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Ele Não Está Tão a Fim de Você – **** de *****

Será que eu estou muito bonzinho ultimamente? Oras, é a segunda vez consultiva que atribuo ótimas notas a duas obras cinematográficas que seguem duas das vertentes cinematográficas mais falhas o possível. Mas não, acredito mesmo que, tanto “Presságio” quanto este “Ele Não Está Tão a Fim de Você” são filmes que merecem um grande destaque e, falar bem dos mesmos, não é sinônimo de maleabilidade crítica, mas sim de bom senso. Outra coisa, gostaria de oferecer ao público do sexo masculino três grandes motivos para conferir este filme (e só não o faço com o público feminino, pois as mulheres sempre se interessam por obras deste gênero, sendo que não precisam consultar uma análise cinematográfica a fim de saber se vale a pena, ou não, gastar tempo e dinheiro com um filme desta vertente cinematográfica): 1°: não é uma comédia romântica necessariamente feminina, conforme indica o título; 2°: não trata-se de uma comédia romântica bobinha, assim como também sugere o título, mas sim de um interessante estudo sobre os relacionamentos amorosos atuais; 3° e mais importante: o elenco conta com Scarlett Johansson e há uma cena em especial onde ela aparece apenas de lingerie e tem aqueles suculentos seios apalpados e… ops… errr, digo… o filme tem Scarlett Johansson em uma grande atuação… pronto, era isso o que eu queria dizer.

Título Original: He’s Just Not That Into You.
Gênero: Comédia Romântica.
Tempo de Duração: 129 minutos.
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: http://www.hesjustnotthatintoyoumovie.com/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Ken Kwapis.
Roteiro: Abby Kohn e Marc Silverstein, baseado em livro de Greg Behrendt e Liz Tuccillo.
Elenco: Ginnifer Goodwin (Gigi), Justin Long (Alex), Bradley Cooper (Ben), Scarlett Johansson (Anna), Jennifer Connelly (Janine), Jennifer Aniston (Beth), Ben Affleck (Neil), Drew Barrymore (Mary), Natasha Leggero (Amber), Busy Phillips (Kelli Ann), Angela Shelton (Angela), Frances Callier (Frances), Brandon Keener (Jarrad), Rod Keller (Bruce), Leonardo Nam (Joshua), Wilson Cruz (Nathan), Brooke Bloom (Paige), Hedy Burress (Laura), Sasha Alexander (Catherine), Kris Kristofferson (Ken Murphy), Kevin Connolly (Conor) e Michelle Carmichael (Mãe).

Sinopse: Gigi (Ginnifer Goodwin) é uma romântica incurável, que um dia resolve sair com Conor (Kevin Connolly). Ela espera que ele ligue no dia seguinte, o que não acontece. Gigi resolve ir até o bar onde se conheceram, na esperança de reencontrá-lo. Lá ela conhece Alex (Justin Long), amigo de Conor. Ele tem uma visão bastante realista sobre os relacionamentos amorosos e tenta apresentá-la a Gigi, através de seu ponto de vista masculino. Por sua vez Conor é apaixonado por Anna (Scalett Johansson), uma cantora que o trata apenas como amigo e que se interessa por Ben (Bradley Cooper), casado com Janine (Jennifer Connelly). O casamento deles está em crise, o que não impede que Janine dê conselhos amorosos a Gigi, com quem trabalha. Outra colega de serviço é Beth (Jennifer Aniston), que namora Neil (Ben Affleck) há 7 anos e sonha em um dia se casar, apesar dele ser contrário à idéia.

He’s Just Not That Into You – Trailer:

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Crítica:

Tenho uma pergunta a ser feita ao leitor. Você passa em frente ao cinema e vê o cartaz de um filme cujo título é “Ele Não Está Tão a Fim de Você”, se aproxima do poster e logo vê inúmeras caras e bocas, todas sorridentes. Lembra-se de ter lido na internet que o roteiro de tal obra cinematográfica foi inspirado em um livro de auto-ajuda. O que se pode concluir a partir daí? Que o filme em questão trata-se de uma comédia romântica descartável, com uma liçãozinha de moral ainda mais descartável, direcionado a casais amorosos ainda mais descartáveis e sem personalidade alguma, não? Pois esta foi a mesmíssima conclusão a que cheguei antes de assistir a “Ele Não Está Tão a Fim de Você” e, pela segunda vez no dia (a primeira foi ao assistir a “Presságio”), equivoquei-me exacerbadamente, tendo uma bela de uma surpresa, dessas que só a sétima Arte pode nos fazer conferir.

Adentrei a sala de cinema, acomodei-me na poltrona (pela segunda vez do dia tive a sorte de pegar a poltrona central da fileira central) e o filme então começou. Já de cara se mostrou uma obra minimamente interessante. Somos apresentados a Gigi, a mais cativante personagem do filme. Trata-se de uma romântica crônica. A garota é bela e meiga o bastante para despertar interesse em qualquer homem que seja, mas não se vê capaz de atrair a pessoa ideal para manter um relacionamento sério consigo. O motivo? Sua insegurança, sua ansiedade e suas manias neuróticas. E não apenas o gênio da moça a atrapalha em tal “missão”, como também os caminhos pelos quais os relacionamentos amorosos atuais estão rumando, ou seja, aquele amor que dura apenas uma noite e nada mais.

E não apenas a doce Gigi compõe o rol de personagens interessantes deste “Ele Não Está Tão a Fim de Você”. Há também Anna, a mulher sensual que emplaca em um relacionamento amoroso extremamente descompromissado com Connor, um vendedor de imóveis pelo qual Gigi tem uma forte queda, mas que ama incondicionalmente a sua parceira amorosa semi-oficial. Anna, entretanto, nutre uma forte paixão por Ben, um sujeito de boa aparência que ela conheceu ao acaso. No entanto, o rapaz casou-se com Janine anos atrás, mesmo sem nutrir uma forte paixão pela mesma e sem saber ao certo se era isso o que queria pelo resto de sua vida. Por este motivo, o matrimônio de ambos passa por uma crise que nem mesmo eles dois parecem estar certos da existência de tal colapso. Mesmo com este problema amoroso relativamente invisível, Janine não deixa de dar conselhos amorosos à colega de trabalho Gigi.

Mas espere aí! Quer dizer então que a trama envolve os mais diversos personagens e encontra uma forma de fazer com que todos eles tenham a vida entrelaçada entre si, sendo que Gigi é o centro desta divertida, embora confusa, amalgama amorosa? Pois é, e é justamente isso que “Ele Não Está Tão a Fim de Você” faz, desenvolver uma trama deliciosamente embaraçosa, com personagens que encaram o amor das mais diferentes formas, desde o mais conservador ao mais liberal.

E é claro que há muitos outros filmes do gênero que optam por realizar uma abordagem bastante parecida com a acima mencionada, mas o bem da verdade é que o filme, muitíssimo bem dirigido por Ken Kwapis (que adota uma movimentação de câmera extremamente satisfatória aqui), conta com um roteiro inteligente que, na grande maioria dos casos, desenvolve suas estórias através de situações extremamente naturais, sem apelar às baboseiras artificiais que são utilizadas com excessiva frequência pela maioria das comédias românticas atuais. Aqui quase tudo soa natural, e a aproximação que sentimos para com os personagens faz com que o filme raramente se mostre enfadonho, cansativo ou desnecessário.

Raramente? Pois é, a comédia romântica em questão infelizmente não se mostra um perfeito exemplar do gênero, e apesar de estar infinitamente acima da média em que os filmes atuais se encon
tram, revela-se enfadonha, cansativa e desnecessária em alguns poucos momentos, sobretudo quando cai no erro de desenvolver personagens demais ao mesmo tempo. Se a trama batesse em cima apenas de Gigi, Alex, Anna, Ben, Janine, e, até mesmo, Connor, que, dentre os demais citados, revela-se o menos interessante, o resultado teria sido muito mais satisfatório e já se revelaria um instigante estudo de personagens, mas infelizmente o roteiro conta com uma certa megalomania por parte de seus escritores, que optam por inserir algumas figuras que nada acrescentam à trama. Refiro-me a Beth, Neil e Mary (que conta com a gag mais engraçada de todo o filme (quando ouve duas mensagens em sua secretária eletrônica que a fazem mudar de humor terrivelmente, de uma hora para outra), mas ainda assim não diz ao certo a que veio), que, além de pouco interessantes, protagonizam estórias que não acrescentam uma carga dramática realmente necessária à obra, e o que é pior, atrapalham no desenvolvimento das outras tramas que, de fato, tornam este filme um atraente exemplar de um dos gêneros mais decadentes da sétima Arte, a comédia-romântica.

Em suma, “Ele Não Está Tão a Fim de Você” não é, definitivamente, um perfeito exemplar do gênero cinematográfico que optou seguir. Seu excesso de personagens atrapalha, e muito, o desenvolvimento daqueles que realmente são dignos de uma abordagem mais ampla. O filme, porém, conta com uma trama deveras cativante, uma direção eficiente, uma edição bastante dinâmica que, na maior parte dos casos, alterna muito bem entre uma estória e outra, e, acima de tudo, revela-se um instigante estudo sobre os relacionamentos amorosos modernos, repletos de seus vai-e-vem e de suas crises neuróticas. As estórias aqui são, em sua maioria, protagonizadas por figuras dramáticas excessivamente atraentes e jamais aderem ao melodrama barato e piegas a fim de atrair a atenção do espectador. E é claro que é muito importante sabermos também que, todas estas qualidades, tornam-se ainda mais amplas quando o elenco mostra-se bastante concatenado entre si (exceto Ben Affleck que, como sempre, está péssimo), fazendo com que todos os atores sintam-se muito a vontade com os seus respectivos papéis, proporcionando uma sensibilidade ainda maior aos seus personagens.

Enfim, uma comédia romântica não Alleniana que conseguiu se destacar com mérito diante das demais.

Obs.: Antes que alguém questione sobre o final feliz que citei na crítica objetiva deste filme e não citei aqui neste texto, devo mencionar que, se não o fiz, foi a fim de evitar o uso dos desagradáveis spoilers que tornariam-se indispensáveis nesta situação.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Sessão Nostalgia – parte 2 : "A Primeira Noite de um Homem" (1967)

O ano era 2006,ou o final de 2006.Lembra daquela lista que a AFI fez em 1997 elegendo os cem melhores filmes norte americanos?Bem,”A Primeira Noite de um Homem” estava em sétimo lugar,e sem assistir o filme,Ricardo falava mal dele,não apenas mal,mas muito mal,ridicularizava,era inaceitável uma comediazinha romantica ocupar tal posição (oh época que se seguia as listas hein?).

Dizem que filmes bons em TV aberta passa apenas de madrugada,e em dezembro de 2006 passava na Globo,eu preferi virar para o canto e dormir,mesmo estando e férias.Em janeiro de 2007 acabei alugando o filme,apenas para quase completar de ver o TOP 10 da AFI (ainda faltava Lawrence da Arábia).Bem,digo aqui que nunca em minha vida eu estive tão enganado a respeito de um filme como estive em “A Primeira Noite de um Homem”

Em 1967 o filme de Nichols provava de uma vez por todas que comédia romântica não é sinônimo de filmes banais e que assusntos como adultério,envolvimento com pessoas mais jovens e busca pela liberdade poderia ser colocado com um humor afiado e não crítico,e ainda fazendo rir…bem antes de Meg Ryan banalizar as comédias românticas com suas porcarias,Nichols faz um oposto de seu filme anterior “Quem tem Medo de Virginia Woolf?” e cria um ambiente leve,porém Nichols também faz igual ao seu filme anterior e arranca ótimas atuações do elencoBenjamin é um persongame singular,talvez o mérito não tenha sido de Dustin Hoffman,em inicio de carreira,que se saira mal nos testes,mas mesmo assim fez o filme,ou talvez tenha sido…mas o persongem tem uma tragetória magnífica durante todo o filme.Indo do garoto sufucado pelos pais e a sociedade,proucupado e ansioso por um futuro incerto,passando pelo jovem que aprendeu a viver de verdade,com a ajuda da inesquecível Senhora Robinson (e suas maravilhosas pernas),ele muda o penteado de cabelo,aprende a fumar,começa uma vida só a diversão,confronta os pais e muda sua rotina e chegando ao louco apaixonado que finalmente acha um objetivo na vida…objetivo com nome e sobrenome: Elaine Robinson.Ao contrário do que se pensaria,Ben é sim um personagem complexo,o desenvolvimento dele acontece de maneira tão sutil que aos menos atento passaria despercebido

“A Primeira Noite de um Homem” conta com algo impressionante,diria uma das 20 melhores direções que o cinema já viu em sua história. Mike Nichols se apresenta como gênio em criar sua estória,ele aplica sua experiência com o teatro adquirida pelos anos de carreira e sua experiência com o cinema adquirida em seu primeiro filme,”Quem tem Medo de Virginia Woolf?” e cria algo original,revolucionário e novo. Os movimentos de câmera são fantásticos,Nichols a posiciona nos lugares mais inusitados e diferentes,pega os ângulos mais inacreditáveis de seus personagens e faz movimentos muito interessantes,e o melhor,nenhum posicionamento de câmera está lá apenas por estar,todos tem sua finalidade diferente,a exemplo de quando Ben vê Senhora Robinson nua no quarto,ele vira a cara,o rosto dela não é mostrado,então em rápidos movimentos mostra partes do corpo dela,como se Ben olhasse se rapidamente se lembrasse do proibido,outra posição é quando Ben está na roupa de mergulho e se percebe ali toda a limitação do persongem,ele não houve e não vi muito mais do que aquilo,apenas obdece (e depois dessa cena ele decide proucurar Senhora Robinson),cena fantástico se da quando Ben vê que perdeu Elaine e a câmera começa a se afastar da Senhora Robinson.Nichols foi magnífico,e engana-se quem acha que ele foi apenas um diretor técnico,o principal responsável por impedir que os personagens caiam em caricaturas foi ele,e quando o roteiro,mesmo com todos os diálogos afiados,ameaça desandar e a personagem mais incrível do filme é esquecida,é Nichols quem segura toda a sua obra prima

Chegamos a personagem mais incrível do filme,seria clichê começar a resenha falando dela,o ícone máximo e uma das melhores coisas que “A Primeira Noite de um Homem” deixou para o cinema,me refiro a uma das maiores personagens,a inesquecível Senhora Robinson.Anne Bancroft e Mike Nichols junto construiram uma das melhores vilãs que o cinema já viu,e diria sem exagero que os pontos mais altos do filme é quando a sensual mulher está presente.É Senhora Robinson sim,ela não tem um primeiro nome e nem faz questão de revelar,a mulher casada que seduz Ben de maneiras incríveis
“Senhora Robinson,está tentando me seduzir?”
“Não tinha pensado nisso”

Os melhores diálogos estão com ela e ela responsável pelas duas mudanças que acontece na vida do nosso protagonista,é ela que mostra um mundo mais sexo e drogas,ela o seduz em cenas hilárias e diálogos inesqueciveis,como na primeira vez de Ben
“- Você não está esquecendo de nada?”
“-Eu queria falar que estou gostando de tudo isso e…”
“-Ben,eu me referia ao número do quarto”
Ben entra no quarto e o arruma de maneira discreta.Ela entra e acende a luz,e quando ele a beija,ela solta uma baforada de fumaça…cenas assim constroem o humor de “A Primeira Noite de um Homem” e fazem da Senhora Robinson um ícone do cinema.A mulher que fuma um cigarro atras do outro: liberdade!!!E se Benjamim tem a segunda mudança em sua vida,onde decide levar a sério o relacionamento com a filha da Senhora Robinson,ela se mostra “bem desagradável” e é muda novamente a vida dele. Ela é na verdade a estrela do filme

Tão protagonista quanto a Senhora Robinson são as músicas cativantes que tocam ao longo do filme,dando um toque especial para o mesmo.”A Primeira Noite de um Homem” não marcou apenas o cinema,mas como também minha vida,é fabuloso,engraçado,foge do simplório e criou verdadeiros ícones e referências,um filme obrigatório

Amigos, Amigos, Mulheres à Parte – * de *****

Estive pensando em utilizar esta pré-crítica para falar mal do título nacional conferido ao filme, uma vez que “A Garota de Meu Melhor Amigo” seria muito mais condizente com a obra em si do que o título que fora atribuído à mesma aqui no Brasil. Contudo, se assim o fizesse, estaria adotando esta atitude pela milésima vez apenas neste ano. Visto isso, comentarei a estranha expectativa que “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte” causou-me logo em seu início. Sábado fui ao Shopping Center de minha cidade (Jaú, Centro-Oeste paulista) conferir o novo “007” (série pela qual nutro um carinho especial, haja visto que a mesma colaborou imensamente para a minha formação como cinéfilo) e após o término desta sessão optei por assistir a um outro filme: “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”. Confesso que não esperava absolutamente nada do filme, mas logo em seu início cativei-me com o mesmo, apesar dos clichês que este poderia vir a ter caso mantivesse a mesma posição mostrada em seu primeiro ato. A comédia então muda de rumo, foge de alguns clichês que poderia vir a ter, mas infelizmente torna-se pior do que seria caso mantivesse a proposta apresentada em seu início. Moral da história: nem sempre é uma idéia inteligente fugir dos clichês de um determinado gênero cinematográfico, conforme o leitor poderá conferir na crítica a seguir.

Ficha Técnica:
Título Original: My Best Friend’s Girl.
Gênero: Comédia Romântica.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.mybestfriendsgirlmovie.com/
Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 101 minutos.
Diretor: Howard Deutch.
Roteirista: Jordan Cahan.
Elenco: Dane Cook (Tank), Kate Hudson (Alexis), Jason Biggs (Dustin), Alec Baldwin (Prof. Turner), Diora Baird (Rachel), Lizzy Caplan (Ami), Riki Lindhome (Hilary), Mini Anden (Lizzy), Hilary Pingle (Claire), Nate Torrence (Craig), Malcolm Barrett (Dwalu), Taran Killam (Josh) e Faye Grant (Kerrilee).
Sinopse: Dustin (Jason Biggs) é um rapaz tímido e retraído que ama Alexis (Kate Hudson), uma jovem bonita e meiga. Contudo, a moça, antes de assumir um relacionamento sério com o rapaz, pretende conhecer outros homens e adquirir mais experiência. A fim de fazer com que Alexis perceba que homens iguais a ele está cada vez mais difícil de se encontrar, Dustin pede para que o seu amigo Tank (Dane Cook) faça o que ele mais sabe fazer: conquistar o coração de pobres garotas e, logo em seguida, desprezá-las ao máximo. O plano dá certo, contudo, inexplicavelmente Alexis passa a nutrir um certo amor por Tank (apesar de considerá-lo um idiota), que passa a fazer sexo casual com a garota.

My Best Friend’s Girl – Trailer:

Crítica:

Quando “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte” teve o seu início, por um motivo que não sei dizer exatamente o porquê, me senti cativado com o mesmo. A impressão que tive foi a de que iria presenciar uma comédia romântica clichê, formulaica e previsível, mas, de certa forma, agradável. E por mais que eu seja um cruzado na luta contra os clichês cinematográficos, devo dizer que não julgo que um filme que conte com uma enxurrada deles deva ser automaticamente taxado de filme ruim (vide “O Procurado”, por exemplo).

Francamente, não me importo que um filme conte com alguns chavões, contanto que este saiba utilizar os mesmos para produzir algo decente, convincente e favorável a si mesmo. É o caso de “O Pai da Noiva” (refilmagem do clássico homônimo de 1950), com Steve Martin e Diane Keaton, por exemplo. O longa de 1991 conta com inúmeros clichês, mas se revela um passatempo divertido e atraente para toda a família. Por algum motivo, que não sei explicar ao leitor exatamente o qual seria, esperava isso deste “Amigos, Amigos…”: uma comédia bobinha, nada original, mas suficientemente agradável, destes típicos filminhos tolos onde o mocinho fica com a mocinha no desfecho e todos os espectadores saem do cinema com um parvo sorriso sem dentes, imaginando que a vida não é tão cruel o quanto parece ser e que no final tudo pode dar certo. Infelizmente estava enganado.

Logo no início da película somos apresentados ao casal Dustin (Jason Biggs) e Alexis (Kate Hudson). O primeiro, um jovem tímido, inseguro e, apesar do filme não explorar muito bem isto, aparentemente intelectual (digo isso levando em conta que o mesmo é vegetariano e as pessoas que seguem este padrão alimentar geralmente são dotadas de um intelecto acima do normal). A segunda, uma garota bonita, extrovertida, meiga, dotada de alguma inteligência, mas que mostra uma certa insegurança ao tomar suas decisões (ao contrário do que o filme pretende demonstrar durante o seu desenrolar, ela não é nem um pouco segura e decidida). Dustin ama Alexis e a garota sabe disso, no entanto, a mesma prefere manter um relacionamento apenas amigável com o rapaz até perceber que está matura o bastante para assumir um compromisso mais sério (no momento, a mesma estava apenas “ficando” com um colega de trabalho).

Analisando o parágrafo supra, pode-se previamente concluir que o longa irá investir nas tentativas de Dustin conquistar o coração de Alexis e que, no final, ambos viverão felizes para sempre. Isto é original? Nem um pouco, é fato, mas ainda assim cativei-me com a possível premissa do filme. Talvez seja porque tenha me interessado pela maneira como o roteiro preocupou-se em explorar de modo convincente os personagens logo em seu intróito, ou talvez seja porque tenha me cativado com as atuações de ambos os atores (podem atirar pedras em mim, mas creio que os dois se saíram muito bem), mas o mais provável é que eu tenha me identificado com a situação em que o rapaz se encontrava: estar apaixonado por uma grande amiga sua que sabe que seria feliz ao seu lado, mas que por um motivo muito estranho acaba se interessando por um colega de trabalho que ele julga ser um perfeito idiota (e de fato, o é. A propósito, é incrível (e revoltante, diga-se), vermos como as mulheres se interessam por caras completamente idiotas, não?).

A trama se desenvolve, toma outra rumo. Alexis desiste do “ficante”, Dustin faz uma outra tentativa, a garota insiste que precisa adquirir mais experiência, o jovem elabora um plano para fazer com que a mesma perceba que homens iguais a ele são raros hoje em dia. O personagem de Biggs decide então pedir para que o seu melhor amigo e companheiro de quarto Tank (Dane Cook) faça o que ele melhor sabe fazer: conquistar o coração de uma mulher, no caso Alexis, e depois despreza-la o máximo que puder. A partir daí a trama passa a caminhar de modo extremamente absurdo (existe coisa mais absurda do que pedir para o melhor amigo conquistar o coração da amada e depois despreza-la, fazendo-a notar que são raros os homens decentes no mundo?), mas não restam dúvidas de que o carisma e os trejeitos adotados por Cook acrescentam, e muito, à produção (podem atirar pedras em mim novamente).

O roteiro muda completamente o seu foco. O interessante Dustin deixa de ser o protagonista da trama, fazendo com que a mesma perca muito de sua força, mas ao menos passa a atribuir tal função a um personagem cuja irreverência e mal-caráter acabam cativando o público quase tanto o quanto o seu melhor amigo o fazia. Contudo, acontece o previsto, Tank sai com Alexis, prova a esta que é um tremendo de um imbecil egoísta, mas por algum motivo extremamente artificial, a garota passa a amar e odiar o rapaz simultaneamente, almejando manter com este um relacionamento descompromissado, fazendo apenas sexo casual com o mesmo.

A esta altura a trama já extrapola os limites do absurdo e do ridículo. Alexis, que se mostrava uma mulher contida, inexplicavelmente se torna uma, com o prévio perdão da palavra, biscate (peguei pesado, não? Desculpem, mas foi inevitável). O filme que aparentava ser uma comédia romântica redondinha, contendo apenas piadas corretinhas (salvo uma ou outra), vira um berço de piadas relacionadas a sexo. O que eu tenho contra estas piadas? Nada, absolutamente nada, contanto que sejam bem feitas e funcionem. Vide “Superbad- É Hoje!” para se ter uma idéia do que estou falando. O filme funciona muito bem justamente por ser um aglomerado de gags “sujas” e imorais, contudo, é correto afirmar que o roteiro do longa funciona muito bem com tais piadas. O mesmo não acontece com este “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”.

Mantendo a pretensão de ser engraçado e divertido o tempo todo, o único resultado que o longa consegue obter com o seu humor politicamente incorreto é apresentar ao leitor situações cômicas que já foram utilizadas de maneira parecida em filmes similares a este. Sendo assim, seqüências como as que Tank, durante uma aula de televendas, conversa com Alexis pelo telefone imaginando tratar-se de uma cliente insatisfeita, ou uma outra em que o mesmo leva uma moça evangélica à uma pizzaria que satiriza a Santa Ceia, provocando total repúdio à jovem (esta, aliás, uma cena deliciosamente imoral e que apenas eu, que sou ateu fanático, ri no cinema), se mostram raros exemplos de piadas que realmente funcionam bem.

Mas o longa, infelizmente, reservou o seu pior para o final. Após descobrir que Alexis está começando a se apaixonar por ele (e ele por ela), Tank, durante a festa de casamento da irmã da garota, decide bolar dez motivos para fazer com que a mesma definitivamente se esqueça dele. Aí o filme descamba de vez para um humor assumidamente pastelão e sem a menor graça, além de se mostrar nojento, imbecil e sexualmente apelativo. Nem mesmo a composição de Dane Cook (que até então vinha se revelando interessante e natural), nem mesmo o carisma de Alec Baldwin (que aparece na película interpretando um personagem altamente dispensável) e nem mesmo a boa impressão que o filme havia nos causado em seu início (graças às características de seu pré-protagonista (se é que este termo existe e pode ser bem empregado nesta parte do texto) Dustin, que simples e injustamente é abandonado pelo roteiro durante o desenrolar do mesmo e só volta no terceiro ato, da maneira mais insatisfatória o possível), se revelam capazes de salvar o filme do desastre total.

Pois é, nem sempre é uma boa idéia um filme desviar-se de seu foco inicial a fim de fugir da previsibilidade que este poderia conferir no final da trama. Na pior das hipóteses (que é o que acaba acontecendo neste “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”), o roteiro acaba fugindo de um desfecho convencional para cair em um outro quase tão convencional quanto, e o que é pior, aborrece o espectador e se mostra obrigado a aderir à mudanças de caráter para lá de artificiais a todos os seus protagonistas (nem mesmo o contido Dustin acaba escapando de tal mutação inconveniente proporcionada pelo roteiro, conforme o espectador poderá confirmar na cena inserida após o desfecho do filme).

Uma pena, em seu início aparentava ser um filme suficientemente divertido e agradável, apesar de tolo. Em seu desfecho, no entanto, revelou-se uma produção apenas tola, e nada mais.

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

Crítica – A Primeira Noite de um Homem

Comédias Românticas definitivamente não me atraem. Trata-se de um gênero recheado de piadinhas forçadas e de estereótipos. É a típica “estorinha” (no sentido mais pejorativo o possível da palavra) onde a mocinha ama o mocinho que está envolvido com a vilã “duas caras”, mas no final a vilã é “desmascarada” e mocinho e mocinha vivem felizes para sempre. Uma comédia romântica extremamente diferente destas é esta “A Primeira Noite de um Homem” que, apesar de se aprofundar demais em um romance que não tem tanta importância para o resultado final do filme e de iniciar de maneira muito rápida e artificial o romance que realmente importa, conta com um estudo bem amplo de seus personagens, que são para lá de interessantes, além do excelente senso de humor que possui. Um filme que ficou aquém de minhas expectativas, mas ainda assim, uma obra de Arte.

Título Original: The Graduate
Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1967
Estúdio: Embassy Pictures Corporation
Distribuição: Embassy Pictures Corporation
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Calder Willingham e Buck Henry, baseado em livro de Charles Webb
Produção: Mike Nichols e Lawrence Turman
Música: Dave Grusin e Paul Simon
Direção de Fotografia: Robert Surtees
Desenho de Produção: Richard Sylbert
Figurino: Patricia Zipprodt
Edição: Sam O’Steen
Elenco: Dustin Hoffman (Benjamin Braddock), Katharine Ross (Elaine Robinson), Anne Bancroft (Sra. Robinson), William Daniels (Sr. Braddock), Murray Hamilton (Sr. Hamilton), Elizabeth Wilson (Sra. Braddock), Brian Avery (Carl Smith), Walter Brooke (Sr. McGuire), Norman Fell (Sr. McCleery), Alice Ghostley (Sra. Singleman) e Richard Dreyfuss (Hóspede do hotel).

Sinopse: Após se formar na faculdade, Benjamin Braddock (Dustin Hoffman) retorna para casa. Indeciso quanto ao seu futuro, ele acaba sendo seduzido por uma amiga de meia-idade (Anne Bancroft) de seus pais. Mas na verdade ele está interessado é na filha (Katharine Ross) dela.

The Graduate Trailer

Crítica:

Logo após sair de um avião que acabara de pousar, o lento e desinteressante trajeto realizado por um rapaz através de uma esteira automática é acompanhado pelas magníficas câmeras de “Mike Nichols”. Durante este trajeto, absolutamente nada acontece, a não ser algumas pessoas que passam ao lado do indivíduo cabisbaixo, inexpressivo e cheio de incertezas, sem nem ao menos notarem o sujeito. Aparentemente a cena não tem praticamente nada de interessante, a não ser é claro, a música “The Sound of Silence” e a perfeita direção de “Nichols” conforme já fôra citado. Contudo, é com o passar do tempo que o espectador conclui que tal cena retrata, na realidade, a vida medíocre e insossa do protagonista. Um rapaz cuja existência se resumiu a estudar, consumir bens materiais que não lhe trouxeram nenhuma satisfação pessoal, receber proteção exacerbada por parte dos pais e é claro, conviver em um mundo onde pessoas entram e saem de sua vida, deixando um inconfortável vazio na mesma. São cenas como esta que transformam “A Primeira Noite de um Homem” em uma comédia romântica incrivelmente superior às demais produzidas atualmente. Apesar de não ser um filme perfeito, como é considerado por muitos, o longa brilhantemente dirigido por “Nichols” (uma das melhores e mais revolucionárias direções de todos os tempos, diga-se) apresenta críticas a vários estereótipos encontrados nos anos 60. Temos aqui a retratação de uma sociedade hipócrita onde maridos não dão atenção às esposas por pensarem apenas em negócios, mulheres solitárias que decidem trair seus esposos com a primeira pessoa inocente que aparecer em sua frente e, principalmente, jovens que passam a vida toda sendo pajeados materialmente pelos pais e são lançados ao mercado de trabalho sem ter certeza de nada do que querem. Infelizmente o longa se estende excessivamente ao retratar o inusitado romance do protagonista com a famosíssima Sra. Robinson (Bancroft, sedutora) e inicia de maneira muito artificial o romance entre Ben (Hoffman, perfeito) e Elaine (Ross, linda e meiga).

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

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