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Gran Torino – ** de *****

Conforme prometido no texto de “Watchmen – O Filme” estarei aderindo agora a textos mais dinâmicos e sucintos, embora, nem tão aprofundados quanto os que escrevia antes. Comecei, ou melhor, voltei a utilizar esta técnica de escrita no momento oportuno, haja visto que voltei a lhe empregar justamente ao comentar sobre “Gran Torino”, o filme mais vazio de Clint Eastwood que já tive o desprazer de assistir. E francamente, o que se pode dizer de um filme tão vazio quanto este, em um texto enorme de 1.500 (este aqui teve apenas 879, ou seja, pouco mais da metade) palavras? Creio que ficaria enrolando até eu mesmo dizer: “chega”. Enfim, antes que eu comece a enrolar nesta pré-crítica, vamos ao texto (e aproveite bem, porque agora você poderá lê-lo sem perder mais do que cinco minutos de seu atribulado cotidiano).

Ficha Técnica:
Título Original: Gran Torino.
Gênero: Drama.Tempo de Duração: 116 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.grantorino.com.br/
Nacionalidade: EUA / Austrália.
Direção: Clint Eastwood.
Roteiro: Nick Schenk, baseado em estória de Dave Johannson e Nick Schenk.
Elenco: Clint Eastwood (Walt Kowalski), Bee Vang (Thao Vang Lor), Ahney Her (Sue Lor), Christopher Carley (Padre Janovich), Brian Haley (Mitch Kowalski), Geraldine Hughes (Karen Kowalski), Dreama Walker (Ashley Kowalski), Brian Howe (Steve Kowalski), William Hill (Tim Kennedy), John Carroll Lynch (Martin), Brooke Chia Thao (Vu), Scott Eastwood (Trey) e Doua Moua (Spider).

Sinopse: Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um veterano de guerra que lutou na Coréia e agora se tornou um velho ranzinza e solitário, graças ao seu gênio difícil, sua visão extremamente conservadora e o preconceito que nutre pelos vizinhos, estrangeiros em geral. Tal preconceito aumenta ainda mais quando vê Thao (Bee Vang) tentando furtar o seu carro, um Gran Torino modelo 1972. Com o passar do tempo, no entanto, o velho vai notando o quão agradáveis e gentis os seus vizinhos podem ser e, na tentativa de quitar a desonra que tem para com Walt, Sue (Ahney Her) avisa ao ex-militar que o irmão está disposto a ajudá-lo em seus serviços de reparador. A partir daí o jovem garoto aprende um ofício e passa a ter alguma perspectiva na vida, tomando Walt como modelo. A calmaria acaba quando uma gangue passa a ameaçar a vida dos vizinhos e Walt decide interferir de modo direto na situação.

Gran Torino – Trailer:

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Crítica:

Não há nada mais previsível do que uma releitura cinematográfica (e é importante mencionar, apesar de ser bastante evidente, que releitura não é a mesma coisa que refilmagem, como é o caso de “Conflitos Internos” e “Os Infiltrados” ou “Yojimbo, o Guarda Costas” e “Por um Punhado de Dólares”), sendo que o resultado óbvio é que o filme atual raramente conseguirá alcançar as qualidades de sua fonte de inspiração. Foi assim que aconteceu com “Beleza Americana” e “Foi Apenas um Sonho”, “Rocky – Um Lutador” e “Falcão – O Campeão dos Campeões” (e estabeleço esta relação aqui tendo em vista os protagonistas de ambos os filmes, e não as obras em si), “Os Bons Companheiros” e “Profissão de Risco” (o segundo, na verdade, está mais para um plágio descarado do filme Scorsesiano), e até mesmo “Crimes e Pecados” e “Match Point” (que é um ótimo filme, mas perde bastante força se comparado ao primeiro). Agora Clint Eastwood chega aos cinemas com este “Gran Torino”, que nada mais é do que uma clara releitura do ótimo “Menina de Ouro”. O resultado? Fracasso.

O leitor certamente se lembra do velho fastidioso Frankie Dunn do vencedor do Oscar® de 2005, não? Pois é, ele praticamente está de volta em “Gran Torino”, só que sob o nome de Walt Kowalski e ainda mais caricato do que o treinador de boxe. Além de acordar de mau humor e ir dormir da mesma forma, o personagem de Eastwood é um veterano extremamente conservador que lutou na Guerra da Coréia e, para anunciar a sua “ranhetice”, acredite, chega a rosnar durante boa parte do filme. Mas o estereótipo não pára por aí, não. Kowalski, além de abrir a boca apenas para murmurar, é extremamente preconceituoso, jamais altera a expressão carrancuda e o olhar ameaçador, cospe no chão a todo o instante e cumprimenta os seus amigos íntimos mediante a insultos. Ou seja, ele nada mais é do que uma versão extremamente amadurecida de Dirty Harry, só que muito (e ponha muito nisso) mais caricato.

O filme começa com uma trama que envolve violência e ameaça entre membros de gangue. O drama então se desenvolve e passamos a testemunhar tentativas de furto de carro, preconceitos vindo à tona e, por fim, redenção por parte de todos os personagens. Aqueles que se odiavam agora se amam e tentam viver em harmonia, ajudando uns aos outros, de um modo que você já viu em muitos outros filmes do gênero. E é claro que a falta de originalidade não consistiria necessariamente em uma grave falha caso o longa conseguisse, ao menos, nos envolver com a sua trama, mas a verdade é que esta é muito rasa, bem como a química estabelecida entre os seus protagonistas. Eastwood está novamente no papel de “mestre”, um velho rabugento tentando passar, a uma pessoa bem mais jovem do que ele, tudo o que sabe sobre uma determinada profissão, trazendo assim esperança a quem não a via durante muito tempo. Lembrou-se do filme protagonizado por Hillary Swank? Pois é, é inevitável a alegoria. “Gran Torino”, por sinal, é uma produção que conta com quase tantos clichês quanto “Menina de Ouro”, com a diferença de que este último envolvia e emocionava o espectador, e o segundo não.

Não bastasse tudo isso, a direção de Eastwood é burocrática demais (nunca pensei que diria isso algum dia em toda a minha vida) e confere à trama um ritmo excessivamente lento e cansativo. O roteiro inicia investindo demais em personagens que serão simplesmente abandonados na trama, durante o desenrolar desta (o Padre Janovich é um exemplo disso, já que ele aparece muito no começo do filme, mas simplesmente some durante o segundo ato inteiro, voltando apenas no terceiro ato, e para ser sincero, ele nem diz ao certo a que veio, salvo, é claro, para proferir filosofias baratas e dispensáveis sobre a vida e a morte), e a intenção do longa em apresentar críticas ferrenhas ao preconceito racial é discrepante ao extremo, já que o filme cai na própria armadilha ao sugerir que as gangues estadunidenses são, em sua maioria, compostas por negros e asiáticos (ou teria o leitor notado a presença de algum caucasiano fazendo parte de tais grupos criminosos?).

Ao menos o filme tem um terceiro ato extremamente satisfatório. O anticlímax criado pelo roteiro é mais do que justificado, uma vez que o sacrifício do protagonista e a sua postura passiva são mais do que convenientes, tratam-se de uma atitude deveras arguciosa por parte do roteiro, que foge do convencional e dá um “chega pra lá” nas fitas de ação que mostram o protagonista realizando uma carnificina inteira, sozinho, sem quaisquer tipos
de auxílio (ao menos, é claro, que você acredite que partir pra porrada resolva tudo na vida). Talvez isso justifique alguns dos clichês empregados pelo longa durante os seus dois primeiros atos, mas ainda assim, não é o suficiente para emergir o filme do visível e gigantesco oceano de insignificância no qual ele mergulhou e permanecerá mergulhado pelo resto de sua existência.

Pena, vindo de um cineasta responsável por “Cartas de Iwo Jima”, “A Troca”, “Sobre Meninos e Lobos” e, até mesmo, “Menina de Ouro” (que lhe conferiu um Oscar), era de se esperar algo muito mais profundo do que uma obra da densidade de um pires.

Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

Watchmen – O Filme – **** de *****

Enfim, o dramalhão mexicano “Missão: Watchmen – O Filme” teve o seu fim, e adivinhem só, como em um grande chavão da teledramaturgia da terra da tequila (ahhhh, a tequila, que saudades da tequila!), teve um final feliz. Sim, um “happy end”. Por que? Oras, porque adorei o filme, achei-o muito, muito bom, com uma ressalva ou outra. Enfim, o leitor poderá conhecer a minha opinião lendo a crítica abaixo, que ficou imensa diga-se. A propósito, preciso reduzir o tamanho de meus textos, não? Sim, e tenham certeza de que a próxima crítica que eu escrever (provavelmente será a de “Gran Torino”, que deverá sair amanhã ou no domingo), será consideravelmente menor que esta. Agora, um aviso aos chatos de plantão (e até mesmo amigos pessoais meus que convivem comigo dia a dia, fisicamente): se vocês acham meus textos longos demais e é difícil arrumar tempo e, acima de tudo, paciência para lê-los inteiramente, façam o seguinte: leiam apenas o último parágrafo. Lá faço um resumo do texto inteiro (e não só deste texto, mas de todos os outros que publico por aqui). Dado o recado, vamos à crítica.

Ficha Técnica:
Título Original: Watchmen.
Gênero: Drama / Ficção Científica.
Tempo de Duração: 163 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.watchmenofilme.com.br/
Nacionalidade: EUA / Inglaterra / Canadá.
Direção: Zack Snyder.
Roteiro: Alex Tse e David Hayter, baseado em graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons.
Elenco: Malin Akerman (Laurie Juspeczyk / Espectral), Billy Crudup (Jon Osterman / Dr. Manhattan), Matthew Goode (Adrian Veidt / Ozymandias), Jackie Earle Haley (Walter Kovacs / Rorschach), Jeffrey Dean Morgan (Edward Morgan Blake / Comediante), Patrick Wilson (Dan Dreiberg / Coruja), Carla Gugino (Sally Jupiter / Espectral), Matt Frewer (Edgar Jacobi / Moloch), Stephen McHattie (Hollis Mason / Coruja), Laura Mennell (Janey Slater), Rob LaBelle (Wally Weaver), Gary Houston (John McLaughlin), James M. Connor (Pat Buchanan), Mary Ann Burger (Eleanor Clift), John Saw (Doug Roth), Robert Wisden (Richard Nixon), Jerry Wasserman (Detetive Fine), Don Thompson (Detetive Gallagher), Frank Novak (Henry Kissinger), Ron Fassler (Ted Koppel), Greg Armstrong-Morris (Truman Capote), J.R. Killigrew (David Bowie), John Kobylka (Fidel Castro), Glenn Ennis (Justiceiro Encapuzado), Dan Payne (Dollar Bill), Salli Saffioti (Annie Leibovitz), Darryl Scheelar (Capitão Metrópolis), Brett Stimely (John F. Kennedy), Carrie Genzel (Jackie Kennedy), Chris Gauthier (Seymour), Steven Stojkovic (Mick Jagger), Greg Travis (Andy Warhol), Apollonia Vanova (Silhouette), Chris Weber (Oficial O’Brien), Lori Watt (Mãe de Rorschach), Frank Cassini (Marido de Sally Jupiter), Clint Carleton (Hollis Mason – jovem), Haley Guiel (Laurie Jupiter – 13 anos), Jaryd Heidrick (Jon Osterman – jovem), Mike Carpenter (Moloch – jovem) e Eli Snyder (Rorschach – jovem).

Sinopse: Com a aprovação de uma lei em 1977, que determina que o combate ao crime organizado não poderá mais ser realizado através de pessoas mascaradas nomeadas de “Watchmen”, vários super-heróis perdem o emprego e o prestígio que possuíam há pouco tempo atrás. Alguns deles ficam loucos, outros tornam-se marginais foragidos da justiça, outros passam a trabalhar para o governo e, a maioria, simplesmente se aposenta e passa a levar uma vida normal. A calmaria é quebrada, contudo, quando um destes ex-super-heróis, o Comediante (Jeffrey Dean Morgan), é assassinado. Seu antigo colega, Rorschach (Jackie Earle Haley) entra em cena e passa a investigar o ocorrido. As investigações, a princípio, não são levadas a sério pelos outros ex-membros da equipe: Espectral (Malin Akerman), Coruja (Patrick Wilson), Dr. Manhattan (Billy Crudup) e Ozzymandias (Matthew Goode), mas após uma tentativa de assassinato deste último, todos optam por dar mais atenção a Rorschach. Todos, exceto os próprios Manhattan e Ozzymandias, que encontram-se extremamente ocupados trabalhando para o governo estadunidense na defesa do país contra possíveis ataques nucleares russos.

Watchmen – Trailer:

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Crítica:

Quem for ao cinema esperando de “Watchmen – O Filme” uma adaptação de HQ convencional certamente dará com os burros n’água. O filme, felizmente, vai muito além disso, mas muito além mesmo. Não espere encontrar aqui situações como as que a mocinha indefesa, que passa a metade da projeção berrando “help!”, é salva no final pelo aguerrido herói que utiliza os seus super poderes para tal. Também não espere encontrar por aqui heróis altruístas, de caráter ilibado e moral inquestionável que se unem para salvar o mundo. Ops… esperem um pouco… em “Watchmen” os protagonistas se unem, de uma forma ou de outra, para salvar o mundo, não é mesmo? Bem, em parte sim, em parte não, e é aí que residem as maiores qualidades do filme. Os questionamentos de certos personagens sobre o porquê de salvar uma raça tão execrável e pútrida quanto a raça humana dá um tom extremamente distanciado entre a obra de Zack Snyder e os demais filmes de heróis convencionais.

Abrindo o longa com uma batalha mortal entre o super-herói alcunhado de “O Comediante” e um indivíduo mascarado, logo vemos o primeiro sendo derrotado e, consequentemente, morto pelo segundo. A seguir, o filme parte para os créditos iniciais e acompanhamos a projeção dos mesmos sob o som mais do que conveniente de “The Times They Are A-Changing” de Bob Dylan. Ao fundo, vemos uma sequência de imagens mostrando os tempos gloriosos de uma trupe de super-heróis que passaram por momentos marcantes na história dos EUA, variando desde a Segunda Grande Guerra até o início dos anos 1980, marcado pela mais execrável era da humanidade: a era “yuppie”. E é justamente quando nos lembramos da morte do Comediante (recentemente projetada na telona) que percebemos o quão sincronizada é a sucessão de imagens com a música de Dylan, que anuncia que os tempos estão mudando. E de fato, estão mesmo, afinal de contas, onde está o poder dos super-heróis que, outrora, eram imbatíveis e, agora, passam a ser exterminados um a um?

Este é o primeiro questionamento que “Watchmen” levanta acerca de seus personagens e, já de cara, nos anuncia que não será mais uma, dentre tantas outras, adaptações de HQ. “Watchmen” não é apenas um filme de super-heróis, mas sim um filme de super-heróis que amargam a aposentadoria. E se para muitos (inclusive para este que vos escreve, que não vê a hora de encerrar a sua carreira convencional e dedicar-se apenas à crítica cinematográfica, mas até lá restam mais de quarenta anos) este período da vida se revela o melhor dentre os demais, para outros este período se revela o fim de sua glória profissional. Quantos filmes, principalmente adaptações de HQ, você já assistiu que o levaram a tais questionamentos? Pouquíssimos, não? Pois é. Mas o longa não pára por aí. De forma alguma, ele vai muito além.

Quando os créditos se encerram e o filme toma a sua continuidade a partir da morte do Comediante, passa a entrar em cena então a averiguação do assassinato deste. Surge então um personagem extremamente fascinante e misterioso. Seu nome é Rorschach. Ele tem como uma de suas principais habilidades a capacidade de passar pelas pessoas sem nem ao menos ser notado. Rorschach utiliza estes dons para investigar a morte do ex-colega. Neste momento, o longa adota uma deliciosa estrutura de filme noir, tomando por ba
se a fotografia extremamente escura, a narração “in off” e a falta de perspectiva com a qual o personagem encara a vida. Ele não admite o fato de ter sido simplesmente “desligado”, assim como os outros “Watchmen”, do governo estadunidense. Sua aposentadoria forçada e o seu “exílio” são por ele encaradas como uma ingratidão por parte das pessoas pelas quais se esforçou tanto para auxiliar no passado. Isso pode ser muito bem testemunhado por nós na cena onde narra: “A imundice acumulada de todo o sexo e homicídio subirá até as cinturas, e todas as prostitutas e políticos olharão para cima e gritarão: “salve-nos!”, e eu vou sussurrar: “não!”.”

Aliás, frases de impacto, como a supracitada, é o que não falta no filme. Muito pelo contrário, diria que até sobram. Vide o diálogo entre o próprio Rorschach e o Coruja, por exemplo. O segundo diz: “Você deveria tentar levar uma vida normal.” e o primeiro retruca: “É isso o que você tem agora? Uma vida normal? Quando você anda pelas ruas de uma cidade morrendo de hidrofobia e passa pelas baratas humanas falando de heroína e pornografia infantil, você realmente se sente normal?”, o interlocutor ainda insiste: “Pelo menos eu não estou me escondendo atrás de uma máscara.” e Rorschach encerra: “Não, você está se escondendo abertamente.”. E não pára por aí não. Outro diálogo de forte impacto é um onde o mesmo Coruja protagoniza com o Comediante: “Onde está o sonho americano?”, pergunta o primeiro, e o segundo responde enquanto atira em um grupo de manifestantes desarmados: “Você está olhando para ele!”.

Hum, espere aí! Citei o Comediante novamente, não? Sim, e sabem o que isso prova? Que ele não é apenas um recurso dramático adotado pelo filme a fim de iniciar uma investigação sobre o seu homicídio. Muito pelo contrário, o Comediante é um verdadeiro “Watchmen” e o desenvolvimento dele se revela tão imprescindível à trama como o de seus ex-colegas. Quando vemos o monstro que o alter-ego de Edward Morgan Blake era, logo deixamos de sentir pena pela morte do mesmo. O herói, que está mais para anti-herói, era um sujeito reacionário, cruel, impulsivo, e que via no emprego da violência um preenchimento para a sua vida. Blake estupra colegas de trabalho, se embriaga com frequência e atira em mulheres que carregam consigo um filho dele mesmo. E sabem o que é o melhor disso tudo? Ele o faz sem soar caricato (e muito disso deve-se à fenomenal atuação de Jeffrey Dean Morgan), pois sempre age de modo natural, e não almejando anunciar a sua crueldade através dos atos mais abomináveis o possível. O Comediante nos inspira ódio, nos inspira repulsas. Ele não é um herói, mas sim um inimigo da liberdade, assim como a grande maioria dos policiais e militares também o são, meros “porcos fardados”.

Tendo em vista o parágrafo supra, o que seriam então os Watchmen, haja visto que quase todos eles possuem um caráter quase tão reacionário quanto o de Blake? Os Watchmen não são heróis, mas sim a imagem xerocada do sistema político estadunidense. Representam a hipocrisia que permeia a Terra do Tio Sam, o uso de violência para combater a violência. São conservadores de extrema direita que fingem defender o povo, quando, na verdade, atacam ferozmente o mesmo (a mesmíssima coisa que policiais e militares o fazem). E aí o filme nos levanta outra questão: será que se as pessoas tivessem super poderes elas os utilizariam para o bem, conforme mostram a grande maioria das HQs? Ou se uniriam ao governo e, sem nem ao menos se darem conta, os utilizariam de forma repressora e anti-libertária, assim como policiais e militares o fazem (no caso, os super poderes destas classes escravagistas… digo… trabalhistas, são resumidos à autoridade delas)?

Inclusive um dos personagens mais sensatos da trama revela-se extremamente cruel diante de toda a sua racionalidade. Refiro-me ao mais complexo membro dos Watchmen: o poderoso Dr. Manhattan, cujo excesso de razão o transforma em uma pessoa insensível e sem o menor senso de piedade para com os seres humanos (vide a sequência no Vietnã onde o excelente “Apocalypse Now” é homenageado sob o som de “A Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner (que é tão adorada por mim que a coloco no celular para despertar-me todas as manhãs), por exemplo). E até mesmo com os amigos mais próximos a frieza emocional de Manhattan soa assombrosa, como vemos na cena onde ele não faz nada para impedir que uma garrafa rasgue a face do Comediante (e nesta mesma cena ele se mostra passivamente cruel ao não impedir que o anti-herói atire em seu desafeto) ou quando toma uma terrível atitude contra o amigo Rorschach no final do filme.

E o vilão, faz jus aos demais personagens? Sim, e ratificamos isto em uma frase dita por ele mesmo: “___ Não sou um simples vilão de gibi”. E, de fato, não é mesmo. O seu plano é fascinante, instigante, maravilhoso. Ao mesmo tempo em que se embasa em ideais altruístas, se revela um tanto o quanto desumano. Contudo, o que ele acaba realizando é, na verdade, um mal necessário. A propósito, o final da trama pode ser bastante anticlimático aos espectadores que estão acostumados com um filme mais redondinho (e volto a bater na tecla, se você não gosta de filmes de super-heróis que fogem bastante do convencional, talvez não nutra a mesma paixão que eu nutri por “Watchmen – O Filme”), já que está longe de ser um “happy end” (mas também está longe de ser um “unhappy end”).

Enfim, falei muito bem do filme até o momento (utilizei 1500 palavras para tal!!! Preciso reduzir meus textos.) o que significa que ele é uma produção “nota 10,0” ou um longa “cinco estrelas”, correto? Errado. Como de praxe, deixei as falhas para o final. Dediquei noventa por cento desta crítica para descrever os personagens do filme e o leitor, a essa altura, já sabe que os considero o grande trunfo da obra de Snyder, correto? Sim. Contudo, é extremamente irônico que, se por um lado as maiores qualidades de “Watchmen” residam na grande maioria de seus personagens, por outro lado os maiores defeitos do filme possam ser encontrados na minoria deles. Dois deles, para ser mais exato. Quais são? Coruja e Espectral.

Poderia começar mencionando que o romance entre ambos é exacerbadamente previsível, mas não o farei. Há outras características contidas nos dois que incomodam muito mais do que o singelo relacionamento amoroso deles: a falta de profundidade na caracterização de ambos. Se Comediante, Rorschach e Manhattan são fortes o bastante para “segurarem” o filme tranquilamente, Coruja e Espectral não são. Ambos são rasos demais e não contam com características realmente fortes a ponto de nos cativar, assim como vem a ser o caso dos outros três previamente citados. Quando estão juntos então, a situação piora. E sabe quando as coisas conseguem piorar ainda mais? Quando o roteiro opta por conferir importância demais a ambos. Seja franco, tirando o corpo maravilhoso da heroína (que fica de bunda de fora durante uma cena! Aêêê! Ops, sou assexuado, deixe-me conter.), o belo rosto da mesma, sua bela voz, ou quaisquer outros atributos diretamente ligados à beleza de Espectral, você conseguiu guardar (caso já tenha assistido ao filme, é claro) alguma outra característica da moça ao término da sessão (exceto, é claro, se levarmos em conta a surpreendente ligação dela com o Comediante, que é revelada ao final da trama)? E, sinceramente, acredito que a caracterização da personagem só não consegue ser mais insossa do que a péssima atuação da lindíssima Malin Akerman.

O que dizer do Coruja, então? Tirando os óculos de visão noturna e o resto da aparelhagem (que perde feio para os equipamentos do Batman e, principalmente, dos X-Men) dele, o que sobra (e não entrarei no mérito da beleza do ator pois homens não me atraem nem um pouco, ou seja, mesmo sendo assexuado, ainda tenho uma

Diário de um Pároco de Aldeia – **** de *****

Já assisti a quase todos (ou seria todos?) os filmes de Robert Bresson durante a minha adolescência e na época não era lá um grande fã de filmes de Arte, logo, não posso arriscar que nota daria a tais produções neste exato momento. Resolvi então reassistir a todas estas obras novamente, começando pelo que menos havia me chamado a atenção na época. Refiro-me a este “Diário de um Pároco de Aldeia”. Nessa segunda “visitada” ao longa, adorei-o incondicionalmente, mas ainda assim encontrei bastantes falhas que me incomodaram muito durante a projeção. Vamos conferí-las mais abaixo?

Crítica:

Se você nunca assistiu a “Dogville” e pensa o fazer em algum dia de sua vida, aconselho que antes assista a este ótimo “Diário de um Pároco de Aldeia”. Por que? Porque há muitas semelhanças entre um e outro. Assim como em “Dogville”, no filme de Robert Bresson (um dos cineastas franceses mais influentes de todos os tempos) o protagonista é um recém chegado em um vilarejo que passa a ser maltratado pela população local. Assim como em “Dogville”, o protagonista de “Diário…” é um homem com uma forte ligação divina (vale lembrar que muitos cinéfilos e críticos de Cinema, inclusive este que vos escreve, encaram a protagonista Grace do longa de Lars von Trier uma espécie de reencarnação de Jesus Cristo). Entretanto, há uma diferença muito grande entre “Dogville” e “Diário”: o primeiro critica a crueldade humana, mas em doses milimetricamente medidas, o segundo faz o mesmo apelando a exageros altamente dispensáveis.

No longa em questão, todas as pessoas são inexplicavelmente cruéis e fazem o possível e o impossível para destruir a vida do jovem padre (uma cidade onde padres não são bemvindos? Onde fica?! Onde fica?! Quero me mudar para lá!), transformando-a em um verdadeiro inferno (não almejo fazer trocadilhos aqui). O protagonista, por sua vez, revela-se o cumulo do indivíduo “coitadinho”. O cara que veio ao mundo para sofrer. Parece até que estamos diante de um dramalhão mexicano, onde o caráter estoicista de seu personagem principal chega a nos causar nauseas. Ele sofre de uma terrível doença, seu estomago não suporta refeições mais pesadas do que pão e vinho e, para complicar ainda mais, tem uma fascinação por adorar pessoas que o odeiam e tentar muda-las através da palavra de Deus.

Aí o filme se desenvolve e muda de figura. O pároco, que tanto falava de Deus, passa a questionar a existência Dele. A partir deste momento a obra ganha uma força incrível e deposita nos diálogos o seu principal atrativo. “Diário de um Pároco de Aldeia” passa então a ser mais do que um mero filme, revela-se uma sucessão de diálogos magistrais e filosóficos que tecem personagens altamente complexos com fortíssimas opiniões formuladas sobre a existência de Deus, resignação (o dialogo do protagonista com a Condessa é um dos momentos máximos do Cinema Francês), culpa, morte, felicidade (preste atenção na conversa que o pároco tem com o jovem motoqueiro próximo ao desfecho da trama) e muito (mas muito mesmo) mais. Como se não bastasse, tais diálogos, além de profundos, são proferidos de um modo ríspido, seco e imprevisível.

Robert Bresson também é um dos grandes responsáveis pelo sucesso de “Diário…”. Pode-se dizer que o diretor falha apenas quando emprega várias vezes a trilha-sonora que, individualmente analisada, se mostra belíssima, mas no contexto geral da obra se mostra extremamente maniqueísta. No mais, o mestre francês, auxiliado pela fotografia bela e, ao mesmo tempo, sorumbática quando utilizada em campos abertos, e angustiante quando empregada em lugares fechados, confere um grau de sensibilidade incrível ao filme, como raramente temos a oportunidade de ver nas produções atuais.

A criação de ângulos também conta muitíssimos pontos a favor de Bresson. Vide o modo como ele posiciona a câmera em um campo aberto e, ao mesmo tempo em que capta a beleza natural do local, dá ênfase também ao enorme vazio emocional presente no mesmo, algo que acaba representando o vilarejo de uma forma geral. Os “close ins” que o diretor realiza no rosto do protagonista também aumenta a carga dramática da trama, uma vez que a tristeza e as expressões pesadas e amarguradas do mesmo passam a condizer com o local onde a trama se passa, o que confere um clima mais pesado ao filme.

E falando em expressões, que grande atuação a de Claude Laydu, não? Contudo, não é a expressividade do ator que realmente conta pontos para o seu trabalho, mas sim o olhar do mesmo (que é muito mencionado durante o filme). Lembram de Al Pacino em “O Poderoso Chefão – Parte II”, cujo personagem era extremamente inexpressivo, mas armazenava todas as suas emoções (sobretudo a raiva e a cobiça) em seu olhar? Pois é, aqui Laydu faz a mesma coisa, mas os sentimentos demonstrados através de seus olhos são a ingenuidade e a autopiedade. Os demais atores também se saem muito bem e merecem destaque, bem como a direção de arte que cria os ambientes internos na medida certa, dando um toque a mais ao filme.

Não é necessariamente uma obra-prima, faltou pouco para tal, mas revela-se um filme muito acima da média.

Obs.: Se este é o filme de Bresson de que menos gostei em minha adolescência e, conferindo-o pela segunda vez, adorei-o com tanta intensidade, imagine então quando assistir a longas de que realmente gostei anteriormente, como é o caso de “O Batedor de Carteiras”, “O Dinheiro”, “Ladies of the Bois de Bologne”, “Four Nights of a Dreamer”, “Trial of Joan of Arc”, “A Gentle Woman”, entre muitas outras produções cujo título nacional já nem me recordo mais?
Obs. 2: Para o cineasta soviético Andrei Tarkovski, este é o melhor filme a que ele já assistiu. Exagerado, é verdade, mas enfim…

Avaliação Final: 8,3 na escala de 10,0.

M – O Vampiro de Dusseldorf – **** de *****

O Oscar acabou e a partir de então volto, com muitíssima satisfação (e os(as) senhores(as) nem imaginam o quão gigantesca vem a ser tal satisfação), a assistir, analisar e publicar análises de filmes clássicos, sobretudo, clássicos de origem não-estadunidense. Recomeço com este “M – O Vampiro de Dusseldorf “, clássico absoluto de um dos meus cineastas prediletos, o magistral Fritz Lang. A minha intenção era recomeçar com “O Diário de um Pároco de uma Aldeia”, de Robert Bresson, cujo trabalho não confiro a um bom tempo (vergonha!), mas não encontrei este filme para locar em lugar algum. Fiquei com “M…”, que revelou-se um ótimo filme, sem dúvidas, mas se não fosse por todo o glamour que possui (afinal de contas, é o “pai” dos filmes noir e dos suspenses com assassinos seriais) certamente sua fama seria bem menor. Ah, boa notícia, consegui o VHS de “O Diário de…” com um amigo meu, terça ou quarta-feira que vem o assisto e o comento.

M – O Vampiro de Dusseldorf (M, 1.931, dirigido por Fritz Lang) – **** de *****

Crítica:

O leitor já deve ter assistido a algum(ns) filme(s) de suspense onde o assassino da trama nos é apresentado através de uma sinistra sombra projetada na parede, não? Também já deve ter assistido a algum(ns) outro(s) filme(s) de suspense onde o diretor realiza uma tomada aérea para filmar várias escadas que formam diversos quadrados simetricamente alinhados, não? Certamente já deve ter assistido a algum(ns) outro(s) filme(s) em que observamos um grupo de policiais sentados em uma mesa, discutindo um caso intrincado, enquanto soltam fumaças de cigarros e charutos com a mesmíssima frequência que fazem as chaminés de uma indústria, não? Se a resposta para todas as três perguntas (ou duas delas que seja… ou uma… tanto faz) for: sim (o que é bem provável), seria interessante que o leitor soubesse que todas as cenas previamente citadas são oriundas do clássico de Fritz Lang: “M – O Vampiro de Dusseldorf”. Aliás, não só estas cenas são originárias do filme em questão, como também o subgênero suspense serial-killer também o é. Logo, filmes como “O Silêncio dos Inocentes”, “Se7en – Os Sete Crimes Capitais”, e é claro, os clássicos de Hitchcock, nem sequer existiriam se não fosse pela obra de Lang.

E falando no maior gênio da história do Cinema alemão, não restam dúvidas de que o trunfo de “M…” reside justamente em seu trabalho como diretor. Lang capta a alma do filme, confere suspense na dose certa ao mesmo, realiza enquadramentos mais do que excelentes (vide a sequência em que o cineasta realiza uma tomada aérea e filma um grupo de pessoas cercando o assassino, antes deste enconder-se em um prédio), utiliza a técnica dos “closes in” e “closes out” magistralmente (note o modo como ele “passeia” pelo esconderijo de um grupo de bandidos enquanto estes encontram-se sentados à mesa), enfim, o filme é dois terços de Lang, ou melhor, do diretor Lang. E o outro terço? O outro terço pertence ao próprio Lang, mas o Lang roteirista, que junto de sua esposa Thea von Harbou realiza um complexo estudo sobre a mente psicótica de seu protagonista, o serial-killer alcunhado de M (aliás, a dramaticidade envolvida na cena do julgamento é algo fora do comum).

O longa falha, no entanto, por ser frio demais durante os seus dois primeiros atos. E tal frieza não seria necessariamente ruim caso “M…” mantivesse este ritmo até o final, mas não é o que acontece. Infelizmente, ao chegar em seu desfecho, o pai dos filmes noir se amedronta e tenta nos trazer um final humanista e sensibilizado demais, algo que não soa bem em uma película que demonstrou-se extremamente racional até então. Um final muito simples (coloque-se no lugar das mães e pense se você realmente tomaria tal atitude), para um filme muito complexo. De qualquer forma, “M – O Vampiro de Dusseldorf” é uma obra obrigatória na “bagagem” de qualquer pessoa que se diga cinéfila, não apenas por ser um dos principais filmes da brilhante carreira de Fritz Lang, ou por apresentar um interessantíssimo debate sobre a pena de morte, mas também por ser a grande fonte de inspiração dos suspenses sobre assassinos em série e, é claro, o berço do Cinema noir.

Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.

Valsa Com Bashir – **** de *****

Outro filme do Oscar que não tinha tido tempo de assistir até então. Contudo, “Valsa com Bashir” faz parte do ciclo de filmes “undergrounds” que passaram pelo Teatro Kodak, contudo, este continha algo em especial: era uma animação que vinha como a grande favorita para a conquista do Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A derrota do mesmo foi o acontecimento mais inesperado da noite. Muitos (inclusive o Radamés (que vez ou outra posta alguma coisa por aqui) e eu) apontaram a crise no Oriente Médio como a principal agravante, outros já apontaram o fato do filme “The Class” estar ganhando muito ritmo e, na disputa de votos com “…Bashir”, ambos acabaram abrindo espaço para “Departures” faturar o prêmio. Há quem diga também que o preconceito da Academia para com os gêneros: animação e documentários, prevaleceu, e por isso o filme israelense ficou de mãos abanando. Enfim, não assisti aos demais filmes que concorriam a essa categoria, mas digo sem medo de errar foi um ótimo filme e se revelou melhor do que a grande maioria dos filmes que concorreram a quaisquer outras categorias no Oscar.

Crítica:

Muito provavelmente a “carta na manga” de “Valsa Com Bashir” seja o fato desta ser uma produção israelense que critica a própria política israelense. Quando acompanhamos o noticiário, por mais imparcial que este tente ser, sempre assistimos a matérias que apontem o povo do Estado de Israel como os “mocinhos” da estória. Eles são judeus e por isso são perseguidos, por isso são esnobados pelos países árabes, por isso estão sempre envolvidos em conflito bélicos. Isso é o que muitas pessoas pensam sobre Israel: eles também estão errados, mas os outros, ah, os outros estão muito mais. Tanto é que a própria Terra do Tio Sam, juntamente com outros países ocidentais e organizações como a Freedom House, oferecem apoio direto a Israel. Tendo em vista tudo o que mencionei no parágrafo acima, não restam dúvidas de que assistir a uma produção que vá de encontro às opiniões da grande maioria da população mundial é, na pior das hipóteses, interessante, não? Melhor ainda é ver que esta mesma produção é proveniente do berço de tais discussões. Aí, o filme torna-se imperdível. E é isso mesmo o que “…Bashir” é, um filme imperdível.

Polêmica, cruel e realista, a animação deve ser conferida por todos, sobretudo atualmente, onde o Oriente Médio passa por uma complicadíssima crise diplomática. Só isso já faria com que “…Bashir” valesse uma bela de uma espiada. A direção de Ari Folman, por sua vez, consegue reduzir ainda mais os empecilhos entre o espectador e o valor do ingresso. Cada centavo gasto para assistir ao longa israelense é válido, e não apenas pelos motivos que supracitei, mas também pelo modo como o diretor “brinca” com a câmera. Logo na sequência de abertura do filme, vemos o mesmo realizar “close outs” de uma cidade suja. Em seguida, dezenas de cachorros saem de uma rua congruente à que a câmera está posicionada e começam a correr acompanhando a mesma, que filma magistralmente as expressões raivosas dos animais. A cena é muito bem dirigida e Folman já de cara nos dá uma amostra do que viria fazer mais para a frente.

A cena se encerra, descobrimos que tudo aquilo era, na verdade, um sonho do protagonista. Em seguida nos é revelado que o mesmo era um ex-combatente do exército israelense e, a fim de curar este trauma, procura um amigo, que também já servira às forças armadas de Israel e agora é cineasta (e, por sinal, este amigo é o próprio diretor e roteirista do filme: Ari Folman). O amigo aconselha que o protagonista Ron Ben-Yishai procure algumas outras pessoas que combateram ao seu lado e peça os relatos das mesmas, a fim de esclarecer mais a sua memória, uma vez que, inexplicavelmente, Yishai esqueceu-se de muitas lembranças que tinha da guerra.

O filme então torna-se deveras atraente e passa a alternar entre passado e presente. Conforme Yishai vai entrevistando os seus ex-colegas, ele vai reconstruindo em sua mente aquele período terrível de sua vida. Algumas subtramas extremamente interessantes vão sendo relatadas, como a cena em que o sobrevivente de um conflito no Líbano se vê obrigado a nadar vários quilômetros para escapar com vida, ou a própria sequência que dá título ao filme, quando um personagem pega uma metralhadora e começa a disparar tiros para todos os lados, rodopiando em ângulos de trezentos e sessenta graus, dando a impressão de estar dançando uma valsa bem em frente a um gigantesco pôster de Bashir Gemayel (mais adiante realizarei um breve comentário sobre o mesmo). Outra sequência que merece ser comentada neste parágrafo é uma perto do início, quando soldados, dentro de tanques de guerra, passam a disparar tiros para todos os lados, mesmo não havendo inimigos para serem atingidos. Eis que um sujeito questiona “___ Por que você não está atirando? Comece a atirar!” e o outro pergunta: “___ Atirar em quem?”, “___ Não sei, apenas atire!”, responde o interlocutor. É a neurose das guerras tomando conta de seus participantes ativos.

E quanto a Bashir Gemayel? Quem seria ele? O filme peca por não explorar mais o personagem que lhe deu o título, bem como peca por não explorar os fatores que levaram Israel a interferir na Guerra Civil Libanesa. Bashir foi um dos mais renomados e importantes comandantes das Falanges Libanesas (e isso podemos constatar em uma das poucas cenas do filme que realmente exploram-no, quando um soldado israelense diz: “___ Ele representava para eles (os Falangistas) o quê David Bowie representava para mim”). Se elegeu presidente do Líbano em 1.982 (um ano antes de meu nascimento), apoiado pelo Estado de Israel, mas fora morto em um atentado terrorista palestino antes mesmo de assumir o cargo. O resultado? Um massacre total por parte do exército israelense, com o auxílio dos Falangistas (até então liderados por Bashir Gemayel) em cima dos palestinos. Aproximadamente 3.500 pessoas faleceram, sendo a maioria, como não poderia deixar de ser, pessoas inocentes. O longa, por sua vez, consegue captar toda a crueldade presente naquele massacre, e não há como negar que este revela-se o clímax do mesmo.

É estranho, no entanto, que o filme encontre as suas maiores falhas logo em sua segunda metade, que é justamente quando encontra os seus maiores acertos. Se é nessa parte do longa que podemos conferir o supracitado massacre e uma entrevista para lá de polêmica onde um dos entrevistados afirmam que Ariel Sharon tinha ciência do massacre e não se incomodou muito com o mesmo, é nela também que o filme imerge de vez em uma estrutura inteiramente documental. O que eu tenho contra documentários? Nada, pelo contrário, os adoro, mas em “… Bashir” a jogada definitivamente não funciona. Em primeiro lugar, do ponto de vista técnico a animação se mostra muito falha nas cenas em que exibem os personagens falando. A movimentação labial destes é extremamente artificial e não convencem. Em segundo lugar, analisando agora do ponto de vista artístico, a carga dramática do filme cai um pouco a partir do momento em que adota a estrutura documental. Um documentário tende sempre a ser bastante realista e, em uma animação, este grau de realismo não consegue ser atingido em sua plenitude. Faltam expressões por parte dos entrevistados que realmente nos cativem, nos convençam de que eles sentem pelo o que realmente aconteceu.

De qualquer forma, “…Bashir” é um ótimo filme (melhor do que 90% das produções lançadas comercialmente em 2008), mas longe de ser intocável como muitos dizem.

Avaliação Final: 8,5 na
escala de 10,0.

Três Macacos – ***** de *****

Assistir a “Três Macacos” é, para mim, uma experiência extremamente nova. Ao escrever sobre o majestoso “Os Sete Samurais” reconheci que não conhecia o cinema asiático tão bem quanto gostaria de conhecer. Agora, se eu não tinha muita afinidade com o Cinema asiático oriundo do Japão, imagine então com o Cinema asiático oriundo do Oriente Médio. E para ser ainda mais específico, imagine o meu grau de relação para com o Cinema Turco. O quê? A Turquia não faz parte do Oriente Médio? Ok, realmente não faz, mas a parte asiática do país, alcunhada de Anatólia, faz divisa com a região, logo, é mais do que esperado que os filmes provenientes do país euro-asiático tenham uma ou outra característica em comum com as obras do Oriente Médio, sobretudo as provenientes do Irã. E, ao menos pelo que pude constatar até então, este excelente filme de Nuri Bilge Ceylan tem muitas relações com alguns filmes iranianos a que já assisti (e confesso que também não foram muitos). Quais são estas características? Leia mais abaixo.

Ficha Técnica:
Título Original: Üç Maymun.
Gênero: Drama.
Ano de Lançamento: 2008.
Nacionalidade: Turquia.
Tempo de Duração: 109 minutos.
Direção: Nuri Bilge Ceylan.
Roteiro: Ebru Ceylan, Nuri Bilge Ceylan e Ercan Kesal.
Elenco: Yavuz Bingol (Eyüp), Hatice Aslan (Hacer), Rifat Sungar (Ismail), Ercan Kesal (Servet), Cafer Köse (Bayram) e Gürkan Aydin (A Criança).

Sinopse: uma família, a fim de cobrir certos pontos tenebrosos que atormentam o passado da mesma, decide não se comunicar mais entre si. Contudo, à medida em que o silêncio se prorroga, a crise familiar cresce cada vez mais, até ultrapassar todas as barreiras do insustentável.

Üç Maymun – Trailer:

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Crítica:

Assistir, comentar, analisar, interpretar ou realizar qualquer outra ação que esteja diretamente ligada a este “Três Macacos” é uma tarefa extremamente complexa. Assim como muitos filmes iranianos, esta obra do Cinema turco é Arte pura (e escrevo Arte com o “A” mais maiúsculo do que nunca). É o “cult” do “cult”, ou seja, Cinema Arte mais “Arte” do que isso, impossível. A estória é simples, simples demais. Os personagens são um pouco estereotipados. Mas mesmo assim, quem não tiver a sensibilidade artística necessária a fim de conseguir captar a essência da trama passará quase duas insuportáveis horas na poltrona do cinema assistindo a um filme desgraçadamente insosso.

“Três Macacos” exige um esforço terrível do espectador. Cobra deste uma postura mais ativa, mais participativa, ou seja, está longe de ser os típicos “blockbusters” estadunidenses onde você fica duas horas com o traseiro na poltrona, comendo pipoca e com o cérebro desligado (e nada contra os filmes comerciais, pois, por mais que Stanley Kubrick, Federico Fellini e Ingmar Bergman sejam os meus cineastas prediletos, comecei, assim como qualquer outro pobre mortal, a “flertar” com o Cinema assistindo a Steven Spielberg, George Lucas e, até mesmo, Michael Bay).

O foco do longa reside em uma família aparentemente simples: pai, mãe e filho. Mas há algo extremamente errado acontecendo com eles. Alguma coisa impede que a família seja verdadeiramente feliz. O que seria essa “coisa”? Um trauma do passado? A falta de afeto por parte dos membros que a compõem? O desvio moral dos protagonistas? Acredito que seja tudo isso somado a um principal aspecto: a falta de comunicação entre os familiares.

O título “Três Macacos” não poderia descrever melhor o que vemos na tela. Lembra-se daquele provérbio japonês em que um macaco era cego, o outro surdo e o terceiro mudo? Pois é, ele pode ser perfeitamente aplicado aqui, uma vez que o pai Eyüp (Yavuz Bingol) se faz de cego e finge não ver os problemas da família, a mãe Hacer (Hatice Aslan) se faz de surda e finge não escutar as reclamações dos demais famíliares e o filho Ismail (Rifat Sungar), por sua vez, se faz de mudo e guarda para si os seus próprios problemas. Uma simples reunião em família, com os três sentados em uma mesa, debatendo as diferenças de um para com o outro poderia mudar a situação em que os três se encontram, não? Sim, poderia, mas assim como muitos de nós, ocidentais, os protagonistas de “Três Macacos” parecem não ver necessidade alguma de se fazer tal coisa, desencadeando uma série de infelicidades presentes no ambiente famíliar que aparenta não mais ter fim.

“Três Macacos” acaba, de uma forma ou de outra, destrinçando o modo como a globalização afeta o cotidiano das pessoas nos locais mais inimagináveis. A frieza contida nas famílias estadunidenses (como podíamos ver em “Beleza Americana”, apenas para citar um exemplo) acaba sendo transportada a todos os lugares do Globo Terrestre, o que resulta em sociedades auto-reprimidas e indivíduos fechados e taciturnos que buscam uma felicidade alternativa através de adultérios, vícios da espécie do alcoolismo, ou o preenchimento existencial voltado à violência. Todos os protagonistas de “Três Macacos” são pessoas extremamente tristes, depressivas, e com um ódio recíproco para com os demais membros da família. É só reparar na música (excessivamente brega, diga-se) que Hacer coloca como toque principal de seu celular. Quando a ouvimos tocar pela primeira vez, ficamos sabendo logo de cara que a mulher nutre um ódio fora do comum pelo marido Eyüp, mesmo sem ele ter entrado em cena antes do ocorrido.

Mas o “plus” do filme reside mesmo na fantástica direção de Nuri Bilge Ceylan (justamente premiada com a Palma de Ouro de Melhor Direção, injustamente esnobada pelo Oscar que optou por concorrentes bem mais fracos). O diretor turco mostra tanto talento por trás das câmeras que, sinceramente, nem sei por onde começar a descrever o seu trabalho. Ou melhor, sei sim, que tal, obviamente, começarmos pelo começo? Uma das cenas que abrem este “Três Macacos” já nos presenteia com uma amostra do trabalho que o diretor viria a fazer mais para frente, durante o desenrolar do longa. Refiro-me à sequência da rodovia que abre o filme e quando Ceylan posiciona e fixa a sua câmera em um determinado ponto. Vemos então um carro emanar um forte lampejo vindo de seus faróis dianteiros e que se destaca da escuridão predominante na cena. Conforme o veículo avança o seu caminho, o brilho vai reduzindo consideravelmente até tornar-se um insignificante ponto de luz extremamente distante e desaparecer por inteiro. Essa sequência, em si, já resume o caminho o qual Ceylan irá adotar durante os minutos remanescentes do filme.

A técnica do “deep focus” é outro grande destaque da direção de “Três Macacos” e é sempre muito bem empregada por Nuri Bilge Ceylan, só que de uma maneira um pouco diferente da que fora utilizada por Orson Welles em “Cidadão Kane”, por Jean Renoir em “A Regra do Jogo”, por William Wyller em “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”, ou, para citar um exemplo bem mais atual, por Tony Gilroy em “Conduta de Risco”. Em “Três Macacos” o foco não é nece
ssariamente um personagem da trama, mas sim o “nada”. Isso mesmo, o “nada”. Aquele vazio supremo que assombra a vida das pessoas no mundo contemporâneo. Ceylan aplica com maestria a centralização de objetos inanimados e deixa os seus personagens em segundo plano, sem nunca os tirar de cena. Uma maneira bastante sutil de nos mostrar o quão vazias e desinteressantes estas pessoas o são, a ponto de nem ao menos merecerem um foco mais digno.

A criação de ambientes claustrofóbicos também é uma outra grande jogada de Ceylan. O novato (fez apenas cinco filmes até então), mas extremamente genial, diretor toma todas as devidas precauções para posicionar a sua câmera de um modo que faça com que nós, espectadores, nos sintamos espremidos e sufocados. O apartamento, que aparenta ser um agente agregador da família, é filmado como se fosse um vilão do filme, alguém que une os protagonistas, contra a vontade destes, e os deprimem com um estarrecedor silêncio que permeia a sofrível convivência entre eles. A moradia dos protagonistas está mais para uma prisão recheada com um ambiente extremamente depressivo do que para um lar em si.

Quando os personagens encontram-se fora do apartamento o filme emana um clima um pouco menos desconfortável, mas ainda assim repulsivo. Há uma sequência em especial que evidencia tudo isso, que é quando vemos Hacer e o político Servet (Ercan Kesal) em uma praia. Primeiramente, não há como não nivelarmos esta cena com algumas sequências de “Persona – Quando Duas Mulheres Pecam”, de Ingmar Bergman. Principalmente quando víamos, no filme sueco, as duas protagonistas na praia, focalizadas à longa distância. Porém, acredito que as semelhanças residam apenas no contexto visual da cena, e não no metafísico. É muito provável que a intenção de Ceylan seja mostrar o quão insignificantes nós, seres humanos, estamos nos tornando diante do ambiente que nos cerca. Somos espremidos por um ambiente fechado e minimizados por um ambiente aberto. Enfim, não somos nada, ou até menos do que nada, uma vez que o vazio parece ter maior importância do que nossas pessoas e nossos cotidianos insossos.

Realizando um complexo estudo sobre os terríveis problemas que a falta de comunicação pode trazer aos cotidianos familiares, “Três Macacos” peca (se é que posso dizer desta forma) somente na utilização de alguns pequenos estereótipos (pai alcoólatra, mãe infiel, filho “perdido”) e ao conferir melodrama demais a algumas cenas contidas em sua segunda metade (e é uma pena que o protagonista Eyüp rompa o silêncio algumas vezes, sendo que o mesmo revelava-se muito mais perturbador do que as suas discussões, em alto e bom som, com Hacer e o filho Ismail). Nada que faça com que o longa deixe de ser um primor da sétima Arte, principalmente no que diz respeito à direção de Nuri Bilge Ceylan, que confere ao drama a sensibilidade mais do que adequada para que ele funcione corretamente, além de empregar técnicas semelhantes às adotadas por grandes cineastas como Orson Welles, Jean Renoir, Ingmar Bergman e William Wyler a fim de aumentar o impacto visual e metafísico de sua obra. E se a Globalização levou males aos países orientais a ponto de criar famílias neuróticas como as que vemos aqui, ao menos ela teve um ponto positivo no que diz respeito à Arte: permitiu com que cineastas europeus e estadunidenses criassem influências diretas sobre inúmeros profissionais asiáticos, possibilitando com que os mesmos se responsabilizem por grande parte dos melhores filmes cult de Arte lançados contemporaneamente.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

Força Policial – * de *****

Muitas vezes já utilizei este espaço dedicado à pré-crítica para esculhambar os títulos nacionais conferidos às produções estrangeiras, contudo, não me lembro de ter feito o mesmo com o título original de uma determinada obra. Faço-o então agora com este “Pride & Glory” (gargalhadas). Em primeiro lugar, creio que nem preciso comentar a falta de criatividade, não? Em segundo lugar, o que dizer deste ‘titulozinho’ medíocre, ‘marqueteiro’ e megalomaníaco? Sim, pois dá a entender que a produção trata-se de um épico de guerra, não? E o que o orgulho e a glória tem em comum com a corrupção policial? Ah sim, claro, o filme insinua que um oficial da polícia nova-iorquina deveria sentir orgulho e glória de seu serviço. Mas oras, o correto não é que todos nós deveríamos sentir orgulho e glória de nossas profissões? Analisando por este prisma, então todo o filme que aborde uma profissão, seja ela qual for, deveria se chamar “Orgulho & Glória”, não? Mas o título não é ao todo ruim, ao menos ele ilustra bem certas qualidades da obra que nomeia: um filme imaturo e megalomaníaco.

Ficha Técnica:
Título Original: Pride & Glory.
Gênero: Policial.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.prideandglorymovie.com/
Nacionalidade: Estados Unidos / Alemanha.
Tempo de Duração: 130 minutos.
Direção: Gavin O’Connor.
Roteiro: Joe Carnahan e Gavin O’Connor, baseado em estória de Gavin O’Connor, Robert Hopes e Greg O’Connor.
Elenco: Edward Norton (Ray Tierney), Colin Farrell (Jimmy Eagan), Jon Voight (Francis Tearney, Sr.), Noah Emmerich (Francis Tearney, Jr.), Jennifer Ehle (Abby Tierney), John Ortiz (Sandy), Frank Grillo (Eddie Carbone), Shea Whigham (Kenny Dugan), Lake Bell (Megan Egan), Carmen Ejogo (Tasha), Manny Perez (Coco Dominguez), Wayne Duvall (Bill Avery), Ramon Rodriguez (Angel Tezo), Rick Gonzalez (Eladio Casado), Maximiliano Hernández (Carlos Bragon), Leslie Denniston (Maureen Tierney), Hannah Riggins (Caitlin Tierney), Carmen LoPorto (Francis Tierney), Lucy Grace Ellis (Bailey Tierney), Ryan Simpkins (Shannon Egan), Ty Simpkins (Matthew Egan), Flaco Navaja (Tookie Brackett), Raquel Jordan (Lisette Madera), José Ramón Rosario (Prefeito Arthur Caffey), Christopher Michael Holley (Detetive Miller), Jessica Pimentel (Angelique Domenguez).

Sinopse: Após quatro policiais serem assassinados, Francis Tierney (Jon Voight), chefe dos detetives da polícia de Nova York, pede para que o filho Ray (Edward Norton) volte a trabalhar em seu departamento e o ajude com as investigações. O rapaz reluta a princípio, mas aceita o pedido do pai e passa a investigar o caso ao lado do irmão Francis Tearney, Jr. (Noah Emmerich) e do cunhado Jimmy Eagan (Colin Farrell).

Pride & Glory – Trailer:

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Crítica:

“Força Policial” (e, no final das contas, o título nacional do filme se mostra quase tão estúpido quanto o título original) está sendo “vendido” a nós, brasileiros, como o “Tropa de Elite” estadunidense. Falácia! Não acredite em um segundo sequer da campanha publicitária deste lixo imundo! Se “Tropa de Elite” conseguia nos transmitir perfeitamente aquilo que estava sendo exibido nas telas, adotando para tal uma estrutura semi-documental levemente parecida com um filme produzido durante o neo-realismo italiano, “Força Policial” tenta (e esta foi uma das tentativas mais frustrantes da história da sétima Arte, diga-se) o fazer plagiando quase todos os filmes do gênero produzidos recentemente.

E sei que já virou clichê falar de clichês em uma crítica cinematográfica, mas aqui não há como fugirmos disso, uma vez que o filme copia vários elementos de outros filmes policiais. Temos espaço para o policial extremamente competente que trabalha em um departamento cujas atividades encontram-se bem aquém de suas aptidões investigativas. Há também um drama familiar envolvendo este mesmo policial, que viu-se obrigado a se separar da mulher que ama por causa do trabalho (e francamente, ele deveria ser eternamente grato ao trabalho por faze-lo abandonar um “trabuco” da categoria de sua ex-esposa. Bom, ao menos eu, se estivesse no lugar dele, seria. Ou melhor, se realmente estivesse no lugar dele, nem ao menos me envolveria com um “canhão” daqueles), a família inteira que trabalha na polícia (pai, filhos e, acredite, até o genro), o protagonista que mora em um barco ancorado no cais local, o pai que pede ao filho que volte a trabalhar lado a lado com ele, a trama se desenrolando durante o período natalino, os narcotraficantes oriundos de países latino-americanos (e nem preciso comentar o teor preconceituoso disso, não é?), dentre muitos (mas muitos mesmo, vocês irão ficar até atordoados com a enxurrada de clichês contida no roteiro de “Força Policial”) outros chavões.

O modo como o roteiro aborda os seus personagens soa exacerbadamente superficial. O protagonista então dispensa comentários, até mesmo porque eles já foram feitos no parágrafo supra. Mas e quanto aos demais personagens? Um mais fútil que o outro. Temos o pai de família que faz de seu serviço algo glorioso e tenta o passar para os filhos, que decidem seguir a carreira profissional do progenitor, temos também o genro que é chefe de uma família perfeitamente moldada no “american way-of-life” e se envolve com a corrupção a fim de dar uma vida melhor aos filhos e à esposa, o irmão do protagonista que é um homem correto e honesto, mas que não delata os companheiros por uma questão de coleguismo e… podemos parar por aí? Ah não, acredito ser conveniente falarmos também sobre os narcotraficantes latino-americanos. O quê? Já citei-os acima? Sim, mas não me lembro de ter comentado que os mesmos seguem o estereotipo do criminoso cruel que resolve tudo “na bala”. Pior ainda é notarmos que os fora-da-lei são sempre estúpidos, a ponto de deixar uma pista ou uma testemunha a todo o momento em que cometem uma infração.

E falando na idiotice dos bandidos de “Força Policial”, creio que todo o membro da policia adoraria que os criminosos realmente fossem assim, não? Pois é, seria o trabalho mais fácil do mundo, ao menos é o que o filme deixa a entender conforme mostra as investigações sendo executadas. Veja o momento em que o personagem de Edward Norton (e o que ele está fazendo neste filme, uma vez que nunca atuou em uma obra tão exposta ao ridículo como esta?) entrevista um garoto latino-americano (e, sinceramente, não sei qual é a vantagem de seu personagem saber falar espanhol se, após um minuto de interrogação, o protagonista pergunta: “Sabe falar inglês?”, e passa a comunicar-se com os entrevistados apenas no idioma oficialmente falado na Terra do Tio Sam), por exemplo. Ray vai à testemunha certa, na hora certa, e consegue as informações certas. Pois é, falar que o roteiro é extremamente artificial neste ponto torna-se dispensável, não é mesmo? Principalmente se levarmos em conta que o próprio “script” se denuncia quando o protagonista comenta: “___ Foi apenas sorte!”.

Bem, pode até ter sido um golpe de sorte, de fato, e isso não teria problema algum caso o longa tivesse parado por aí mesmo. Mas não é o que acontece, o roteiro insiste em criar mais cenas artificiais como esta, tornando-se muito comum vermos bandidos exageradamente descuidados a ponto de deixarem celulares próximos ao local do crime e testemunhas que veem tudo o que aconteceu e contam para a pol
ícia logo em seguida (a propósito, só em um filme imbecil como este conseguimos ver testemunhas tão fáceis de se interrogar e dispostas a contar tudo o que sabem, mesmo que isto lhes custe a vida). E francamente, juro (e juro mesmo, não estou exagerando) que pensei que em um determinado momento do filme os bandidos fossem cometer um crime e logo em seguida pendurar, em uma parede próxima ao local do incidente, luminosos com os seguintes dizeres: “Me chamo Fulano da Silva, tenho 1,80m de altura, sou negro e matei este homem porque vendi a ele mais de dez mil dólares em cocaína e o desgraçado não me pagou a quantia. Caso queiram me localizar basta procurar-me na Rua dos Pinheiros, número 1234, apartamento 27, ao lado do boteco do Zé do Pires e de frente para a Funerária Lá Vai Mais Um. Estarei com uma camiseta regata vermelha com o emblema do Flamengo e com uma caixa de cereais na mão direita. Com a mão esquerda acenarei para vocês pela janela. Quaisquer dúvidas é só ligar para o telefone número 1234-5678 e darei informações mais minuciosas. P.S.: Não se esqueçam do mandado judicial para poderem arrombar a minha porta e levar-me à delegacia. Atenciosamente, Fulano da Silva.” (sei que fui pouco original na escolha do endereço e número de telefone, mas acabei sendo involuntariamente inspirado pela falta de criatividade do filme que acabei de assistir).

“___ Mas e a trama em si, consegue mostrar o esquema de corrupção dos policiais nova-iorquinos?” ___ Me pergunta o leitor. Mostrar mostra, mas do modo mais convencional o possível. E não apenas de um modo convencional, como também de uma forma nada convincente, principalmente por vermos os policiais corruptos estabelecendo poucos contatos com os bandidos. A propósito, é triste vermos o quão dispensável “Força Policial” é se o compararmos com muitos outros filmes do gênero que desempenharam o mesmo papel que ele pretendia desempenhar, só que de uma maneira bem mais realista, como é o caso de “O Corruptor”, “Os Reis da Rua”, “Dia de Treinamento”, “Cop Land” e, é mais do que óbvio, “Tropa de Elite” (aliás, notem o modo como o mesmo é fortemente plagiado neste “Força Policial”. As cenas do filme gringo em que mostram um policial assaltando o dono de um mercado são descaradamente copiadas da cena em que o capitão Fábio (encarnado com maestria por Milhem Cortaz) assalta uma choperia).

Mas nem tudo pode ser encarado com repulsa nesta porcaria dirigida por Gavin O’Connor. O próprio diretor realiza um trabalho regular atrás das câmeras e o modo como movimenta as mesmas revela-se interessante durante algumas cenas do longa. O elenco também encontra-se bastante afiado e realiza um trabalho bastante competente, sobretudo Noah Emmerich que se mostra bastante seguro como Francis Tearney, Jr. Norton também realiza um trabalho convincente, mas muito aquém do esperado, e o mesmo eu digo de Colin Farrell e Jon Voight.

Bem, poderia execrar o filme ainda mais, poderia comentar os péssimos diálogos embutidos no mesmo, a trilha-sonora visivelmente maniqueísta, o terceiro ato ridículo (que conta com uma briga de bar, no estilo mano-a-mano, entre os dois personagens principais da trama), mas vou parando por aqui. “Força Policial” é um filme que possui um elenco competente e uma direção razoável, e só. No mais, somos quase afogados por uma enxurrada de clichês e cenas extremamente artificiais empregadas pelo roteiro. O maior pecado do longa, entretanto, é o modo gritantemente (isso para não dizer ‘berrantemente’) falho como decide abordar a corrupção policial, algo que o deixa bem aquém de várias outras produções do gênero. Um lixo descartável, apenas isso.

Avaliação Final: 2,0 na escala de 10,0.

Sessão Nostalgia – parte 3: Lawrence da Arábia (1962)

O ano era 2007,precisamente março de 2007.Nada de mais,ainda existia muitos clássicos do cinema norte americano e inglês que eu não havia visto,ainda não conhecia bem o cinema brasileiro,nem o oriental e nem o europeu. No entanto “Lawrence da Arábia” era mais que uma obrigação não cumprida,era a vontade sedenta de assistir um épico,gênero a qual sou fã. Lembro bem que naquele mesmo mês a professora de Literatura marcou um trabalho sobre poetas romanticos. Meu grupo saiu com Alvares de Azevedo e montamos um roteiro para a filmagem de “Noite na Taverna”. Era sexta,uma nove da noite quando ligo para uma amiga revoltado,eu estava vendo “Lawrence da Arábia” e falava com ela que nunca poderiamos filmar,afinal com que recursos fariamos um filme que fosse visualmente tão belo quanto Lawrence?Bem,ela apenas respondeu que com certeza ninguém na classe havia assistido “Lawrence da Arábia” para comparar!

É estranho como certas coisas insistem em pendurar na nossa cabeça por anos e outras desaparecem em apenas dias. Me lembro bem dessa conversa por telefone,dela toda e não só do trecho postado aqui,porém me lembrava pouco da estória (ou história) desse grande clássico. Sabia apenas que ele era um dos meus favoritos,como sabia?Ora,sentindo. Hoje,tendo passado dois anos vejo de novamente com olhar mais atento e afirmo que não acho “Lawrence da Arábia’ uma obra tão genial quanto achava outrora. Acho melhor!

David Lean se ratifica como gênio,anteriormente lançando dois clássicos “Oliver Twist” e “A Ponte do Rio Kwai”,”Lawrence da Arábia” se mostra o melhor filme dele,o filme que arrebatou todos os prêmios que concorreu e hoje a obra-prima do diretor,e não para pouca coisa. Lean constroi um retrato detalhado da vida do enigmático T.E. Lawrence e coloca em uma riqueza incrível como ele uniu tribos arabes afim de combater os turcos,e não esquecendo do cenário político e militar da época. Lean filma como ninguém,explora os recursos visuais que tinha. Lendas dizem que eles acordavam de de madrugada apenas para pegar o nascer do Sol no deserto,ele explora tudo que tem tão a fundo,que encerrados as pouco mais de três horas e meia de filme,o pensamento que temos é único: Nada mais poderia ser encaixado ali dentro

O Sol nascendo e as viagens pelo deserto,assim como as explosões do trem,Lawrence sendo açoitado ou o fabuloso desfecho no carro cria um leque de cenas que marcam o filme por completo,lá não existe A CENA marcante,e sim uma continuidade onde a próxima cena é melhor que a anterior e assim vai,deixando o filme fixado na memório por completo,e então vai naquela: ou você lembra de tudo ou deleta o filme todo da cabeça.Engana-se quem pensa que apenas de cenas é feito “Lawrence da Arábia”,o filme conta com diálogos magnifícos,frases marcantes de um homem culto que constantemente entra em conflitos com pessoas de culturas diferentes, diálogos e respostas que vão além de coisas simples e que não estão ali apenas para dar um que notório ao filme,estão ali pois precisam esta,e elas revelam muito da situação ou do carater de cada personagem,e entre elas a mais magnífica “Um Homem pode ser o que quiser”. Será mesmo?Sim ou não,Lawrence consegue viver assim

Poucos atores são tão injustiçados pelo Oscar quanto Peter O´Toole,ele aplica um tom inglês fantástico em seu personagem,cara séria e sem emoção,frieza ao se expressar,voz nunca sai do tom normal,cria Lawrence como um heróis as avessas (dizem que um dos maiores erros da carreira de Marlon Brando foi ter recusado esse papel) aquele herói de idéias e atitudes,mas que não demonstra heroismo,e se por um lado é herói,pelo outro o protagonista mostra-se arrogante,pretencioso,ora se comparando a personagens biblicos,ora se intulando como milagreiro de um povo,pelo menos em se tratando do protagonista o filme conseguiu equilibrar em uma imparcialidade rara no cinema.Alec Guinness e Anthony Quinn se destacam entre os coadjuvantes

Com uma fotografia absurdamente boa,talvez a melhor que o cinema já viu,acompanhando as viagens pelo deserto com uma das trilhas sonoras mais inesquecíveis, “Lawrence da Arábia” se firma como obra-prima intocada pelo tempo,um filme que mostra o prazer em fazer o impossível virar o possível,um relato histórico em proporções extraordinárias,um conto de um homem que nem Homero escreveria melhor,referência estética e técnica,figurinos nunca vistos antes e especialmente a ousadia de um cineasta que fez de seu filme um dos mais complexos e influentes que o cinema já viu.

Ah,quanto o trabalho do Alvares,apresentamo bons cartazes,eu fiz um resumo detalhado de Noite na Taverna para a turma e a garota fez analises ótimas de A Lira dos Vinte Anos,fechamos o trabalho,porém o vídeo não chegou a serconcluido,na verdade gravamos 10-15 minutos de imagens,foi ótimo.Hoje Alvares de Azevedo é um dos meus poetas favoritos!

Sessão Nostalgia – parte 2 : "A Primeira Noite de um Homem" (1967)

O ano era 2006,ou o final de 2006.Lembra daquela lista que a AFI fez em 1997 elegendo os cem melhores filmes norte americanos?Bem,”A Primeira Noite de um Homem” estava em sétimo lugar,e sem assistir o filme,Ricardo falava mal dele,não apenas mal,mas muito mal,ridicularizava,era inaceitável uma comediazinha romantica ocupar tal posição (oh época que se seguia as listas hein?).

Dizem que filmes bons em TV aberta passa apenas de madrugada,e em dezembro de 2006 passava na Globo,eu preferi virar para o canto e dormir,mesmo estando e férias.Em janeiro de 2007 acabei alugando o filme,apenas para quase completar de ver o TOP 10 da AFI (ainda faltava Lawrence da Arábia).Bem,digo aqui que nunca em minha vida eu estive tão enganado a respeito de um filme como estive em “A Primeira Noite de um Homem”

Em 1967 o filme de Nichols provava de uma vez por todas que comédia romântica não é sinônimo de filmes banais e que assusntos como adultério,envolvimento com pessoas mais jovens e busca pela liberdade poderia ser colocado com um humor afiado e não crítico,e ainda fazendo rir…bem antes de Meg Ryan banalizar as comédias românticas com suas porcarias,Nichols faz um oposto de seu filme anterior “Quem tem Medo de Virginia Woolf?” e cria um ambiente leve,porém Nichols também faz igual ao seu filme anterior e arranca ótimas atuações do elencoBenjamin é um persongame singular,talvez o mérito não tenha sido de Dustin Hoffman,em inicio de carreira,que se saira mal nos testes,mas mesmo assim fez o filme,ou talvez tenha sido…mas o persongem tem uma tragetória magnífica durante todo o filme.Indo do garoto sufucado pelos pais e a sociedade,proucupado e ansioso por um futuro incerto,passando pelo jovem que aprendeu a viver de verdade,com a ajuda da inesquecível Senhora Robinson (e suas maravilhosas pernas),ele muda o penteado de cabelo,aprende a fumar,começa uma vida só a diversão,confronta os pais e muda sua rotina e chegando ao louco apaixonado que finalmente acha um objetivo na vida…objetivo com nome e sobrenome: Elaine Robinson.Ao contrário do que se pensaria,Ben é sim um personagem complexo,o desenvolvimento dele acontece de maneira tão sutil que aos menos atento passaria despercebido

“A Primeira Noite de um Homem” conta com algo impressionante,diria uma das 20 melhores direções que o cinema já viu em sua história. Mike Nichols se apresenta como gênio em criar sua estória,ele aplica sua experiência com o teatro adquirida pelos anos de carreira e sua experiência com o cinema adquirida em seu primeiro filme,”Quem tem Medo de Virginia Woolf?” e cria algo original,revolucionário e novo. Os movimentos de câmera são fantásticos,Nichols a posiciona nos lugares mais inusitados e diferentes,pega os ângulos mais inacreditáveis de seus personagens e faz movimentos muito interessantes,e o melhor,nenhum posicionamento de câmera está lá apenas por estar,todos tem sua finalidade diferente,a exemplo de quando Ben vê Senhora Robinson nua no quarto,ele vira a cara,o rosto dela não é mostrado,então em rápidos movimentos mostra partes do corpo dela,como se Ben olhasse se rapidamente se lembrasse do proibido,outra posição é quando Ben está na roupa de mergulho e se percebe ali toda a limitação do persongem,ele não houve e não vi muito mais do que aquilo,apenas obdece (e depois dessa cena ele decide proucurar Senhora Robinson),cena fantástico se da quando Ben vê que perdeu Elaine e a câmera começa a se afastar da Senhora Robinson.Nichols foi magnífico,e engana-se quem acha que ele foi apenas um diretor técnico,o principal responsável por impedir que os personagens caiam em caricaturas foi ele,e quando o roteiro,mesmo com todos os diálogos afiados,ameaça desandar e a personagem mais incrível do filme é esquecida,é Nichols quem segura toda a sua obra prima

Chegamos a personagem mais incrível do filme,seria clichê começar a resenha falando dela,o ícone máximo e uma das melhores coisas que “A Primeira Noite de um Homem” deixou para o cinema,me refiro a uma das maiores personagens,a inesquecível Senhora Robinson.Anne Bancroft e Mike Nichols junto construiram uma das melhores vilãs que o cinema já viu,e diria sem exagero que os pontos mais altos do filme é quando a sensual mulher está presente.É Senhora Robinson sim,ela não tem um primeiro nome e nem faz questão de revelar,a mulher casada que seduz Ben de maneiras incríveis
“Senhora Robinson,está tentando me seduzir?”
“Não tinha pensado nisso”

Os melhores diálogos estão com ela e ela responsável pelas duas mudanças que acontece na vida do nosso protagonista,é ela que mostra um mundo mais sexo e drogas,ela o seduz em cenas hilárias e diálogos inesqueciveis,como na primeira vez de Ben
“- Você não está esquecendo de nada?”
“-Eu queria falar que estou gostando de tudo isso e…”
“-Ben,eu me referia ao número do quarto”
Ben entra no quarto e o arruma de maneira discreta.Ela entra e acende a luz,e quando ele a beija,ela solta uma baforada de fumaça…cenas assim constroem o humor de “A Primeira Noite de um Homem” e fazem da Senhora Robinson um ícone do cinema.A mulher que fuma um cigarro atras do outro: liberdade!!!E se Benjamim tem a segunda mudança em sua vida,onde decide levar a sério o relacionamento com a filha da Senhora Robinson,ela se mostra “bem desagradável” e é muda novamente a vida dele. Ela é na verdade a estrela do filme

Tão protagonista quanto a Senhora Robinson são as músicas cativantes que tocam ao longo do filme,dando um toque especial para o mesmo.”A Primeira Noite de um Homem” não marcou apenas o cinema,mas como também minha vida,é fabuloso,engraçado,foge do simplório e criou verdadeiros ícones e referências,um filme obrigatório

Sessão Nostalgia parte 1 – Diários de Motocicleta (2004)

Já estava pensando em fazer isso há algum tempo,mas a falta de coragem não deixava,nesta quinta feira tomei coragem: uma sessão nostalgia!Pegaria quatro filmes que faz tempos que não vejo,que vi apenas uma vez e que gostaria de ver novamente.A briga foi feia na locadoura,foi difícil escolher os quatro filmes,mas eles sairam:
- A Primeira Noite de um Homem
- Diários de Motocicleta
- Lawrence da Arábia
- Janela Indiscreta

Sessão Nostalgia parte 1 – Diários de Motocicleta (2004)

Falar que lá em 2005,Ricardo querendo iniciar uma vida cinéfila,grande admirador de Che Guevara (da pessoa Che Guevara e não do mito ou dos ideais Che Guevara),um filme como esse não seria um grande desafio de assistir.Esperava muito.Ganhei mais,ganhei um dos filmes que mais me marcou como pessoa,e ganhei dois idolos a mais: Walter Salles e Gael Garcia Bernal

O primeiro prova porque é melhor no que faz,faz do filme uma mistura de denúncia com biografia,aventura e comédia,balança a câmera,chama a atenção: PORRA,VOCÊ FAZ PARTE DISSO. Mostra pouco a pouco a viagem de dois amigos rumo ao desconhecido,a imaturidade e como aos poucos vão vendo e sentindo a verdadeira América Latina subdesenvolvida.”… talvez…Mudou em mim”,a evolução dos personagens são claras ao passar do filme,os dólares que os fizeram não comer foram doados a um casal comunista,os agricultores sem terras foram parados e ouvidos,o ápice é na bela cena onde Ernesto Guevara atravessa o rio.Aquilo é fazer cinema

O sengundo mostra porque é o melhor em sua geração,Gael foi um dos poucos que cresceu e se tornou um gigante sem pedir ajuda à Hollywood,em “Diários de Motocicleta” tem atuação bem feita,traços do jovem Ernesto que viria a se tornar um dos maires mitos do século XX estão presente,o jeito de falar “che’,a idealização de apenas uma américa,o desprezo por hierarquias impostas,mas ao mesmo tempo Gael não perde a mão ao mostrar um homem jovem de 23 anos que não deixa de ser um homem jovem de 23 anos

A Parte Física da América Latina é mostrada lindamente,rios,flotestas o nosso continente abençoado pela mãe natureza.Monumentos históricos ganham proporções gigantes…junto dessa beleza natural,mas ao mesmo tempo quase fazendo um paralelo com ela vem a parte humana,os ricos são pobres,os pobres mais pobres ainda e os doentes apenas miseráveis.Nesse quadro deprimente vem algo que nos coloca em xeque: Alguma coisa mudou?Em 2005 minha professore de Geografia insistia em dizer que sim,muita coisa mudou para melhor,porém eu insisto em dizer que os problemas apenas modernizaram e qualquer um que resolvesse fazer a mesma viagem veria o mesmo que os olhos de Ernesto viram.Em meio a tudo surgi um coadjuvante que se destaca em toda a história,e não falo de Granado,amigo de 30 anos e mentalidade de 15 do jovem che,falo de La Poderosa,a motocicleta que da título ao filme e que se destaca,colocando aspecto de aventura em um gigante so século XX

“Diários de Motocicleta’ foi justamente premiado com o Oscar de Canção Original,”El Otro Lado del Rio” encanta de forma pura nosos ouvidos e emociona,como todo o filme emociona.Walter Salles criou uma obra prima,um filme que enche nossos olhos e toca fundo em nosso coração,não se espante se ele também permanecer em sua cabeça por anos e anos.

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