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Star Wars – Episódio IV – Uma Nova Esperança – ***** de *****
Título Original: Star Wars.
Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princesa Leia Organa), Peter Cushing (Grand Moff Wilhuff Tarkin), Alec Guinness (Obi-Wan Kenobi), Anthony Daniels (C3PO), Kenny Baker (R2D2), Peter Mayhew (Chewbacca), David Prowse (Darth Vader), Phil Brown (Tio Owen Lars), Shelagh Fraser (Tia Beru Lars), Alex McCrindle (General Jan Dodonna), Eddie Byrne (Comandante Vanden Willard) e James Earl Jones (Darth Vader – Voz).
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itudes nem um pouco altruístas o tornam um personagem interessantíssimo, principalmente se levarmos em conta que ele é um dos heróis da estória. Todas estas características o colocam em uma posição bem distante do estereotipo do herói altruísta e estóico que estamos acostumados a ver repetidamente nos filmes do gênero. Contudo, há uma passagem ocorrida no final do filme onde Solo toma uma atitude tão discrepante com relação aos seus princípios morais que põe em jogo todo esta concepção de “mercenário que só se preocupa com dinheiro” que havíamos absorvido do mesmo durante a projeção inteira. A justificativa utilizada por este (“___ Não deixaria você (Luke) ficar com a glória toda só para si”) torna a sua atitude um pouco menos artificial, mas ainda assim a mesma não deixa de ser discrepante.
Star Wars – Episódio III – A Vingança dos Sith – **** de *****

Ficha Técnica:
Sinopse: Após salvar o Senador Palpatine, que fora seqüestrado pelos exércitos rebeldes, Anakin Skywalker se torna ainda mais íntimo deste. Entretanto, o jovem aprendiz de Obi-Wan Kenobi não sabe que o Senador almeja tomar o poder absoluto e utilizá-lo como principal ferramenta para tal.
Star Wars: Episode 3 – Revenge of the Sith – Trailer:
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A sensação que este “A Vingança dos Sith” deixou nos fãs da saga “Star Wars” durante o seu lançamento nos cinemas foi provavelmente a mesma sensação de angústia que “O Retorno do Rei” deixou nos fãs da saga “O Senhor dos Anéis” ou “A Última Cruzada” deixou nos fãs da trilogia “Indiana Jones” (que recentemente fora estendida com um interessante quarto episódio). Afinal de contas, os milhões de fãs que a mesma possui já não poderiam mais lotar as salas de cinema do mundo todo a fim de se reencontrar com o mundo mágico criado por George Lucas em uma aventura inédita. Mas ao menos serve de consolo o fato destes fãs saberem que a saga, a partir do momento que este terceiro episódio estreasse nos cinemas do mundo todo, estaria completa e que, agora, todas as pontas existentes entre a antiga e a atual trilogia encontravam-se, finalmente, completamente amarradas.
É uma tarefa muito árdua, no entanto, amarrar todas as pontas de ambas as trilogias de um modo realmente convincente e satisfatório. Pode-se confirmar isto neste “A Vingança dos Sith” onde, ironicamente, as maiores falhas e os maiores acertos do mesmo residem, justamente, na tentativa do roteiro criar elos entre uma trilogia e outra. Vide o maior erro do roteiro, por exemplo, que consiste em mostrar o principal motivo que teria levado Anakin Skywalker a abraçar o lado escuro da Força. Após ter uma visão, durante um sonho seu, onde sua esposa Padmé Amidala (que agora encontra-se grávida) perde a vida após dar a luz a um filho seu, o jovem Padawan passa a buscar medidas desesperadas a fim de evitar que tal fato seja concretizado. Ao saber da situação em que o jovem se encontra, o Senador Palpatine, Chanceler Supremo da Federação e Mestre dos Lords Sith (uma espécie de Jedi que utiliza a Força apenas para benefício próprio), propõe a Skywalker que este se una a ele no combate contra os Jedi e em troca, o político ensinará ao jovem os poderes do lado escuro da Força que poderão salvar a vida de Padmé. Francamente, uma lastimável e artificial solução que o roteiro encontrou para fazer com que o jovem muda-se completamente de posição ideológica.
Por outro lado, o mesmo roteiro que apresenta uma solução tão simplória e artificial para a mudança de caráter repentina de Skywalker, se revela extremamente satisfatório ao trabalhar os demais pontos que fizeram com que o aprendiz de Obi-Wan Kenobi sofresse tal mutação ideológica. Uma vez que o episódio anterior já cumprira a excelente tarefa de desenvolver Anakin de maneira bastante convincente, este terceiro episódio opta inteligentemente por não tentar desenvolver o personagem ainda mais. Ao invés disso, o roteiro toma a brilhante decisão de desenvolver o Senador Palpatine e o jogo psicológico que este realiza em Anakin, fazendo-o mudar completamente de lado (e sinceramente, se o roteiro não tivesse tomado tal atitude, a mudança de lado do protagonista soaria extremamente artificial e o filme se revelaria extremamente falho).
Conforme pudemos testemunhar em “Ataque dos Clones”, Anakin Skywalker era um jovem talentoso, mas extremamente arrogante e precipitado. Neste “A Vingança dos Sith” a sua impaciência aumenta cada vez mais levando em conta a insistência do Conselho Jedi em não conferir a ele o título de Cavaleiro Jedi (os membros do Conselho têm dúvidas quanto a Anakin em virtude à arrogância do rapaz e aos fortes laços que este tem com o Chanceler Palpatine, algo que, indiretamente, quebra a independência dos Jedi para com os políticos) e designar-lhe missões que realmente ponham em teste as suas inúmeras habilidades. Aproveitando-se da impaciência do aprendiz de Obi-Wan Kenobi e do gênio vaidoso deste, Palpatine trabalha, através de argumentos convincentes, a mente do jovem rapaz e o incentiva a auxiliá-lo a tomar o poder absoluto. A maneira como o roteiro desenvolve Palpatine, suas táticas de persuasão (salvo as que envolvem Padmé que, conforme fora citado, soam artifi
ciais) e seus diálogos é, não menos, do que excelente. Tudo foi cuidadosamente arquitetado pelo roteiro, para que a maior parte das alterações de caráter de Anakin não soassem artificiais.
O grande trunfo do roteiro, no entanto, consiste na virada espetacular que este dá na estória, a partir do início de seu segundo ato. A sensação que temos quando Palpatine põe em prática a sua “Ordem 66” (cuja descrição não irei fazer a fim de não estragar algumas surpresas) é a de que Lucas utilizou magistralmente os dois episódios anteriores (e, francamente, as pessoas que afirmam que este terceiro episódio tornou os outros dois desnecessários, simplesmente não sabem o que estão falando) a fim de mover estrategicamente todas as suas peças pelo tabuleiro e, quando chegasse o momento oportuno, utilizaria este terceiro episódio para dar o xeque-mate. E é justamente isto o que ocorre, cada peça movida nos longas anteriores teve importância vital para a conclusão desta trama, para o clássico desfecho da mesma. Simplesmente fascinante. Tão fascinante quanto à tristeza que nos assola ao ver a Ordem Jedi sendo completamente destruída.
As seqüências de aventura também são outra característica do filme que alternam entre altos e baixos. Logo no início somos apresentados à dupla de Jedis de “Ataque dos Clones”, Anakin e Obi-Wan, em uma missão de extrema importância: libertar o Senador Palpatine, que fora raptado pelo temível Conde Dookan. É exatamente nesta cena que podemos, pela primeira vez em toda a trilogia, notar a habilidade de Lucas na movimentação de câmeras. Pela primeira vez nesta trilogia vemos o “padrinho de todos os nerds” (como é conhecido o diretor) acompanhando as seqüências de ação de uma maneira realmente incrível. Note o modo como Lucas acompanha as naves espaciais durante a batalha, a movimentação com a câmera é perfeita e dá muita credibilidade à cena em si. Outro aspecto que conta muitos pontos a favor desta cena é a direção de arte que constrói, de maneira estupenda, uma nave espacial gigantesca fantástica. Tal seqüência parece ter sido sublimemente montada por Lucas a fim de homenagear as antigas batalhas intergalácticas contra um dos símbolos máximos da série, a Estrela-da-Morte, ocorridas na trilogia anterior.
Contudo, nem todas as cenas envolvendo aventura são tão magistrais quanto a seqüência acima citada (milagre eu não ter escrito “supracitada”, não?). Vide o duelo de sabres de luz travado entre Anakin Skywalker e Conde Dookan, apenas para citar um exemplo. Em virtude do que vimos no filme anterior, esperava-se uma luta bem mais consistente, empolgante, e isso acaba não ocorrendo. Temos aqui uma luta interessante, bem coreografada, mas que deveria ter sido mais bem trabalhada, principalmente do ponto de vista emocional, do que acabou sendo. Outra luta decepcionante é a ocorrida entre Obi-Wan Kenobi e o General Grievous, principalmente se levarmos em conta o interesse que a mesma nos desperta ao ficarmos sabendo que o segundo combatente, por possuir quatro braços, irá utilizar quatro sabres de luz simultaneamente, tornando a tarefa de derrotá-lo praticamente impossível ao destemido Jedi. No entanto, Kenobi derrota-o muito facilmente, o que torna a seqüência pouco emocionante. Por outro lado, as demais seqüências de ação envolvendo sabres de luz são fantásticas, em especial a mirabolante e empolgante luta entre Obi-Wan Kenobi e Anakin Skywalker, agora Lord Darth Vader. Simplesmente um dos mais empolgantes duelos já proporcionados pelo Cinema e que, infelizmente, devido à baixa tecnologia da época e orçamento nem tão estrondoso quanto o utilizado nos filmes atuais, viria a se repetir de um modo bem menos interessante durante o quarto episódio da saga. Devo destacar também a luta entre Mace Windu e Lord Darth Sidious cujos cuidados com o resultado final foram tantos que acabaram envolvendo 102 movimentos e três grandes salas para ser filmada.
A direção de arte, como já era de se esperar (uma vez que esta se revela o ponto alto de toda a trilogia), é, não menos, do que estupenda, e mais: é empregada aqui de maneira ainda mais eficiente do que havia sido empregada nos filmes anteriores. Repare na beleza plástica que é Coruscant à noite, ou no salão de ópera onde Anakin tem uma das conversas mais importantes do filme com o Senador Palpatine, ou no verde natural estonteante do Planeta Utapau e ainda na beleza vulcânica do Planeta Mustafar (a propósito, a direção de arte majestosa do cenário aqui engrandece ainda mais a magnífica e dramática luta de sabres entre Obi-Wan Kenobi e Darth Vader).
Os demais aspectos técnicos do longa também não decepcionam. A fotografia, como sempre, é belíssima e dá ainda mais realce aos fabulosos cenários criados pela estupenda direção de arte, a trilha-sonora engrandece ainda mais as seqüências de aventura, suspense e drama do filme e o figurino também é sensacional, bastante diversificado e riquíssimo em detalhes, algo que fertiliza ainda mais a magia por trás do longa.
As atuações, no entanto, decepcionam e, se comparadas a “O Ataque dos Clones”, empalidecem consideravelmente. Se por um lado Ian McDiarmid realiza um trabalho supremo ao assumir a pele do Senador Palpatine e do Lord Darth Sidious (sinceramente, não vejo melhor ator para cumprir tal função), por outro lado o excelente Christopher Lee aparece muito pouco e os demais atores, nem de longe, conseguem criar uma atuação tão marcante quanto a que ele realizou no longa anterior. Ewan McGregor, se revela um bom ator neste longa, mas falha em algumas cenas onde precisaria fazer uma entonação de voz mais dramática. Natalie Portman só atua de maneira definitivamente convincente ao final do filme, que é justamente quando o roteiro confere uma carga dramática muito mais forte a sua personagem. Nas demais cenas, a atriz jerusalense não adota uma carga dramática forte o bastante para fazer com que a sua personagem se aproxime do público.
E quanto à atuação de Hayden Christensen? Bem, digamos que esta merece um parágrafo único para ser comentada de forma mais aprofundada. Christensen realiza uma atuação bastante irregular no longa e, assim como as cenas de aventura e as artimanhas utilizadas pelo roteiro a fim de amarrar a trama, seu trabalho aqui alterna constantemente entra altos e baixos (só que, neste caso ao menos, devo dar mais ênfase à palavra “baixos” que à palavra “altos”). Note, por exemplo, a maneira artificial como ele emprega um tom de voz ridiculamente grave e sombrio quando diz: “___ Eu lhe ofereço o meu empenho em troca de vossos ensinamentos!”. Por outro lado, o ator canadense emprega, durante muitas cenas, a expressão de uma pessoa realmente frustrada, cujas esperanças naquilo que julgava ser o certo a se fazer se revelam cada vez mais nulas, escassas e minguantes. Contudo, faltou a Christensen mais talento, mais expressividade, mais dramatização em sua composição, faltou algo que realmente convencesse o público de que ele é Darth Vader, ele é a alma de toda a trilogia.
Preparando a finalização deste texto, comentarei sobre outro ponto que também alterna entre altos e baixos (sim, mais um, este filme definitivamente se revelou uma montanha russa artística): os diálogos. Ao mesmo tempo em que temos diálogos extremamente inteligentes do tipo “O Bem é apenas um ponto de vista” (algo que Lucas, voluntaria ou involuntariamente, extraiu de filosofia nieztschiana) e “Era para você trazer equilíbrio à Força, não jogá-la na escuridão”, Lucas quase joga seu roteiro no lixo com absurdos do tipo: “Não, você vai tentar me matar!” (resposta de Skywalker a Kenobi quando o segundo diz que irá matá-lo). Para piorar a situação, o tom de voz empregado por Christensen a fim de declamar tal oração é tão artificial que torna a cena ainda mais ridícula do que ela já seria por si só. Ah, e é claro que não poderíamos ficar sem o clássico
e clichê “Nããããããããããão!” proferido da maneira mais piegas o possível pelo protagonista.
Resumindo, “A Vingança dos Sith” é um filme que alterna entre altos e baixos, mas o saldo final acaba sendo incontestavelmente positivo. Utilizando algumas táticas incríveis a fim de preencher as lacunas deixadas em aberto na unificação da trilogia antiga com esta nova, Lucas se revela um roteirista de mão cheia, mas que erra gravemente algumas vezes, quando tenta, por exemplo, criar um motivo para que Anakin Skywalker opta-se por pender ao lado escuro da Força envolvendo a sua amada esposa. As seqüências de aventura são, em sua maioria, muito boas, mas decepcionam completamente o público em alguns casos. As atuações em sua maioria são boas (e nada além de boas), salvo Hayden Christensen que se mostra completamente irregular durante o filme inteiro. A parte técnica deste terceiro episódio é irretocável e o longa encerra a saga com maestria, servindo como uma perfeita ponte que dá liga as duas trilogias.
Ah, e como não poderia deixar de ser, encerrarei definitivamente este texto realizando um rápido comentário sobre a trilogia inteira. Diria, antes de tudo, que nenhum dos três episódios se revela dispensável, desnecessário ou fraco (conforme muitas pessoas dizem), muito pelo contrário, cada um possui a sua função. O primeiro trata de oferecer ligeiras explicações sobre vários pontos que viriam a ser abordados futuramente, tais como: o que vem a ser a Força, como fora a infância de Anakin Skywalker, como Obi-Wan Kenobi passou a treiná-lo e muitas outras coisas que ficariam completamente vagas sem este primeiro episódio. “Ataque dos Clones”, por sua vez, encarregou-se de explorar os personagens principais da trilogia, amarrar algumas pontas deixadas, propositadamente, em aberto pelo primeiro filme, iniciar (ainda que de maneira artificial) o importante romance entre Anakin e Padmé, e, acima de tudo, dar início à demonstração das falhas de caráter apresentadas pelo aprendiz de Obi-Wan Kenobi, fato que o levaria ao destino que teria de traçar em um futuro não muito distante. O terceiro episódio, finalmente, se revela o ponto alto da trama e preenche todas as lacunas deixadas em aberto pelos dois longas anteriores. A trilogia nova realmente não faz jus à antiga, mas ainda assim se mostra altamente importante para uma melhor compreensão daquela, além, é claro, de se revelar uma ótima experiência cinematográfica se fizermos um balanço geral da mesma.
Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.
Star Wars – Episódio II – Ataque dos Clones – **** de *****
Sinopse: Com uma crise assolada por toda a República, rebeldes separatistas ameaçam iniciar uma guerra civil intergaláctica. Para evitar que tal tragédia ocorra, a, agora, Senadora do planeta Naboo, Padmé Amidala (Natalie Portman), desembarca em Coruscant, a fim de votar a favor da criação de um exército para ajudar os valentes cavaleiros Jedi a manter a paz por toda a Federação. Entretanto, um inesperado atentado contra a Senadora ocorre na plataforma de desembarque e, após escapar ilesa, a mesma é posta aos cuidados do Jedi Obi-Wan Kenobi (Ewan McGergor) e de seu Padawan Anakin Skywalker (Hayden Christensen). O primeiro deverá investigar quem está por trás de tal atentado, ao passo que o segundo deverá escoltar a política até o seu planeta natal e protegê-la a todo custo. Contudo, um perigoso romance passa a acontecer entre Anakin e Padmé.
Star Wars – Episode II – Attack of the Clones – Trailer:
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Não sei ao certo se foi George Lucas quem decidiu dar ouvido às críticas negativas direcionadas ao episódio anterior a este “Ataque dos Clones” ou se foi ele mesmo quem decidiu repensar por si próprio nos diversos erros que havia cometido em “A Ameaça Fantasma”. A única coisa que sei é que o consagrado diretor parece ter aprendido com os erros cometidos no primeiro episódio e os corrigido durante a produção deste segundo (entre tais erros corrigidos, cito ligeiramente a feliz decisão de conferir bem menos importância à irritante criatura Jar Jar Binks). O problema é que, ainda assim, Lucas não foi capaz de evitar certos erros que nem ao menos existiam no episódio antecessor e surgiram pela primeira vez aqui.
Ao contrário de “A Ameaça Fantasma”, este “Ataque dos Clones” conta com atuações ótimas e carismáticas, fazendo com que nos cativemos com a grande maioria de seus personagens, diferentemente do que acontecia no longa anterior. Ewan McGregor e Natalie Portman tiveram uma, mais do que visível, evolução em suas respectivas atuações e o estreante Hayden Christensen também não faz feio ao assumir o personagem de Anakin Skywalker. A química e o entrosamento entre as peças do elenco também tiveram uma relevante evolução, e isso acabou colaborando, e muito, para o resultado final do filme.
Mas não apenas as atuações de todo o elenco, como também o próprio roteiro, teve uma contribuição indispensável para que a relação público-personagens se saísse da melhor maneira o possível. Conseguindo criar subtramas que acabam desenvolvendo seus protagonistas de maneira bastante convincente, Lucas traça o perfil dos três personagens principais tomando por base as atitudes que estes adotam de acordo com uma determinada situação vivenciada por cada um.
Anakin Skywalker é, indubitavelmente, o personagem mais bem explorado pelo roteiro. Precipitado, arrogante (infelizmente o roteiro erra um pouco na dose de tal arrogância, tornando o personagem artificial demais durante alguns pouquíssimos minutos de projeção), irracional e de temperamento explosivo e imprevisível, o jovem aprendiz de Jedi nem de longe lembra o garoto estoicista e altruísta do longa anterior. Por outro lado, o roteiro também prima por distanciar o Anakin deste “Ataque dos Clones” do personagem que ele virá a se transformar no terceiro episódio. O Anakin Skywalker deste segundo episódio é o perfeito intermédio entre o garoto de índole inquestionável de “A Ameaça Fantasma” e o adulto frustrado com os seus sonhos que será abordado no episódio sucessor a este. Skywalker é a prova definitiva de que o ser humano, por melhor que seja, pode ser convertido e influenciado pelo meio e pelas circunstâncias que o cercam.
Obi-Wan Kenobi, que havia passado meio batido no longa anterior, também é muito bem aproveitado pelo roteiro deste longa e a atuação consistente e carismática de McGregor colabora muito para isso. Revelando-se um homem racional, sério, comprometido com o serviço, mas extremamente precipitado e involuntariamente autoritário e possessivo, o caráter do mestre Jedi é amplamente exposto neste filme e colabora muito para que percebamos o quão este personagem influencia, tanto negativamente quanto positivamente, Anakin Skywalker, colaborando imensamente para o destino cruel e sombrio reservado a este.
Padmé Amidala, muito provavelmente, é a protagonista que menos foi aproveitada pelo roteiro, apesar de ter sido muitíssimo bem empregada pelo mesmo. Antes, rainha de Naboo, agora, senadora deste mesmo planeta, a garota se mostra amável, h
onesta, empenhada, determinada, mas é sempre extremamente racional e faz o possível para evitar um previsível romance com Anakin Skywalker imaginando que isto causaria danos irreversíveis a ambos.
E aproveitando a menção que fiz ao romance entre Anakin e Padmé, devo dizer que o mesmo alterna entre altos e baixos constantemente. O casal não possui muita química, diga-se a verdade, mas ainda assim acaba, estranhamente, nos cativando (talvez seja pelo simples fato de sabermos a importância fundamental que tal envolvimento terá nos episódios posteriores). O relacionamento entre ambos, infelizmente, se apóia em alguns planos clichês imperdoáveis, com direito a cenas em que ambos rolam na grama de um local altamente paradisíaco e, é claro, ao primeiro beijo trocado entre ambos (também em um local de vista paradisíaca) com direito a um artificial pós-arrependimento por parte da jovem senadora que diz: “___ Não, não está certo fazermos isso!”. Ainda assim, tal envolvimento amoroso é de suma importância para a hexalogia inteira (e, provavelmente, é um dos pontos mais importantes que foram abordados por esta nova trilogia).
Outro fato importantíssimo ocorrido neste “Ataque dos Clones” e que, posteriormente, irá colaborar, e muito, para a transformação de Anakin Skywalker no temível personagem que o destina, é o falecimento de uma determinada pessoa muito querida por ele (cujo nome, obviamente, não irei revelar). Contudo, da mesma forma que o romance entre Anakin e Padmé alterna entre altos e baixos, a seqüência da morte de tal pessoa segue o mesmo caminho. Abusando de um clássico clichê hollywoodiano, Lucas dirige a cena com uma dose de pieguice, com direito a presenciarmos a pessoa morrendo nos braços de Anakin, dizendo: “Eu te amo!”. Por outro lado, o modo como o roteiro trabalha a influência que tal baque causa ao personagem é sensacional e sentimos na pele todo o ódio despertado dentro deste. Infelizmente tal seqüência se encerra com uma falha que poderia, e deveria, ter sido facilmente evitada por Lucas: o excesso na atuação de Christensen. A fim de demonstrar toda a sua ira, o jovem ator exagerou nas expressões de cólera e na tentativa de se revelar um bad ass, tornando a seqüência toda um tanto o quanto exagerada. O roteiro também não colabora muito com o desfecho da cena e cria diálogos patéticos do tipo: “___ Matei a todos eles. Não só aos homens, como também mulheres e crianças!”.
A estória, por sua vez, é ótima e é justamente ela que se revela o grande diferencial desta obra. Ao contrário do primeiro longa que não se preocupou em criar uma estória complexa e profunda (já que nem precisava disto, uma vez que a intenção do filme, conforme citei em minha crítica, era introduzir o espectador no universo “Star Wars” e isto ele se revelou capaz de fazer), este “Ataque dos Clones” conta com uma trama bem complexa e, por que não dizer, misteriosa. Logo no intróito da película somos lançados em um atentado completamente inesperado à Senadora Amidala, a fim de impedir com que esta vote na formação de um exército que irá impedir com que grupos rebeldes separatistas iniciem uma guerra civil intergaláctica. A partir daí, Obi-Wan Kenobi é designado para descobrir quem está por trás de tal tentativa de assassinato e Anakin Skywalker recebe a missão de proteger Padmé Amidala.
A sorte do roteiro, no entanto, é que a sua estória se revela suficientemente interessante para prender o público alvo e ele a desenvolve muito bem, pois se fossemos depender das cenas de ação para tal (conforme ocorreu no episódio anterior), o filme certamente teria encontrado sérios problemas em cativar o espectador. Não que as seqüências de aventura não sejam boas, muito pelo contrário, são ótimas e diria que superam facilmente todas as cenas de ação do longa anterior, mas o problema é que neste segundo episódio elas são muito más distribuídas, diferentemente de “A Ameaça Fantasma”.
Certamente cenas como a perseguição de carros ocorrida logo no início do longa, a perseguição espacial ocorrida entre Jango Fett e Obi-Wan Kenobi, as lutas na arena, o ataque que o exército de clones (cena esta que intitula o filme) realiza contra os rebeldes separatistas e, é claro, as lutas com sabres de luz (estas, inclusive, contam com uma sensacional, embora curta e, até mesmo, decepcionante, participação inesperada e inusitada de um personagem altamente surpreendente que manterei no anonimato por razões óbvias) empolgam, e muito, o espectador.
O grande problema, no entanto, é o fato de elas estarem concentradas mais no primeiro e terceiro atos do filme, tornando o segundo ato um tanto o quanto cansativo durante alguns minutos de projeção. A trama, conforme já havia mencionado, é interessante o bastante para prender o espectador, mas até mesmo ela acaba não evoluindo o bastante sem as seqüências de ação que deveriam conter no segundo ato.
Uma vez comentadas as seqüências de ação do longa, vale ressaltar também a direção de George Lucas durante estas. Não apenas o modo como o diretor conduz o seu elenco, como também a maneira que ele conduz as cenas de aventura, tiveram uma visível e agradável melhora. Se antes Lucas havia se revelado um patético diretor, aqui ele se mostrou muito mais competente ao conduzir o filme e, apesar de não realizar movimentações com a câmera acima da média, se revelou capaz de criar ângulos muito interessantes, principalmente durante o ataque dos clones, onde ele cria fantásticas tomadas aéreas, posicionando as câmeras dentro das espaçonaves, colaborando assim para um considerável aumento no clima de tensão de tais seqüências.
A parte técnica do longa também conta muitos pontos para a sua avaliação final. Os efeitos visuais, desta vez, se mostram ainda mais superiores que os do longa anterior e tornam todas as seqüências de ação ainda mais eletrizantes do que elas já seriam por si só. A direção de arte, no entanto, não se mostra capaz de criar cenários tão magníficos quanto os do longa anterior e não conta com a mesma criatividade demonstrada anteriormente, mas ainda assim nos apresenta a lugares fantásticos como o chuvoso Planeta Kamino (em especial o interior dos palacetes deste. Note como é impossível não se encher os olhos face ao excelente emprego do branco futurista como decoração interna), a arena e a fábrica de robôs do planeta Geonosis, além, é claro, de Coruscant e Naboo, que aqui contam com alguns lugares fantásticos que ainda não haviam sido explorados pelo longa anterior.
Outra agradável surpresa inserida neste filme é a fantástica atuação de Christopher Lee. Empregando um tom de voz simplesmente fabuloso, o ator faz de seu Conde Dookan um dos personagens mais marcantes desta nova trilogia. Sua atuação, como sempre, é consistente e convincente e a cada momento em que o ator aparece em cena o filme evolui consideravelmente.
Por fim, gostaria de comentar uma cena em especial do filme que foi capaz de me arrepiar inteiro, e provavelmente arrepiou, ou irá arrepiar (caso a pessoa ainda não tenha assistido ao longa) a todos os starwarsmaníacos. Refiro-me à cena onde vemos todos os principais membros do lado escuro da Força reunidos em um camarote, avistando de cima, a marcha de um gigantesco grupo de clones. O grande marco desta cena, certamente, reside nos primeiros acordes tocados da fantástica Marcha Imperial, tema composto pelo genial John Williams (que não bastasse ter composto a fantástica trilha-sonora da hexalogia “Star Wars”, compôs também a inesquecível trilha-sonora da ótima trilogia “Indiana Jones”). Cronologicamente falando, é a primeira vez que escutamos a música sendo tocada e, só isso, já basta para encher os olhos de qualquer fanzóide da série (isto inclui este que vos escreve) de lágrimas.
Optando sabiamente por cor
rigir os erros que havia cometido em “A Ameaça Fantasma”, George Lucas se redime aqui e extrai de seu elenco ótimas atuações (salvo Hayden Christensen que falha algumas vezes, mas nada que comprometa o seu ótimo desempenho geral), além de conduzir muito bem as seqüências de ação do longa, criando ângulos muito bons para isso. A estória é bastante interessante e o roteiro a desenvolve muito bem, tal como os seus respectivos protagonistas, mas, infelizmente, o longa inicia o romance entre Anakin Skywalker e Padmé Amidala de maneira deveras artificial, fazendo com que aja pouca química entre ambos e o relacionamento destes só nos cative por levarmos em conta a importância que o mesmo terá à hexalogia inteira. As seqüências de ação são todas excelentes, mas acabam sendo má distribuídas durante o filme, que só não deixa o espectador entediado em virtude à maneira inteligente como o roteiro trabalha a sua estória principal.
Avaliação Final: 8,3 na escala de 10,0.
007 – Quantum of Solace – ** de *****
Titulo Original: 007 – Quantum of Solace.
Gênero: Aventura.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.007quantumofsolace.com.br/
Tempo de Duração: 105 minutos.
Diretor: Marc Forster.
Roteirista(s): Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade.
Elenco: Daniel Craig (James Bond), Olga Kurylenko (Camille), Mathieu Amalric (Dominic Greene), Judi Dench (M), Giancarlo Giannini (Mathis), Gemma Arterton (Strawberry Fields), Jeffrey Wright (Felix Leiter), David Harbour (Gregg Beam), Jesper Christensen (Sr. White), Anatole Taubman (Elvis), Rory Kinnear (Tanner), Joaquín Cosio (General Medrano), Lucrezia Lante della Rovere (Gemma), Glenn Foster (Mitchell), Paul Ritter (Guy Haynes), Simon Kassianides (Yusef), Stana Katic (Corinne), Neil Jackson (Sr. Slate), Fernando Guillén Cuervo (Coronel da polícia), Guillermo del Toro (voz) e Alfonso Cuarón (voz).
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ado em um terno, caso tal permuta não soasse uma jogada tão artificial e absurda por parte do roteiro, é claro.
Destarte, “007 – Quantum of Solace” não é somente esta pilha de defeitos que fora comentada até então. Muito pelo contrário, apesar de estar a anos-luz de poder ser simplesmente encarado como um filme bom (para falar a verdade, é um dos piores da franquia), esta 22ª aventura da saga se mostra, ao menos, capaz de divertir o seu público alvo. No primeiro parágrafo desta crítica fora comentado o fato das cenas de ação do filme serem curtas demais. Sim, são tão curtas que quando você começa a se emocionar com as mesmas, elas repentinamente se encerram, tornando-se um tanto o quanto, com o prévio perdão da palavra, broxantes. Contudo, não há como negar que as mesmas sejam cativantes e suficientemente divertidas a ponto de prender o espectador na poltrona durante o filme todo.
O modo como o roteiro distribui as seqüências de aventura também é algo invejável. A trama pode não ser das melhores, bem como o desenvolvimento de muitos de seus personagens, mas o script ao menos foi capaz de “maquiar” este terrível engodo semeando estrategicamente diversas cenas curtas de aventura por todo o filme, fazendo com que o mesmo, em raros momentos, se torne cansativo e/ou entediante (e sejamos francos, está cada vez mais difícil ir aos cinemas e conferir um filme de ação que realmente valha a pena, prova disso é o recente e enfadonho “Max Payne”). Em outras palavras, apesar de todos os defeitos, “Quantum of Solace” se revela um longa tão dinâmico quanto “007 Contra Octopussy” (que, por incrível que pareça, durante a minha infância era o meu ‘Bond’ predileto), “007 – Somente Para os Seus Olhos”, “007 – Permissão Para Matar” e “Moscou Contra 007”.
O grande trunfo do filme, no entanto, fica por conta de Daniel Craig e a sua perfeita composição de James Bond. Encarnando o protagonista com a mesma frieza (repare como ele deixa, sem demonstrar quaisquer sinais de arrependimentos, o corpo de um amigo recém falecido guardado em uma lixeira) e violência utilizada no ótimo “007 – Cassino Royale”, o primeiro ator loiro que veio a protagonizar os filmes da franquia usa todo o seu talento a fim de executar uma atuação ainda mais convincente e cativante do que a que fora realizada no 21° filme da saga. E se no filme anterior Craig mostrava-se bem menos charmoso do que Pierce Brosnan se revelou em “007 – O Amanhã Nunca Morre”, neste “Quantum of Solace” o britânico dá a volta por cima e confere ao longa, praticamente, o mesmo garbo adotado por Sean Connery em “007 Contra Goldfinger”. É simplesmente cativante vermos o modo natural como o ator alterna entre o agente secreto extremamente bruto (vide a seqüência em que Bond elimina quatro oponentes dentro de um elevador) e charmoso (vide a seqüência, logo após a do elevador, onde Bond utiliza o calcanhar para empurrar delicadamente o braço de um oponente seu para dentro da cabina, a fim de permitir com que a porta desta se feche automaticamente).
“Quantum of Solace” falha gravemente no que diz respeito à direção e roteiro, além de criar seqüências de ação curtas demais, mas ao menos se revela um filme dinâmico e violento na medida certa, mantendo o mesmo ritmo que o seu antecessor e provando que Daniel Craig, definitivamente, veio para ficar.
Avaliação Final: 5,0 na escala de 10,0.
Crítica – Hancock
Will Smith é o exemplo do indivíduo talentoso que perde o seu tempo com produções imbecis e descartáveis, daquelas que, com o passar dos anos (e por que não dizer: meses?) simplesmente será apagada das mentes dos espectadores, ou não. Pois é, para mim é inadmissível notar como o carisma exacerbado do ator/rapper (que não engrena em nada que preste, artisticamente falando, nem em uma profissão, menos ainda em outra) estadunidense transforma tudo o quanto é porcaria em que ele toca (pois tudo em que ele toca realmente é uma porcaria) em ouro. Vamos analisar o patético sitcom “The Fresh Prince of Bel-Air” (que julgo, ao lado de “That’s So Raven”, o pior sitcom de todos os tempos já produzido pela “Terra do Tio Sam”), só para se ter uma idéia. O programa é patético, não tem graça alguma, não funciona nem para crianças, nem para adultos, nem para garotos, nem para garotas, mas ainda assim é um sucesso no mundo todo e sabem por quê? Porque conta com um Will Smith carismático, onde tudo o que ele faz vira piada (menos para mim e mais 10% da população mundial). O mesmo ocorre com este enfadonho “Hancock”. O filme, por si só, não seria capaz de fazer ninguém rir (salvo em uma ou outra situação, conforme citarei abaixo), mas como é o tal do Will Smith quem está ali atuando, ah, aí todo mundo se esbalda em gargalhadas. Basta ele dizer um “___ holy shit!” para que todos dêem gargalhadas. Enfim, creio que eu tenha sido a única pessoa na sala de cinema que não fôra contaminado com o vírus da mongoloidísse alcunhado Will Smith, mas vamos à crítica que é o que interessa, ou não.
Ficha Técnica:
Título Original: Hancock
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.hancock.com.br
Estúdio: Blue Light / Relativity Media / Weed Road Pictures / Forward Pass / Overbrook Entertainment
Distribuição: Columbia Pictures
Direção: Peter Berg
Roteiro: Vincent Ngo e Vince Gilligan
Produção: Akiva Goldsman, James Lassiter, Michael Mann e Will Smith
Música: John Powell
Fotografia: Tobias A. Schliessler
Desenho de Produção: Neil Spisak
Direção de Arte: William Hawkins e Dawn Swiderski
Figurino: Louise Mingenbach
Edição: Colby Parker Jr. e Paul Rubell
Efeitos Especiais: Furious FX / Lidar Services / Sony Pictures Imageworks
Elenco: Will Smith (John Hancock), Charlize Theron (Mary Embrey), Jason Bateman (Ray Embrey), Jae Head (Aaron Embrey), Eddie Marsan (Red), David Mattey (Homem da montanha), Maetrix Fiften (Matrix), Thomas Lennon (Mike), Johnny Galecki (Jeremy), Haylye Marie Norman (Hottie), Akiva Goldsman (Executivo) e Michael Mann (Executivo).
Sinopse: Hancock (Will Smith) é um herói diferente dos demais já vistos no Cinema. Ao contrário de um Homem-Aranha, de um Super-Homem, ou de um Batman, Hancock é um herói derrotado pela vida, cujas crises existenciais e consumo exacerbado de bebida alcoólica o transformam em um sujeito desajeitado e incapaz de realizar um único resgate sem nem ao menos causar prejuízos incalculáveis ao governo. Contudo, Hancock conhece Ray Embrey, um agente de relações-públicas que promete “limpar” a imagem de bad-ass do sujeito e fazer com que o mesmo possa combater o crime organizado com dignidade.
Crítica:
Durante boa parte dos, aproximadamente, 90 minutos de projeção deste “Hancock” somos obrigados a testemunhar as atitudes duvidosas de um super-herói mal-humorado, mal-educado, mal-amado, mal-encarado, malcriado, malquisto, mau caráter e cerca de 90% de todos os adjetivos simples ou compostos contidos em nosso vocabulário que possuam em seu contexto as palavras: “mal” ou “mau”, seja esta inserida como radical da palavra, ou não. “___ E isso é ruim?”___ me pergunta o estimado leitor. “___ Mas é claro que não! Muito pelo contrário, é sensacional!” ___ respondo eu.
Hancock é um super-herói bem diferente dos demais, no que diz respeito a seu caráter e a seus conceitos morais, fato que comprova que o protagonista é muito mais humano e sujeito a falhas do que a grande maioria das personalidades transportadas das HQs para as telonas é. Além disso, o longa conta com um Will Smith inspirado e algumas piadinhas que funcionam bem vez ou outra. “___ Ah, que ótimo, e as demais qualidades?” ___ me pergunta o leitor. Eu respondo: “___ Elas não existem, as qualidades se resumem apenas à tentativa de criar algo além do convencional, ao carisma de Will Smith e a algumas piadas e/ou gags que funcionam raramente.”.
Fora as poucas qualidades que esta bomba assinada por Peter Berg possui, temos a tentativa mal-sucedida de um diretor megalomaníaco que almeja, acima de tudo, criar uma obra pseudo-moderninha e falha terrivelmente em seu propósito, salvo, é claro, na composição inicial (e apenas inicial) de seu protagonista. No mais, somos obrigados a encarar outros maneirismos inconvenientes e contemporâneos do diretor como, por exemplo, a realização de closes com a sua câmera, sempre que possível (e muitas vezes até mesmo quando não é tão possível assim, diga-se).
Mas antes os defeitos do filme se resumissem às (desastrosas) tentativas de apresentar o “novo” (gargalhadas) ao espectador. Se fosse assim, a experiência seria, no máximo, decepcionante, mas infelizmente a mesma se torna insuportável durante o seu desenrolar. Vamos analisar o humor do longa, para se ter uma idéia. Durante o primeiro ato temos algumas piadas e/ou gags que funcionam de maneira conveniente, como a cena em que o protagonista prende
uma vã lotada de marginais em um edifício pontiagudo ou ainda a seqüência onde, a fim de salvar uma baleia encalhada na praia, Hancock utiliza toda a sua força para arremessá-la de volta ao mar, mas, involuntariamente, acaba acertando uma embarcação e afundando a mesma.
As duas gags supracitadas parecem (mas só parecem) ter saído de uma mente inteligente e criativa, mas conforme o filme se desenrola esta mesma mente “inteligente e criativa” (agora com aspas) nos obriga a presenciar seqüências sofríveis, como a em que o protagonista “prende” a cabeça de um homem ao tra… (não vou revelar qual parte do corpo é, a fim de não estragar possíveis “surpresas” (gostaram de minha piadinha? Hã? Hã? Pois é, estou entrando no ritmo do filme!)) de um outro homem, criando uma situação forçada e constrangedora não só aos atores que a interpretam, como principalmente ao espectador que a assiste.
Entretanto, o maior problema deste “Hancock” reside, indubitavelmente, na incapacidade de seu roteiro em definir um gênero ao mesmo. Não entendi se os roteiristas almejaram fazer desta bomba um filme de comédia, ou um filme de drama. A única coisa que percebi é que o mesmo teria se revelado uma experiência bem menos sofrível caso se assumisse como uma reles aventura descerebrada e convencional (nunca imaginei que fosse dizer isso em toda a minha vida).
Em suma, em meio às crises existenciais do protagonista, às crises de fracasso do diretor (que não consegue cumprir com as suas ambições de criar algo novo sem cair no ridículo) e às crises de identidade dos roteiristas (que não conseguem definir um gênero à obra), quem mais sofre é o espectador, que se abarrota em crises existenciais se perguntando a todo o instante: “___ Qual é o meu propósito nesta sessão de cinema?”.
Avaliação Final: 3,0 na escala de 10,0.
Crítica – Wall-E
Eu não sei ao certo se sou eu quem sou conservador, ou melhor, retrógrado demais ou se foi a qualidade das animações que realmente caiu, e muito, de uns tempos para cá. Sinceramente, creio que a preocupação com a qualidade gráfica das produções atuais fez com que a criatividade do roteiro das mesmas fosse praticamente esquecida de uns tempos para cá, fazendo com que as obras perdessem bastante de sua qualidade artística. Não que eu não goste de animações como “Ratatouille”, “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais”, “Procurando Nemo“, “Shrek”, “Jimmy Neutron – O Menino Gênio” ou até mesmo “Os Incríveis”, muito pelo contrário, gosto muitíssimo das mesmas, mas ainda assim acredito que nenhuma destas chegue aos pés de um “O Rei Leão”, ou uma “Branca de Neve e os Sete Anões”, ou um “O Estranho Mundo de Jack”. Surpreendentemente, em 2008, os estúdios Disney-Pixar conseguiram, em apenas 5 minutos de projeção, criar uma animação mais criativa e divertida do que todas as outras animações feitas nestes últimos 14 anos. Me refiro ao curta “Presto”, cuja criatividade, simplicidade e sagacidade das piadinhas embutidas no roteiro, nos remete aos bons tempos de “Tom & Jerry”, “Pica-Pau” e é claro, “Mickey & Donald”. Mais surpreendente ainda é a animação que nos é apresentada logo em seguida que, além de ser extremamente criativa, divertida e emocionante (conseguiu arrancar lágrimas até mesmo deste que vos escreve, que, segundo algumas pessoas, é um niilista coração de pedra), une aspectos das animações antigas (criatividade e humor inteligente), com aspectos das animações recentes (parte gráfica perfeita) e debates existenciais. Estou falando de “Wall-E”, a melhor e mais bem feita (em todos os sentidos) animação que já tive a oportunidade de assistir nos últimos 14 anos, conforme o leitor poderá constatar a seguir.
Ficha Técnica:
Título Original: Wall-E
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.disney.com.br/cinema/walle
Estúdio: Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton
Produção: Jim Morris
Música: Thomas Newman
Desenho de Produção: Ralph Eggleston
Edição: Stephen Schaffer
Elenco (vozes): Ben Burtt (Wall-E / M-O), Elissa Knight (Eva), Jeff Garlin (Capitão), Fred Willard (Shelby Forthright), John Ratzenberger (John), Kathy Najimy (Mary) e Sigourney Weaver (Auto).
Sinopse: No ano de 2.815 d.C. o planeta Terra, mediante o desleixo de seus habitantes, encontra-se em uma situação caótica, coberto de lixo, fazendo com que a vida em sua superfície torne-se impossível de se proliferar. A fim de reverter tal situação, os terráqueos abandonaram o planeta e designaram a missão de limpá-lo ao robô Wall-E. Completamente isolado no mundo, Wall-E tem uma vida enfadonha e sem propósito, até que conhece Eve, uma robô que mudará o curso de seu destino para sempre e irá ajudá-lo a provar que ainda existe a possibilidade de se viver na superfície terrestre.
Crítica:
“Wall-E” inicia-se com uma belíssima música e um fantástico close da Via Láctea. Logo as câmeras nos direcionam à Terra e temos uma visão aérea do corpo celeste. O ano é 2.815 d.C., o planeta encontra-se abandonado e coberto de lixo, seus únicos habitantes são os insetos e um pequeno e desengonçado robô que tem como incumbência a tarefa de limpar todo o lixo da Terra. É aí que tomamos ciência de que a belíssima música que abre o filme estava sendo reproduzida e ouvida pelo robô com o único intuito de conferir mais alegria à vida solitária da triste e pobre máquina.
A animação vai se desenrolando, Wall-E vai sendo cada vez mais bem desenvolvido e aproveitado pelo roteiro que foca, acima de tudo, na tristeza que o mesmo sente devido à sua vida solitária, rotineira e depressiva. O único ser com quem ele se relaciona é uma barata, que é vista por ele como um animal de estimação, um cão, ou um gato, ou qualquer outro animal capaz de lhe fazer companhia.
Como o leitor pôde perceber, em apenas dez minutos de projeção já se é capaz de notar toda a criatividade e perspicácia do roteiro que, além de criar pequenas peculiaridades que contribuem, e muito, para o desenvolvimento do protagonista (a barata de estimação é a maior prova disso), consegue mesclar com maestria características de Charles Chaplin e Woody Allen ao personagem-título.
É isso mesmo, para desenvolver Wall-E os roteiristas do filme utilizaram várias características destes dois gênios do Cinema. Repare, por exemplo, no jeito simplório e desajeitado com que o simpático robô manuseia uma raquete de tênis, nos remetendo à imediata lembrança do maior ícone da história do Cinema mudo. Repare também nas feições do protagonista, no olhar depressivo deste, idênticos ao do intelectual de ascendência judia.
“Wall-E” é um filme que já valeira cada centavo cobrado por seu ingresso apenas pelo pr
otagonista que, além de tremendamente cativante e perfeitamente bem desenvolvido pelo roteiro, fôra desenhado com uma competência fora do comum. E os responsáveis pelos efeitos visuais merecem todos os elogios existentes em nosso (e em todos os outros, diga-se) vocabulário. É incrível a perfeição com que o robô (e os demais personagens) fôra desenhado, tanto que chegamos a acreditar que Wall-E não é um desenho, mas sim um personagem real.
Tão bem produzida e desenvolvida quanto é Eve, o par romântico de nosso robozinho melancólico. E falando em par romântico, é incrível ver a sutileza com que o mesmo é desenvolvido pelo roteiro. Francamente, creio ser impossível não nos cativarmos com o casal que, desde já digo, possui uma das melhores químicas entre personagens já vista no Cinema deste início de século.
Outro ponto fortíssimo da animação reside na análise que a mesma realiza sobre a dependência humana perante o conforto que a alta tecnologia nos proporciona, tornando-nos seres sedentários ao extremo, além, é claro, “escravos” das máquinas. Para demonstrar isso, o longa opta, brilhantemente, por fazer referências (e porque não dizer, homenagens) ao sensacional “2001 – Uma Odisséia no Espaço”.
Perdido (e fascinado, diga-se) com tanta perfeição, é até estranho que eu tenha conseguido encontrar um defeito no filme, mas a verdade é que o mesmo cai bastante no intróito de seu segundo ato quando dá a entender que se transformará em uma aventura descerebrada e opta, terrivelmente, por parar de desenvolver seus personagens de modo tão cativante como vinha fazendo até então. Felizmente o roteiro abandona tal idéia durante o desenrolar da película e decide abordar, durante o seu terceiro ato, o tema existencial entre homem-tecnologia, conforme fôra supracitado.
Um filme fabuloso e, com o prévio perdão pela utilização da palavra meiga e piegas ao extremo, fofíssimo.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
Crítica – As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian
Quando temos ciência de que uma trilogia ou uma saga cinematográfica terá o seu início, pensamos imediatamente que o episódio de abertura da mesma será o melhor de todos, sendo que o nível da mesma irá cair com os seus episódios posteriores que, geralmente, não conseguem manter a qualidade do original. Foi assim com a trilogia “O Poderoso Chefão” e a saga “Rocky” (e, sinceramente, nunca vi tanta queda de qualidade de um filme para o outro, quanto do ridículo quarto episódio da saga “Rocky” para o primeiro, que é praticamente perfeito), apenas para citar dois exemplos. Contudo, vez ou outra surgem algumas sagas que contrariam a regra, como é o caso deste “As Crônicas de Nárnia”. Se o episódio de abertura da mesma é simplesmente o pior filme de fantasia que já tive o desprazer de assistir, este segundo episódio é, por mais inacreditável que possa parecer, um ótimo representante do gênero. E agora pasmem com a minha afirmação, o longa não só é ótimo, como também é o melhor blockbuster do ano até o momento e, me apedrejem se assim almejarem, um dos melhores da década, como poderão conferir na análise logo mais abaixo.
Ficha Técnica:
Título Original: The Chronicles of Narnia: Prince Caspian
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 147 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.disney.com.br/cinema/narnia2
Estúdio: Walt Disney Pictures / Walden Media / Ozumi Films / Silverbell Films / Stillking Films
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures / Buena Vista International
Direção: Andrew Adamson
Roteiro: Christopher Markus, Andrew Adamson e Stephen McFeely, baseado em livros de C.S. Lewis
Produção: Andrew Adamson, Mark Johnson e Philip Steuer
Música: Harry Gregson-Williams
Fotografia: Karl Walter Lindenlaub
Desenho de Produção: Roger Ford
Direção de Arte: David Allday, Matthew Gray, Klara Holubova, Jules Cook, Stuart Kearns, Jill Cormack, Elaine Kusmishko, Charles Leatherland, Phil Simms, Jirí Sternwald, Frank Walsh e Jason Knox-Johnston
Figurino: Isis Mussenden
Edição: Sim Evan-Jones
Efeitos Especiais: Weta Digital / Baseblack / Escape Studios / Moving Picture Company / Framestore CFC / Giant Studios / Rising Sun Pictures / ScanlineVFX
Elenco: William Moseley (Peter Pevensie), Ben Barnes (Príncipe Caspian), Skandar Keynes (Edmund Pevensie), Anna Popplewell (Susan Pevensie), Georgie Henley (Lucy Pevensie), Sergio Castellitto (Rei Miraz), Peter Dinklage (Trumpkin), Warwick Davis (Nikabrik), Vincent Grass (Dr. Cornelius), Pierfrancesco Favino (General Glozelle), Cornell John (Glenstorm), Damián Alcázar (Lorde Sopespian), Alicia Borrachero (Rainha Prunaprismia), Simón Andreu (Lorde Schythley), Predrag Bjelac (Lorde Donnon), David Bowles (Lorde Gregoire), Juan Diego Montoya Garcia (Lorde Montoya), Klára Issová (Hag), Tilda Swinton (Feiticeira Branca) e Liam Neeson (Aslan – voz).
Sinopse: Um ano depois os irmãos Lucy (Georgie Henley), Edmund (Skandar Keynes), Susan (Anna Popplewell) e Peter (William Moseley) retornam ao mundo de Nárnia, onde já se passaram 1300 anos desde sua última visita. Durante sua ausência Nárnia foi conquistada pelo rei Miraz (Sergio Castellitto), que governa o local sem misericórdia. Os irmãos Pevensie então conhecem Caspian (Ben Barnes), o príncipe de direito de Nárnia, que precisa se refugiar por ser procurado por Miraz, seu tio. Decididos a destronar Miraz, o grupo reúne os narnianos restantes para combatê-lo.
The Chronicles of Narnia: Prince Caspian – Trailer
Crítica:
Sinceramente, creio que não há como não notarmos as evoluções artísticas e técnicas deste segundo episódio da saga “As Crônicas de Nárnia” sobre o primeiro. Se o filme original era patético, ridículo, enfadonho, cansativo, desprovido de emoção e irritante, este segundo episódio surpreende e se mostra infinitamente superior àquela ofensa à Sétima Arte realizada em 2005.
Diferentemente do primeiro episódio, este “Príncipe Caspian” (que será chamado por mim desta forma de agora em diante) conta com um roteiro competente que, apesar de conter suas falhas (conforme citarei mais abaixo), nos apresenta a uma estória interessante e bem desenvolvida, tal como seus personagens, além de conferir seqüências de aventura que realmente se mostram capazes de criar tensão no espectador (ao contrário do primeiro que, em momento algum se releva capaz de fazer isso).
Mas não foi apenas o roteiro de “Príncipe Caspian” que apresentou uma visível e relevante melhora, vários outros aspectos, tanto os técnicos quanto os artísticos, se mostraram infinitamente superiores, como é o caso das atuações, por exemplo. Sim, por mais incrível que isso aparente ser, os atores (todos eles, sejam os integrantes do elenco mirim ou não) nos brindam (sem aspas, desta vez) com atuações satisfatórias, inclusive Georgie Henley e Skandar Keynes (atores que eu havia criticado ferrenhamente no episódio anterior). É surpreendente vermos como o segundo evoluiu durante estes três últimos anos, Keynes amadureceu tanto que realiza aqui uma das melhores atuações do filme. Henley, apesar de não realizar uma atuação tão satisfatória quanto os demais atores (há algumas cenas em que ela continua sendo irritante e canastrona como antes, diga-se) não atrapalha tanto quanto atrapalhava no longa original. Parte disto deve-se ao roteiro que, diferentemente de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, retirou da personagem Lucy a responsabilidade de ser a protagonista da estória, conferindo esta a Peter. E já que mencionei o nome de Peter Pevensie devo dizer que a atuação de William Mose
ley é, de longe, uma das maiores qualidades do longa. O jovem ator chama para si a responsabilidade de protagonista do filme e cumpre tal função de maneira mais do que satisfatória.
Contudo, a maior evolução deste “Príncipe Caspian” fica por conta da (pasmem!) direção do mesmo. Sim, isso mesmo, não estou sob o efeito de alucinógenos ou coisa do tipo, a mesmíssima direção de Andrew Adamson que, ao menos para mim, era um dos maiores defeitos de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” se revela (em uma das maiores ironias de minha vida como cinéfilo) uma das grandes qualidades deste “Príncipe Caspian”. Desta vez, Adamson parece ter aprendido a lição de que não adianta absolutamente nada criarmos batalhas épicas se não soubermos dirigi-las com dignidade. Se as batalhas deste segundo episódio da saga já seriam fantásticas por si só, Adamson as torna ainda mais magistrais com a sua direção ágil, dinâmica e eficiente.
Infelizmente, nem tudo são rosas em “Príncipe Caspian”. O mesmo roteiro que nos apresenta a uma estória interessante e a desenvolve bem, peca gravemente durante o primeiro ato, quando as crianças retornam a Nárnia. Durante os quarenta primeiros minutos de projeção temos a mesma sensação que tivemos ao conferir os quarenta primeiros minutos do longa anterior: a de que estamos sendo enrolados. Felizmente tal sensação some completamente com o desenrolar da obra cinematográfica.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
Crítica – As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas
Desde que me dou por gente sou fã incondicional de tudo o que tenha uma forte dose de fantasia em seu contexto. Para se ter uma idéia, “Caverna do Dragão” era o meu desenho predileto quando criança. Quando fiquei sabendo que este “As Crônicas de Nárnia” havia sido o maior inspirador de “Caverna do Dragão” e que eu nem ao menos havia lido o livro de C.S. Lewis ainda, decidi que precisava fazê-lo urgentemente. Mas de onde eu tiraria tempo para fazê-lo? Foi aí que me dei conta de que a única solução seria apelar para o filme e tentar ignorar as diversas críticas negativas tecidas contra o mesmo. O resultado, como já era de se esperar, foi extremamente negativo e o longa de Andrew Adamson se revelou uma péssima experiência conforme o leitor poderá constatar mais abaixo na crítica do filme.
Ficha Técnica:
Título Original: The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 140 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Site Oficial: www.disney.com.br/cinema/narnia
Estúdio: Walt Disney Pictures / Walden Media / Lamp Post Productions Ltd.
Distribuição: Walt Disney Pictures / Buena Vista International
Direção: Andrew Adamson
Roteiro: Ann Peacock, Andrew Adamson, Christopher Markus e Stephen McFeely, baseado em livro de C.S. Lewis
Produção: Mark Johnson
Música: Harry Gregson-Williams
Fotografia: Donald McAlpine
Desenho de Produção: Roger Ford
Direção de Arte: Jules Cook, Ian Gracie, Karen Murphy e Jeffrey Thorp
Figurino: Isis Mussenden
Edição: Sim Evan-Jones e Jim May
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / Rhythm & Hues / Weta Workshop Ltd. / Sony Pictures Imageworks / K.N.B. EFX Group Inc.
Elenco: Georgie Henley (Lúcia Pevensie), William Moseley (Pedro Pevensie), Skandar Keynes (Edmundo Pevensie), Anna Popplewell (Susana Pevensie), Tilda Swinton (Jadis, a Feiticeira Branca), James McAvoy (Sr. Tumnus), Shane Rangi (Centauro), Patrick Kake (Oreius), Ray Winstone (Sr. Castor – voz), Dawn French (Sra. Castor – voz), Liam Neeson (Aslan – voz), Elizabeth Hawthorne (Sra. Macready), Kiran Shah (Ginarrbrik), Rupert Everett (Raposa – voz), James Cosmo (Papai Noel), Judy McIntosh (Sra. Pevensie), Jim Broadbent (Prof. Digory Kirke), Stephen Ure (Satyr), Michael Madsen (Maugrim) e Sophie Winkleman (Susan Pevensie – adulta).
Sinopse: Lúcia (Georgie Henley), Susana (Anna Popplewell), Edmundo (Skandar Keynes) e Pedro (William Moseley) são quatro irmãos que vivem na Inglaterra, em plena 2ª Guerra Mundial. Eles vivem na propriedade rural de um professor misterioso, onde costumam brincar de esconde-esconde. Em uma de suas brincadeiras eles descobrem um guarda-roupa mágico, que leva quem o atravessa ao mundo mágico de Nárnia. Este novo mundo é habitado por seres estranhos, como centauros e gigantes, que já foi pacífico mas hoje vive sob a maldição da Feiticeira Branca, Jadis (Tilda Swinton), que fez com que o local sempre estivesse em um pesado inverno. Sob a orientação do leão Aslam, que governa Nárnia, as crianças decidem ajudar na luta para libertar este mundo do domínio de Jadis.
The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe – Trailer
Crítica:
Responda rápido: qual o pior defeito que um filme feito com o único intuito de divertir o público pode conter? Não conseguir divertir o público, correto? Exato, mas o que levaria um filme a não conseguir divertir o seu público alvo? São vários os motivos, o filme pode ser cansativo, pode ser longo demais, pode ser irritante, pode ser desprovido de emoção e pode, simplesmente, ser chato. Este “As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas” conseguiu a façanha de conter todos os defeitos citados acima e mais, possui quase todos os defeitos que um reles filme pode possuir.
Comecemos pelo primeiro ato do longa que, por si só, já conta com defeitos imperdoáveis. Os 40 primeiros minutos de película custam, e muito, a passar e o que é pior, quando terminam, chegamos à óbvia conclusão de que fomos enrolados pelo diretor durante todo este tempo. O bem da verdade é que o primeiro ato deste “As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas” (que a partir de agora será chamado por mim apenas de “As Crônicas de Nárnia”) poderia facilmente ser reduzido a 10 minutos de projeção, fato que o tornaria muito mais dinâmico, além de possibilitar com que o roteiro desenvolvesse seus personagens e a relação entre estes de maneira bem mais proveitosa durante o desenrolar da película.
E falando em desenvolvimento de personagens, fazia tempo que eu não via um roteiro demonstrar tão pouco cuidado com esta que é uma das características principais (isso para não dizer que é “a” característica principal) de um filme. Para se ter uma idéia, os protagonistas da estória praticamente não possuem características próprias e para que se possa distinguir um personagem do outro só nos resta como ponto de partida o nome, o sexo, e as demais características físicas, tais como altura e cor de cabelo, dos mesmos.
As atuações também são pavorosas em sua maioria, principalmente quando vêm de Georgie Henley (que aqui interpreta Lucy Pevensie) e Skandar Keynes (Edmund Pevensie). Ambos os atores “brindam” (dêem atenção às aspas) o público com cenas sofríveis, dentre as quais destaco a que Keynes tenta demonstrar dor e medo ao ver um de seus amigos sendo petrificados (repare o quão ridícula é a hora em que ele, com toda a sua inexpressividade, solta um “Nooooo
”) e a cena em que Lucy avista de longe um outro amigo seu que também fôra petrificado. Enquanto a garota percorre o caminho até chegar à estátua temos a sensação de que a mesma está rindo e, de repente, a mesma começa a chorar. Esta talvez tenha sido a mudança de humor mais ridícula da história do Cinema.
E quanto ao diretor Andrew Adamson? Já não bastasse a sua visível incompetência ao conduzir o elenco (sobretudo o elenco infantil, que como já fôra dito, extrapola os limites da mediocridade e da falta de carisma e de expressividade), Adamson não realiza um único movimento de câmera satisfatório no filme. Francamente, creio que até mesmo os irmãos Lumière, com toda a falta de tecnologia que havia na época, seriam capazes de realizar movimentos com a câmera de maneira mais satisfatória que Adamson realiza nesta porcaria que se atreveram a chamar de filme.
Salva-se apenas em alguns aspectos técnicos, principalmente a fotografia, mas peca gravemente pelo roteiro raso, pobre, fútil, enfadonho e desprovido de emoção.
Avaliação Final: 1,0 na escala de 10,0.
Crítica – Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
Estive pensando em fazer desta pré-crítica de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” uma espécie de editorial sobre algo que me chateou ligeiramente quando assisti a este filme no cinema. Antes de redigir tal editorial, conversei com um amigo meu sobre a pertinência de aprofundar-me em tal assunto ou não e ele comentou: “___ Isso será muito pedantismo de sua parte!”. Pensei uma, duas, três vezes e concluí que, pedantismo ou não, deveria escrever a respeito de uma forma ou de outra. Durante a sessão observei que fui a única pessoa na sala a rir de uma piada que o protagonista faz mencionando o nome do ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight Douglas Eisenhower (cujo mandato se iniciou em 1952 e, devido a uma reeleição, se estendeu a 1960), sendo que as demais pessoas ficaram quietas. O problema é que tais pessoas não ficaram quietas por não acharem graça na piada, mas sim pelo fato de nem ao menos saberem quem foi Eisenhower. Pensei comigo: “Hoje pela manhã todos comentavam sobre o jogo da seleção brasileira, mas por que o povo se importa tanto com a seleção brasileira? O que eles ganham com isso?”. E é uma verdadeira lástima que, um povo que se importa tanto com algo tão supérfluo quanto um jogo de futebol não saiba nem ao menos quem foi um dos personagens mais importantes da política estadunidense. Enfim, vamos ao filme, que é o que interessa.
Ficha Técnica:
Título Original: Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Gênero: Aventura
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.indianajones.com
Estúdio: Paramount Pictures / Lucasfilm / Santo Domingo Film & Music Video / Amblin Entertainment
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp, baseado em estória de George Lucas e Jeff Nathanson e nos personagens criados por George Lucas e Philip Kaufman
Produção: Frank Marshall
Música: John Williams
Fotografia: Janusz Kaminski
Desenho de Produção: Guy Dyas
Direção de Arte: Luke Freeborn, Lawrence A. Hubbs, Mark W. Mansbridge, Lauren E. Polizzi e Troy Sizemore
Figurino: Bernie Pollack e Mary Zophres
Edição: Michael Kahn
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / Gentle Giant Studios
Elenco: Harrison Ford (Indiana Jones), Shia LaBeouf (Mutt Williams), Cate Blanchett (Agente Irina Spalko), Karen Allen (Marion Ravenwood), John Hurt (Prof. Oxley), Ray Winstone (Mac), Jim Broadbent (Dean Stanforth), Ian McDiarmid (Prof. Levi), Igor Jijikine (Dovchenko) e Joel Stoffler (Agente Taylor).
Sinopse: 1957. Indiana Jones (Harrison Ford) e seu ajudante Mac (Ray Winstone) escapam por pouco de um encontro com agentes soviéticos, em um campo de pouso remoto. Agora Indiana está de volta à sua casa na Universidade Marshall, mas seu amigo e reitor da escola, Dean Stanforth (Jim Broadbent), explica que suas ações recentes o tornaram alvo de suspeita e que o governo está pressionando para que o demita. Ao deixar a cidade Indiana conhece o rebelde jovem Mutt Williams (Shia LaBeouf), que tem uma proposta: caso o ajude em uma missão Indiana pode deparar-se com a caveira de cristal de Akator. Agentes soviéticos também estão em busca do artefato, entre eles a fria e bela Irina Spalko (Cate Blanchett), cujo esquadrão de elite está cruzando o globo atrás da Caveira de Cristal.
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull – Trailer
Crítica:
Após quase duas décadas de espera os fãs da série “Indiana Jones” têm a oportunidade de ir aos cinemas do mundo todo com um sorriso gigantesco no rosto. E tal sorriso pode ser justificado? Aí é que está, depende.
“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” parece ter sido um filme feito para os fãs, como se fosse mais uma forma de homenagear a trilogia produzida na década de 80 do que de fazer um filme propriamente dito. Sendo curto e grosso, este quarto episódio da saga dirigida por Steven Spielberg deve agradar apenas às pessoas que puderam acompanhar os outros três filmes antecessores e acabaram, de uma forma ou de outra, se identificando com o protagonista da mesma.
A estória não é das melhores e apesar de ser ligeiramente criativa e bem trabalhada, o roteiro parece não se importar em desenvolvê-la de um modo realmente interessante. A mesma apresenta algumas reviravoltas, traz surpresas interessantes, mas descamba de vez ao inserir uma trama alienígena em seu contexto (alienígenas são bem típicos da nerdice de Spielberg).
As seqüências de aventura/ação estão acima da média dos filmes do gênero, mas comparadas aos demais filmes da saga, acabam empalidecendo. É claro que a perseguição automobilística em meio à Floresta Amazônica (e será que alguém poderia informar aos roteiristas que não existem cataratas nesta região do globo terrestre?) é eletrizante, mas não ficará na memória do espectador da mesma forma que outras seqüências da série ficaram. Não temos aqui nada tão marcante quanto uma perseguição em diversos vagões de mina, ou uma perseguição em um caminhão ou até mesmo
uma perseguição aérea. O humor do filme também é muito bom, mas é outro quesito que faz muito feio se comparado aos demais episódios da trilogia da década de 80.
Voltando ao roteiro, o mesmo que apresenta uma estória interessante, embora não tão bem desenvolvida, se revela extremamente artificial durante vários de seus momentos, como o forçado romance entre Indiana Jones e Marion Ravenwood (sim, a mocinha do primeiro filme, interpretada pela mesma Karen Allen) que acabam reatando após um longo tempo separados e o grau de parentesco (revelado em meio à trama, de maneira desapropriada e brusca) entre o protagonista e o personagem Mutt Williams (e confesso que achei essa artimanha utilizada pelo roteiro tão artificial quanto a revelação do grau de parentesco entre Luke Skywalker e a princesa Lea no ótimo filme “Star Wars – Episódio VI – O Retorno de Jedi”).
E já que mencionei o personagem Mutt Williams, gostaria de dizer que durante o primeiro ato do filme tal figura é completamente irritante, assim como a composição do ator Shia LaBeouf, mas com o passar do tempo o roteiro vai moldando a estória para que este possa ir se firmando como o protagonista da mesma, mesmo que seja por poucos minutos (e não ficaria muito surpreso se os produtores da franquia lançassem um novo episódio onde o protagonista fosse justamente o personagem de LaBeouf), e o bem da verdade é que o garoto não faz feio, tendo em vista que ele tem melhores condições físicas que Jones para protagonizar certas seqüências de ação.
Finalizando, diria que este “O Reino da Caveira de Cristal” é um bom passatempo analisando-o individualmente, mas como exemplar da série “Indiana Jones” empalidece perante aos seus antecessores.
Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.
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Crítica – Indiana Jones e a Última Cruzada
Ficha Técnica:
Título Original: Indiana Jones and the Last Crusade
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1989
Estúdio: Paramount Pictures / Lucasfilm Ltd.
Distribuição: Paramount Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Jeffrey Boam, baseado em estória de George Lucas e Menno Meyjes
Produção: Robert Watts
Música: John Williams
Direção de Fotografia: Douglas Slocombe
Desenho de Produção: Elliot Scott
Direção de Arte: Stephen Scott
Figurino: Joanna Johnton e Anthony Powell
Edição: Michael Kahn
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic.
Elenco: Harrison Ford (Indiana Jones), Sean Connery (Prof. Henry Jones), Denholm Elliott (Marcus Brody), Alison Doody (Dra. Elsa Schneider), John Rhys-Davies (Sallah), Julian Glover (Walter Donovan), River Phoenix (Jovem Indiana Jones), Michael Byrne (Vogel), Kevork Malikyan (Kazim), Richard Young (Fedora), Alexei Sayle (Sultão) e Paul Maxwell (Panama Hat).
Sinopse: O arqueólogo Indiana Jones (Harrison Ford) desta vez enfrenta os nazistas para salvar seu pai (Sean Connery) e encontrar o Santo Graal, o cálice sagrado.
Indiana Jones and the Last Crusade – Trailer
Crítica:
Quando escrevi a crítica do segundo episódio desta saga mencionei que o roteiro daquele filme havia, ao menos, se preocupado em tornar o personagem mais humano e próximo do público do que o episódio original. Este terceiro episódio parece ter se preocupado ainda mais com isso e optou por transformar o simples aventureiro do primeiro episódio em um personagem extremamente complexo.
O longa tem início narrando a primeira aventura que Jones teve durante sua adolescência e durante os minutos iniciais de filme o roteiro se preocupa em explicar muita coisa que deveria ter sido explicada logo no primeiro filme da série, como por exemplo: os motivos pelos quais Jones tem tanto carinho com o seu chapéu e o seu chicote (acessórios que soavam ligeiramente artificiais nos episódios anteriores, diga-se) e até mesmo o porquê do apelido de Indiana ser este (explicação que rende uma das piadas mais divertidas do filme).
Mas um dos maiores problemas deste “A Última Cruzada” reside justamente em seu intróito. Se por um lado temos uma ampla abordagem do personagem que, de quebra, ajuda a juntarmos certas peças de um quebra-cabeça, por outro lado temos uma seqüência longa e desnecessária demais, além de empregar um humor fraco e irritante demais, regado por uma trilha-sonora igualmente fraca e irritante.
Os defeitos do filme, apesar de pouquíssimos, não param por aí. Contrariando grande parte dos cinéfilos, sobretudo os fãs da série, creio que a química entre Henry Jones Jr. e seu pai demora para engrenar e nem mesmo as consistentes atuações de Harrison Ford e Sean Connery conseguem por tal química nos eixos. A maior culpa é do roteiro que opta por dar ênfase ao desenvolvimento da dupla de maneira deveras clichê (é a primeira vez, salvo engano de minha parte, que cito esta palavra direcionado à saga “Indiana Jones”), apelando para o drama familiar do filho que não se dá muito bem com o pai, mas o destino os colocará face a face em uma aventura que fará com que ambos voltem a sentir um afeto recíproco. Contudo, é como diria o mestre Alfred Hitchcock: “___ Antes começar no clichê, do que terminar nele.”. E é esse mesmo o rumo que o longa adota, optando por abandonar, ainda que de maneira deveras lenta, tal drama familiar, fazendo com que a química entre Jones pai e Jones filho passe a se desenvolver de maneira natural e satisfatória durante o desenrolar da projeção.
Os defeitos praticamente param por aí. No mais temos uma estória extremamente bem desenvolvida. Se o original primava por envolver temas bíblicos e abordá-los de maneira fascinante, este “A Última Cruzada” segue a mesma linha e, além de se inspirar em passagens bíblicas, se baseia também em lendas medievais colocando Jones atrás de um dos mais misteriosos e cativantes artefatos da história da Humanidade: o Santo Graal. As seqüências de aventura/ação não são necessariamente as melhores dentre todos os três episódios (as seqüências do caminhão em “Os Caçadores da Arca Perdida” e dos vagões sob os trilhos de uma mina em “O Templo da Perdição” se mostram superiores a todas as cenas de ação deste “A Última Cruzada”, apesar da seqüência do tanque de guerra ser quase tão fenomenal quanto às outras duas citadas), mas são mais bem distribuídas neste filme que nos antecessores, tornando-o o mais eficiente, divertido, inteligente e interativo episódio de toda a saga.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
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