delegacia pelos pais, que tiveram de cancelar um compromisso social para tirá-lo da prisão, ele tem um rápido contato com Judy e Platão. Após ser libertado parecia que tudo estava resolvido, mas ao tentar fazer amizade na manhã seguinte com sua jovem vizinha, a própria Judy, cria um desentendimento com Buzz (Corey Allen), que namora Judy e é o líder de uma gangue do colégio. Esta rivalidade vai gerar algumas situações com trágicas conseqüências.

Rebel Without a Cause – Trailer

Crítica:

Uma das características de uma crítica cinematográfica é a coerência dela com o filme e o período em que o mesmo fôra produzido. Este “Juventude Transviada” é um exemplo nato disso. À primeira vista, o longa soa um tanto o quanto simplório e sem atrativos para quem o assiste nos dias de hoje, mas se o analisarmos na época de seu lançamento poderemos notar o porquê do mesmo ter causado tanta polêmica. Afinal de contas, na década de 50 as pessoas não estavam acostumadas a irem ao cinema ver um garoto de aproximadamente 12 anos usar uma arma para matar uma pessoa, ou um grupo de jovens dispostos a roubar automóveis para disputar rachas, ou ainda acompanhar as façanhas de um protagonista politicamente incorreto que gosta de perder o seu tempo brigando e fazendo inimizades voluntariamente. Enfim, não é de se estranhar que peculiaridades deste tipo conseguissem chocar veementemente a mídia e o público em plenos anos 50, onde a grande maioria das pessoas era moralista e filmes como “Laranja Mecânica”, “Easy Rider – Sem Destino” e “Clube da Luta” nem sequer sonhavam em visitar as mentes dos produtores cinematográficos a fim de ganhar a autorização e o financiamento dos mesmos para serem realizados. É justamente por este motivo que, no intróito desta crítica, mencionei a importância de uma análise cinematográfica ser sempre coerente com a data de produção do filme, para que assim possamos evitar certas injustiças, como dizer que “Juventude Transviada” não passa de um filme que retrata a rebeldia dos jovens da maneira mais simplória o possível, coisa que, para a época, não era nada simples. Entretanto, o filme brilhantemente protagonizado por “James Dean” conta com alguns defeitos que, mesmo na década de 50, poderiam ser tomados como fatores para uma avaliação negativa: os famosos clichês, que inundam a tela durante a primeira metade do filme. Mas se por um lado o longa transborda de clichês e estereótipos, por outro lado ele oferece um esboço fantástico da juventude fútil que se perdera nas entrelinhas do “American way–of–life”.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

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