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O Curioso Caso de Benjamin Button – *** de *****

Tudo indica que, mais uma vez, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas irá atribuir o prêmio certo ao filme errado. Ano passado, o excelente “Onde os Fracos Não Têm Vez” derrotou o perfeito “Sangue Negro” (o terceiro filme que mais me agradou nesta década) na disputa do Oscar® de Melhor Filme. Em 2007, o excelente “Os Infiltrados” derrotou o também excelente “Cartas de Iwo Jima” e, mesmo o filme de Martin Scorsese sendo quase tão fantástico quanto o de Clint Eastwood, não resta dúvidas de que o drama de guerra merecia mais o prêmio. Em 2006, amei de paixão a vitória de “Crash – No Limite” sobre os superestimados “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Munique” (favoritos até então), mas confesso que, por mais excelente que tenha considerado o filme de Paul Haggis, fiquei extremamente triste ao ver “Boa Noite, e Boa Sorte”, o melhor dentre todos os concorrentes, ser tão esnobado. Em 2005, o ótimo, embora carregado de clichês e estereótipos, “Menina de Ouro” derrotou o fantástico “O Aviador” (desta vez sim Scorsese merecia vencer Eastwood). Em 2004… bem, em 2004, finalmente houve justiça. Por mais que ame incondicionalmente “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo” (conforme o leitor pode comprovar lendo o efusivo texto que escrevi sobre o mesmo há dois anos atrás) e adore “Sobre Meninos e Lobos” e os demais concorrentes ao prêmio de Melhor Filme daquele ano (aliás, para mim, aquela disputa foi a mais forte dos últimos tempos), não restam dúvidas de que “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” realmente merecia o prêmio que acabou levando. Agora em 2009, infelizmente, obras que realmente mereciam concorrer ao Oscar® de Melhor Filme nem ao menos entrarão na disputa. Refiro-me a “O Cavaleiro das Trevas”, “Wall-E”, “A Troca” e até mesmo o ótimo “Vicky Cristina Barcelona”. No lugar destes filmes teremos longas interessantes, mas superestimados, como é o caso de “Slumdog Millionnarie” e deste “O Curioso Caso de Benjamin Button”, cuja análise encontra-se logo mais abaixo.

Ficha Técnica:
Título Original: The Curious Case of Benjamin Button.
Gênero: Drama.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.benjaminbutton.com.br/
Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 166 minutos.
Diretor: David Fincher.
Roteiristas: Eric Roth e Robin Swicord, baseado em estória de F. Scott Fitzgerald.
Elenco: Brad Pitt (Benjamin Button), Cate Blanchett (Daisy), Julia Ormond (Caroline), Taraji P. Henson (Queenie), Faune A. Chambers (Dorothy Baker), Elias Koteas (Monsieur Gateau), Donna DuPlantier (Blanche Devereaux), Jacob Tolano (Martin Gateau), Ed Metzger (Teddy Roosevelt), Jason Flemyng (Thomas Button), Tilda Swinton (Elizabeth Abbott), David Ross Patterson (Walter Abbott) , Joeanna Sayler (Caroline Button), Mahershalalhashbaz Ali (Tizzy), Fiona Hale (Sra. Hollister), Patrick Thomas O’Brien (Dr. Rose), Danny Nelson (General Winston), Marion Zinser (Sra. Horton), Paula Gray (Sybil Wagner), Taren Cunningham (Elizabeth Abbott – jovem), Elle Fanning (Daisy – 7 anos), Madisen Beaty (Daisy – 10 anos), Peter Donald Badalamenti II (Benjamin Button – 1928 a 1931), Robert Towers (Benjamin Button – 1932 a 1934), Tom Everett (Benjamin Button – 1935 a 1937), Spencer Daniels (Benjamin Button – 12 anos), Chandler Canterbury (Benjamin Button – 8 anos), Charles Henry Wyson (Benjamin Button – 6 anos).

Sinopse: Benjamin Button (Brad Pitt) é, aparentemente, um típico cidadão estadunidense como outro qualquer. Entretanto, o mesmo conta com uma doença extremamente incomum. Quando nasceu, mesmo tendo o corpo com as mesmas proporções do de um bebê, Benjamin apresentava uma fisionomia e algumas doenças típicas das de um velho de 80 anos de idade. Contudo, quanto mais a sua idade avançava, mais Benjamin rejuvenescia. Com aproximadamente oito anos de existência, o garoto se apaixona por Daisy (Cate Blanchett), porém, a sua má aparência não permite que o mesmo possa ter um relacionamento normal com a garota. Para isso, Benjamin precisa esperar que sua pequena amada envelheça e que ele rejuvenesça para que assim fiquem com aparências semelhantes e possam assumir um relacionamento normal. Mas o que acontecerá com ambos a partir do momento que o rapaz for ficando cada vez mais jovem e a moça cada vez mais velha?

The Curious Case of Benjamin Button – Trailer:

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Crítica:

Três únicas vezes em toda a minha vida senti-me completamente transportado para dentro de um filme em virtude de uma determinada cena contida neste. A primeira vez foi em “Dr. Jivago”, quando Yuri Jivago arromba as portas de um palacete e temos uma maravilhosa visão de inúmeros móveis cobertos com gelo. A segunda foi em “O Poderoso Chefão”, durante o simples e belo casamento de Michael Corleone e Apolônia na Sicília. A terceira e última foi em “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel”, quando os protagonistas da trama sobem as escadarias de Lothlórien para uma reunião com Galadriel. Essas três cenas foram fortes o bastante para me cativar por inteiro a ponto de fazer com que passasse vários dias sentindo como se as estivesse vivenciando. Passei noites e mais noites sonhando com as mesmas e demorou para que, definitivamente, saíssem de minha cabeça (infelizmente, tinham de sair algum dia).

Tive uma sensação parecida com as supracitadas ao assistir a este “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Há uma cena em especial, quando o protagonista narra o quão mágico um hotel pode ser durante a noite, que simplesmente permaneceu em minha mente durante este último final de semana inteiro. O cuidado que a edição de som tem ao reproduzir os sons do vento uivando, a delicadeza da fotografia, a minuciosidade da direção de arte, o carinho com que o roteiro escolheu as palavras proferidas pelo narrador e, principalmente, a sensibilidade adotada pela direção de Fincher, fizeram com que a simples movimentação de uma cortina me transportasse para o imo da cena. A sensação foi tão mágica que, mesmo encontrando-me em uma temperatura de aproximadamente 20º C, passei dois dias inteiros tendo a deliciosa impressão de estar em um país gélido como a Rússia, mas em um local tão aconchegante como o hotel em que Benjamin Button encontrava-se na ocasião. Só isso já fez com que o filme valesse cada centavo gasto na compra do ingresso.

A sensibilidade conferida a esta mais nova investida cinematográfica de David Fincher (que deverá faturar os principais prêmios durante a noite da cerimônia do Oscar®) é digna de inveja. A estória é cativante do início ao fim e as quase três horas de duração do filme passam imperceptivelmente. Não tem como não nos cativarmos com o personagem de Brad Pitt, e isto não se deve apenas à sensibilidade do filme como também ao modo cuidadoso com que o roteiro o desenvolve. Muitas pessoas certamente irão achar que a trama é repleta de cenas desnecessárias, acontecimentos que pouco têm a acrescentar à estória principal, mas a verdade é que todos estes pequenos detalhes tornam o personagem extremamente real. Note a professora de piano, por exemplo, ela não tem um propósito muit
o grande no filme, mas não há como negarmos que a mesma confere alguns ingredientes à obra que nos faz, de uma forma ou de outra, estabelecer um elo extremamente enrijecido com Benjamin Button. Por que? Porque torna o personagem mais interessante, torna o personagem mais real.

Mesmo Button contando com uma rara doença, é incrível notarmos como conseguimos nos identificar com ele. O fato deste obter algum contato com inúmeras pessoas que acrescentam pouquíssimas coisas à trama principal só o torna mais real. Afinal de contas, responda-me, caro leitor, quantas pessoas você já conheceu que, através de uma simples conversa, acrescentou algo ligeiramente importante (mas ainda assim importante) a sua vida? Muitas, não é? Pois é, pessoas vêm, pessoas vão, e algumas delas, cujos nomes nem ao menos lembramos, nos conferem experiências que moldam, ainda que seja apenas um pouco, o nosso caráter, o nosso modo de pensar e até mesmo a nossa vida de uma maneira geral. São esses pequenos detalhes, essas pequenas pessoas, esses pequenos incidentes, que fazem de Button um personagem atraente, cativante e marcante.

O desenvolvimento dele então, nem se fale, é sensacional. Suas estórias são simplesmente fantásticas (no duplo sentido da palavra). Acompanhar a trajetória da vida de Button é quase como acompanhar a trajetória de nossas vidas (não fosse pela desnecessária carga fantástica (e agora falo unicamente no sentido literal da palavra), infelizmente, inserida no roteiro). É como assistirmos a uma pessoa qualquer (não fosse pela peculiaridade de sua doença) nascer, crescer e morrer, e é isto que o torna demasiadamente próximo de nós.

Durante três agradáveis horas de projeção somos convidados a testemunhar toda a vida de Button, detalhe por detalhe. É sensacional podermos acompanhá-lo descrevendo as experiências enfadonhas (mas que, para ele, eram maravilhosas) pelas quais passou em um asilo no início de sua vida, ou então a sensação libertária que o mesmo sentiu quando saiu de casa pela primeira vez e foi ao centro de Nova Orleans, ao lado de um conhecido, tomar uma cerveja e observar um lago (a parte em que ele menciona: “___ Aquele havia sido o melhor dia de minha vida, até então!” é triste e, ao mesmo tempo, hilária), ou testemunharmos a paixão que teve por Daisy quando criança (esse sim, um fato que marcaria a sua vida para sempre), ou então presenciarmos a sua primeira experiência sexual, o seu primeiro amor, o seu verdadeiro amor, e outras coisas mais que não descreverei aqui sob pena de estragar prováveis surpresas.

Se há algo em “O Curioso Caso de Benjamin Button” que pode ser considerado extremamente brilhante, é esse cuidado que o mesmo toma com os mínimos detalhes, com estas pequeninas estórias que, juntas, constroem uma existência inteira, afinal de contas, a vida é constituída de pequenos grandes acontecimentos. Veja o exemplo de um amigo meu, um dos melhores dias de sua adolescência foi quando este se trancou no quarto e externou todo o seu sentimento de revolta escutando a banda grunge estadunidense Pearl Jam, enquanto tomava uma única garrafa de cerveja (provavelmente, a primeira de sua vida). Hoje ele é formado em publicidade e trabalha como comerciante. O que a experiência previamente mencionada teve a ver com a “trama principal” de sua vida? Nenhuma. No entanto, há como negar que a mesma marcou, de uma forma ou de outra, a sua existência? Se tal experiência não tivesse conferido a menor importância sequer a este, ele certamente não teria se aberto comigo e mencionado o ocorrido, não é mesmo? O leitor entende agora o porquê insisti tanto que as pequenas experiências vivenciadas por Benjamin Button estabelecem um grande elo entre ele e o espectador?

É lamentável, porém, percebermos que um roteiro tão bem escrito apele tanto à fantasia. Certa vez Friedrich Wilhelm Nieztsche disse: “Uma obra de Arte só é verdadeiramente bela quando esta obedece aos limites da razão”. Concordo plenamente. A obra roteirizada por Eric Roth é indiscutivelmente bela, mas foge completamente da razão. Quando critiquei “O Encouraçado Potenkim” lembro-me de ter citado que, dentro dos limites da Arte, um filme só poderia aderir à fantasia caso criasse um mundo paralelo para tal (conforme ocorre com “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter”) e utilizasse o mesmo para estabelecer metáforas relacionadas ao nosso mundo (neste caso “Harry Potter” seria desclassificado, não fosse o respaldo de ser um filme infantil). Veja Marc Chagal, por exemplo. Quando este criou a Arte Fantástica (ou Nostálgica, caso o leitor prefira), ele fazia ambas as coisas com muita frequência, tanto que admite que muitos de seus quadros foram extraídos de sonhos que teve e que representaram grande importância em sua vida. Em “O Curioso Caso de Benjamin Button” nada disso acontece.

O fato de Button nascer velho e ir, literalmente, rejuvenescendo conforme a sua idade vai avançando, conta com algumas metáforas e não deixa de ter um propósito dentro da estória, além, é claro, de aumentar muito a dramaticidade desta e a carga reflexiva que ela exerce sob o espectador, mas não há como negar o excesso de absurdo da mesma. É claro que não existe um único filme criado até os dias atuais capaz de ser completamente plausível de ser absorvido em um contexto real (ah, como eu adoro utilizar esta frase!), mas o novo longa de Fincher extrapola os limites do aceitável. Se ao menos o roteiro buscasse uma justificativa realmente plausível para o que acontece, mas nem isso ele tenta fazer, ou melhor, tenta, mas não convence. E caso o leitor venha me dizer que o fenômeno ocorrido com Button se trata de uma idéia original criada pelo roteiro, peço para que assista a um de meus filmes prediletos quando criança: “História Sem Fim” (que, por sinal, é um filme que também respeita os limites da Arte Fantástica) e testemunhe que, de original, a trama não tem é nada.

Aliás, não só a trama como o filme em si conta com pouquíssima originalidade. É triste notarmos como, a todo o momento, “O Curioso Caso de Benjamin Button” cai no lugar comum. Vide o começo do filme para se ter uma idéia. Logo de cara a obra nos introduz a um clássico plano clichê. Iniciamos em um hospital com uma pessoa à beira da morte (clichê número um), esta pessoa é uma velha senhora que possui um diário guardado a sete chaves que conta uma estória extremamente estranha (clichê número dois). A velha tem um último desejo antes de falecer (clichê número três): que a filha leia a estória toda para ela (clichê número quatro). Pois como o leitor pode notar, em apenas cinco minutos de projeção “O Curioso Caso de Benjamin Button” conta com quatro clichês, e é claro que, durante o desenrolar da película, mais clichês imperdoáveis vão aparecendo: temos o pai que abandona o filho recém-nascido, a pobre moça caridosa que adota a criança, a paquerinha de infância do protagonista que, futuramente, viria a se tornar o grande amor de sua vida. Enfim, a enxurrada de clichês é tão intensa que o filme se torna previsível.

Não bastasse tudo isso, o longa ainda se mostra redondinho demais para a atualidade. É lastimável notarmos que, mesmo nos dias de hoje, quando os filmes tendem a ser cada vez mais crus e realistas, Hollywood ainda invista em uma produção moralmente correta, fora a hipocrisia contida na mesma. Tudo funciona maravilhosamente bem na vida de Benjamin Button, tudo é muito bonitinho, muito corretinho, são raras as decepções que este acaba passando, e quando passa por alguma, o roteiro dá um jeito de concertá-la. Oras, onde está aquel
e Eric Roth que incluiu no roteiro do ótimo “Forrest Gump – O Contador de Histórias” uma cena onde um garoto é apedrejado pelo simples fato de ser diferente? A propósito, onde está aquele David Fincher angustiado que dirigiu “Seven – Os Sete Crimes Capitais”? Onde está aquele David Fincher revoltado que dirigiu “Clube da Luta”? Onde está aquele David Fincher pessimista que dirigiu “Zodíaco”? Pois é, “morreu” dirigindo um filme água com açúcar chamado “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

No saldo final, “O Curioso Caso de Benjamin Button” definitivamente conta com uma infinidade de erros imperdoáveis, que variam desde a dificuldade que este encontra para estabelecer limites entre a fantasia e a realidade, até a sua composição extremamente açucarada (exceto a um drama ou outro pelo qual o personagem sofre), passando pelo uso abusivo de clichês e estereótipos que o torna ligeiramente previsível. O filme, no entanto, é belíssimo (mesmo fugindo dos conceitos artísticos estabelecidos por Nieztsche). Por mais que a estória seja fortemente tola, não há como não nos enlaçarmos com a mesma e, sobretudo, com o seu personagem principal (a atuação sensacional de Pitt colabora muito para tal). Button cativa, Button emociona, Button, por várias vezes, lembra uma pessoa comum, uma pessoa que está diariamente ao nosso lado. O filme é altamente sensitivo, nos transporta para o coração da trama, inala toda a sua essência. Sua parte técnica então é perfeita. A direção de arte nos remete facilmente às épocas que almeja retratar, a fotografia transforma o longa em um dos espetáculos visuais mais belos já vistos ultimamente (e confesso que desde “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” uma fotografia se mostrava capaz de agradar-me tão veementemente) e a maquiagem é digna do Oscar® que obviamente irá ganhar, afinal de contas, você acha que é fácil transformar a face de uma criança em algo parecido com uma uva passa?

Uma verdadeira pena que, com tantas qualidades visíveis, “O Curioso Caso de Benjamin Button” venha a cometer erros tão infantis. Pior ainda é notar que tais erros foram cometidos por dois profissionais extremamente competentes, Roth e Fincher.

É, pelo visto o Oscar® deste ano será um dos mais superestimados de todos os tempos. Imaginou se, embalada pelo prêmio de Melhor Filme que a obra estrelada por Brad Pitt obviamente irá faturar, a indústria cinematográfica passar a produzir apenas filmes deste naipe? É, meus amigos, aí Daniel Esteves de Barros deixará de analisar filmes recentes e será mais outro cinéfilo saudosista que passará unicamente a se dedicar a filmes de cineastas como Kubrick, Scorsese, Fellini, Antonioni, Bergman, Renoir, Godard, Truffaut, Bresson, Kurosawa, Rocha, Eisenstein, entre outros.
Avaliação Final: 6,5 na escala de 10,0.

Crítica – Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Estive pensando em fazer desta pré-crítica de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” uma espécie de editorial sobre algo que me chateou ligeiramente quando assisti a este filme no cinema. Antes de redigir tal editorial, conversei com um amigo meu sobre a pertinência de aprofundar-me em tal assunto ou não e ele comentou: “___ Isso será muito pedantismo de sua parte!”. Pensei uma, duas, três vezes e concluí que, pedantismo ou não, deveria escrever a respeito de uma forma ou de outra. Durante a sessão observei que fui a única pessoa na sala a rir de uma piada que o protagonista faz mencionando o nome do ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight Douglas Eisenhower (cujo mandato se iniciou em 1952 e, devido a uma reeleição, se estendeu a 1960), sendo que as demais pessoas ficaram quietas. O problema é que tais pessoas não ficaram quietas por não acharem graça na piada, mas sim pelo fato de nem ao menos saberem quem foi Eisenhower. Pensei comigo: “Hoje pela manhã todos comentavam sobre o jogo da seleção brasileira, mas por que o povo se importa tanto com a seleção brasileira? O que eles ganham com isso?”. E é uma verdadeira lástima que, um povo que se importa tanto com algo tão supérfluo quanto um jogo de futebol não saiba nem ao menos quem foi um dos personagens mais importantes da política estadunidense. Enfim, vamos ao filme, que é o que interessa.

Ficha Técnica:
Título Original: Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Gênero: Aventura
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.indianajones.com
Estúdio: Paramount Pictures / Lucasfilm / Santo Domingo Film & Music Video / Amblin Entertainment
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp, baseado em estória de George Lucas e Jeff Nathanson e nos personagens criados por George Lucas e Philip Kaufman
Produção: Frank Marshall
Música: John Williams
Fotografia: Janusz Kaminski
Desenho de Produção: Guy Dyas
Direção de Arte: Luke Freeborn, Lawrence A. Hubbs, Mark W. Mansbridge, Lauren E. Polizzi e Troy Sizemore
Figurino: Bernie Pollack e Mary Zophres
Edição: Michael Kahn
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / Gentle Giant Studios
Elenco: Harrison Ford (Indiana Jones), Shia LaBeouf (Mutt Williams), Cate Blanchett (Agente Irina Spalko), Karen Allen (Marion Ravenwood), John Hurt (Prof. Oxley), Ray Winstone (Mac), Jim Broadbent (Dean Stanforth), Ian McDiarmid (Prof. Levi), Igor Jijikine (Dovchenko) e Joel Stoffler (Agente Taylor).

Sinopse: 1957. Indiana Jones (Harrison Ford) e seu ajudante Mac (Ray Winstone) escapam por pouco de um encontro com agentes soviéticos, em um campo de pouso remoto. Agora Indiana está de volta à sua casa na Universidade Marshall, mas seu amigo e reitor da escola, Dean Stanforth (Jim Broadbent), explica que suas ações recentes o tornaram alvo de suspeita e que o governo está pressionando para que o demita. Ao deixar a cidade Indiana conhece o rebelde jovem Mutt Williams (Shia LaBeouf), que tem uma proposta: caso o ajude em uma missão Indiana pode deparar-se com a caveira de cristal de Akator. Agentes soviéticos também estão em busca do artefato, entre eles a fria e bela Irina Spalko (Cate Blanchett), cujo esquadrão de elite está cruzando o globo atrás da Caveira de Cristal.


Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull – Trailer

Crítica:

Após quase duas décadas de espera os fãs da série “Indiana Jones” têm a oportunidade de ir aos cinemas do mundo todo com um sorriso gigantesco no rosto. E tal sorriso pode ser justificado? Aí é que está, depende.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” parece ter sido um filme feito para os fãs, como se fosse mais uma forma de homenagear a trilogia produzida na década de 80 do que de fazer um filme propriamente dito. Sendo curto e grosso, este quarto episódio da saga dirigida por Steven Spielberg deve agradar apenas às pessoas que puderam acompanhar os outros três filmes antecessores e acabaram, de uma forma ou de outra, se identificando com o protagonista da mesma.

A estória não é das melhores e apesar de ser ligeiramente criativa e bem trabalhada, o roteiro parece não se importar em desenvolvê-la de um modo realmente interessante. A mesma apresenta algumas reviravoltas, traz surpresas interessantes, mas descamba de vez ao inserir uma trama alienígena em seu contexto (alienígenas são bem típicos da nerdice de Spielberg).

As seqüências de aventura/ação estão acima da média dos filmes do gênero, mas comparadas aos demais filmes da saga, acabam empalidecendo. É claro que a perseguição automobilística em meio à Floresta Amazônica (e será que alguém poderia informar aos roteiristas que não existem cataratas nesta região do globo terrestre?) é eletrizante, mas não ficará na memória do espectador da mesma forma que outras seqüências da série ficaram. Não temos aqui nada tão marcante quanto uma perseguição em diversos vagões de mina, ou uma perseguição em um caminhão ou até mesmo
uma perseguição aérea. O humor do filme também é muito bom, mas é outro quesito que faz muito feio se comparado aos demais episódios da trilogia da década de 80.

Voltando ao roteiro, o mesmo que apresenta uma estória interessante, embora não tão bem desenvolvida, se revela extremamente artificial durante vários de seus momentos, como o forçado romance entre Indiana Jones e Marion Ravenwood (sim, a mocinha do primeiro filme, interpretada pela mesma Karen Allen) que acabam reatando após um longo tempo separados e o grau de parentesco (revelado em meio à trama, de maneira desapropriada e brusca) entre o protagonista e o personagem Mutt Williams (e confesso que achei essa artimanha utilizada pelo roteiro tão artificial quanto a revelação do grau de parentesco entre Luke Skywalker e a princesa Lea no ótimo filme “Star Wars – Episódio VI – O Retorno de Jedi”).

E já que mencionei o personagem Mutt Williams, gostaria de dizer que durante o primeiro ato do filme tal figura é completamente irritante, assim como a composição do ator Shia LaBeouf, mas com o passar do tempo o roteiro vai moldando a estória para que este possa ir se firmando como o protagonista da mesma, mesmo que seja por poucos minutos (e não ficaria muito surpreso se os produtores da franquia lançassem um novo episódio onde o protagonista fosse justamente o personagem de LaBeouf), e o bem da verdade é que o garoto não faz feio, tendo em vista que ele tem melhores condições físicas que Jones para protagonizar certas seqüências de ação.

Finalizando, diria que este “O Reino da Caveira de Cristal” é um bom passatempo analisando-o individualmente, mas como exemplar da série “Indiana Jones” empalidece perante aos seus antecessores.

Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.

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Crítica – Elizabeth – A Era de Ouro

Nutro um fanatismo incondicional na aquisição de conhecimento em História da humanidade, sobretudo em História Européia (tanto que, por várias vezes, pensei seriamente em abandonar o curso de Direito e dar início a uma faculdade de História). Entretanto, confesso não me interessar tanto pelo período ocorrido entre o Renascimento Cultural e a Revolução Francesa. Por este motivo vi-me obrigado a pesquisar algo sobre a famosa Guerra Anglo-Espanhola antes de assistir a “Elizabeth – A Era de Ouro” e confesso que em uma leitura de pouco mais de 3 minutos, aprendi muito mais sobre a mesma do que assistindo a este filme fútil de quase duas horas de duração. Não bastasse a falta de conteúdo presente em “Elizabeth – A Era de Ouro”, o longa ainda se revela extremamente cansativo e desnecessário conforme o(a) caro(a) leitor(a) terá a oportunidade de comprovar na presente crítica.

Ficha Técnica:
Título Original:
Elizabeth: The Golden Age
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 114 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra / França): 2007
Site Oficial: www.elizabeththegoldenage.net
Estúdio: Studio Canal / Working Title Films
Distribuição: Universal Pictures / UIP
Direção: Shekar Khapur
Roteiro: William Nicholson e Michael Hirst
Produção: Tim Bevan, Jonathan Cavendish e Eric Fellner
Música: Craig Armstrong e A.R. Rahman
Fotografia: Remi Adefarasin
Desenho de Produção: Guy Dyas
Direção de Arte: Christian Huband, Jason Knox-Johnston, Phil Simms e Andy Thomson
Figurino: Alexandra Byrne
Edição: Jill Bilcock
Efeitos Especiais: Moving Picture Company / Machine
Elenco: Cate Blanchett (Rainha Elizabeth I), Clive Owen (Sir Walter Raleigh), Abbie Cornish (Elizabeth Throckmorton), Geoffrey Rush (Sir Francis Walsingham), Jordi Mollá (Rei Felipe II), John Shrapnel (Lorde Howard), Susan Lynch (Annette), Samantha Morton (Mary Stuart), Penelope McGhie (Margaret), Rhys Ifans (Robert Reston), Eddie Redmayne (Thomas Babington), Adrian Scarborough (Calley), William Houston (Don Guerau de Spes), Steven Robertson (Francis Throckmorton), Jeremy Barker (Ramsey), Adam Godley (William Walsingham), George Innes (Burton), Kirstin Smith (Mary Walsingham), Kelly Hunter (Ursula Walsingham), Christian Brassington (Arquiduque Charles), Robert Cambrinus (Conde Georg von Helfenstein), Tom Hollander (Sir Amyas Paulet), Laurence Fox (Sir Christopher Hatton), Elise McCave e Aimee King.



Sinopse: Inglaterra, 1585. Elizabeth I (Cate Blanchett) está quase há três décadas no comando da Inglaterra, mas ainda precisa lidar com a possibilidade de traição em sua própria família. Simultaneamente a Europa passa por uma fase de catolicismo fundamentalista, que tem como testa-de-ferro o rei Felipe II (Jordi Mollá), da Espanha. Apoiado pelo Vaticano e armado com a Inquisição, Felipe II planeja destronar a “herege” Elizabeth I, que é protestante, e restaurar o catolicismo na Inglaterra. Preparando-se para entrar em guerra, Elizabeth busca equilibrar as tarefas da realeza com uma inesperada vulneabilidade, causada por seu amor proibido com o aventureiro Sir Walter Raleigh (Clive Owen).


Elizabeth – The Golden Age Trailer


Crítica:

Elizabeth – A Era de Ouro” é um longa baseado em uma estória bastante interessante, mas que acabou sendo desenvolvida da maneira mais fútil o possível. Inspirado na Era de Ouro (como indica o subtítulo) da Grã-Bretanha, o roteiro se perde em meio a um redemoinho de informações desnecessárias e imerge em um oceano de frivolidades pecando exacerbadamente ao direcionar mais tempo (principalmente em seu início) ao triângulo amoroso formado por Elizabeth, Sir Walter Raleigh e Elizabeth Throckmorton do que aos acontecimentos históricos que realmente marcaram o período mencionado no subtítulo. Não bastasse o excesso de preocupação com relacionamentos amorosos fúteis e dispensáveis, o filme não faz a menor questão de se aprofundar nos acontecimentos políticos, históricos e sociais da época e o que é pior: retrata a Guerra Anglo-Espanhola da maneira mais corriqueira o possível, não se importando, inclusive, em passar ao telespectador, de maneira realmente convincente, os reais motivos que implicaram no conflito que resultou na maior derrota da história da Espanha. A batalha naval ocorrida entre a Inglaterra e a Armada Espanhola (uma das maiores e mais importantes da história de ambos os países) se revela muito fraca e em momento algum empolga o espectador. Não bastasse todos estes defeitos, “Elizabeth – A Era de Ouro” ainda falha gravemente em utilizar excessivamente a sua trilha sonora megalomaníaca, conferindo grandiosidade demais a cenas que não precisavam disso, mostrando-se incrivelmente pedante durante vários momentos de projeção. Mas o filme conta com vários trunfos em suas mangas, que variam desde a belíssima fotografia, passando pelo fantástico figurino e pela ótima atuação de Cate Blanchett, até a inspirada direção de Shekar Khapur. Contudo, fica difícil não notar que, mesmo criando ângulos sensacionais, Khapur se mostra extremamente incompetente em alguns momentos do longa quando alterna bruscamente uma tomada de uma câmera para outra e quando cria planos seqüências enfadonhos e desnecessários.

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

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