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Up – Altas Aventuras – **** de *****
Redigido e editado por Daniel Esteves de Barros aos 02 de setembro de 2.009 e publicado pelo mesmo aos 03 de setembro de 2.009.

Ficha Técnica:
Título Original: Up.
Gênero: Animação / Aventura.
Tempo de Duração: 96 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.disney.com.br/cinema/up/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Pete Docter.
Roteiro: Bob Peterson.
Elenco: Edward Asner (Carl Fredricksen), Chico Anysio (Carl Fredricksen – versão brasileira), Christopher Plummer (Charles Muntz), Jordan Nagai (Russell), Bob Peterson (Dug / Alpha), Delroy Lindo (Beta), Jerome Ranft (Gamma), John Ratzenberger (Tom), Mickie McGowan (Policial Edith), Danny Mann (Steve), Donald Fullilove (Enfermeiro George), Jess Harnell (Enfermeiro AJ), Josh Cooley (Omega), Elie Docter (Ellie – jovem), Jeremy Leary (Carl Fredricksen – jovem) e Pete Docter.
Sinopse: Carl Fredricksen (Edward Asner) é um vendedor de balões que, aos 78 anos, está prestes a perder a casa em que sempre viveu com sua esposa, a falecida Ellie. O terreno onde a casa fica localizada interessa a um empresário, que deseja construir no local um edifício. Após um incidente em que acerta um homem com sua bengala, Carl é considerado uma ameaça pública e forçado a ser internado em um asilo. Para evitar que isto aconteça, ele enche milhares de balões em sua casa, fazendo com que ela levante vôo. O objetivo de Carl é viajar para uma floresta na América do Sul, um local onde ele e Ellie sempre desejaram morar. Só que, após o início da aventura, ele descobre que seu pior pesadelo embarcou junto: Russell (Jordan Nagai), um menino de 8 anos.
Fonte Sinopse e Ficha Técnica: Adoro Cinema.
Up – Trailer:
Crítica:
A missão deste “Up – Altas Aventuras”, mais nova aposta da bilionária parceria entre Disney/Pixar, definitivamente, não é das mais fáceis. Substituir o espetacular “Wall-E” e, ao mesmo tempo, segurar com todas as forças o glamour que ronda o estúdio não é uma tarefa que exige pouca responsabilidade dos envolvidos com a mesma.
Não menos hercúlea é a missão do espectador que ainda nutre fortes laços com o mágico filme do robozinho e tem de esquecer-se daquela magnífica produção de 2.008 para poder conferir “Up – Altas Aventuras” (que a partir de agora chamarei unicamente pelo título original, ou seja, “Up”) de cabeça vazia e sem tentar estabelecer quaisquer elos ou criar quaisquer expectativas em cima desta animação tomando por base “Wall-E”.
Contudo, é justamente quando o filme começa que nos damos conta de que esta nova investida da Disney/Pixar perde veementemente para o seu antecessor em um quesito: sua parte gráfica. Se em “Wall-E” (ao menos durante o primeiro ato daquele longa) jurávamos não estar presenciando uma simples animação 3D, mas sim um filme com personagens de verdade, em “Up” temos a mais plena ciência de que realmente estamos diante de uma animação 3D muito bem feita, e só.
O que dizer então da dupla de protagonistas Carl/Russell se comparada ao personagem Wall-E que, ao lado de Gollum, da excepcional trilogia – “O Senhor dos Anéis”, se mostra a figura mais marcante do cinema nesta primeira década do século XXI? O velho e o garoto, indiscutivelmente, se completam e enchem “Up” de carisma, magia e emoção, mas não restam dúvidas de que um único gesto feito pelo simpático robozinho conseguia se mostrar ainda mais cativante do que praticamente tudo o que os dois protagonistas realizam juntos nesta animação.
Mas desvencilhemos “Up” de “Wall-E”, ok? Por mais duro que isto seja, deve-se avaliar um filme de maneira independente, e farei isso com “Up” a partir de agora.
A animação em questão começa muito bem. Deparamos-nos com um garoto que, assim como todos os outros, fantasia a sua vida vivendo entre um devaneio e a realidade. O pequeno e tímido Carl sonha em seguir os passos de seu ídolo Charles Muntz e viajar através de um veículo aéreo até a América do Sul, onde irá desbravar as maravilhas da natureza local. Carl conhece então a tagarela e espevitada Ellie que nutre as mesmíssimas paixões e desejos que ele. Ambos se tornam grandes amigos, crescem juntos e, como já era de se esperar, se casam.
Previsível, é claro, mas até aí a animação é simples e charmosa. Assim como o robô Wall-E (disse que evitaria comparações, não? Juro que esta será a última) nos remete à deliciosa sensação de estarmos dentro de um filme mudo enquanto ele protagoniza as suas divertidas palhaçadas isolado no planeta Terra (salvo pela companhia de sua barata de estimação, é claro), em “Up” temos à magistral sensação de estarmos assistindo a um curta metragem mudo durante os momentos em que a animação se dedica a desenvolver o casamento entre Carl e Ellie.
Por mais simples e batido que soe o romance de ambos, não há como não nos cativarmos com eles, seja vendo-os pintando a caixa de correio, seja vendo-os limpando a casa, seja vendo-os poupando dinheiro e armazenando tudo em um singelo recipiente, seja vendo-os sonhando com uma casa no topo de uma montanha localizada na América do Sul, seja vendo-os amargar a perda de um tão esperado filho que nem ao menos chegou a nascer.
Em uma sucessão de imagens que dura menos do que dez minutos, o filme já faz valer a pena o valor de seu ingresso, pois conseguimos rir, nos emocionar e nos lamentar com o triste fim que o matrimônio de ambos teve. É como se em dez minutos uma longa e duradoura estória nos fosse inteiramente narrada unicamente através do sábio uso de imagens que já falam por si só.
Eis que chegamos à trama principal. Carl, agora viúvo, torna-se um velho antipático, ranzinza e frustrado. A única lembrança concreta e material que possui de sua falecida esposa Ellie é a casa na qual viveram juntos durante as suas vidas inteiras e é justamente por este motivo que o protagonista recusa-se a abandonar a mesma.
Acontece um incidente, Carl é obrigado a ir para um asilo, mas antes, enche o seu lar de balões a fim de fazê-lo flutuar até a América do Sul. Graças à força do destino, o velho acaba involuntariamente levando consigo o garoto Russell, de oito anos, cuja tagarelice irrita o velho que, a partir de agora, deverá juntar forças e paciência para tolerar o mesmo.
Renasce então aquela relação exaustivamente batida entre o velho ranzinza e o garoto hiperativo e irritante. Sabe aquela química típica de Dennis Mitchel e o Sr. George Wilson? Pois é, ela é praticamente transportada para cá. O garoto que ama o velho e o velho que tenta fingir que odeia o garoto. Entretanto, há algo que difere completamente Carl e Russell de Dennis e Wilson. Aqui, um precisa do outro.
Carl perdeu a esposa e viu a vida se tornar insuportavelmente vazia e insossa sem essa. Russell viu o pai ir embora e raramente recebe visitas da parte deste. Ambos se tornam solitários e, por mais diferentes que sejam um do outro, eles se completam. Russell se torna o neto que Carl nunca teve, o segundo, por sua vez, se torna o avô que o primeiro também jamais possuiu e, francamente, não fosse a grande diferença de idade entre ambos, diria que a relação está muito mais para pai e filho do que avô e neto.
A dinâmica entra ambos é muito boa, contudo, previsível demais. Aliás, o filme todo é previsível, principalmente em suas gags. Dois exemplos (e se você segue o tipo que não gosta de saber de algumas piadas inseridas no roteiro antes de assistir ao filme, aconselho não ler o restante deste parágrafo e que pule diretamente para o final desta crítica): quando Russell exibe o seu GPS ao velho e, em uma jogada muito antigo que só acontece mesmo em Hollywood e sabemos perfeitamente que resultará em um pequeno “desastre”, abre os braços para tal fazendo com que a sua mão vá além de uma janela aberta, sabemos perfeitamente que o garoto irá arremessar o aparelho para fora. Uma previsibilidade de igual intensidade ocorre quando Carl tenta despistar a ave e o cão que passam a lhes seguir. Logo que o protagonista arremessa uma bola e uma barra de chocolates para distrair os animais e inicia uma pequena corrida para despistar os mesmos, temos a plena ciência de que, assim que parar para descansar, dará de cara com ambos.
Mas devo admitir que nem todo alívio cômico é previsível em “Up”. Prova disso é a cena em que o garoto faz uma pausa para “ir ao banheiro” e fica na dúvida se deveria cavar um buraco no solo antes ou depois de fazer as necessidades. E é praticamente impossível conter a gargalhada quando o jovem comenta: “___ Oh, era antes!”.
Avaliando-o como uma animação produzida pelos estúdios Disney/Pixar, “Up – Altas Aventuras” se mostra levemente (bem levemente mesmo) aquém de alguns exemplares já produzidos pela empresa. Ao avaliar o filme individualmente, no entanto, o mesmo revela-se bastante divertido e até mesmo criativo. E mesmo que a dinâmica entre os seus dois protagonistas se revele altamente batida e o seu humor seja bastante previsível, a trama conta com a sua parcela de originalidade (uma casa sendo levantada por balões e servindo de dirigível para dois atípicos aventureiros é a prova disso), nos emociona satisfatoriamente e conta com uma bela mensagem inserida em suas entrelinhas.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
A Era do Gelo 3 – *** de *****
Sei que vou chover no molhado, mas não tem como deixar de defender a seguinte tese: Hollywood está, cada vez mais, preocupando-se em produzir filmes animados para crianças de todas as idades. Um exemplo? Basta notar que, durante a sessão deste “A Era do Gelo 3”, haviam pessoas de todas as idades na sala de exibição (que, por sinal, estava lotadíssima, e confesso que há muito tempo (desde o mediano “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”, para ser mais exato) não me via dentro de uma sala de projeção tão cheia de espectadores). Não, essas pessoas, definitivamente, não estavam acompanhando os seus filhos, pois estavam, assim como eu, sentadas sozinhas nas poltronas do cinema. Pois é, essa é a prova de que Hollywood, felizmente, vem cada vez mais acabando com esse preconceito imaturo de que animações são exclusivamente destinadas ao público infantil ou, na melhor das hipóteses, ao público infanto-juvenil.

Ficha Técnica:
Título Original: Ice Age: Dawn of the Dinossaurs
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: www.aeradogelo3.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Carlos Saldanha
Roteiro: Michael Berg, Peter Ackerman, Mike Reiss e Yoni Brenner, baseado em história de Jason Carter Eaton
Elenco: John Leguizamo (Sid), Tadeu Mello (Sid – versão brasileira), Denis Leary (Diego), Márcio Garcia (Diego – versão brasileira), Ray Romano (Manny), Diogo Vilela (Manny – versão brasileira), Queen Latifah (Ellie), Cláudia Jimenez (Ellie – versão brasileira), Simon Pegg (Buck), Alexandre Moreno (Buck – versão brasileira), Seann William Scott (Crash), Josh Peck (Eddie), Crhis Wedge (Scrat), Karen Disher (Scratte) e Joey King (Esquilo).
Sinopse: Manny (Ray Romano) e Ellie (Queen Latifah) estão à espera de seu primeiro filho. Sid (John Leguizamo) sequestra alguns ovos de dinossauro, o que faz com que passe a ter sua própria família adotiva. Só que o roubo faz com que se meta em apuros, obrigando Manny, Ellie e Diego (Denis Leary) a entrarem em um mundo subterrâneo para resgatá-lo.
Fonte Ficha Técnica e Sinopse: Adoro Cinema.
Ice Age 3 – Trailer:
Crítica:
Quando o assunto em pauta é “A Era do Gelo”, só me encontro na possibilidade de mencionar o primeiro filme, uma vez que não assisti ao segundo episódio desta bem sucedida série cinematográfica.
Um dos grandes atrativos da saga protagonizada pelo trio de amigos Sid (John Leguizamo), Manny (Ray Romano) e Diego (Dennis Leary) não diz respeito necessariamente à parte diegética da animação, mas sim ao fato da mesma não ter sido produzida por nenhum dos dois grandes estúdios de animações da atualidade: a fenomenal Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios e a extremamente irregular DreamWorks Animation / Pacific Data Images. A bola da vez, ao menos durante o lançamento do primeiro longa desta franquia que se passa na era glacial, era dos estúdios Fox Animation Studios / Blue Sky Studios, que chegaram comendo pelas beiradas e, em pouco tempo, passaram a abocanhar uma interessante fatia do mercado (ainda que não conseguissem superar o faturamento de suas duas maiores concorrentes).
Outro ponto interessante no primeiro longa residia na genial idéia do diretor Chris Wedge em adotar as ligeiras aventuras protagonizadas pelo divertido e pé-frio esquilo Scart (magistralmente criado pelo brasileiro Carlos Saldanha, diretor do segundo e, também, deste terceiro episódio) a fim de entrelaçar as peripécias do azarado bichinho com a jornada dos três protagonistas, resultando assim na intercalação entre um curta metragem dinâmico e divertido, com a estória principal.
É justamente nesta estória principal, no entanto, que habitavam os maiores problemas da projeção. Se por um lado o humor empregado era suficientemente divertido para segurar o espectador nas poltronas das salas de cinema por aproximadamente 90 minutos, por outro lado a trama e os personagens que a compunham não contavam com o mínimo de originalidade, sendo que muitos deles tornavam-se previsíveis e insossos, como é o caso do tigre de dentes-de-sabre Diego, que pouco acrescenta à estória, além de sua mudança de “lado” ao longo da projeção ser algo um tanto o quanto fácil de se deduzir.
Original, ou não, previsível, ou não, a jornada dos amigos, que se uniam para salvar um bebê humano da morte certa e restituí-lo ao seu bando, era bastante interessante e repleta de momentos inspirados e divertidos, como a sequência que envolve um grupo de pássaros drontes (mais conhecidos como dodôs) e a inteligentíssima cena (a melhor do filme, sem sombra de dúvidas) em que Sid admira a cadeia evolutiva de um determinado animal enquanto aprecia uma fileira indiana formada por diversos seres que se encontram congelados dentro de uma caverna tomada pelo gelo.
O terceiro episódio da série, por sua vez, nada mais é do que uma releitura do filme original. A trama é diferente em seu contexto, mas o formato é basicamente o mesmo: um grupo de personagens, com características exageradamente incompatíveis entre si, se une para salvar um amigo que, por sinal, também conta com inúmeras características incompatíveis com as demais de seus companheiros e, é claro que, ao longo desta jornada, seremos apresentados a várias lições que nos remetam ao verdadeiro valor da amizade, da família, da união e muito mais.
Contudo, há algo neste terceiro episódio que o difere positivamente do primeiro: o roteiro não bate tanto na tecla da diferença entre um personagem do bando para com os demais. Mas, se isto é bom, pois poupa o espectador de diversas piadinhas que soariam um tanto o quanto repetitivas caso a fórmula do primeiro filme fosse fielmente seguida aqui, também conta com aspectos extremamente negativos, pois ao mesmo tempo em que o roteiro evita realçar com muita insistência os traços das figuras dramáticas que o compõem, acaba esquecendo de os explorar individualmente, fazendo com que os únicos personagens interessantes acabem sendo, de fato, o adorável tagarela Sid e o lunático Buck, que é uma das grandes novidades que este novo episódio trás.
E é claro que o esquilo Scart e a sua “namoradinha” (a maior novidade do filme, talvez) também são extremamente interessantes. O longa, como não poderia deixar de ser, começa com a sua marca registrada: o roedor correndo incansavelmente atrás de sua tão cobiçada noz. Ainda que “A Era do Gelo 3” não insira o azarado esquilinho em situações tão engraçadas como a sequência no primeiro episódio onde ele, involuntariamente, se passava por um pára-raios e era atingido por uma devastadora carga elétrica, o filme se mostra bastante inspirado ao criar novos “desastres” para o pequeno animal que tenta, a todo o custo, proteger o seu fruto.
E se a aparição de uma namorada para o mais famoso personagem da franquia “A Era do Gelo” me fizera torcer o nariz antes mesmo de assistir ao filme, o roteiro, escrito à quatro mãos, se mostrou sagaz o bastante para criar situações que fizessem com que o romance entre ambos jamais se mostra-se cansativo, muito pelo contrário, diria até mesmo que Scart ganhou uma concorrente à altura, uma vez que a sua cara-metade adiciona uma carga de humor bem alta à animação, sendo que, assim como o seu “namorado”, a roedora não precisa dizer uma única palavra sequer para se revelar infinitamente mais cativante e atraente que a grande maioria das figuras que compõem o rol de personagens de “A Era do Gelo 3”, onde me vejo no direito de incluir: Diego, Crash, Eddie, Ellie e, acreditem, até mesmo Manny, que se revelava infinitamente mais conveniente no primeiro episódio.
Buck, por sua vez, mesmo seguindo o estereótipo do “tiozão-coronel-aposentado-biruta” (não, no filme ele não é coronel, mas segue bem a caricatura de um), revela-se um dos mais divertidos personagens. Longe de ser original, a doninha audaciosa ao menos confere a esta continuação vários de seus momentos mais cômicos e atraentes, bem como os excepcionais diálogos proferidos por ela (“___ Na verdade, descobri que havia ficado louco quando me apaixonei por um abacaxi, e olha que o bicho era feio que dói!”), além, é claro, de protagonizar os grandes momentos de adrenalina oferecidos por esta animação, entre as quais cito a cena onde ele “pilota” um ‘pterodactilo’.
Sid, entretanto, continua sendo a preguiça adoravelmente chata e tagarela de sempre. Sei que muitos irão discordar de mim, mas considero o protagonista desta animação o personagem mais atraente da mesma, superando até o próprio esquilo Scrat. Talvez seja justamente pelo fato de Sid ter essa personalidade paradoxal, já que ele é o chato-legal, o feio-engraçadinho e o inconveniente-pertinente. Pertinente também é a voz de seu dublador brasileiro, Tadeu Mello, que dá o tom ideal ao personagem (independentemente do quão bem Leguizamo tenha se saído dublando a preguiça na versão original) trazendo-o ainda mais próximo de seu público.
A trama, conforme já fora mencionado anteriormente, lembra muito a do primeiro filme, no que diz respeito ao formato desta, e mesmo que traga um Manny bem menos interessante (por que será que todo homem, quando casa, se torna um sujeito patético e desinteressante?) e um Diego tão sem sal quanto no longa anterior, prima por focar-se bastante em Sid em seu primeiro ato, e conferir total importância a Buck, durante o segundo ato de projeção, permitindo com que o seu ato final fique dividido entre ambos. Desta forma, o roteiro faz com que os personagens que realmente são mais interessantes acabem ganhando mais destaques, relegando os demais à condição de coadjuvantes.
A inserção dos tão comentados dinossauros também foi uma jogada bem inteligente do roteiro, pois coloca personagens que, outrora pareciam indestrutíveis, em um patamar de extremo perigo (note, apenas para citar um exemplo, a seqüência em que o poderoso tigre Diego perde uma “disputa” com um dinossauro para ver quem rosna mais aterrorizantemente) proporcionando assim uma carga de aventura maior à animação.
Mas mesmo com tantas qualidades, “A Era do Gelo 3” não consegue superar o episódio original da saga em nenhum quesito, exceto, talvez, no que se refira à direção do mesmo. Carlos Saldanha não só cria tomadas aéreas de modo que possamos acompanhar a ação de maneira bem mais satisfatória do que no filme anterior, como também faz uma conveniente parceria com a boa edição de Harry Hitner e a utiliza a fim de criar cortes fantásticos, que acabam dando muito mais charme à obra. Repare em uma cena, em especial, onde as trincas de um lago congelado, em questão de segundos, se transforma em um pedaço partido de uma casca de ovo.
Ops… esperem um pouco, disse que a direção era, talvez, o único quesito de “A Era do Gelo 3” que acabava superando o filme original, não disse? Pois desconsidere isso. Dedico este parágrafo inteiro para dizer que a parte gráfica desta animação é infinitamente superior à parte gráfica da animação que lhe deu origem. No episódio que deu origem à franquia, tínhamos gráficos extremamente bem desenhados. A água correndo, por exemplo, era fenomenal e tínhamos a clara impressão de que se tratava de água de verdade mesmo. Contudo, por mais que os personagens fossem todos muito bem desenhados, ainda sentíamos uma certa artificialidade na movimentação destes, sobretudo na do mamute Manny. Isso não ocorre neste terceiro capítulo da saga, onde não só os personagens ganham muito mais elasticidade em seus movimentos, como também acabam sendo desenhados de maneira mais cautelosa e minuciosa. Como não se encantar, por exemplo, com o cuidado que os responsáveis pela computação gráfica tiveram ao inserir pêlos praticamente perfeitos em Manny (e quando a câmera se aproxima do mesmo, sentimos como se realmente estivéssemos diante de pêlos de verdade)? E quanto à cena em que Diego persegue uma gazela? Indubitavelmente, os produtores da franquia não deixaram de por a mão no bolso e liberar uma boa verba ao pessoal da computação gráfica que, para a alegria de nós, espectadores, acabaram fazendo um trabalho excepcional.
Em suma, “A Era do Gelo 3” se mostra uma clara releitura do filme que lhe concebeu a origem e que, por sinal, também não era dos mais originais. Entretanto, não há como negar que trata-se de uma experiência instigante e bastante irrepreensível em suas gags (bem divertidas em sua maioria) e em suas cenas de aventura. Ponto positivo para Carlos Saldanha, mais um cineasta brasileiro que vem mostrando cada vez mais competência lá fora.
Obs.: Não tive oportunidade de assistir ao filme com a tecnologia 3D, o que, certamente, teria influenciado mais em minha avaliação final.
Obs. 2: Quando for assistir ao filme, não deixe de reparar na clara referência que ele faz à clássicos como “Godzilla”, “Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros” e à marcante animação da década de 1.980: “Em Busca do Vale Encantado” (este que, quando tinha apenas cinco anos de idade, era o meu filme predileto, ao lado de “Marcelino Pão e Vinho”, tanto que, em uma determinada ocasião, obriguei minha mãe a aluga-lo umas oito vezes seguidas para saciar de vez a minha incontrolável vontade de assisti-lo sem parar durante incontáveis dias).
Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.
Monstros vs. Alienígenas – *** de *****
Título Original: Monsters Vs. Aliens.
Gênero: Animação.
Tempo de Duração: 94 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.monstrosvsalienigenas.com.br/
Nacionalidade: Estados Unidos da América.
Direção: Rob Letterman e Conrad Vernon.
Roteiro: Maya Forbes, Wallace Wolodarsky, Rob Letterman, Jonathan Aibel e Glenn Berger, baseado em estória de Conrad Vernon e Rob Letterman.
Elenco: Reese Whiterspoon (Susan Murphy / Ginórmica), Seth Rogen (B.O.B.), Hugh Laurie (Dr. Barata), Will Arnett (Elo Perdido), Kiefer Sutherland (General W.R. Monger), Rainn Wilson (Gallaxhar), Stephen Colbert (Presidente Hathaway), Paul Rudd (Derek Dietl), Julie White (Wendy Murphy), Jeffrey Tambor (Carl Murphy), Amy Poehler (Computador), Renée Zellweger (Katie), Josh Krasinski (Cuthbert), Sean Bishop (Recruta Bulhorn / Piloto do helicóptero / Conselheiro Ortega), Bo Dietl (Comandante / Conselheiro Smith) e Ed Helms (Repórter da TV).
Sinopse: Susan (Reese Whiterspoon) é atingida por um meteoro no dia de seu casamento e ganha superpoderes. A garota é então capturada e levada a uma área secreta onde monstros bizarros, a maioria vítima de experimentos científicos malsucedidos, vivem em uma espécie de colônia. É quando é anunciada uma invasão alienígena que pretende escravizar o planeta Terra que Susan e seus novos amigos juntam forças para proteger o mundo.
Monsters vs. Aliens – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=3t4WkiZmo-c&hl=pt-br&fs=1]
Eis um filme que me surpreendeu. Fui ao cinema conferir “Monstros vs. Alienígenas” com a impressão de que este seria um típico exemplar “dreamworkiano” (sim, sei muito bem que tal palavra não existe e a escrevi erroneamente de propósito, antes que algum outro infeliz passe por aqui criticando isso, conforme ocorreu na análise de “Um Ato de Liberdade”. A propósito, este texto inteiro irá conter inúmeras palavras inexistentes, sendo que todas elas estarão entre aspas duplas), ou seja, uma animação graficamente perfeita, mas com excesso de gritaria por parte dos personagens, que só conseguem anunciar a sua presença na trama através dos berros proferidos da forma mais alarmante o possível, já que não contam com um pingo de carisma sequer (lembrei-me do superestimado “Kung Fu Panda”). Entretanto, a impressão que tive após a sessão (ou melhor, as sessões, uma vez que assisti ao filme duas vezes, uma na versão original (ou seja, com o som em inglês) e outra na versão dublada, com os recursos 3D ativados) foi a de que havia visto algo bem diferente do que esperava, tanto no que se refere à parte gráfica da obra, quanto no que se refere à trama desta.
Graficamente falando, o filme fica aquém das demais animações da Dreamworks. Se em “Kung Fu Panda” víamos, com uma perfeição incrível diga-se, o reflexo de Po em um pedaço de metal, em “Monstros vs. Alienígenas” as faces de seus personagens humanos parecem um tanto o quanto “emborrachadas”. O piscar de olhos da protagonista Susan (Reese Whiterspoon, emprestando uma voz bem conveniente à sua personagem), por exemplo, soa muito artificial, diferentemente da Penny (Miley Cirus) do ótimo “Bolt – Supercão”, do estúdio concorrente: a Walt Disney Pictures. Mas tal falta de naturalidade só reside mesmo nos rostos de seus personagens humanos, pois, de resto, é tudo muito bem feito. Vide a cena onde a câmera foca a protagonista pintando uma unha de sua mão direita. A impressão que temos é de que a mão é verdadeira, bem como a unha, o esmalte, e tudo mais. Tudo muito realista, de fato.
E a trama? Bastante interessante e divertida, apesar de partir de uma sinopse extremamente absurda e completamente condicionada a uma sequência bem grande de coincidências. Por que o tal meteoro tinha que cair justamente em cima de Susan e bem no dia de seu tão sonhado casamento? Ah sim, devemos levar em conta que tal ocorrido, e em tal ocasião, viria a trazer uma lição bastante proveitosa à vida da personagem. Mas aí eu pergunto, tal lição não poderia ter sido transmitida pelo roteiro de um modo que explorasse menos certas coincidências e desenvolvesse a trama de um modo mais, digamos, natural? Receio que sim.
Contudo, o filme conta com uma qualidade que a grande maioria das animações realizadas pela DreamWorks não contam: personagens simpáticos e verdadeiramente divertidos. Longe de serem iguais aos animais insuportavelmente azucrinantes e irritantes do fraquíssimo “Madagascar” (exceto os pingüins, que eram umas “figuraças”), os personagens de “Monstros vs. Alienígenas” são divertidos na medida certa e sem passar dos limites, sobretudo o hilário, nonsense e simpaticamente imbecil B.O.B. (que ganha ainda mais força graças à cômica voz de Seth Rogen) e o genial e “abilolado” Dr. Barata (e a risada que Hugh Laurie usa para compô-lo é, desde já, clássica). Talvez o vilão Gallaxhar seja a única ressalva que possa ser feita no que se refere às figuras que constituem o hall de personagens da animação, já que ele é caricato demais, mas não há como deixar de reparar que o mesmo é ligeiramente divertido, principalmente pelos seus trejeitos levemente desengonçados.
“Monstros vs. Alienígenas”, enfim, seria uma produção que funcionaria bem melhor caso o seu roteiro fosse dotado de uma ação mais tensa e de uma comédia mais ousada (e nem sempre sátiras de filmes famosos são o suficiente para fazer o espectador rir, “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” que o diga), mas a simpatia e a diversão transmitidas através de seus personagens unidas à trama absurda, mas engraçadinha (o que não quer dizer que seja tão cômica o quanto deveria) fazem com que a mais nova produção da DreamWorks Animation mereça que você dê uma “esticada” ao cinema mais próximo de sua residência.
Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.
Valsa Com Bashir – **** de *****
Muito provavelmente a “carta na manga” de “Valsa Com Bashir” seja o fato desta ser uma produção israelense que critica a própria política israelense. Quando acompanhamos o noticiário, por mais imparcial que este tente ser, sempre assistimos a matérias que apontem o povo do Estado de Israel como os “mocinhos” da estória. Eles são judeus e por isso são perseguidos, por isso são esnobados pelos países árabes, por isso estão sempre envolvidos em conflito bélicos. Isso é o que muitas pessoas pensam sobre Israel: eles também estão errados, mas os outros, ah, os outros estão muito mais. Tanto é que a própria Terra do Tio Sam, juntamente com outros países ocidentais e organizações como a Freedom House, oferecem apoio direto a Israel. Tendo em vista tudo o que mencionei no parágrafo acima, não restam dúvidas de que assistir a uma produção que vá de encontro às opiniões da grande maioria da população mundial é, na pior das hipóteses, interessante, não? Melhor ainda é ver que esta mesma produção é proveniente do berço de tais discussões. Aí, o filme torna-se imperdível. E é isso mesmo o que “…Bashir” é, um filme imperdível.
Polêmica, cruel e realista, a animação deve ser conferida por todos, sobretudo atualmente, onde o Oriente Médio passa por uma complicadíssima crise diplomática. Só isso já faria com que “…Bashir” valesse uma bela de uma espiada. A direção de Ari Folman, por sua vez, consegue reduzir ainda mais os empecilhos entre o espectador e o valor do ingresso. Cada centavo gasto para assistir ao longa israelense é válido, e não apenas pelos motivos que supracitei, mas também pelo modo como o diretor “brinca” com a câmera. Logo na sequência de abertura do filme, vemos o mesmo realizar “close outs” de uma cidade suja. Em seguida, dezenas de cachorros saem de uma rua congruente à que a câmera está posicionada e começam a correr acompanhando a mesma, que filma magistralmente as expressões raivosas dos animais. A cena é muito bem dirigida e Folman já de cara nos dá uma amostra do que viria fazer mais para a frente.
A cena se encerra, descobrimos que tudo aquilo era, na verdade, um sonho do protagonista. Em seguida nos é revelado que o mesmo era um ex-combatente do exército israelense e, a fim de curar este trauma, procura um amigo, que também já servira às forças armadas de Israel e agora é cineasta (e, por sinal, este amigo é o próprio diretor e roteirista do filme: Ari Folman). O amigo aconselha que o protagonista Ron Ben-Yishai procure algumas outras pessoas que combateram ao seu lado e peça os relatos das mesmas, a fim de esclarecer mais a sua memória, uma vez que, inexplicavelmente, Yishai esqueceu-se de muitas lembranças que tinha da guerra.
O filme então torna-se deveras atraente e passa a alternar entre passado e presente. Conforme Yishai vai entrevistando os seus ex-colegas, ele vai reconstruindo em sua mente aquele período terrível de sua vida. Algumas subtramas extremamente interessantes vão sendo relatadas, como a cena em que o sobrevivente de um conflito no Líbano se vê obrigado a nadar vários quilômetros para escapar com vida, ou a própria sequência que dá título ao filme, quando um personagem pega uma metralhadora e começa a disparar tiros para todos os lados, rodopiando em ângulos de trezentos e sessenta graus, dando a impressão de estar dançando uma valsa bem em frente a um gigantesco pôster de Bashir Gemayel (mais adiante realizarei um breve comentário sobre o mesmo). Outra sequência que merece ser comentada neste parágrafo é uma perto do início, quando soldados, dentro de tanques de guerra, passam a disparar tiros para todos os lados, mesmo não havendo inimigos para serem atingidos. Eis que um sujeito questiona “___ Por que você não está atirando? Comece a atirar!” e o outro pergunta: “___ Atirar em quem?”, “___ Não sei, apenas atire!”, responde o interlocutor. É a neurose das guerras tomando conta de seus participantes ativos.
E quanto a Bashir Gemayel? Quem seria ele? O filme peca por não explorar mais o personagem que lhe deu o título, bem como peca por não explorar os fatores que levaram Israel a interferir na Guerra Civil Libanesa. Bashir foi um dos mais renomados e importantes comandantes das Falanges Libanesas (e isso podemos constatar em uma das poucas cenas do filme que realmente exploram-no, quando um soldado israelense diz: “___ Ele representava para eles (os Falangistas) o quê David Bowie representava para mim”). Se elegeu presidente do Líbano em 1.982 (um ano antes de meu nascimento), apoiado pelo Estado de Israel, mas fora morto em um atentado terrorista palestino antes mesmo de assumir o cargo. O resultado? Um massacre total por parte do exército israelense, com o auxílio dos Falangistas (até então liderados por Bashir Gemayel) em cima dos palestinos. Aproximadamente 3.500 pessoas faleceram, sendo a maioria, como não poderia deixar de ser, pessoas inocentes. O longa, por sua vez, consegue captar toda a crueldade presente naquele massacre, e não há como negar que este revela-se o clímax do mesmo.
É estranho, no entanto, que o filme encontre as suas maiores falhas logo em sua segunda metade, que é justamente quando encontra os seus maiores acertos. Se é nessa parte do longa que podemos conferir o supracitado massacre e uma entrevista para lá de polêmica onde um dos entrevistados afirmam que Ariel Sharon tinha ciência do massacre e não se incomodou muito com o mesmo, é nela também que o filme imerge de vez em uma estrutura inteiramente documental. O que eu tenho contra documentários? Nada, pelo contrário, os adoro, mas em “… Bashir” a jogada definitivamente não funciona. Em primeiro lugar, do ponto de vista técnico a animação se mostra muito falha nas cenas em que exibem os personagens falando. A movimentação labial destes é extremamente artificial e não convencem. Em segundo lugar, analisando agora do ponto de vista artístico, a carga dramática do filme cai um pouco a partir do momento em que adota a estrutura documental. Um documentário tende sempre a ser bastante realista e, em uma animação, este grau de realismo não consegue ser atingido em sua plenitude. Faltam expressões por parte dos entrevistados que realmente nos cativem, nos convençam de que eles sentem pelo o que realmente aconteceu.
De qualquer forma, “…Bashir” é um ótimo filme (melhor do que 90% das produções lançadas comercialmente em 2008), mas longe de ser intocável como muitos dizem.
Avaliação Final: 8,5 na
escala de 10,0.
Bolt – Supercão – **** de *****
Star Wars – The Clone Wars – *** de *****
Estava completamente atrasado (e ainda estou, diga-se) com relação à publicação das críticas dos filmes recentes aqui no Papo Cinema em virtude ao tempo que tive de me dedicar aos textos especiais que estive escrevendo recentemente sobre a saga “Star Wars”. Uma vez finalizados tais textos, nada melhor do que ser demasiadamente oportunista e regressar à sessão “Filmes Recentes” entrando no embalo da saga criada por George Lucas e escrevendo sobre o mais novo episódio desta, cujo título vem a ser: “Star Wars – The Clone Wars”. Quem leu os meus textos sobre os demais episódios da franquia deve ter percebido que, apesar de não conferir nota máxima a nenhum dos filmes, sou fã incondicional dos mesmos, sendo assim, é praticamente impossível eu ser objetivo, deixar o lado fanzóide inerte e, por mais que reconheça que este novo episódio contenha uma infinidade de defeitos, não há como negar o quanto ele conseguiu cativar-me, a ponto de me fazer sonhar com o mesmo durante esta noite (assisti ao longa no cinema, no dia 30 de agosto de 2008 às 19hs da noite).
Ficha Técnica:
Título Original: Star Wars: The Clone Wars.
Gênero: Animação/Aventura/Ficção Científica.
Tempo de Duração: 98 minutos.
Ano de Lançamento (EUA): 2008.
Site Oficial: http://www.starwars.com/clonewars
Estúdio: LucasFilm Ltda.
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation.
Direção: Dave Filoni.
Roteiro: Henry Gilroy, Steven Melching, Scott Murphy e George Lucas.
Produção: George Lucas, Catherine Winder e Sarah Wall.
Desenhista: Sianoosh Nasiriziba.
Música: Kevin Kiner.
Desenho de Produção: Dawn Turner.
Direção de Arte: Russell G. Chong e Darren Marshall.
Edição: Jason Tucker.
Elenco (vozes): Matt Lanter (Anakin Skywalker), Ashley Eckstein (Ahsoka Tano), James Arnold Taylor (Obi-Wan Kenobi), Dee Bradley Baker (Capitão Rex, Clones, Cody), Tom Kane (Mestre Yoda), Christopher Lee (Conde Dookan), Nika Futterman (Asajj Ventress), Ian Abercrombie (Chanceler Palpatine, Lorde Darth Sidious), Corey Burton (General Loathsom, Ziro, o Hutt), Catherine Taber (Padmé Amidala), Matthew Wood (Dróides de Batalha), Kevin Michael Richardson (Jabba, o Hutt), David Acord (Rotta, o Hutt), Samuel L. Jackson (Mace Windu) e Anthony Daniels (C3P-O).
Sinopse: Após ter o seu filho seqüestrado, o gangster Jabba, o Hutt, do planeta Tatooine, contata a República e o Conselho Jedi para fazer um trato com estes: caso consigam resgatar a criança, eles terão livre acesso às terras do planeta desértico, poderão realizar operações estratégicas e militares no mesmo e, principalmente, contarão com o apoio de Jabba na guerra contra os separatistas. Para obter êxito em tal resgate o Conselho Jedi envia Anakin Skywalker e a sua jovem Padawan, Ahsoka Tano, para liderarem um grupo de soldados que irão se empenhar na libertação do seqüestrado. Contudo, os separatistas, liderados por Conde Dookan, também têm um forte interesse em adquirir o apoio de Jabba e tentarão o possível a fim de prejudicar a missão liderada por Skywalker.
Star Wars – The Clone Wars – Trailer:
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Crítica:
De tanto ouvir a crítica especializada desmoralizar este “Star Wars – The Clone Wars” (agora o megalomaníaco George Lucas não autorizou nem mesmo a tradução do subtítulo do longa) acabei indo ao cinema sem muita expectativa para conferir o mesmo, mas ainda assim, na condição de fã absoluto da série, estava gratificado pela vida ter me dado mais uma oportunidade de poder assistir a mais um episódio desta incrível saga nas telonas. O resultado? Surpreendentemente, adorei o filme.
Que o mesmo conta com uma infinidade de defeitos, em especial os diversos furos de seu roteiro, isso não é nenhuma novidade, mas ainda assim considerei-o um longa divertidíssimo, além, é claro, de nos ofertar outra oportunidade de ficarmos frente a frente com personagens que nos cativaram outrora, como é o caso de Obi-Wan Kenobi, Anakin Skywalker e, certamente, Mestre Yoda.
A estória não deixa de ser interessante, em especial a premissa, mas há um grave problema inserido nela antes mesmo de o filme ter o seu início: a incompatibilidade desta com o subtítulo do longa. Quem vai aos cinemas imaginando que irá presenciar uma ampla abordagem sobre as famosas Guerras Clônicas (mencionadas por Luke Skywalker no quarto episódio da saga, no momento em que ele conhece Obi-Wan Kenobi e fica impressionado quando o segundo lhe revela que participou de tais conflitos) com certeza será negativamente surpreendido.
O roteiro, de fato, aborda ligeiramente as tais Guerras Clônicas, mas estas acabam sendo relegadas ao segundo plano, uma vez que a animação opta por retratar o rapto do filho de Jabba, o Hutt, e os esforços realizados pela República com o intento de resgatar a criança. Certamente é muito interessante assistirmos ao salvamento liderado por Anakin Skywalker e sua nova aprendiz, Ahsoka Tano, mas o problema maior está no propósito do mesmo.
Segundo os membros do Conselho Jedi, caso o resgate do filho de Jabba seja bem sucedido, o Hutt irá colaborar com eles na guerra contra os separatistas e o apoio deste é indispensável para a vitória da República. No entanto, há uma visível discrepância contida nesta missão: se o grande líder do planeta Tatooine é tão poderoso quanto os membros do Conselho Jedi prevêem, por que ele mesmo não se vê capaz de formar o seu próprio exército e resgatar o filho? Ao invés disso, a criatura pede auxílio aos Jedi que, utilizando unicamente dois de seus membros e mais alguns pouquíssimos soldados do gigantesco exército dos Clones, conseguem cumprir a tarefa que um exército inteiro, que aparentava ser tão poderoso a ponto de ser indispensável aos olhos da Federação, não se vê capaz de cumprir com êxito.
Mas os furos do roteiro, infelizmente, não param por aí. Principalmente se analisarmos este “The Clone Wars” da maneira que ele deve ser analisado, como um episódio de ligação entre o segundo e o terceiro capítulo da saga. Em “A Vingança dos Sith”, ficou mais do que claro que um dos maiores motivos que fizeram com que Anakin pendesse ao lado escuro da Força foi justamente a falta de confiança que o Conselho Jedi lhe depositava, relegando-o à posição de um mero coadjuvante, quando na verdade, este, em virtude de seu forte orgulho, almejava ser o protagonista de muitas missões.
Neste “The Clone Wars”, no entanto, o mesmo Conselho que, futuramente, viria negar a Anakin a liderança de missões menos complexas alegando que o jovem Padawan era muito pré-potente, impulsivo e despreparado para tal, atribui ao mesmo, incongruentemente, a responsabilidade de liderar uma tarefa de alta periculosidade, cujo fracasso poderia vir a resultar na derrota da República, durante um dos momentos mais conturbados de toda a sua história.
Incongruente também é a decisão do roteiro que opta por inserir duas personagens cujos destinos ficam em aberto com o término da película. Refiro-me à Ahsoka Tano (que, ao contrário da grande maiori
a das pessoas, não me irritou profundamente. Longe disso, gostei da inserção da mesma na trama, conforme comentarei mais em breve) e a vilã Asajj Ventress. Se a intenção deste “The Clone Wars” era funcionar como um episódio de liga ao segundo e ao terceiro capítulo, por que então tivemos a inserção de duas personagens que nem ao menos voltariam a aparecer em qualquer um dos dois episódios (“O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”) da saga? Se ao menos o roteiro tivesse se incumbido de dar um destino às mesmas, mas nem isso ele fez, simplesmente as inseriu na estória e esqueceu-se de que, no terceiro episódio, nenhuma das duas nem ao menos aparecem e / ou recebem uma singela menção, que seja.
Mas nem tudo no filme são defeitos. Não, muito pelo contrário. É verdade que o roteiro de “The Clone Wars” conta com uma infinidade de furos e erros, conforme fora previamente mencionado, e a animação falha gravemente ao tentar funcionar como amálgama entre “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”, mas se o analisarmos apenas como uma obra de entretenimento, este se revela uma ótima opção.
Contando com seqüências de aventura cujo alto nível de adrenalina somente uma animação poderia nos proporcionar (uma vez que esta confere uma vasta gama de movimentos aos personagens que, se fossem feitos de carne e osso, não contariam com a mesma flexibilidade), o filme é pura tensão, do intróito ao cabo, e suas cenas de ação são extremamente cativantes e envolventes, sobretudo as lutas de sabre de luz.
Evidentemente que nenhuma luta de sabre de luz inserida neste “The Clone Wars” se equipara ao conflito travado entre Qui-Gon Jinn, Obi-Wan Kenobi e Darth Maul em “A Ameaça Fantasma”, ou ainda ao duelo entre Mestre Yoda e Conde Dookan em “O Ataque dos Clones” e, principalmente, à luta travada entre Obi-Wan Kenobi e Anakin Skywalker em “A Vingança dos Sith”, mas não há como negar que a adrenalina proporcionada através dos duelos travados entre Obi-Wan Kenobi e Asajj Ventress, Anakin Skywalker e Conde Dookan (este, inclusive, infinitamente superior à luta ocorrida entre os mesmos protagonistas no início de “A Vingança dos Sith”) e o dificílimo combate entre Ahsoka Tano e três dróides de última geração é fortíssima e faz com que o filme valha cada centavo de seu ingresso.
Muito tem-se comentado também sobre a personagem Ahsoka Tano e o quão irritante esta é. Particularmente, a mesma não conseguiu causar-me quaisquer espécies de neurastenia ou coisas do tipo. Muito pelo contrário, confesso ter me surpreendido com a jovem Padawan. As habilidades presentes nela são incríveis e o trabalho desempenhado pela garota revela-se de suma importância para o êxito da missão. É claro que as vestimentas e os trejeitos egípcios que a caracterizam se mostram um tanto o quanto artificiais e oportunistas (uma vez que Ahsoka caminha, durante boa parte do filme, pelos extensos desertos de Tatooine, que muito nos remete à lembrança do Egito), mas creio que este seja o único detalhe que tenha me deixado verdadeiramente indiferente com a presença da garota (além, é claro, de o roteiro não ter previamente justificado o porquê desta simplesmente não aparecer e, nem ao menos ser mencionada, no terceiro episódio da saga, conforme já fora citado alguns parágrafos acima).
Um outro aspecto que tem sido muito criticado negativamente neste mais novo episódio que carrega o nome da brilhante franquia cinematográfica “Star Wars” é a qualidade técnica de sua animação. Em tempos onde personagens desenhados se mostram quase tão reais quanto personagens de carne e osso, tamanha a evolução tecnológica desenvolvida pelos estúdios da Pixar e da Dreamworks (em especial o primeiro), como é o caso do carismático robozinho protagonista do excelente “Wall-E”, era de se esperar que este “The Clone Wars” conta-se com uma qualidade gráfica bem mais avançada do que a que fora definitivamente apresentada aqui.
No entanto, não sou destes críticos que analisam um filme tomando por base uma outra obra cinematográfica. Olhando por este prisma e analisando “The Clone Wars” individualmente, podemos chegar à conclusão que, se a animação não faz jus a um “Wall-E” ou a um “Kung Fu Panda” no que diz respeito à sua parte gráfica, ela, ao menos, se mostra demasiadamente satisfatória neste quesito e, além de seus personagens terem sido muito bem desenhados, a movimentação destes é bastante convincente (salvo a movimentação ocular, que é a única restrição que faço aos mesmos).
A trilha-sonora também tem sido alvo de críticas extremamente negativas, principalmente vindas por parte dos saudosistas que idolatravam John Williams. Certamente, a genialidade de Kevin Kiner nem ao menos arranha a do compositor responsável pela trilha da saga original, em especial quando o filme se inicia e tomamos ciência de que a clássica música de abertura teve alguns acordes acrescentados, fato que adiciona algumas “gordurinhas” desnecessárias à mesma, mas não há como negar que a mescla de New Metal com Heavy Metal foi uma idéia genial de Kiner (apesar de eu detestar o primeiro sub-gênero musical citado) e torna as seqüências de ação do longa ainda mais eletrizantes do que elas já seriam por si só.
A direção de Dave Filoni também é uma característica que se revela bastante satisfatória. Durante o início do filme, as câmeras se movimentam com bastante versatilidade a fim de acompanhar as batalhas travadas entre a República e os separatistas no planeta Kristophsis. Com o desenrolar da trama, no entanto, a direção de Filoni vai perdendo o seu ritmo, mas ainda assim se mostra satisfatória e convincente o bastante a ponto de chamar a atenção do público até o seu último segundo de projeção, conferindo sempre muita dinamicidade ao longa.
Em suma, “Star Wars – The Clone Wars” é uma animação que conta com inúmeras falhas e furos em seu roteiro e se revela demasiadamente frágil se a analisarmos como um capítulo que serve de amálgama entre o segundo e o terceiro episódios. Contudo, analisando-a individualmente, a animação é bem feita e funciona com bastante eficácia se tomarmos esta apenas como uma obra descompromissada de entretenimento. Seus aspectos técnicos são muito satisfatórios, Dave Filoni realiza uma direção competente, a trilha-sonora, apesar de não se equiparar à de John Williams nem nos sonhos mais bizarros que o espectador possa ter, confere ainda mais ritmo às fascinantes e estonteantes seqüências de ação (estas que, de longe, são a maior qualidade do filme) e os personagens, apesar de conterem algumas falhas, são interessantes em sua maioria.
Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.
Crítica – Wall-E
Eu não sei ao certo se sou eu quem sou conservador, ou melhor, retrógrado demais ou se foi a qualidade das animações que realmente caiu, e muito, de uns tempos para cá. Sinceramente, creio que a preocupação com a qualidade gráfica das produções atuais fez com que a criatividade do roteiro das mesmas fosse praticamente esquecida de uns tempos para cá, fazendo com que as obras perdessem bastante de sua qualidade artística. Não que eu não goste de animações como “Ratatouille”, “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais”, “Procurando Nemo“, “Shrek”, “Jimmy Neutron – O Menino Gênio” ou até mesmo “Os Incríveis”, muito pelo contrário, gosto muitíssimo das mesmas, mas ainda assim acredito que nenhuma destas chegue aos pés de um “O Rei Leão”, ou uma “Branca de Neve e os Sete Anões”, ou um “O Estranho Mundo de Jack”. Surpreendentemente, em 2008, os estúdios Disney-Pixar conseguiram, em apenas 5 minutos de projeção, criar uma animação mais criativa e divertida do que todas as outras animações feitas nestes últimos 14 anos. Me refiro ao curta “Presto”, cuja criatividade, simplicidade e sagacidade das piadinhas embutidas no roteiro, nos remete aos bons tempos de “Tom & Jerry”, “Pica-Pau” e é claro, “Mickey & Donald”. Mais surpreendente ainda é a animação que nos é apresentada logo em seguida que, além de ser extremamente criativa, divertida e emocionante (conseguiu arrancar lágrimas até mesmo deste que vos escreve, que, segundo algumas pessoas, é um niilista coração de pedra), une aspectos das animações antigas (criatividade e humor inteligente), com aspectos das animações recentes (parte gráfica perfeita) e debates existenciais. Estou falando de “Wall-E”, a melhor e mais bem feita (em todos os sentidos) animação que já tive a oportunidade de assistir nos últimos 14 anos, conforme o leitor poderá constatar a seguir.
Ficha Técnica:
Título Original: Wall-E
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.disney.com.br/cinema/walle
Estúdio: Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton
Produção: Jim Morris
Música: Thomas Newman
Desenho de Produção: Ralph Eggleston
Edição: Stephen Schaffer
Elenco (vozes): Ben Burtt (Wall-E / M-O), Elissa Knight (Eva), Jeff Garlin (Capitão), Fred Willard (Shelby Forthright), John Ratzenberger (John), Kathy Najimy (Mary) e Sigourney Weaver (Auto).
Sinopse: No ano de 2.815 d.C. o planeta Terra, mediante o desleixo de seus habitantes, encontra-se em uma situação caótica, coberto de lixo, fazendo com que a vida em sua superfície torne-se impossível de se proliferar. A fim de reverter tal situação, os terráqueos abandonaram o planeta e designaram a missão de limpá-lo ao robô Wall-E. Completamente isolado no mundo, Wall-E tem uma vida enfadonha e sem propósito, até que conhece Eve, uma robô que mudará o curso de seu destino para sempre e irá ajudá-lo a provar que ainda existe a possibilidade de se viver na superfície terrestre.
Crítica:
“Wall-E” inicia-se com uma belíssima música e um fantástico close da Via Láctea. Logo as câmeras nos direcionam à Terra e temos uma visão aérea do corpo celeste. O ano é 2.815 d.C., o planeta encontra-se abandonado e coberto de lixo, seus únicos habitantes são os insetos e um pequeno e desengonçado robô que tem como incumbência a tarefa de limpar todo o lixo da Terra. É aí que tomamos ciência de que a belíssima música que abre o filme estava sendo reproduzida e ouvida pelo robô com o único intuito de conferir mais alegria à vida solitária da triste e pobre máquina.
A animação vai se desenrolando, Wall-E vai sendo cada vez mais bem desenvolvido e aproveitado pelo roteiro que foca, acima de tudo, na tristeza que o mesmo sente devido à sua vida solitária, rotineira e depressiva. O único ser com quem ele se relaciona é uma barata, que é vista por ele como um animal de estimação, um cão, ou um gato, ou qualquer outro animal capaz de lhe fazer companhia.
Como o leitor pôde perceber, em apenas dez minutos de projeção já se é capaz de notar toda a criatividade e perspicácia do roteiro que, além de criar pequenas peculiaridades que contribuem, e muito, para o desenvolvimento do protagonista (a barata de estimação é a maior prova disso), consegue mesclar com maestria características de Charles Chaplin e Woody Allen ao personagem-título.
É isso mesmo, para desenvolver Wall-E os roteiristas do filme utilizaram várias características destes dois gênios do Cinema. Repare, por exemplo, no jeito simplório e desajeitado com que o simpático robô manuseia uma raquete de tênis, nos remetendo à imediata lembrança do maior ícone da história do Cinema mudo. Repare também nas feições do protagonista, no olhar depressivo deste, idênticos ao do intelectual de ascendência judia.
“Wall-E” é um filme que já valeira cada centavo cobrado por seu ingresso apenas pelo pr
otagonista que, além de tremendamente cativante e perfeitamente bem desenvolvido pelo roteiro, fôra desenhado com uma competência fora do comum. E os responsáveis pelos efeitos visuais merecem todos os elogios existentes em nosso (e em todos os outros, diga-se) vocabulário. É incrível a perfeição com que o robô (e os demais personagens) fôra desenhado, tanto que chegamos a acreditar que Wall-E não é um desenho, mas sim um personagem real.
Tão bem produzida e desenvolvida quanto é Eve, o par romântico de nosso robozinho melancólico. E falando em par romântico, é incrível ver a sutileza com que o mesmo é desenvolvido pelo roteiro. Francamente, creio ser impossível não nos cativarmos com o casal que, desde já digo, possui uma das melhores químicas entre personagens já vista no Cinema deste início de século.
Outro ponto fortíssimo da animação reside na análise que a mesma realiza sobre a dependência humana perante o conforto que a alta tecnologia nos proporciona, tornando-nos seres sedentários ao extremo, além, é claro, “escravos” das máquinas. Para demonstrar isso, o longa opta, brilhantemente, por fazer referências (e porque não dizer, homenagens) ao sensacional “2001 – Uma Odisséia no Espaço”.
Perdido (e fascinado, diga-se) com tanta perfeição, é até estranho que eu tenha conseguido encontrar um defeito no filme, mas a verdade é que o mesmo cai bastante no intróito de seu segundo ato quando dá a entender que se transformará em uma aventura descerebrada e opta, terrivelmente, por parar de desenvolver seus personagens de modo tão cativante como vinha fazendo até então. Felizmente o roteiro abandona tal idéia durante o desenrolar da película e decide abordar, durante o seu terceiro ato, o tema existencial entre homem-tecnologia, conforme fôra supracitado.
Um filme fabuloso e, com o prévio perdão pela utilização da palavra meiga e piegas ao extremo, fofíssimo.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
Crítica – Persepolis
Sempre que me deparo com um personagem subversivo em um filme nutro fortes relações com o mesmo. Foi assim com Alexander De Large em “Laranja Mecânica”, Travis Brickle em “Taxi Driver”, Ferris Bueler em “Curtindo a Vida Adoidado” (apesar deste filme não ser nenhuma obra-prima) e, principalmente, Tyler Durden no excepcional “Clube da Luta”. Neste “Persepolis” minha relação com a protagonista Marjane Satrapi não foi muito diferente, principalmente se levarmos em conta que a mesma era comunista em sua infância e início de adolescência e anarco-niilista durante o final de sua adolescência e início da fase adulta. Mas por que estou dizendo tudo isso? Para ser sincero com o caro leitor e para que o mesmo possa perceber o quão subjetiva será a crítica a seguir e, é claro, que em momento algum isto deprecia minha análise, muito pelo contrário, estou fazendo propaganda positiva da mesma.
Ficha Técnica: Em Andamento
Sinopse: Marjane Satrapi (Chiara Mastroianni) é uma garota nascida na década de 70 que faz parte de uma família iraniana subversiva e revolucionária que, acima de tudo, vai de encontro com os ideais do Xá (imperador iraniano) da época. Após sobreviver a um terrível bombardeio, os pais de Marjane decidem enviá-la a França, pois o Irã não era mais um país seguro a mesma. É na Europa que a protagonista conhece um grupo de amigos que acaba exercendo uma forte carga intelectual na garota, fazendo com que a mesma tenha uma outra visão sobre o Irã, quando retorna ao mesmo mais tarde, percebendo que a Revolução Islâmica não mudou em nada aquele país, muito pelo contrário, tornou-o ainda mais hipócrita.
Crítica:
Está cada vez mais difícil encontrarmos um filme que se proponha a debater política de maneira realmente interessante. Mais difícil ainda é encontrar um filme que se proponha a debater a política do Oriente Médio (ou de um de seus países que seja) de maneira realmente interessante. Mais difícil ainda (na verdade, quase impossível) é encontrarmos um filme que faça isso de maneira precisa, mas descontraída e divertida. Marjane Satrapi uniu toda a sua inteligência e experiência de vida e conseguiu fazer deste “Persepolis” uma auto-biografia extremamente competente, realista, politizada e divertida. Repleto de um humor muito bom, alternando entre piadas agridoces, politizadas e de um humor negro inteligentíssimo, “Persepolis” se revela uma animação bem acima da média nos apresentando a uma protagonista para lá de interessante. Particularmente (e aqui começa a subjetividade da análise, conforme havia informado o leitor em meu comentário pré-crítica), me relacionei demais com a protagonista e não havia nem como se relacionar. A garota é politizada, vai de encontro à maior parte dos ideais da sociedade em que vive e considera Iron Maiden a sua banda predileta. O modo como a mesma emprega argumentos para defender seus ideais também fez com que eu me relacionasse muito com ela (pararei com a subjetividade da crítica por aqui). A estória também é fantástica e pode ser perfeitamente dividida em três atos diferentes, sendo o primeiro que narra a infância de Marjane apresentando críticas ferrenhas à política iraniana e os conservadorismos (comprar uma fita K7 de uma banda de rock era quase como comprar uma grama de cocaína) da época, o segundo o que nos apresenta à convivência da protagonista na Europa, bem como a formação filosófica e ideológica desta e o terceiro nos retrata a volta de Satrapi à sua terra natal, que é quando ela se dá conta de que a Revolução Islâmica apresentou poucas mudanças à mesma. Infelizmente o terceiro ato é infinitamente inferior aos dois anteriores, tirando muito do brilho dos mesmos e enfraquecendo aquilo que, facilmente, poderia se revelar uma obra-prima.
Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.
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