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Fim de Semana Especial – Jean Renoir

Resolvi dedicar este fim de semana a assistir a alguns filmes de Jean Renoir, uma vez que o diretor não é só um de meus dez favoritos, como também tem uma contribuição para lá de importante à sétima Arte. Filho do famoso pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir (que dentre vários quadros, pintou “Le Moulin de la Galette” e “O Almoço dos Remadores”), Jean foi extremamente subestimado durante a sua época, vindo a fazer sucesso apenas anos mais tarde, quando cineastas como Claude Chabrol, Jean-Luc Godard e François Truffaut involuntariamente criaram a “Nouvelle Vague” e passaram a afirmar que uma de suas maiores (se não a maior) fontes de inspiração havia sido o próprio Jean Renoir. Mas por que o cineasta fora tão subestimado, sendo que o mesmo conta com um leque de qualidades raríssimas em seu trabalho? Talvez porque Jean tivesse uma visão extremamente pessimista da sociedade pré-Segunda Guerra Mundial. Por mais que o sentimento da população européia dos anos 1.920 e 1.930 fosse extremamente ululante, é bem provável que as pessoas almejassem ir ao cinema com o intento de distrair a falta de esperança, e não alimentar a mesma. De uma forma ou de outra, Jean daria a volta por cima e marcaria o seu nome na história da Arte de maneira tão gloriosa quanto (ou quem sabe ainda mais gloriosa) o seu pai o fez, e é por este motivo que dedico estes quatro pequeninos textos a ele.
Tire au Flanc (Tire au Flanc, Comédia, 1.928, França, Jean Renoir) – **** de *****

Os trabalhos de Jean Renoir sempre estão bem à frente de seu tempo, pois neles temas como críticas sociais e a hipocrisia matrimonial são abordadas com grande frequência. “Tire au Flanc”, no entanto, segue na contramão e revela-se uma comédia bastante datada, tanto no que diz respeito à sua trama, como no que diz respeito às abordagens sociais e conjugais as quais traça.

A premissa, por si só, já é bastante interessante e aborda um tema muitíssimo comum na época: a vida no exército. Mas não só este estilo de vida ganha total destaque no filme, como também (e principalmente, diga-se) a abordagem que ele realiza sobre um indivíduo nobre que tem de lidar com o fato de ser um soldado como outro qualquer, já que, no quartel general, a sua posição social pouco importa aos demais cadetes, que aproveitam-se da situação para atazanar o pobre rico rapaz.

Além disso, o longa é bem divertido e conta com alguns momentos bem cômicos, especialmente quando faz o uso de diálogos para tal (sim, o filme é mudo, mas contém aquelas convencionais frases que são escritas sobre uma tela preta a fim de ilustrar as frases que os personagens “dizem”). Como não rir, por exemplo, com dizeres do tipo: “O Tenente estava disposto a arrumar uma noiva para si, independentemente de quem pertencesse tal noiva” (pois é, novamente Renoir aborda o adultério dentro da alta sociedade), “No exército, muitas vezes compensa você ser um completo imbecil, mas deve-se evitar passar dos limites” e “Ele é um perfeito idiota, mas há uma justificativa, ele é um poeta”.

Infelizmente, o mesmo humor que vigora a parte, digamos, “verbal” do longa faz bastante falta na construção do humor físico. Conforme dissera no início desta mini-crítica, “Tire au Flanc” conta com um humor datado. Contudo, não posso entrar em contradição e fugir daquilo que sempre defendi: “uma obra cinematográfica deve ser julgada de sempre acordo com a época a qual a mesma fora produzida”. É fato que muitos críticos fazem o contrário, mas no meu caso, prefiro seguir à risca a minha tese.

Juro que fiz isso e acabei ignorando o fato de que, mostrar pessoas se queimando com o café na mesa de jantar e tropeçando a todo o instante (dentre outras muitas situações exageradas que o filme nos apresenta) é deveras obsoleto. Para falar a verdade, esse tipo de humor, na época, nem antiquado era, muito pelo contrário, era bastante comum. O problema reside mesmo é na artificialidade das situações. O que Charles Chaplin sabia fazer naturalmente, Jean Renoir parece ter um pouco de dificuldade para o fazer.
Mas é como mencionei acima, “Tire au Flanc” é um filme divertido, interessante e que aborda, ainda que de soslaio, críticas sociais e a forte hipocrisia contida nos relacionamentos amorosos formados por membros da classe alta.

Seria óbvio demais mencionar que a direção de Renoir é fantástica e conta com várias técnicas, sobretudo de afastamento (destaque para a cena onde ele acompanha o protagonista adentrando o quartel pela primeira vez. Conforme o poeta avança, a câmera do diretor (que encontra-se de frente para ele) vai se afastando aos poucos) e tomadas aéreas? Seria? Tudo bem, então encerro esta mini-crítica por aqui.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

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A Cadela (La Chienne, Drama, 1.931, França, Jean Renoir) – ***** de *****

Quando o filme se inicia, a primeira coisa que vemos é um curioso teatro de marionetes onde um dos bonecos nos alerta que o longa a seguir não se tratará de uma trama com heróis e vilões, mas sim de uma estória com pessoas comuns, como você e eu. Para ser sincero, não diria que é necessariamente assim, ao menos durante o início do filme. O protagonsita Maurice Legrand (Michel Simon), por exemplo, segue muito o estereótipo do ‘mocinho’ injustiçado. Legrand é constantemente humilhado pela autoritária (e também caricata, diga-se) esposa Adéle (Magdeleine Bérubet), é motivo de chacota entre os vizinhos e, principalmente, os colegas de trabalho, e, não bastasse isso tudo, ainda envolve-se com uma amante falsa e hipócrita chamada Lulu (Janize Marèze) que lhe tira muito dinheiro e entrega tudo ao namorado Dedé (Georges Flamant), um gigolô de marca maior.

Entretanto, mesmo contendo um caráter excessivamente estóico e sendo um homem de bom coração, Legrand está longe de ser o típico protagonista moralmente correto que o Cinema estava acostumado a presenciar em plena década de 1.930. Assim como a grande maioria dos personagens, o nosso ‘herói’ aqui comete erros imperdoáveis (e se você ainda não assistiu ao filme, sugiro que pare de ler este parágrafo e pule para o próximo), como furtar os cofres da empresa onde trabalha e permitir que um determinado personagem receba uma punição (merecida, diga-se) por um erro que não cometeu.

As demais figuras que compõem a trama também estão longe de seguir o código de conduta moral e todos revelam-se eticamente repugnantes. E é tecendo o caráter destes personagens tartufos e cínicos que o roteiro de André Girard e Jean Renoir explana todo o seu sentimento de pessimismo perante à sociedade da época (e até mesmo a sociedade atual, afinal de contas, os filmes de Renoir sempre estiveram bem a frente de seu tempo, uma vez que inspiraram Chabrol a criar a “Nouvelle Vague” no final dos anos 1.950), onde notamos que até as pessoas mais aparentemente dignas se mostram dissimuladas quando veem (sem circunflexo) uma corpórea oportunidade de prosperar na vida às custas de outras pessoas.

O grande trunfo de “A Cadela”, por sua vez, reside na direção de Renoir. Aqui, um dos mais brilhantes cineastas de todos os tempos, não só se destaca nas técnicas de afastamento de câmera, criação de ângulos perfeitos (a maior prova disso é uma cena onde o diretor posiciona sua câmera em um local do apartamento de Legrand onde podemos, em uma única tomada, ver a sua esposa abrindo o armário em um quarto e o protagonista pintando um quadro em outro), “travelings” e “deep focus” (esse último é pouco utilizado, mas ainda assim merece muito destaque), como também ao conferir à trama toda a sensibilidade a qual a mesma necessita para funcionar corretamente (em uma determinada tomada, Renoir balança a câmera com ímpeto enquanto filma Dedé e Lulu dançando uma valsa, para que assim possa mostrar toda a fúria pela qual o primeiro estava passando).

A Cadela” é, em suma, uma pequena grande obra-prima de Renoir. Uma mostra do majestoso trabalho que o cineasta viria a realizar ao longo dos anos 1.930.

Avaliação Final: 8,8 na escala de 10,0.

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Um Dia no Campo (Une Partie de Campagne, Drama, 1.936, França, Jean Renoir) – ***** de *****

Um Dia no Campo” é considerada por muitos a obra-prima inacabada de Jean Renoir. Concordo com cada palavra. Não seria exagero afirmar que uma das maiores tragédias da história do Cinema foi a incapacidade do cineasta francês mais importante da década de 1.930 concluir definitivamente esta sua magistral ode à Arte Impressionista. Arte Impressionista? Sim, Arte Impressionista.

O cineasta realiza aqui uma homenagem a vários pintores que seguiam este movimento artístico, tais como: Guy de Maupassant, Claude Manet e, principalmente, seu pai, Pierre-Auguste Renoir. A mesma beleza e sensibilidade com a qual o seu progenitor registrava um grupo de pessoas almoçando e dançando em uma suntuosa festa (a propósito, considero “Le Moulin de la Galette” o mais belo quadro dentre os quais já tive a oportunidade de conferir), Jean adota aqui para filmar um grupo de pessoas fazendo um piquenique em um bosque.

O média é de uma beleza visual incrível e a união formada entre direção, fotografia e trilha-sonora transformam “Um Dia no Campo” em um dos filmes mais lindos da história do Cinema.

E não é só a formosa aparência da obra que merece destaque. O média ainda encontra tempo para fazer uma leve crítica à hipocrisia contida na vida matrimonial da alta-sociedade (o quê? Já citei isso acima? Fazer o quê, Renoir adora bater nessa tecla, ainda que se reinvente a cada filme).

Um Dia no Campo” falha apenas pelo fato de ser um filme inacabado, uma vez que a edição se vê obrigada a dar um grande salto no tempo a fim de manter a conexidade entre o início e o fim do média.

Destaque para a ponta que o diretor faz no filme, onde assume o papel do cozinheiro Père Poulain e esbanja carisma.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

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Não assisti a “A Regra do Jogo” recentemente, o fiz no final do ano passado, mas decidi republicar este texto aqui justamente a fim de aumentar a minha homenagem a este impressionante cineasta que fora Jean Renoir.

A Regra do Jogo (La Règle du Jeu, Drama, 1.939, França, Jean Renoir) – ***** de *****

Jean Renoir foi, inquestionavelmente, um dos nomes que mais serviu de inspiração aos Cinemas moderno e contemporâneo. Antes mesmo de Federico Fellini estabelecer um complexo e contundente panorama sobre as nugacidades adotadas e cultivadas pela alta sociedade a fim de preencher o seu vazio existencial, Jean Renoir já havia o feito em 1.939 em “A Regra do Jogo”. Antes mesmo de Woody Allen traçar as fragilidades de relacionamentos amorosos alicerçados em um pseudo sentimento de amor, Jean Renoir já havia o feito em 1.939 em “A Regra do Jogo”. Introduzindo o espectador em sua obra-prima máxima com uma majestosa sinfonia composta por Wolfgang Amadeus Mozart, o filho de Auguste Renoir (um dos pintores impressionistas de maior renome na história da Arte) nos apresenta à filosofia adotada por ele quando o assunto em pauta é o amor: tal sentimento é rotativo e por este motivo é cada vez mais comum nos depararmos com indivíduos de todas as castas sociais que cometam adultérios.

Considerado um dos filmes cults de Arte mais importantes de todos os tempos, “A Regra do Jogo” utiliza de pano de fundo para retratar a filosofia adotada por Renoir uma suntuosa casa de campo no interior da França onde alguns aristocratas e seus respectivos empregados se unem durante um final de semana para caçar coelhos e faisões. A partir de então somos convidados a conhecer e a conviver, durante dois ou três dias, com um grupo de pessoas fúteis e materialistas. Todos os personagens do longa têm fortes desvios de caráter, porém, se vêem obrigados a maquiar isto perante à sociedade hipócrita e falsa onde vivemos. Homens traem suas esposas, mulheres traem seus maridos, todos alegam que a mentira é uma característica inerente ao ser humano, pessoas se apegam a medidas frívolas e nulas a fim de preencher o vazio existencial presente em seus insossos cotidianos e, no final… bem, no final (um dos desfechos mais imprevisíveis e surpreendentes da história do Cinema) ocorre uma tragédia, tragédia esta que nos faz lucubrar sobre até quando falsos moralismos cristãos irão imperar em nossas vidas (conforme diz um personagem do filme: “___ Corretos estão os mulçumanos que têm um harém ao seu dispor e podem dedicar o verdadeiro amor à mulher que mais ama, sem precisar desprezar as demais).

Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

Semana de 14 a 20/12/2008

Sei que durante esta semana não publiquei tantos artigos aqui no Cine-Phylum quanto gostaria, mas nem por isso mantive inerte a minha vida de aficionado pela sétima Arte, muito pelo contrário. Durante estes últimos dias fiz questão de assistir a três filmes que não havia tido a oportunidade de assistir em outras ocasiões. São eles: “Rashomon” de Akira Kurosawa, “Cassino” de Martin Scorsese e “A Regra do Jogo” de Jean Renoir. Contudo, tive uma semana corrida (uma vez que, mesmo estando livre durante a noite inteira, precisei resolver alguns singelos problemas pessoais e aproveitei este período do dia para fazê-lo) e não me vi capaz de escrever os costumeiros textos de aproximadamente mil palavras que sempre publico por aqui. Sendo assim, não me resta outra alternativa senão escrever mini-críticas sobre as respectivas obras. Comecemos então:

Rashomon (Idem, 1.950, dirigido por Akira Kurosawa) – ***** de *****

Dentre os filmes de Kurosawa que já tive a oportunidade de assistir, este “Rashomon” talvez seja o que melhor comprova a genialidade deste como diretor (o que não quer, necessariamente, dizer que seja o seu melhor filme, uma vez que considero “Os Sete Samurais” um longa ligeiramente superior a este). Logo no início da obra de 1.950 somos brindados com movimentações de câmera para lá de fantásticas. Repare na cena em que um lenhador ruma até o bosque para recolher lenha e Kurosawa o acompanha com um horizontal travelling, fazendo, logo em seguida, o rápido e conveniente uso de um vertical travelling. Posteriormente o diretor posiciona a câmera de um modo que possamos acompanhar o personagem através de um ângulo lateral de 225 graus a sudoeste e, por fim, volta a realizar novamente um horizontal travelling, só que desta vez mais ágil e ousado (pela maneira como impetra o bosque) que o anterior.
Mas o grande trunfo do filme fica por conta da filosofia pessimista adotada por este a fim de abordar a maldade e o egoísmo inerentes à raça humana. Utilizando de pano de fundo para tal o assassinato de um nobre e o atentado violento ao pudor cometido contra a sua esposa, o longa conta com uma primorosa edição que, além de alternar entre passado e presente de maneira sensacional fazendo com que o mesmo ganhe muita dinamicidade e não se revele nem um pouco cansativo, apresenta quatro historietas que narram quatro pontos de vista diferentes em relação ao crime de um modo um tanto o quanto imparcial e detalhista, unindo-os ao final da trama de uma forma simples e nada confusa. Os diálogos são magistralmente fenomenais e, juntamente com o brilhante roteiro, nos faz refletir sobre o quão cruéis e egoístas podemos ser, voluntária ou involuntariamente falando. Por outro lado, em sua cena final, o filme também nos mostra que, apesar de toda a maldade presente em nossa raça, há também gestos benevolentes capazes de tirar parcialmente a humanidade do estado de putrefação que esta sempre se encontrou.

Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

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Cassino (Casino, 1.995, dirigido por Martin Scorsese) – ***** de *****

Ao criticar um determinado filme detesto ter que compará-lo a uma outra obra qualquer do mesmo gênero, mas no caso de “Cassino” e “Os Bons Companheiros” não há como fazê-lo de modo diferente. Por que? Porque os mesmos foram produzidos nos mesmíssimos anos 1.990, roteirizados pelos mesmíssimos roteiristas, dirigidos pelo mesmíssimo diretor, editados pela mesmíssima editora, estrelados pela mesmíssima dupla de atores (apesar de que este longa conta apenas com a dupla De Niro e Pesci. Ray Liotta, infelizmente, ficou de fora do elenco, quebrando o magnífico trio de “Os Bons Companheiros”), narrados pela mesmíssima estrutura narrativa e focados no mesmíssimo tema: a máfia. Contudo, há uma diferença básica entre este longa e o dirigido por Scorsese em 1.990: a escalada social de seus protagonistas. Se em “Os Bons Companheiros” Henry Hill se torna um hábil narcotraficante e, ainda assim, não consegue atingir os mais altos patamares da máfia (uma vez que ele não possui ascendência italiana), em “Cassino” Sam “Ace” Rothstein (apesar de judeu) se torna um poderoso diretor de uma das propriedades mais lucrativas de sua organização. O resultado da obra? Se por um lado o longa protagonizado por Robert De Niro não se revela tão eficiente, cativante e dinâmico quanto o longa protagonizado por Ray Liotta, por outro lado ele nos realiza uma abordagem mais complexa sobre o apogeu e a queda de seu protagonista (e se você acha que o personagem de Liotta era regado de vantagens, espere só até ver o personagem de De Niro).
A direção de Scorsese é, como de praxe, perfeita e repleta de ângulos e movimentações sensacionais realizados por sua câmera. Note a presteza adotada pelo diretor enquanto este filma a seqüência que ilustra o processo desenvolvido pelos funcionários do cassino dentro da sala de contagem, fazendo uso de todas as espécies de travellings existentes. E o que dizer então da breve cena onde temos a impressão de ter uma câmera dentro de um canudo utilizado para cheirar cocaína? As atuações também estão todas fantásticas e o trio de atores principais conta com uma química simplesmente fenomenal (apesar de estar longe de ser tão boa quanto a dinâmica desenvolvida pelo trio Liotta, De Niro e Pesci em “Os Bons Companheiros”). O roteiro se revela bastante competente não só ao abordar o apogeu e a queda de seu protagonista, conforme já fora previamente mencionado, como também ao retratar toda a corrupção e a imundice ética e moral presente nos cassinos de Las Vegas. Infelizmente a edição de Thelma Schoonmaker não se encontra no mesmo nível dos demais aspectos do filme. Longe de realizar um trabalho tão eficaz quanto o que fora realizado em “Os Bons Companheiros”, Schoonmaker deixa de “cortar algumas gordurinhas” que certamente confeririam ao filme um tom mais ágil e vivo, algo mister a uma obra desta espécie.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

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A Regra do Jogo (La Règle du Jeu, 1.939, dirigido por Jean Renoir) – ***** de *****

Jean Renoir foi, inquestionavelmente, um dos nomes que mais serviu de inspiração aos Cinemas moderno e contemporâneo. Antes mesmo de Federico Fellini estabelecer um complexo e contundente panorama sobre as nugacidades adotadas e cultivadas pela alta sociedade a fim de preencher o seu vazio existencial, Jean Renoir já havia o feito em 1.939 em “A Regra do Jogo”. Antes mesmo de Woody Allen traçar as fragilidades de relacionamentos amorosos alicerçados em um pseudo sentimento de amor, Jean Renoir já havia o feito em 1.939 em “A Regra do Jogo”. Introduzindo o espectador em sua obra-prima máxima com uma majestosa sinfonia composta por Wolfgang Amadeus Mozart, o filho de Auguste Renoir (um dos pintores impressionistas de maior renome na história da Arte) nos apresenta à filosofia adotada por ele quando o assunto em pauta é o amor: tal sentimento é rotativo e por este motivo é cada vez mais comum nos depararmos com indivíduos de todas as castas sociais que cometam adultérios.
Considerado um d
os filmes cults de Arte mais importantes de todos os tempos, “A Regra do Jogo” utiliza de pano de fundo para retratar a filosofia adotada por Renoir uma suntuosa casa de campo no interior da França onde alguns aristocratas e seus respectivos empregados se unem durante um final de semana para caçar coelhos e faisões. A partir de então somos convidados a conhecer e a conviver, durante dois ou três dias, com um grupo de pessoas fúteis e materialistas. Todos os personagens do longa têm fortes desvios de caráter, porém, se vêem obrigados a maquiar isto perante à sociedade hipócrita e falsa onde vivemos. Homens traem suas esposas, mulheres traem seus maridos, todos alegam que a mentira é uma característica inerente ao ser humano, pessoas se apegam a medidas frívolas e nulas a fim de preencher o vazio existencial presente em seus insossos cotidianos e, no final… bem, no final (um dos desfechos mais imprevisíveis e surpreendentes da história do Cinema) ocorre uma tragédia, tragédia esta que nos faz lucubrar sobre até quando falsos moralismos cristãos irão imperar em nossas vidas (conforme diz um personagem do filme: “___ Corretos estão os mulçumanos que têm um harém ao seu dispor e podem dedicar o verdadeiro amor à mulher que mais ama, sem precisar desprezar as demais).

Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

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Apenas para avisar ao leitor, esta noite (19/12/2008), possivelmente, estarei assistindo ao polêmico “Gomorra”, filme italiano de Matteo Garrone que, segundo muitos críticos, é a melhor obra cinematográfica sobre a máfia produzida desde 1.974, ano em que foi lançado nos cinemas do mundo todo um tal de “O Poderoso Chefão – Parte II”, já ouviram falar? Pois é, contudo, não confio nem um pouco em comentários do tipo: “Este é o melhor filme de um determinado gênero produzido desde tal ano”. Prefiro, como sempre, dirigir-me ao cinema mais próximo sem criar prévias expectativas positivas ou negativas antes do término da sessão. A crítica? Provavelmente saia amanhã (20/12/2008).

Até lá,

um forte abraço a todos!

Daniel Esteves de Barros – Editor do blog Cine-Phylum e co-editor do site Papo Cinema

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