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Harry Potter e o Enigma do Príncipe – ** de *****

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 18 de julho de 2.009.

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Título Original: Harry Potter and the Half-Blood Prince
Gênero: Aventura
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: http://harrypotter.br.warnerbros.com
Países de Origem: Estados Unidos da América e Inglaterra.
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves, baseado em livro de J.K. Rowling
Elenco: Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger), Rupert Grint (Ronald “Ron” Weasley), Michael Gambon (Alvo Dumbledore), Alan Rickman (Severo Snape), Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange), Jim Broadbent (Horácio Slughorn), Robbie Coltrane (Rúbeo Hagrid), Timothy Spall (Pedro Pettigrew), David Thewlis (Remo Lupin), Maggie Smith (Minerva McGonagall), Julie Walters (Molly Weasley), Mark Williams (Arthur Weasley), Tom Felton (Draco Malfoy), Evanna Lynch (Luna Lovegood), Matthew Lewis (Neville Longbottom), Katie Leung (Cho Chang), James Phelps (Fred Weasley), Oliver Phelps (Jorge Weasley), Natalia Tena (Ninfadora Tonks), Bonnie Wright (Gina Weasley), David Bradley (Argo Filch), Warwick Davis (Filius Flitwick), Ralph Fiennes (Lorde Voldemort), Helen McCrory (Narcisa Malfoy), Hero Fiennes-Tiffin (Tom Riddle – 11 anos), Frank Dillane (Tom Riddle – adolescente), Richard Griffiths (Tio Válter Dursley), Fiona Shaw (Petúnia Dursley), Dave Legeno (Fenrir Greyback), Robert Knox (Marcos Belby), Gemma Jones (Madame Pomfrey), Georgina Leonidas (Katie Bell), Devon Murray (Seamus Finnigan), Alfie Enoch (Dino Thomas), Scarlett Byrne (Pansy Parkinson), Shefali Chowdhury (Parvati Patil), Afshan Azad (Padma Patil), Jessie Cave (Lilá Brown), Jamie Waylett (Vincent Crabbe), Josh Herdman (Gregory Goyle), Tom Moorcroft (Régulo Black) e Tony Coburn (Lúcio Malfoy – jovem).

Sinopse: Lorde Voldemort (Ralph Fiennes) é uma ameaça real, tanto para o mundo dos bruxos quanto o dos trouxas. Harry Potter (Daniel Radcliffe) suspeita que o perigo esteja dentro da Escola de Artes e Bruxaria de Hogwarts, mas Alvo Dumbledore (Michael Gambon) está mais preocupado em prepará-lo para o confronto final com o Lorde das Trevas. Dumbledore convida seu colega Horácio Slughorn (Jim Broadbent) para ser o novo professor de Poções, já que Severo Snape (Alan Rickman) enfim alcançou o sonho de ministrar as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas. Paralelamente Harry começa a ter um interesse cada vez maior por Gina Weasley (Bonnie Wright), irmã de seu melhor amigo Rony (Rupert Grint), que também é alvo de interesse de Dino Thomas (Alfie Enoch).

Fonte Sinopse: Adoro Cinema.

Harry Potter and the Half-Blood Prince – Trailer:

Crítica:

Não se pode confiar sempre na crítica especializada, isso é fato. Após ter quase total aquiescência por parte dos críticos do Rotten Tomatoes (84% de aprovação no momento, mas na última vez que visitei o site o mesmo contava com o invejável número de 95% de críticas positivas. Tal queda aparenta ser a ilustração do resultado de que a máscara está caindo e a verdadeira face da mediocridade que cobre este filme vai, aos poucos, sendo exibida) e ser gigantescamente ovacionado pelos fãs que anunciaram aos berros: “esse é o melhor ‘Harry Potter’ que já foi para o Cinema”, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” acabou quebrando a minha habitual racionalidade, fazendo com que passasse a nutrir fortes expectativas perante o mesmo.

Decepção extrema, é assim que posso definir os meus sentimentos quando a sequência dos créditos entrou em ação, anunciando ser o final de um filme que prometera muito, mas cumprira pouco.

O longa tem o melhor início de toda a saga cinematográfica. Começamos maravilhosamente bem, com bruxos se locomovendo através de uma fumaça negra que rasga o belo visual da cidade de Londres. Yates, que havia falhado com uma incompetência fora do comum no quinto episódio, se mostra muito mais sagaz aqui, acompanhando o caminho traçado pelos Comensais da Morte através de travellings rápidos e eficazes.

Pela primeira vez presenciamos uma ligação verdadeiramente direta entre o mundo da magia e o nosso mundo, sendo que os Comensais, em sua forma de névoa negra, se mostram capazes até mesmo de realizar feitos gigantescos, como destruir uma ponte inteira em questão de segundos (e palmas para os efeitos visuais que, de fato, são excelentes, bem como os efeitos sonoros). E se antes deste “…O Enigma do Príncipe” raramente víamos os bruxos interagindo com os ‘trouxas’ e, ainda por cima, de maneira extremamente simplória (bem como fazer “nascer” rabinhos de porco nestes ou permitir com que bolos caíssem sobre as suas cabeças), qual seria a nossa reação então ao notar que os mesmos se veem capazes de se relacionar com o nosso mundo de uma forma tão ampla e destrutiva?

Rumamos para uma rápida sequência que nos reapresenta ao tão famoso Beco Diagonal que, salvo engano por parte deste que vos escreve, não dava as suas “caras” nos cinemas desde que o segundo episódio da série fora retirado de cartaz.

E é nesta corriqueira cena, a propósito, que podemos notar que o mundo das trevas já não é mais o mesmo. Se o Beco Diagonal, no primeiro e no segundo filme, era um dos cenários “potterianos” que melhor nos emanava uma aura amplamente jovial e cativante, aqui ele nos anuncia somente as trevas e a tristeza de um mundo que acabara de constatar que o seu maior temor definitivamente está de volta e, agora, em carne e osso.

A fotografia de Bruno Delbonnel (que já havia mostrado um trabalho excepcional em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”), por sua vez, acaba nos imergindo na aflição e na agonia que este “…O Enigma do Príncipe” almeja nos transportar de modo muito mais eficiente do que o próprio roteiro, direção e direção de arte o fazem. Mantendo sempre um clima sombrio e sorumbático, o trabalho de Delbonnel é, juntamente com a morte de um personagem mais do que importante ocorrida durante o final do filme, o ponto alto deste sexto capítulo da franquia cinematográfica.

Mas chega de apontar qualidades, afinal de contas, este sexto episódio da franquia conta com um leque de defeitos a serem apontados, dentre os quais citarei apenas os que mais merecem destaque. Comecemos pela direção de Yates.

A Crítica em geral tem apontado o trabalho de direção de David Yates como sendo o melhor de toda esta cine série. Tem-se lá as suas dúvidas quanto a isso. Que o diretor realiza ótimos movimentos com as câmeras não se tenha dúvida. Que ele cria um clima muito bom durante as (pouquíssimas) cenas de ação isso também é evidente. Que Yates cria ângulos mais do que excepcionais e filma Hogwarts de um modo jamais visto nos episódios anteriores isso também é fato. Acontece que o cineasta continua cometendo aqui a mesma grave falha que havia cometido no longa anterior: a falta de dinâmica.

“Auxiliado” por uma péssima edição por parte de Jany Temime, Yates consegue conferir muito ritmo à obra durante os momentos iniciais desta, mas quando menos nos damos conta estamos diante de uma insuportável e arrastada “Malhação” (sim, aquela novelinha global ridícula que pode atribuir a si mesma a alcunha de “pior novela de todos os tempos”) banhada de truquezinhos de magia. Estória e narrativa mesmo que é bom, nada. O roteiro absurdamente irregular de Steve Kloves parece se importar mais com os hormônios adolescentes dos protagonistas sendo exalados à flor da pele e o diretor definitivamente não faz muita questão de assumir uma postura mais dinâmica por trás das câmeras, bem como a edição que, francamente, dá a sensação de nem ao menos existir aqui, já que há centenas de cenas que poderiam facilmente ter sido excluídas da versão final do filme, fazendo com que o mesmo se desprendesse de seu ritmo excessivamente “gordo” e “pesado”, mas não foram.

Outra grande falha de “…O Enigma do Príncipe” reside justamente em um dos pontos os quais a crítica mais tem o elogiado: o desenvolvimento do professor Severo Snape. Lembra-se daquele personagem que sempre era injustiçado em face de sua aparência sombria, mas no fundo era uma ótima pessoa e acabava colaborando com Dumbledore em todos os momentos? Pois é, aqui ele simplesmente se assume como um dos grandes vilões da franquia e o roteiro nem ao menos nos prepara para isso. Fora, é claro, a total incongruência que está por trás desse seu supostamente antigo envolvimento direto com Lorde Voldemort.

Oras, se Snape sempre foi aliado de Voldemort, por que cargas d´água ele impediu que “Você-sabe-quem”, por intermédio do professor Quirinus Quirrell, exterminá-se Potter em “…A Pedra Filosofal”, durante a primeira partida de quadribol disputada pelo protagonista? Por que ele iria tão diretamente contra a vontade de seu mestre? Por que ele chega a ameaçar a alcaguetar o mesmo Quirrell, no filme original, caso este continue tentando obter a Pedra Filosofal se, no final das contas, o êxito de tal furto só viria a trazer benefícios a ambos? Francamente, não sei como tudo isso passou despercebido pela crítica especializada, só espero que o próximo filme concerte todos estes erros, se é que há como concerta-los, o que, particularmente, creio que seja impossível.

Outras questões que ficam no ar são: por que Draco Malfoy não mata Harry Potter quando tem inteiras possibilidades de fazê-lo (na cena do trem)? Por que Snape simplesmente não sequestra o protagonista e o leva até Voldemort quando tem total disponibilidade para tal (na cena próxima ao final, onde o ex-professor de poções defende-se de uma magia proferida por Potter)?

O longa, enfim, se encerra. Chegamos à conclusão de que, assim como o fraco “Austrália”, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” trata-se de um filme com fortes crises de identidade, revelando-se uma produção excessivamente vazia cujo foco concentra-se em sua narrativa apenas durante o seu 3º ato. Até lá, somos obrigados a nos confortar com uma tentativa frustrada por parte do roteiro de se firmar como uma comédia romântica adolescente e uma obra de suspense, falhando visível e drasticamente em ambos os casos.

E não, não guardo quaisquer expectativas positivas para o próximo capítulo da série: “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I”, com estréia marcada para o ano que vem. Mesmo com o clima altamente pessimista com o qual este longa se encerra, nada me deixa ansioso a ponto de esperar impacientemente para o sétimo episódio da saga, afinal de contas, suportar uma decepção chamada “Harry Potter e a Ordem da Fênix” é alarmante, mas compreensível, agora, suportar dois erros crassos cometidos seguidamente já é demais, não?

Avaliação Final: 5,0 na escala de 10,0.

Especial – Harry Potter

É aquela coisa, é só uma continuação que integra uma franquia cinematográfica extremamente bem sucedida do ponto de vista financeiro aparecer e tudo quanto é crítico de Cinema faz um especial com todos os episódios que formam a tal série. Oras, que atitude mais oportunista e aproveitadora esta, não? Pois é, muito oportunista e aproveitadora mesmo. Enfim, deixe-me aproveitar descarada e imensamente do fato de “Harry Potter e o Enigma do Principe” estar sendo lançado nos cinemas do mundo todo durante esta semana e utilizar-me de um oportunismo altamente hipócrita para lançar as minhas críticas realizadas aos cinco primeiros episódios da franquia. Comecemos com “Harry Potter e a Pedra Filosofal

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 15 de julho de 2.009.

Harry Potter e a Pedra Filosofal – *** de *****

01

Lembro-me de que, durante a primeira reunião do grupo de escritores de minha cidade, debatemos sobre o porquê desse sucesso todo que J. K. Rowling fez pelo mundo com os livros da série Harry Potter. O que havia de tão especial nesta série literária a ponto de merecer todo esse sucesso exacerbado e esse assédio descontrolado por parte do público e da mídia? Eu, junto de outros colegas, defendi a hipótese de que Rowling conseguira mexer com a imaginação da criança e, em um mundo tão patético quanto este, onde a vida virtual parece ser infinitamente mais atrativa e convidativa do que a vida real, isso já seria o bastante para despertar a atenção dos jovens leitores, uma vez que o mundo de Harry Potter aparenta ser incrivelmente mais repleto de graça do que este mundo enfadonho e recursivo em que vivemos.

Contudo, a fim de transportar o leitor para o seu mundo fantástico (em ambos os sentidos da palavra), Rowling viu-se na necessidade de utilizar mais de seiscentas páginas para tal. Em face disso, surgiu a seguinte pergunta: quantos minutos seriam necessários para que um diretor obtivesse o mesmo resultado caso desejá-se adaptar o livro para as telonas? Chris Colombus apostou em 152 minutos e conseguiu, magistralmente, exportar as nossas mentes para o mágico (também em ambos os sentidos da palavra) e fantástico mundo de Harry Potter. E, com isso em vista, podemos afirmar que o filme é simplesmente perfeito, correto? De maneira alguma. Se há uma coisa da qual “Harry Potter e a Pedra Filosofal” passa longe, é da perfeição.

Não se tenha dúvidas de que é muito interessante adentrarmos em um mundo paralelo onde possamos conviver com inúmeros fatores que o difiram completamente deste nosso mundo real e chato. Pois neste episódio de abertura da franquia cinematográfica “Harry Potter” temos um leque de variedades que desafiam a nossa imaginação, podendo alternar desde um fantasma que é “quase-sem-cabeça”, até mesmo a uma pedra filosofal que traz consigo o elixir da vida, passando por castelos suntuosos, filhotes de dragão norueguês nascendo diretamente do ovo, unicórnios, centauros, capas de invisibilidade, chapeis seletivos falantes, duendes que administram um banco, pinturas animadas, um esporte cujas partidas são disputadas com muita adrenalina e uma forte carga de magia (apesar das regras deste serem deveras absurdas, mas tudo bem), escadas que se movem e um espelho capaz de nos revelar os mais profundos desejos de nossos corações.

Enfim, o universo descrito no parágrafo supra é o universo que Chris Colombus nos propõe a apresentar e consegue o fazer magistralmente, diga-se. Por 152 minutos nos vemos encantados dentro deste mundo alternativo e… opa… espera lá (pois é, informal deste jeito mesmo), é exatamente isso o que acontece. Assim como os bruxos deste universo paralelo exibido nas telas, os produtores da série conseguem nos enfeitiçar com um mundo belo e mágico e deduzem que isso já basta para nos encantar por completo. Ah, pra cima de mim não, meu amigo! Pensa que não percebi que, dos 152 minutos de projeção do filme, pouco mais de 20 foram realmente dedicados a desenvolver alguma estória que seja (que sim, trata-se de uma trama muito bem bolada, mas pessimamente desenvolvida)? Pois é, a magia lançada pelos bruxinhos protagonistas revela-se forte o bastante para cobrir o espectador com um encanto que cai sobre si, a ponto de o fazer deixar a sessão como se tivesse assistido a um convincente exemplar da indústria do entretenimento quando, na verdade, assistiu somente a um codilho cinematográfico mitológica e visualmente lindo, mas com muito pouco conteúdo.

E vamos para a sessão de “Harry Potter e a Câmara Secreta”, que espero que seja melhor.

Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.

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Harry Potter e a Câmara Secreta – **** de *****

02

E, de fato, a sessão de “Harry Potter e a Câmara Secreta” foi bem superior à sessão de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Vários pontos que haviam deixado a desejar no primeiro filme acabaram recebendo um tratamento extremamente diferenciado neste segundo episódio da saga do bruxinho, dentre os quais destaco a direção de Chris Colombus. Longe de mostrar-se ligeiramente apático por trás das câmeras, assim como havia feito no longa anterior, Colombus investe aqui em uma série de técnicas que, mesmo fazendo com que o seu trabalho se mostre apenas correto, o coloca em um patamar bem acima de “…A Pedra Filosofal”. Em um determinado momento, por exemplo, o cineasta realiza um traveling aéreo que rotaciona por todo o magistral cenário da Escola de Bruxaria de Hogwarts e se encerra adentrando, através de uma pequena abertura, a estufa onde os alunos encontram-se assistindo a uma aula.

Colombus se mostra bastante sagaz também ao tomar certas cautelas que fazem com que o espectador tenha uma noção mais ampla do desenvolvimento temporal diegético da trama, como na cena em que, a fim de provar que uma importantíssima personagem encontra-se petrificada há um bom tempo, foca uma enfermeira substituindo um buquê de rosas murchas que localizava-se na superfície do criado-mudo ao seu lado, por rosas novas.

A grande evolução no que se refere ao quesito direção, no entanto, deve-se ao cuidado que o diretor toma para fazer com que a trama principal jamais seja relegada pelo mundo mágico de Harry Potter. Ao contrário do primeiro filme, onde Colombus parecia se preocupar mais em filmar um banquete oferecido aos alunos da escola do que dar maior ênfase à estória em si, em “…A Câmara Secreta” o cineasta toma o devido cuidado para que nos preparemos para o final da trama logo no início de sua projeção. Isso pode ser notado quando percebemos que o diretor se preocupa em colocar o elfo doméstico Dobby anunciando perigo eminente a Harry bem nos minutos iniciais do filme e, principalmente, quando constatamos, algumas cenas mais tarde, que o protagonista, estranhamente, começa a ouvir vozes do nada, algo que consegue manter o suspense desde o intróito da produção.

O roteiro, por sua vez, não só faz com que tenhamos ciência do grande perigo que está por vir durante praticamente todo o seu desenrolar, criando, com o auxílio da direção de Colombus, um instigante clima de urgência, como também nos apresenta a uma estória consideravelmente mais complexa, mais desenvolvida e mais bem amarrada do que a do primeiro filme (que era, de certa forma, bastante satisfatória).

Lamentável, todavia, é constatarmos que, mesmo conduzindo a sua trama e o seu argumento muito bem, o roteiro de Steven Kloves, associado ao trabalho de Chris Colombus, falha gravemente ao nos apresentar o, mais do que importante, personagem Tom Riddle de maneira demasiada abrupta. Ao mesmo tempo em que o roteiro de “…A Câmara Secreta” nos prepara muito bem para o tal cômodo ocultado do título, ele falha terrivelmente ao não nos preparar mais cautelosamente para o imprescindível Tom Riddle que, quando chega trazendo à tona a estória envolvendo a sua memória e tudo mais, acaba pegando o espectador negativamente de surpresa.

Ponto negativo também para o desenvolvimento gritantemente caricato de personagens como Draco Malfoy e o seu pai, Lucius.

E que venha “…O Prisioneiro de Azkaban”, e que minha torcida para que o terceiro episódio se mostre superior a este ótimo “…A Câmara Secreta” seja saciada.

Avaliação Final: 7,5 na escala de 10,0.

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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – **** de *****

03

Cinematograficamente falando (não, não estou fazendo propaganda do blog concorrente), o que vem a ser mais importante: o roteiro ou a direção de um filme? Difícil responder, não? Vamos tomar os três primeiros episódios da série Harry Potter para discorrer sobre o assunto.

O 1º episódio conta com um roteiro interessante, de certa forma, mas com uma direção que se perde em meio ao fantástico mundo paralelo de Harry Potter e acaba se esquecendo, durante a maior parte de sua projeção, de conduzir uma estória definitiva.

O segundo episódio, por sua vez, conta com um roteiro ainda mais interessante e, embora a direção seja mais eficiente aqui do que havia se revelado outrora, mostra-se muito comprometida quando deixa para explicar uma complexa estória envolvendo Tom Riddle durante o final do filme, ou seja, quando parece se dar conta de que resta-lhe muito pouco tempo de projeção, vê-se obrigada a fazer tudo às pressas.

Neste “…O Prisioneiro de Azkaban”, no entanto, temos o roteiro menos importante (calma, já vou me explicar) dentre todos os três episódios produzidos até então, mas Alfonso Cuarón nos brinda com um trabalho espetacular e faz mágica (sim, péssimo e oportunista trocadilho) para transformar o mais dispensável (se é que assim posso chama-lo) capítulo da saga do bruxinho (lembrando que não estou levando em conta aqui os filmes que viriam a ser produzidos depois deste) no melhor de todos realizados até então.

E quando digo que este “…O Prisioneiro de Azkaban” é o menos importante dentre os três primeiros títulos da série criada por J. K. Rowling, na verdade estou levando em consideração a idéia básica desta franquia, ou seja, a guerra travada entre o protagonsita Harry Potter e seu arqui-rival Lorde Voldemort. Em “…A Pedra Filosofal”, Harry trava um confronto parcialmente direto com o seu grande inimigo. Já em “…A Câmara Secreta”, tal confronto assume um aspecto mais indireto, embora não menos perigoso.

Mas e quanto a “…O Prisioneiro de Azkaban”? Bem, sou obrigado a dizer que neste terceiro filme Voldemort é apenas citado, e só. O confronto da vez aparentemente ocorre entre personagens adjacentes ao grande duelo entre “Você-Sabe-Quem” e Potter, uma vez que, conforme fora dito, o primeiro nem ao menos dá as caras por aqui. E por mais que o longa traga uma galeria de personagens importantes para a franquia em si, não há como não notarmos que a ausência do inimigo mor do personagem encarnado por Daniel Radcliffe diminui consideravelmente o grau de importância e a dramaticidade da obra.

Entretanto, é como fora mencionado pouco mais acima, a direção de Cuarón prevalece sobre o roteiro de Steven Kloves, que também é ótimo, mas não teria a mesma força sem o ótimo trabalho do cineasta mexicano.

Se há uma palavra que possa definir o trabalho de Cuarón como um todo, essa palavra se chama: dinamicidade. Sabe aquelas típicas seqüências bobinhas envolvendo os tios de Harry Potter? Elas, infelizmente, ainda existem por aqui, mas a cena inserida neste terceiro episódio é tão curta que nem ao menos chega a causar incomodo. Sabe aquelas longas passagens pelo Beco Diagonal? Elas não mais dão às caras por aqui (apesar que confesso ter sentido falta delas e não acharia nem um pouco ruim caso as mesmas fossem mantidas, contanto, é claro, que não se estendessem tanto o quanto se estendiam nos filmes anteriores, sobretudo no 1º episódio). Aliás, o roteiro perde muito pouco tempo com cenas cuja importância seja meramente visual e logo em seus primeiros minutos nos apresenta a uma sensação de perigo eminente e direto (ao contrário do 2º filme onde a primeira cena que envolvia o elfo domesticado Dobby oferecia um certo perigo eminente, mas indireto).

O destaque do filme fica por conta de sua imprevisibilidade e pela maneira como Cuarón conduz a trama, principalmente pelo modo dinâmico como dirige as duas últimas seqüências do longa que são, de longe, o momento máximo da franquia (ao menos até agora).

Pois é, desta vez a direção fez total diferença e, por mais que o roteiro seja ótimo, apesar de não acrescentar tanto à saga quanto os outros dois anteriores, o resultado possivelmente não teria sido o mesmo nas mãos de Chris Colombus ou qualquer outro cineasta que seja.

E vamos ao 4º episódio da saga que, ao menos até agora, considero o pior dentre todos os filmes.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

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Harry Potter e o Cálice de Fogo – **** de *****

04

O Cinema é, de fato, extraordinariamente mágico. Há apenas três anos atrás, taxei este “… O Cálice de Fogo” como sendo o pior episódio da franquia Harry Potter. Porém, ao assisti-lo pela segunda vez, há menos de duas horas atrás, inferi que, decididamente, este quarto episódio passará a ser o meu predileto.

Mesmo que não conte com estórias tão bem boladas quanto as do primeiro e do segundo episódios (que, torno a dizer, foi pessimamente desenvolvida em “…A Pedra Filosofal” e não tão bem desenvolvida o quanto deveria em “…A Câmara Secreta”) e uma seqüência extremamente contínua e repleta de momentos tão marcantes quanto os da luta entre Lupin e Sirius Black, Harry Potter e os Dementadores e, é claro, o vira-tempo de Hermione, este quarto episódio se mostra o mais maduro (e maturo também, por que não?) e regular dentre todos os outros.

O longa se abre de forma aterrorizante (aterrorizante para um filme infantil, é claro), mostrando uma rápida reunião entre Lorde Voldemort e seus auxiliares. Desde então percebemos que trata-se, definitivamente, do capítulo mais sombrio e recheado de suspense dentre toda a franquia. A fotografia empregada é excepcional e alterna magistralmente entre tons demasiadamente escuros e cinzentos. O roteiro, por sua vez, se mostra competente o bastante para seguir o mesmo tom fúnebre.

Com o término desta rápida reunião, nos vemos diante de uma partida de quadribol, desta vez disputada em um estádio cuja direção de arte empregada para construí-lo é não menos do que fabulosa. Mas não se trata de uma partida de quadribol qualquer. Trata-se de um duelo espetacular que faz parte do Campeonato Mundial de Quadribol. Os efeitos especiais dão show aqui e percebemos a cautela para com os mesmos logo que presenciamos inúmeros fogos de artifício estourando nos céus e formando a imagem de um duende dançarino. Esta é a apresentação da seleção da Irlanda.

O jogo acaba. Os espectadores vão dormir em suas respectivas barracas, quando Comensais da Morte surgem repentinamente e destroem tudo o que veem pela frente. A partir de então o filme ganha ritmo, e só o perde mais para frente. O suspense aumenta ainda mais quando vemos o nome de Harry Potter surpreendentemente sair de dentro do tal Cálice de Fogo do título. Isto indica que ele deverá participar de um torneio mortal, envolvendo todo o tipo de magia negra que se possa imaginar. Mas como o Cálice, que nunca erra, poderia extrair o nome de Potter dali, uma vez que a regra não permite que participantes com a sua idade disputem o torneio? Esse questionamento permeia as nossas mentes durante o filme todo, o que aumenta gradativamente o suspense do mesmo.

O torneio tem o seu início, o protagonista da saga enfrenta vários desafios, passando por dragões aterrorizantes, sereias traiçoeiras e labirintos imprevisíveis. Todas as três provas carregadas com o mais forte clima de tensão que se possa imaginar. Parte disso deve-se claramente ao diretor estreante na série: Mike Newell. Veja o modo como o cineasta retrata a perseguição entre Harry Potter e um dragão, por exemplo. Newell não só acompanha a ação de modo fantástico, como também aproveita-se muito bem da paisagem colossal emanada pelo magistral castelo de Hogwarts, filmando-o lindamente durante todo o acossamento.

Contudo, o mesmo Newell que realiza aqui o trabalho de direção mais dinâmico de toda a série (sim, ele supera até mesmo Cuarón neste quesito) acaba falhando ao dar ênfase em demasia à briguinha tola entre Potter e Wesley e ao tão famoso Baile de Inverno que, sejamos francos, pouco acrescenta à trama, apesar da excepcional direção de arte que é empregada na construção do salão onde ocorre o evento ser digna de se encher os olhos.

O destaque do longa fica para a seqüência que sucede a prova do labirinto, mostrando uma empolgante e mortal luta entre Harry Potter e… bom, deixa para lá, melhor não estragar surpresas e não revelar o nome do oponente do bruxinho herói. Mas devo deixar claro que, se tal seqüência não conta com um trabalho de continuidade tão genial e eficiente quanto as cenas que fazem parte do desfecho de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, ela se mostra muito mais forte, individualmente falando, e revela-se o ponto máximo da saga até então.

E vamos para o quinto filme, “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, que, quem sabe, talvez me traga várias surpresas também e faça com que eu mude completamente a nota oferecida há dois anos atrás (na época atribui uma nota 5,0 ao filme), assim como ocorreu com este quarto episódio?

Avaliação Final: 8,3 na escala de 10,0.

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Harry Potter e a Ordem da Fênix – * de *****

05

Pois é, conforme havia previsto, mudei completamente de opinião e, como consequência disso, modifiquei demasiadamente a nota atribuída a este filme também. O problema é que, infelizmente, acabei alterando tudo para pior.

Há uma personagem inserida neste “Harry Potter e a Ordem da Fênix” que acaba resumindo bem este filme inteiro. Refiro-me à Luna Lovegood, uma garota inexpressiva, insossa e praticamente sem alma. E é exatamente isso o que este quinto episódio da saga realmente é: um filme inexpressivo, insosso e sem alma. Tão sem alma que, dentre todos os cinco capítulos da série cinematográfica que optei por conferir novamente durante esta semana, este foi o que menos me deixou lembranças, já que o fato de tê-lo assistido há apenas dois anos atrás, e no cinema (o que geralmente torna um determinado filme ainda mais marcante do que o simples fato de assisti-lo em DVD) não foi o bastante para que o mesmo deixá-se quaisquer marcas que sejam em mim.

Também, era de se imaginar, não? Analisemos a primeira meia hora de projeção, para se ter uma idéia do que estou falando. Harry é ameaçado por dois Dementadores e invoca a magia “Expecto Patronus” para livrar-se dos mesmos, sua atitude é tida como desprezível pelo Ministério da Magia que decide o expulsar de Hogwarts. Entretanto, graças à influência de Dumbledore, o diretor consegue fazer com que o garoto seja devidamente julgado e, neste julgamento (o pior julgamento dentre os demais que já presenciei no Cinema, e olhe que não foram poucos), o protagonista é absolvido. Pois é, para se ter uma idéia do ritmo excessivamente lento de “…A Ordem da Fênix”, basta mencionar que trinta minutos são dedicados apenas para acusar Harry de utilizar magia fora da escola e absolve-lo (de maneira previsível, diga-se) logo em seguida.

E o que vem depois? Bem, o que vem depois é mais uma série de aborrecimentos e pequenos acontecimentos que pouco acrescentam à franquia cinematográfica. Sabemos que Harry e Dumbledore estão sendo acusados de mentir quanto à volta de Voldemort e que isso pode ser um complô de ambos para que o Ministro Cornélio Fudge perca o cargo. Para evitar que tal fato aconteça, o Ministro envia Dolores Umbridge, uma funcionária de sua total confiança, para espionar Hogwarts. Logo, a mesma assume uma postura ditatorial e mostra a sua verdadeira face por trás de toda a aparente candura que lhe era característica, no que mais me pareceu uma releitura da clássica enfermeira Louise Fletcher, a grande vilã do sensacional “Um Estranho no Ninho”.

Bem, só aí já tivemos mais de uma hora de filme desperdiçada, e nada, absolutamente nada, realmente relevante acontece. Eis que Harry Potter decide reativar a Ordem da Fênix do título e passa a ganhar a confiança daqueles que duvidavam de sua palavra quanto à volta de Voldemort. Harry inicia um treinamento entre os seus colegas para que os mesmos se vejam capazes de enfrentar o seu verdadeiro arquiinimigo e… bem, deduz-se que a partir desse instante o filme ganha a devida força a qual precisa para funcionar corretamente e fazer jus a seu episódio anterior, que era extremamente dinâmico e emocionante, correto? Errado. A partir de então vemos um roteiro que só se preocupa em fazer jovens girar a varinha para realizar truques de mágica e um cineasta que, cada vez mais, se afunda em um trabalho apático e pavoroso.

Pois é, Yates nem de longe lembra Newell ou Cuarón. O cineasta não se mostra capaz de conferir ritmo ao filme em momento algum durante os dois primeiros atos deste e, consequentemente, cria uma obra emocionalmente fria e enfadonha.

O roteiro também colabora imensamente para que “…A Ordem da Fênix” se mostre, cada vez mais, um filme dispensável, uma vez que poucas cenas mostram real relevância para a franquia em si (uma delas mostra um antigo embate entre o jovem Severo Snape e Tiago Potter, provando que o pai de Harry, bem como muitos de seus amigos, não são tão bonzinhos quanto se imaginava, algo que os torna muito mais humanos e menos caricatos).

Mas a chatice intragável dos dois primeiros atos acaba e chegamos ao final do filme, onde acontecimentos realmente importantes entram em ação. Refiro-me à uma nova batalha travada entre Harry e seu eterno inimigo, em pleno Ministério da Magia. E desta vez, a batalha é travada por vários bruxos representando ambos os lados: o bem e o mal, o que coloca Hermione, Rony, e muitos outros personagens, dentre os quais destaco o próprio Dumbledore, em uma posição muito mais ativa do que vinham mostrando nos outros episódios. É uma pena constatarmos no entanto que, apesar de ótima, a batalha acaba sendo inibida graças à (adivinhem) insossa direção de Yates, que jamais empolga e se mostra fria até mesmo no momento em que um importante personagem é assassinado, algo que deveria causar forte comoção em nós, espectadores, mas não causa.

Em suma, “Harry Potter e a Ordem da Fênix” subtrai muito e acrescenta pouco à saga que, até então, não havia decepcionado inteiramente em nenhum de seus episódios.

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

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