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Inimigos Públicos – *** de *****
Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 25 de julho de 2.009.

Ficha Técnica:
Título Original: Public Enemies.
Gênero: Drama / Policial.
Tempo de Duração: 140 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Países de Origem: Estados Unidos da América.
Site: http://www.paramountpictures.com.br/inimigospublicos/
Direção: Michael Mann.
Roteiro: Michael Mann, Ann Biderman, Ronan Bennett, baseado no romance de Bryan Burrough.
Elenco: Johnny Depp (John Dillinger), Marion Cotillard (Billie Frechette), Christian Bale (Melvin Purvis), Billy Crudup (J. Edgar Hoover), Stephen Dorff (Homer Van Meter), Stephen Graham (Babe Face Nelson), Jason Clarke (John “Red” Hamilton), Stephen Lang (Charles Winstead), Giovanni Ribisi (Alvin Karpis), Emilie de Ravin (Barbara Patzke), David Wenham (Harry “Pete” Pierpont), Channing Tatum (Pretty Boy Floyd), James Russo (Walter Dietrich), William Nero Jr. (Jovem Fazendeiro) e outros.
Sinopse: Durante a Depressão (período após a quebra da bolsa norte-americana em 1929), o governo americano tenta deter os criminosos John Dillinger (Johnny Depp), Baby Face Nelson (Stephen Graham) e Pretty Boy Floyd (Channing Tatum), transformando o FBI na primeira agência federal de polícia do país.
Fonte Sinopse: Cineclick.
Public Enemies – Trailer:
Crítica:
“___ Por que será que toda a produção cinematográfica protagonizada por Jhonny Depp, cujo tema central seja: “organizações criminosas”, tem que ser tão alicerçada em inúmeros clichês do gênero?” ___ Pensava eu enquanto assistia a “Inimigos Públicos”, sentado na terceira fileira da sala de cinema, recordando-me diretamente do fraco “Profissão de Risco”, que mais parecia um plágio do excelente “Os Bons Companheiros” e que contava com Depp encabeçando o elenco principal.
Coincidência ou não, à primeira vista “Inimigos Públicos” deu a entender que seria mais um filme do gênero gangster com Depp no elenco (ainda não assisti a “Donnie Brasco” para poder concretizar analogias por aqui) e recheado de situações para lá de clichês, bem como o longa “Profissão de Risco”, mencionado há pouco. Explico.
Quando a produção tem o seu início, nos vemos em uma prisão. Em seguida, o protagonista surge em cena e pouco mais para frente profere aquele que eu gostaria de marcar como sendo o grande diálogo do filme: “___ Meus amigos me chamam de Jhon, mas um filho da p*** como você, é melhor me chamar de “Sr. Dillinger”.”. Trata-se de uma frase clichê? Obviamente sim, mas Jhonny Depp consegue a proferir de um modo que não soe arrogante, como certamente soaria na pele de um ator menos talentoso, e isso faz com que o diálogo assuma um ar mais jocoso e não necessariamente ameaçador, o que acabaria nos remetendo à fala típica de um filme qualquer que já tenha sido reprisado uma quinze vezes no “Domingo Maior”.
Todavia, nem mesmo o talento ímpar do eterno Jack Sparrow acaba salvando a primeira hora de filme que, ao invés de explorar os seus protagonistas de maneira decente, se propõe a seguir mais um formato parecido com o supracitado “Os Bons Companheiros”, o ótimo “O Gângster”, o fenomenal “Acossado” e até mesmo o superestimado, embora interessante, “Fogo Contra Fogo”, o que acaba caracterizando um certo auto-plágio, uma vez que a produção enraizada por Al Pacino e Robert DeNiro era comandada pelo mesmo Michael Mann que assina como diretor em “Inimigos Públicos”.
Por que estou afirmando isso? Simples, porque ora o filme aborda a vida boêmia de Dillinger (o que nos remete à lembrança do filme ‘Scorsesiano’), ora aborda o relacionamento amoroso entre ele, um bandido cafajeste e apaixonado, e sua namorada, Billie Frechette, uma moça de certos princípios (o que também nos remete um pouco à lembrança de “Os Bons Companheiros” e, principalmente, “Acossado”) e ora pende para o eterno drama policial “gato-e-rato” (no que nos faz lembrar dos já mencionados “O Gângster” e “Fogo Contra Fogo”). O que há de errado nisso? Nada, ou melhor, não haveria nada de errado caso o roteiro se decidisse definitivamente qual caminho apetece traçar, e não é bem isso o que acaba acontecendo aqui.
Mas o filme se desenvolve e passa a ganhar um ar mais maduro. Adquire uma personalidade própria. Jhonny Depp vai se tornando cada vez mais Jhonny Depp. Michael Mann vai se tornando cada vez mais Michael Mann. O primeiro cria um personagem quase marcante, que só não se torna memorável ao extremo em face do primeiro ato insosso (e isso é culpa integral do roteiro, já que o astro hollywoodiano encarna o seu papel magistralmente bem, até mesmo durante a metade inicial do filme). Mann, por sua vez, vai abandonando aos poucos a direção excessivamente “handcam” à lá Jean-Luc Godard que havia adotado no início da produção e passa a realizar um trabalho com câmeras que tem muito mais a sua cara. Vide a maneira dinâmica e eficiente a qual ele adota para filmar o tenso tiroteio em meio ao bosque, ocorrido entre a metade e o início do terceiro ato, para se ter uma idéia da maestria de seu trabalho.
E embora a supracitada sequência não tenha o mesmo peso que aquela ocorrida em “Fogo Contra Fogo” (sim. Aquela mesma. Aquele tiroteio ininterrupto em meio ao trânsito que tem, em média, os seus dez minutos de extensão), mostra-se tensa o bastante para nos fazer arregalar os olhos durante toda a sua execução.
O filme ganha muito ritmo a partir de então. Incrível notarmos como uma única cena pode injetar um ritmo gradativamente diferente a uma produção cinematográfica. O longa pálido, insosso e sem personalidade de outrora toma vergonha na cara e ganha muito mais força, muito mais vigor, muito mais dinamicidade e muito mais adrenalina.
É aí que Mann passa a se dar conta de que o que tem em mãos é um simples filme gângster exageradamente comercial. Custava ter se dado conta disso desde o início da projeção? Caso Mann o tivesse feito, “Inimigos Públicos” teria nos brindado com uma metade inicial bastante parecida com a sua metade final e, consequentemente, a experiência teria se revelado muito mais satisfatória como um todo.
Destaque para a recriação da época (década de 1.930, no caso), que é feita desde a direção de Arte que espalha cartazes publicitários típicos daquele período por todo o cenário, até mesmo ao simples, mas bem bolado, fato de nos vermos capazes de assistir a alguns segundos de Looney Toones (em preto-e-branco, diga-se) dentro de uma sala de cinema (já que, na ocasião, as pessoas menos favorecidas, financeiramente falando, não tinham acesso à televisão).
Avaliação Final: 7,3 na escala de 10,0.
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