Posts Tagged ‘Akiva Goldsman’

Anjos & Demônios – *** de *****

Serei honesto e sucinto aqui: nunca li livro algum escrito por Dan Brown e nem ao menos assisti a “O Código da Vinci” (e posso dizer com certeza que não perdi nada com isso, muito pelo contrário. Perderia algo se deixasse, por exemplo, de ler um livro escrito por Schopenhauer ou de assistir a um filme dirigido por Bresson) e nem me interessa faze-los durante algum dos longos dias que ainda me restam de vida. O motivo? Simples, várias das pessoas mais estúpidas, alienadas e descartáveis que conheci em toda a minha existência são fãs inveteradas de Dan Brown e, consequentemente, do filme que teve a sua origem baseada no livro que lhe concebeu toda essa fama superestimada (e é óbvio que não menciono isso generalizando ninguém, até mesmo porque, conheço também muitas pessoas inteligentes e notáveis que também são fãs incondicionais de Dan Brown). Levando tudo isso em conta, por que eu iria perder o meu precioso tempo com tamanha bobagem, se posso dedicá-lo à filosofia alemã, ou seja, à filosofia responsável pelo surgimento dos dois sistemas econômicos mais fortes já criados: o comunismo e o nazismo (que, sejamos francos, só não derrotaram o capitalismo pois foram poucos os países que tiveram a audácia de adota-los)? Mas no fim das contas eu até que considerei “Anjos & Demônios” um filme interessante, apesar de ser unicamente bom e nada mais.


Ficha Técnica:
Título Original: Angels & Demons.
Gênero: Suspense.
Tempo de Duração: 138 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.anjosedemoniosofilme.com.br/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Ron Howard.
Roteiro: David Koepp e Akiva Goldsman, baseado em livro de Dan Brown.
Elenco: Tom Hanks (Robert Langdon), Ewan McGregor (Camerlengo Patrick McKenna), Ayelet Zurer (Vittoria Vetra), Nikolaj Lie Kaas (Assassino), Stellan Skarsgard (Comandante Richter), Pierfrancesco Favino (Inspetor Olivetti), Armin Mueller-Stahl (Cardeal Strauss), Thure Lindhardt (Chartrand), David Pasquesi (Claudio Vincenzi), Cosimo Fusco (Padre Simeon), Victor Alfieri (Tenente Valenti), Franklin Amobi (Cardeal Lamasse), Curt Lowens (Cardeal Ebner), Bob Yerkes (Cardeal Guidera), Marc Fiorini (Cardeal Baggia), Howard Mungo (Cardeal Yoruba), Rance Howard (Cardeal Beck), Steve Franken (Cardeal Colbert), Gino Conforti (Cardeal Pugini), Elya Baskin (Cardeal Petrov), Carmen Argenziano (Silvano Bentivoglio) e Thomas Morris (Urs Weber).

Sinopse: O professor de simbologia Robert Langdon (Tom Hanks), depois de decifrar o código DaVinci, é chamado pelo Vaticano para investigar o misterioso desaparecimento de quatro cardeais. Agora, além de enfrentar a resistência da própria igreja em ajudá-lo nos detalhes de sua investigação, Langdon precisa decifrar charadas numa verdadeira corrida contra o tempo porque a sociedade secreta por trás do crime em andamento tem planos de explodir o Vaticano. (Roberto Cunha).

Fonte Sinopse: Adoro Cinema

Angels & Demons – Trailer:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=povVnZaCMiM&hl=pt-br&fs=1]

Crítica:

Dan Brown é considerado um terrível engodo de acordo com a opinião de inúmeros críticos literários espalhados pelo mundo todo. Seus livros, segundo tais jornalistas, são dotados de muita criatividade e conseguem cumprir o objetivo de entreter o seu público alvo, mas suas estórias geralmente acabam dando origem a situações que beiram o absurdo. Isso sem contar, é claro, que as obras de sua autoria são escritas com uma incompetência estilística fora do comum, além de contarem com uma pobreza literária terrível. Pois conforme mencionei na pré-crítica deste filme, não li, e nem pretendo ler, qualquer um de seus livros que seja, mas se tomar por base este “Anjos & Demônios”, posso dizer que a descrição tecida pelos meus colegas de profissão da outra vertente artística encaixa-se perfeitamente nesta obra cinematográfica.

Criatividade é algo que não falta no filme “Anjos & Demônios”, muito pelo contrário, eu diria que até sobra. Sim, sobra, pois o roteiro, com o prévio perdão pela gíria que virá a ser empregada, “viaja na maionese”. Não, em momento algum “viajar na maionese” precisa ser necessariamente encarado como um defeito do longa, ao menos não desse longa em questão. A trama é, de fato, muito original, embora muitas vezes extrapole as margens do que tomamos por verossímil. A produção se mostra gritantemente artificial em alguns pontos, mas não há como não nos cativarmos com a mesma, nem que seja apenas para ver até quando o roteiro conseguirá sustentar-se com uma trama tão “viajada” (estou empregando gírias demais nesse texto, não?) quanto esta daqui.

Mas se por um lado a trama é “viajada”
demais (leia-se (exclusivamente neste caso), criativa em excesso), por outro lado o diretor Ron Howard se perde visivelmente durante a condução da mesma. Além do cineasta raramente movimentar a sua câmera no decurso do filme, quando ele finalmente decide o fazer realiza um trabalho digno de lamentações, uma vez que perde completamente o foco daquilo que está tentando filmar (algo que deve ser execrado ao máximo neste caso, pois estamos diante de uma obra de suspense e o jogo de movimentação de câmeras pode, ou não (como acontece aqui), ser fundamental para conferir à trama a intensidade a qual a mesma precisa para funcionar corretamente).

E não só a mão pesada de Howard atrapalha no desenvolvimento do filme, como também a insegurança do diretor. Aliás, sua direção se revela tão insegura aqui que, na certeza que o próprio cineasta parece ter de que não está conseguindo criar um clima de suspense imprescindível à obra, acaba empregando uma trilha sonora para lá de maniqueísta para tal. A propósito, há muito tempo não assistia a uma tergiversação tão grande para que se fosse adotado tão evidentemente o emprego de cantos gregorianos a todo o instante. A trilha sonora de “Anjos & Demônios” acaba, infelizmente, revelando-se incomoda, artificial e inconveniente, e, francamente, se o “troféu” Framboesa de Ouro abrangesse tal quesito, o mais novo filme de Ron Howard deveria, obrigatoriamente, ser indicado à premiação.

As atuações também são patéticas. Tom Hanks encarna o seu personagem conferindo ao mesmo uma boa (e apenas boa) dose de carisma, mas faltou muita empolgação ao ator, que também encontra-se extremamente fora de forma (não tanto quanto este que vos escreve, mas encontra-se) para encarnar um personagem tão ativo quanto o Professor Langdon. Ayelet Zurer, por sua vez, revela-se como a grande fragilidade do elenco. A atriz encarna a sua personagem com uma inexpressividade que há muito tempo eu não via no Cinema. Além de insossa, Zurer aparenta ser extremamente antipática e não convence em momento algum (bem como a sua personagem). Ewan McGregor é o grande destaque dentre os atores. Utilizando um tom de voz altamente terno, o ator transfere ao seu personagem a sutileza que lhe é cogente e faz com que o

seu camerlengo realmente se mostre um típico padre católico. E não é culpa do ator se o roteiro opta por (e se você ainda não assistiu a esse filme, aconselho que pule para o próximo parágrafo e pare de ler este aqui imediatamente) transformar Patrick McKenna em um moço bom demais, fazendo com que todo o espectador que tenha algum conhecimento em literatura policial/suspense desconfie logo de cara que ele é o grande vilão da estória (a culpa é sempre dos que aparentam ser bonzinhos, um grande clichê do gênero), fazendo com que a mesma revele-se muito previsível.

E já que critiquei o modo como o roteiro desenvolve o personagem de Ewan McGregor no final do parágrafo acima, farei a mesma coisa com os demais personagens neste parágrafo. Não restam dúvidas de que a grande falha do filme reside no desenvolvimento de seus personagens. O Professor Langdon aparece aqui mais como uma releitura do excepcional e inesquecível Sherlock Holmes do que qualquer outra coisa. Seja pelo excesso de racionalidade que o personagem de Tom Hanks demonstra, seja pelo fato dele formar conclusões corretas rápido demais, a criação de Brown aparece aqui mais como uma cópia moderna da criação de Sir Arthur Conan Doyle. Fraco também é o desenvolvimento da Dra. Vetra. A princípio, ela aparece como uma importantíssima física e, repentinamente, desponta como uma grande conhecedora de história católica, sem mais, nem menos. Mas pior mesmo é o assassino do filme (cujo nome nem me lembro, e também não faço muita questão de me lembrar). Encarando as pessoas sempre com um olhar ameaçador e dando sorrisinhos a fim de provocar os seus oponentes, o personagem se revela extremamente inverossímil, principalmente em uma cena em que tem totais condições de matar o protagonista e, sabe-se lá o porquê, não o faz. E é claro que, para obter êxito em suas missões, o assassino mata todos que vê pela frente, salvo os protagonistas que sempre são poupados por ele.

Mas não pense que “Anjos & Demônios” é um filme ruim. De forma alguma, está muito longe disso. Além da trama ser deveras criativa (conforme já fora mencionado) e contar com uma abundância em detalhes (o filme dá um show de história católica e Dan Brown realmente mostra que sabe do que está tratando, seja quando o assunto se foca no Vaticano, seja quando se foca em seitas como a Illuminati), ela se revela suficientemente inteligente (apesar de excessivamente absurda em diversos momentos) e interessante para nos prender até o seu último segundo, sem nem ao menos nos preocuparmos com os 140 minutos de projeção. E não bastasse a estória contar com tantas qualidades como as mencionadas há pouco, ela ainda se revela bastante inteligente quando enfoca o eterno conflito entre ciência/religião, utilizando para tal dois grandes representantes da mesma: o recente LHC e o Vaticano.


Longe de poder ser rotulada como um amontoado de argumentos anti-católicos, assim como fora considerada a obra literária que lhe serviu de inspiração, “Anjos & Demônios” chega aos cinemas contando com uma trama inteligente, bem arquitetada e divertida, apesar de absurda, megalomaníaca e inverossímil em diversos pontos. Em outras palavras, o filme parece fazer questão de ratificar tudo aquilo que os críticos de literatura vem falando há anos sobre o trabalho do superestimado Dan Brown.

Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.

Crítica – Hancock

Will Smith é o exemplo do indivíduo talentoso que perde o seu tempo com produções imbecis e descartáveis, daquelas que, com o passar dos anos (e por que não dizer: meses?) simplesmente será apagada das mentes dos espectadores, ou não. Pois é, para mim é inadmissível notar como o carisma exacerbado do ator/rapper (que não engrena em nada que preste, artisticamente falando, nem em uma profissão, menos ainda em outra) estadunidense transforma tudo o quanto é porcaria em que ele toca (pois tudo em que ele toca realmente é uma porcaria) em ouro. Vamos analisar o patético sitcomThe Fresh Prince of Bel-Air” (que julgo, ao lado de “That’s So Raven”, o pior sitcom de todos os tempos já produzido pela “Terra do Tio Sam”), só para se ter uma idéia. O programa é patético, não tem graça alguma, não funciona nem para crianças, nem para adultos, nem para garotos, nem para garotas, mas ainda assim é um sucesso no mundo todo e sabem por quê? Porque conta com um Will Smith carismático, onde tudo o que ele faz vira piada (menos para mim e mais 10% da população mundial). O mesmo ocorre com este enfadonho “Hancock”. O filme, por si só, não seria capaz de fazer ninguém rir (salvo em uma ou outra situação, conforme citarei abaixo), mas como é o tal do Will Smith quem está ali atuando, ah, aí todo mundo se esbalda em gargalhadas. Basta ele dizer um “___ holy shit!” para que todos dêem gargalhadas. Enfim, creio que eu tenha sido a única pessoa na sala de cinema que não fôra contaminado com o vírus da mongoloidísse alcunhado Will Smith, mas vamos à crítica que é o que interessa, ou não.


Ficha Técnica:
Título Original: Hancock
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.hancock.com.br
Estúdio: Blue Light / Relativity Media / Weed Road Pictures / Forward Pass / Overbrook Entertainment
Distribuição: Columbia Pictures
Direção: Peter Berg
Roteiro: Vincent Ngo e Vince Gilligan
Produção: Akiva Goldsman, James Lassiter, Michael Mann e Will Smith
Música: John Powell
Fotografia: Tobias A. Schliessler
Desenho de Produção: Neil Spisak
Direção de Arte: William Hawkins e Dawn Swiderski
Figurino: Louise Mingenbach
Edição: Colby Parker Jr. e Paul Rubell
Efeitos Especiais: Furious FX / Lidar Services / Sony Pictures Imageworks
Elenco: Will Smith (John Hancock), Charlize Theron (Mary Embrey), Jason Bateman (Ray Embrey), Jae Head (Aaron Embrey), Eddie Marsan (Red), David Mattey (Homem da montanha), Maetrix Fiften (Matrix), Thomas Lennon (Mike), Johnny Galecki (Jeremy), Haylye Marie Norman (Hottie), Akiva Goldsman (Executivo) e Michael Mann (Executivo).

Sinopse: Hancock (Will Smith) é um herói diferente dos demais já vistos no Cinema. Ao contrário de um Homem-Aranha, de um Super-Homem, ou de um Batman, Hancock é um herói derrotado pela vida, cujas crises existenciais e consumo exacerbado de bebida alcoólica o transformam em um sujeito desajeitado e incapaz de realizar um único resgate sem nem ao menos causar prejuízos incalculáveis ao governo. Contudo, Hancock conhece Ray Embrey, um agente de relações-públicas que promete “limpar” a imagem de bad-ass do sujeito e fazer com que o mesmo possa combater o crime organizado com dignidade.

Hancock – Trailer

Crítica:


Durante boa parte dos, aproximadamente, 90 minutos de projeção deste “Hancock” somos obrigados a testemunhar as atitudes duvidosas de um super-herói mal-humorado, mal-educado, mal-amado, mal-encarado, malcriado, malquisto, mau caráter e cerca de 90% de todos os adjetivos simples ou compostos contidos em nosso vocabulário que possuam em seu contexto as palavras: “mal” ou “mau”, seja esta inserida como radical da palavra, ou não. “___ E isso é ruim?”___ me pergunta o estimado leitor. “___ Mas é claro que não! Muito pelo contrário, é sensacional!” ___ respondo eu.

Hancock é um super-herói bem diferente dos demais, no que diz respeito a seu caráter e a seus conceitos morais, fato que comprova que o protagonista é muito mais humano e sujeito a falhas do que a grande maioria das personalidades transportadas das HQs para as telonas é. Além disso, o longa conta com um Will Smith inspirado e algumas piadinhas que funcionam bem vez ou outra. “___ Ah, que ótimo, e as demais qualidades?” ___ me pergunta o leitor. Eu respondo: “___ Elas não existem, as qualidades se resumem apenas à tentativa de criar algo além do convencional, ao carisma de Will Smith e a algumas piadas e/ou gags que funcionam raramente.”.

Fora as poucas qualidades que esta bomba assinada por Peter Berg possui, temos a tentativa mal-sucedida de um diretor megalomaníaco que almeja, acima de tudo, criar uma obra pseudo-moderninha e falha terrivelmente em seu propósito, salvo, é claro, na composição inicial (e apenas inicial) de seu protagonista. No mais, somos obrigados a encarar outros maneirismos inconvenientes e contemporâneos do diretor como, por exemplo, a realização de closes com a sua câmera, sempre que possível (e muitas vezes até mesmo quando não é tão possível assim, diga-se).

Mas antes os defeitos do filme se resumissem às (desastrosas) tentativas de apresentar o “novo” (gargalhadas) ao espectador. Se fosse assim, a experiência seria, no máximo, decepcionante, mas infelizmente a mesma se torna insuportável durante o seu desenrolar. Vamos analisar o humor do longa, para se ter uma idéia. Durante o primeiro ato temos algumas piadas e/ou gags que funcionam de maneira conveniente, como a cena em que o protagonista prende
uma vã lotada de marginais em um edifício pontiagudo ou ainda a seqüência onde, a fim de salvar uma baleia encalhada na praia, Hancock utiliza toda a sua força para arremessá-la de volta ao mar, mas, involuntariamente, acaba acertando uma embarcação e afundando a mesma.

As duas gags supracitadas parecem (mas só parecem) ter saído de uma mente inteligente e criativa, mas conforme o filme se desenrola esta mesma mente “inteligente e criativa” (agora com aspas) nos obriga a presenciar seqüências sofríveis, como a em que o protagonista “prende” a cabeça de um homem ao tra… (não vou revelar qual parte do corpo é, a fim de não estragar possíveis “surpresas” (gostaram de minha piadinha? Hã? Hã? Pois é, estou entrando no ritmo do filme!)) de um outro homem, criando uma situação forçada e constrangedora não só aos atores que a interpretam, como principalmente ao espectador que a assiste.

Entretanto, o maior problema deste “Hancock” reside, indubitavelmente, na incapacidade de seu roteiro em definir um gênero ao mesmo. Não entendi se os roteiristas almejaram fazer desta bomba um filme de comédia, ou um filme de drama. A única coisa que percebi é que o mesmo teria se revelado uma experiência bem menos sofrível caso se assumisse como uma reles aventura descerebrada e convencional (nunca imaginei que fosse dizer isso em toda a minha vida).

Em suma, em meio às crises existenciais do protagonista, às crises de fracasso do diretor (que não consegue cumprir com as suas ambições de criar algo novo sem cair no ridículo) e às crises de identidade dos roteiristas (que não conseguem definir um gênero à obra), quem mais sofre é o espectador, que se abarrota em crises existenciais se perguntando a todo o instante: “___ Qual é o meu propósito nesta sessão de cinema?”.

Avaliação Final: 3,0 na escala de 10,0.

Selecione um assunto
Arquivos
Siga-nos pelo Twitter