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Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito – ** de *****

Apesar de detestar veementemente o demagogo Partido da Social Democracia Brasileira, vulgo PSDB, reconheço que a Secretaria Estadual da Cultura do Estado de São Paulo tomou uma atitude que teve total aprovação de minha parte: a distribuição de ingressos gratuitos para que o povo tenha livre acesso às salas de cinema que estiverem exibindo filmes nacionais. Ganhei um destes e optei por assistir a este “Bezerra de Menezes”. Os motivos? Simples, o filme narra a estória de um homem que, apesar de ser cristão fervoroso (todos aqueles que me conhecem pessoalmente, ao menos um pouco, sabem do total repudio e escárnio que nutro pela hipocrisia contida na moral cristã) lutou, sempre que possível, em prol dos mais necessitados. Outro motivo que justifique a minha escolha pelo longa? Carlos Vereza é, para mim, o melhor ator brasileiro de todos os tempos. Isso mesmo, considero-o o Marlon Brando tupiniquim, não só pelos maneirismos adotados em suas atuações como também pela qualidade das mesmas. Algo simplesmente fenomenal. Visto isso, como eu poderia deixar de assistir a um filme que traz até nós um personagem extremamente complexo e idealista, interpretado pelo meu ator brasileiro favorito? Pois é, uma pena, no entanto, que o filme esteja muito (mas muito mesmo) aquém das qualidades de ambos.


Ficha Técnica:
Título Original: Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito.
Gênero: Drama.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.bezerrademenezesofilme.com.br/
Nacionalidade: Brasil.
Tempo de Duração: 88 minutos.
Diretor: Glauber Filho e Joe Pimentel.
Roteiristas: Andréa Bardawill e Luciano Klein.
Elenco: Carlos Vereza (Bezerra de Menezes), Magno Carvalho (Bezerra de Menezes Jovem), Lucas Ribeiro (Bezerra de Menezes Criança), Cláudio Raposo (Antonio Adolfo Bezerra de Menezes), Juliana Carvalho (Dona Fabiana), Mirelle Freitas (Maria Cândida), Alexandra Marinho (Cândida Augusta), Ana Rosa (Irmã de Bezerra de Menezes), Everaldo Pontes (Soares), Larissa Vereza (Cunhada de Bezerra de Menezes), Lúcio Mauro (Líder do centro espírita), Pedro Domingues (Senhor Materialista), B. de Paiva (Doutor Leopoldino), Taís Dahas (Hermínia), Fernando Piancó (Pai de Hermínia), Ana Cristina Viana (Mãe de Hermínia), Cristiane de Lavôr (Maria do Carmo), Rodger Rogério (Padre exorcista), Renato Prieto (Pedinte), WJ Solha (Freire Alemão), Robério Diógenes (Altino), Romário Fernandes (Estudante), Andrea Piol (Mãe aflita), Fernando Teixeira (Deputado Gaspar Drumond), Rutílio Oliveira (Deputado Andrade Figueira), Tarcísio Pereira (Médium João Gonçalves do Nascimento), João Dantas (Médico Mário Lacerda), Nanda Costa (Senhora), Fernando Catoni (Farmacêutico), Caio Blat (Militar) e Paulo Goulart Filho (Militar).

Sinopse: Bezerra de Menezes é proveniente de uma família rica e tradicional do sertão do Ceará e mesmo possuindo mais luxos e maior poder aquisitivo que os seus demais contemporâneos, sempre se mostrou uma pessoa humilde e disposta a lutar pela causa dos mais necessitados. Era o melhor aluno de sua classe e aos 8 anos já lecionava para os demais colegas. Mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade onde cursou faculdade de Medicina e tornou-se um profissional bastante influente e respeitado na área, desenvolvendo, inclusive, teses sobre o câncer. Sua influência proporcionou-lhe uma carreira política bastante marcante e conturbada, onde viu-se possibilitado a lutar a favor da total abolição dos escravos no Brasil. Mas o seu maior trunfo foi como doutrinador religioso, onde o mesmo conseguiu divulgar a muito custo uma religião que era alvo de muitos preconceitos na época: o espiritismo. Chegou a receber a alcunha de: “Allan Kardec brasileiro”.
Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito – Trailer:

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Crítica:

Ao redigir a minha última crítica, antes desta que inicia-se agora, lembro-me de ter mencionado que “Era Uma Vez na América” tratava-se de uma obra onde Sergio Leone, assim como na grande maioria de seus filmes, optava por substituir uma gama de diálogos gigantescos por silêncios semi-completos cujas imagens significavam muito mais do que mil palavras proferidas de maneira ininterrupta. Neste “Bezerra de Menezes…” acontece justamente o contrário e nós, espectadores, acabamos nos vendo diante de uma obra do cinema nacional que conta com muito diálogo para pouca imagem.
Durante os apenas 88 minutos de projeção testemunhamos um filme que não se preocupa, salvo em raros casos, em exibir fatos da vida do personagem-título que poderiam dramatizar mais a vida deste, colaborando assim para uma relação público-protagonista muito mais concreta. Ao invés disso, a interessante, embora cansativa e não muito pormenorizada, narrativa in off feita por Carlos Vereza comete o equívoco de imaginar ser capaz de cativar o espectador substituindo cenas que poderiam realçar mais a formação ideológica do Dr. Bezerra de Menezes por breves comentários sobre os fatos marcantes na vida do mesmo. Desta forma, não fica bem esclarecido os motivos que o levaram a ser militante político, ou a ser médico, ou até mesmo a adotar o espiritismo como religião, uma vez que é obviamente necessário que o roteiro faça uso de recursos muito mais consistentes na abordagem do personagem.
A curta duração da obra dirigida por Glauber Filho e Joe Pimentel também se mostra um forte empecilho na realização de um trabalho mais minucioso. Como realizar uma ampla abordagem sobre um personagem que teve uma infância em um lugar tão pouco produtivo e ainda assim conseguiu se destacar nas mais diversas áreas (e temos que concordar que, mesmo provindo de uma família rica, é extremamente difícil alguém prosperar tanto na vida sendo natural de um lugar tão miserável quanto o que Bezerra de Menezes nasceu) em apenas 88 minutos? Como narrar ao público a importância que o considerado Allan Kardec brasileiro teve para a propagação da doutrina espírita no país em tão pouco tempo de filme? Simplesmente impossível, um esforço narrativo amplamente vazio.
O tom propagandístico adotado pela obra também se revela um grave defeito da mesma. Além de se mostrar altamente parcial e tendencioso, procurando fazer o possível e o impossível a fim de provar que o espiritismo é, definitivamente, a religião mais correta a ser seguida, o filme se mostra exacerbadamente preconceituoso com relação ao ateísmo. Logo no início do longa-metragem somos obrigados a ouvir diálogos que dão a entender que os céticos são pessoas infelizes e que jamais terão salvação. Não bastasse isso, o roteiro, em momento algum, se propõe a realizar debates religiosos de maneira fortemente fundamentada, vide a discussão entre o protagonista do filme e um ateu que lhe questiona, só para se ter uma idéia da fragilidade da obra. A defesa que Bezerra de Menezes exerce é absurdamente risível e os fundamentos utilizados por este durante tal cena poderiam ser facilmente rebatidos por qualquer criança de sete anos de idade (contanto que a mesma fosse atéia, o que seria improvável vindo de uma pessoa com tão pouca experiência de vida), bastaria esta dizer: “___ Se o materialismo nunca salvou pessoa alguma, o que representam os medicamentos, os materiais de enfermagem e as vacinas? São ferramentas do espírito no combate contra enfer
midades? Foi Deus quem proporcionou diretamente ao Homem tais avanços medicinais?”.
Mas os problemas não param por aí. A pieguice do longa também é algo extremamente incomodante, como podemos testemunhar na exagerada cena onde o protagonista entrega o seu anel de formatura a uma paciente visando cobrir os gastos que esta viria a ter com medicamentos para curar uma enfermidade de seu filho. Falando nisso, chega a dar nos nervos ver o modo como o roteiro desenvolveu o seu protagonista. Bezerra de Menezes certamente era uma pessoa de índole ilibada, mas provavelmente, assim como toda e qualquer pessoa, contava com um ou outro desvio de caráter, ou vocês, caros leitores, realmente acreditam que o cearense era esse “robô” destinado a fazer exclusivamente o bem, conforme mostra o filme?
Não bastasse toda a pieguice mostrada em cena, tanto pelas circunstâncias criadas pelo roteiro quanto pela caracterização do personagem-título, a trilha-sonora colabora ainda mais para tal demonstração negativamente efusiva de melancolia. Adotando o barato truque de comover o espectador produzindo acordes tristes, o trabalho de Ítalo Maia se revela um tanto o quanto pífio e piegas (ao invés de atribuir uma carga dramática mais conveniente à trama), algo que se mostra gritantemente prejudicial à avaliação final da obra.
A essa altura o leitor já deve estar imaginando que o filme é um desastre total, não? De fato o mesmo conta com inúmeros e imperdoáveis defeitos, mas não há como negar os acertos deste. A direção de arte, por exemplo, é extremamente simples, mas acerta em cheio ao reproduzir o período histórico almejado (no caso, final do século XIX e início do século XX), principalmente pela utilização de móveis e imóveis carregados de detalhes típicos da época. O figurino também conta com os mesmas características da direção de arte e ajuda a engrandecer muito a obra.
A narrativa in off apresenta graves falhas conforme já fora dito anteriormente, contudo, não há como deixarmos de notar a formalidade oratória com que a mesma fora construída. Palavras do nível de “clarividência” são freqüentemente utilizadas aqui, conferindo à narração um tom fortemente poético (e quem lê os meus textos há algum tempo já sabe o quanto eu valorizo termos gritantemente rebuscados), mas o que mais engrandece a mesma é, incontestavelmente, o tom de voz que Carlos Vereza adotou a fim de construí-la.
Falando no ator, é de sua atuação que vem a maior qualidade e o maior diferencial do filme. Apesar de não estar tão carismático e expressivo quanto esteve em outras obras que contavam com a sua participação (incluindo filmes, peças teatrais e telenovelas), “Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito” se privilegiou com a experiência deste que considero o melhor ator brasileiro de todos os tempos, o que acabou contribuindo bastante para a construção de um personagem tão importante quanto este, fato que o roteiro demonstrou total incompetência ao tentar fazê-lo.
É lamentável, no entanto, notarmos que o roteiro, a direção, e vários outros aspectos técnicos e artísticos de “Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito” estão visivelmente aquém do brio de seu ator principal e de sua principal fonte de inspiração: o Allan Kardec brasileiro. Uma lástima, dois grandes gênios da história de nossa nação, sendo um da teledramaturgia e outro da medicina e da religião, mereciam um filme bem mais condizente com o talento de ambos.
Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

Crítica – Lavoura Arcaica

Lavoura Arcaica é sobretudo uma experiência sensorial. Diante da tarefa hercúlea de adaptar o inadaptável, Luiz Fernando Carvalho não se curvou aos desafios, tentando simplificar a linguagem complexa da obra de Raduan Nassar. Em vez disso, Carvalho dispôs-se a abraçá-los, criando assim, um filme que punge diante dos olhos, ouvidos e (por que não?) da pele, olfato e paladar do espectador.
Como a própria sinopse trata de expor, Lavoura Arcaica é uma versão ao avesso da parábola do filho pródigo. André, sufocado pela rigidez do pai, foge de casa e instala-se num quarto de pensão. Pedro, seu irmão mais velho, recebe da mãe a tarefa de trazê-lo de volta. A partir daí a história começa a ser narrada através de fluxos de consciência (flashback seria uma forma simplória demais para descrever o modo como Carvalho desenvolve a narrativa) do protagonista. Porém, mais do que a simples fuga do autoritarismo paterno, André tenta fugir de sua própria vida, do destino que lhe privou do amor de sua irmã e que o sufoca cada vez mais. Não é à toa que vemos regularmente o menino André e, posteriormente, o rapaz André enfiando os pés na terra a fim de encontrar ali refúgio daquele ambiente conservador que o rodeia. O interior vira exterior e vice-e-versa.
Aqui, as palavras parecem ter vida própria, saltam da boca das personagens direto para chocar ou reprimir. Assim como no livro, elas pulsam e, por vezes, abrem chagas incapazes de cicatrizarem-se, como na antológica cena da discussão de André com o pai ou naquela onde, após consumar o incesto, ele faz um discurso forte diante de sua irmã, Ana. Mas Carvalho não se torna refém das palavras, muito pelo contrário, o diretor usa a imagem como elemento fundamental desta narrativa e o faz de forma tão brilhante que, não raramente, dispensa as palavras; como na cena inicial onde vemos André semi nu entre gemidos de dor e prazer e, ao fundo, um barulho de trem. Não precisamos de palavras para deduzi que ele é um indivíduo em fuga e com conflitos sexuais; ou a cena em que a mãe o acorda com carícias que transbordam a tela num jorro de luz, as palavras são desnecessárias, as imagens falam por si.
Dessa forma, não foi à toa que afirmei que este filme é uma experiência sensorial, cada elemento seu assume vida própria e, juntos, combinam-se para formar um filme contundente e radical. A fotografia excepcional de Walter Carvalho flui de modo hipnotizante, mergulhando o espectador não apenas no clima da cena, mas principalmente na psique das personagens. Por vezes, a vista fica embaçada diante da luz pungente de uma cena e logo em seguida as pupilas se dilatam no quadro iluminado apenas por uma lamparina. A trilha sonora que utiliza suspiros e gemidos das personagens ou ruídos dos ambientes potencializa de forma perfeita as soberbas atuações de todo o elenco; do comovente desempenho de Juliana Carneiro da Cunha, passando pela atuação áspera de Raul Cortez, a rebeldia naturalista do André de Selton Mello à arrebatadora performance de Simone Spoladore.
Uma das grandes revelações do filme, Simone, mesmo sem dizer uma palavra durante toda a projeção, é um dos pontos altos do longa; uma atriz que interpreta com os olhos, com o corpo, é impossível ficar imune a sua presença em cena. Spoladore é uma força da natureza, e a cena final em que ela dança numa festa é impressionante.
Um filme tão forte só poderia contar com uma direção idem. Luiz Fernando Carvalho conduz a narrativa de maneira primorosa; seus enquadramentos transportam-nos para dentro do filme. Quando André cheira as peças íntimas das suas irmãs, é como se nós sentíssemos o mesmo aroma que ele; quando enfia os pés na terra, podemos sentir a areia úmida e fofa penetrar entre nossos dedos, quando ele e Ana se amam na casa abandonada, somos capazes de sentir o toque aveludado da pele da irmã. Mas ao contrário do que muitos afirmam isso não é simples preciosismo. Nenhuma imagem é bela em sua essência sem que se encaixe como peça fundamental do enredo. E se retirássemos esse dito preciosismo do filme seria o mesmo que tirar as asas de um pássaro.
Sinceramente, não sei se é exagero afirmar que Lavoura Arcaica é o melhor filme brasileiro de todos os tempos, até porque palavras são insuficientes e precárias para descrevê-lo. Mas não custa nada repetir que este filme é uma obra-prima do cinema nacional e mundial.

Avaliação Final: ***** (5 estrelas na escala de 5).

Crítica – Lavoura Arcaica

Decidi assistir a este filme principalmente pela recomendação de um amigo virtual meu. Contudo, o meu cotidiano não me dá o privilégio de poder assistir a vários filmes por semana, muito menos a filmes que contém com aproximadamente 170 minutos de duração, tais como este. Para resolver tal problema, esperei chegar às férias, criei coragem e honrei, ainda que extremamente tarde, a dívida que tinha com o meu amigo. Ah sim, o filme… apesar de extremamente longo, “Lavoura Arcaica” conta com um protagonista com o qual me relacionei muito, pois o mesmo, além de utilizar a natureza como forma de escapismo de seu cotidiano enfadonho, gera inúmeras discussões com a família e vive em constante crise existencial (só quero frisar que nunca me apaixonei por nenhuma parente minha, como ocorre neste longa).

Título Original: Lavoura Arcaica
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 163 minutos
Ano de Lançamento (Brasil):
2001
Site Oficial: http://www.lavouraarcaica.com.br/
Estúdio: VideoFilmes
Distribuição: Riofilme
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Roteiro: Luiz Fernando Carvalho, baseado em livro homônimo escrito por Raduan Nassar.
Produção: Luiz Fernando Carvalho
Música: Marco Antônio Guimarães
Fotografia: Walter Carvalho
Desenho de Produção:
Direção de Arte: Yurika Yamasaki
Figurino: Beth Filipecki
Edição: Luiz Fernando Carvalho
Elenco: Selton Mello (André), Leonardo Medeiros (Pedro), Simone Spoladore (Ana), Raul Cortez (Pai), Juliana Carneiro da Cunha (Mãe), Pablo César Câncio (André Criança), Mônica Nassif, Christiana Kalache, Caio Blat (Lula), Renata Rizek, Leda Samara Antunes e muitos outros.

Sinopse: André (Selton Mello) é um filho desgarrado, que saiu de casa devido à severa lei paterna e o sufocamento da ternura materna. Pedro, seu irmão mais velho, recebe de sua mãe a missão de trazê-lo de volta ao lar. Cedendo aos apelos da mãe e de Pedro, André resolve voltar para a casa dos seus pais, mas irá quebrar definitivamente os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã Ana.

Não há trailers disponíveis

Crítica:

Assim como ocorre no perfeito “Persona” de “Ingmar Bergman” para se compreender o que este sensacional “Lavoura Arcaica” almeja transmitir ao espectador é necessário que o mesmo entenda o porquê de seu título ser este. Lavoura vem a ser uma metáfora ao contato do ser humano com a natureza (aqui, no caso, o desejo sexual principalmente) e Arcaica representa o conservadorismo e o estoicismo em sua forma rígida, embora inocente. Unindo as duas metáforas temos então um estudo sobre ambas as polaridades e o filme utiliza como pano de fundo para isso a entidade familiar. Aqui, temos como protagonistas do longa os membros de uma típica família, cujo pai conservador e a mãe deveras protetora são a razão para que o filho, antes taciturno agora rebelde, abandone o lar, em busca de uma vida que sacie de vez o sentimento mais libertino que um sujeito pode sentir: o incontrolável desejo sexual. O interessante é que, por trás de tantos fortíssimos contrastes, encontramos a direção extremamente sensível e leve de “Luiz Fernando Carvalho”. A propósito, tal sensibilidade e leveza na direção me fez lembrar muito do trabalho de “Stanley Kubrick” no excelente “Barry Lyndon” e aqueles que me conhecem como cinéfilo a um certo tempo sabem muito bem que não há maior elogio que eu possa fazer a uma obra cinematográfica do que compará-la a dois dos melhores trabalhos dentre meus cineastas prediletos: “Bergman” e “Kubrick”. Aliás, já que mencionei “Barry Lyndon”, lembro-me muito bem que ao criticar aquela obra havia mencionado o quão difícil era ter de decidir se a mesma era Poesia em forma de Cinema ou Pintura em forma de Cinema, mas que no final das contas acabei ficando com a segunda opção. Neste longa brasileiro magistralmente protagonizado por “Selton Mello” devo optar pela primeira alternativa, pois o filme em questão é uma verdadeira poesia transportada à Sétima Arte. O longa só não é perfeito pois acaba se estendendo bem mais do que deveria, tornando-se desnecessariamente cansativo (sei que isto é um modo supérfluo de se apontar falhas em um filme, mas foi exatamente o que senti).

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

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