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O Guerreiro Genghis Khan – ** de *****

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 28 de julho de 2.009.

mongol

Ficha Técnica:
Título Original: Mongol.
Gênero: Drama / Épico.
Tempo de Duração: 120 minutos.
Ano de Lançamento: 2007.
Países de Origem: Casaquistão, Rússia, Mongólia e Alemanha.
Site: http://www.mongolmovie.com/
Direção: Sergei Bodrov.
Roteiro: Arif Aliyev, Sergei Bodrov.
Elenco: Tadanobu Asano (Temudjin), Honglei Sun (Jamukha), Khulan Chuluun (Börte), Aliya (Oelun – Mãe de Temudjin), Amadu Mamadakov (Targudai), He Qi (Dai-Sechen), Ben Ho Sun (Monge), Ji Ri Mu Tu (Boorchu), Tegen Ao (Charkhu), Ying Bai (Mercador com Anel de Ouro), Bao Di (Todoen), Odnyam Odsuren (Jovem Temudjin), Bayertsetseg Erdenebat (Jovem Börte), Deng Ba Te Er (Daritai), You Er (Sorgan-Shira), Ba Sen (Esugei – Pai de Temudjin), Amarbold Tuvshinbayar (Young Jamukha), Ba Ti (Juchi), Li Jia Qi (Mungun), Bu Ren (Taichar) e outros.

Sinopse: Reconstituição dos primeiros anos de vida de Genghis Khan, escravo que se tornou um dos maiores conquistadores de todos os tempos. Ele chegou a dominar metade do mundo conhecido até então, incluindo a Rússia no ano de 1206.

Fonte Sinopse: Cineclick.

Mongol – Trailer:

Crítica:

Temudjin, vulgo Genghis Khan, foi um dos maiores guerreiros e conquistadores da história da humanidade, figurando facilmente entre celebridades históricas do naipe de Alexandre Magno e Julio Caesar, dentre muitos outros grandes militares que tornaram-se imortais através de inúmeras lendas e estórias que passaram a ser tecidas sobre eles.

É lastimável, no entanto, que uma figura como o mongol mais importante e memorável de todos os tempos tenha sido tão pouco retratada e explorada pelo Cinema (há uma versão lançada em 1.965 sobre Khan, com Omar Scharif no elenco, mas nunca tive a oportunidade de assisti-la, infelizmente) fato que faz com que todo aquele que se diz amante da História e da sétima Arte (que é o meu caso), se arrepie por inteiro só de ouvir falar sobre uma produção que trará tal figura lendária como protagonista.

Se a produção em questão ainda for financiada por países que, salvo em raros casos, sempre primam pela Arte e raramente abaixam a cabeça para certos dogmas hollywoodianos, a experiência que teremos ao assisti-la tem tudo para se tornar muito mais excitante, não? E se a tal produção adotar como padrão um idioma cada vez mais raro de se ouvir e que era proferido por Khan? Aí todo e qualquer cinéfilo tende a ter vários orgasmos múltiplos, não é mesmo? Claro que sim, principalmente em tempos onde é cada vez mais comum irmos ao cinema e ouvirmos um oficial da Gestapo, interpretado por um ator estadunidense, diga-se de passagem, falar inglês com um sotaque alemão mais do que artificial.

Pois é, sei que não devemos nutrir expectativas sobre uma obra cinematográfica antes de conferi-la, afinal de contas, o correto é deixarmos que a mesma conquiste nossa total confiança, que deve sempre começar do zero. Entretanto, a pergunta que fica no ar é: como não se empolgar com um filme com as características supracitadas? Impossível, não? E como.

Eis que “O Guerreiro Genghis Khan” tem o seu tão aguardado (a menos para mim) início. À primeira vista, as expectativas são mais do que superadas. Começamos no Reino Tungus, local onde Temudjin orquestrou o caos durante sua campanha militar. A fotografia é brilhantemente escura (brilhantemente escura?! Sim, da série: antíteses ultra-paradoxais da vida), a direção de arte reflete bem à arquitetura da época e do local e Sergei Vladimirovich Bodrov (sim, outro motivo para nutrir excelentes expectativas acerca do filme: ele é dirigido por um experiente cineasta russo) faz jus ao seu nome e logo de cara efetua closes mais do que dinâmicos, além de realizar um eficiente travelling aéreo que capta toda a beleza do cenário magistralmente montado. O quê? Ah, sim, claro, como não… há várias pessoas falando o respectivo idioma local, o que confere um tom cultural muito maior ao filme.

A edição e o roteiro nos remetem então ao passado do grande guerreiro, mais precisamente quando ele tinha os seus nove anos de idade (e palmas para o letreiro que anuncia ser o ano do rato negro, de acordo com o calendário local, o que acaba conferindo à obra um apego cultural ainda mais forte com a região retratada). Sentimos então que vamos mergulhar profundamente no passado de Temudjin, e é aí que começam os erros crassos cometidos pelo roteiro.

Mas quais seriam esses erros? Bem, qualquer um que apeteça saber algo sobre a estória do grande conquistador mongol deve ter a plena ciência de que o mesmo adotou certas estratégias para derrotar os seus inimigos e que tais táticas de combate só funcionavam perfeitamente bem em virtude do sábio uso de cavaleiros mangudai(s) que o mesmo ministrava e… espere aí, Mangudai(s)?! Isso mesmo, Mangudai(s), uma mescla de arqueiro e cavaleiro, a unidade de ataque principal contida nos exércitos de Khan e que, sabe-se lá o porquê, nem ao menos aparecem ou são comentadas durante o desenrolar do épico.

Aliás, chamar isto daqui de épico é, no mínimo, uma ofensa a este majestoso gênero cinematográfico que, por muitas vezes, elevou o Cinema à condição de espetáculo. Tudo o que “O Guerreiro Genghis Khan” tem a nos oferecer é, no máximo, um draminha clichê nos padrões hollywoodianos, algo bem distante do patamar de um épico.

E falando em Hollywood, sabe aquele filme estrangeiro pertencente a uma terra onde o Cinema raramente segue os dogmas adotados pela maior indústria cinematográfica do mundo? Pois é, ele morre logo nos primeiros minutos de projeção, já que aqui, a sensação que temos é a de que estamos longe de presenciar as típicas produções cazaquistanêsas, mongóis, alemãs ou russas.

O motivo? Simples. Não bastasse a falta de conteúdo histórico do filme, que perde tempo com estorinhas de vingança mais do que batidas e romances mais forçados e artificiais que os de uma novela global, não dando a mínima importância a acontecimentos realmente importantes à vida do grande guerreiro, bem como a invasão que este executou contra a China e o relacionamento dele com o seu conselheiro chinês Yeh-lu Ch’u-ts’-ai (que, no filme em questão, nem ao menos é citado), o mesmo ainda romantiza demasiadamente a figura do militar mongol, retratando-o como um homem bom e justo, mas esquecendo-se de que Temudjin, na verdade, era um conquistador cruel, sádico e sanguináreo, um dos piores que o mundo já conheceu.

O que dizer então do modo como o roteiro desenvolve o protagonista? Se dissesse que o aborda vergonhosamente, estaria fazendo um elogio. A palavra incongruente certamente viria mais a calhar. Francamente, assim como ocorre no também fraco “Alexandre”, aqueles que saírem da sessão sem ter obtido um prévio conhecimento sobre o líder mongol, jamais saberão ao certo como o jovem patético do filme pôde se transformar no grande militar que ele foi.

Se em “Alexandre” víamos Colin Farrel chorando no colo de marmanjos feito uma criança mimada, em “O Guerreiro Genghis Khan” vemos o protagonista fugindo dos inimigos feito uma galinha durante uma hora inteira de projeção e, inexplicavelmente, o mesmo garoto fujão de outrora se transforma, sem mais nem menos e, de uma hora para outra, em um hábil lutador que mais parece um Rambo com espadas. Essa, aliás, revela-se uma das mais artificiais metamorfoses da história do Cinema, afinal de contas, em algum momento o filme explica como o garoto amedrontado de antes conseguiu se transformar em um grande combatente no futuro, sem ter passado por quaisquer formas de treinamento para tal?

Contando com um elenco irregular, cenas absurdas (reparem na estranha facilidade que Hollywood (o quê? O filme não é hollywoodiano? Mas que parece, parece) tem em fazer com que grandes batalhas atraiam gigantescas tempestades que se formam do nada) e informações que pouco acrescentam àqueles que realmente desejam realmente conhecer o homem, o mito e a lenda Genghis Khan, o filme ainda falha terrivelmente ao tratar o mesmo como um verdadeiro covarde durante boa parte da projeção e romantizá-lo ao extremo durante a sua fase adulta, transformando um dos líderes militares mais sádicos de todos os tempos em um homem justo e piedoso.

Salva-se graças à impecável produção, que nos brinda com uma obra inteira pronunciada no idioma mongol, à magistral fotografia e à cuidadosa direção de Sergei Bodrov que, mesmo conduzindo a trama muito mal, cria ângulos excepcionais (vide a batalha onde a câmera assume “os olhos do protagonista”  durante o seu desenrolar) e suntuosos planos abertos a fim de retratar toda a beleza natural do local, como na cena onde o personagem, pela primeira vez na vida, enfrenta, sozinho, as congeladas paisagens durante o rígido período hiemal daquela região do globo terrestre (apesar que confesso não saber ao certo se Bodrov imaginava estar dirigindo um épico dramático bem raso ou um documentário produzido pela National Geografic, já que, durante alguns momentos, ele parece se preocupar mais em captar a formosura da natureza local do que o próprio filme em si).

Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

Sessão Nostalgia – parte 3: Lawrence da Arábia (1962)

O ano era 2007,precisamente março de 2007.Nada de mais,ainda existia muitos clássicos do cinema norte americano e inglês que eu não havia visto,ainda não conhecia bem o cinema brasileiro,nem o oriental e nem o europeu. No entanto “Lawrence da Arábia” era mais que uma obrigação não cumprida,era a vontade sedenta de assistir um épico,gênero a qual sou fã. Lembro bem que naquele mesmo mês a professora de Literatura marcou um trabalho sobre poetas romanticos. Meu grupo saiu com Alvares de Azevedo e montamos um roteiro para a filmagem de “Noite na Taverna”. Era sexta,uma nove da noite quando ligo para uma amiga revoltado,eu estava vendo “Lawrence da Arábia” e falava com ela que nunca poderiamos filmar,afinal com que recursos fariamos um filme que fosse visualmente tão belo quanto Lawrence?Bem,ela apenas respondeu que com certeza ninguém na classe havia assistido “Lawrence da Arábia” para comparar!

É estranho como certas coisas insistem em pendurar na nossa cabeça por anos e outras desaparecem em apenas dias. Me lembro bem dessa conversa por telefone,dela toda e não só do trecho postado aqui,porém me lembrava pouco da estória (ou história) desse grande clássico. Sabia apenas que ele era um dos meus favoritos,como sabia?Ora,sentindo. Hoje,tendo passado dois anos vejo de novamente com olhar mais atento e afirmo que não acho “Lawrence da Arábia’ uma obra tão genial quanto achava outrora. Acho melhor!

David Lean se ratifica como gênio,anteriormente lançando dois clássicos “Oliver Twist” e “A Ponte do Rio Kwai”,”Lawrence da Arábia” se mostra o melhor filme dele,o filme que arrebatou todos os prêmios que concorreu e hoje a obra-prima do diretor,e não para pouca coisa. Lean constroi um retrato detalhado da vida do enigmático T.E. Lawrence e coloca em uma riqueza incrível como ele uniu tribos arabes afim de combater os turcos,e não esquecendo do cenário político e militar da época. Lean filma como ninguém,explora os recursos visuais que tinha. Lendas dizem que eles acordavam de de madrugada apenas para pegar o nascer do Sol no deserto,ele explora tudo que tem tão a fundo,que encerrados as pouco mais de três horas e meia de filme,o pensamento que temos é único: Nada mais poderia ser encaixado ali dentro

O Sol nascendo e as viagens pelo deserto,assim como as explosões do trem,Lawrence sendo açoitado ou o fabuloso desfecho no carro cria um leque de cenas que marcam o filme por completo,lá não existe A CENA marcante,e sim uma continuidade onde a próxima cena é melhor que a anterior e assim vai,deixando o filme fixado na memório por completo,e então vai naquela: ou você lembra de tudo ou deleta o filme todo da cabeça.Engana-se quem pensa que apenas de cenas é feito “Lawrence da Arábia”,o filme conta com diálogos magnifícos,frases marcantes de um homem culto que constantemente entra em conflitos com pessoas de culturas diferentes, diálogos e respostas que vão além de coisas simples e que não estão ali apenas para dar um que notório ao filme,estão ali pois precisam esta,e elas revelam muito da situação ou do carater de cada personagem,e entre elas a mais magnífica “Um Homem pode ser o que quiser”. Será mesmo?Sim ou não,Lawrence consegue viver assim

Poucos atores são tão injustiçados pelo Oscar quanto Peter O´Toole,ele aplica um tom inglês fantástico em seu personagem,cara séria e sem emoção,frieza ao se expressar,voz nunca sai do tom normal,cria Lawrence como um heróis as avessas (dizem que um dos maiores erros da carreira de Marlon Brando foi ter recusado esse papel) aquele herói de idéias e atitudes,mas que não demonstra heroismo,e se por um lado é herói,pelo outro o protagonista mostra-se arrogante,pretencioso,ora se comparando a personagens biblicos,ora se intulando como milagreiro de um povo,pelo menos em se tratando do protagonista o filme conseguiu equilibrar em uma imparcialidade rara no cinema.Alec Guinness e Anthony Quinn se destacam entre os coadjuvantes

Com uma fotografia absurdamente boa,talvez a melhor que o cinema já viu,acompanhando as viagens pelo deserto com uma das trilhas sonoras mais inesquecíveis, “Lawrence da Arábia” se firma como obra-prima intocada pelo tempo,um filme que mostra o prazer em fazer o impossível virar o possível,um relato histórico em proporções extraordinárias,um conto de um homem que nem Homero escreveria melhor,referência estética e técnica,figurinos nunca vistos antes e especialmente a ousadia de um cineasta que fez de seu filme um dos mais complexos e influentes que o cinema já viu.

Ah,quanto o trabalho do Alvares,apresentamo bons cartazes,eu fiz um resumo detalhado de Noite na Taverna para a turma e a garota fez analises ótimas de A Lira dos Vinte Anos,fechamos o trabalho,porém o vídeo não chegou a serconcluido,na verdade gravamos 10-15 minutos de imagens,foi ótimo.Hoje Alvares de Azevedo é um dos meus poetas favoritos!

Austrália – ** de *****

Francamente, estou farto de escrever críticas de Cinema apontando os clichês e/ou estereótipos de um determinado filme que está sendo analisado. Acredito que falar mal de clichês, por si só, já consiste em um terrível clichê. Juro que preferia infinitamente ter de apontar falhas como furos de roteiro, falta de criatividade na direção, personagens mal explorados, trama fraca, atuações pavorosas, montagem confusa, estória má conduzida, entre outras coisas, a ficar listando os chavões e personagens caricatos que compõem uma determinada obra. Visto isso, pergunto ao leitor: “que culpa tenho eu se a leva de filmes lançados atualmente não faz outra coisa senão apelar a clichês e/ou estereótipos que “segurem” a trama?”. As recentes produções cinematográficas parecem ter carência inventiva até mesmo ao “criar” os seus próprios defeitos e sabem o que é pior nisso tudo? É o fato de a Crítica Cinematográfica ter de adotar sempre a mesma postura, tendo de escrever textos cujo alvo principal é, obrigatoriamente, a condenação destes incômodos clichês. Felizmente (ou seria infelizmente?), “Austrália” é um longa que conta com muitos defeitos, o que possibilita que este texto não se dedique unicamente a criticar os diversos clichês inseridos em seu fraco roteiro.

Ficha Técnica:
Título Original: Australia.
Gênero: Drama.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.australiafilme.com.br/
Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 165 minutos.
Direção: Baz Lurhmann.
Roteiro: Stuart Beattie, Baz Luhrmann, Ronald Harwood e Richard Flanagan, baseado em estória de Baz Luhrmann.
Elenco: Nicole Kidman (Sarah Ashley), Hugh Jackman (Drover), Brandon Walters (Nullah), David Wenham (Neil Fletcher), Ray Barrett (Bull), Bryan Brown (Rei Carney), Tony Barry (Sargento Callahan), Essie Davis (Cath Carney), Arthur Dignam (Padre Benedict), Sandy Gore (Gloria Carney), David Gulpilil (Rei George), Jamie Gulpilil (Porter), Jacek Koman (Ivan), Ben Mendelsohn (Capitão Dutton), David Ngoombujarra (Magarri), Angus Pilakui (Goolaj), Bruce Spence (Dr. Barker) e Kerry Walker (Myrtle Allsop).
Sinopse: Sarah Ashley (Nicole Kidman) é uma aristocrata inglesa que viaja a Austrália com o propósito de salvar uma propriedade rural que pertencia ao seu marido, recentemente assassinado no local. Lá ela conhece Nullah (Brandon Walters), um garoto aborígine com quem passa a ter uma relação quase que materna, e Drover (Hugh Jackman), um vaqueiro que é contratado pela dama para conduzir o seu rebanho de gado até os portos de Darwin, onde será exportado e vendido a um bom preço, salvando a fazenda de Ashley da falência.

Australia – Trailer:

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Crítica:

“Austrália” é mais um destes filmes imaturos e previsíveis que logo em seus dez primeiros minutos revela todos os defeitos que possui e virá a possuir durante o desenrolar de sua trama. Começamos com um garoto mestiço extremamente irritante, cujo nome é Nullah (e confesso que desde que assisti a “Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma” pela primeira vez, no ano de 1999, não via um personagem que conseguia ser tão irritante quanto Jar Jar Binks. Nullah conseguiu romper tal tabu) e assume a função de narrador da obra cinematográfica em questão. O problema é que além da narração ser gritantemente dispensável, o tom de voz empregado pelo ator mirim é simplesmente insuportável. Isso sem contar, é claro, a péssima escolha das palavras utilizadas pelo roteiro a fim de construir a narrativa, que se torna altamente previsível.

O longa se desenvolve um pouco mais e os erros vão aparecendo. O recurso gráfico utilizado para indicar a localização de um personagem no globo terrestre é tolo, desnecessário e imaturo. Aliás, imaturo é tudo o que o longa consegue ser durante o seu primeiro ato inteiro e isso não consistiria necessariamente em uma falha caso “Austrália” assumisse, definitivamente, ser uma obra infantil. O problema é que a produção não se assume como tal e o filme vai se revelando bobo demais para os adolescentes e adultos e longo e cansativo demais para as crianças. Ou seja, não agrada a gregos, nem a troianos.

Mas se Nullah (Brandon Walters) revela-se um elemento irritante e, aparentemente, dispensável à trama (aliás, é uma pena que o roteiro crie tantas situações de perigo ao garoto e nunca decida o “matar” de uma vez por todas, poupando-nos do fraco terceiro ato que nos aguarda), o casal de protagonistas, Sarah (Nicole Kidman que, depois de implantar litros de botox na cara não consegue mais se expressar satisfatoriamente) e Drove (Hugh Jackman, fazendo uma atuação correta em um papel fortemente clichê), se revela o mais caricato o possível (sim, outra crítica de minha autoria que se propõe a falar mal dos estereótipos contidos em um determinado filme, mas fazer o quê se os filmes atuais não colaboram comigo?). Sarah é a típica aristocrata inglesa bravinha e mimada que põe uma coisa na cabeça e faz birra até conseguir obter êxito em seu objetivo (nisso ela lembra muito a personagem Scarlett O’ Hara, interpretada por Vivien Leigh, em “… E o Vento Levou”, com a diferença de que o desenvolvimento de Scarlett é fenomenal, ao ponto que o desenvolvimento da personagem de Nicole Kidman é catastrófico). Logo no início da trama a moça é construída pelo maior número de clichês possíveis, que variam desde o modo rápido, engraçado e imponente como a mesma anda, até a maneira doce (leia-se aqui, irritante) como fala (Kidman fazendo sotaque inglês é risível), passando pelos inúmeros gritinhos que solta sempre que se espanta (aliás, não somente quando esta se espanta, mas em quaisquer outras ocasiões que sejam) e as expressões faciais adotadas pela mesma (qualquer incidente a deixa boquiaberta e a faz arregalar os olhos e torcer o nariz da maneira mais artificial e caricata o possível).

E quanto ao personagem de Drove? Apesar de ser bem menos irritante que Sarah, este é ainda mais caricato que a moça. Seguindo o estereótipo do cavaleiro solitário (que nos anos 1960 não era necessariamente um estereótipo) incorporado por Clint Eastwood na trilogia dos dólares de Sergio Leone, o personagem de Hugh Jackman é destes indivíduos que passam o tempo livre em um bar embriagando-se e arrumando encrenca. Logo no início do filme, o protagonista de “Austrália” nos é apresentado durante uma discussão em um boteco (com direito a uma batida frase proferida por Drove: “___ Eu não posso deixar este desaforo passar em branco.”), em seguida ele solta um olhar ameaçador, que é focado pela câmera em um close que já fora utilizado pelas obras de western ao menos umas três dúzias de vezes (o leitor reconhecerá a cena a qual me refiro) e, por fim, inicia-se uma rixa ridícula cujas lutas parecem ter sido extraídas de algum episódio do seriado “Os Trapalhões” (com a diferença de que tais cenas funcionavam muito bem no programa da trupe de comediantes brasileiros, ao passo que em “Austrália”…).

O que esperar então do romance entre Drove e Sarah? Imaginem o resultado que pode-se obter se juntarmos uma mulher extremamente irritante (uma cópia loira de Scarlett O’ Hara) com um homem que segue o estereótipo do indivíduo bronco (a versão morena do Cavaleiro-Sem-Nome criado por Sergio
Leone). Coisa boa não poderia sair, não é mesmo? Pois é, o romance entre eles revela-se um dos maiores clichês já vistos até então. Ambos formam o casal que se odeia, mas que, aos poucos, passa a se amar, Algo parecido com o romance entre Lizzie Bennet e Mr. Darcy em “Orgulho & Preconceito”, com a diferença de que, no filme dirigido por Joe Wright, o casal era abordado com muito charme, coisa que não acontece neste “Austrália”. Aliás, charme é o que falta ao romance dos dois, uma vez que tudo é “jogado” ao espectador sem o menor resquício de sutileza (só para se ter uma idéia, a rica moça passa a se interessar pelo rude rapaz a partir de uma cena onde este se banha e, praticamente, faz pose para a câmera exibindo os seus músculos, algo que parece ter sido extraído de um comercial de suplementos alimentares para frequentadores de academias de musculação).

A trama vai tentando tomar uma forma (apenas tentando). Tomamos ciência de que, a fim de quebrar o monopólio de um barão local, Sarah deverá embarcar milhares de cabeças de gado destinados à exportação e, com isso, arrecadar uma boa e justa quantia em dinheiro. O problema é que o caminho que terá de percorrer até o porto de Darwin (cidade australiana) é gigantesco e perigoso. Para obter êxito na missão a jovem contrata Drove para um novo trabalho. A partir daí o filme assume-se como plágio descarado de “Lawrence da Arábia”. Sim, a indigesta salada feita a partir de “Por uns Dólares a Mais” (ou “Três Homens em Conflito” ou, ainda, “Era Uma Vez no Oeste”, caso o leitor prefira) com “…E o Vento Levou”, temperada com um pouco de “O Mágico de Oz”, é completamente abandonada e tem-se início uma cópia fiel da obra-prima de David Lean. Alguns detalhes mudaram ligeiramente (apenas ligeiramente, o que não descaracteriza plágio). Por exemplo, ao invés de cruzarem um deserto com um grupo gigantesco de pessoas, os ‘heróis’ realizam a sua travessia conduzindo uma manada de gados (ou seja, a dramaticidade cai consideravelmente, uma vez que as emoções humanas são substituídas aqui pela frieza bovina). A chegada destes ao porto de Darwin então é algo que dispensa comentários. Não há como não notarmos a descarada imitação da cena em que Lawrence e o seu bando chega a Acqaba, com a única diferença de que aqui não ocorre um combate grandioso, mas sim uma invasão enorme de bovinos que param a cidade inteira.

Até aí o filme, aparentemente, só apresentou falhas, não é mesmo? Sim, mas mesmo com tantos defeitos não há como não vislumbrarmos a maravilhosa fotografia que engrandece ainda mais as fantásticas paisagens australianas magistralmente filmadas (ao menos no início do longa) por Baz Luhrmann. É impossível também deixarmos de notar que, de uma forma ou de outra, o longa consegue nos divertir, ainda que seja só um pouco. A seqüência do “estouro” da boiada à beira de um precipício confere uma forte tensão ao espectador e, por mais que os efeitos em CGI sejam muito mal empregados, a cena é muito bem dirigida e proporciona ao espectador um clima forte o bastante para nos fazer roer as unhas de apreensão (apesar de ser lamentável o irritante Nullah ter sobrevivido à mesma). Não fosse o fato de um determinado personagem fazer gracinhas na hora errada (onde já se viu fazer palhaçadas em uma situação desesperadora como aquela?), a seqüência teria se saído maravilhosamente bem.

Mas os ‘heróis’ conseguem cumprir com o seu objetivo, embarcam o gado, derrotam o inescrupuloso barão da indústria de carnes da Austrália e aí temos um final feliz, de acordo? Não, lamentavelmente não. Se o filme de Luhrmann parasse por aí, o mesmo teria, ao menos, se revelado uma interessante diversão, apesar de deveras infantil e nada original. Entretanto, Luhrmann é megalomaníaco e queria mais, queria fazer de “Austrália” o mais novo épico da indústria cinematográfica. A partir deste instante então somos arremessados, sem a menor sutileza, a um novo filme, totalmente diferente daquele outro apresentado até então, mas com os mesmos personagens. A premissa inicial é completamente abandonada e a mania de grandeza do filme decide, do modo mais indelicado o possível, cruzar a ridícula trama que envolve o destino do garoto Nullah com o ataque aéreo que os japoneses realizaram àquela região do globo terrestre durante a Segunda Guerra Mundial.

O que se vê então é uma tentativa muito supérflua de abordar o preconceito que os aborígines e, principalmente, os mestiços sofriam naquela região. Pior ainda é testemunharmos a volta do rancor estadunidense perante os japoneses sendo exibida pela sétima Arte. Sinceramente, imaginei que os moradores da Terra do Tio Sam haviam parado, desde o lançamento do fraco “Pearl Harbor”, de utilizar o Cinema para culpar injustamente os japoneses pelos conflitos ocorridos entre eles durante a Segunda Grande Guerra, mas vi que estava redondamente enganado. “Austrália”, além de acusar os filhos da Terra do Sol Nascente de terem iniciado os confrontos, ainda os estereotipa retratando o modo como os mesmos realizavam ataques aéreos e matavam, sem quaisquer resquícios de clemência, pessoas indefesas (como se os estadunidenses também não o fizessem).

Não bastasse tudo isso, este terceiro ato do filme, além de ser desconexo com relação ao primeiro e, até mesmo, ao segundo, se revela fortemente piegas e previsível. Se por um lado o mesmo abandona toda a infantilidade presente outrora em seu roteiro (e eu, particularmente, senti-me incomodado com a mudança de caráter extremamente forçada pela qual alguns personagens passam), por outro lado as tentativas de fazer o público se emocionar com o drama são bastante artificiais. Porém, artificiais ou não, não há como negar que o longa, em alguns raros casos, consegue, de fato, nos emocionar, o que já é um grande feito.

Este é “Austrália”, um fraquíssimo candidato a épico que, na dificuldade que encontra ao tentar firmar-se como dois filmes em um só, acaba aborrecendo o espectador causando fortes dúvidas neste que não sabe ao certo se está assistindo a uma aventura pelos desertos australianos ou a um drama sobre a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, o longa falha tanto em uma tentativa, quanto em outra, tornando-se visivelmente imaturo e caricato em sua primeira metade e excessivamente piegas em sua segunda metade. De qualquer forma, não há como negarmos que o mesmo, apesar de irritar muitas vezes, revela-se divertido em alguns momentos e comovente em outros, além de nos brindar com uma fotografia primorosa e direção de arte e figurinos excepcionais.
Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

A Lista de Schindler – ***** de *****

Voltando a postar na sessão de “Filmes Clássicos”, optei por reeditar este texto de “A Lista de Schindler”, que havia publicado no site Cinema em Cena a cerca de dois ou três anos atrás e postá-lo aqui no Papo Cinema. Entretanto, minha intenção não era assistir ao longa novamente, almejava apenas dar uma analisada no texto, mudá-lo em alguns pontos, e postá-lo, mas não resisti e acabei assistindo ao filme pela terceira vez em minha vida. A sensação não pôde ser diferente, mais uma vez me derreti em lágrimas ao final da obra-prima de Steven Spielberg (oras, homens também choram, e também possuem sentimentos, não?). Logo após o término da sessão, reli o meu texto e optei por alterá-lo em algumas partes. O resultado o leitor poderá conferir logo mais abaixo, onde não poupei elogios para explanar sobre um de meus quinze filmes prediletos.


Ficha Técnica:
Título Original: The Schindler’s List.
Gênero: Drama.
Ano de Lançamento: 1993.
Nacionalidade: EUA.
Tempo de Duração: 195 minutos.
Diretor: Steven Spielberg.
Roteirista: Steven Zaillian, baseado em obra-literária de Thomas Keneally.
Elenco: Liam Neeson (Oskar Schindler), Ben Kingsley (Itzhak Stern),Ralph Fiennes (Amon Goeth), Caroline Goodall (Emilie Schindler), JonathanSagall (Poldek Pfefferberg), Embeth Davidtz (Helen Hirsch), Malgoscha Gebel(Victoria Klonowska), Shmulik Levy (Wilek Chilowicz), Mark Ivanir (MarcelGoldberg), Béatrice Macola (Ingrid) e Andrzej Seweryn (Julian Scherner).

Sinopse: Oskar Schindler é um homem ganancioso, egoísta, totalitário e membro honorário do Partido Nazista. Um sujeito tão inescrupuloso que utiliza toda a sua malícia e o seu poder de persuasão para enriquecer-se cada vez mais através da guerra e do trabalho escravo judeu. No entanto, após assistir ao extermínio de um gueto judeu em uma cidade na Alemanha e se chocar completamente ao presenciar a maneira como estes eram tratados nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, Schindler muda completamente o seu modo de pensar e agir, a ponto de sensibilizar-se totalmente com a causa judia e criar uma lista gigantesca de trabalhadores judeus que viria a precisar para trabalhar em sua fábrica de armas. Com isto, Schindler gasta toda a sua fortuna a fim de comprar o maior número possível de trabalhadores judeus, fazendo assim com que os nazistas não os maltratem nos campos de concentração, providenciando com que estes tenham uma vida bem melhor e mais digna como funcionários de suas fábricas.

The Schindler’s List – Trailer:

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Crítica:

“A Lista de Schindler” é o tipo de filme que Steven Spielberg (“E.T. – O Extraterrestre”), infelizmente, não está acostumado a dirigir. Não que eu tenha algo contra os demais projetos do diretor estadunidense, mas, convenhamos, nenhum deles se equipara a este longa em questão.

Inicialmente, os produtores de “A Lista…”almejavam que o diretor do longa fosse Martin Scorsese (este que considero comosendo um dos ícones máximos da história do Cinema mundial). No entanto, odiretor ítalo-americano recusou a proposta alegando que um cineasta estadunidense descendente de judeus poderia capturar muito mais a alma e a essência do filme do que ele próprio capturaria. Foi aí que Scorsese recomendou Spielberg.
O resultado, por incrível que pareça, foi altamente positivo e, quando digo:“por incrível que pareça”, é porque não sou um grande fã do trabalho de Spielberg como diretor e confesso que o julgo ligeiramente superestimado pelopúblico e pela crítica. Devo dizer também que considero a direção deste pouco ousada e que os seus filmes sempre dependem muito de efeitos visuais para funcionarem bem.
Neste longa, no entanto, a proposta de Spielberg é totalmente diferente. Desta vez o diretor descendente de judeus abandona os efeitos especiais que estão presentes em 90% de seus filmes, e nos brinda com uma estória deveras interessante que, ao invés de ser focada em alienígenas, dinossauros e outras coisas do tipo, retrata fielmente o holocausto que os nazistas exerceram sobre os judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
A propósito, umdos maiores responsáveis pela fidelidade com que o longa aborda os verdadeiros acontecimentos históricos é Steven Zaillian que nos presenteia com um roteiro adaptado com perfeição (tanto que foi eleito pelos críticos de cinema do mundotodo como sendo o 49° melhor roteiro da história do Cinema, em uma pesquisarealizada recentemente) do livro de Thomas Keneally, também intitulado de “A Lista de Schindler”. E já que mencionei o livro de Keneally, gostaria de dizer que considero o roteiro adaptado de Zaillian ainda melhor que o livro original, já que este é muito mais dinâmico do que aquele.
Mas voltando à direção de Spielberg, devo dizer que o grande destaque desta vai para a maneira descritiva com que ele retrata, por trás de sua detalhista câmera, o modo desumano como os judeus eram tratados nos campos de concentração nazistas. Outro ponto positivo, com relação à direção do filme, é que em momento algum Spielberg apela para a violência gratuita, sendo que, caso adireção do filme fosse de Scorsese provavelmente o diretor ítalo-americano iria acabar apelando um pouco mais para as cenas de violência tornando o longa ligeiramente sensacionalista, fato que não acontece com Spielberg (por mais que eu seja fã incondicional de Scorsese, reconheço que Spielberg dirigiu “A Lista de Schindler” de um modo que fez com que o longa soasse bastante realista, cruel e, ao mesmo tempo, nem um pouco apelativo, fato que não acredito que teria ocorrido caso a direção fosse do ítalo-americano responsável por “Touro Indomável”).
As atuações magníficas por parte do trio principal de atores também acrescentam muito ao longa. Ralph Fiennes (“O Morro dos Ventos Uivantes”) encarna com maestria o cruel e insano comandante Amon Goeth, um homem que odeia os judeus acima de tudo, mas que ainda assim, acaba se apaixonando pela sua própria empregada doméstica, que vem a ser uma judia. Para tentar esconder o amor que sente por esta, Goeth espanca a moça com freqüência e sofre a cada dia mais com isso. São poucos os atores que conseguiriam interpretar um personagem com uma mente tão complexa como a de Goeth de maneira tão perfeita como Fiennes o faz aqui, e é por este motivo queconsidero a sua atuação uma das 50 melhores atuações masculinas de todos ostempos.

Ben Kingsley (“Gandhi”) também não fica muito atrás eencarna com extrema competência Itzhak Stern, realizando uma atuação completamente segura e convincente, figurando também entre as 50 melhores atuações masculinas da história do cinema.

No entanto, a melhor atuação do filme é, de longe, a de Liam Neeson (“Fé Demais Não Cheira Bem”), interpretando com uma incrívelperfeição o protagonista do filme, Oskar Schindler. Neeson encarna seu papel deuma maneira tão natural, que em momento algum a mudança de personalidade de Schindler soa de maneira artificial e falsa, algo que dificilmente seria obtido com tanta perfeição por qualquer outro ator que fosse. Particularmente, creio que a atuação de Neeson neste filme figura entre as dez melhores atuações masculinas da história do Cinema, e sim, encontr
o-me em pleno uso da razão quando afirmo isso.

A fotografia em preto e branco de Janusz Kaminski também é outro grande acerto do filme, já que confere ao mesmo um ar de profunda melancolia, fazendo com que o espectador se sensibilize ainda mais com as barbáries cometidas contra os judeus durante este assombroso episódio da história da humanidade.
A trilha-sonora de John Williams (que também assinou por “Star Wars” e “Indiana Jones”),por sua vez, figura facilmente entre as melhores e, ao mesmo tempo, mais tristes, da história do Cinema. O grande destaque para a trilha do filme ficacom a cena final (que sem dúvida alguma é uma das mais emocionantes já produzidas pela Sétima Arte), quando a música tema é colocada de fundo aumentando ainda mais os sentimentos de melancolia e de tristeza presentes no momento, enquanto os milhares de judeus, que escaparam do holocausto graças a Oskar Schindler, colocam várias pedras no túmulo do industrial alemão como uma formade gratidão a este.
“A Lista de Schindler” conta ainda com uma infinidade de cenas inesquecíveis, tais como: o massacre do gueto judeu, o extermínio de vários judeus nos campos de concentração, o espancamentoda empregada doméstica de Amon Goeth, os prantos desesperados de Schindler quando este lamenta por não ter trocado seu broche de ouro e seu carro pelavida de outros vários judeus (esta inclusive é a cena mais marcante da carreirade Liam Neeson), o cantarolar dos judeus sobreviventes ao holocausto enquanto estes caminham para uma nova vida após o término da guerra, além é claro, da magnífica cena que encerra o filme com chave de ouro: a homenagem que os judeus, salvos por Oskar Schindler, prestam a ele, depositando várias pedras simbólicas em seu túmulo (mencionei esta cena ao final do parágrafo anterior).
Quase tão memoráveis quanto às cenas supracitadas, são duas frases ditas pelo personagem de Ben Kingsley, que marcaram, e muito, o filme: “___ Esta lista é um bem absoluto. Esta lista… é a vida. Em volta das suas margens fica o abismo, a morte.” e “___ Aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro.”.
Finalizando, este é o tipo de filme que aquece a alma de quem o assiste e nosleva a pensar que, por mais cruel que o mundo possa ser, sempre há uma boa pessoa disposta a arriscar tudo o que tem a fim de salvar milhares de vidas.
Em suma, “A Lista de Schindler” é um filme praticamente perfeito, onde todos os realizadores parecem ter se esforçado ao máximo a fim de obter um magnífico resultado final, que é justamente o que acaba acontecendo. A direção de Spielberg é detalhista e não contém quaisquer apelos que seja, as atuações do elenco não poderiam ser melhores, o roteiro de Zaillian foi perfeitamente bem adaptado do livro, a trilha-sonora de Williams está entre as melhores e mais tristes da história do Cinema e a fotografia em preto e branco de Kaminski realça ainda mais a melancolia que a película almeja nos passar.
Completando o parágrafo acima, “A Lista de Schindler” não só é o melhor trabalho de toda a carreira de Steven Spielberg como também se revela um dos melhores filmes já realizados até então. É uma verdadeira lástima que Spielberg não dirija mais películas deste tipo e com a mesma competência demonstrada aqui.

Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

Os Sete Samurais – ***** de *****

Admito vergonhosamente que os meus conhecimentos sobre o Cinema asiático, sobretudo o japonês, são bem limitados. O estranho é que admiro muito a cultura deste continente e, acima de tudo, do Japão. Sempre nutri um fortíssimo interesse sobre a história japonesa, principalmente no que diz respeito ao período Yamato, mas, curiosamente, nunca me preocupei em conhecer de maneira mais branda a sétima Arte importada da segunda maior potência econômica mundial. Reparando este erro apenas agora (antes tarde do que nunca), optei por locar alguns filmes do maior gênio do cinema japonês e analisar os mesmos. O primeiro fora “Yojimbo”, filme cuja crítica já fora postada aqui mesmo, nesta sessão do site, agora, optei por “Os Sete Samurais” que, não só é considerado como o mais importante filme oriental de todos os tempos, como também uma das quinze melhores obras da história do Cinema e uma experiência obrigatória no currículo de qualquer um que se julgue cinéfilo.

Ficha Técnica:
Título Original: Shicinin No Samurai.
Gênero: Drama.Ano de Lançamento: 1954.
Nacionalidade: Japão.
Tempo de Duração: 208 minutos.
Diretor: Akira Kurosawa.
Roteirista: Shinobu Hashimoto, Akira Kurosawa e Hideo Oguni.
Elenco: Takashi Shimura (Kambei Shimada), Toshirô Mifune (Kikuchiyo), Yoshio Inaba (Gorobei Katayama), Seiji Miyaguchi (Kyuzo), Minoru Chiaki (Heihachi Hayashida), Daisuke Katô (Shichiroji), Isao Kimura (Katsushiro), Kamatari Fujiwara (Manzo), Kokuten Kodo (Gisaku), Bokuzen Hidari (Yohei), Yoshio Kosugi (Mosuke), Yoshio Tsuchiya (Rikichi), Keiji Sakakida (Gasaku) e muitos outros.
Sinopse: Após ser saqueada freqüentemente por um grupo de saqueadores, uma aldeia situada no interior do Japão entra em colapso total, uma vez que passa a não possuir mais alimentos o bastante a fim de garantir a sua subsistência. Para evitar que tal crise se prolongue ainda mais, os aldeões decidem contratar um grupo de samurais para garantir a paz no local e garantir que a prosperidade reine no vilarejo. A dificuldade em contratar os serviços de tais mercenários, no entanto, aumenta consideravelmente quando os lavradores percebem que, a única forma de compensar os trabalhos desenvolvidos pelos guerreiros, é alimentando os mesmos, uma vez que eles não possuem quaisquer bens materiais que seja.

Shicinin No Samurai – Trailer:

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Crítica:

Mediante a sensibilidade das câmeras do gênio mor do Cinema asiático, Akira Kurosawa, quando “Os Sete Samurais” tem o seu início, passamos por uma desconfortável sensação de miséria. É justamente esta a sensação que este fabuloso épico almeja nos transmitir a princípio: a tão dolorosa realidade dos paupérrimos habitantes de um indigente vilarejo no interior do Japão que é pilhado freqüentemente por uma quadrilha de saqueadores.

O clima inserido no intróito da película é desesperador, aflito, lúgubre e urgente. É como se uma atitude drástica carecesse ser tomada o quanto antes, a fim de evitar a morte dos camponeses locais. Tais sensações transmitidas pela direção de Kurosawa, aliadas à trilha-sonora sombria e fúnebre de Fumio Hayasaka, conferem ao espectador uma inevitável impressão de que o filme está, na realidade, realizando uma ode ao Apocalipse. E é justamente este o sentimento presente nas mentes de cada um dos pobres camponeses indefesos: o de que o fim de tudo aquilo que eles têm por mundo, está verdadeiramente próximo.

Contudo, um sábio local sugere contratar um grupo de samurais que se sensibilizem com a causa deles e aceitem prestar serviços em troca de apenas três refeições diárias. É na cena em questão que Akira Kurosawa mostra, novamente, toda a sua genialidade, explorando a mentalidade de cada habitante do humilde vilarejo, retratando os diálogos de cada um destes, que variam desde os mais conformistas, que acreditam que lavradores nasceram para sofrer e, desta forma, devem aceitar o seu cruel destino, até os mais revolucionários que preferem pegar em armas e lutar contra os saqueadores arriscando a própria vida, passando pelos negativistas que crêem que a melhor solução é o suicídio e, por fim, encerrando o debate focando-se nos aldeões mais racionais, que aceitam a solução do sábio ancião e decidem tentar a impossível missão de contratar um grupo de samurais que protejam a aldeia, nem que para isso necessitem dispor de seus melhores alimentos.

A partir de então o filme assume uma outra postura filosófica. Se antes nos chocávamos com tamanha miséria e desespero, agora nos chocamos ainda mais ao sentirmos presentes o egoísmo e a ambição humana sendo abordadas em cena. De ode ao Apocalipse, o filme passa a realizar uma ode ao egoísmo humano e, acreditem, a sensação de angústia, estranhamente, não diminui nem um pouco, muito pelo contrário, aumenta. Não há como não nos comovermos, apenas para citar um exemplo, com a cena em que um aldeão, em pleno desespero, quase é espancado por um samurai após implorar que este proteja o seu vilarejo em troca de alimentos. Contudo, após passarem por humilhações de todos os tipos, os lavradores finalmente encontram um grupo com sete mercenários que, sem muitas perspectivas na vida, aceitam a missão.

Neste instante, o filme consegue nos cativar ainda mais do que já estava cativando outrora. O roteiro passa a confeccionar diálogos sensacionais sobre altruísmo, honra, amizade e egoísmo (desta vez, abordado de maneira um pouco menos ampla que anteriormente), e os protagonistas ganham uma abordagem extremamente ampla sobre o caráter de cada um deles. A química entre os samurais vai tornando-se cada vez mais visível e não há como não nos relacionarmos com os mesmos. É como se cada um deles fizesse parte de nós, tanto que, quando sentimos que estes correm sério risco de vida, tememos que algum membro de nossos corpos sejam decapitados, tamanha a relação que o roteiro estabelece entre o público e seus respectivos protagonistas.

A relação entre os mercenários e os plebeus também é muito bem abordada pelo roteiro. A princípio, temos a sensação de que está havendo ali um verdadeiro choque entre duas culturas amplamente diferentes, mas que, com o passar do tempo, não só o roteiro, como a sutil direção de Kurosawa e as engajadas atuações por parte de todo o elenco, fazem com que o público, assim como os guerreiros e os camponeses, se acostume com a confraternização que passa a se estabelecer entre ambos os lados.

E já que a palavra “sutileza” fora mencionada no parágrafo acima, não há como assistir ao longa em questão e não notar tal característica presente em quase todas as suas cenas. Kurosawa prova que é realmente um gênio e une diversos aspectos do longa tornando-o completamente sutil e agradável de ser assistido. Como resistir, por exemplo, ao cuidado com qu
e a direção de Arte nos transporta ao Japão Feudal? Ou ao modo como os figurinos incrementam ainda mais as características daquela época ao espectador? E, principalmente, ao trabalho cuidadoso que a edição sonora do filme realiza aqui, quando, sempre que conveniente, emite sons de água em movimento a fim de nos passar a tranqüilidade característica do vilarejo em períodos amistosos.

Mencionando novamente a direção de Kurosawa, só que, desta vez, destinando este parágrafo inteiro a fim de melhor descrevê-la, é dele o maior mérito deste grande épico do Cinema oriental ter tido toda a repercussão que teve mundo afora. O cineasta realiza aqui um trabalho irretocável e revolucionário. Além de utilizar freqüentemente os seus característicos verticals travellings com o intento de conferir maior visibilidade aos espectadores, Kurosawa mostra saber usar uma determinada imagem perfeitamente bem a fim de ilustrar um problema que os personagens do filme estão enfrentando. Vide a cena onde um camponês entra em desespero logo após ser saqueado e, para ilustrar o sentimento do aldeão de um modo realmente satisfatório, o diretor realiza um enquadramento onde exibe apenas a mão direita do lavrador coletando os pouquíssimos grãos de arroz que lhe restaram, esparramados pelo local. As batalhas que, por si só, já entrariam na história do Cinema, ganham ainda mais força e realismo sob a batuta do gênio japonês que cria ângulos fantásticos para poder acompanhá-las de modo dinâmico e convincente.

Considerado pela grande maioria dos cinéfilos e dos profissionais da área o mais completo filme oriental de todos os tempos, “Os Sete Samurais” vai, na realidade, muito além disso. O longa magistralmente dirigido por Kurosawa se revela uma experiência inigualável e única na vida de quem o assiste (e por mais que o seu remake estadunidense “Sete Homens e Um Destino” seja ótimo, ele jamais se equipara a este longa em questão), além de ser uma sessão inquestionavelmente obrigatória a todo o indivíduo que almeja ter um conhecimento, no mínimo, aceitável sobre o Cinema asiático e, por que não dizer, mundial.

Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

Crítica – Yojimbo, o Guarda-Costas

Detesto passar pela sensação a qual estou passando agora, após terminar de assistir a este “Yojimbo”. Não, nada pessoal contra o filme, que por sinal é excelente, mas sim quanto ao fato de ter de avaliá-lo do ponto de vista artístico. Só para citar um exemplo, quando escrevi uma crítica sobre “Platoon” (nunca cheguei a publicar tal crítica) mencionei na mesma que achava o filme fabuloso, perfeito, mas artisticamente falando o mesmo possuía algumas falhas e estas não poderiam passar batidas. O mesmo ocorre com este “Yojimbo”, com a diferença de que, desta vez, darei ao mesmo uma nota mais alta do que eu acredito que ele mereça. O pior de tudo é que estou fazendo isto me espelhando no remake que Sergio Leone lançou em cima do filme de Kurosawa, o clássico de westernPor um Punhado de Dólares”. Reconheço que este “Yojimbo”, artisticamente falando, é superior ao longa protagonizado por Clint Eastwood, mas do ponto de vista pessoal, considero o filme italiano bem mais cativante (mesmo atribuindo nota 8,5 para este e nota 9,0 para a produção japonês). Enfim, estes são os ossos do ofício, não é sempre que se pode ser extremamente subjetivo, não é mesmo?

Sinopse: Ao chegar em um vilarejo no Japão tomado por duas facções criminosas, um destemido Samurai vê ali a oportunidade de ganhar muito dinheiro, trabalhando secretamente para as duas organizações. A partir daí, a rivalidade entre as duas gangues aumenta cada vez mais, mudando o destino dos habitantes do vilarejo de forma irreversível.

Yojimbo – Trailer

Crítica:

Após chegar a um vilarejo tomado por duas organizações criminosas, um mercenário vê ali a oportunidade de ganhar muito dinheiro realizando trabalhos sujos às duas facções e colocando uma contra a outra. A estória soa familiar? Pois é, ela já fôra utilizada inúmeras vezes pelo Cinema, inclusive em filmes como o westernPor um Punhado de Dólares” (de Sergio Leone e com Clint Eastwood no elenco) e o gangster O Último Matador” (protagonizado por Bruce Willis). Contudo, este “Yojimbo” conta com uma característica que o coloca a frente dos demais filmes com a mesma sinopse, foi ele o primeiro filme a utilizá-la.

Fazendo uso de uma direção de arte fantástica, a obra (não necessariamente “prima”) de Kurosawa nos transporta ao Japão do início do Século XIX, em uma vila paupérrima, onde duas grandes famílias criminosas controlam o local. Contudo, a pequena vila sofre uma série de mudanças com a chegada de um samurai forte e destemido. A partir daí, o roteiro nos presenteia com uma seqüência de reviravoltas bastante convenientes e uma estória interessante o bastante para nos manter entretidos até o desfecho da mesma.

Além da estória atraente e das reviravoltas que a mesma possui, o roteiro deste “Yojimbo” ainda conta com um desenvolvimento bastante interessante de seus personagens, tanto os primários quanto os secundários. Tomemos por exemplo o protagonista da estória, Sanjuro Kuwabatake (encarnado por Toshirô Mifune). Apesar de o mesmo conter vários dos clichês do gênero, tais como: a face inexpressiva, o jeitão de durão e a frieza adotada para tomar suas atitudes (isso sem contar que ele sozinho se mostra capaz de matar oito homens de uma única vez), o personagem, vez ou outra, demonstra uma ponta de humanismo em seu gélido coração ou então realiza uma piada satirizando a situação pela qual está passando, fato que torna o personagem mais, digamos, humano.

O desenvolvimento da rivalidade entre as famílias de Seibei (interpretado por Seizaburô Kawazu) e Ushitora (Kyu Sazanka) também é outro ponto extremamente salientado pelo roteiro, que parece fazer a máxima questão de manter o espectador informado sobre tudo o que está acontecendo entre ambas as facções, sem dar prioridade a uma ou a outra (diferentemente de “Por um Punhado de Dólares” que dá muito mais crédito à família dos Rojos do que à família dos Baxters).

A direção de Akira Kurosawa, como sempre, está perfeita. É incrível vermos como o diretor é capaz de criar ângulos excepcionais com a sua câmera e mais impressionante ainda é podermos notar a maneira eficiente com que ele “casa” diversos aspectos do longa, fazendo com que todos andem em perfeita harmonia. Ou melhor, todos não, quase todos.

Disse “quase todos” pois a trilha-sonora infelizmente é falha, além de repetitiva e cansativa. Para um filme desta categoria, Kurosawa deveria ao menos ter sido mais cuidadoso na escolha da trilha, esta que vem a ser uma das características que, indubitavelmente, mais colaboram com a relação público-película, e ter selecionado algo mais cativante e empolgante.

Os demais aspectos que não comentei neste texto são todos perfeitos, realçando a fotografia que dá ainda mais charme ao filme que, apesar de não ser perfeito, é um marco na história da Sétima Arte, tanto que ganhou vários remakes que, artisticamente falando, não superam o mesmo.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

Crítica – Elizabeth – A Era de Ouro

Nutro um fanatismo incondicional na aquisição de conhecimento em História da humanidade, sobretudo em História Européia (tanto que, por várias vezes, pensei seriamente em abandonar o curso de Direito e dar início a uma faculdade de História). Entretanto, confesso não me interessar tanto pelo período ocorrido entre o Renascimento Cultural e a Revolução Francesa. Por este motivo vi-me obrigado a pesquisar algo sobre a famosa Guerra Anglo-Espanhola antes de assistir a “Elizabeth – A Era de Ouro” e confesso que em uma leitura de pouco mais de 3 minutos, aprendi muito mais sobre a mesma do que assistindo a este filme fútil de quase duas horas de duração. Não bastasse a falta de conteúdo presente em “Elizabeth – A Era de Ouro”, o longa ainda se revela extremamente cansativo e desnecessário conforme o(a) caro(a) leitor(a) terá a oportunidade de comprovar na presente crítica.

Ficha Técnica:
Título Original:
Elizabeth: The Golden Age
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 114 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra / França): 2007
Site Oficial: www.elizabeththegoldenage.net
Estúdio: Studio Canal / Working Title Films
Distribuição: Universal Pictures / UIP
Direção: Shekar Khapur
Roteiro: William Nicholson e Michael Hirst
Produção: Tim Bevan, Jonathan Cavendish e Eric Fellner
Música: Craig Armstrong e A.R. Rahman
Fotografia: Remi Adefarasin
Desenho de Produção: Guy Dyas
Direção de Arte: Christian Huband, Jason Knox-Johnston, Phil Simms e Andy Thomson
Figurino: Alexandra Byrne
Edição: Jill Bilcock
Efeitos Especiais: Moving Picture Company / Machine
Elenco: Cate Blanchett (Rainha Elizabeth I), Clive Owen (Sir Walter Raleigh), Abbie Cornish (Elizabeth Throckmorton), Geoffrey Rush (Sir Francis Walsingham), Jordi Mollá (Rei Felipe II), John Shrapnel (Lorde Howard), Susan Lynch (Annette), Samantha Morton (Mary Stuart), Penelope McGhie (Margaret), Rhys Ifans (Robert Reston), Eddie Redmayne (Thomas Babington), Adrian Scarborough (Calley), William Houston (Don Guerau de Spes), Steven Robertson (Francis Throckmorton), Jeremy Barker (Ramsey), Adam Godley (William Walsingham), George Innes (Burton), Kirstin Smith (Mary Walsingham), Kelly Hunter (Ursula Walsingham), Christian Brassington (Arquiduque Charles), Robert Cambrinus (Conde Georg von Helfenstein), Tom Hollander (Sir Amyas Paulet), Laurence Fox (Sir Christopher Hatton), Elise McCave e Aimee King.



Sinopse: Inglaterra, 1585. Elizabeth I (Cate Blanchett) está quase há três décadas no comando da Inglaterra, mas ainda precisa lidar com a possibilidade de traição em sua própria família. Simultaneamente a Europa passa por uma fase de catolicismo fundamentalista, que tem como testa-de-ferro o rei Felipe II (Jordi Mollá), da Espanha. Apoiado pelo Vaticano e armado com a Inquisição, Felipe II planeja destronar a “herege” Elizabeth I, que é protestante, e restaurar o catolicismo na Inglaterra. Preparando-se para entrar em guerra, Elizabeth busca equilibrar as tarefas da realeza com uma inesperada vulneabilidade, causada por seu amor proibido com o aventureiro Sir Walter Raleigh (Clive Owen).


Elizabeth – The Golden Age Trailer


Crítica:

Elizabeth – A Era de Ouro” é um longa baseado em uma estória bastante interessante, mas que acabou sendo desenvolvida da maneira mais fútil o possível. Inspirado na Era de Ouro (como indica o subtítulo) da Grã-Bretanha, o roteiro se perde em meio a um redemoinho de informações desnecessárias e imerge em um oceano de frivolidades pecando exacerbadamente ao direcionar mais tempo (principalmente em seu início) ao triângulo amoroso formado por Elizabeth, Sir Walter Raleigh e Elizabeth Throckmorton do que aos acontecimentos históricos que realmente marcaram o período mencionado no subtítulo. Não bastasse o excesso de preocupação com relacionamentos amorosos fúteis e dispensáveis, o filme não faz a menor questão de se aprofundar nos acontecimentos políticos, históricos e sociais da época e o que é pior: retrata a Guerra Anglo-Espanhola da maneira mais corriqueira o possível, não se importando, inclusive, em passar ao telespectador, de maneira realmente convincente, os reais motivos que implicaram no conflito que resultou na maior derrota da história da Espanha. A batalha naval ocorrida entre a Inglaterra e a Armada Espanhola (uma das maiores e mais importantes da história de ambos os países) se revela muito fraca e em momento algum empolga o espectador. Não bastasse todos estes defeitos, “Elizabeth – A Era de Ouro” ainda falha gravemente em utilizar excessivamente a sua trilha sonora megalomaníaca, conferindo grandiosidade demais a cenas que não precisavam disso, mostrando-se incrivelmente pedante durante vários momentos de projeção. Mas o filme conta com vários trunfos em suas mangas, que variam desde a belíssima fotografia, passando pelo fantástico figurino e pela ótima atuação de Cate Blanchett, até a inspirada direção de Shekar Khapur. Contudo, fica difícil não notar que, mesmo criando ângulos sensacionais, Khapur se mostra extremamente incompetente em alguns momentos do longa quando alterna bruscamente uma tomada de uma câmera para outra e quando cria planos seqüências enfadonhos e desnecessários.

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

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Crítica – Os Sete Samurais

Como a cultura oriental é interessante…Não concordam que nós,aqui no ocidente deveriamos ter mais contato com o cinema que vem do outro lado do mundo?Figurinos e danças exóticas aos nossos olhos,o oriente sempre me encantou,em 1954 um homem chamado Akira Kurasawa fez o cinema se encantar com ele,um diretor que influenciou lendas como Steven Spielberg,George Lucas,Francis Ford Coppola ou Martin Scorsese,mostrou o brilho do oriente e fez o seu cinema se chocar com o cinema ocidental.Resultado?”Os Sete Samurais”.Um filme que permance em sua cabeça por anos a fio,enche seus olhos e não vão estranhar se também arrebatar seu coração

Crítica:

Durante o Japão no período feudal,uma vila indefesa é constantemente atacada por bandidos,que roubam toda a sua comida e acabam com todas as plantações que os pobres moradores passaram tempos plantando.A decisão era clara:aquilo não poderia continuar e em reuniões acharam a solução:contratar um excepcional samurai para defendê-los de outros ataques,o pagamento era só estadia e comida,mas o trabalho veio de bom agrado.Com um argumento desse a obra prima de Akira Kurosawa se inicia em uma majestosa estória que vai encantar qualquer pessoa pelos próximos 206 minutos de duração.A estória principal vai sendo desenvolvida de forma brilhante,e muitas cenas vão sendo marcadas em nossa cabeça,como a seleção dos outros seis samurais que vão ajudar o grande samurai Kambei(assim como uma espécie de ovelha desgarrada entre eles,que constantemente rouba a cena),a dificuldade que eles têm de preparar uma vila inteira para lutar conta os bandidos e tentam transformar a vila em uma só.Era preciso união antes de tudo,como a vila toda tenta esconder suas mulheres com medo de uma possível sedução por parte dos samurais(e como eles as encontram),os constantes ataques fracassdos dos bandidos e vamos acompanhando isso até chegar ao grande clímax na fatídica seqüência na chuva.
O épico criado é dos melhores.A estória é intensa,criando várias discussões filosoficas e imagens brilhantes,Kurosawa faz cenas incríveis,filma bem as paisagens naturais e mostra a grande beleza daquele seu país,o mais interessantes são sua revoluções para o cinema:cenas de paisagens rurais entram em contrastes com cenas violentas,os figurinos exóticos dão um toque charmoso,fazendo de tal filme um espetáculo aos olhos humanos
E espetáculo maior vem para nossa mente,o que levaria sete samurais a aceitar um trabalho com um pagamento tão baixo?Necessidade ou questões filosoficas?Haveriam ainda justiceiros no mundo disposto a ajudar?E o mais interessante vem em seguida.40 grandes ladrões com arma das mais modernas,tentam em várias investidas atacar a vila,mas bastam apenas sete samurais para vencê-los.O que está em questão ali é muito mais do que força e quantidade.São estratégias e acima de tudo a união que os guerreiros devem ter.E união vem refleitda em quando Kambei chinga um de seus samurais por ser vangloriar após ter matado vários ladrões depois de um ataque:aquilo não era uma vitória,eles não deveriam achar que eram imbatíveis após ter vencido uma batalha (e esse é o principal contraste que diferencia a obra de Kurosawa com os wastern americanos)
Engana-se quem ache que “Os Sete Samurais”,apesar de todos os debates filosóficos abordados de forma sutil, se trata de um filme complexo,assisti-lo é como uma conversa informal com um amigo,a segurança que os protagonistas passam e o clima de amizade entre eles refletem em uma sensação agradável,chegamos a sofrer quando algum deles corre o risco de morrer.
“Os Sete Samurais” é uma obra que deve ser vista de novo e de novo,em 1960 criou-se o western “Sete Homens e um Destino”, uma versão americana de “Os Sete Samurais”. Não vale a pena. A obra de Kurosawa é única e deve ser vista como tal.

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Crítica – Sangue Negro

Publiquei um artigo aqui no Cine-Phylum durante o mês de janeiro onde arriscava meus palpites para os prováveis vencedores do Oscar® 2008. Lembro-me que, neste artigo, havia apostado em “Onde os Fracos Não Têm Vez” como provável vencedor do prêmio de Melhor Filme. Passaram-se alguns dias e, finalmente, pude assistir a todos os filmes que estão concorrendo na categoria principal do Oscar® este ano e cheguei à conclusão de que o longa dos Irmãos Cohen é inovador demais para faturar o prêmio (e sabemos muito bem o quanto a Academia não gosta de filmes inovadores, apesar de reconhecer a ousadia destes conferindo-lhes indicações aos prêmios principais). Foi quando conferi este magnífico “Sangue Negro” que concluí que o vencedor do prêmio principal não seria o longa dos Cohen, mas sim esta obra extraordinária de Paul Thomas Anderson. Em primeiro lugar, o longa inova, isso é fato, mas inova dentro dos padrões da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em segundo lugar, o filme debate um tema muito adorado por cinéfilos do mundo todo: a ambição humano. Em terceiro e último lugar, o filme se mostra uma experiência muito mais interessante que a obra dos Cohen.



Crítica:

Provavelmente, os maiores trunfos da história do Cinema estão, direta ou indiretamente, ligados a um roteiro que trabalhe em cima de um personagem, seja ele protagonista ou não, cuja ganância elevada ao extremo desencadeie um processo de autodestruição na vida do mesmo. Filmes como “Cidadão Kane”, “O Poderoso Chefão”, “…E o Vento Levou”, “O Tesouro de Sierra Madre”, “Os Bons Companheiros” e até mesmo, o mais recente e não menos importante “O Senhor dos Anéis”, são algumas das muitas provas disso. “Sangue Negro” é outro magnífico exemplar da Sétima Arte onde a ganância dos seres humanos e os resultados negativos que esta traz às suas vidas são retratados de maneira tão magistral quanto filmes como “O Poderoso Chefão” e “Cidadão Kane”. No entanto, a comparação que faço entre “Sangue Negro” e as obras supracitadas não se resume apenas às abordagens que elas realizam sobre a ganância humana e as suas conseqüências, mas também no que se refere à exploração de seus protagonistas. Fazendo uso de um roteiro que desenvolve o perfil de Daniel Plainview (personagem principal do longa) de maneira tão meticulosa quanto os roteiros de “O Poderoso Chefão” e “Cidadão Kane” fizeram com seus respectivos protagonistas, o roteirista e diretor Paul Thomas Anderson se mostra extremamente competente e sagaz a ponto de realizar uma abordagem maquiavélica durante a construção de seu personagem. Plainview é um homem de negócios que, além de crer que os fins justificam os meios, utiliza a mesma perspicácia utilizada por Maquiavel em sua obra-prima, “O Príncipe”, a fim de lidar com os seus funcionários (ou na visão de Maquiavel, o povo). Com uma mão, Plainview “acaricia” seus subordinados e com a outra mão, “agarra” os lucros que obtém com os sacrifícios destes, considerando-os como meras ferramentas de se fazer dinheiro. O longa ganha ainda mais ritmo em seu terceiro ato, quando a autodestruição do protagonista parece ter atingido o seu ápice. A atuação de Daniel Day-Lewis é outro ponto forte e ultrapassa os limites da perfeição. Um dos melhores filmes da década.

Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

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