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Inimigos Públicos – *** de *****

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 25 de julho de 2.009.

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Ficha Técnica:
Título Original: Public Enemies.
Gênero: Drama / Policial.
Tempo de Duração: 140 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Países de Origem: Estados Unidos da América.
Site: http://www.paramountpictures.com.br/inimigospublicos/
Direção: Michael Mann.
Roteiro: Michael Mann, Ann Biderman, Ronan Bennett, baseado no romance de Bryan Burrough.
Elenco: Johnny Depp (John Dillinger), Marion Cotillard (Billie Frechette), Christian Bale (Melvin Purvis), Billy Crudup (J. Edgar Hoover), Stephen Dorff (Homer Van Meter), Stephen Graham (Babe Face Nelson), Jason Clarke (John “Red” Hamilton), Stephen Lang (Charles Winstead), Giovanni Ribisi (Alvin Karpis), Emilie de Ravin (Barbara Patzke), David Wenham (Harry “Pete” Pierpont), Channing Tatum (Pretty Boy Floyd), James Russo (Walter Dietrich), William Nero Jr. (Jovem Fazendeiro) e outros.

Sinopse: Durante a Depressão (período após a quebra da bolsa norte-americana em 1929), o governo americano tenta deter os criminosos John Dillinger (Johnny Depp), Baby Face Nelson (Stephen Graham) e Pretty Boy Floyd (Channing Tatum), transformando o FBI na primeira agência federal de polícia do país.

Fonte Sinopse: Cineclick.

Public Enemies – Trailer:

Crítica:

___ Por que será que toda a produção cinematográfica protagonizada por Jhonny Depp, cujo tema central seja: “organizações criminosas”, tem que ser tão alicerçada em inúmeros clichês do gênero?” ___ Pensava eu enquanto assistia a “Inimigos Públicos”, sentado na terceira fileira da sala de cinema, recordando-me diretamente do fraco “Profissão de Risco”, que mais parecia um plágio do excelente “Os Bons Companheiros” e que contava com Depp encabeçando o elenco principal.

Coincidência ou não, à primeira vista “Inimigos Públicos” deu a entender que seria mais um filme do gênero gangster com Depp no elenco (ainda não assisti a “Donnie Brasco” para poder concretizar analogias por aqui) e recheado de situações para lá de clichês, bem como o longa “Profissão de Risco”, mencionado há pouco. Explico.

Quando a produção tem o seu início, nos vemos em uma prisão. Em seguida, o protagonista surge em cena e pouco mais para frente profere aquele que eu gostaria de marcar como sendo o grande diálogo do filme: “___ Meus amigos me chamam de Jhon, mas um filho da p*** como você, é melhor me chamar de “Sr. Dillinger”.”. Trata-se de uma frase clichê? Obviamente sim, mas Jhonny Depp consegue a proferir de um modo que não soe arrogante, como certamente soaria na pele de um ator menos talentoso, e isso faz com que o diálogo assuma um ar mais jocoso e não necessariamente ameaçador, o que acabaria nos remetendo à fala típica de um filme qualquer que já tenha sido reprisado uma quinze vezes no “Domingo Maior”.

Todavia, nem mesmo o talento ímpar do eterno Jack Sparrow acaba salvando a primeira hora de filme que, ao invés de explorar os seus protagonistas de maneira decente, se propõe a seguir mais um formato parecido com o supracitado “Os Bons Companheiros”, o ótimo “O Gângster”, o fenomenal “Acossado” e até mesmo o superestimado, embora interessante, “Fogo Contra Fogo”, o que acaba caracterizando um certo auto-plágio, uma vez que a produção enraizada por Al Pacino e Robert DeNiro era comandada pelo mesmo Michael Mann que assina como diretor em “Inimigos Públicos”.

Por que estou afirmando isso? Simples, porque ora o filme aborda a vida boêmia de Dillinger (o que nos remete à lembrança do filme ‘Scorsesiano’), ora aborda o relacionamento amoroso entre ele, um bandido cafajeste e apaixonado, e sua namorada, Billie Frechette, uma moça de certos princípios (o que também nos remete um pouco à lembrança de “Os Bons Companheiros” e, principalmente, “Acossado”) e ora pende para o eterno drama policial “gato-e-rato” (no que nos faz lembrar dos já mencionados “O Gângster” e “Fogo Contra Fogo”). O que há de errado nisso? Nada, ou melhor, não haveria nada de errado caso o roteiro se decidisse definitivamente qual caminho apetece traçar, e não é bem isso o que acaba acontecendo aqui.

Mas o filme se desenvolve e passa a ganhar um ar mais maduro. Adquire uma personalidade própria. Jhonny Depp vai se tornando cada vez mais Jhonny Depp. Michael Mann vai se tornando cada vez mais Michael Mann. O primeiro cria um personagem quase marcante, que só não se torna memorável ao extremo em face do primeiro ato insosso (e isso é culpa integral do roteiro, já que o astro hollywoodiano encarna o seu papel magistralmente bem, até mesmo durante a metade inicial do filme). Mann, por sua vez, vai abandonando aos poucos a direção excessivamente “handcam” à lá Jean-Luc Godard que havia adotado no início da produção e passa a realizar um trabalho com câmeras que tem muito mais a sua cara. Vide a maneira dinâmica e eficiente a qual ele adota para filmar o tenso tiroteio em meio ao bosque, ocorrido entre a metade e o início do terceiro ato, para se ter uma idéia da maestria de seu trabalho.

E embora a supracitada sequência não tenha o mesmo peso que aquela ocorrida em “Fogo Contra Fogo” (sim. Aquela mesma. Aquele tiroteio ininterrupto em meio ao trânsito que tem, em média, os seus dez minutos de extensão), mostra-se tensa o bastante para nos fazer arregalar os olhos durante toda a sua execução.

O filme ganha muito ritmo a partir de então. Incrível notarmos como uma única cena pode injetar um ritmo gradativamente diferente a uma produção cinematográfica. O longa pálido, insosso e sem personalidade de outrora toma vergonha na cara e ganha muito mais força, muito mais vigor, muito mais dinamicidade e muito mais adrenalina.

É aí que Mann passa a se dar conta de que o que tem em mãos é um simples filme gângster exageradamente comercial. Custava ter se dado conta disso desde o início da projeção? Caso Mann o tivesse feito, “Inimigos Públicos” teria nos brindado com uma metade inicial bastante parecida com a sua metade final e, consequentemente, a experiência teria se revelado muito mais satisfatória como um todo.

Destaque para a recriação da época (década de 1.930, no caso), que é feita desde a direção de Arte que espalha cartazes publicitários típicos daquele período por todo o cenário, até mesmo ao simples, mas bem bolado, fato de nos vermos capazes de assistir a alguns segundos de Looney Toones (em preto-e-branco, diga-se) dentro de uma sala de cinema (já que, na ocasião, as pessoas menos favorecidas, financeiramente falando, não tinham acesso à televisão).

Avaliação Final: 7,3 na escala de 10,0.

O Cavaleiro das Trevas – ***** de *****

Tendo em vista a imensidão da crítica que redigi, desta vez (teve 2.009 palavras contra as aproximadamente 700 ou 800 que meus textos costumam ter), serei o mais breve o possível nesta pré-crítica. Muito tem se falado do sucesso de bilheteria que este “O Cavaleiro das Trevas” vem alcançando recentemente e, sempre que um fenômeno comercial desta magnitude ocorre eu gosto muito de comentar se o filme em questão merece tanto esplendor ou não. Pois no caso desta continuação de “Batman Begins” eu digo que merece, e muito, não apenas possuir uma bilheteria extremamente lucrativa, como também entrar para o ranking das três maiores bilheterias da história do Cinema, superando até mesmo o ótimo “Piratas do Caribe – O Baú da Morte”.

Ficha Técnica:
Título Original: The Dark Knight
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 142 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Estúdio: Warner Bros. Pictures / Legendary Pictures / DC Comics / Syncopy
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Christopher Nolan.
Roteiro: Jonathan Nolan e Christopher Nolan, baseado em estória de Christopher Nolan e David S. Goyer e nos personagens criados por Bob Kane.
Produção: Christopher Nolan, Charles Roven e Emma Thomas.
Música: James Newton Howard e Hans Zimmer.
Fotografia: Wally Pfister.
Desenho de Produção: Nathan Crowley.
Direção de Arte: Mark Bartholomew, James Hambidge, Kevin Kavanaugh, Simon Lamont, Naaman Marshall e Steven Lawrence.
Figurino: Lindy Hemming.
Edição: Lee Smith.
Efeitos Especiais: Double Negative / BUF / Gentle Giant Studos / New Deal Studios.
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne / Batman), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Heath Ledger (Coringa), Gary Oldman (Tenente James Gordon), Aaron Eckhart (Harvey Dent / Duas-Caras), Maggie Gyllenhall (Rachel Dawes), Morgan Freeman (Lucius Fox), Eric Roberts (Salvarote Maroni), Cillian Murphy (Dr. Jonathan Crane / Espantalho), Anthony Michael Hall (Mike Engel), Monique Curnen (Detetive Ramirez), Nestor Carbonell (Prefeito), Joshua Harto (Reese), Colin McFarlane (Comissário Gillian B. Loeb), Melinda McCraw (Barbara Gordon), Nathan Gamble (James Gordon Jr.) e Michael Jai White (Jogador).

Sinopse: Após dois anos desde o surgimento do Batman (Christian Bale), os criminosos de Gotham City têm muito o que temer. Com a ajuda do tenente James Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart), Batman luta contra o crime organizado. Acuados com o combate, os chefes do crime aceitam a proposta feita pelo Coringa (Heath Ledger) e o contratam para combater o Homem-Morcego.

The Dark Knight – Trailer:

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Crítica:

“O Cavaleiro das Trevas” revelou-se um filme tão perfeito em sua totalidade que fica até difícil escolher por onde começo a redigir este texto. Não sei quais aspectos da obra deveria comentar primeiro, já que todos mantêm um equilíbrio tão forte entre si que torna-se praticamente impossível priorizar um. Pois é, pelo jeito terei de fazer algo que não estou nem um pouco acostumado a fazer e me render aos apelos do mainstream, ou seja, terei de começar analisando aquilo que todos almejam saber: qual Coringa é o melhor, o de Ledger ou o de Nicholson?

Incrível ver como o falecimento do ator australiano em janeiro do corrente ano colaborou, de uma maneira estranhamente macabra, para a promoção do filme. A fim de testemunhar a última atuação da carreira deste jovem grande talento do cinema contemporâneo, espectadores do mundo inteiro, mesmo os que não se mostram fãs do Homem-Morcego, fizeram filas imensas às portas dos cinemas. Até mesmo em uma roda entre cinéfilos o assunto não é outro, a não ser: o Coringa de Heath Ledger e a sua respectiva atuação. É mister, ao comentar sobre Cinema, que se mencione o nome do jovem ator talentoso falecido no intróito deste ano. Mas enfim, pondo as tergiversações de lado e respondendo à pergunta que não quer calar, o melhor coringa é o de… bem, vejamos… depende. Sim, sei muito bem que esta é a resposta de praxe de todo indivíduo que almeja “sair pela tangente” (como está sendo o meu caso agora), mas esta é a pura realidade.

Se analisarmos em termos de atuação, Ledger vence na interpretação de uma maneira geral, mas perde em termos de carisma. Contudo, devemos levar em conta que o novo Coringa está muito além de ser um vilão simpático (conforme ocorreu com o personagem de Nicholson no filme de 1989), muito pelo contrário, aqui, o roteiro almejou criar um vilão assustador, doentio, psicótico, insano ao extremo. Em outras palavras, um personagem mais plausível de ser absorvido em um contexto real (minha frase predileta), principalmente se tomarmos como cenário os Estados Unidos da América, pós 11 de setembro de 2001.

Finalizando esta analogia entre os personagens de Nicholson e Ledger, diria que se o segundo não é tão original quanto o primeiro (sim, pois este não possui as bugigangas peculiares daquele, tais como: um saquinho de dar risadas, balões cheios de gases venenosos, um tônico que estica os lábios de quem os toma, dando a impressão de que a vítima está sorrindo), ao menos ele se mostra um vilão muito mais convincente e assustador, além de possui uma carga dramática infinitamente superior àquele, o que o torna ligeiramente superior ao Coringa do filme de Tim Burton.

E quanto à atuação de Ledger, é tudo isso o que estão comentando? Bem, Ledger encarna o personagem com maestria e confere uma fortíssima carga dramática ao mesmo, mas discordo completamente do que o diretor Christopher Nolan afirmou durante uma entrevista, onde mencionava que o ator australiano faz uma atuação tão cativante quanto a que Jack Nicholson realizara em “Um Estranho no Ninho”. O ator, é claro, mostra um talento bem acima da média durante a sua composição, tornando o seu personagem ainda mais real e marcante do que ele já seria por si só.

A fim de conferir total verossimilhança ao seu Coringa, Ledger adota maneirismos que condizem plenamente com o estado psicológico do vilão, sem apelar a clichês e a trejeitos artificiais. Note, por exemplo, as alterações constantes de tom de voz do ator (fato que nos remete à lembrança de uma pessoa com forte grau de insanidade), e na dificuldade que este encontra em fixar seu olhar em um determinado objeto ou pessoa, o que indica o quão perturbado é o personagem.

Contudo, o ápice da atuação de Ledger reside quando este contracena com Christian Bale, que, por sinal, teve uma evolução artística muito notável do filme anterior, onde já havia realizado um trabalho seguro, para este segundo episódio. A seqüência em que Batman interroga o seu arqui-rival é, provavelmente, a que exige um maior esforço de Ledger, pois é durante esta parte do longa que o ator necessita mesclar loucura, medo e sarcasmo, todos os três ingredientes na medida certa, p
ara que a composição de seu personagem soe certeira de acordo com os sentimentos que está vivenciando naquele momento.

Outro aspecto da obra que tem sido muito comentado são as ideologias de cada um dos personagens de “O Cavaleiro das Trevas” e não é para menos. Todos (todos mesmo) os personagens do filme em questão possuem uma ideologia, desde o mais revolucionário ao mais reacionário, e isto tudo torna o roteiro muito mais complexo (e falo isso positivamente, é claro). Harvey Dent (futuro Duas-Caras), por exemplo, é um promotor público conservador e que crê no sistema como um agente neutralizador do crime. Entretanto, durante o desenrolar da película, o próprio sistema em que ele tanto confiava acaba traindo-o, tirando-o tudo o que mais lhe era importante na vida e isso acaba fazendo com que ele mude completamente a sua personalidade (e vale ressaltar que o roteiro aborda tal mutação da maneira mais natural o possível).

Batman, por sua vez, segue uma ideologia que, de certa forma, se revela altamente reacionária. E é inegável que um dos maiores acertos do longa resida justamente na construção do alter ego do jovem milionário Bruce Wayne. Longe de ser um super-herói tão politicamente correto quanto o patético Superman, ou tão estoicista quanto o ótimo Homem-Aranha, Batman explicita neste longa todo o seu lado obscuro de uma maneira jamais vista anteriormente. A fim de obter informações que o levem à captura de perigosos marginais ou ao salvamento de pessoas indefesas, o cavaleiro das trevas não hesita em esmurrar a face de uma pessoa que não possua quaisquer chances de revide, ou arremessar esta mesma pessoa contra a parede, ou ainda jogar uma outra pessoa do quarto andar de um prédio quebrando-lhe as duas pernas com o único propósito de intimidá-la. Em outras palavras, o famoso super-herói (herói?) adota neste longa uma postura maquiavélica: “os fins justificam os meios”.

Outro ponto forte do caráter de Batman abordado aqui são as crises existenciais deste, posteriores a um trágico acontecimento que ocorre no início do terceiro ato da trama. E falando em terceiro ato e desenvolvimento do protagonista, a atitude (que não irei revelar qual é, por razões óbvias) que o Homem-Morcego toma no final deste longa é algo digno dos mais fortes aplausos, pois dramatiza ainda mais o personagem e a estória desenvolvida acerca deste.

E, por fim, voltemos ao Coringa. Sim, eu sei, já abordei demasiadamente este personagem no intróito deste texto, mas a verdade é que não há meios de definir e/ou descrever um personagem tão importante apenas com os adjetivos supracitados. Carregado de um forte humor negro (muito bem empregado diga-se. Notem a cena do lápis, logo no início da película) e uma dramatização intelectual de fazer inveja a qualquer vilão de histórias em quadrinhos, a caracterização do arqui-rival do Homem-Morcego pode se equiparar, sem medo de fazer analogias exageradas e/ou desmedidas, a personagens importantíssimos da história do Cinema, como por exemplo, Tyler Durden e Alex De Large. E levando-se em conta que o Coringa deste “O Cavaleiro das Trevas” se revela um verdadeiro agente do caos, a analogia entre este e os protagonistas dos sensacionais “Clube da Luta” e “Laranja Mecânica” (ambos fazem parte de meu “Top 10 – Melhores Filmes de Todos os Tempos”), torna-se mais do que pertinente.

O roteiro também acerta a mão ao não deixar claro os motivos que levam o antagonista a agir de tal modo, adotando esta filosofia anarco-niilista como estilo de vida. Ao invés de amarrar as pontas, o que soaria muito formulaíco, o roteiro brilhantemente bem escrito pelos irmãos Cristopher (que também assina como diretor da obra) e Jonathan Nolan opta por deixar que o público o faça. À primeira vista, temos a impressão de que Coringa tivera uma infância sofrida, vira o pai violentar a mãe e cortar-lhe a face com uma faca, mas a película se desenvolve e outras novas hipóteses completamente diferentes desta anterior nos são apresentadas, fazendo com que não saibamos ao certo o que o levou realmente a se tornar o que é, fato que o torna ainda mais misterioso.

A maior qualidade deste “O Cavaleiro das Trevas”, no entanto, reside no embate, tanto psicológico quanto físico, entre herói e vilão. A direção de Nolan se mostra sensível o bastante para conferir ao espectador muita tensão com tal embate desde o começo do filme, quando somos apresentados a um audacioso assalto a banco, arquitetado pelo vilão mor desta obra cinematográfica. Daí em diante, temos uma disputa entre o Homem-Morcego e seu arqui-rival que muito nos remete aos duelos travados entre personagens importantíssimos da história da Literatura, tais como Sherlock Holmes e Professor Moriart, e da história do Cinema também, como é o caso entre Vincent Hanna e Neil McCauley no interessante “Fogo Contra Fogo”.

Presenteando o público com dois personagens inteligentíssimos, o filme, como já fôra mencionado, firma seu destaque no confronto entre Batman e Coringa. Quando não contamos com as cenas de ação que, ao contrário de “Batman Begins”, são sensacionais, tensas, eletrizantes e muitíssimo bem dirigidas por Cristopher Nolan, alem, é claro, de serem regadas por uma trilha sonora fascinante que aumenta ainda mais o clima de tensão das mesmas, o roteiro nos brinda com um embate psicológico ainda mais tenso entre ambos os personagens.

O indivíduo que afirmar que o embate entre herói e vilão é não menos que sensacional deve ter a sua sanidade questionada. Não tem como não ficarmos tensos e roendo as unhas durante o filme todo (sem exagero, o clima de tensão está ali presente do primeiro ao último segundo de projeção) com cenas como a que o, desde já memorável e imortalizado, personagem de Heath Ledger arquiteta e põe em prática um assalto a banco (logo no começo da película), ou a seqüência incluída no final do longa onde ele planeja a explosão de um navio carregado de pessoas e, principalmente, a maneira como o vilão prepara a sua fuga da prisão (a propósito, se o leitor havia achado inteligentíssima a cena em que Magneto foge da prisão em “X-Men II”, prepare-se para a ainda mais inteligente e bem arquitetada fuga que Coringa realiza neste longa).

Batman também não fica muito atrás no que diz respeito à inteligência. Se por um lado o vilão tem sempre um plano mirabolante em mente, o herói possui sempre um “antídoto” para os mesmos, e o fato deste “contragolpe” nem sempre funcionar da maneira esperada, faz com que o protagonista do filme se torne mais humano, devido à sua visível e claudicante vulnerabilidade, o que não pode deixar de contar pontos para a avaliação final da película.

Por fim, como venho me acostumando ao redigir os últimos textos de minha autoria, aproveitarei este parágrafo de encerramento para condensar tudo o que fôra supracitado até então. “O Cavaleiro das Trevas” é, desde já, uma incontestável obra-prima do Cinema mundial e merece todo o sucesso que vem fazendo até o presente momento. Muito superior à grande maioria das adaptações de histórias em quadrinhos, este longa se revela uma agradabilíssima surpresa, respeitando imensamente o espectador, fugindo da grande maioria dos clichês e estereótipos do gênero e, o que é melhor, inovando o mesmo, nos apresentando a personagens completamente bem desenvolvidos pelo roteiro. A ação é estarrecedora e cresce ainda mais graças à extraordinariamente competente direção de Christopher Nolan e à cativante e tensa trilha-sonora composta magistralmente por, ninguém mais, ninguém menos, que Hans Zimmer e James Newton Howard. E mesmo com tantas qualidades visíveis e explicitadas, “O Cavaleiro das Trevas”, assim como o seu antagonista, possui uma carta na manga, que vem a ser sua maior qualidade: o embate, sobretudo psicológico, entre vilão e herói, além de nos propiciar questionamentos sobre a situação caót
ica que a sociedade capitalista se encontra.

Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

Crítica – Os Indomáveis

Uma das grandes injustiças do Oscar deste ano parece ter sido a triste esnobada dos membros da Academia em relação a este ótimo “Os Indomáveis” (mais uma vez digo que nada tenho contra títulos nacionais, mas este é mais um exemplo onde o título original seria muito mais condizente com o filme em si) às categorias principais. Filmes como “Sangue Negro” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” se revelaram exemplos bem sucedidos (sobretudo o primeiro) da volta dos westerns às telonas, mas vale lembrar que ambos não podem ser considerados necessariamente filmes de ação e/ou aventura, mas sim dramas. Um clássico exemplo contemporâneo de western a lá Sergio Leone e John Ford é este “Os Indomáveis”, um filme de ação que, mesmo com seus defeitos, fica bem acima da média e prova que o gênero ainda tem muito a oferecer a Sétima Arte.

Ficha Técnica: Em Andamento

Sinopse: Daniel Evans (Christian Bale) é um jovem rancheiro escolhido pelo xerife para escoltar Ben Wade (Russel Crowe), um perigoso líder de uma gangue, até o tribunal de Yuma, no Colorado. Mas ao chegar lá, o rapaz é surpreendido pelo bando do criminoso disposto a tudo para libertá-lo. A partir daí, é iniciada uma forte batalha entre as gangues rivais.

3:10 to Yuma Trailer

3:10 to Yuma Trailer 2


Crítica:

Um grande problema ao se adaptar um filme relativamente antigo nos dias atuais está na maneira como o original envelheceu com o passar do tempo. Nunca assisti a “Galante e Sanguinário” (filme que servira de inspiração a este “Os Indomáveis”), mas certamente o longa não envelhecera bem o bastante (não se ouve falar tanto dele quanto de outros westerns) a ponto de receber uma adaptação perfeita do ponto de vista artístico. Aquilo que poderia passar despercebido na década de 50, soa como clichê nos dias de hoje. Aquilo que aparentava ser uma sinopse bastante interessante na década de 50, soa extremamente batida atualmente (tanto que nos últimos anos, sinopses semelhantes foram utilizadas em vários outros filmes). “Os Indomáveis”, infelizmente, sofre destes graves problemas que parecem ter se aflorado na obra antes mesmo desta ter o seu argumento concluído. Por outro lado, o longa foi cuidadosamente trabalhado em todos os seus aspectos, variando desde a Direção de Arte e Fotografia que nos introduzem a um oeste longínquo sujo, primitivo e violento, às fantásticas atuações de Russel Crowe e Christian Bale (sobretudo o primeiro que encarna seu personagem com uma naturalidade invejável) que não só duelam com armas como também com diálogos para lá de inteligentes e dinâmicos (“___Malditos trens! Nunca se pode confiar neles, não é?”, um diálogo que, dentro do contexto da obra, se encaixa muitíssimo bem). O desenvolvimento de seus personagens também é extremamente bem feito. Em um filme menos inteligente (lembrei-me de “16 Quadras” agora), teríamos apenas um protagonista que almeja transportar um prisioneiro de um lugar para o outro e receber a recompensa pelo serviço. Aqui, a dinâmica entre protagonista e prisioneiro é trabalhada com muito cuidado, uma vez que o passado de ambos vai sendo revelado aos poucos, fazendo com que, além de nos apegarmos aos mesmos, descubramos o porquê de suas crises atuais. O longa conta com um final deveras imprevisível, mas que, infelizmente, nos apresenta a uma mudança para lá de artificial no caráter do antagonista.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

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