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Harry Potter e o Enigma do Príncipe – ** de *****
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 18 de julho de 2.009.

Título Original: Harry Potter and the Half-Blood Prince
Gênero: Aventura
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: http://harrypotter.br.warnerbros.com
Países de Origem: Estados Unidos da América e Inglaterra.
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves, baseado em livro de J.K. Rowling
Elenco: Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger), Rupert Grint (Ronald “Ron” Weasley), Michael Gambon (Alvo Dumbledore), Alan Rickman (Severo Snape), Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange), Jim Broadbent (Horácio Slughorn), Robbie Coltrane (Rúbeo Hagrid), Timothy Spall (Pedro Pettigrew), David Thewlis (Remo Lupin), Maggie Smith (Minerva McGonagall), Julie Walters (Molly Weasley), Mark Williams (Arthur Weasley), Tom Felton (Draco Malfoy), Evanna Lynch (Luna Lovegood), Matthew Lewis (Neville Longbottom), Katie Leung (Cho Chang), James Phelps (Fred Weasley), Oliver Phelps (Jorge Weasley), Natalia Tena (Ninfadora Tonks), Bonnie Wright (Gina Weasley), David Bradley (Argo Filch), Warwick Davis (Filius Flitwick), Ralph Fiennes (Lorde Voldemort), Helen McCrory (Narcisa Malfoy), Hero Fiennes-Tiffin (Tom Riddle – 11 anos), Frank Dillane (Tom Riddle – adolescente), Richard Griffiths (Tio Válter Dursley), Fiona Shaw (Petúnia Dursley), Dave Legeno (Fenrir Greyback), Robert Knox (Marcos Belby), Gemma Jones (Madame Pomfrey), Georgina Leonidas (Katie Bell), Devon Murray (Seamus Finnigan), Alfie Enoch (Dino Thomas), Scarlett Byrne (Pansy Parkinson), Shefali Chowdhury (Parvati Patil), Afshan Azad (Padma Patil), Jessie Cave (Lilá Brown), Jamie Waylett (Vincent Crabbe), Josh Herdman (Gregory Goyle), Tom Moorcroft (Régulo Black) e Tony Coburn (Lúcio Malfoy – jovem).
Sinopse: Lorde Voldemort (Ralph Fiennes) é uma ameaça real, tanto para o mundo dos bruxos quanto o dos trouxas. Harry Potter (Daniel Radcliffe) suspeita que o perigo esteja dentro da Escola de Artes e Bruxaria de Hogwarts, mas Alvo Dumbledore (Michael Gambon) está mais preocupado em prepará-lo para o confronto final com o Lorde das Trevas. Dumbledore convida seu colega Horácio Slughorn (Jim Broadbent) para ser o novo professor de Poções, já que Severo Snape (Alan Rickman) enfim alcançou o sonho de ministrar as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas. Paralelamente Harry começa a ter um interesse cada vez maior por Gina Weasley (Bonnie Wright), irmã de seu melhor amigo Rony (Rupert Grint), que também é alvo de interesse de Dino Thomas (Alfie Enoch).
Fonte Sinopse: Adoro Cinema.
Harry Potter and the Half-Blood Prince – Trailer:
Crítica:
Não se pode confiar sempre na crítica especializada, isso é fato. Após ter quase total aquiescência por parte dos críticos do Rotten Tomatoes (84% de aprovação no momento, mas na última vez que visitei o site o mesmo contava com o invejável número de 95% de críticas positivas. Tal queda aparenta ser a ilustração do resultado de que a máscara está caindo e a verdadeira face da mediocridade que cobre este filme vai, aos poucos, sendo exibida) e ser gigantescamente ovacionado pelos fãs que anunciaram aos berros: “esse é o melhor ‘Harry Potter’ que já foi para o Cinema”, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” acabou quebrando a minha habitual racionalidade, fazendo com que passasse a nutrir fortes expectativas perante o mesmo.
Decepção extrema, é assim que posso definir os meus sentimentos quando a sequência dos créditos entrou em ação, anunciando ser o final de um filme que prometera muito, mas cumprira pouco.
O longa tem o melhor início de toda a saga cinematográfica. Começamos maravilhosamente bem, com bruxos se locomovendo através de uma fumaça negra que rasga o belo visual da cidade de Londres. Yates, que havia falhado com uma incompetência fora do comum no quinto episódio, se mostra muito mais sagaz aqui, acompanhando o caminho traçado pelos Comensais da Morte através de travellings rápidos e eficazes.
Pela primeira vez presenciamos uma ligação verdadeiramente direta entre o mundo da magia e o nosso mundo, sendo que os Comensais, em sua forma de névoa negra, se mostram capazes até mesmo de realizar feitos gigantescos, como destruir uma ponte inteira em questão de segundos (e palmas para os efeitos visuais que, de fato, são excelentes, bem como os efeitos sonoros). E se antes deste “…O Enigma do Príncipe” raramente víamos os bruxos interagindo com os ‘trouxas’ e, ainda por cima, de maneira extremamente simplória (bem como fazer “nascer” rabinhos de porco nestes ou permitir com que bolos caíssem sobre as suas cabeças), qual seria a nossa reação então ao notar que os mesmos se veem capazes de se relacionar com o nosso mundo de uma forma tão ampla e destrutiva?
Rumamos para uma rápida sequência que nos reapresenta ao tão famoso Beco Diagonal que, salvo engano por parte deste que vos escreve, não dava as suas “caras” nos cinemas desde que o segundo episódio da série fora retirado de cartaz.
E é nesta corriqueira cena, a propósito, que podemos notar que o mundo das trevas já não é mais o mesmo. Se o Beco Diagonal, no primeiro e no segundo filme, era um dos cenários “potterianos” que melhor nos emanava uma aura amplamente jovial e cativante, aqui ele nos anuncia somente as trevas e a tristeza de um mundo que acabara de constatar que o seu maior temor definitivamente está de volta e, agora, em carne e osso.
A fotografia de Bruno Delbonnel (que já havia mostrado um trabalho excepcional em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”), por sua vez, acaba nos imergindo na aflição e na agonia que este “…O Enigma do Príncipe” almeja nos transportar de modo muito mais eficiente do que o próprio roteiro, direção e direção de arte o fazem. Mantendo sempre um clima sombrio e sorumbático, o trabalho de Delbonnel é, juntamente com a morte de um personagem mais do que importante ocorrida durante o final do filme, o ponto alto deste sexto capítulo da franquia cinematográfica.
Mas chega de apontar qualidades, afinal de contas, este sexto episódio da franquia conta com um leque de defeitos a serem apontados, dentre os quais citarei apenas os que mais merecem destaque. Comecemos pela direção de Yates.
A Crítica em geral tem apontado o trabalho de direção de David Yates como sendo o melhor de toda esta cine série. Tem-se lá as suas dúvidas quanto a isso. Que o diretor realiza ótimos movimentos com as câmeras não se tenha dúvida. Que ele cria um clima muito bom durante as (pouquíssimas) cenas de ação isso também é evidente. Que Yates cria ângulos mais do que excepcionais e filma Hogwarts de um modo jamais visto nos episódios anteriores isso também é fato. Acontece que o cineasta continua cometendo aqui a mesma grave falha que havia cometido no longa anterior: a falta de dinâmica.
“Auxiliado” por uma péssima edição por parte de Jany Temime, Yates consegue conferir muito ritmo à obra durante os momentos iniciais desta, mas quando menos nos damos conta estamos diante de uma insuportável e arrastada “Malhação” (sim, aquela novelinha global ridícula que pode atribuir a si mesma a alcunha de “pior novela de todos os tempos”) banhada de truquezinhos de magia. Estória e narrativa mesmo que é bom, nada. O roteiro absurdamente irregular de Steve Kloves parece se importar mais com os hormônios adolescentes dos protagonistas sendo exalados à flor da pele e o diretor definitivamente não faz muita questão de assumir uma postura mais dinâmica por trás das câmeras, bem como a edição que, francamente, dá a sensação de nem ao menos existir aqui, já que há centenas de cenas que poderiam facilmente ter sido excluídas da versão final do filme, fazendo com que o mesmo se desprendesse de seu ritmo excessivamente “gordo” e “pesado”, mas não foram.
Outra grande falha de “…O Enigma do Príncipe” reside justamente em um dos pontos os quais a crítica mais tem o elogiado: o desenvolvimento do professor Severo Snape. Lembra-se daquele personagem que sempre era injustiçado em face de sua aparência sombria, mas no fundo era uma ótima pessoa e acabava colaborando com Dumbledore em todos os momentos? Pois é, aqui ele simplesmente se assume como um dos grandes vilões da franquia e o roteiro nem ao menos nos prepara para isso. Fora, é claro, a total incongruência que está por trás desse seu supostamente antigo envolvimento direto com Lorde Voldemort.
Oras, se Snape sempre foi aliado de Voldemort, por que cargas d´água ele impediu que “Você-sabe-quem”, por intermédio do professor Quirinus Quirrell, exterminá-se Potter em “…A Pedra Filosofal”, durante a primeira partida de quadribol disputada pelo protagonista? Por que ele iria tão diretamente contra a vontade de seu mestre? Por que ele chega a ameaçar a alcaguetar o mesmo Quirrell, no filme original, caso este continue tentando obter a Pedra Filosofal se, no final das contas, o êxito de tal furto só viria a trazer benefícios a ambos? Francamente, não sei como tudo isso passou despercebido pela crítica especializada, só espero que o próximo filme concerte todos estes erros, se é que há como concerta-los, o que, particularmente, creio que seja impossível.
Outras questões que ficam no ar são: por que Draco Malfoy não mata Harry Potter quando tem inteiras possibilidades de fazê-lo (na cena do trem)? Por que Snape simplesmente não sequestra o protagonista e o leva até Voldemort quando tem total disponibilidade para tal (na cena próxima ao final, onde o ex-professor de poções defende-se de uma magia proferida por Potter)?
O longa, enfim, se encerra. Chegamos à conclusão de que, assim como o fraco “Austrália”, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” trata-se de um filme com fortes crises de identidade, revelando-se uma produção excessivamente vazia cujo foco concentra-se em sua narrativa apenas durante o seu 3º ato. Até lá, somos obrigados a nos confortar com uma tentativa frustrada por parte do roteiro de se firmar como uma comédia romântica adolescente e uma obra de suspense, falhando visível e drasticamente em ambos os casos.
E não, não guardo quaisquer expectativas positivas para o próximo capítulo da série: “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I”, com estréia marcada para o ano que vem. Mesmo com o clima altamente pessimista com o qual este longa se encerra, nada me deixa ansioso a ponto de esperar impacientemente para o sétimo episódio da saga, afinal de contas, suportar uma decepção chamada “Harry Potter e a Ordem da Fênix” é alarmante, mas compreensível, agora, suportar dois erros crassos cometidos seguidamente já é demais, não?
Avaliação Final: 5,0 na escala de 10,0.
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