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Amigos, Amigos, Mulheres à Parte – * de *****
Título Original: My Best Friend’s Girl.
Gênero: Comédia Romântica.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.mybestfriendsgirlmovie.com/
Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 101 minutos.
Diretor: Howard Deutch.
Roteirista: Jordan Cahan.
Elenco: Dane Cook (Tank), Kate Hudson (Alexis), Jason Biggs (Dustin), Alec Baldwin (Prof. Turner), Diora Baird (Rachel), Lizzy Caplan (Ami), Riki Lindhome (Hilary), Mini Anden (Lizzy), Hilary Pingle (Claire), Nate Torrence (Craig), Malcolm Barrett (Dwalu), Taran Killam (Josh) e Faye Grant (Kerrilee).
My Best Friend’s Girl – Trailer:
Crítica:
Francamente, não me importo que um filme conte com alguns chavões, contanto que este saiba utilizar os mesmos para produzir algo decente, convincente e favorável a si mesmo. É o caso de “O Pai da Noiva” (refilmagem do clássico homônimo de 1950), com Steve Martin e Diane Keaton, por exemplo. O longa de 1991 conta com inúmeros clichês, mas se revela um passatempo divertido e atraente para toda a família. Por algum motivo, que não sei explicar ao leitor exatamente o qual seria, esperava isso deste “Amigos, Amigos…”: uma comédia bobinha, nada original, mas suficientemente agradável, destes típicos filminhos tolos onde o mocinho fica com a mocinha no desfecho e todos os espectadores saem do cinema com um parvo sorriso sem dentes, imaginando que a vida não é tão cruel o quanto parece ser e que no final tudo pode dar certo. Infelizmente estava enganado.
Logo no início da película somos apresentados ao casal Dustin (Jason Biggs) e Alexis (Kate Hudson). O primeiro, um jovem tímido, inseguro e, apesar do filme não explorar muito bem isto, aparentemente intelectual (digo isso levando em conta que o mesmo é vegetariano e as pessoas que seguem este padrão alimentar geralmente são dotadas de um intelecto acima do normal). A segunda, uma garota bonita, extrovertida, meiga, dotada de alguma inteligência, mas que mostra uma certa insegurança ao tomar suas decisões (ao contrário do que o filme pretende demonstrar durante o seu desenrolar, ela não é nem um pouco segura e decidida). Dustin ama Alexis e a garota sabe disso, no entanto, a mesma prefere manter um relacionamento apenas amigável com o rapaz até perceber que está matura o bastante para assumir um compromisso mais sério (no momento, a mesma estava apenas “ficando” com um colega de trabalho).
Analisando o parágrafo supra, pode-se previamente concluir que o longa irá investir nas tentativas de Dustin conquistar o coração de Alexis e que, no final, ambos viverão felizes para sempre. Isto é original? Nem um pouco, é fato, mas ainda assim cativei-me com a possível premissa do filme. Talvez seja porque tenha me interessado pela maneira como o roteiro preocupou-se em explorar de modo convincente os personagens logo em seu intróito, ou talvez seja porque tenha me cativado com as atuações de ambos os atores (podem atirar pedras em mim, mas creio que os dois se saíram muito bem), mas o mais provável é que eu tenha me identificado com a situação em que o rapaz se encontrava: estar apaixonado por uma grande amiga sua que sabe que seria feliz ao seu lado, mas que por um motivo muito estranho acaba se interessando por um colega de trabalho que ele julga ser um perfeito idiota (e de fato, o é. A propósito, é incrível (e revoltante, diga-se), vermos como as mulheres se interessam por caras completamente idiotas, não?).
A trama se desenvolve, toma outra rumo. Alexis desiste do “ficante”, Dustin faz uma outra tentativa, a garota insiste que precisa adquirir mais experiência, o jovem elabora um plano para fazer com que a mesma perceba que homens iguais a ele são raros hoje em dia. O personagem de Biggs decide então pedir para que o seu melhor amigo e companheiro de quarto Tank (Dane Cook) faça o que ele melhor sabe fazer: conquistar o coração de uma mulher, no caso Alexis, e depois despreza-la o máximo que puder. A partir daí a trama passa a caminhar de modo extremamente absurdo (existe coisa mais absurda do que pedir para o melhor amigo conquistar o coração da amada e depois despreza-la, fazendo-a notar que são raros os homens decentes no mundo?), mas não restam dúvidas de que o carisma e os trejeitos adotados por Cook acrescentam, e muito, à produção (podem atirar pedras em mim novamente).
O roteiro muda completamente o seu foco. O interessante Dustin deixa de ser o protagonista da trama, fazendo com que a mesma perca muito de sua força, mas ao menos passa a atribuir tal função a um personagem cuja irreverência e mal-caráter acabam cativando o público quase tanto o quanto o seu melhor amigo o fazia. Contudo, acontece o previsto, Tank sai com Alexis, prova a esta que é um tremendo de um imbecil egoísta, mas por algum motivo extremamente artificial, a garota passa a amar e odiar o rapaz simultaneamente, almejando manter com este um relacionamento descompromissado, fazendo apenas sexo casual com o mesmo.
A esta altura a trama já extrapola os limites do absurdo e do ridículo. Alexis, que se mostrava uma mulher contida, inexplicavelmente se torna uma, com o prévio perdão da palavra, biscate (peguei pesado, não? Desculpem, mas foi inevitável). O filme que aparentava ser uma comédia romântica redondinha, contendo apenas piadas corretinhas (salvo uma ou outra), vira um berço de piadas relacionadas a sexo. O que eu tenho contra estas piadas? Nada, absolutamente nada, contanto que sejam bem feitas e funcionem. Vide “Superbad- É Hoje!” para se ter uma idéia do que estou falando. O filme funciona muito bem justamente por ser um aglomerado de gags “sujas” e imorais, contudo, é correto afirmar que o roteiro do longa funciona muito bem com tais piadas. O mesmo não acontece com este “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”.
Mantendo a pretensão de ser engraçado e divertido o tempo todo, o único resultado que o longa consegue obter com o seu humor politicamente incorreto é apresentar ao leitor situações cômicas que já foram utilizadas de maneira parecida em filmes similares a este. Sendo assim, seqüências como as que Tank, durante uma aula de televendas, conversa com Alexis pelo telefone imaginando tratar-se de uma cliente insatisfeita, ou uma outra em que o mesmo leva uma moça evangélica à uma pizzaria que satiriza a Santa Ceia, provocando total repúdio à jovem (esta, aliás, uma cena deliciosamente imoral e que apenas eu, que sou ateu fanático, ri no cinema), se mostram raros exemplos de piadas que realmente funcionam bem.
Mas o longa, infelizmente, reservou o seu pior para o final. Após descobrir que Alexis está começando a se apaixonar por ele (e ele por ela), Tank, durante a festa de casamento da irmã da garota, decide bolar dez motivos para fazer com que a mesma definitivamente se esqueça dele. Aí o filme descamba de vez para um humor assumidamente pastelão e sem a menor graça, além de se mostrar nojento, imbecil e sexualmente apelativo. Nem mesmo a composição de Dane Cook (que até então vinha se revelando interessante e natural), nem mesmo o carisma de Alec Baldwin (que aparece na película interpretando um personagem altamente dispensável) e nem mesmo a boa impressão que o filme havia nos causado em seu início (graças às características de seu pré-protagonista (se é que este termo existe e pode ser bem empregado nesta parte do texto) Dustin, que simples e injustamente é abandonado pelo roteiro durante o desenrolar do mesmo e só volta no terceiro ato, da maneira mais insatisfatória o possível), se revelam capazes de salvar o filme do desastre total.
Pois é, nem sempre é uma boa idéia um filme desviar-se de seu foco inicial a fim de fugir da previsibilidade que este poderia conferir no final da trama. Na pior das hipóteses (que é o que acaba acontecendo neste “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”), o roteiro acaba fugindo de um desfecho convencional para cair em um outro quase tão convencional quanto, e o que é pior, aborrece o espectador e se mostra obrigado a aderir à mudanças de caráter para lá de artificiais a todos os seus protagonistas (nem mesmo o contido Dustin acaba escapando de tal mutação inconveniente proporcionada pelo roteiro, conforme o espectador poderá confirmar na cena inserida após o desfecho do filme).
Uma pena, em seu início aparentava ser um filme suficientemente divertido e agradável, apesar de tolo. Em seu desfecho, no entanto, revelou-se uma produção apenas tola, e nada mais.
Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

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