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Up – Altas Aventuras – **** de *****
Redigido e editado por Daniel Esteves de Barros aos 02 de setembro de 2.009 e publicado pelo mesmo aos 03 de setembro de 2.009.

Ficha Técnica:
Título Original: Up.
Gênero: Animação / Aventura.
Tempo de Duração: 96 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.disney.com.br/cinema/up/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Pete Docter.
Roteiro: Bob Peterson.
Elenco: Edward Asner (Carl Fredricksen), Chico Anysio (Carl Fredricksen – versão brasileira), Christopher Plummer (Charles Muntz), Jordan Nagai (Russell), Bob Peterson (Dug / Alpha), Delroy Lindo (Beta), Jerome Ranft (Gamma), John Ratzenberger (Tom), Mickie McGowan (Policial Edith), Danny Mann (Steve), Donald Fullilove (Enfermeiro George), Jess Harnell (Enfermeiro AJ), Josh Cooley (Omega), Elie Docter (Ellie – jovem), Jeremy Leary (Carl Fredricksen – jovem) e Pete Docter.
Sinopse: Carl Fredricksen (Edward Asner) é um vendedor de balões que, aos 78 anos, está prestes a perder a casa em que sempre viveu com sua esposa, a falecida Ellie. O terreno onde a casa fica localizada interessa a um empresário, que deseja construir no local um edifício. Após um incidente em que acerta um homem com sua bengala, Carl é considerado uma ameaça pública e forçado a ser internado em um asilo. Para evitar que isto aconteça, ele enche milhares de balões em sua casa, fazendo com que ela levante vôo. O objetivo de Carl é viajar para uma floresta na América do Sul, um local onde ele e Ellie sempre desejaram morar. Só que, após o início da aventura, ele descobre que seu pior pesadelo embarcou junto: Russell (Jordan Nagai), um menino de 8 anos.
Fonte Sinopse e Ficha Técnica: Adoro Cinema.
Up – Trailer:
Crítica:
A missão deste “Up – Altas Aventuras”, mais nova aposta da bilionária parceria entre Disney/Pixar, definitivamente, não é das mais fáceis. Substituir o espetacular “Wall-E” e, ao mesmo tempo, segurar com todas as forças o glamour que ronda o estúdio não é uma tarefa que exige pouca responsabilidade dos envolvidos com a mesma.
Não menos hercúlea é a missão do espectador que ainda nutre fortes laços com o mágico filme do robozinho e tem de esquecer-se daquela magnífica produção de 2.008 para poder conferir “Up – Altas Aventuras” (que a partir de agora chamarei unicamente pelo título original, ou seja, “Up”) de cabeça vazia e sem tentar estabelecer quaisquer elos ou criar quaisquer expectativas em cima desta animação tomando por base “Wall-E”.
Contudo, é justamente quando o filme começa que nos damos conta de que esta nova investida da Disney/Pixar perde veementemente para o seu antecessor em um quesito: sua parte gráfica. Se em “Wall-E” (ao menos durante o primeiro ato daquele longa) jurávamos não estar presenciando uma simples animação 3D, mas sim um filme com personagens de verdade, em “Up” temos a mais plena ciência de que realmente estamos diante de uma animação 3D muito bem feita, e só.
O que dizer então da dupla de protagonistas Carl/Russell se comparada ao personagem Wall-E que, ao lado de Gollum, da excepcional trilogia – “O Senhor dos Anéis”, se mostra a figura mais marcante do cinema nesta primeira década do século XXI? O velho e o garoto, indiscutivelmente, se completam e enchem “Up” de carisma, magia e emoção, mas não restam dúvidas de que um único gesto feito pelo simpático robozinho conseguia se mostrar ainda mais cativante do que praticamente tudo o que os dois protagonistas realizam juntos nesta animação.
Mas desvencilhemos “Up” de “Wall-E”, ok? Por mais duro que isto seja, deve-se avaliar um filme de maneira independente, e farei isso com “Up” a partir de agora.
A animação em questão começa muito bem. Deparamos-nos com um garoto que, assim como todos os outros, fantasia a sua vida vivendo entre um devaneio e a realidade. O pequeno e tímido Carl sonha em seguir os passos de seu ídolo Charles Muntz e viajar através de um veículo aéreo até a América do Sul, onde irá desbravar as maravilhas da natureza local. Carl conhece então a tagarela e espevitada Ellie que nutre as mesmíssimas paixões e desejos que ele. Ambos se tornam grandes amigos, crescem juntos e, como já era de se esperar, se casam.
Previsível, é claro, mas até aí a animação é simples e charmosa. Assim como o robô Wall-E (disse que evitaria comparações, não? Juro que esta será a última) nos remete à deliciosa sensação de estarmos dentro de um filme mudo enquanto ele protagoniza as suas divertidas palhaçadas isolado no planeta Terra (salvo pela companhia de sua barata de estimação, é claro), em “Up” temos à magistral sensação de estarmos assistindo a um curta metragem mudo durante os momentos em que a animação se dedica a desenvolver o casamento entre Carl e Ellie.
Por mais simples e batido que soe o romance de ambos, não há como não nos cativarmos com eles, seja vendo-os pintando a caixa de correio, seja vendo-os limpando a casa, seja vendo-os poupando dinheiro e armazenando tudo em um singelo recipiente, seja vendo-os sonhando com uma casa no topo de uma montanha localizada na América do Sul, seja vendo-os amargar a perda de um tão esperado filho que nem ao menos chegou a nascer.
Em uma sucessão de imagens que dura menos do que dez minutos, o filme já faz valer a pena o valor de seu ingresso, pois conseguimos rir, nos emocionar e nos lamentar com o triste fim que o matrimônio de ambos teve. É como se em dez minutos uma longa e duradoura estória nos fosse inteiramente narrada unicamente através do sábio uso de imagens que já falam por si só.
Eis que chegamos à trama principal. Carl, agora viúvo, torna-se um velho antipático, ranzinza e frustrado. A única lembrança concreta e material que possui de sua falecida esposa Ellie é a casa na qual viveram juntos durante as suas vidas inteiras e é justamente por este motivo que o protagonista recusa-se a abandonar a mesma.
Acontece um incidente, Carl é obrigado a ir para um asilo, mas antes, enche o seu lar de balões a fim de fazê-lo flutuar até a América do Sul. Graças à força do destino, o velho acaba involuntariamente levando consigo o garoto Russell, de oito anos, cuja tagarelice irrita o velho que, a partir de agora, deverá juntar forças e paciência para tolerar o mesmo.
Renasce então aquela relação exaustivamente batida entre o velho ranzinza e o garoto hiperativo e irritante. Sabe aquela química típica de Dennis Mitchel e o Sr. George Wilson? Pois é, ela é praticamente transportada para cá. O garoto que ama o velho e o velho que tenta fingir que odeia o garoto. Entretanto, há algo que difere completamente Carl e Russell de Dennis e Wilson. Aqui, um precisa do outro.
Carl perdeu a esposa e viu a vida se tornar insuportavelmente vazia e insossa sem essa. Russell viu o pai ir embora e raramente recebe visitas da parte deste. Ambos se tornam solitários e, por mais diferentes que sejam um do outro, eles se completam. Russell se torna o neto que Carl nunca teve, o segundo, por sua vez, se torna o avô que o primeiro também jamais possuiu e, francamente, não fosse a grande diferença de idade entre ambos, diria que a relação está muito mais para pai e filho do que avô e neto.
A dinâmica entra ambos é muito boa, contudo, previsível demais. Aliás, o filme todo é previsível, principalmente em suas gags. Dois exemplos (e se você segue o tipo que não gosta de saber de algumas piadas inseridas no roteiro antes de assistir ao filme, aconselho não ler o restante deste parágrafo e que pule diretamente para o final desta crítica): quando Russell exibe o seu GPS ao velho e, em uma jogada muito antigo que só acontece mesmo em Hollywood e sabemos perfeitamente que resultará em um pequeno “desastre”, abre os braços para tal fazendo com que a sua mão vá além de uma janela aberta, sabemos perfeitamente que o garoto irá arremessar o aparelho para fora. Uma previsibilidade de igual intensidade ocorre quando Carl tenta despistar a ave e o cão que passam a lhes seguir. Logo que o protagonista arremessa uma bola e uma barra de chocolates para distrair os animais e inicia uma pequena corrida para despistar os mesmos, temos a plena ciência de que, assim que parar para descansar, dará de cara com ambos.
Mas devo admitir que nem todo alívio cômico é previsível em “Up”. Prova disso é a cena em que o garoto faz uma pausa para “ir ao banheiro” e fica na dúvida se deveria cavar um buraco no solo antes ou depois de fazer as necessidades. E é praticamente impossível conter a gargalhada quando o jovem comenta: “___ Oh, era antes!”.
Avaliando-o como uma animação produzida pelos estúdios Disney/Pixar, “Up – Altas Aventuras” se mostra levemente (bem levemente mesmo) aquém de alguns exemplares já produzidos pela empresa. Ao avaliar o filme individualmente, no entanto, o mesmo revela-se bastante divertido e até mesmo criativo. E mesmo que a dinâmica entre os seus dois protagonistas se revele altamente batida e o seu humor seja bastante previsível, a trama conta com a sua parcela de originalidade (uma casa sendo levantada por balões e servindo de dirigível para dois atípicos aventureiros é a prova disso), nos emociona satisfatoriamente e conta com uma bela mensagem inserida em suas entrelinhas.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
Easy Rider: Sem Destino – ***** de *****
““Sem Destino”, ícone da contracultura e da liberdade sobre rodas, completa 40 anos”. Tal notícia, publicada no dia 17 de julho de 2009 no site do UOL, chamou a atenção de um amigo meu que, através do Twitter, sugeriu-me uma crítica do filme. “Oras, e por que não?” ___ Pensei eu. Afinal de contas, já havia muito tempo, mesmo, que almejava escrever uma crítica sobre o filme dirigido por Dennis Hopper e achei o presente momento mais do que oportuno. Assisti ao filme pela terceira vez no último domingo (19/07/2009) e dediquei-me, durante estes últimos dois dias, a escrever sobre o mesmo. O resultado podemos conferir logo mais abaixo:

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 22 de julho de 2.009.
Ficha Técnica:
Título Original: Easy Rider.
Gênero: Aventura / Drama.
Tempo de Duração: 95 minutos.
Ano de Lançamento: 1969.
Países de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Dennis Hopper.
Roteiro: Petter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern.
Elenco: Peter Fonda (Wyatt “Capitão América”), Dennis Hopper (Billy), Jack Nicholson (George Hanson), Antonio Mendonza (Jesus), Karen Black (Karen), Phil Spector (“Conexão”), Robert Walker Jr. (Jack), Luana Anders (Lisa), Sabrina Scharf (Sarah), Sandy Brown Wyeth (Joanne) e outros.
Sinopse: Wyatt (Peter Fonda) e Billy são dois jovens motoqueiros traficantes de droga que não se adaptaram à sociedade e seguem um estilo de vida altamente libertário, onde passam a maior parte de seu tempo circulando pelas rodovias estadunidenses sem qualquer destino pré-definido. Quando recebem uma satisfatória quantia em dinheiro para transportar uma considerável carga de cocaína até o outro lado do país, ambos decidem passar antes por Nova Orleans e participarem de um festival que está acontecendo na cidade. No meio do caminho, Wyatt (vulgo “Capitão América”) e Billy se relacionam com dezenas de pessoas bem diferentes das que estamos acostumados a conviver rotineiramente, dentre as quais destaca-se George Hanson (Jack Nicholson), um jovem advogado que dará um novo sentido à liberdade dos motoqueiros.
Easy Rider – Trailer:
Crítica:
Responda rápido: você se recorda de alguma seqüência de créditos, dentre todos os filmes a que já assistiu, mais marcante do que a contida em “Sem Destino”? Certamente não, estou errado? O estranho é que a cena que exibe os créditos do presente longa não é necessariamente original, e ainda assim causa um impacto indescritível às pessoas que a estão assistindo. Talvez seja pelo fato da mais do que clássica e indispensável “Born To Be Wild”, aliada às magníficas paisagens que são retratadas enquanto a mesma é executada, resumir maravilhosamente bem não só o filme que está sendo exibido no presente momento, como também uma geração inteira. E é justamente isso que “Sem Destino” acaba representando: toda uma geração.
Mais do que justamente premiado como “ícone cinematográfico máximo da contracultura”, “Sem Destino” é um filme que marcou a sociedade e a arte até os dias atuais, mesmo após tendo completado quarenta anos nesta última terça-feira, dia 14 de julho de 2009. Mas o que faz dele uma obra imortal? O simples fato de ter tirado o clássico absoluto “Born To Be Wild”, bem como outros grandes hits da época, dos circuitos independentes e ter ascendido-lhe ao mais glorioso sucesso que se possa imaginar? Bem, este foi um dos motivos, de fato, afinal de contas, o que seria do Heavy Metal sem Stepenwolf? O que seria dos motoqueiros de todo o mundo sem o seu hino definitivo (que, por sinal, tornou-se o hino mor dos amantes da liberdade sobre duas rodas pelo óbvio motivo de ter sido a música que acompanha os créditos iniciais deste longa)? E, acima de tudo, o que seria do Heavy Metal, do Stepenwolf e dos motoqueiros sem “Easy Rider: Sem Destino”?
É mais do que evidente, no entanto, que “Born To Be Wild” foi apenas um mero fator que acabou transformando “Sem Destino” em um clássico absoluto da sétima arte. O filme, definitivamente, não concentra os seus atributos única e exclusivamente em uma música, aliás, não só em uma música como também em toda a sua trilha-sonora, que figura facilmente entre as melhores da história do Cinema.
“Sem Destino” é aquilo que toda a obra cinematográfica deveria ser. “Sem Destino” é arte. “Sem Destino” é o ícone máximo de uma geração inteira. “Sem Destino” é a perfeita espelhação de um excêntrico grupo social que serviu de amálgama entre a geração hippie e a geração punk (e por que não citar a geração headbanger?). E é exatamente isso que o transforma em uma obra-prima inquestionável.
Mas a qual excêntrico grupo social estaria eu me referindo, de fato, no parágrafo acima? Um grupo de pessoas fartas de levar um estilo de vida patético e convencional e que decide adotar uma existência “Easy Rider”. Calma, explico. As duas palavras de difícil conexidade que compõem o título original do filme formam, na realidade, uma gíria empregada pelo pessoal da época (fim dos anos 1.960 e início dos anos 1.970) a fim de definir o estilo de vida traçado pelos protagonistas do longa, ou seja, um estilo de vida livre e altamente distante dos ditames sociais. Uma “cavalgada fácil” (traduzindo ao pé da letra), sem ter de suportar o estresse de nossos cotidianos cíclicos, onde desperdiçamos uma existência inteira trabalhando em empregos insuportáveis que não nos leva a lugar algum que não seja a dependência de bens materiais inúteis que visam preencher as nossas mentes insatisfeitas.
A obra-prima de Dennis Hopper (que, pasmem, não só atuou como também dirigiu e roteirizou o filme), no entanto, não só é muito rica no campo sociológico (pois traz à tona um grupo socialmente alternativo) como também no campo filosófico. Particularmente, costumo alcunhar um filme desta espécie, assim como o recente “Na Natureza Selvagem” (que conseguiu a façanha de ser ainda melhor que o drama/aventura em questão), de: “filme filosófico niilista neutro”. Sim, é isso mesmo, filosófico niilista neutro.
Mas o que vem a ser isso? Seria algo que está exatamente em um ponto central de uma tênue linha que separa o niilismo ativo do niilismo passivo. Pegue uma produção niilista ativa (“Clube da Luta”, por exemplo), onde o foco reside no desenvolvimento de personagens que almejam destruir os dogmas da sociedade judaico-cristã-ocidental, e mescle com aspectos de uma produção niilista passiva (“Se7en – Os Sete Crimes Capitais”, curiosamente dirigido por David Fincher, o mesmíssimo diretor do já citado “Clube da Luta”), onde o roteiro foca-se em personagens pessimistas que não creem mais na sociedade e veem no fim da vida, ou na total obliteração social, a solução de seus problemas (ou da maioria deles, o que viria mais a calhar, já que falamos sobre niilismo passivo). O que temos então? Uma produção niilista neutra, ou seja, personagens que não suportam mais o convívio social e, como consequência, decidem se livrar de suas raízes civilizadas, sem que para isso vivam um irrompivelmente cíclico Eterno Retorno do Mesmo, torcendo para que a morte chegue o quanto antes, ou então saia por aí pregando o fim do cristianismo/judaísmo e à volta à natureza.
Aqui estamos diante justamente de dois homens que pouco se importam em desestruturar os padrões rotineiros vivenciados pela nossa sociedade ou acabar com os dogmas judeus e cristãos, assim como Nietzsche pregava. Tampouco estamos diante de pessimistas derrotistas que não veem mais esperança em nada, da mesma forma que Schopenhauer o fazia. Capitão América (Peter Fonda, excelente como o “semi-bicho grilo” cabeça e conciso) e Billy (mais excelente ainda como “semi-bicho grilo” descerebrado) querem apenas se afastar da sociedade, elevando o termo: “sexo, drogas e rock and roll” à máxima potência, mesclando-o ainda a diversos elementos como liberdade, estilo de vida alternativo e, é claro, motocicletas.
A maior ambição de ambos é a liberdade, aliás, não só eles, como todo e qualquer personagem que dá as caras no filme apetece a liberdade de uma forma ou de outra. Há aqueles que desejam a liberdade habitando um sítio e vivendo, praticamente, de agricultura de subsistência com a família (“___ Trabalha no que é seu e quando está deseja trabalhar. Deveria se orgulhar disso!”), os que buscam sociedades alternativas semi-epicuristas (leia-se: hippies) para tal (“___ Sou de uma cidade, uma cidade exatamente igual a qualquer outra cidade. E é justamente por este motivo que desejo estar aqui agora, neste lugar abandonado!”) e, é claro, os nômades contemporâneos, como é o caso dos protagonistas que parecem não se acomodar em nenhum tipo de sociedade.
Liberdade, a propósito, é a palavra que ressoa durante toda a projeção. E quer saber o que é melhor? Aqui, a liberdade não é encarada como um propósito burguês mesclado à glória e honra, algo muito comum nos grandes épicos (não que eu tenha algo contra este conceito “burguês” de liberdade, muito pelo contrário, mas enfim…), mas sim no sentido mais literal o possível desta palavra. É a liberdade de ir e vir, liberdade de viver a vida que escolheu para si próprio, liberdade de poder locomover-se pelo país inteiro, vivenciando novas experiências, conhecendo novos lugares, novos indivíduos.
E novos indivíduos é o que não falta por aqui. “Sem Destino” foca-se, é claro, nos protagonistas, mas os papéis coadjuvantes, por muitas vezes, mostram-se tão fortes quanto, o que faz com que o longa, apesar de contar com uma estória bem simples, jamais perca o seu interessante ritmo.
Como não se familiarizar com os integrantes de uma colônia hippie que, em apenas 15 minutos, é retratada da forma mais completa que já pude conferir no Cinema (e confesso que nem mesmo o interessante “Hair” retratou esta magistral sociedade alternativa de um modo tão amplo quanto o filme de Dennis Hopper, mesmo dedicando a sua projeção inteira para tal)? Como não se familiarizar com o advogado George que, dono de um espírito por vezes mais libertário do que o dos próprios protagonistas, demonstra claramente não suportar a convivência social civilizada que lhe é imposta e, em face disso, opta por seguir viagem junto de Billy e Capitão América?
Espere, citei George, não citei? Pois citar o incomparável personagem que revelou Jack Nicholson para o mundo, transformando-o em um astro, e não se aprofundar sobre o mesmo é como assistir a “Acossado” e não se encantar com a direção de Jean-Luc Godard. Por mais que “Sem Destino” tenha inúmeras qualidades, o filme não seria o mesmo sem a presença de Jack Nicholson que, em apenas vinte minutos em cena, nos brinda com aquela que gosto de alcunhar como: “melhor desempenho de ator coadjuvante da história do Cinema” (bem… da história do Cinema, não digo, mas sim dentre todos os filmes os quais já assisti).
O poder que George Hanson confere ao longa sessentista é algo fenomenal, tanto que, por mais fortes que cenas como a apresentação dos créditos ou o trágico desfecho sejam, elas não conseguem superar três sequências protagonizadas pelo personagem de Nicholson em especial. Refiro-me à passagem por um bar interiorano onde o trio sofre um preconceito terrível e duas conversas que os protagonistas tem sob o calor e a claridade de uma fogueira acesa, sendo que, em uma dessas cenas, os atores encontram-se sob real efeito alucinógeno causado pelo uso recente de maconha e discorrem sob a existência de objetos voadores não-identificados.
O destaque de “Easy Rider”, porém, fica por conta de uma conversa entre Hanson e Billy, onde o primeiro profere aquele que julgo como sendo o melhor discurso sobre liberdade já feito para o Cinema (ao menos, dentre os filmes os quais já assisti): “Eles não temem você. Temem o que você representa e, para eles, você representa a liberdade.”.
Encerrando esse texto… o quê? O final? Ah sim, por mais que insista na conversa entre Billy e George, não há como negar que o final de “Easy Rider” foi eleito pela grande maioria dos cinéfilos como o grande e definitivo momento do filme, bem como um dos grandes e definitivos momentos da sétima Arte. O que representa aquela tragédia, enfim? Que o sonho acabou? É provável, todavia, gosto de destacar também os caipiras preconceituosos que fazem parte da mesma. Seria mera coincidência ou a inserção de sujeitos ruralistas em meio a cena seria um modo sutil, embora extremamente eficiente, de transmitir-nos a mensagem de que, enquanto houver uma maioria de pessoas de mente pequena no mundo (não que todo o caipira tenha mente pequena, não vamos generalizar, mas a verdade é que a maioria deles nutrem preconceitos pelas coisas mais fúteis que se possa imaginar), a plena liberdade jamais será alcançada, por mais que as minorias, caso dos protagonistas, lutem ou se esforcem para tal? Ou talvez não, talvez eu esteja completamente errado.
De uma forma ou de outra, “Easy Rider: Sem Destino” é mais do que um mero grito de liberdade. É mais do que o grande responsável pelo pleno sucesso de “Born To Be Wild”. É mais do que um grande clássico do Cinema. É mais do que uma obra de Arte. “Easy Rider: Sem Destino” é o representante cinematográfico definitivo de toda uma geração. E por mais que o filme seja ligeiramente (bem ligeiramente mesmo) arranhado por uma direção que, apesar de excepcional, é recheada de maneirismos e por uma edição desnecessariamente “moderninha”, o mesmo trata-se de uma obra-prima indispensável para os amantes do Cinema, da liberdade e da contracultura, em si.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
Especial – Harry Potter
É aquela coisa, é só uma continuação que integra uma franquia cinematográfica extremamente bem sucedida do ponto de vista financeiro aparecer e tudo quanto é crítico de Cinema faz um especial com todos os episódios que formam a tal série. Oras, que atitude mais oportunista e aproveitadora esta, não? Pois é, muito oportunista e aproveitadora mesmo. Enfim, deixe-me aproveitar descarada e imensamente do fato de “Harry Potter e o Enigma do Principe” estar sendo lançado nos cinemas do mundo todo durante esta semana e utilizar-me de um oportunismo altamente hipócrita para lançar as minhas críticas realizadas aos cinco primeiros episódios da franquia. Comecemos com “Harry Potter e a Pedra Filosofal”
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 15 de julho de 2.009.
Harry Potter e a Pedra Filosofal – *** de *****

Lembro-me de que, durante a primeira reunião do grupo de escritores de minha cidade, debatemos sobre o porquê desse sucesso todo que J. K. Rowling fez pelo mundo com os livros da série Harry Potter. O que havia de tão especial nesta série literária a ponto de merecer todo esse sucesso exacerbado e esse assédio descontrolado por parte do público e da mídia? Eu, junto de outros colegas, defendi a hipótese de que Rowling conseguira mexer com a imaginação da criança e, em um mundo tão patético quanto este, onde a vida virtual parece ser infinitamente mais atrativa e convidativa do que a vida real, isso já seria o bastante para despertar a atenção dos jovens leitores, uma vez que o mundo de Harry Potter aparenta ser incrivelmente mais repleto de graça do que este mundo enfadonho e recursivo em que vivemos.
Contudo, a fim de transportar o leitor para o seu mundo fantástico (em ambos os sentidos da palavra), Rowling viu-se na necessidade de utilizar mais de seiscentas páginas para tal. Em face disso, surgiu a seguinte pergunta: quantos minutos seriam necessários para que um diretor obtivesse o mesmo resultado caso desejá-se adaptar o livro para as telonas? Chris Colombus apostou em 152 minutos e conseguiu, magistralmente, exportar as nossas mentes para o mágico (também em ambos os sentidos da palavra) e fantástico mundo de Harry Potter. E, com isso em vista, podemos afirmar que o filme é simplesmente perfeito, correto? De maneira alguma. Se há uma coisa da qual “Harry Potter e a Pedra Filosofal” passa longe, é da perfeição.
Não se tenha dúvidas de que é muito interessante adentrarmos em um mundo paralelo onde possamos conviver com inúmeros fatores que o difiram completamente deste nosso mundo real e chato. Pois neste episódio de abertura da franquia cinematográfica “Harry Potter” temos um leque de variedades que desafiam a nossa imaginação, podendo alternar desde um fantasma que é “quase-sem-cabeça”, até mesmo a uma pedra filosofal que traz consigo o elixir da vida, passando por castelos suntuosos, filhotes de dragão norueguês nascendo diretamente do ovo, unicórnios, centauros, capas de invisibilidade, chapeis seletivos falantes, duendes que administram um banco, pinturas animadas, um esporte cujas partidas são disputadas com muita adrenalina e uma forte carga de magia (apesar das regras deste serem deveras absurdas, mas tudo bem), escadas que se movem e um espelho capaz de nos revelar os mais profundos desejos de nossos corações.
Enfim, o universo descrito no parágrafo supra é o universo que Chris Colombus nos propõe a apresentar e consegue o fazer magistralmente, diga-se. Por 152 minutos nos vemos encantados dentro deste mundo alternativo e… opa… espera lá (pois é, informal deste jeito mesmo), é exatamente isso o que acontece. Assim como os bruxos deste universo paralelo exibido nas telas, os produtores da série conseguem nos enfeitiçar com um mundo belo e mágico e deduzem que isso já basta para nos encantar por completo. Ah, pra cima de mim não, meu amigo! Pensa que não percebi que, dos 152 minutos de projeção do filme, pouco mais de 20 foram realmente dedicados a desenvolver alguma estória que seja (que sim, trata-se de uma trama muito bem bolada, mas pessimamente desenvolvida)? Pois é, a magia lançada pelos bruxinhos protagonistas revela-se forte o bastante para cobrir o espectador com um encanto que cai sobre si, a ponto de o fazer deixar a sessão como se tivesse assistido a um convincente exemplar da indústria do entretenimento quando, na verdade, assistiu somente a um codilho cinematográfico mitológica e visualmente lindo, mas com muito pouco conteúdo.
E vamos para a sessão de “Harry Potter e a Câmara Secreta”, que espero que seja melhor.
Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.
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Harry Potter e a Câmara Secreta – **** de *****

E, de fato, a sessão de “Harry Potter e a Câmara Secreta” foi bem superior à sessão de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Vários pontos que haviam deixado a desejar no primeiro filme acabaram recebendo um tratamento extremamente diferenciado neste segundo episódio da saga do bruxinho, dentre os quais destaco a direção de Chris Colombus. Longe de mostrar-se ligeiramente apático por trás das câmeras, assim como havia feito no longa anterior, Colombus investe aqui em uma série de técnicas que, mesmo fazendo com que o seu trabalho se mostre apenas correto, o coloca em um patamar bem acima de “…A Pedra Filosofal”. Em um determinado momento, por exemplo, o cineasta realiza um traveling aéreo que rotaciona por todo o magistral cenário da Escola de Bruxaria de Hogwarts e se encerra adentrando, através de uma pequena abertura, a estufa onde os alunos encontram-se assistindo a uma aula.
Colombus se mostra bastante sagaz também ao tomar certas cautelas que fazem com que o espectador tenha uma noção mais ampla do desenvolvimento temporal diegético da trama, como na cena em que, a fim de provar que uma importantíssima personagem encontra-se petrificada há um bom tempo, foca uma enfermeira substituindo um buquê de rosas murchas que localizava-se na superfície do criado-mudo ao seu lado, por rosas novas.
A grande evolução no que se refere ao quesito direção, no entanto, deve-se ao cuidado que o diretor toma para fazer com que a trama principal jamais seja relegada pelo mundo mágico de Harry Potter. Ao contrário do primeiro filme, onde Colombus parecia se preocupar mais em filmar um banquete oferecido aos alunos da escola do que dar maior ênfase à estória em si, em “…A Câmara Secreta” o cineasta toma o devido cuidado para que nos preparemos para o final da trama logo no início de sua projeção. Isso pode ser notado quando percebemos que o diretor se preocupa em colocar o elfo doméstico Dobby anunciando perigo eminente a Harry bem nos minutos iniciais do filme e, principalmente, quando constatamos, algumas cenas mais tarde, que o protagonista, estranhamente, começa a ouvir vozes do nada, algo que consegue manter o suspense desde o intróito da produção.
O roteiro, por sua vez, não só faz com que tenhamos ciência do grande perigo que está por vir durante praticamente todo o seu desenrolar, criando, com o auxílio da direção de Colombus, um instigante clima de urgência, como também nos apresenta a uma estória consideravelmente mais complexa, mais desenvolvida e mais bem amarrada do que a do primeiro filme (que era, de certa forma, bastante satisfatória).
Lamentável, todavia, é constatarmos que, mesmo conduzindo a sua trama e o seu argumento muito bem, o roteiro de Steven Kloves, associado ao trabalho de Chris Colombus, falha gravemente ao nos apresentar o, mais do que importante, personagem Tom Riddle de maneira demasiada abrupta. Ao mesmo tempo em que o roteiro de “…A Câmara Secreta” nos prepara muito bem para o tal cômodo ocultado do título, ele falha terrivelmente ao não nos preparar mais cautelosamente para o imprescindível Tom Riddle que, quando chega trazendo à tona a estória envolvendo a sua memória e tudo mais, acaba pegando o espectador negativamente de surpresa.
Ponto negativo também para o desenvolvimento gritantemente caricato de personagens como Draco Malfoy e o seu pai, Lucius.
E que venha “…O Prisioneiro de Azkaban”, e que minha torcida para que o terceiro episódio se mostre superior a este ótimo “…A Câmara Secreta” seja saciada.
Avaliação Final: 7,5 na escala de 10,0.
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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – **** de *****

Cinematograficamente falando (não, não estou fazendo propaganda do blog concorrente), o que vem a ser mais importante: o roteiro ou a direção de um filme? Difícil responder, não? Vamos tomar os três primeiros episódios da série Harry Potter para discorrer sobre o assunto.
O 1º episódio conta com um roteiro interessante, de certa forma, mas com uma direção que se perde em meio ao fantástico mundo paralelo de Harry Potter e acaba se esquecendo, durante a maior parte de sua projeção, de conduzir uma estória definitiva.
O segundo episódio, por sua vez, conta com um roteiro ainda mais interessante e, embora a direção seja mais eficiente aqui do que havia se revelado outrora, mostra-se muito comprometida quando deixa para explicar uma complexa estória envolvendo Tom Riddle durante o final do filme, ou seja, quando parece se dar conta de que resta-lhe muito pouco tempo de projeção, vê-se obrigada a fazer tudo às pressas.
Neste “…O Prisioneiro de Azkaban”, no entanto, temos o roteiro menos importante (calma, já vou me explicar) dentre todos os três episódios produzidos até então, mas Alfonso Cuarón nos brinda com um trabalho espetacular e faz mágica (sim, péssimo e oportunista trocadilho) para transformar o mais dispensável (se é que assim posso chama-lo) capítulo da saga do bruxinho (lembrando que não estou levando em conta aqui os filmes que viriam a ser produzidos depois deste) no melhor de todos realizados até então.
E quando digo que este “…O Prisioneiro de Azkaban” é o menos importante dentre os três primeiros títulos da série criada por J. K. Rowling, na verdade estou levando em consideração a idéia básica desta franquia, ou seja, a guerra travada entre o protagonsita Harry Potter e seu arqui-rival Lorde Voldemort. Em “…A Pedra Filosofal”, Harry trava um confronto parcialmente direto com o seu grande inimigo. Já em “…A Câmara Secreta”, tal confronto assume um aspecto mais indireto, embora não menos perigoso.
Mas e quanto a “…O Prisioneiro de Azkaban”? Bem, sou obrigado a dizer que neste terceiro filme Voldemort é apenas citado, e só. O confronto da vez aparentemente ocorre entre personagens adjacentes ao grande duelo entre “Você-Sabe-Quem” e Potter, uma vez que, conforme fora dito, o primeiro nem ao menos dá as caras por aqui. E por mais que o longa traga uma galeria de personagens importantes para a franquia em si, não há como não notarmos que a ausência do inimigo mor do personagem encarnado por Daniel Radcliffe diminui consideravelmente o grau de importância e a dramaticidade da obra.
Entretanto, é como fora mencionado pouco mais acima, a direção de Cuarón prevalece sobre o roteiro de Steven Kloves, que também é ótimo, mas não teria a mesma força sem o ótimo trabalho do cineasta mexicano.
Se há uma palavra que possa definir o trabalho de Cuarón como um todo, essa palavra se chama: dinamicidade. Sabe aquelas típicas seqüências bobinhas envolvendo os tios de Harry Potter? Elas, infelizmente, ainda existem por aqui, mas a cena inserida neste terceiro episódio é tão curta que nem ao menos chega a causar incomodo. Sabe aquelas longas passagens pelo Beco Diagonal? Elas não mais dão às caras por aqui (apesar que confesso ter sentido falta delas e não acharia nem um pouco ruim caso as mesmas fossem mantidas, contanto, é claro, que não se estendessem tanto o quanto se estendiam nos filmes anteriores, sobretudo no 1º episódio). Aliás, o roteiro perde muito pouco tempo com cenas cuja importância seja meramente visual e logo em seus primeiros minutos nos apresenta a uma sensação de perigo eminente e direto (ao contrário do 2º filme onde a primeira cena que envolvia o elfo domesticado Dobby oferecia um certo perigo eminente, mas indireto).
O destaque do filme fica por conta de sua imprevisibilidade e pela maneira como Cuarón conduz a trama, principalmente pelo modo dinâmico como dirige as duas últimas seqüências do longa que são, de longe, o momento máximo da franquia (ao menos até agora).
Pois é, desta vez a direção fez total diferença e, por mais que o roteiro seja ótimo, apesar de não acrescentar tanto à saga quanto os outros dois anteriores, o resultado possivelmente não teria sido o mesmo nas mãos de Chris Colombus ou qualquer outro cineasta que seja.
E vamos ao 4º episódio da saga que, ao menos até agora, considero o pior dentre todos os filmes.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
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Harry Potter e o Cálice de Fogo – **** de *****

O Cinema é, de fato, extraordinariamente mágico. Há apenas três anos atrás, taxei este “… O Cálice de Fogo” como sendo o pior episódio da franquia Harry Potter. Porém, ao assisti-lo pela segunda vez, há menos de duas horas atrás, inferi que, decididamente, este quarto episódio passará a ser o meu predileto.
Mesmo que não conte com estórias tão bem boladas quanto as do primeiro e do segundo episódios (que, torno a dizer, foi pessimamente desenvolvida em “…A Pedra Filosofal” e não tão bem desenvolvida o quanto deveria em “…A Câmara Secreta”) e uma seqüência extremamente contínua e repleta de momentos tão marcantes quanto os da luta entre Lupin e Sirius Black, Harry Potter e os Dementadores e, é claro, o vira-tempo de Hermione, este quarto episódio se mostra o mais maduro (e maturo também, por que não?) e regular dentre todos os outros.
O longa se abre de forma aterrorizante (aterrorizante para um filme infantil, é claro), mostrando uma rápida reunião entre Lorde Voldemort e seus auxiliares. Desde então percebemos que trata-se, definitivamente, do capítulo mais sombrio e recheado de suspense dentre toda a franquia. A fotografia empregada é excepcional e alterna magistralmente entre tons demasiadamente escuros e cinzentos. O roteiro, por sua vez, se mostra competente o bastante para seguir o mesmo tom fúnebre.
Com o término desta rápida reunião, nos vemos diante de uma partida de quadribol, desta vez disputada em um estádio cuja direção de arte empregada para construí-lo é não menos do que fabulosa. Mas não se trata de uma partida de quadribol qualquer. Trata-se de um duelo espetacular que faz parte do Campeonato Mundial de Quadribol. Os efeitos especiais dão show aqui e percebemos a cautela para com os mesmos logo que presenciamos inúmeros fogos de artifício estourando nos céus e formando a imagem de um duende dançarino. Esta é a apresentação da seleção da Irlanda.
O jogo acaba. Os espectadores vão dormir em suas respectivas barracas, quando Comensais da Morte surgem repentinamente e destroem tudo o que veem pela frente. A partir de então o filme ganha ritmo, e só o perde mais para frente. O suspense aumenta ainda mais quando vemos o nome de Harry Potter surpreendentemente sair de dentro do tal Cálice de Fogo do título. Isto indica que ele deverá participar de um torneio mortal, envolvendo todo o tipo de magia negra que se possa imaginar. Mas como o Cálice, que nunca erra, poderia extrair o nome de Potter dali, uma vez que a regra não permite que participantes com a sua idade disputem o torneio? Esse questionamento permeia as nossas mentes durante o filme todo, o que aumenta gradativamente o suspense do mesmo.
O torneio tem o seu início, o protagonista da saga enfrenta vários desafios, passando por dragões aterrorizantes, sereias traiçoeiras e labirintos imprevisíveis. Todas as três provas carregadas com o mais forte clima de tensão que se possa imaginar. Parte disso deve-se claramente ao diretor estreante na série: Mike Newell. Veja o modo como o cineasta retrata a perseguição entre Harry Potter e um dragão, por exemplo. Newell não só acompanha a ação de modo fantástico, como também aproveita-se muito bem da paisagem colossal emanada pelo magistral castelo de Hogwarts, filmando-o lindamente durante todo o acossamento.
Contudo, o mesmo Newell que realiza aqui o trabalho de direção mais dinâmico de toda a série (sim, ele supera até mesmo Cuarón neste quesito) acaba falhando ao dar ênfase em demasia à briguinha tola entre Potter e Wesley e ao tão famoso Baile de Inverno que, sejamos francos, pouco acrescenta à trama, apesar da excepcional direção de arte que é empregada na construção do salão onde ocorre o evento ser digna de se encher os olhos.
O destaque do longa fica para a seqüência que sucede a prova do labirinto, mostrando uma empolgante e mortal luta entre Harry Potter e… bom, deixa para lá, melhor não estragar surpresas e não revelar o nome do oponente do bruxinho herói. Mas devo deixar claro que, se tal seqüência não conta com um trabalho de continuidade tão genial e eficiente quanto as cenas que fazem parte do desfecho de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, ela se mostra muito mais forte, individualmente falando, e revela-se o ponto máximo da saga até então.
E vamos para o quinto filme, “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, que, quem sabe, talvez me traga várias surpresas também e faça com que eu mude completamente a nota oferecida há dois anos atrás (na época atribui uma nota 5,0 ao filme), assim como ocorreu com este quarto episódio?
Avaliação Final: 8,3 na escala de 10,0.
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Harry Potter e a Ordem da Fênix – * de *****

Pois é, conforme havia previsto, mudei completamente de opinião e, como consequência disso, modifiquei demasiadamente a nota atribuída a este filme também. O problema é que, infelizmente, acabei alterando tudo para pior.
Há uma personagem inserida neste “Harry Potter e a Ordem da Fênix” que acaba resumindo bem este filme inteiro. Refiro-me à Luna Lovegood, uma garota inexpressiva, insossa e praticamente sem alma. E é exatamente isso o que este quinto episódio da saga realmente é: um filme inexpressivo, insosso e sem alma. Tão sem alma que, dentre todos os cinco capítulos da série cinematográfica que optei por conferir novamente durante esta semana, este foi o que menos me deixou lembranças, já que o fato de tê-lo assistido há apenas dois anos atrás, e no cinema (o que geralmente torna um determinado filme ainda mais marcante do que o simples fato de assisti-lo em DVD) não foi o bastante para que o mesmo deixá-se quaisquer marcas que sejam em mim.
Também, era de se imaginar, não? Analisemos a primeira meia hora de projeção, para se ter uma idéia do que estou falando. Harry é ameaçado por dois Dementadores e invoca a magia “Expecto Patronus” para livrar-se dos mesmos, sua atitude é tida como desprezível pelo Ministério da Magia que decide o expulsar de Hogwarts. Entretanto, graças à influência de Dumbledore, o diretor consegue fazer com que o garoto seja devidamente julgado e, neste julgamento (o pior julgamento dentre os demais que já presenciei no Cinema, e olhe que não foram poucos), o protagonista é absolvido. Pois é, para se ter uma idéia do ritmo excessivamente lento de “…A Ordem da Fênix”, basta mencionar que trinta minutos são dedicados apenas para acusar Harry de utilizar magia fora da escola e absolve-lo (de maneira previsível, diga-se) logo em seguida.
E o que vem depois? Bem, o que vem depois é mais uma série de aborrecimentos e pequenos acontecimentos que pouco acrescentam à franquia cinematográfica. Sabemos que Harry e Dumbledore estão sendo acusados de mentir quanto à volta de Voldemort e que isso pode ser um complô de ambos para que o Ministro Cornélio Fudge perca o cargo. Para evitar que tal fato aconteça, o Ministro envia Dolores Umbridge, uma funcionária de sua total confiança, para espionar Hogwarts. Logo, a mesma assume uma postura ditatorial e mostra a sua verdadeira face por trás de toda a aparente candura que lhe era característica, no que mais me pareceu uma releitura da clássica enfermeira Louise Fletcher, a grande vilã do sensacional “Um Estranho no Ninho”.
Bem, só aí já tivemos mais de uma hora de filme desperdiçada, e nada, absolutamente nada, realmente relevante acontece. Eis que Harry Potter decide reativar a Ordem da Fênix do título e passa a ganhar a confiança daqueles que duvidavam de sua palavra quanto à volta de Voldemort. Harry inicia um treinamento entre os seus colegas para que os mesmos se vejam capazes de enfrentar o seu verdadeiro arquiinimigo e… bem, deduz-se que a partir desse instante o filme ganha a devida força a qual precisa para funcionar corretamente e fazer jus a seu episódio anterior, que era extremamente dinâmico e emocionante, correto? Errado. A partir de então vemos um roteiro que só se preocupa em fazer jovens girar a varinha para realizar truques de mágica e um cineasta que, cada vez mais, se afunda em um trabalho apático e pavoroso.
Pois é, Yates nem de longe lembra Newell ou Cuarón. O cineasta não se mostra capaz de conferir ritmo ao filme em momento algum durante os dois primeiros atos deste e, consequentemente, cria uma obra emocionalmente fria e enfadonha.
O roteiro também colabora imensamente para que “…A Ordem da Fênix” se mostre, cada vez mais, um filme dispensável, uma vez que poucas cenas mostram real relevância para a franquia em si (uma delas mostra um antigo embate entre o jovem Severo Snape e Tiago Potter, provando que o pai de Harry, bem como muitos de seus amigos, não são tão bonzinhos quanto se imaginava, algo que os torna muito mais humanos e menos caricatos).
Mas a chatice intragável dos dois primeiros atos acaba e chegamos ao final do filme, onde acontecimentos realmente importantes entram em ação. Refiro-me à uma nova batalha travada entre Harry e seu eterno inimigo, em pleno Ministério da Magia. E desta vez, a batalha é travada por vários bruxos representando ambos os lados: o bem e o mal, o que coloca Hermione, Rony, e muitos outros personagens, dentre os quais destaco o próprio Dumbledore, em uma posição muito mais ativa do que vinham mostrando nos outros episódios. É uma pena constatarmos no entanto que, apesar de ótima, a batalha acaba sendo inibida graças à (adivinhem) insossa direção de Yates, que jamais empolga e se mostra fria até mesmo no momento em que um importante personagem é assassinado, algo que deveria causar forte comoção em nós, espectadores, mas não causa.
Em suma, “Harry Potter e a Ordem da Fênix” subtrai muito e acrescenta pouco à saga que, até então, não havia decepcionado inteiramente em nenhum de seus episódios.
Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.
Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados – * de *****
Mencionei ontem no Twitter do Cine-Phylum que não estava nem um pouco afim de ir aos cinemas conferir a pré-estréia deste “Transformers – A Vingança dos Derrotados”. Não, essa minha falta de vontade em assistir ao filme não estava diretamente ligada à qualidade (ou a falta de) do mesmo, mas sim ao fato de a cópia que estava sendo exibida nos cinemas de minha cidade ser dublada. Sinceramente, não creio que seja nem um pouco ética esta minha atitude de criticar um filme dublado. Por quê? Porque não julgo um filme dublado uma obra cinematográfica original. Assistir a uma produção com o som original é extremamente importante para que possamos avaliar a atuação do elenco, já que o tom de voz que os atores emprega para compor os seus respectivos personagens é mais do que importante para o resultado final da obra. Destarte, peço para que o leitor leve em conta que, quando eu mencionar “atuações” na crítica a seguir, estarei me referindo à expressividade e ao carisma dos atores, descartando então o tom de voz dos mesmos.

Ficha Técnica:
Título Original:Transformers: Revenge of the Fallen.
Gênero:Ação.
Tempo de Duração:147 minutos.
Ano de Lançamento:2009.
Site Oficial:www.transformersmovie.com
País de Origem:Estados Unidos da América.
Direção:Michael Bay.
Roteiro:Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman.
Elenco:Shia LaBeouf (Sam Witwicky), Megan Fox (Mikaela Banes), Hugo Weaving (Megatron – voz), Josh Duhamel (Capitão Lennox), John Turturro (Agente Simmons / Jetfire – voz), Isabel Lucas (Alice), Tyrese Gibson (Sargento Epps), Matthew Marsden (Graham), Samantha Smith (Sarah Lennox), Glenn Morshower (General Morshower), Ramon Rodriguez (Leo Spitz), Kevin Dunn (Ron Witwicky), Julie White (Judy Witwicky), Michael Papajohn (Cal), John Benjamin Hickey (Theodore Galloway), Rainn Wilson (Professor), Frank Welker (Soundwave – voz), Peter Cullen (Optimus Prime – voz), Mark Ryan (Bumblebee – voz), Darius McCrary (Jazz – voz), Reno Wilson (Frenzy – voz), Robert Foxworth (Ratchet – voz), Jess Harnell (Ironhide / Barricade – voz) e Mike Patton (Mixmaster – voz).
Sinopse:Dois anos após a batalha entre os Autobots e os Decepticons, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) enfrenta a ansiedade de entrar na faculdade. Isto significa que ele terá que morar separado de seus pais, Judy (Julie White) e Ron (Kevin Dunn), deixar a namorada Mikaela Banes (Megan Fox) e ainda explicar a situação ao seu amigo e protetor Bumblebee, já que pretende levar uma vida normal de agora em diante. Paralelamente o governo desativa o Setor 7, resultando na demissão do agente Simmons (John Turturro). Em seu lugar é criada a NEST, uma agência comandada pelo capitão Lennox (Josh Duhamel) e o sargento Epps (Tyrese Gibson), que trabalha em conjunto com os Autobots. Porém a NEST enfrenta a resistência de Theodore Galloway (John Benjamin Hickey), o consultor da segurança nacional, que a considera supérflua.
Fonte Sinopse: Adoro Cinema.
Transformers: Revenge of the Fallen – Trailer:
Crítica:
Começarei esta crítica praticamente da mesma forma que comecei a de “Anjos & Demônios”. Nunca assisti ao primeiro filme da franquia “Transformers”, nunca assisti ao desenho que passava na televisão (havia realmente um desenho animado que era exibido na TV? Juro que não me lembro) e nunca brinquei com os bonecos (cuja alcunha atribuída pela criançada na época era: “hóminhos”) dos personagens principais da série. E querem saber o que é pior? Nunca havia nem ao menos ouvido falar nestes tais “Transformers” antes do primeiro episódio da série ter sido lançado nos cinemas do mundo todo no ano de 2.007, e olha que sou da geração de 1.980 (nasci aos 17 de dezembro de 1.983), justamente quando os tais robôs alienígenas estavam no auge.
Mas o que seria eu então? Uma criança anormal? De forma alguma. Acontece que durante a minha infância me preocupava muito mais em assistir a desenhos como “Tom & Jerry”, “Faísca & Fumaça”, “Papa-Léguas”, “Tartarugas Ninja” e “Caverna do Dragão” a assistir os “Transformers” da vida. Logo, nem ao menos tomei ciência da existência do desenho animado durante os meus dias de garoto. Talvez seja justamente por este motivo que fui ao cinema local com toda a frieza que me é inerente. Não estava tão entusiasmado como alguns fãs que ali se encontravam estavam (inclusive, havia muitos “quarentões” na sessão, e sem a companhia dos filhos. Será que tratavam-se de nerds fãs incondicionais da série quando tinham vinte anos de idade? Pode apostar que sim), mas também não estava nem um pouco influenciado pelas críticas negativas que havia lido sobre o primeiro filme.
A sessão começa. Vejo-me sentado novamente na poltrona do meio da sala. Uns robôs, sem mais nem menos, aparecem na pré-história e saem matando seres humanos a torta e a direita, sem quaisquer propósitos pré-estabelecidos. E reside justamente aí a minha maior repugnância para com os filmes que envolvem extra-terrestres. Oras, por que um grupo de alienígenas iria almejar arriscar a própria espécie a fim de dominar um planet
a como este (que os próprios robôs, durante muitos momentos do filme, afirmam ser um lixo de planeta)? E por que os “grandalhões” malvados não exterminaram a raça humana e não dominaram o mundo, quando era mais fácil para eles o fazer durante a pré-história? Seria pelo fato de os Autobots (os “mocinhos” da vez) terem impedido? Mas por que cargas d’água um grupo de robôs alienígenas se preocuparia em salvar a nossa espécie?
Francamente, não sei dizer se as questões por mim levantadas acima são furos de roteiro ou fruto de minha ignorância no que diz respeito à franquia “Transformers”, mas caso seja a segunda opção (o que, creio eu, é bem provável), não tenho culpa se o filme não explicou isso durante a sua projeção. Ops… pára tudo, pára tudo (lembram-se do imbecil do João Kleber?)… Acabei de confirmar com o meu pai (e vejam bem, o meu pai sabe muito mais da série do que eu) que os Decepticons (os vilões da vez) na verdade fugiram do planeta natal deles e vieram se esconder na Terra e os Autobots vieram os perseguir. Foi isso mesmo o que aconteceu (pergunto a alguém que tenha assistido ao primeiro filme ou aos episódios da série televisiva, uma vez que o meu pai confessou não ter muita certeza do que estava falando)? Enfim, caso esteja completamente errado e vocês estejam rindo de minha cara (e da de meu progenitor também), novamente insisto que não é culpa minha que um filme com duas horas e vinte minutos de projeção pare um segundo sequer para explicar e/ou relembrar isso.
E falando em projeção, que longa extenso este, não? Sejamos honestos, duas horas e vinte minutos de duração para isso! Para uma estórinha mal contada destas, que não tem nem ao menos a dignidade de se valer por si só (sim, pois como havia dito, o fato de não ter assistido ao episódio anterior faz com que eu nada saiba sobre os reias intentos dos Decepticons aqui na Terra) e depende completamente do episódio anterior para funcionar! Eu me pergunto: o que passava pela cabeça de Michael Bay enquanto filmava tantas cenas altamente dispensáveis para o resultado final da obra? Por que não dar pequenas dicas a espectadores desavisados (como era o meu caso) sobre o real motivo do embate entre Autobots e Decepticons? Afinal de contas, “Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados”, apesar de ser uma continuação, é (ao menos era para ser) um episódio extremamente independente do filme que lhe deu origem, ao contrário de “Kill Bill – Volume II”, por exemplo, onde deveríamos assistir ao primeiro longa metragem para entender a sua continuação, já que ambos formam um único filme.
Entretanto, mesmo que recomeçasse esta crítica agora, neste exato momento. Mesmo que soubesse todas as respostas para as perguntas que fiz. Mesmo que fosse o maior entusiasta e conhecedor de “Transformers” da face da Terra, teria achado o filme ruim.
Sim, “Transformers 2…” é ruim por si só, e sabem quem é o maior responsável por isso? Um doce para quem acertar. Claro, Michael Bay, o alvo favorito (ao lado do tão horrendo quanto Uwe Boll) dos críticos de Cinema do mundo todo. O Ed Wood de nossa geração dá sinais de sua incompetência logo no início do filme quando, ao realizar um rápido travelling ou um singelo afastamento de câmera, treme a mesma como se estivesse segurando uma britadeira ligada com a mão oposta. E o que dizer então das exageradas rotações de câmera de cento e oitenta graus quando filma um momento romântico do casal de protagonistas (ele bem que poderia ter aprendido a fazer decentes rotações com Christopher Nolan em “Batman – O Caveleiro das Trevas”)?
E quanto às demais características que sempre marcam, do modo mais negativo o possível, o trabalho do cineasta (gargalhadas pela palavra “cineasta”)? Da mesma forma que constatamos em muitos outros de seus filmes, em “Transformers 2…” Bay aplica inúmeras tomadas em slow motion enquanto mostra os protagonistas fugindo de uma recente explosão, gira a sua câmera “desenhando” uma esfera completa a fim de filmar porta-aviões estadunidenses e, é claro, faz questão de realizar closes de inúmeros soldados caminhando lentamente com aquele ar blasé, típico dos fracassados militares oriundos da Terra do Tio Sam.
Ah, e é claro que não podemos nos esquecer de mencionar o oportunismo (também característico do diretor) adotado com a finalidade de explorar todos os atributos das atrizes símbolos sexuais que trabalham com ele. Para se ter uma idéia, Megan Fox entra em cena montada em uma moto, inclinada para frente, com um short jeans excessivamente minúsculo e a bunda levantada bem ao alto (Está bem, confesso, meu lado pessoal adorou essa cena). E já que mencionei o (suculento) traseiro da atriz, o leitor tem alguma dúvida de que o diretor explora ao máximo esta parte do corpo dela? Basta dizer que, quando a mesma não é exibida com uma blusa deveras decotada e que mostra boa parte de seus seios, Bay faz questão de colocá-la em cena de um modo que a sua câmera consiga filmar os quadris da moça sendo fortemente apertados por uma calça branca extremamente justa (aliás, ela, assim como todos os outros personagens, passa o filme todo com a mesma roupa. Que figurino mais pobre esse, viu!).
E sei que já me estendi demais nesta crítica, principalmente para falar mal de Michael Bay, mas o leitor teria a bondade de me conceder mais uns minutinhos de seu tempo para criticar ainda mais o diretor (fazer o quê? O cara é um desastre em forma de cineasta)? Não bastassem todas as falhas cometidas pelo diretor, ele ainda tem a pachorra de empregar uma trilha-sonora visivelmente maniqueísta para conferir ao longa a sensibilidade que não tem competência para o fazer.
Mas vamos parar por aqui, a crítica já foi muito além do que deveria ter ido.
Em suma, “Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados” é o típico filme de ação comercial proveniente dos grandes estúdios de Hollywood: divertido, cheio de adrenalina e repleto de efeitos especiais (visuais e sonoros) dignos de fazer cair o queixo, mas que jamais conseguem maquiar as terríveis falhas que são exibidas durante os seus desnecessariamente longos duzentos e vinte minutos de duração, variando desde a trama apenas razoável, passando pelas atuações nada convincentes por parte de todo o elenco, pelos alívios cômicos frustrantes, e pela falta de carisma dos personagens principais, encerrando-se no pavoroso trabalho de direção. Enfim, segue o estereótipo das obras cuja direção é assinada por um dos maiores engodos do Cinema nos últimos anos: Michael Bay.
Obs.: É impressão minha ou o personagem Leo (que nem ao menos diz a que veio no filme), próximo ao desfecho do longa, é adormecido com um choque em uma cena e, logo na outra, aparece acordado e agindo normalmente como se nada houvesse acontecido? É Sr. Bay, parece que o senhor comet
eu um dos erros de continuidade mais ridículos da história do Cinema, o que permite com que possamos lhe atribuir o título de Ed Wood dos anos 1.990 e 2.000.
Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.
X-Men Origens: Wolverine – **** de *****
Título Original: X-Men Origins: Wolverine.
Gênero: Ação.
Tempo de Duração: 107 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.xmenorigenswolverine.com.br/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Gavin Hood
Roteiro: David Benioff, baseado em personagens criados por Len Wein.
Elenco: Hugh Jackman (Logan / Wolverine), Liev Schreiber (Victor Creed / Dentes-de-sabre), Ryan Reynolds (Wade Wilson / Deadpool), Dominic Monaghan (Bradley), Lynn Collins (Raposa Prateada), Danny Huston (William Stryker), Daniel Henney (David North / Agente Zero), Taylor Kitsch (Remy LeBeau / Gambit), Kevin Durand (Frederick “Fred” J. Dunes / Blob), Stephen Leeder (General Munson), Alice Parkinson (Elizabeth Howlett), Tim Pocock (Scott Summers), Myles Pollard (Lumberjack), Tahyna Tozzi (Emma Frost), Will i Am (John Wraith), Troye Sivan (Logan – jovem), Michael-James Olsen (Victor Creed – jovem) e Patrick Stewart (Prof. Charles Xavier).
Sinopse: A Equipe X é formada apenas por mutantes, tendo fins militares. Entre seus integrantes estão Logan (Hugh Jackman), o selvagem Victor Creed (Liev Schreiber), o especialista em esgrima Wade Wilson (Ryan Reynolds), o teleportador John Wraith (Will i Am), o atirador David North (Daniel Henney), o extremamente forte Fred J. Dunes (Kevin Durand) e ainda Bradley (Dominic Monaghan), que manipula eletricidade. No comando está William Stryker (Danny Huston), que envolve alguns componentes do grupo no projeto Arma X, um experimento ultra-secreto. Entre eles está Logan, que precisa ainda lidar com o desfecho de seu romance com Raposa Prateada (Lynn Collins).
Fonte sinopse e ficha técnica: http://www.adorocinema.com.br/
X-Men Origins: Wolverine – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=29iFfV1_U2w&hl=pt-br&fs=1]
Detesto criticar obras cinematográficas baseadas em histórias em quadrinhos. Por quê? Simples, porque, conforme já mencionei inúmeras vezes, não sou nem um pouco fã de quadrinhos. E para ser mais franco ainda, nada sei sobre os mesmos. O que me lembro com relação a X-Men diz respeito somente à série de desenho animado que passava na hora do almoço e eu acompanhava apenas pelo fato de ter o péssimo hábito de almoçar defronte à televisão. O quê? Ah sim, é claro que já assisti aos outros três episódios da saga cinematográfica, mas se formos analisar a origem do personagem Wolverine, realmente nada sei sobre a mesma.
Desta forma, seria extremamente incoerente e, acima de tudo, injusto, com o leitor caso não analisá-se o filme individualmente, mencionando que o mesmo foge bastante da obra original ou que o protagonista aqui não faz jus ao das histórias em quadrinhos. Analisarei “X-Men Origens: Wolverine” como um filme qualquer, da mesma forma que um espectador comum o faria, sem mencionar obras adjacentes a esta (exceto os três outros filmes da trilogia, que são ótimos) ou quaisquer outras características que estejam ligadas indiretamente ao filme objeto de análise.
É interessante constatarmos que a estória do protagonista tem o seu início em 1.845. Apesar de surreal (a menos que você julgue possível uma pessoa conseguir viver tanto tempo pelo simples fato de ser um mutante), nos dá a entender que ele já passou por inúmeras experiências. E se levarmos em conta a sua anormalidade física, concluímos que Wolverine vivenciou não apenas inúmeras experiências, como também diferentes ocorrências ao longo de sua vida inteira. Vide a sequência dos créditos iniciais, por exemplo, onde podemos acompanhar o protagonista, junto de seu amigo de infância Victor Creed, participando de importantíssimas guerras pelas quais o mundo já passou (uma cena em especial, quando Victor atira insanamente do helicóptero, nos remete ao ótimo “Nascido Para Matar” de Stanley Kubrick).
O filme se desenvolve, as guerras terminam, e Wolverine e Victor entram para um esquadrão especial formado pelo governo, onde apenas mutantes com super-poderes, como eles, passam a fazer parte da equipe. O protagonista passa a discordar da ideologia de tal esquadrão e decide abandonar o mesmo de uma vez por todas. Dentes-de-Sabre, por sua vez, já é um sujeito com características mais animalescas e continua integrando a equipe e cometendo atrocidades contra a humanidade.
E talvez seja justamente nesta polaridade entre os personagens Wolverine e Dentes-de-Sabre que resida o maior defeito do filme. Um é politicamente correto ao extremo, sendo que, quando foge dos eixos, basta gritarem: “___ Logan, você não é um animal!”, e pronto, ele fica calminho, calminho. Já Dentes-de-Sabre é malvado ao extremo. Quando não está quebrando espinhas ou arrancando cabeças por aí, está rindo de forma a provocar os seus adversários. Não há um equilíbrio entre os personagens, conforme havia entre o Batman (justiceiro reacionário) e o Coringa (niilista incompreendido) do excelente “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Logo, o espectador certamente notará uma certa artificialidade na formação da personalidade de ambos os personagens.
Por outro lado, “X-Men Origens: Wolverine” conta com muitos acertos. Vide o roteiro, por exemplo, que parece ter adotado uma tática “pega-crítico-de-Cinema”. Isso mesmo, “pega-crítico-de-Cinema”. Durante muitos momentos senti-me incomodado com os motivos que impulsionavam o personagem-sub-título a clamar por vingança, bem como considerei patética a sub-trama romântica inserida em seu primeiro ato. Já estava formulando em minha cabeça: “___ Quando for escrever a crítica do filme, deverei citar tais defeitos.”. Eis que a trama se desenrola e somos surpreendidos. Aquilo que parecia ser apenas um clichêzinho como outro qualquer torna-se um detalhe inerente para o resultado final da obra.
As sequências de ação do longa também são ótimas e, francamente, dentre todos os filmes que carregam consigo a marca “X-Men”, creio que este seja o que melhor se sai no quesito adrenalina. Não, não temos nenhuma cena que lembre a batalha final entre os mutantes
de Xavier e os mutantes de Magneto, tampouco uma cena em que mostre a Golden Gate sendo destruída, assim como também não temos nenhuma sequência de luta tão bem coreografada conforme tínhamos no desfecho do episódio 2, mas o “plus” deste novo capítulo da saga dos mutantes não reside necessariamente em uma única cena, e sim no modo como a ação do mesmo é distribuída durante a projeção inteira, a ponto de jamais fazer com que nos sintamos entediados na poltrona do cinema (e novamente peguei a poltrona central, na fileira central da sala, mesmo a sessão estando lotada ao extremo). Particularmente, penso que este episódio tem mais ritmo que os demais.
O final do filme, no entanto, causa um certo desapontamento, e só não digo que é um tremendo fracasso pois as partes que envolvem ação (sempre elas) são fantásticas, sobretudo a luta envolvendo Wolverine, Dentes-de-Sabre e Deadpool e os efeitos especiais fantásticos que regam a mesma (uma pena ela ser relativamente curta). No mais, a aparição do Professor Charles Xavier é ridícula e totalmente fora de foco (e quando digo fora de foco, refiro-me àquele exato momento), e o modo como o roteiro justifica uma amnésia do protagonista, utilizando para tal as balas de adamantium, soa um tanto o quanto artificial.
“X-Men Origens: Wolverine” é um filme de ação despretensioso. Seu roteiro não conta com uma trama tão complexa como a de “X-Men 2”, tampouco realiza uma ampla e reflexiva abordagem sobre o preconceito a tudo o que é tido como fora do comum (de acordo com os padrões sociais, é claro), conforme os demais filmes da trilogia anterior o faziam, mas fornece ao espectador uma estória repleta de reviravoltas e surpresas interessantes, além de se revelar uma distração bem acima da média, recheada de cenas de ação bastante atraentes, temperadas com ótimos efeitos visuais.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
Bolt – Supercão – **** de *****
A Múmia: Tumba do Imperador Dragão – ° de *****
Título Original: The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor.
Elenco: Brendan Fraser (Rick O’Connell), Maria Bello (Evelyn O’Connell), Jet Li (Imperador Dragão), John Hannah (Jonathan Carnahan), Michelle Yeoh (Zi Juan), Luke Ford (Alex O’Connell), Isabella Leong (Lin), Anthony Wong Chau-Sang (General Yang), Russell Wong (Ming Guo), Liam Cunningham (Mad Dog Maguire), David Calder (Roger Wilson), Jessey Meng (Choi) e Tian Liang (Li Zhou).
Sinopse: O impiedoso imperador dragão (Jet Li) é amaldiçoado pela feiticeira Zi Juan (Michelle Yeoh), o que faz com que ele e seu exército de 10 mil homens seja petrificado. Mais de dois milênios depois o túmulo do imperador dragão é descoberto por Alex O’Connor (Luke Ford), filho dos aventureiros Rick (Brendan Fraser) e Evelyn (Maria Bello), que deixou os estudos para se dedicar à escavação. Seus pais não sabem do trabalho de Alex, que conta com a ajuda do tio, Jonathan Carnahan (John Hannah), dono de uma boate em Xangai. Atualmente Rick e Evelyn levam uma pacata vida em Londres, mas sentem falta da aventura. Um dia eles recebem a proposta de levar um precioso artefato a Xangai e, usando a desculpa de visitar Jonathan, aceitam a missão. Só que ao chegar eles são abordados pelo general Yang (Anthony Wong Chau-Sang), que deseja trazer o imperador dragão de volta à vida.
The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor – Trailer:
Crítica:
Procedido por dois outros filmes pipoca que já não eram lá dos melhores (apesar de serem ligeiramente divertidos), este terceiro episódio da série “A Múmia” parece ter vindo a fim de afundar a franquia de vez. Tudo aqui beira o ridículo, o supérfluo, o frívolo e à falta de originalidade. Falta de originalidade esta que já pode ser observada a partir do subtítulo desta bomba (e olhe que o fato de eu estar utilizando até mesmo o subtítulo deste verdadeiro lixo cinematográfico como artifício para avacalhá-lo é sinal de que o mesmo realmente conseguiu a façanha de me deixar ainda mais mal-humorado do que eu já acordei hoje): “A Tumba do Imperador Dragão”. Mas, afinal da contas, por que Dragão? Além de patético, nada original, marqueteiro e pedante, o subtítulo tenta conferir ao longa um tom de importância altamente desnecessário, tornando o filme ainda mais ridículo do que ele já é por si só.
Provavelmente o maior defeito deste “A Tumba do Imperador Dragão” (gargalhadas, muitas gargalhadas) ocorra justamente em cima do oportunismo financeiro visado pelos produtores do longa que almejaram arrecadar mais alguns milhões de dólares em cima da alta bilheteria já gerada pela franquia nos filmes anteriores. O problema é que os dois episódios antecessores pareciam já ter espremido o máximo que conseguiriam espremer de um roteiro que já nasceu falho (apesar de ligeiramente eficiente) e agora o que restou do mesmo foi um bagaço artístico de péssima qualidade, onde raramente algum cineasta, seja ele quem for, conseguiria a capacidade de extrair algo interessante disto.
Dando início à sua narrativa realizando uma prévia explicação histórica sobre os fatos que viriam a ser abordados mais tarde pelo roteiro (qual?), o longa já se afunda em todos os possíveis clichês do gênero, adotando uma mais que batida estória de maldição. O pior de tudo é constatarmos que a película vai se desenrolando e nenhum aspecto, seja técnico, seja artístico, acompanha o desenrolar da mesma. O roteiro, que já conta com uma trama nauseante, torna a situação ainda pior quando opta por inserir elementos completamente dispensáveis e fora de contexto à estória, obrigando o espectador a ter de tolerar baboseiras como crises familiares (abordadas da maneira mais batida o possível), a formação de um par romântico extremamente previsível e irritante e, acreditem, a inserção dos abomináveis homens das neves como colaboradores dos heróis do filme.
Sim, a falta de idéias para compor este lixo da Sétima Arte (se é que uma baboseira desta proporção pode ser alcunhada de Arte) é tão visível, que a dupla de roteiristas parvos, incompetentes, ridículos, palermas e idiotas, Alfred Gough e Miles Millar (após um trabalho asqueroso destes, creio que ambos deveriam ser exonerados da face da Terra sem o menor resquício de humanismo e/ou dignidade), se viu obrigada a apelar até mesmo a um recurso altamente artificial, tal como a inserção dos lendários Yetis (que, para piorar a situação, foram muito mal trabalhados pela equipe responsável pelos efeitos visuais do filme) na trama a fim de conferir algum chamariz a mesma (e ironicamente, acabaram tornando a mesma ainda mais patética do que ela já seria, e é, por si só).
Quanto à caracterização dos personagens então, nem se fala, esta dispensa comentários haja vista a sua mediocridade. Temos aqui um personagem mais estereotipado que o outro, em especial o tal Imperador Dragão (gargalhadas) que é abordado pelo roteiro tomando por base e alicerce todos (sim, eu disse: todos) os clichês possíveis a fim de se construir um vilão. Além de anunciar a sua maldade matando pessoas oprimidas e indefesas e fazendo as caretas mais carrancudas e artificiais o possível, o filme nos faz o “favor” de tornar a voz deste extremamente grave (chegando a lembrar até mesmo a ridícula v
oz de Xerxes no ótimo “300”), fato que colabora para que a experiência soe ainda mais irritante do que ela já é por si só. E não bastassem as imperdoáveis e inúmeras (ou seria melhor eu ter mencionado “infinitas” ao invés de “inúmeras”?) derrapadas que o roteiro dá na composição do vilão do longa, a atuação gritantemente inexpressiva e sem carisma do péssimo Jet Li (este que não faria falta alguma ao Cinema caso um dia levasse um tiro no meio da testa) consegue a façanha de transformar o Imperador Dragão em um dos mais ridículos vilões do Século XXI.
“___Mas e como entretenimento, o filme funciona?” ___ Pergunta-me o leitor. “___ Não!” ___ Respondo eu de maneira fria e objetiva. Para que um filme desta natureza possa obter êxito como uma mera obra de diversão, é necessário, no mínimo, que este contenha seqüências de aventura/ação satisfatórias, e isto não é o que ocorre aqui. Ou melhor, ocorrer até ocorre, mas o ridículo diretor Rob Cohen (que jamais imaginei ser capaz de dirigir algo mais pavoroso que “Velozes e Furiosos” e “Triplo X”, até assistir a esta bomba em questão) não demonstra a menor competência para conduzir tais seqüências e as estraga parcialmente (isso para não dizer: “quase inteiramente”). Sinceramente, creio que até mesmo o genial Edwin S. Potter, com toda a falta de tecnologia propícia na época (primeira década do Século XX), se mostrou capaz de realizar uma movimentação com a câmera de maneira mais satisfatória no fantástico curta “O Grande Assalto a Trem” de 1.903 (e confesso não estar mencionando isto hiperbolicamente).
Enfim, eu bem que poderia continuar a minha análise apresentando as demais falhas do filme (porque, acredite, esta bomba consegue conter ainda mais falhas do que as que já foram supracitadas), mas sinceramente não sei se vou me conter e manter a razão que procurei manter até então, sendo assim, a fim de privar-me de cometer injúrias e/ou difamações contra os envolvidos com este “projeto artístico de entretenimento” (atenção às aspas), encerro aqui este texto, redigindo algo que raramente escrevo em minhas análises (até mesmo por considerar isto uma total falta de ética), mas neste caso, não posso dar outro conselho ao leitor(a) que não seja: “evite, a todo custo, assistir a este filme”.
O quê? Ah sim, estava me esquecendo, devo manter a praxe em minhas críticas e reservar o último parágrafo para realizar um resumo da mesma. Pois vamos lá, “A Múmia – A Tumba do Imperador Dragão” se revela um filme previsivelmente (sim, pois era fácil prevermos que, pela maneira com que o segundo episódio se encerrou, as chances de extrairmos algo produtivo aqui seriam mínimas) ridículo e dispensável e, além de contar com quase todos os clichês e estereótipos do gênero, obriga o espectador a passar 92 minutos de seu precioso tempo (e digo precioso pois apesar de curto, o filme custa a passar, haja visto que a sua fraquíssima estória poderia facilmente ser desenvolvida em menos de 50 minutos) tendo que suportar uma estória nada original, carregada de alívios cômicos que não funcionam em hipótese alguma, atuações sofríveis e cenas de aventura/ação bem montadas mas terrivelmente dirigidas pelo péssimo Rob Cohen. Um dos piores filmes que tive o dúbio privilégio de assistir neste início de século.
Avaliação Final: 0,5 na escala de 10,0.
Star Wars – The Clone Wars – *** de *****
Estava completamente atrasado (e ainda estou, diga-se) com relação à publicação das críticas dos filmes recentes aqui no Papo Cinema em virtude ao tempo que tive de me dedicar aos textos especiais que estive escrevendo recentemente sobre a saga “Star Wars”. Uma vez finalizados tais textos, nada melhor do que ser demasiadamente oportunista e regressar à sessão “Filmes Recentes” entrando no embalo da saga criada por George Lucas e escrevendo sobre o mais novo episódio desta, cujo título vem a ser: “Star Wars – The Clone Wars”. Quem leu os meus textos sobre os demais episódios da franquia deve ter percebido que, apesar de não conferir nota máxima a nenhum dos filmes, sou fã incondicional dos mesmos, sendo assim, é praticamente impossível eu ser objetivo, deixar o lado fanzóide inerte e, por mais que reconheça que este novo episódio contenha uma infinidade de defeitos, não há como negar o quanto ele conseguiu cativar-me, a ponto de me fazer sonhar com o mesmo durante esta noite (assisti ao longa no cinema, no dia 30 de agosto de 2008 às 19hs da noite).
Ficha Técnica:
Título Original: Star Wars: The Clone Wars.
Gênero: Animação/Aventura/Ficção Científica.
Tempo de Duração: 98 minutos.
Ano de Lançamento (EUA): 2008.
Site Oficial: http://www.starwars.com/clonewars
Estúdio: LucasFilm Ltda.
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation.
Direção: Dave Filoni.
Roteiro: Henry Gilroy, Steven Melching, Scott Murphy e George Lucas.
Produção: George Lucas, Catherine Winder e Sarah Wall.
Desenhista: Sianoosh Nasiriziba.
Música: Kevin Kiner.
Desenho de Produção: Dawn Turner.
Direção de Arte: Russell G. Chong e Darren Marshall.
Edição: Jason Tucker.
Elenco (vozes): Matt Lanter (Anakin Skywalker), Ashley Eckstein (Ahsoka Tano), James Arnold Taylor (Obi-Wan Kenobi), Dee Bradley Baker (Capitão Rex, Clones, Cody), Tom Kane (Mestre Yoda), Christopher Lee (Conde Dookan), Nika Futterman (Asajj Ventress), Ian Abercrombie (Chanceler Palpatine, Lorde Darth Sidious), Corey Burton (General Loathsom, Ziro, o Hutt), Catherine Taber (Padmé Amidala), Matthew Wood (Dróides de Batalha), Kevin Michael Richardson (Jabba, o Hutt), David Acord (Rotta, o Hutt), Samuel L. Jackson (Mace Windu) e Anthony Daniels (C3P-O).
Sinopse: Após ter o seu filho seqüestrado, o gangster Jabba, o Hutt, do planeta Tatooine, contata a República e o Conselho Jedi para fazer um trato com estes: caso consigam resgatar a criança, eles terão livre acesso às terras do planeta desértico, poderão realizar operações estratégicas e militares no mesmo e, principalmente, contarão com o apoio de Jabba na guerra contra os separatistas. Para obter êxito em tal resgate o Conselho Jedi envia Anakin Skywalker e a sua jovem Padawan, Ahsoka Tano, para liderarem um grupo de soldados que irão se empenhar na libertação do seqüestrado. Contudo, os separatistas, liderados por Conde Dookan, também têm um forte interesse em adquirir o apoio de Jabba e tentarão o possível a fim de prejudicar a missão liderada por Skywalker.
Star Wars – The Clone Wars – Trailer:
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Crítica:
De tanto ouvir a crítica especializada desmoralizar este “Star Wars – The Clone Wars” (agora o megalomaníaco George Lucas não autorizou nem mesmo a tradução do subtítulo do longa) acabei indo ao cinema sem muita expectativa para conferir o mesmo, mas ainda assim, na condição de fã absoluto da série, estava gratificado pela vida ter me dado mais uma oportunidade de poder assistir a mais um episódio desta incrível saga nas telonas. O resultado? Surpreendentemente, adorei o filme.
Que o mesmo conta com uma infinidade de defeitos, em especial os diversos furos de seu roteiro, isso não é nenhuma novidade, mas ainda assim considerei-o um longa divertidíssimo, além, é claro, de nos ofertar outra oportunidade de ficarmos frente a frente com personagens que nos cativaram outrora, como é o caso de Obi-Wan Kenobi, Anakin Skywalker e, certamente, Mestre Yoda.
A estória não deixa de ser interessante, em especial a premissa, mas há um grave problema inserido nela antes mesmo de o filme ter o seu início: a incompatibilidade desta com o subtítulo do longa. Quem vai aos cinemas imaginando que irá presenciar uma ampla abordagem sobre as famosas Guerras Clônicas (mencionadas por Luke Skywalker no quarto episódio da saga, no momento em que ele conhece Obi-Wan Kenobi e fica impressionado quando o segundo lhe revela que participou de tais conflitos) com certeza será negativamente surpreendido.
O roteiro, de fato, aborda ligeiramente as tais Guerras Clônicas, mas estas acabam sendo relegadas ao segundo plano, uma vez que a animação opta por retratar o rapto do filho de Jabba, o Hutt, e os esforços realizados pela República com o intento de resgatar a criança. Certamente é muito interessante assistirmos ao salvamento liderado por Anakin Skywalker e sua nova aprendiz, Ahsoka Tano, mas o problema maior está no propósito do mesmo.
Segundo os membros do Conselho Jedi, caso o resgate do filho de Jabba seja bem sucedido, o Hutt irá colaborar com eles na guerra contra os separatistas e o apoio deste é indispensável para a vitória da República. No entanto, há uma visível discrepância contida nesta missão: se o grande líder do planeta Tatooine é tão poderoso quanto os membros do Conselho Jedi prevêem, por que ele mesmo não se vê capaz de formar o seu próprio exército e resgatar o filho? Ao invés disso, a criatura pede auxílio aos Jedi que, utilizando unicamente dois de seus membros e mais alguns pouquíssimos soldados do gigantesco exército dos Clones, conseguem cumprir a tarefa que um exército inteiro, que aparentava ser tão poderoso a ponto de ser indispensável aos olhos da Federação, não se vê capaz de cumprir com êxito.
Mas os furos do roteiro, infelizmente, não param por aí. Principalmente se analisarmos este “The Clone Wars” da maneira que ele deve ser analisado, como um episódio de ligação entre o segundo e o terceiro capítulo da saga. Em “A Vingança dos Sith”, ficou mais do que claro que um dos maiores motivos que fizeram com que Anakin pendesse ao lado escuro da Força foi justamente a falta de confiança que o Conselho Jedi lhe depositava, relegando-o à posição de um mero coadjuvante, quando na verdade, este, em virtude de seu forte orgulho, almejava ser o protagonista de muitas missões.
Neste “The Clone Wars”, no entanto, o mesmo Conselho que, futuramente, viria negar a Anakin a liderança de missões menos complexas alegando que o jovem Padawan era muito pré-potente, impulsivo e despreparado para tal, atribui ao mesmo, incongruentemente, a responsabilidade de liderar uma tarefa de alta periculosidade, cujo fracasso poderia vir a resultar na derrota da República, durante um dos momentos mais conturbados de toda a sua história.
Incongruente também é a decisão do roteiro que opta por inserir duas personagens cujos destinos ficam em aberto com o término da película. Refiro-me à Ahsoka Tano (que, ao contrário da grande maiori
a das pessoas, não me irritou profundamente. Longe disso, gostei da inserção da mesma na trama, conforme comentarei mais em breve) e a vilã Asajj Ventress. Se a intenção deste “The Clone Wars” era funcionar como um episódio de liga ao segundo e ao terceiro capítulo, por que então tivemos a inserção de duas personagens que nem ao menos voltariam a aparecer em qualquer um dos dois episódios (“O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”) da saga? Se ao menos o roteiro tivesse se incumbido de dar um destino às mesmas, mas nem isso ele fez, simplesmente as inseriu na estória e esqueceu-se de que, no terceiro episódio, nenhuma das duas nem ao menos aparecem e / ou recebem uma singela menção, que seja.
Mas nem tudo no filme são defeitos. Não, muito pelo contrário. É verdade que o roteiro de “The Clone Wars” conta com uma infinidade de furos e erros, conforme fora previamente mencionado, e a animação falha gravemente ao tentar funcionar como amálgama entre “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”, mas se o analisarmos apenas como uma obra de entretenimento, este se revela uma ótima opção.
Contando com seqüências de aventura cujo alto nível de adrenalina somente uma animação poderia nos proporcionar (uma vez que esta confere uma vasta gama de movimentos aos personagens que, se fossem feitos de carne e osso, não contariam com a mesma flexibilidade), o filme é pura tensão, do intróito ao cabo, e suas cenas de ação são extremamente cativantes e envolventes, sobretudo as lutas de sabre de luz.
Evidentemente que nenhuma luta de sabre de luz inserida neste “The Clone Wars” se equipara ao conflito travado entre Qui-Gon Jinn, Obi-Wan Kenobi e Darth Maul em “A Ameaça Fantasma”, ou ainda ao duelo entre Mestre Yoda e Conde Dookan em “O Ataque dos Clones” e, principalmente, à luta travada entre Obi-Wan Kenobi e Anakin Skywalker em “A Vingança dos Sith”, mas não há como negar que a adrenalina proporcionada através dos duelos travados entre Obi-Wan Kenobi e Asajj Ventress, Anakin Skywalker e Conde Dookan (este, inclusive, infinitamente superior à luta ocorrida entre os mesmos protagonistas no início de “A Vingança dos Sith”) e o dificílimo combate entre Ahsoka Tano e três dróides de última geração é fortíssima e faz com que o filme valha cada centavo de seu ingresso.
Muito tem-se comentado também sobre a personagem Ahsoka Tano e o quão irritante esta é. Particularmente, a mesma não conseguiu causar-me quaisquer espécies de neurastenia ou coisas do tipo. Muito pelo contrário, confesso ter me surpreendido com a jovem Padawan. As habilidades presentes nela são incríveis e o trabalho desempenhado pela garota revela-se de suma importância para o êxito da missão. É claro que as vestimentas e os trejeitos egípcios que a caracterizam se mostram um tanto o quanto artificiais e oportunistas (uma vez que Ahsoka caminha, durante boa parte do filme, pelos extensos desertos de Tatooine, que muito nos remete à lembrança do Egito), mas creio que este seja o único detalhe que tenha me deixado verdadeiramente indiferente com a presença da garota (além, é claro, de o roteiro não ter previamente justificado o porquê desta simplesmente não aparecer e, nem ao menos ser mencionada, no terceiro episódio da saga, conforme já fora citado alguns parágrafos acima).
Um outro aspecto que tem sido muito criticado negativamente neste mais novo episódio que carrega o nome da brilhante franquia cinematográfica “Star Wars” é a qualidade técnica de sua animação. Em tempos onde personagens desenhados se mostram quase tão reais quanto personagens de carne e osso, tamanha a evolução tecnológica desenvolvida pelos estúdios da Pixar e da Dreamworks (em especial o primeiro), como é o caso do carismático robozinho protagonista do excelente “Wall-E”, era de se esperar que este “The Clone Wars” conta-se com uma qualidade gráfica bem mais avançada do que a que fora definitivamente apresentada aqui.
No entanto, não sou destes críticos que analisam um filme tomando por base uma outra obra cinematográfica. Olhando por este prisma e analisando “The Clone Wars” individualmente, podemos chegar à conclusão que, se a animação não faz jus a um “Wall-E” ou a um “Kung Fu Panda” no que diz respeito à sua parte gráfica, ela, ao menos, se mostra demasiadamente satisfatória neste quesito e, além de seus personagens terem sido muito bem desenhados, a movimentação destes é bastante convincente (salvo a movimentação ocular, que é a única restrição que faço aos mesmos).
A trilha-sonora também tem sido alvo de críticas extremamente negativas, principalmente vindas por parte dos saudosistas que idolatravam John Williams. Certamente, a genialidade de Kevin Kiner nem ao menos arranha a do compositor responsável pela trilha da saga original, em especial quando o filme se inicia e tomamos ciência de que a clássica música de abertura teve alguns acordes acrescentados, fato que adiciona algumas “gordurinhas” desnecessárias à mesma, mas não há como negar que a mescla de New Metal com Heavy Metal foi uma idéia genial de Kiner (apesar de eu detestar o primeiro sub-gênero musical citado) e torna as seqüências de ação do longa ainda mais eletrizantes do que elas já seriam por si só.
A direção de Dave Filoni também é uma característica que se revela bastante satisfatória. Durante o início do filme, as câmeras se movimentam com bastante versatilidade a fim de acompanhar as batalhas travadas entre a República e os separatistas no planeta Kristophsis. Com o desenrolar da trama, no entanto, a direção de Filoni vai perdendo o seu ritmo, mas ainda assim se mostra satisfatória e convincente o bastante a ponto de chamar a atenção do público até o seu último segundo de projeção, conferindo sempre muita dinamicidade ao longa.
Em suma, “Star Wars – The Clone Wars” é uma animação que conta com inúmeras falhas e furos em seu roteiro e se revela demasiadamente frágil se a analisarmos como um capítulo que serve de amálgama entre o segundo e o terceiro episódios. Contudo, analisando-a individualmente, a animação é bem feita e funciona com bastante eficácia se tomarmos esta apenas como uma obra descompromissada de entretenimento. Seus aspectos técnicos são muito satisfatórios, Dave Filoni realiza uma direção competente, a trilha-sonora, apesar de não se equiparar à de John Williams nem nos sonhos mais bizarros que o espectador possa ter, confere ainda mais ritmo às fascinantes e estonteantes seqüências de ação (estas que, de longe, são a maior qualidade do filme) e os personagens, apesar de conterem algumas falhas, são interessantes em sua maioria.
Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.
Star Wars – Episódio VI – O Retorno do Jedi – **** de *****

Ficha Técnica:
Gênero: Aventura/Ficção Científica.
Tempo de Duração: 131 minutos.
Ano de Lançamento (EUA): 1983.
Site Oficial: www.starwars.com/episode-vi
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation.
Direção: Richard Marquand.
Roteiro: George Lucas e Lawrence Kasdan, baseado em estória de George Lucas.
Produção: Howard G. Kazanjian.
Música: John Williams.
Direção de Fotografia: Alan Hume.
Desenho de Produção: Norman Reynolds.
Direção de Arte: Fred Hole e James L. Schoppe.
Figurino: Aggie Guerard Rodgers e Nilo Rodis-Jamero.
Edição: Sean Barton, Duwayne Dunham e Marcia Lucas.
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic.
Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princesa Leia Organa), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), David Prowse (Darth Vader), James Earl Jones (Darth Vader – Voz), Ian McDiarmid (Imperador Cos Palpatine), Alec Guinness (Obi-Wan Kenobi), Anthony Daniels (C3PO), Kenny Baker (R2D2/Paploo), Peter Mayhew (Chewbacca), Sebastian Shaw (Anakin Skywalker), Frank Oz (Yoda) e Michael Pennington (Moff Jerjerrod).
Sinopse: Após ter sido raptado pelo caçador de recompensas Borba Fett, Han Solo (Harrison Ford) é levado como refém até o gangster Jabba, o Hutt. Luke Skywalker (Mark Hamill) e seus amigos partem em uma missão com o objetivo de resgatar o importante general. Enquanto isso, o Imperador Cos Palpatine (Ian McDiarmid) e Lorde Darth Vader (atuação: David Prowse, voz: James Earl Jones) lideram o projeto de construção de uma nova “Estrela da Morte” (estação espacial super poderosa que havia sido destruída pelos soldados da Aliança Rebelde em “Uma Nova Esperança”) ainda mais poderosa que a anterior. Em uma desesperada e arriscada tentativa de defesa, os líderes da Aliança Rebelde nomeiam Lando Calrissian (Billy Dee Williams) para comandar um ataque à nova estação espacial imperial e Luke Skywalker se prepara para o grande desafio de sua vida: enfrentar e derrotar Darth Vader e Cos Palpatine, tornar-se um verdadeiro cavaleiro Jedi e encerrar com esta guerra de uma vez por todas, trazendo paz e liberdade ao universo.
Return of the Jedi – Trailer:
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Crítica:
“O Retorno de Jedi” se inicia com a tentativa frustrada, organizada por Luke, Leia, Lando, Chewbaca, R2-D2 e C3PO, de salvar Han Solo das garras de Jabba, o Hutt. Durante este resgate mal-sucedido, o filme brinda o espectador com figurinos, maquiagem e efeitos visuais simplesmente vislumbrantes. Nunca, em toda a trilogia, os realizadores se mostraram capazes de aproveitar todas as qualidades técnicas da obra a fim de criar uma diversificação tão ampla de criaturas quanto às que nos são apresentadas no início deste último episódio, no reduto de Jabba e os responsáveis pelos efeitos visuais e pela maquiagem se revelam extremamente competentes ao darem um ar ainda mais realista às bizarras criaturas.
Outro ponto forte inserido em tal seqüência inicial reside na criatividade que o roteiro e a direção tiveram ao construí-la. Preste atenção, por exemplo, na riqueza de detalhes utilizada para compor as coreografias e os números de dança realizados na residência de Jabba. Observe também os acordes musicais tocados, remetendo-nos à lembrança de um gênero no melhor estilo free jazz. Tudo aparenta ter sido minuciosamente bem pensado, escrito e executado. O resultado não poderia ter sido melhor.
A entrada de Luke Skywalker em cena também colabora muito para que esta ganhe muito ritmo, uma vez que os poderes de Jedi do jovem protagonista ampliaram-se consideravelmente e a evolução técnica da obra, principalmente no que diz respeito aos efeitos visuais desta, faz com que as seqüências de luta com sabre de luz se tornem muito mais reais e empolgantes e contem com movimentos muito mais ousados que os dos episódios anteriores.
Mas se por um lado tal seqüência revela-se extremamente interessante, analisando-a apenas como entretenimento, por outro lado a mesma revela-se fraca e parcialmente desnecessária do ponto de vista narrativo. Justifico tal afirmativa tomando por base que, apesar de nos mostrar o resgate do general Han Solo (que primeiramente se revela frustrado, mas com a entrada de Luke em cena toma um outro rumo), os minutos iniciais do filme fogem completamente da proposta principal da trilogia que é narrar a guerra estelar entre o Império Intergaláctico e a Aliança Rebelde.
Evidentemente, é uma excelente pedida presenciarmos em um blockbuster (ainda mais um com as proporções de um “Star Wars”) cenas de ação fantásticas regadas com impecáveis efeitos visuais, além, é claro, de contar com uma atriz formosíssima (bem, ao menos, na época, ela era muito formosa, gostosérrima (me desculpem pela vulgaridade, garotas, mas estou sendo sincero), para falar a verdade), do naipe de uma Carrie Fisher, trajando vestimentas apertadíssimas e minúsculas, mas sejamos francos, para que uma seqüência destas dure longos vinte minutos, é necessário, ao menos, que esta tenha um propósito muito maior dentro da trama do que simplesmente mostrar o resgate de um dos protagonistas da mesma, algo que poderia ter sido realizado em cerca de cinco minutos.
Outro defeito presente em tal seqüência é o modo desonroso como Bobba Fett, que havia se revelado um importante e interessante personagem até então, sai de cena: o mesmo é derrotado por Han Solo através de um golpe de sorte e o que já era ridículo consegue piorar ainda mais devido ao fato de o longa utilizar tal cena como alívio cômico. Aliás, a maneira como este “O Retorno de Jedi” se “desfaz” de muitos de seus personagens é um dos maiores defeitos do mesmo. Note, por exemplo, a seqüência que ilustra a morte de um certo personagem, cuja identidade manterei em segredo, que havia cativado imensamente o público. Ele simplesmente diz: “___ Estou velho, preciso descansar.”, e pronto, sai de cena, sem mais nem menos, da maneira menos sutil o possível.
O roteiro, escrito por George Lucas e Lawrence Kasdan, optou, desta vez, por explorar menos os seus protagonistas, inclusive o próprio Darth Vader, e devo reconhecer
que esta fora uma sábia decisão, uma vez que o desenvolvimento dos personagens principais já havia sido realizado com maestria nos longas anteriores. Sendo assim, não há nada mais conveniente então, do que o roteiro tomar a inteligente decisão de focar-se, principalmente, em amarrar as pontas deixadas em aberto pelos dois episódios anteriores, deixando os seus protagonistas em segundo plano (salvo o Imperador Cos Palpatine que, pela primeira vez na trilogia, é abordado de uma maneira demasiadamente ampla e torna-se um dos personagens principais deste episódio final), e é justamente isto o que ocorre aqui.
Mas o roteiro conta com diversas falhas e estas, infelizmente, não se resumem aos minutos iniciais do longa, conforme já consta citado neste texto. A artificial revelação sobre o grau de parentesco entre Luke e Leia é o exemplo mais claro disso. Francamente, poucas revelações soaram tão artificiais, desnecessárias e formulaicas na história do Cinema quanto à cena em que Luke revela a Leia que possui um forte grau de parentesco com esta.
A direção de Richard Marquand, que em sua totalidade se revela muito boa, também comete alguns deslizes imperdoáveis e torna os defeitos que já vinham do roteiro ainda mais alarmantes. Vide os alívios cômicos. Em sua grande maioria, são todos infantis, desnecessários, tolos. Ao menos desta vez o casal Leia e Han se mostra mais maduro e Marquand dirige o romance entre ambos de maneira convincente e nada irritante. Sem dúvida alguma foi a melhor química entre ambos durante toda a saga.
As seqüências de aventura foram extremamente bem distribuídas pelo roteiro e estas colaboram, e muito, para que o filme jamais se torne cansativo e/ou visivelmente longo (salvo a seqüência inicial, conforme já fora comentado). Contudo, o roteiro se esquece de algo importantíssimo ao criar tais cenas: deve-se sempre dar prioridade ao qualitativo e relegar o quantitativo ao segundo plano. “O Retorno de Jedi” é o episódio da saga que conta com mais cenas de ação, contudo, nenhuma destas chega aos pés da perseguição espacial entre Han Solo e as naves imperiais dentro de uma tempestade de asteróides no episódio anterior, ou, principalmente, do ataque que a Aliança Rebelde realiza à estação espacial “Estrela da Morte” no episódio original. Parte desse defeito deve-se ao diretor Richard Marquand que, apesar de criar ângulos satisfatórios enquanto dirige tais cenas, não se mostra capaz de dar a estas a mesma sensação de urgência e perigo imediato que os diretores George Lucas e Irvin Kershner conseguiram fazer com maestria nos, respectivamente, quarto e quinto episódios.
Mesmo com todos os defeitos já relatados neste texto, não há como negar que “O Retorno de Jedi” é um ótimo filme e conta com muito mais qualidades do que defeitos. A maior qualidade do longa, muito provavelmente, fica por conta da maneira como este consegue amarrar algumas pontas deixadas pelos episódios anteriores de maneira natural. Certamente, a morte de muitos personagens (dois em especial) aqui soa extremamente artificial e parece ser mais uma jogada do roteiro, como se este tivesse a obrigação de dar fim a tais personagens e, seja pela falta de tempo, criatividade, ou até mesmo, força de vontade, o faz de modo nada convincente. Ainda assim, os roteiristas Lucas e Kasdan se preocupam em criar um desfecho extremamente interessante à trama e aos seus respectivos protagonistas.
A dinâmica desenvolvida entre Luke Skywalker e Darth Vader também é outro ponto extremamente forte e relevante deste episódio final, principalmente depois da revelação ocorrida em “O Império Contra-Ataca”. E se no longa anterior a luta entre ambos já se mostrava extremamente tensa e dramática, imagine só neste “O Retorno do Rei” o impacto emocional que a mesma causa, principalmente quando sabemos que ali, um dos dois irá encontrar o seu trágico fim, além, é claro, desta vez estarmos cientes do grau de parentesco entre ambos, uma vez que no longa anterior Vader faz a revelação a Luke somente após a luta ter se encerrado.
E a carga dramática entre Vader e Skywalker certamente não reside apenas no dramático combate final entre ambos (que se revela a melhor luta de sabres de luz de toda a trilogia, apesar de não chegar aos pés da maioria das seqüências de ação dos dois episódios anteriores), muito pelo contrário. O âmago de tal química encontra-se nos diálogos entre o mocinho e o vilão da estória. O primeiro, tenta convencer o outro de que ainda há bondade nele e há a possibilidade deste voltar a atuar pelo lado iluminado da Força, ao passo que o segundo, tenta desesperadamente compenetrar o jovem Jedi a seguir o lado escuro da Força e derrotar o Imperador de uma vez por todas, assumindo o controle total do império ao seu lado.
Falando no imperador Cos Palpatine, a aparição deste também aumenta, e muito, o peso dramático do filme. Nos longas anteriores víamos Palpatine apenas através de hologramas, neste episódio de encerramento, presenciamos o mesmo em carne e osso, durante muitas cenas do filme e pode apostar, apesar deste não possuir traços tão marcantes quanto os de Vader, ele se revela tão assustador quanto o seu subordinado. Outra característica marcante de Palpatine reside na oratória deste. Sempre disposto a persuadir às pessoas a seguirem os seus ideais ao invés de simplesmente descarregar seus poderes nestas, o imperador apela a Luke para que este se junte a ele utilizando sempre diálogos extremamente convincente, como por exemplo a cena em que mostra ao rapaz as terríveis baixas que a Aliança Rebelde está sofrendo no confronto direto com o Império e que a única possibilidade de salvá-los é justamente unindo-se ao lado escuro da Força. O imperador também desempenha um papel muito importante para o destino final de Vader e Skywalker e colabora para que o combate entre ambos tenha um resultado final tão dramático quanto teve no longa anterior.
Apesar de ficar bem aquém aos outros dois episódios da saga, “O Retorno de Jedi” conta com um roteiro que se preocupa em amarrar, de maneira fascinante (salvo em um outro caso onde se mostra extremamente artificial ao fazê-lo), as pontas que os seus antecessores deixaram em aberto e desenvolve a química entre Luke Skywalker e Darth Vader de um modo épico. O imperador Cos Palpatine, que antes só nos era apresentado via hologramas, aparece em carne e osso neste episódio final e ganha uma abordagem digna de líder de Darth Vader. Os aspectos técnicos do filme são fantásticos, a direção de arte cria cenários inesquecíveis e os efeitos visuais são os melhores de toda a trilogia, além, é claro, de possibilitarem com que as lutas de sabre de luz sejam mais realistas e empolgantes que as dos filmes anteriores. O longa, no entanto, se revela falho em muitos de seus aspectos, sobretudo pelo início desnecessariamente longo, pelos alívios cômicos pífios e, principalmente, por não contar com seqüências de aventura realmente marcantes, como os episódios anteriores conseguiram fazer. Um ótimo filme, mas não há como negar que a saga “Star Wars” merecia um desfecho bem mais digno.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
Star Wars – Episódio V – O Império Contra – Ataca – ***** de *****
Título Original: The Empire Strikes Back.
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ca Imperial March, brilhantemente orquestrada pelo mestre John Williams, é ressoada de maneira que cause um impacto direto no espectador e, finalmente, vemos Lorde Darth Vader sentado em sua majestosa poltrona. Uma cena arrepiante, marcante, magistralmente bem realizada por Kershner, que confere uma união perfeita entre vários aspectos do longa (direção, direção de arte, trilha-sonora, fotografia, figurino e, é claro, roteiro) e que, por si só, já faz com que o espectador necessite dar uma conferida na obra, mesmo que este não se interesse pela trilogia.
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