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Especial – Harry Potter
É aquela coisa, é só uma continuação que integra uma franquia cinematográfica extremamente bem sucedida do ponto de vista financeiro aparecer e tudo quanto é crítico de Cinema faz um especial com todos os episódios que formam a tal série. Oras, que atitude mais oportunista e aproveitadora esta, não? Pois é, muito oportunista e aproveitadora mesmo. Enfim, deixe-me aproveitar descarada e imensamente do fato de “Harry Potter e o Enigma do Principe” estar sendo lançado nos cinemas do mundo todo durante esta semana e utilizar-me de um oportunismo altamente hipócrita para lançar as minhas críticas realizadas aos cinco primeiros episódios da franquia. Comecemos com “Harry Potter e a Pedra Filosofal”
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 15 de julho de 2.009.
Harry Potter e a Pedra Filosofal – *** de *****

Lembro-me de que, durante a primeira reunião do grupo de escritores de minha cidade, debatemos sobre o porquê desse sucesso todo que J. K. Rowling fez pelo mundo com os livros da série Harry Potter. O que havia de tão especial nesta série literária a ponto de merecer todo esse sucesso exacerbado e esse assédio descontrolado por parte do público e da mídia? Eu, junto de outros colegas, defendi a hipótese de que Rowling conseguira mexer com a imaginação da criança e, em um mundo tão patético quanto este, onde a vida virtual parece ser infinitamente mais atrativa e convidativa do que a vida real, isso já seria o bastante para despertar a atenção dos jovens leitores, uma vez que o mundo de Harry Potter aparenta ser incrivelmente mais repleto de graça do que este mundo enfadonho e recursivo em que vivemos.
Contudo, a fim de transportar o leitor para o seu mundo fantástico (em ambos os sentidos da palavra), Rowling viu-se na necessidade de utilizar mais de seiscentas páginas para tal. Em face disso, surgiu a seguinte pergunta: quantos minutos seriam necessários para que um diretor obtivesse o mesmo resultado caso desejá-se adaptar o livro para as telonas? Chris Colombus apostou em 152 minutos e conseguiu, magistralmente, exportar as nossas mentes para o mágico (também em ambos os sentidos da palavra) e fantástico mundo de Harry Potter. E, com isso em vista, podemos afirmar que o filme é simplesmente perfeito, correto? De maneira alguma. Se há uma coisa da qual “Harry Potter e a Pedra Filosofal” passa longe, é da perfeição.
Não se tenha dúvidas de que é muito interessante adentrarmos em um mundo paralelo onde possamos conviver com inúmeros fatores que o difiram completamente deste nosso mundo real e chato. Pois neste episódio de abertura da franquia cinematográfica “Harry Potter” temos um leque de variedades que desafiam a nossa imaginação, podendo alternar desde um fantasma que é “quase-sem-cabeça”, até mesmo a uma pedra filosofal que traz consigo o elixir da vida, passando por castelos suntuosos, filhotes de dragão norueguês nascendo diretamente do ovo, unicórnios, centauros, capas de invisibilidade, chapeis seletivos falantes, duendes que administram um banco, pinturas animadas, um esporte cujas partidas são disputadas com muita adrenalina e uma forte carga de magia (apesar das regras deste serem deveras absurdas, mas tudo bem), escadas que se movem e um espelho capaz de nos revelar os mais profundos desejos de nossos corações.
Enfim, o universo descrito no parágrafo supra é o universo que Chris Colombus nos propõe a apresentar e consegue o fazer magistralmente, diga-se. Por 152 minutos nos vemos encantados dentro deste mundo alternativo e… opa… espera lá (pois é, informal deste jeito mesmo), é exatamente isso o que acontece. Assim como os bruxos deste universo paralelo exibido nas telas, os produtores da série conseguem nos enfeitiçar com um mundo belo e mágico e deduzem que isso já basta para nos encantar por completo. Ah, pra cima de mim não, meu amigo! Pensa que não percebi que, dos 152 minutos de projeção do filme, pouco mais de 20 foram realmente dedicados a desenvolver alguma estória que seja (que sim, trata-se de uma trama muito bem bolada, mas pessimamente desenvolvida)? Pois é, a magia lançada pelos bruxinhos protagonistas revela-se forte o bastante para cobrir o espectador com um encanto que cai sobre si, a ponto de o fazer deixar a sessão como se tivesse assistido a um convincente exemplar da indústria do entretenimento quando, na verdade, assistiu somente a um codilho cinematográfico mitológica e visualmente lindo, mas com muito pouco conteúdo.
E vamos para a sessão de “Harry Potter e a Câmara Secreta”, que espero que seja melhor.
Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.
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Harry Potter e a Câmara Secreta – **** de *****

E, de fato, a sessão de “Harry Potter e a Câmara Secreta” foi bem superior à sessão de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Vários pontos que haviam deixado a desejar no primeiro filme acabaram recebendo um tratamento extremamente diferenciado neste segundo episódio da saga do bruxinho, dentre os quais destaco a direção de Chris Colombus. Longe de mostrar-se ligeiramente apático por trás das câmeras, assim como havia feito no longa anterior, Colombus investe aqui em uma série de técnicas que, mesmo fazendo com que o seu trabalho se mostre apenas correto, o coloca em um patamar bem acima de “…A Pedra Filosofal”. Em um determinado momento, por exemplo, o cineasta realiza um traveling aéreo que rotaciona por todo o magistral cenário da Escola de Bruxaria de Hogwarts e se encerra adentrando, através de uma pequena abertura, a estufa onde os alunos encontram-se assistindo a uma aula.
Colombus se mostra bastante sagaz também ao tomar certas cautelas que fazem com que o espectador tenha uma noção mais ampla do desenvolvimento temporal diegético da trama, como na cena em que, a fim de provar que uma importantíssima personagem encontra-se petrificada há um bom tempo, foca uma enfermeira substituindo um buquê de rosas murchas que localizava-se na superfície do criado-mudo ao seu lado, por rosas novas.
A grande evolução no que se refere ao quesito direção, no entanto, deve-se ao cuidado que o diretor toma para fazer com que a trama principal jamais seja relegada pelo mundo mágico de Harry Potter. Ao contrário do primeiro filme, onde Colombus parecia se preocupar mais em filmar um banquete oferecido aos alunos da escola do que dar maior ênfase à estória em si, em “…A Câmara Secreta” o cineasta toma o devido cuidado para que nos preparemos para o final da trama logo no início de sua projeção. Isso pode ser notado quando percebemos que o diretor se preocupa em colocar o elfo doméstico Dobby anunciando perigo eminente a Harry bem nos minutos iniciais do filme e, principalmente, quando constatamos, algumas cenas mais tarde, que o protagonista, estranhamente, começa a ouvir vozes do nada, algo que consegue manter o suspense desde o intróito da produção.
O roteiro, por sua vez, não só faz com que tenhamos ciência do grande perigo que está por vir durante praticamente todo o seu desenrolar, criando, com o auxílio da direção de Colombus, um instigante clima de urgência, como também nos apresenta a uma estória consideravelmente mais complexa, mais desenvolvida e mais bem amarrada do que a do primeiro filme (que era, de certa forma, bastante satisfatória).
Lamentável, todavia, é constatarmos que, mesmo conduzindo a sua trama e o seu argumento muito bem, o roteiro de Steven Kloves, associado ao trabalho de Chris Colombus, falha gravemente ao nos apresentar o, mais do que importante, personagem Tom Riddle de maneira demasiada abrupta. Ao mesmo tempo em que o roteiro de “…A Câmara Secreta” nos prepara muito bem para o tal cômodo ocultado do título, ele falha terrivelmente ao não nos preparar mais cautelosamente para o imprescindível Tom Riddle que, quando chega trazendo à tona a estória envolvendo a sua memória e tudo mais, acaba pegando o espectador negativamente de surpresa.
Ponto negativo também para o desenvolvimento gritantemente caricato de personagens como Draco Malfoy e o seu pai, Lucius.
E que venha “…O Prisioneiro de Azkaban”, e que minha torcida para que o terceiro episódio se mostre superior a este ótimo “…A Câmara Secreta” seja saciada.
Avaliação Final: 7,5 na escala de 10,0.
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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – **** de *****

Cinematograficamente falando (não, não estou fazendo propaganda do blog concorrente), o que vem a ser mais importante: o roteiro ou a direção de um filme? Difícil responder, não? Vamos tomar os três primeiros episódios da série Harry Potter para discorrer sobre o assunto.
O 1º episódio conta com um roteiro interessante, de certa forma, mas com uma direção que se perde em meio ao fantástico mundo paralelo de Harry Potter e acaba se esquecendo, durante a maior parte de sua projeção, de conduzir uma estória definitiva.
O segundo episódio, por sua vez, conta com um roteiro ainda mais interessante e, embora a direção seja mais eficiente aqui do que havia se revelado outrora, mostra-se muito comprometida quando deixa para explicar uma complexa estória envolvendo Tom Riddle durante o final do filme, ou seja, quando parece se dar conta de que resta-lhe muito pouco tempo de projeção, vê-se obrigada a fazer tudo às pressas.
Neste “…O Prisioneiro de Azkaban”, no entanto, temos o roteiro menos importante (calma, já vou me explicar) dentre todos os três episódios produzidos até então, mas Alfonso Cuarón nos brinda com um trabalho espetacular e faz mágica (sim, péssimo e oportunista trocadilho) para transformar o mais dispensável (se é que assim posso chama-lo) capítulo da saga do bruxinho (lembrando que não estou levando em conta aqui os filmes que viriam a ser produzidos depois deste) no melhor de todos realizados até então.
E quando digo que este “…O Prisioneiro de Azkaban” é o menos importante dentre os três primeiros títulos da série criada por J. K. Rowling, na verdade estou levando em consideração a idéia básica desta franquia, ou seja, a guerra travada entre o protagonsita Harry Potter e seu arqui-rival Lorde Voldemort. Em “…A Pedra Filosofal”, Harry trava um confronto parcialmente direto com o seu grande inimigo. Já em “…A Câmara Secreta”, tal confronto assume um aspecto mais indireto, embora não menos perigoso.
Mas e quanto a “…O Prisioneiro de Azkaban”? Bem, sou obrigado a dizer que neste terceiro filme Voldemort é apenas citado, e só. O confronto da vez aparentemente ocorre entre personagens adjacentes ao grande duelo entre “Você-Sabe-Quem” e Potter, uma vez que, conforme fora dito, o primeiro nem ao menos dá as caras por aqui. E por mais que o longa traga uma galeria de personagens importantes para a franquia em si, não há como não notarmos que a ausência do inimigo mor do personagem encarnado por Daniel Radcliffe diminui consideravelmente o grau de importância e a dramaticidade da obra.
Entretanto, é como fora mencionado pouco mais acima, a direção de Cuarón prevalece sobre o roteiro de Steven Kloves, que também é ótimo, mas não teria a mesma força sem o ótimo trabalho do cineasta mexicano.
Se há uma palavra que possa definir o trabalho de Cuarón como um todo, essa palavra se chama: dinamicidade. Sabe aquelas típicas seqüências bobinhas envolvendo os tios de Harry Potter? Elas, infelizmente, ainda existem por aqui, mas a cena inserida neste terceiro episódio é tão curta que nem ao menos chega a causar incomodo. Sabe aquelas longas passagens pelo Beco Diagonal? Elas não mais dão às caras por aqui (apesar que confesso ter sentido falta delas e não acharia nem um pouco ruim caso as mesmas fossem mantidas, contanto, é claro, que não se estendessem tanto o quanto se estendiam nos filmes anteriores, sobretudo no 1º episódio). Aliás, o roteiro perde muito pouco tempo com cenas cuja importância seja meramente visual e logo em seus primeiros minutos nos apresenta a uma sensação de perigo eminente e direto (ao contrário do 2º filme onde a primeira cena que envolvia o elfo domesticado Dobby oferecia um certo perigo eminente, mas indireto).
O destaque do filme fica por conta de sua imprevisibilidade e pela maneira como Cuarón conduz a trama, principalmente pelo modo dinâmico como dirige as duas últimas seqüências do longa que são, de longe, o momento máximo da franquia (ao menos até agora).
Pois é, desta vez a direção fez total diferença e, por mais que o roteiro seja ótimo, apesar de não acrescentar tanto à saga quanto os outros dois anteriores, o resultado possivelmente não teria sido o mesmo nas mãos de Chris Colombus ou qualquer outro cineasta que seja.
E vamos ao 4º episódio da saga que, ao menos até agora, considero o pior dentre todos os filmes.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
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Harry Potter e o Cálice de Fogo – **** de *****

O Cinema é, de fato, extraordinariamente mágico. Há apenas três anos atrás, taxei este “… O Cálice de Fogo” como sendo o pior episódio da franquia Harry Potter. Porém, ao assisti-lo pela segunda vez, há menos de duas horas atrás, inferi que, decididamente, este quarto episódio passará a ser o meu predileto.
Mesmo que não conte com estórias tão bem boladas quanto as do primeiro e do segundo episódios (que, torno a dizer, foi pessimamente desenvolvida em “…A Pedra Filosofal” e não tão bem desenvolvida o quanto deveria em “…A Câmara Secreta”) e uma seqüência extremamente contínua e repleta de momentos tão marcantes quanto os da luta entre Lupin e Sirius Black, Harry Potter e os Dementadores e, é claro, o vira-tempo de Hermione, este quarto episódio se mostra o mais maduro (e maturo também, por que não?) e regular dentre todos os outros.
O longa se abre de forma aterrorizante (aterrorizante para um filme infantil, é claro), mostrando uma rápida reunião entre Lorde Voldemort e seus auxiliares. Desde então percebemos que trata-se, definitivamente, do capítulo mais sombrio e recheado de suspense dentre toda a franquia. A fotografia empregada é excepcional e alterna magistralmente entre tons demasiadamente escuros e cinzentos. O roteiro, por sua vez, se mostra competente o bastante para seguir o mesmo tom fúnebre.
Com o término desta rápida reunião, nos vemos diante de uma partida de quadribol, desta vez disputada em um estádio cuja direção de arte empregada para construí-lo é não menos do que fabulosa. Mas não se trata de uma partida de quadribol qualquer. Trata-se de um duelo espetacular que faz parte do Campeonato Mundial de Quadribol. Os efeitos especiais dão show aqui e percebemos a cautela para com os mesmos logo que presenciamos inúmeros fogos de artifício estourando nos céus e formando a imagem de um duende dançarino. Esta é a apresentação da seleção da Irlanda.
O jogo acaba. Os espectadores vão dormir em suas respectivas barracas, quando Comensais da Morte surgem repentinamente e destroem tudo o que veem pela frente. A partir de então o filme ganha ritmo, e só o perde mais para frente. O suspense aumenta ainda mais quando vemos o nome de Harry Potter surpreendentemente sair de dentro do tal Cálice de Fogo do título. Isto indica que ele deverá participar de um torneio mortal, envolvendo todo o tipo de magia negra que se possa imaginar. Mas como o Cálice, que nunca erra, poderia extrair o nome de Potter dali, uma vez que a regra não permite que participantes com a sua idade disputem o torneio? Esse questionamento permeia as nossas mentes durante o filme todo, o que aumenta gradativamente o suspense do mesmo.
O torneio tem o seu início, o protagonista da saga enfrenta vários desafios, passando por dragões aterrorizantes, sereias traiçoeiras e labirintos imprevisíveis. Todas as três provas carregadas com o mais forte clima de tensão que se possa imaginar. Parte disso deve-se claramente ao diretor estreante na série: Mike Newell. Veja o modo como o cineasta retrata a perseguição entre Harry Potter e um dragão, por exemplo. Newell não só acompanha a ação de modo fantástico, como também aproveita-se muito bem da paisagem colossal emanada pelo magistral castelo de Hogwarts, filmando-o lindamente durante todo o acossamento.
Contudo, o mesmo Newell que realiza aqui o trabalho de direção mais dinâmico de toda a série (sim, ele supera até mesmo Cuarón neste quesito) acaba falhando ao dar ênfase em demasia à briguinha tola entre Potter e Wesley e ao tão famoso Baile de Inverno que, sejamos francos, pouco acrescenta à trama, apesar da excepcional direção de arte que é empregada na construção do salão onde ocorre o evento ser digna de se encher os olhos.
O destaque do longa fica para a seqüência que sucede a prova do labirinto, mostrando uma empolgante e mortal luta entre Harry Potter e… bom, deixa para lá, melhor não estragar surpresas e não revelar o nome do oponente do bruxinho herói. Mas devo deixar claro que, se tal seqüência não conta com um trabalho de continuidade tão genial e eficiente quanto as cenas que fazem parte do desfecho de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, ela se mostra muito mais forte, individualmente falando, e revela-se o ponto máximo da saga até então.
E vamos para o quinto filme, “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, que, quem sabe, talvez me traga várias surpresas também e faça com que eu mude completamente a nota oferecida há dois anos atrás (na época atribui uma nota 5,0 ao filme), assim como ocorreu com este quarto episódio?
Avaliação Final: 8,3 na escala de 10,0.
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Harry Potter e a Ordem da Fênix – * de *****

Pois é, conforme havia previsto, mudei completamente de opinião e, como consequência disso, modifiquei demasiadamente a nota atribuída a este filme também. O problema é que, infelizmente, acabei alterando tudo para pior.
Há uma personagem inserida neste “Harry Potter e a Ordem da Fênix” que acaba resumindo bem este filme inteiro. Refiro-me à Luna Lovegood, uma garota inexpressiva, insossa e praticamente sem alma. E é exatamente isso o que este quinto episódio da saga realmente é: um filme inexpressivo, insosso e sem alma. Tão sem alma que, dentre todos os cinco capítulos da série cinematográfica que optei por conferir novamente durante esta semana, este foi o que menos me deixou lembranças, já que o fato de tê-lo assistido há apenas dois anos atrás, e no cinema (o que geralmente torna um determinado filme ainda mais marcante do que o simples fato de assisti-lo em DVD) não foi o bastante para que o mesmo deixá-se quaisquer marcas que sejam em mim.
Também, era de se imaginar, não? Analisemos a primeira meia hora de projeção, para se ter uma idéia do que estou falando. Harry é ameaçado por dois Dementadores e invoca a magia “Expecto Patronus” para livrar-se dos mesmos, sua atitude é tida como desprezível pelo Ministério da Magia que decide o expulsar de Hogwarts. Entretanto, graças à influência de Dumbledore, o diretor consegue fazer com que o garoto seja devidamente julgado e, neste julgamento (o pior julgamento dentre os demais que já presenciei no Cinema, e olhe que não foram poucos), o protagonista é absolvido. Pois é, para se ter uma idéia do ritmo excessivamente lento de “…A Ordem da Fênix”, basta mencionar que trinta minutos são dedicados apenas para acusar Harry de utilizar magia fora da escola e absolve-lo (de maneira previsível, diga-se) logo em seguida.
E o que vem depois? Bem, o que vem depois é mais uma série de aborrecimentos e pequenos acontecimentos que pouco acrescentam à franquia cinematográfica. Sabemos que Harry e Dumbledore estão sendo acusados de mentir quanto à volta de Voldemort e que isso pode ser um complô de ambos para que o Ministro Cornélio Fudge perca o cargo. Para evitar que tal fato aconteça, o Ministro envia Dolores Umbridge, uma funcionária de sua total confiança, para espionar Hogwarts. Logo, a mesma assume uma postura ditatorial e mostra a sua verdadeira face por trás de toda a aparente candura que lhe era característica, no que mais me pareceu uma releitura da clássica enfermeira Louise Fletcher, a grande vilã do sensacional “Um Estranho no Ninho”.
Bem, só aí já tivemos mais de uma hora de filme desperdiçada, e nada, absolutamente nada, realmente relevante acontece. Eis que Harry Potter decide reativar a Ordem da Fênix do título e passa a ganhar a confiança daqueles que duvidavam de sua palavra quanto à volta de Voldemort. Harry inicia um treinamento entre os seus colegas para que os mesmos se vejam capazes de enfrentar o seu verdadeiro arquiinimigo e… bem, deduz-se que a partir desse instante o filme ganha a devida força a qual precisa para funcionar corretamente e fazer jus a seu episódio anterior, que era extremamente dinâmico e emocionante, correto? Errado. A partir de então vemos um roteiro que só se preocupa em fazer jovens girar a varinha para realizar truques de mágica e um cineasta que, cada vez mais, se afunda em um trabalho apático e pavoroso.
Pois é, Yates nem de longe lembra Newell ou Cuarón. O cineasta não se mostra capaz de conferir ritmo ao filme em momento algum durante os dois primeiros atos deste e, consequentemente, cria uma obra emocionalmente fria e enfadonha.
O roteiro também colabora imensamente para que “…A Ordem da Fênix” se mostre, cada vez mais, um filme dispensável, uma vez que poucas cenas mostram real relevância para a franquia em si (uma delas mostra um antigo embate entre o jovem Severo Snape e Tiago Potter, provando que o pai de Harry, bem como muitos de seus amigos, não são tão bonzinhos quanto se imaginava, algo que os torna muito mais humanos e menos caricatos).
Mas a chatice intragável dos dois primeiros atos acaba e chegamos ao final do filme, onde acontecimentos realmente importantes entram em ação. Refiro-me à uma nova batalha travada entre Harry e seu eterno inimigo, em pleno Ministério da Magia. E desta vez, a batalha é travada por vários bruxos representando ambos os lados: o bem e o mal, o que coloca Hermione, Rony, e muitos outros personagens, dentre os quais destaco o próprio Dumbledore, em uma posição muito mais ativa do que vinham mostrando nos outros episódios. É uma pena constatarmos no entanto que, apesar de ótima, a batalha acaba sendo inibida graças à (adivinhem) insossa direção de Yates, que jamais empolga e se mostra fria até mesmo no momento em que um importante personagem é assassinado, algo que deveria causar forte comoção em nós, espectadores, mas não causa.
Em suma, “Harry Potter e a Ordem da Fênix” subtrai muito e acrescenta pouco à saga que, até então, não havia decepcionado inteiramente em nenhum de seus episódios.
Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.
Crítica – As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian
Quando temos ciência de que uma trilogia ou uma saga cinematográfica terá o seu início, pensamos imediatamente que o episódio de abertura da mesma será o melhor de todos, sendo que o nível da mesma irá cair com os seus episódios posteriores que, geralmente, não conseguem manter a qualidade do original. Foi assim com a trilogia “O Poderoso Chefão” e a saga “Rocky” (e, sinceramente, nunca vi tanta queda de qualidade de um filme para o outro, quanto do ridículo quarto episódio da saga “Rocky” para o primeiro, que é praticamente perfeito), apenas para citar dois exemplos. Contudo, vez ou outra surgem algumas sagas que contrariam a regra, como é o caso deste “As Crônicas de Nárnia”. Se o episódio de abertura da mesma é simplesmente o pior filme de fantasia que já tive o desprazer de assistir, este segundo episódio é, por mais inacreditável que possa parecer, um ótimo representante do gênero. E agora pasmem com a minha afirmação, o longa não só é ótimo, como também é o melhor blockbuster do ano até o momento e, me apedrejem se assim almejarem, um dos melhores da década, como poderão conferir na análise logo mais abaixo.
Ficha Técnica:
Título Original: The Chronicles of Narnia: Prince Caspian
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 147 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.disney.com.br/cinema/narnia2
Estúdio: Walt Disney Pictures / Walden Media / Ozumi Films / Silverbell Films / Stillking Films
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures / Buena Vista International
Direção: Andrew Adamson
Roteiro: Christopher Markus, Andrew Adamson e Stephen McFeely, baseado em livros de C.S. Lewis
Produção: Andrew Adamson, Mark Johnson e Philip Steuer
Música: Harry Gregson-Williams
Fotografia: Karl Walter Lindenlaub
Desenho de Produção: Roger Ford
Direção de Arte: David Allday, Matthew Gray, Klara Holubova, Jules Cook, Stuart Kearns, Jill Cormack, Elaine Kusmishko, Charles Leatherland, Phil Simms, Jirí Sternwald, Frank Walsh e Jason Knox-Johnston
Figurino: Isis Mussenden
Edição: Sim Evan-Jones
Efeitos Especiais: Weta Digital / Baseblack / Escape Studios / Moving Picture Company / Framestore CFC / Giant Studios / Rising Sun Pictures / ScanlineVFX
Elenco: William Moseley (Peter Pevensie), Ben Barnes (Príncipe Caspian), Skandar Keynes (Edmund Pevensie), Anna Popplewell (Susan Pevensie), Georgie Henley (Lucy Pevensie), Sergio Castellitto (Rei Miraz), Peter Dinklage (Trumpkin), Warwick Davis (Nikabrik), Vincent Grass (Dr. Cornelius), Pierfrancesco Favino (General Glozelle), Cornell John (Glenstorm), Damián Alcázar (Lorde Sopespian), Alicia Borrachero (Rainha Prunaprismia), Simón Andreu (Lorde Schythley), Predrag Bjelac (Lorde Donnon), David Bowles (Lorde Gregoire), Juan Diego Montoya Garcia (Lorde Montoya), Klára Issová (Hag), Tilda Swinton (Feiticeira Branca) e Liam Neeson (Aslan – voz).
Sinopse: Um ano depois os irmãos Lucy (Georgie Henley), Edmund (Skandar Keynes), Susan (Anna Popplewell) e Peter (William Moseley) retornam ao mundo de Nárnia, onde já se passaram 1300 anos desde sua última visita. Durante sua ausência Nárnia foi conquistada pelo rei Miraz (Sergio Castellitto), que governa o local sem misericórdia. Os irmãos Pevensie então conhecem Caspian (Ben Barnes), o príncipe de direito de Nárnia, que precisa se refugiar por ser procurado por Miraz, seu tio. Decididos a destronar Miraz, o grupo reúne os narnianos restantes para combatê-lo.
The Chronicles of Narnia: Prince Caspian – Trailer
Crítica:
Sinceramente, creio que não há como não notarmos as evoluções artísticas e técnicas deste segundo episódio da saga “As Crônicas de Nárnia” sobre o primeiro. Se o filme original era patético, ridículo, enfadonho, cansativo, desprovido de emoção e irritante, este segundo episódio surpreende e se mostra infinitamente superior àquela ofensa à Sétima Arte realizada em 2005.
Diferentemente do primeiro episódio, este “Príncipe Caspian” (que será chamado por mim desta forma de agora em diante) conta com um roteiro competente que, apesar de conter suas falhas (conforme citarei mais abaixo), nos apresenta a uma estória interessante e bem desenvolvida, tal como seus personagens, além de conferir seqüências de aventura que realmente se mostram capazes de criar tensão no espectador (ao contrário do primeiro que, em momento algum se releva capaz de fazer isso).
Mas não foi apenas o roteiro de “Príncipe Caspian” que apresentou uma visível e relevante melhora, vários outros aspectos, tanto os técnicos quanto os artísticos, se mostraram infinitamente superiores, como é o caso das atuações, por exemplo. Sim, por mais incrível que isso aparente ser, os atores (todos eles, sejam os integrantes do elenco mirim ou não) nos brindam (sem aspas, desta vez) com atuações satisfatórias, inclusive Georgie Henley e Skandar Keynes (atores que eu havia criticado ferrenhamente no episódio anterior). É surpreendente vermos como o segundo evoluiu durante estes três últimos anos, Keynes amadureceu tanto que realiza aqui uma das melhores atuações do filme. Henley, apesar de não realizar uma atuação tão satisfatória quanto os demais atores (há algumas cenas em que ela continua sendo irritante e canastrona como antes, diga-se) não atrapalha tanto quanto atrapalhava no longa original. Parte disto deve-se ao roteiro que, diferentemente de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, retirou da personagem Lucy a responsabilidade de ser a protagonista da estória, conferindo esta a Peter. E já que mencionei o nome de Peter Pevensie devo dizer que a atuação de William Mose
ley é, de longe, uma das maiores qualidades do longa. O jovem ator chama para si a responsabilidade de protagonista do filme e cumpre tal função de maneira mais do que satisfatória.
Contudo, a maior evolução deste “Príncipe Caspian” fica por conta da (pasmem!) direção do mesmo. Sim, isso mesmo, não estou sob o efeito de alucinógenos ou coisa do tipo, a mesmíssima direção de Andrew Adamson que, ao menos para mim, era um dos maiores defeitos de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” se revela (em uma das maiores ironias de minha vida como cinéfilo) uma das grandes qualidades deste “Príncipe Caspian”. Desta vez, Adamson parece ter aprendido a lição de que não adianta absolutamente nada criarmos batalhas épicas se não soubermos dirigi-las com dignidade. Se as batalhas deste segundo episódio da saga já seriam fantásticas por si só, Adamson as torna ainda mais magistrais com a sua direção ágil, dinâmica e eficiente.
Infelizmente, nem tudo são rosas em “Príncipe Caspian”. O mesmo roteiro que nos apresenta a uma estória interessante e a desenvolve bem, peca gravemente durante o primeiro ato, quando as crianças retornam a Nárnia. Durante os quarenta primeiros minutos de projeção temos a mesma sensação que tivemos ao conferir os quarenta primeiros minutos do longa anterior: a de que estamos sendo enrolados. Felizmente tal sensação some completamente com o desenrolar da obra cinematográfica.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
Crítica – As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas
Desde que me dou por gente sou fã incondicional de tudo o que tenha uma forte dose de fantasia em seu contexto. Para se ter uma idéia, “Caverna do Dragão” era o meu desenho predileto quando criança. Quando fiquei sabendo que este “As Crônicas de Nárnia” havia sido o maior inspirador de “Caverna do Dragão” e que eu nem ao menos havia lido o livro de C.S. Lewis ainda, decidi que precisava fazê-lo urgentemente. Mas de onde eu tiraria tempo para fazê-lo? Foi aí que me dei conta de que a única solução seria apelar para o filme e tentar ignorar as diversas críticas negativas tecidas contra o mesmo. O resultado, como já era de se esperar, foi extremamente negativo e o longa de Andrew Adamson se revelou uma péssima experiência conforme o leitor poderá constatar mais abaixo na crítica do filme.
Ficha Técnica:
Título Original: The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 140 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Site Oficial: www.disney.com.br/cinema/narnia
Estúdio: Walt Disney Pictures / Walden Media / Lamp Post Productions Ltd.
Distribuição: Walt Disney Pictures / Buena Vista International
Direção: Andrew Adamson
Roteiro: Ann Peacock, Andrew Adamson, Christopher Markus e Stephen McFeely, baseado em livro de C.S. Lewis
Produção: Mark Johnson
Música: Harry Gregson-Williams
Fotografia: Donald McAlpine
Desenho de Produção: Roger Ford
Direção de Arte: Jules Cook, Ian Gracie, Karen Murphy e Jeffrey Thorp
Figurino: Isis Mussenden
Edição: Sim Evan-Jones e Jim May
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / Rhythm & Hues / Weta Workshop Ltd. / Sony Pictures Imageworks / K.N.B. EFX Group Inc.
Elenco: Georgie Henley (Lúcia Pevensie), William Moseley (Pedro Pevensie), Skandar Keynes (Edmundo Pevensie), Anna Popplewell (Susana Pevensie), Tilda Swinton (Jadis, a Feiticeira Branca), James McAvoy (Sr. Tumnus), Shane Rangi (Centauro), Patrick Kake (Oreius), Ray Winstone (Sr. Castor – voz), Dawn French (Sra. Castor – voz), Liam Neeson (Aslan – voz), Elizabeth Hawthorne (Sra. Macready), Kiran Shah (Ginarrbrik), Rupert Everett (Raposa – voz), James Cosmo (Papai Noel), Judy McIntosh (Sra. Pevensie), Jim Broadbent (Prof. Digory Kirke), Stephen Ure (Satyr), Michael Madsen (Maugrim) e Sophie Winkleman (Susan Pevensie – adulta).
Sinopse: Lúcia (Georgie Henley), Susana (Anna Popplewell), Edmundo (Skandar Keynes) e Pedro (William Moseley) são quatro irmãos que vivem na Inglaterra, em plena 2ª Guerra Mundial. Eles vivem na propriedade rural de um professor misterioso, onde costumam brincar de esconde-esconde. Em uma de suas brincadeiras eles descobrem um guarda-roupa mágico, que leva quem o atravessa ao mundo mágico de Nárnia. Este novo mundo é habitado por seres estranhos, como centauros e gigantes, que já foi pacífico mas hoje vive sob a maldição da Feiticeira Branca, Jadis (Tilda Swinton), que fez com que o local sempre estivesse em um pesado inverno. Sob a orientação do leão Aslam, que governa Nárnia, as crianças decidem ajudar na luta para libertar este mundo do domínio de Jadis.
The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe – Trailer
Crítica:
Responda rápido: qual o pior defeito que um filme feito com o único intuito de divertir o público pode conter? Não conseguir divertir o público, correto? Exato, mas o que levaria um filme a não conseguir divertir o seu público alvo? São vários os motivos, o filme pode ser cansativo, pode ser longo demais, pode ser irritante, pode ser desprovido de emoção e pode, simplesmente, ser chato. Este “As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas” conseguiu a façanha de conter todos os defeitos citados acima e mais, possui quase todos os defeitos que um reles filme pode possuir.
Comecemos pelo primeiro ato do longa que, por si só, já conta com defeitos imperdoáveis. Os 40 primeiros minutos de película custam, e muito, a passar e o que é pior, quando terminam, chegamos à óbvia conclusão de que fomos enrolados pelo diretor durante todo este tempo. O bem da verdade é que o primeiro ato deste “As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas” (que a partir de agora será chamado por mim apenas de “As Crônicas de Nárnia”) poderia facilmente ser reduzido a 10 minutos de projeção, fato que o tornaria muito mais dinâmico, além de possibilitar com que o roteiro desenvolvesse seus personagens e a relação entre estes de maneira bem mais proveitosa durante o desenrolar da película.
E falando em desenvolvimento de personagens, fazia tempo que eu não via um roteiro demonstrar tão pouco cuidado com esta que é uma das características principais (isso para não dizer que é “a” característica principal) de um filme. Para se ter uma idéia, os protagonistas da estória praticamente não possuem características próprias e para que se possa distinguir um personagem do outro só nos resta como ponto de partida o nome, o sexo, e as demais características físicas, tais como altura e cor de cabelo, dos mesmos.
As atuações também são pavorosas em sua maioria, principalmente quando vêm de Georgie Henley (que aqui interpreta Lucy Pevensie) e Skandar Keynes (Edmund Pevensie). Ambos os atores “brindam” (dêem atenção às aspas) o público com cenas sofríveis, dentre as quais destaco a que Keynes tenta demonstrar dor e medo ao ver um de seus amigos sendo petrificados (repare o quão ridícula é a hora em que ele, com toda a sua inexpressividade, solta um “Nooooo
”) e a cena em que Lucy avista de longe um outro amigo seu que também fôra petrificado. Enquanto a garota percorre o caminho até chegar à estátua temos a sensação de que a mesma está rindo e, de repente, a mesma começa a chorar. Esta talvez tenha sido a mudança de humor mais ridícula da história do Cinema.
E quanto ao diretor Andrew Adamson? Já não bastasse a sua visível incompetência ao conduzir o elenco (sobretudo o elenco infantil, que como já fôra dito, extrapola os limites da mediocridade e da falta de carisma e de expressividade), Adamson não realiza um único movimento de câmera satisfatório no filme. Francamente, creio que até mesmo os irmãos Lumière, com toda a falta de tecnologia que havia na época, seriam capazes de realizar movimentos com a câmera de maneira mais satisfatória que Adamson realiza nesta porcaria que se atreveram a chamar de filme.
Salva-se apenas em alguns aspectos técnicos, principalmente a fotografia, mas peca gravemente pelo roteiro raso, pobre, fútil, enfadonho e desprovido de emoção.
Avaliação Final: 1,0 na escala de 10,0.
Crítica – Viagem à Lua
Há muito tempo almejava assistir à obra-prima de Georges Méliès e finalmente tive a oportunidade de fazê-lo ontem (26/04/2008). No entanto, pensei seriamente se seria viável analisar e publicar uma crítica sobre o mesmo ou não. Primeiramente, o problema ao se avaliar um filme como este começaria na simplicidade do mesmo. Nos dias atuais um filme como “Viagem à Lua” soaria algo extremamente tolo e simplório, mas ao avaliar uma película deve-se sempre levar em conta o período em que o mesmo fôra lançado nos cinemas de todo o mundo. Sendo assim, em 1902, uma obra como esta soaria um tanto o quanto ousada e revolucionária (sim, pois o homem só veio a pisar na lua 67 anos depois). Outro problema sério residiria no formato do texto. Sempre utilizo exatas 25 linhas de texto para redigir um artigo, mas como seria capaz escrever 25 linhas sobre um filme de apenas 12 minutos e extremamente simples? Enfim, darei início à crítica e veremos como me sairei (confesso que estou encarando isso como um árduo desafio).
Ficha Técnica:
Título Original: Le Voyage Dens La Lune
Gênero: Ficção Científica, Aventura e Fantasia
Tempo de Duração: 12 minutos
Ano de Lançamento (França): 1902
Direção: Georges Méliès
Roteiro: Georges Méliès, Jules Vernes e H. G. Wells
Produção: Georges Méliès
Fotografia: Michaut e Lucien Tainguy
Desenho de Produção: Georges Méliès
Direção de Arte: Claudel
Elenco: Victor André (Astrônomo), Bleuette Bernon (Dama da Lua), Brunnet (Astrônomo), Jeanne d’Alcy (Astrônomo), Henri Delannoy (Capitão da Nave), Depierre (Astrônomo), Farjaut (Astrônomo), Kelm (Astrônomo) e Georges Méliès (Prof. Barbenfouillis).
Sinopse: Após trabalharem e porem em prática um projeto inédito de viagem à Lua, um grupo de cientistas se vê em sérios perigos quando pisam em solo lunar e são capturados por extra-terrestres.
Le Voyage Dens La Lune – Complete Movie
Crítica:
Como havia mencionado acima na pré-crítica deste filme, é extremamente complexo analisar este “Viagem à Lua” de maneira convencional, como eu geralmente faço com as demais películas. Além dos motivos supracitados há também uma diferença muito grande entre um filme pré-Griffith e um filme atual. Diferentemente das produções que estamos acostumados a assistir, a obra-prima máxima de Georges Méliès não se preocupa, em momento algum, em realizar uma ampla abordagem de seus personagens, muito pelo contrário, aqui, eles nem ao menos nomes possuem (salvo alguns). “___ E isso implica em defeito?”, me pergunta o leitor. Pois é aí que reside o maior problema, é extremamente difícil dizer se isso implica em defeito ou não. Se analisarmos “Viagem à Lua” tomando por base filmes pouco menos antigos como é o caso de “O Nascimento de Uma Nação”, “Intolerância” (ambos de D. W. Griffith) e “O Garoto” (de Charles Chaplin), isto implica em um defeito gravíssimo, contudo se avaliarmos o mesmo tomando por base filmes pouco mais antigos que ele, percebemos que esta falta de atenção para com os protagonistas da estória era uma praxe na época. O curta de Méliès soma ainda mais pontos se levarmos em conta a revolução que o mesmo causou na Sétima Arte. Além de conter uma estória ousada demais (pois como eu já mencionei acima, a primeira vez que o homem pisou em solo lunar foi 67 anos depois e na época, pensar em ir à lua já era encarado como loucura, quiçá realizar um filme sobre isso) para uma época onde o simples fato de filmar um trem chegando à estação já era motivo o bastante para alarmar o público no cinema e fazê-lo correr alvoroçado, este “Viagem à Lua” ainda revoluciona com uma fotografia que, apesar de ridícula para os padrões atuais, era belíssima na época, afinal de contas, em tempos onde a grande maioria dos filmes nem ao menos possuía um cenário, era extremamente fabuloso ver plantações de cogumelos gigantes, suntuosos palácios lunares, entre outras maravilhas que o curta ofereceu de magnífico em sua época.
Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.
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