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Um Louco Apaixonado – ** de *****

“Um Louco Apaixonado” é um título nacional que mostra toda a imbecilidade e previsibilidade da trama que… não, não usarei a pré-crítica para avacalhar o título nacional do filme que acabei de assistir, farei algo diferente. Você alguma vez já assistiu a uma produção que considera ruim, tem certeza absoluta de que é ruim, mas, estranhamente, acaba se identificando com a mesma? Provavelmente sim, não é? Pois é o que aconteceu comigo logo após o término da sessão de “Um Louco Apaixonado”. Vejamos mais detalhadamente logo mais abaixo.

Ficha Técnica:
Título Original: How to Lose Friends & Alienate People.
Gênero: Comédia.
Tempo de Duração: 110 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://how2losefriends.com/
Nacionalidade: Inglaterra.
Direção: Robert B. Weide.
Roteiro: Peter Straughan, baseado em livro de Toby Young.
Elenco: Simon Pegg (Sidney Young), Kirsten Dunst (Alison Olsen), Danny Huston (Lawrence Maddox), Megan Fox (Sophie Maes), Jeff Bridges (Clayton Harding), Gillian Anderson (Eleanor Johnson), Max Minghella (Vincent Lepak), Miriam Margolyes (Sra. Kowalski), Diana Kent (Rachel Petkoff), Charlotte Devaney (Bobbie), Margo Stilley (Ingrid), Isabella Callthorpe (Anna), Hannah Waddingham (Elizabeth Maddox), Kelan Pannell (Sidney Young – jovem), Janette Scott (Sra. Young), Miquel Brown (Assistente de Clayton), Thandie Newton (Thandie Newton), Daniel Craig (Daniel Craig) e Kate Winslet (Kate Winslet).

Sinopse: Sidney Young (Simon Pegg) é um jovem editor de uma insignificante revista inglesa chamada Post Modern Reviews. O rapaz vive inconformado com o rumo o qual tem tomado o jornalismo cinematográfico ultimamente. Para ele, a profissão deveria ser mais ousada, mais descarada e, acima de tudo, mais sincera. Clayton Harding (Jeff Bridges), editor chefe da Sharps Magazine, uma das maiores revistas do mundo, se impressiona com o trabalho audacioso e polêmico que Young realizou na pequena empresa em que trabalha e decide o contratar como funcionário. Young se mostra extremamente fora dos padrões estipulados para ser um jornalista de sucesso, mas aos poucos vai conquistando fama e dinheiro. Young conquista também Sophie Maes (Megan Fox), a atriz “do momento”, mas o seu verdadeiro amor é Alison Olsen (Kristen Dunst) e decide investir pesado para conquistá-la.

How to Lose Friends & Alienate People – Trailer:

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Crítica:

Ah, o Cinema! Como o Cinema é fascinante! Uma verdadeira indústria, isso sim! Uma indústria de sonhos, uma indústria de fantasia, enfim, uma indústria “do bem”, não? De fato, é. E não bastasse a magia por trás do Cinema, temos também várias pessoas empregadas graças a esse. Sabe o que é mais curioso ainda? Que o Cinema emprega pessoas direta e indiretamente falando. Além de roteiristas, diretores, atores, editores, diretores de fotografia e muitas outras profissões, o Cinema emprega também profissionais adjacentes a ele. Dentre os “empregados” indiretos da indústria cinematográfica encontramos, é claro, os jornalistas cinematográficos. Nesta área o leque é muito grande e pode variar desde os famosos “paparazzi” (aliás, é curioso que o longa em questão cite tanto “A Doce Vida”, já que o termo “paparazzi” teve origem no filme de Fellini) até os editores de grandes revistas, passando até mesmo pelos críticos de Cinema.

Lendo o parágrafo supra, de cabo a rabo, não há como deixarmos de notar o quanto o Cinema mexe com a vida e, principalmente, com o bolso de muita gente, não é? De fato, mas todos nós sabemos que, onde tem dinheiro tem sujeira, não é mesmo? Pois é, e nos bastidores do Cinema, caros leitores, é assim que a coisa funciona, através de muita hipocrisia. Já vimos isso perfeitamente no perfeito (a redundância, aqui, é proposital) “Crepúsculo dos Deuses” e podemos vê-lo novamente, de modo infinitamente menos eficiente e pretensioso, no recente “Um Louco Apaixonado”. Entretanto, se o filme de Billy Wilder mostrava a banda podre de Hollywood focando-se no modo como a indústria despreza os grandes atores que já não tem mais o grande “brilho” que tiveram outrora, o longa dirigido por Robert B. Weide critica a maneira como os empresários da sétima Arte colocam no topo um desconhecido qualquer e manipula meio mundo para mantê-lo ali, enquanto lhes for conveniente.

“Um Louco Apaixonado” mostra então o modo como a fama é “comprada”. A primo, um empresário seleciona um ator (no caso do filme, uma atriz) de boa aparência física e um diretor tentando ser moderninho (Hum! Lembrei-me de Gus Van Sant agora) e faz de tudo para chamar a atenção da imprensa especializada. Feito isso, “compram” matérias positivando o talento de seus “clientes” e, por fim, “compram” críticas de Cinema que os enalteçam ainda mais, a ponto de serem indicados a um importante prêmio. Por fim, após lucrarem muito com os profissionais, os colocam na geladeira. Estes perdem todo o glamour e a badalação comandada, principalmente, pelos jornalistas, que os deixam de escanteio e correm atrás de novas estrelas.

Uau! Quem poderia imaginar que uma produção com um título nacional tão tosco quanto “Um Louco Apaixonado” teria a capacidade de nos levar a uma reflexão tão profunda, hein? De fato, a produção nos remete a altas reflexões acerca dos imundos bastidores da sétima Arte. Mas esperem aí, antes de qualquer coisa, a obra protagonizada por Simon Pegg é uma comédia, não? Sendo assim, antes de nos fazer refletir sobre o que quer que seja, ela deve nos fazer rir. E será ela consegue realizar tal feito? Aí é que está, não consegue.

O que se vê então é um roteiro, escrito por Peter Straughan, muito falho e que nos chama mais a atenção do que a sirene de uma ambulância. A todo o instante somos apresentados a cenas ridículas e o roteiro praticamente fala: “___ Olha, prestem atenção, essa vai ser uma boa “gag”, preparem-se para rir.”. O problema é que você não ri de forma alguma, pois não acontece nada demais, ou nada que você já não tenha visto em outros inúmeros filmes do gênero. O velho truque de enganar os espectadores inserindo na trama mulheres aparentemente gostosonas que, no final das contas, se revelam travestis extremamente “turbinados” revela-se um dos pontos mais altos da produção (para se ter a idéia da mediocridade da mesma). E sabem o que é pior? Não bastasse o fato da “gag” ser utilizada uma vez, ela se repete minutos mais tarde, o que atesta a total falta de cri
atividade, inspiração e bom humor de “Um Louco Apaixonado”.

No mais, a comédia tenta nos divertir com cenas fraquíssimas e extremamente artificiais. Tão artificiais quanto os seus personagens que resumem-se ao cara babaca que não faz nada certo mas que, repentinamente, se revela um gênio do jornalismo cinematográfico; à moça que trabalha com ele e, a princípio, o odeia, mas com o passar do tempo passa a amá-lo; ao chefe hipócrita, oportunista e falso; ao patrão carrancudo e mal humorado; ao cineasta “blasé” que é superestimado pela crítica, dentre vários outros personagens que nem vale a pena ficar citando neste texto.

É extremamente estranho, porém, que uma comédia tão visivelmente insossa quanto “Um Louco Apaixonado” conte com uma direção ligeiramente aceitável e atuações competentes. Logo no início do filme Robert B. Weide emprega aspectos técnicos bastante satisfatórios, fazendo o uso de técnicas como “close outs”, “travilings”, “handcam”, ou jsutapondo uma cena sobre a outra verticalmente e horizontalmente (um recurso muito empregado no seriado “Everybody Hates Chris”, ou, como é chamado aqui no Brasil, “Todo Mundo Odeia o Chris”).

Os atores também fazem o que podem com os seus papéis, e não é culpa deles que o roteiro os desenvolva de forma tão burlesca. Veja o personagem de Simon Pegg, por exemplo, não passa do típico fracassado das comédias deste naipe que, próximo ao final do filme, dará uma guinada em seu destino. No entanto, Pegg atua muito bem, sente-se natural com o papel e conta com bastante carisma. O mesmo ocorre com Kristen Dunst. A “Spidergirl” encarna o papel mais simplório e menos criativo que se possa imaginar, mas, como sempre, o faz de um modo natural, conferindo muito charme à sem-graça Alison Olsen (e podem me xingar à vontade, mas gosto muito do trabalho de Dunst, mesmo quando ela assume o caricato papel de Mary Jane Watson). Os demais atores também estão muitíssimo bem (salvo Megan Fox, Gillian Anderson (que já era canastra desde os tempos do superestimado seriado “Arquivo X”) e Max Minghella), em especial Jeff Bridges que, mesmo sendo caricato, esbanja carisma e charme, como de praxe.

É lamentável, no entanto, vermos que uma comédia que conta com uma direção interessante, um elenco ligeiramente afiado e, de quebra, aborda a podridão contida nos bastidores da sétima Arte, escorregue em um roteiro tão imaturo e que se mostra visivelmente falho na tentativa de construir “gags” forçadas e artificiais a todo o instante, transformando “Um Louco Apaixonado” em um filme nada mais do que meramente esquecível.

Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

Crítica – Homem de Ferro

Quem acompanha as minhas publicações há algum tempo já deve ter percebido que nunca fui lá muito fã de histórias em quadrinhos e, por este motivo, sempre que vou analisar um filme inspirado em uma, creio que seja mais do que conveniente mencionar isto antes de dar início à crítica, afinal de contas, seria um prévio aviso ao leitor de que não irei analisar um filme realizando analogias entre este e a fonte que o inspirou. Partindo do ponto de vista nulo, este “Homem de Ferro” será por mim analisado apenas como um filme, e não como uma adaptação, destarte, qualquer falha desta natureza encontrada em meu texto peço desculpas adiantadas ao leitor.

Ficha Técnica:
Título Original: Iron Man
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.homemdeferro.com.br
Estúdio: Dark Blades Film / Marvel Entertainment / Road Rebel
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Art Marcum, Matt Holloway, Mark Fergus e Hawk Otsby, baseado em personagens criados por Stan Lee, Don Heck, Jack Kirby e Larry Lieber
Produção: Avi Arad e Kevin Feige
Música: Ramin Djawadi
Fotografia: Matthew Libatique
Desenho de Produção: J. Michael Riva
Direção de Arte: Suzan Wexler
Figurino: Rebecca Bentjen e Laura Jean Shannon
Edição: Dan Lebental
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / The Orphanage / Lola Visual Effects / The Embassy / Pixel Liberation Front / Stan Winston Studio / Gentle Giant Studios
Elenco: Robert Downey Jr. (Tony Stark / Homem de Ferro), Terrence Howard (Tenente-coronel James “Jim” Rhodes), Jeff Bridges (Obadiah Stane / Monge de Ferro), Leslie Bibb (Christine Everhart), Shaun Toub (Yinsen), Faran Tahir (Raza), Sayed Badreya (Abu Bakaar), Bill Smitrovich (General Gabriel), Clark Gregg (Agente Phil Coulson), Tim Guinee (Major Allen), Gwyneth Paltrow (Virginia “Pepper” Potts), Kevin Foster (Jimmy), Garett Noel (Pratt), Eileen Weisinger (Ramirez), Ahmed Ahmed (Ahmed), Gerard Sanders (Howard Stark), Jon Favreau (Hogan), Thomas Craig Plumer (Coronel Craig), Samuel L. Jackson (Nick Fury) e Stan Lee.


Sinopse:

Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um industrial bilionário e um brilhante inventor. Ao ser seqüestrado ele é obrigado, por terroristas, a construir uma arma devastadora, mas, ao invés disto, constrói uma armadura de alta tecnologia que permite que fuja de seu cativeiro. A partir de então ele passa a usá-la para combater o crime, sob o alter-ego do Homem de Ferro.

Iron Man – Trailer

Crítica:

Não é preciso ser um leitor aficionado por histórias em quadrinhos (meu caso) para inferir que estas tratam, quase sempre, da mesma coisa: ou temos uma pessoa extremamente comum que ganha super poderes após sofrer uma mutação genética (e na grande maioria dos casos, tal mutação ocorre em virtude a uma experiência radioativa que acaba sendo mal sucedida) ou então temos a mesma pessoa extremamente comum, mas rica ao extremo, que se sensibiliza com os fracos e oprimidos e decide utilizar toda a sua fortuna para protegê-los dos vilões gananciosos que tanto os ameaça. Este “Homem de Ferro” utiliza a segunda hipótese a fim de construir o seu personagem principal e, como já era de se esperar, afunda em boa parte dos clichês do gênero.

O protagonista é um típico playboy que ocupa o seu tempo única e exclusivamente com mulheres, carrões, jogos de azar e dinheiro, mas após passar por uma experiência traumática (é seqüestrado por um grupo terrorista no Afeganistão que comete atentados utilizando armas fabricadas pela indústria bélica dirigida e administrada por ele) decide, da maneira mais artificial o possível (o roteiro deveria ter desenvolvido o lado sentimental do personagem de maneira mais convincente, sem dúvida alguma), utilizar sua indústria para fazer o bem. A partir deste momento, Stark (protagonista do longa, que será chamado assim de agora em diante) constrói uma armadura com um tremendo poder de defesa e destruição e utiliza a mesma para tornar o mundo um lugar melhor para se viver (ohhh! O bom homem estadunidense).

Mas os clichês não param por aí. Stark ainda arruma tempo para se envolver amorosamente com a secretária (o típico romance dispensável à trama) que, é claro, trata-se de uma moça assaz bondosa, amável, simpática, atenciosa, fiel e confiável, ao passo que o vilão coadjuvante (se é que este termo existe), se alicerça no estereótipo do vilão carrancudo e cruel que, a fim de aumentar ainda mais a artificialidade por trás de si, conta com um desnecessário arrigo por parte da maquiagem que se atreve a pintar uma enorme mancha vermelha (sinceramente não sei se aquilo vem a ser sangue ou não) em sua nuca (ah, e é claro que o vilão coadjuvante é calvo, como não poderia deixar de ser). No entanto, confesso ter me surpreendido, e muito, com o vilão principal do filme que, apesar de megalomaníaco ao extremo, não possui, aparentemente, quaisquer características inamistosas ou caricatas ao extremo (o que é uma benção em produções cinematográficas desta estirpe).

Voltando aos defeitos do longa, infelizmente estes não se resumem apenas a seus clichês. O desenvolvimento inicial do super-herói da produção também deixa bastante a desejar. É incrível como o diretor Jon Favreau realiza tal desenvolvimento de maneira burocrática e, consequentemente, demasiadamente lenta, fazendo com que o público demore excessivamente para se identificar com o herói, além, é claro, de tornar o filme monótono e cansativo durante o seu primeiro ato.

Mas nem tudo são erros em “Homem de Ferro”. Se por um lado o roteiro, assim como a direção, deixa a desejar, por outro lado temos uma ótima direção de arte (repare só no modo cauteloso como as armaduras do personagem-título e do vilão do filme foram criadas), efeitos visuais muito bons, tal como os efeitos sonoros, uma trilha-sonora fantástica (apesar de que o longa abre justamente com a música mais lugar-comum do AC/DC),  as seqüências de ação que, apesar de poucas, são ótimas e a atuação de Robert Downey Jr., que é bem consistente (pena que Gwyneth Paltrow, aqui, esteja mais canastrona do que nunca).

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

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