Posts Tagged ‘Épico’
O Guerreiro Genghis Khan – ** de *****
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 28 de julho de 2.009.

Ficha Técnica:
Título Original: Mongol.
Gênero: Drama / Épico.
Tempo de Duração: 120 minutos.
Ano de Lançamento: 2007.
Países de Origem: Casaquistão, Rússia, Mongólia e Alemanha.
Site: http://www.mongolmovie.com/
Direção: Sergei Bodrov.
Roteiro: Arif Aliyev, Sergei Bodrov.
Elenco: Tadanobu Asano (Temudjin), Honglei Sun (Jamukha), Khulan Chuluun (Börte), Aliya (Oelun – Mãe de Temudjin), Amadu Mamadakov (Targudai), He Qi (Dai-Sechen), Ben Ho Sun (Monge), Ji Ri Mu Tu (Boorchu), Tegen Ao (Charkhu), Ying Bai (Mercador com Anel de Ouro), Bao Di (Todoen), Odnyam Odsuren (Jovem Temudjin), Bayertsetseg Erdenebat (Jovem Börte), Deng Ba Te Er (Daritai), You Er (Sorgan-Shira), Ba Sen (Esugei – Pai de Temudjin), Amarbold Tuvshinbayar (Young Jamukha), Ba Ti (Juchi), Li Jia Qi (Mungun), Bu Ren (Taichar) e outros.
Sinopse: Reconstituição dos primeiros anos de vida de Genghis Khan, escravo que se tornou um dos maiores conquistadores de todos os tempos. Ele chegou a dominar metade do mundo conhecido até então, incluindo a Rússia no ano de 1206.
Fonte Sinopse: Cineclick.
Mongol – Trailer:
Crítica:
Temudjin, vulgo Genghis Khan, foi um dos maiores guerreiros e conquistadores da história da humanidade, figurando facilmente entre celebridades históricas do naipe de Alexandre Magno e Julio Caesar, dentre muitos outros grandes militares que tornaram-se imortais através de inúmeras lendas e estórias que passaram a ser tecidas sobre eles.
É lastimável, no entanto, que uma figura como o mongol mais importante e memorável de todos os tempos tenha sido tão pouco retratada e explorada pelo Cinema (há uma versão lançada em 1.965 sobre Khan, com Omar Scharif no elenco, mas nunca tive a oportunidade de assisti-la, infelizmente) fato que faz com que todo aquele que se diz amante da História e da sétima Arte (que é o meu caso), se arrepie por inteiro só de ouvir falar sobre uma produção que trará tal figura lendária como protagonista.
Se a produção em questão ainda for financiada por países que, salvo em raros casos, sempre primam pela Arte e raramente abaixam a cabeça para certos dogmas hollywoodianos, a experiência que teremos ao assisti-la tem tudo para se tornar muito mais excitante, não? E se a tal produção adotar como padrão um idioma cada vez mais raro de se ouvir e que era proferido por Khan? Aí todo e qualquer cinéfilo tende a ter vários orgasmos múltiplos, não é mesmo? Claro que sim, principalmente em tempos onde é cada vez mais comum irmos ao cinema e ouvirmos um oficial da Gestapo, interpretado por um ator estadunidense, diga-se de passagem, falar inglês com um sotaque alemão mais do que artificial.
Pois é, sei que não devemos nutrir expectativas sobre uma obra cinematográfica antes de conferi-la, afinal de contas, o correto é deixarmos que a mesma conquiste nossa total confiança, que deve sempre começar do zero. Entretanto, a pergunta que fica no ar é: como não se empolgar com um filme com as características supracitadas? Impossível, não? E como.
Eis que “O Guerreiro Genghis Khan” tem o seu tão aguardado (a menos para mim) início. À primeira vista, as expectativas são mais do que superadas. Começamos no Reino Tungus, local onde Temudjin orquestrou o caos durante sua campanha militar. A fotografia é brilhantemente escura (brilhantemente escura?! Sim, da série: antíteses ultra-paradoxais da vida), a direção de arte reflete bem à arquitetura da época e do local e Sergei Vladimirovich Bodrov (sim, outro motivo para nutrir excelentes expectativas acerca do filme: ele é dirigido por um experiente cineasta russo) faz jus ao seu nome e logo de cara efetua closes mais do que dinâmicos, além de realizar um eficiente travelling aéreo que capta toda a beleza do cenário magistralmente montado. O quê? Ah, sim, claro, como não… há várias pessoas falando o respectivo idioma local, o que confere um tom cultural muito maior ao filme.
A edição e o roteiro nos remetem então ao passado do grande guerreiro, mais precisamente quando ele tinha os seus nove anos de idade (e palmas para o letreiro que anuncia ser o ano do rato negro, de acordo com o calendário local, o que acaba conferindo à obra um apego cultural ainda mais forte com a região retratada). Sentimos então que vamos mergulhar profundamente no passado de Temudjin, e é aí que começam os erros crassos cometidos pelo roteiro.
Mas quais seriam esses erros? Bem, qualquer um que apeteça saber algo sobre a estória do grande conquistador mongol deve ter a plena ciência de que o mesmo adotou certas estratégias para derrotar os seus inimigos e que tais táticas de combate só funcionavam perfeitamente bem em virtude do sábio uso de cavaleiros mangudai(s) que o mesmo ministrava e… espere aí, Mangudai(s)?! Isso mesmo, Mangudai(s), uma mescla de arqueiro e cavaleiro, a unidade de ataque principal contida nos exércitos de Khan e que, sabe-se lá o porquê, nem ao menos aparecem ou são comentadas durante o desenrolar do épico.
Aliás, chamar isto daqui de épico é, no mínimo, uma ofensa a este majestoso gênero cinematográfico que, por muitas vezes, elevou o Cinema à condição de espetáculo. Tudo o que “O Guerreiro Genghis Khan” tem a nos oferecer é, no máximo, um draminha clichê nos padrões hollywoodianos, algo bem distante do patamar de um épico.
E falando em Hollywood, sabe aquele filme estrangeiro pertencente a uma terra onde o Cinema raramente segue os dogmas adotados pela maior indústria cinematográfica do mundo? Pois é, ele morre logo nos primeiros minutos de projeção, já que aqui, a sensação que temos é a de que estamos longe de presenciar as típicas produções cazaquistanêsas, mongóis, alemãs ou russas.
O motivo? Simples. Não bastasse a falta de conteúdo histórico do filme, que perde tempo com estorinhas de vingança mais do que batidas e romances mais forçados e artificiais que os de uma novela global, não dando a mínima importância a acontecimentos realmente importantes à vida do grande guerreiro, bem como a invasão que este executou contra a China e o relacionamento dele com o seu conselheiro chinês Yeh-lu Ch’u-ts’-ai (que, no filme em questão, nem ao menos é citado), o mesmo ainda romantiza demasiadamente a figura do militar mongol, retratando-o como um homem bom e justo, mas esquecendo-se de que Temudjin, na verdade, era um conquistador cruel, sádico e sanguináreo, um dos piores que o mundo já conheceu.
O que dizer então do modo como o roteiro desenvolve o protagonista? Se dissesse que o aborda vergonhosamente, estaria fazendo um elogio. A palavra incongruente certamente viria mais a calhar. Francamente, assim como ocorre no também fraco “Alexandre”, aqueles que saírem da sessão sem ter obtido um prévio conhecimento sobre o líder mongol, jamais saberão ao certo como o jovem patético do filme pôde se transformar no grande militar que ele foi.
Se em “Alexandre” víamos Colin Farrel chorando no colo de marmanjos feito uma criança mimada, em “O Guerreiro Genghis Khan” vemos o protagonista fugindo dos inimigos feito uma galinha durante uma hora inteira de projeção e, inexplicavelmente, o mesmo garoto fujão de outrora se transforma, sem mais nem menos e, de uma hora para outra, em um hábil lutador que mais parece um Rambo com espadas. Essa, aliás, revela-se uma das mais artificiais metamorfoses da história do Cinema, afinal de contas, em algum momento o filme explica como o garoto amedrontado de antes conseguiu se transformar em um grande combatente no futuro, sem ter passado por quaisquer formas de treinamento para tal?
Contando com um elenco irregular, cenas absurdas (reparem na estranha facilidade que Hollywood (o quê? O filme não é hollywoodiano? Mas que parece, parece) tem em fazer com que grandes batalhas atraiam gigantescas tempestades que se formam do nada) e informações que pouco acrescentam àqueles que realmente desejam realmente conhecer o homem, o mito e a lenda Genghis Khan, o filme ainda falha terrivelmente ao tratar o mesmo como um verdadeiro covarde durante boa parte da projeção e romantizá-lo ao extremo durante a sua fase adulta, transformando um dos líderes militares mais sádicos de todos os tempos em um homem justo e piedoso.
Salva-se graças à impecável produção, que nos brinda com uma obra inteira pronunciada no idioma mongol, à magistral fotografia e à cuidadosa direção de Sergei Bodrov que, mesmo conduzindo a trama muito mal, cria ângulos excepcionais (vide a batalha onde a câmera assume “os olhos do protagonista” durante o seu desenrolar) e suntuosos planos abertos a fim de retratar toda a beleza natural do local, como na cena onde o personagem, pela primeira vez na vida, enfrenta, sozinho, as congeladas paisagens durante o rígido período hiemal daquela região do globo terrestre (apesar que confesso não saber ao certo se Bodrov imaginava estar dirigindo um épico dramático bem raso ou um documentário produzido pela National Geografic, já que, durante alguns momentos, ele parece se preocupar mais em captar a formosura da natureza local do que o próprio filme em si).
Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.
Sessão Nostalgia – parte 3: Lawrence da Arábia (1962)
É estranho como certas coisas insistem em pendurar na nossa cabeça por anos e outras desaparecem em apenas dias. Me lembro bem dessa conversa por telefone,dela toda e não só do trecho postado aqui,porém me lembrava pouco da estória (ou história) desse grande clássico. Sabia apenas que ele era um dos meus favoritos,como sabia?Ora,sentindo. Hoje,tendo passado dois anos vejo de novamente com olhar mais atento e afirmo que não acho “Lawrence da Arábia’ uma obra tão genial quanto achava outrora. Acho melhor!
David Lean se ratifica como gênio,anteriormente lançando dois clássicos “Oliver Twist” e “A Ponte do Rio Kwai”,”Lawrence da Arábia” se mostra o melhor filme dele,o filme que arrebatou todos os prêmios que concorreu e hoje a obra-prima do diretor,e não para pouca coisa. Lean constroi um retrato detalhado da vida do enigmático T.E. Lawrence e coloca em uma riqueza incrível como ele uniu tribos arabes afim de combater os turcos,e não esquecendo do cenário político e militar da época. Lean filma como ninguém,explora os recursos visuais que tinha. Lendas dizem que eles acordavam de de madrugada apenas para pegar o nascer do Sol no deserto,ele explora tudo que tem tão a fundo,que encerrados as pouco mais de três horas e meia de filme,o pensamento que temos é único: Nada mais poderia ser encaixado ali dentro
O Sol nascendo e as viagens pelo deserto,assim como as explosões do trem,Lawrence sendo açoitado ou o fabuloso desfecho no carro cria um leque de cenas que marcam o filme por completo,lá não existe A CENA marcante,e sim uma continuidade onde a próxima cena é melhor que a anterior e assim vai,deixando o filme fixado na memório por completo,e então vai naquela: ou você lembra de tudo ou deleta o filme todo da cabeça.Engana-se quem pensa que apenas de cenas é feito “Lawrence da Arábia”,o filme conta com diálogos magnifícos,frases marcantes de um homem culto que constantemente entra em conflitos com pessoas de culturas diferentes, diálogos e respostas que vão além de coisas simples e que não estão ali apenas para dar um que notório ao filme,estão ali pois precisam esta,e elas revelam muito da situação ou do carater de cada personagem,e entre elas a mais magnífica “Um Homem pode ser o que quiser”. Será mesmo?Sim ou não,Lawrence consegue viver assim
Poucos atores são tão injustiçados pelo Oscar quanto Peter O´Toole,ele aplica um tom inglês fantástico em seu personagem,cara séria e sem emoção,frieza ao se expressar,voz nunca sai do tom normal,cria Lawrence como um heróis as avessas (dizem que um dos maiores erros da carreira de Marlon Brando foi ter recusado esse papel) aquele herói de idéias e atitudes,mas que não demonstra heroismo,e se por um lado é herói,pelo outro o protagonista mostra-se arrogante,pretencioso,ora se comparando a personagens biblicos,ora se intulando como milagreiro de um povo,pelo menos em se tratando do protagonista o filme conseguiu equilibrar em uma imparcialidade rara no cinema.Alec Guinness e Anthony Quinn se destacam entre os coadjuvantes
Com uma fotografia absurdamente boa,talvez a melhor que o cinema já viu,acompanhando as viagens pelo deserto com uma das trilhas sonoras mais inesquecíveis, “Lawrence da Arábia” se firma como obra-prima intocada pelo tempo,um filme que mostra o prazer em fazer o impossível virar o possível,um relato histórico em proporções extraordinárias,um conto de um homem que nem Homero escreveria melhor,referência estética e técnica,figurinos nunca vistos antes e especialmente a ousadia de um cineasta que fez de seu filme um dos mais complexos e influentes que o cinema já viu.
Ah,quanto o trabalho do Alvares,apresentamo bons cartazes,eu fiz um resumo detalhado de Noite na Taverna para a turma e a garota fez analises ótimas de A Lira dos Vinte Anos,fechamos o trabalho,porém o vídeo não chegou a serconcluido,na verdade gravamos 10-15 minutos de imagens,foi ótimo.Hoje Alvares de Azevedo é um dos meus poetas favoritos!
Austrália – ** de *****
Título Original: Australia.
Gênero: Drama.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.australiafilme.com.br/
Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 165 minutos.
Direção: Baz Lurhmann.
Roteiro: Stuart Beattie, Baz Luhrmann, Ronald Harwood e Richard Flanagan, baseado em estória de Baz Luhrmann.
Elenco: Nicole Kidman (Sarah Ashley), Hugh Jackman (Drover), Brandon Walters (Nullah), David Wenham (Neil Fletcher), Ray Barrett (Bull), Bryan Brown (Rei Carney), Tony Barry (Sargento Callahan), Essie Davis (Cath Carney), Arthur Dignam (Padre Benedict), Sandy Gore (Gloria Carney), David Gulpilil (Rei George), Jamie Gulpilil (Porter), Jacek Koman (Ivan), Ben Mendelsohn (Capitão Dutton), David Ngoombujarra (Magarri), Angus Pilakui (Goolaj), Bruce Spence (Dr. Barker) e Kerry Walker (Myrtle Allsop).
Australia – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=nrV5XsorQco&hl=pt-br&fs=1]
“Austrália” é mais um destes filmes imaturos e previsíveis que logo em seus dez primeiros minutos revela todos os defeitos que possui e virá a possuir durante o desenrolar de sua trama. Começamos com um garoto mestiço extremamente irritante, cujo nome é Nullah (e confesso que desde que assisti a “Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma” pela primeira vez, no ano de 1999, não via um personagem que conseguia ser tão irritante quanto Jar Jar Binks. Nullah conseguiu romper tal tabu) e assume a função de narrador da obra cinematográfica em questão. O problema é que além da narração ser gritantemente dispensável, o tom de voz empregado pelo ator mirim é simplesmente insuportável. Isso sem contar, é claro, a péssima escolha das palavras utilizadas pelo roteiro a fim de construir a narrativa, que se torna altamente previsível.
Leone). Coisa boa não poderia sair, não é mesmo? Pois é, o romance entre eles revela-se um dos maiores clichês já vistos até então. Ambos formam o casal que se odeia, mas que, aos poucos, passa a se amar, Algo parecido com o romance entre Lizzie Bennet e Mr. Darcy em “Orgulho & Preconceito”, com a diferença de que, no filme dirigido por Joe Wright, o casal era abordado com muito charme, coisa que não acontece neste “Austrália”. Aliás, charme é o que falta ao romance dos dois, uma vez que tudo é “jogado” ao espectador sem o menor resquício de sutileza (só para se ter uma idéia, a rica moça passa a se interessar pelo rude rapaz a partir de uma cena onde este se banha e, praticamente, faz pose para a câmera exibindo os seus músculos, algo que parece ter sido extraído de um comercial de suplementos alimentares para frequentadores de academias de musculação).
A Lista de Schindler – ***** de *****
Voltando a postar na sessão de “Filmes Clássicos”, optei por reeditar este texto de “A Lista de Schindler”, que havia publicado no site Cinema em Cena a cerca de dois ou três anos atrás e postá-lo aqui no Papo Cinema. Entretanto, minha intenção não era assistir ao longa novamente, almejava apenas dar uma analisada no texto, mudá-lo em alguns pontos, e postá-lo, mas não resisti e acabei assistindo ao filme pela terceira vez em minha vida. A sensação não pôde ser diferente, mais uma vez me derreti em lágrimas ao final da obra-prima de Steven Spielberg (oras, homens também choram, e também possuem sentimentos, não?). Logo após o término da sessão, reli o meu texto e optei por alterá-lo em algumas partes. O resultado o leitor poderá conferir logo mais abaixo, onde não poupei elogios para explanar sobre um de meus quinze filmes prediletos.

Ficha Técnica:
Título Original: The Schindler’s List.
Gênero: Drama.
Ano de Lançamento: 1993.
Nacionalidade: EUA.
Tempo de Duração: 195 minutos.
Diretor: Steven Spielberg.
Roteirista: Steven Zaillian, baseado em obra-literária de Thomas Keneally.
Elenco: Liam Neeson (Oskar Schindler), Ben Kingsley (Itzhak Stern),Ralph Fiennes (Amon Goeth), Caroline Goodall (Emilie Schindler), JonathanSagall (Poldek Pfefferberg), Embeth Davidtz (Helen Hirsch), Malgoscha Gebel(Victoria Klonowska), Shmulik Levy (Wilek Chilowicz), Mark Ivanir (MarcelGoldberg), Béatrice Macola (Ingrid) e Andrzej Seweryn (Julian Scherner).
Sinopse: Oskar Schindler é um homem ganancioso, egoísta, totalitário e membro honorário do Partido Nazista. Um sujeito tão inescrupuloso que utiliza toda a sua malícia e o seu poder de persuasão para enriquecer-se cada vez mais através da guerra e do trabalho escravo judeu. No entanto, após assistir ao extermínio de um gueto judeu em uma cidade na Alemanha e se chocar completamente ao presenciar a maneira como estes eram tratados nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, Schindler muda completamente o seu modo de pensar e agir, a ponto de sensibilizar-se totalmente com a causa judia e criar uma lista gigantesca de trabalhadores judeus que viria a precisar para trabalhar em sua fábrica de armas. Com isto, Schindler gasta toda a sua fortuna a fim de comprar o maior número possível de trabalhadores judeus, fazendo assim com que os nazistas não os maltratem nos campos de concentração, providenciando com que estes tenham uma vida bem melhor e mais digna como funcionários de suas fábricas.
The Schindler’s List – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=TAH3RTRlCHY&hl=pt-br&fs=1]
“A Lista de Schindler” é o tipo de filme que Steven Spielberg (“E.T. – O Extraterrestre”), infelizmente, não está acostumado a dirigir. Não que eu tenha algo contra os demais projetos do diretor estadunidense, mas, convenhamos, nenhum deles se equipara a este longa em questão.
Ben Kingsley (“Gandhi”) também não fica muito atrás eencarna com extrema competência Itzhak Stern, realizando uma atuação completamente segura e convincente, figurando também entre as 50 melhores atuações masculinas da história do cinema.
No entanto, a melhor atuação do filme é, de longe, a de Liam Neeson (“Fé Demais Não Cheira Bem”), interpretando com uma incrívelperfeição o protagonista do filme, Oskar Schindler. Neeson encarna seu papel deuma maneira tão natural, que em momento algum a mudança de personalidade de Schindler soa de maneira artificial e falsa, algo que dificilmente seria obtido com tanta perfeição por qualquer outro ator que fosse. Particularmente, creio que a atuação de Neeson neste filme figura entre as dez melhores atuações masculinas da história do Cinema, e sim, encontr
o-me em pleno uso da razão quando afirmo isso.
Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.
Os Sete Samurais – ***** de *****
Elenco: Takashi Shimura (Kambei Shimada), Toshirô Mifune (Kikuchiyo), Yoshio Inaba (Gorobei Katayama), Seiji Miyaguchi (Kyuzo), Minoru Chiaki (Heihachi Hayashida), Daisuke Katô (Shichiroji), Isao Kimura (Katsushiro), Kamatari Fujiwara (Manzo), Kokuten Kodo (Gisaku), Bokuzen Hidari (Yohei), Yoshio Kosugi (Mosuke), Yoshio Tsuchiya (Rikichi), Keiji Sakakida (Gasaku) e muitos outros.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=l8NBT8RlorU&hl=pt-br&fs=1]
e a direção de Arte nos transporta ao Japão Feudal? Ou ao modo como os figurinos incrementam ainda mais as características daquela época ao espectador? E, principalmente, ao trabalho cuidadoso que a edição sonora do filme realiza aqui, quando, sempre que conveniente, emite sons de água em movimento a fim de nos passar a tranqüilidade característica do vilarejo em períodos amistosos.
Crítica – Yojimbo, o Guarda-Costas
Detesto passar pela sensação a qual estou passando agora, após terminar de assistir a este “Yojimbo”. Não, nada pessoal contra o filme, que por sinal é excelente, mas sim quanto ao fato de ter de avaliá-lo do ponto de vista artístico. Só para citar um exemplo, quando escrevi uma crítica sobre “Platoon” (nunca cheguei a publicar tal crítica) mencionei na mesma que achava o filme fabuloso, perfeito, mas artisticamente falando o mesmo possuía algumas falhas e estas não poderiam passar batidas. O mesmo ocorre com este “Yojimbo”, com a diferença de que, desta vez, darei ao mesmo uma nota mais alta do que eu acredito que ele mereça. O pior de tudo é que estou fazendo isto me espelhando no remake que Sergio Leone lançou em cima do filme de Kurosawa, o clássico de western “Por um Punhado de Dólares”. Reconheço que este “Yojimbo”, artisticamente falando, é superior ao longa protagonizado por Clint Eastwood, mas do ponto de vista pessoal, considero o filme italiano bem mais cativante (mesmo atribuindo nota 8,5 para este e nota 9,0 para a produção japonês). Enfim, estes são os ossos do ofício, não é sempre que se pode ser extremamente subjetivo, não é mesmo?
Sinopse: Ao chegar em um vilarejo no Japão tomado por duas facções criminosas, um destemido Samurai vê ali a oportunidade de ganhar muito dinheiro, trabalhando secretamente para as duas organizações. A partir daí, a rivalidade entre as duas gangues aumenta cada vez mais, mudando o destino dos habitantes do vilarejo de forma irreversível.
Crítica:
Após chegar a um vilarejo tomado por duas organizações criminosas, um mercenário vê ali a oportunidade de ganhar muito dinheiro realizando trabalhos sujos às duas facções e colocando uma contra a outra. A estória soa familiar? Pois é, ela já fôra utilizada inúmeras vezes pelo Cinema, inclusive em filmes como o western “Por um Punhado de Dólares” (de Sergio Leone e com Clint Eastwood no elenco) e o gangster “O Último Matador” (protagonizado por Bruce Willis). Contudo, este “Yojimbo” conta com uma característica que o coloca a frente dos demais filmes com a mesma sinopse, foi ele o primeiro filme a utilizá-la.
Fazendo uso de uma direção de arte fantástica, a obra (não necessariamente “prima”) de Kurosawa nos transporta ao Japão do início do Século XIX, em uma vila paupérrima, onde duas grandes famílias criminosas controlam o local. Contudo, a pequena vila sofre uma série de mudanças com a chegada de um samurai forte e destemido. A partir daí, o roteiro nos presenteia com uma seqüência de reviravoltas bastante convenientes e uma estória interessante o bastante para nos manter entretidos até o desfecho da mesma.
Além da estória atraente e das reviravoltas que a mesma possui, o roteiro deste “Yojimbo” ainda conta com um desenvolvimento bastante interessante de seus personagens, tanto os primários quanto os secundários. Tomemos por exemplo o protagonista da estória, Sanjuro Kuwabatake (encarnado por Toshirô Mifune). Apesar de o mesmo conter vários dos clichês do gênero, tais como: a face inexpressiva, o jeitão de durão e a frieza adotada para tomar suas atitudes (isso sem contar que ele sozinho se mostra capaz de matar oito homens de uma única vez), o personagem, vez ou outra, demonstra uma ponta de humanismo em seu gélido coração ou então realiza uma piada satirizando a situação pela qual está passando, fato que torna o personagem mais, digamos, humano.
O desenvolvimento da rivalidade entre as famílias de Seibei (interpretado por Seizaburô Kawazu) e Ushitora (Kyu Sazanka) também é outro ponto extremamente salientado pelo roteiro, que parece fazer a máxima questão de manter o espectador informado sobre tudo o que está acontecendo entre ambas as facções, sem dar prioridade a uma ou a outra (diferentemente de “Por um Punhado de Dólares” que dá muito mais crédito à família dos Rojos do que à família dos Baxters).
A direção de Akira Kurosawa, como sempre, está perfeita. É incrível vermos como o diretor é capaz de criar ângulos excepcionais com a sua câmera e mais impressionante ainda é podermos notar a maneira eficiente com que ele “casa” diversos aspectos do longa, fazendo com que todos andem em perfeita harmonia. Ou melhor, todos não, quase todos.
Disse “quase todos” pois a trilha-sonora infelizmente é falha, além de repetitiva e cansativa. Para um filme desta categoria, Kurosawa deveria ao menos ter sido mais cuidadoso na escolha da trilha, esta que vem a ser uma das características que, indubitavelmente, mais colaboram com a relação público-película, e ter selecionado algo mais cativante e empolgante.
Os demais aspectos que não comentei neste texto são todos perfeitos, realçando a fotografia que dá ainda mais charme ao filme que, apesar de não ser perfeito, é um marco na história da Sétima Arte, tanto que ganhou vários remakes que, artisticamente falando, não superam o mesmo.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
Crítica – Elizabeth – A Era de Ouro
Nutro um fanatismo incondicional na aquisição de conhecimento em História da humanidade, sobretudo em História Européia (tanto que, por várias vezes, pensei seriamente em abandonar o curso de Direito e dar início a uma faculdade de História). Entretanto, confesso não me interessar tanto pelo período ocorrido entre o Renascimento Cultural e a Revolução Francesa. Por este motivo vi-me obrigado a pesquisar algo sobre a famosa Guerra Anglo-Espanhola antes de assistir a “Elizabeth – A Era de Ouro” e confesso que em uma leitura de pouco mais de 3 minutos, aprendi muito mais sobre a mesma do que assistindo a este filme fútil de quase duas horas de duração. Não bastasse a falta de conteúdo presente em “Elizabeth – A Era de Ouro”, o longa ainda se revela extremamente cansativo e desnecessário conforme o(a) caro(a) leitor(a) terá a oportunidade de comprovar na presente crítica.
Ficha Técnica:
Título Original: Elizabeth: The Golden Age
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 114 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra / França): 2007
Site Oficial: www.elizabeththegoldenage.net
Estúdio: Studio Canal / Working Title Films
Distribuição: Universal Pictures / UIP
Direção: Shekar Khapur
Roteiro: William Nicholson e Michael Hirst
Produção: Tim Bevan, Jonathan Cavendish e Eric Fellner
Música: Craig Armstrong e A.R. Rahman
Fotografia: Remi Adefarasin
Desenho de Produção: Guy Dyas
Direção de Arte: Christian Huband, Jason Knox-Johnston, Phil Simms e Andy Thomson
Figurino: Alexandra Byrne
Edição: Jill Bilcock
Efeitos Especiais: Moving Picture Company / Machine
Elenco: Cate Blanchett (Rainha Elizabeth I), Clive Owen (Sir Walter Raleigh), Abbie Cornish (Elizabeth Throckmorton), Geoffrey Rush (Sir Francis Walsingham), Jordi Mollá (Rei Felipe II), John Shrapnel (Lorde Howard), Susan Lynch (Annette), Samantha Morton (Mary Stuart), Penelope McGhie (Margaret), Rhys Ifans (Robert Reston), Eddie Redmayne (Thomas Babington), Adrian Scarborough (Calley), William Houston (Don Guerau de Spes), Steven Robertson (Francis Throckmorton), Jeremy Barker (Ramsey), Adam Godley (William Walsingham), George Innes (Burton), Kirstin Smith (Mary Walsingham), Kelly Hunter (Ursula Walsingham), Christian Brassington (Arquiduque Charles), Robert Cambrinus (Conde Georg von Helfenstein), Tom Hollander (Sir Amyas Paulet), Laurence Fox (Sir Christopher Hatton), Elise McCave e Aimee King.
Sinopse: Inglaterra, 1585. Elizabeth I (Cate Blanchett) está quase há três décadas no comando da Inglaterra, mas ainda precisa lidar com a possibilidade de traição em sua própria família. Simultaneamente a Europa passa por uma fase de catolicismo fundamentalista, que tem como testa-de-ferro o rei Felipe II (Jordi Mollá), da Espanha. Apoiado pelo Vaticano e armado com a Inquisição, Felipe II planeja destronar a “herege” Elizabeth I, que é protestante, e restaurar o catolicismo na Inglaterra. Preparando-se para entrar em guerra, Elizabeth busca equilibrar as tarefas da realeza com uma inesperada vulneabilidade, causada por seu amor proibido com o aventureiro Sir Walter Raleigh (Clive Owen).
Elizabeth – The Golden Age Trailer
Crítica:
“Elizabeth – A Era de Ouro” é um longa baseado em uma estória bastante interessante, mas que acabou sendo desenvolvida da maneira mais fútil o possível. Inspirado na Era de Ouro (como indica o subtítulo) da Grã-Bretanha, o roteiro se perde em meio a um redemoinho de informações desnecessárias e imerge em um oceano de frivolidades pecando exacerbadamente ao direcionar mais tempo (principalmente em seu início) ao triângulo amoroso formado por Elizabeth, Sir Walter Raleigh e Elizabeth Throckmorton do que aos acontecimentos históricos que realmente marcaram o período mencionado no subtítulo. Não bastasse o excesso de preocupação com relacionamentos amorosos fúteis e dispensáveis, o filme não faz a menor questão de se aprofundar nos acontecimentos políticos, históricos e sociais da época e o que é pior: retrata a Guerra Anglo-Espanhola da maneira mais corriqueira o possível, não se importando, inclusive, em passar ao telespectador, de maneira realmente convincente, os reais motivos que implicaram no conflito que resultou na maior derrota da história da Espanha. A batalha naval ocorrida entre a Inglaterra e a Armada Espanhola (uma das maiores e mais importantes da história de ambos os países) se revela muito fraca e em momento algum empolga o espectador. Não bastasse todos estes defeitos, “Elizabeth – A Era de Ouro” ainda falha gravemente em utilizar excessivamente a sua trilha sonora megalomaníaca, conferindo grandiosidade demais a cenas que não precisavam disso, mostrando-se incrivelmente pedante durante vários momentos de projeção. Mas o filme conta com vários trunfos em suas mangas, que variam desde a belíssima fotografia, passando pelo fantástico figurino e pela ótima atuação de Cate Blanchett, até a inspirada direção de Shekar Khapur. Contudo, fica difícil não notar que, mesmo criando ângulos sensacionais, Khapur se mostra extremamente incompetente em alguns momentos do longa quando alterna bruscamente uma tomada de uma câmera para outra e quando cria planos seqüências enfadonhos e desnecessários.
Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.
____________________________________________________________________
Crítica – Os Sete Samurais
Como a cultura oriental é interessante…Não concordam que nós,aqui no ocidente deveriamos ter mais contato com o cinema que vem do outro lado do mundo?Figurinos e danças exóticas aos nossos olhos,o oriente sempre me encantou,em 1954 um homem chamado Akira Kurasawa fez o cinema se encantar com ele,um diretor que influenciou lendas como Steven Spielberg,George Lucas,Francis Ford Coppola ou Martin Scorsese,mostrou o brilho do oriente e fez o seu cinema se chocar com o cinema ocidental.Resultado?”Os Sete Samurais”.Um filme que permance em sua cabeça por anos a fio,enche seus olhos e não vão estranhar se também arrebatar seu coração
Crítica:
Durante o Japão no período feudal,uma vila indefesa é constantemente atacada por bandidos,que roubam toda a sua comida e acabam com todas as plantações que os pobres moradores passaram tempos plantando.A decisão era clara:aquilo não poderia continuar e em reuniões acharam a solução:contratar um excepcional samurai para defendê-los de outros ataques,o pagamento era só estadia e comida,mas o trabalho veio de bom agrado.Com um argumento desse a obra prima de Akira Kurosawa se inicia em uma majestosa estória que vai encantar qualquer pessoa pelos próximos 206 minutos de duração.A estória principal vai sendo desenvolvida de forma brilhante,e muitas cenas vão sendo marcadas em nossa cabeça,como a seleção dos outros seis samurais que vão ajudar o grande samurai Kambei(assim como uma espécie de ovelha desgarrada entre eles,que constantemente rouba a cena),a dificuldade que eles têm de preparar uma vila inteira para lutar conta os bandidos e tentam transformar a vila em uma só.Era preciso união antes de tudo,como a vila toda tenta esconder suas mulheres com medo de uma possível sedução por parte dos samurais(e como eles as encontram),os constantes ataques fracassdos dos bandidos e vamos acompanhando isso até chegar ao grande clímax na fatídica seqüência na chuva.
O épico criado é dos melhores.A estória é intensa,criando várias discussões filosoficas e imagens brilhantes,Kurosawa faz cenas incríveis,filma bem as paisagens naturais e mostra a grande beleza daquele seu país,o mais interessantes são sua revoluções para o cinema:cenas de paisagens rurais entram em contrastes com cenas violentas,os figurinos exóticos dão um toque charmoso,fazendo de tal filme um espetáculo aos olhos humanos
E espetáculo maior vem para nossa mente,o que levaria sete samurais a aceitar um trabalho com um pagamento tão baixo?Necessidade ou questões filosoficas?Haveriam ainda justiceiros no mundo disposto a ajudar?E o mais interessante vem em seguida.40 grandes ladrões com arma das mais modernas,tentam em várias investidas atacar a vila,mas bastam apenas sete samurais para vencê-los.O que está em questão ali é muito mais do que força e quantidade.São estratégias e acima de tudo a união que os guerreiros devem ter.E união vem refleitda em quando Kambei chinga um de seus samurais por ser vangloriar após ter matado vários ladrões depois de um ataque:aquilo não era uma vitória,eles não deveriam achar que eram imbatíveis após ter vencido uma batalha (e esse é o principal contraste que diferencia a obra de Kurosawa com os wastern americanos)
Engana-se quem ache que “Os Sete Samurais”,apesar de todos os debates filosóficos abordados de forma sutil, se trata de um filme complexo,assisti-lo é como uma conversa informal com um amigo,a segurança que os protagonistas passam e o clima de amizade entre eles refletem em uma sensação agradável,chegamos a sofrer quando algum deles corre o risco de morrer.
“Os Sete Samurais” é uma obra que deve ser vista de novo e de novo,em 1960 criou-se o western “Sete Homens e um Destino”, uma versão americana de “Os Sete Samurais”. Não vale a pena. A obra de Kurosawa é única e deve ser vista como tal.
____________________________________________________________________
Crítica – Sangue Negro
Publiquei um artigo aqui no Cine-Phylum durante o mês de janeiro onde arriscava meus palpites para os prováveis vencedores do Oscar® 2008. Lembro-me que, neste artigo, havia apostado em “Onde os Fracos Não Têm Vez” como provável vencedor do prêmio de Melhor Filme. Passaram-se alguns dias e, finalmente, pude assistir a todos os filmes que estão concorrendo na categoria principal do Oscar® este ano e cheguei à conclusão de que o longa dos Irmãos Cohen é inovador demais para faturar o prêmio (e sabemos muito bem o quanto a Academia não gosta de filmes inovadores, apesar de reconhecer a ousadia destes conferindo-lhes indicações aos prêmios principais). Foi quando conferi este magnífico “Sangue Negro” que concluí que o vencedor do prêmio principal não seria o longa dos Cohen, mas sim esta obra extraordinária de Paul Thomas Anderson. Em primeiro lugar, o longa inova, isso é fato, mas inova dentro dos padrões da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em segundo lugar, o filme debate um tema muito adorado por cinéfilos do mundo todo: a ambição humano. Em terceiro e último lugar, o filme se mostra uma experiência muito mais interessante que a obra dos Cohen.
Crítica:
Provavelmente, os maiores trunfos da história do Cinema estão, direta ou indiretamente, ligados a um roteiro que trabalhe em cima de um personagem, seja ele protagonista ou não, cuja ganância elevada ao extremo desencadeie um processo de autodestruição na vida do mesmo. Filmes como “Cidadão Kane”, “O Poderoso Chefão”, “…E o Vento Levou”, “O Tesouro de Sierra Madre”, “Os Bons Companheiros” e até mesmo, o mais recente e não menos importante “O Senhor dos Anéis”, são algumas das muitas provas disso. “Sangue Negro” é outro magnífico exemplar da Sétima Arte onde a ganância dos seres humanos e os resultados negativos que esta traz às suas vidas são retratados de maneira tão magistral quanto filmes como “O Poderoso Chefão” e “Cidadão Kane”. No entanto, a comparação que faço entre “Sangue Negro” e as obras supracitadas não se resume apenas às abordagens que elas realizam sobre a ganância humana e as suas conseqüências, mas também no que se refere à exploração de seus protagonistas. Fazendo uso de um roteiro que desenvolve o perfil de Daniel Plainview (personagem principal do longa) de maneira tão meticulosa quanto os roteiros de “O Poderoso Chefão” e “Cidadão Kane” fizeram com seus respectivos protagonistas, o roteirista e diretor Paul Thomas Anderson se mostra extremamente competente e sagaz a ponto de realizar uma abordagem maquiavélica durante a construção de seu personagem. Plainview é um homem de negócios que, além de crer que os fins justificam os meios, utiliza a mesma perspicácia utilizada por Maquiavel em sua obra-prima, “O Príncipe”, a fim de lidar com os seus funcionários (ou na visão de Maquiavel, o povo). Com uma mão, Plainview “acaricia” seus subordinados e com a outra mão, “agarra” os lucros que obtém com os sacrifícios destes, considerando-os como meras ferramentas de se fazer dinheiro. O longa ganha ainda mais ritmo em seu terceiro ato, quando a autodestruição do protagonista parece ter atingido o seu ápice. A atuação de Daniel Day-Lewis é outro ponto forte e ultrapassa os limites da perfeição. Um dos melhores filmes da década.
Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.
____________________________________________________________________



English
Español
Niederlande
Français
Русский
Italiano
日本語
Svenska
Deutsch
Suomen