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Um Ato de Liberdade – *** de *****

Crítica:
Responda rápido: o que pode ser pior do que ser um judeu e viver em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial? Ser judeu e polonês (já que a Polônia fora um dos principais alvos da Alemanha Nazista) ao mesmo tempo, não? Pois é, e assim eram os poloneses de Nailiboki. Tendo isso em vista, é mais do que óbvio que os habitantes desta região do globo terrestre encontravam-se mais perdidos do que cego em tiroteio, não? Sim, principalmente quando os nazistas passaram a atacar diversas cidadelas daquela região. Os poucos sobreviventes decidem então se unir e se esconder dos alemães nas florestas locais. Mas quem disse que o perigo deixaria de existir? É aí que surge o lendário Tuvia Bielski, um ex-militar que, ao lado dos irmãos Zus e Asael, une os esparsos bandos judeus foragidos, formando um grupo só. Bielski começa a armar o clã na medida do possível e passa a organizar as defesas, para o caso de uma “blitzkrieg” nazista.
Primeiramente, a sinopse do filme por si só já se revela interessante o bastante para merecer uma conferida. Em segundo lugar, quantas vezes você já ouviu falar de Tuvia Bielski? Pois é, e esta é uma das missões mais importantes da sétima Arte, levar cultura aos expectadores, no caso, aqueles que, como eu, nunca haviam ouvido falar nos irmãos Bielski e terão a oportunidade de conhecer algo sobre eles no filme em questão. Em último lugar, e não menos importante: quantas vezes você já ouviu falar em um líder militar que tornou-se herói não por organizar ataques, mas sim por fugir dos mesmos? Isso mesmo, fugir dos ataques. Sendo assim, se o leitor estava procurando um único motivo que seja para ir ao cinema conferir “Um Ato de Liberdade” (que estréia aqui no Brasil amanhã, 27/02/2009), estou dando três motivos, e olhe que acabei de iniciar este texto.
Aí o leitor conclui: “___ Puxa vida! Mas um filme com tantas qualidades, assim como você mesmo está apontando, só pode ser uma obra-prima, não?”. De jeito nenhum, “Um Ato de Liberdade” está muito longe, mas muito longe mesmo, de poder ser alcunhado de uma obra-prima. E quem seria o grande responsável por isso? O diretor Edward Zwick. Não que a culpa seja inteiramente dele, mas convenhamos, Zwick nunca foi e, pelo visto, nunca será um grande cineasta. Contudo, não podemos reclamar que os seus filmes não contam com uma dose mínima de carga emocional necessária para que nos cativemos com a trama (o que inclui até mesmo os recentes e apenas bons “O Último Samurai” e “Diamantes de Sangue”), não é mesmo? Minha resposta certamente seria sim caso não fosse este seu último filme: “Um Ato de Liberdade”.
Imagine você, caro leitor, tendo de se refugiar em uma floresta escura e com receio de morrer congelado com o alvorecer do inverno. Imaginou? Pois é, horrível não? Sim, mas Zwick jamais confere a sensibilidade necessária para tal. A única coisa que vemos aqui é um grupo de judeus foragidos que terão de enfrentar certos riscos, mais cedo ou mais tarde. E não podemos negar que Zwick, de fato, mostra os judeus passando fome, ou frio, ou contraindo graves doenças, como a tifo por exemplo, mas é como eu sempre digo: “o bom filme apenas mostra algo ao espectador, ao passo em que o grande filme transmite a esse o que está sendo mostrado, e de um modo que o faça sentir na pele”. “Um Ato de Liberdade”, infelizmente, encaixa-se na primeira opção.
Vemos os judeus fugindo de medo dos nazistas, os vemos lutando contra eles (quando necessário), os vemos passando fome, os vemos passando frio, os vemos contraindo doenças, mas Zwick jamais confere a sensibilidade dramática necessária para que o filme realmente nos cative. Ele não consegue fazer, por exemplo, o que Peter Weir faz no excepcional “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo” quando mostra (e também consegue transmitir a todos nós, diga-se) a tripulação do HMS Surprise passando fome, ou (citando um outro filme produzido no mesmo ano), o que Peter Jackson faz no ainda mais excepcional “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” quando nos faz sentir na pele o drama de Frodo e Sam enquanto ambos sobem a Montanha da Perdição, em Gorgoroth, capital de Mordor.
Faltam cenas sensíveis como estas para podermos alcunhar “Um Ato de Liberdade” de obra-prima ou épico cinematográfico, que seja. Mas mesmo analisando-o como uma obra cinematográfica qualquer, o filme conta com as suas falhas. Além da direção de Zwick ser apagada demais e criar ângulos realmente satisfatórios em raros casos, o roteiro também falha na exploração de seu protagonista. Quando Tuvia entra em cena não sabemos nada acerca de seu passado e conforme a trama vai se desenrolando continuamos na mesmíssima situação. A única coisa que ficamos sabendo é que ele possuía um comércio com a sua ex-esposa antes de embarcar na vida de guerrilheiro.
Agora eu pergunto: por que cargas d’água o roteiro oculta que ele já foi membro do exército polonês? Sem dúvida é uma informação que, caso tivesse vindo até nós no início do longa, conseguiria conferir uma carga dramática muito mais consistente a este. E o que dizer então da covarde decisão que a produção toma para evitar polêmicas? Refiro-me aos boatos de que os “Partisans”, liderados por Tuvia, teriam molestado sexualmente mulheres e crianças durante a sua campanha. Por que o filme nem sequer “arranha” esta questão?
Mas nem por isso pensem que a obra encara os guerrilheiros apenas como pessoas sem desvios de caráter. Tuvia, principalmente, tem seus momentos de crueldade no filme, como na cena em que atira em um oficial nazista (e nos dois filhos dele também) que havia matado os seus pais e agora se encontra sem quaisquer chances de defesa. Ou então a cena em que, ao ver um outro oficial nazista, também sem as mínimas condições de autodefesa, sendo linchado pelo seu grupo, não faz absolutamente nada para cessar a tortura imposta ao alemão.
“Um Ato de Liberdade”, no fim das contas, se mostra um filme interessante pelas atuações de seu elenco (sobretudo Daniel Craig que está ótimo) e pela sua premissa em si, que acaba, infelizmente, sendo desenvolvida com pouquíssima sensibilidade pelo diretor e pelo roteirista Clayton Frohman. A estória, por si só, já se mostra bastante interessante por nunca ter sido contada no Cinema antes (e caso já tenha sido contada, por favor me avisem), bem como o seu protagonista, que não é desenvolvido da maneira que merecia, mas ainda assim nos desperta muita curiosidade.
Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.
007 – Quantum of Solace – ** de *****
Titulo Original: 007 – Quantum of Solace.
Gênero: Aventura.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.007quantumofsolace.com.br/
Tempo de Duração: 105 minutos.
Diretor: Marc Forster.
Roteirista(s): Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade.
Elenco: Daniel Craig (James Bond), Olga Kurylenko (Camille), Mathieu Amalric (Dominic Greene), Judi Dench (M), Giancarlo Giannini (Mathis), Gemma Arterton (Strawberry Fields), Jeffrey Wright (Felix Leiter), David Harbour (Gregg Beam), Jesper Christensen (Sr. White), Anatole Taubman (Elvis), Rory Kinnear (Tanner), Joaquín Cosio (General Medrano), Lucrezia Lante della Rovere (Gemma), Glenn Foster (Mitchell), Paul Ritter (Guy Haynes), Simon Kassianides (Yusef), Stana Katic (Corinne), Neil Jackson (Sr. Slate), Fernando Guillén Cuervo (Coronel da polícia), Guillermo del Toro (voz) e Alfonso Cuarón (voz).
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ado em um terno, caso tal permuta não soasse uma jogada tão artificial e absurda por parte do roteiro, é claro.
Destarte, “007 – Quantum of Solace” não é somente esta pilha de defeitos que fora comentada até então. Muito pelo contrário, apesar de estar a anos-luz de poder ser simplesmente encarado como um filme bom (para falar a verdade, é um dos piores da franquia), esta 22ª aventura da saga se mostra, ao menos, capaz de divertir o seu público alvo. No primeiro parágrafo desta crítica fora comentado o fato das cenas de ação do filme serem curtas demais. Sim, são tão curtas que quando você começa a se emocionar com as mesmas, elas repentinamente se encerram, tornando-se um tanto o quanto, com o prévio perdão da palavra, broxantes. Contudo, não há como negar que as mesmas sejam cativantes e suficientemente divertidas a ponto de prender o espectador na poltrona durante o filme todo.
O modo como o roteiro distribui as seqüências de aventura também é algo invejável. A trama pode não ser das melhores, bem como o desenvolvimento de muitos de seus personagens, mas o script ao menos foi capaz de “maquiar” este terrível engodo semeando estrategicamente diversas cenas curtas de aventura por todo o filme, fazendo com que o mesmo, em raros momentos, se torne cansativo e/ou entediante (e sejamos francos, está cada vez mais difícil ir aos cinemas e conferir um filme de ação que realmente valha a pena, prova disso é o recente e enfadonho “Max Payne”). Em outras palavras, apesar de todos os defeitos, “Quantum of Solace” se revela um longa tão dinâmico quanto “007 Contra Octopussy” (que, por incrível que pareça, durante a minha infância era o meu ‘Bond’ predileto), “007 – Somente Para os Seus Olhos”, “007 – Permissão Para Matar” e “Moscou Contra 007”.
O grande trunfo do filme, no entanto, fica por conta de Daniel Craig e a sua perfeita composição de James Bond. Encarnando o protagonista com a mesma frieza (repare como ele deixa, sem demonstrar quaisquer sinais de arrependimentos, o corpo de um amigo recém falecido guardado em uma lixeira) e violência utilizada no ótimo “007 – Cassino Royale”, o primeiro ator loiro que veio a protagonizar os filmes da franquia usa todo o seu talento a fim de executar uma atuação ainda mais convincente e cativante do que a que fora realizada no 21° filme da saga. E se no filme anterior Craig mostrava-se bem menos charmoso do que Pierce Brosnan se revelou em “007 – O Amanhã Nunca Morre”, neste “Quantum of Solace” o britânico dá a volta por cima e confere ao longa, praticamente, o mesmo garbo adotado por Sean Connery em “007 Contra Goldfinger”. É simplesmente cativante vermos o modo natural como o ator alterna entre o agente secreto extremamente bruto (vide a seqüência em que Bond elimina quatro oponentes dentro de um elevador) e charmoso (vide a seqüência, logo após a do elevador, onde Bond utiliza o calcanhar para empurrar delicadamente o braço de um oponente seu para dentro da cabina, a fim de permitir com que a porta desta se feche automaticamente).
“Quantum of Solace” falha gravemente no que diz respeito à direção e roteiro, além de criar seqüências de ação curtas demais, mas ao menos se revela um filme dinâmico e violento na medida certa, mantendo o mesmo ritmo que o seu antecessor e provando que Daniel Craig, definitivamente, veio para ficar.
Avaliação Final: 5,0 na escala de 10,0.
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