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Crítica – Yojimbo, o Guarda-Costas
Detesto passar pela sensação a qual estou passando agora, após terminar de assistir a este “Yojimbo”. Não, nada pessoal contra o filme, que por sinal é excelente, mas sim quanto ao fato de ter de avaliá-lo do ponto de vista artístico. Só para citar um exemplo, quando escrevi uma crítica sobre “Platoon” (nunca cheguei a publicar tal crítica) mencionei na mesma que achava o filme fabuloso, perfeito, mas artisticamente falando o mesmo possuía algumas falhas e estas não poderiam passar batidas. O mesmo ocorre com este “Yojimbo”, com a diferença de que, desta vez, darei ao mesmo uma nota mais alta do que eu acredito que ele mereça. O pior de tudo é que estou fazendo isto me espelhando no remake que Sergio Leone lançou em cima do filme de Kurosawa, o clássico de western “Por um Punhado de Dólares”. Reconheço que este “Yojimbo”, artisticamente falando, é superior ao longa protagonizado por Clint Eastwood, mas do ponto de vista pessoal, considero o filme italiano bem mais cativante (mesmo atribuindo nota 8,5 para este e nota 9,0 para a produção japonês). Enfim, estes são os ossos do ofício, não é sempre que se pode ser extremamente subjetivo, não é mesmo?
Sinopse: Ao chegar em um vilarejo no Japão tomado por duas facções criminosas, um destemido Samurai vê ali a oportunidade de ganhar muito dinheiro, trabalhando secretamente para as duas organizações. A partir daí, a rivalidade entre as duas gangues aumenta cada vez mais, mudando o destino dos habitantes do vilarejo de forma irreversível.
Crítica:
Após chegar a um vilarejo tomado por duas organizações criminosas, um mercenário vê ali a oportunidade de ganhar muito dinheiro realizando trabalhos sujos às duas facções e colocando uma contra a outra. A estória soa familiar? Pois é, ela já fôra utilizada inúmeras vezes pelo Cinema, inclusive em filmes como o western “Por um Punhado de Dólares” (de Sergio Leone e com Clint Eastwood no elenco) e o gangster “O Último Matador” (protagonizado por Bruce Willis). Contudo, este “Yojimbo” conta com uma característica que o coloca a frente dos demais filmes com a mesma sinopse, foi ele o primeiro filme a utilizá-la.
Fazendo uso de uma direção de arte fantástica, a obra (não necessariamente “prima”) de Kurosawa nos transporta ao Japão do início do Século XIX, em uma vila paupérrima, onde duas grandes famílias criminosas controlam o local. Contudo, a pequena vila sofre uma série de mudanças com a chegada de um samurai forte e destemido. A partir daí, o roteiro nos presenteia com uma seqüência de reviravoltas bastante convenientes e uma estória interessante o bastante para nos manter entretidos até o desfecho da mesma.
Além da estória atraente e das reviravoltas que a mesma possui, o roteiro deste “Yojimbo” ainda conta com um desenvolvimento bastante interessante de seus personagens, tanto os primários quanto os secundários. Tomemos por exemplo o protagonista da estória, Sanjuro Kuwabatake (encarnado por Toshirô Mifune). Apesar de o mesmo conter vários dos clichês do gênero, tais como: a face inexpressiva, o jeitão de durão e a frieza adotada para tomar suas atitudes (isso sem contar que ele sozinho se mostra capaz de matar oito homens de uma única vez), o personagem, vez ou outra, demonstra uma ponta de humanismo em seu gélido coração ou então realiza uma piada satirizando a situação pela qual está passando, fato que torna o personagem mais, digamos, humano.
O desenvolvimento da rivalidade entre as famílias de Seibei (interpretado por Seizaburô Kawazu) e Ushitora (Kyu Sazanka) também é outro ponto extremamente salientado pelo roteiro, que parece fazer a máxima questão de manter o espectador informado sobre tudo o que está acontecendo entre ambas as facções, sem dar prioridade a uma ou a outra (diferentemente de “Por um Punhado de Dólares” que dá muito mais crédito à família dos Rojos do que à família dos Baxters).
A direção de Akira Kurosawa, como sempre, está perfeita. É incrível vermos como o diretor é capaz de criar ângulos excepcionais com a sua câmera e mais impressionante ainda é podermos notar a maneira eficiente com que ele “casa” diversos aspectos do longa, fazendo com que todos andem em perfeita harmonia. Ou melhor, todos não, quase todos.
Disse “quase todos” pois a trilha-sonora infelizmente é falha, além de repetitiva e cansativa. Para um filme desta categoria, Kurosawa deveria ao menos ter sido mais cuidadoso na escolha da trilha, esta que vem a ser uma das características que, indubitavelmente, mais colaboram com a relação público-película, e ter selecionado algo mais cativante e empolgante.
Os demais aspectos que não comentei neste texto são todos perfeitos, realçando a fotografia que dá ainda mais charme ao filme que, apesar de não ser perfeito, é um marco na história da Sétima Arte, tanto que ganhou vários remakes que, artisticamente falando, não superam o mesmo.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
Crítica – Os Indomáveis
Uma das grandes injustiças do Oscar deste ano parece ter sido a triste esnobada dos membros da Academia em relação a este ótimo “Os Indomáveis” (mais uma vez digo que nada tenho contra títulos nacionais, mas este é mais um exemplo onde o título original seria muito mais condizente com o filme em si) às categorias principais. Filmes como “Sangue Negro” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” se revelaram exemplos bem sucedidos (sobretudo o primeiro) da volta dos westerns às telonas, mas vale lembrar que ambos não podem ser considerados necessariamente filmes de ação e/ou aventura, mas sim dramas. Um clássico exemplo contemporâneo de western a lá Sergio Leone e John Ford é este “Os Indomáveis”, um filme de ação que, mesmo com seus defeitos, fica bem acima da média e prova que o gênero ainda tem muito a oferecer a Sétima Arte.
Ficha Técnica: Em Andamento
Sinopse: Daniel Evans (Christian Bale) é um jovem rancheiro escolhido pelo xerife para escoltar Ben Wade (Russel Crowe), um perigoso líder de uma gangue, até o tribunal de Yuma, no Colorado. Mas ao chegar lá, o rapaz é surpreendido pelo bando do criminoso disposto a tudo para libertá-lo. A partir daí, é iniciada uma forte batalha entre as gangues rivais.
Crítica:
Um grande problema ao se adaptar um filme relativamente antigo nos dias atuais está na maneira como o original envelheceu com o passar do tempo. Nunca assisti a “Galante e Sanguinário” (filme que servira de inspiração a este “Os Indomáveis”), mas certamente o longa não envelhecera bem o bastante (não se ouve falar tanto dele quanto de outros westerns) a ponto de receber uma adaptação perfeita do ponto de vista artístico. Aquilo que poderia passar despercebido na década de 50, soa como clichê nos dias de hoje. Aquilo que aparentava ser uma sinopse bastante interessante na década de 50, soa extremamente batida atualmente (tanto que nos últimos anos, sinopses semelhantes foram utilizadas em vários outros filmes). “Os Indomáveis”, infelizmente, sofre destes graves problemas que parecem ter se aflorado na obra antes mesmo desta ter o seu argumento concluído. Por outro lado, o longa foi cuidadosamente trabalhado em todos os seus aspectos, variando desde a Direção de Arte e Fotografia que nos introduzem a um oeste longínquo sujo, primitivo e violento, às fantásticas atuações de Russel Crowe e Christian Bale (sobretudo o primeiro que encarna seu personagem com uma naturalidade invejável) que não só duelam com armas como também com diálogos para lá de inteligentes e dinâmicos (“___Malditos trens! Nunca se pode confiar neles, não é?”, um diálogo que, dentro do contexto da obra, se encaixa muitíssimo bem). O desenvolvimento de seus personagens também é extremamente bem feito. Em um filme menos inteligente (lembrei-me de “16 Quadras” agora), teríamos apenas um protagonista que almeja transportar um prisioneiro de um lugar para o outro e receber a recompensa pelo serviço. Aqui, a dinâmica entre protagonista e prisioneiro é trabalhada com muito cuidado, uma vez que o passado de ambos vai sendo revelado aos poucos, fazendo com que, além de nos apegarmos aos mesmos, descubramos o porquê de suas crises atuais. O longa conta com um final deveras imprevisível, mas que, infelizmente, nos apresenta a uma mudança para lá de artificial no caráter do antagonista.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
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